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Os macacos salteadores deixam os fazendeiros frustradosDespertai! — 1980 | 8 de novembro
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Os macacos salteadores deixam os fazendeiros frustrados
Do Correspondente de “Despertai!” nas Ilhas Sotavento
UM FAZENDEIRO das Índias Ocidentais ficou observando os restos de um quinto de hectare de batatas destruído, representando meses de trabalho. Como muitos fazendeiros ilhéus, tornara-se vítima duma emboscada de macacos. Tendo surpreendido um bando de 50 ou 60 macacos guinchadores em sua horta naquela manhã, perseguiu-os floresta adentro para localizar o esconderijo deles. Ao retornar, pouco tempo depois, descobriu que outro bando de salteadores invadira sua horta do lado oposto do campo.
Tais incidentes salientam os séculos de conflito entre fazendeiros frustrados e bandos saqueadores de macacos verdes, ocidentais. Grandes quantidades de cana, pepinos, cenouras e outros produtos são destruídas cada ano quando estes salteadores se precipitam das montanhas de São Cristóvão e Nevis, nas Índias Ocidentais. As incursões remontam a meados do século 17. Por volta daquela época, eles se haviam tornado tão destruidores que foi feita uma legislação declarando-os uma praga e concedendo gratificações por todo macaco eliminado. O problema é similar ao que tem ocorrido em muitas partes da terra à medida que a dispersão da humanidade força a vida selvagem a ir para regiões que não oferecem um suprimento adequado de alimentação para ela.
Os fazendeiros furiosos combatem-nos. Espantalhos elaborados, armadilhas ocultas, cães de guarda, guardas de plantações, caçadores de recompensas — estes são apenas alguns dos meios empregados para reprimir as invasões dos macacos. Mas, infelizmente, não são muito bem sucedidos.
Aproximam-se cautelosamente dos espantalhos deixados no campo para afastar os invasores. Durante vários dias os macacos atiram pedras nos espantalhos, achegando-se aos poucos a eles. Aproximam-se, por fim, e os fazem em pedaços. Um caçador de recompensas ocultava-se no meio de folhagens, mas, para seu desgosto, os macacos percebiam seu disfarce muito antes que ele chegasse a alcançá-los. Certo fazendeiro amarrou seu cão na horta, confiando em que seus latidos detivessem os macacos. Quando voltou, ficou consternado ao descobrir que os macacos haviam devorado todo o milho novo, e o cão estava cochilando tranqüilamente, bem perto!
Os macacos empregam diversas estratégias ladinas. Antes de se aproximarem de uma prospectiva horta, eles colocam um único macaco para fazer um reconhecimento. Este vigia trepa numa árvore alta. Ao avisar que o caminho está livre, os machos se aproximam do local, seguidos pelas fêmeas. Depois, todos arrancam, despedaçam e desarraigam a plantação até se empanturrarem. Depois de o bando ter-se saciado, o sentinela toma a sua parte do alimento. Entretanto, se ele deixar de dar o aviso adequado quanto à aproximação do fazendeiro, os machos do bando o matarão.
Quando come numa horta, a mamãe macaca não leva seu filhote à área de alimentação. Ela o deixa escondido no capinzal alto, ao longo do seu caminho de fuga. Ao sinal de perigo, dado pelo vigia, ela corre do campo dando um grito de alarme para seu filhote. Enquanto ela corre em direção ao pequenino, este trepa no flanco dela, agarrando-se ali desesperadamente. Às vezes, na confusão, o filhote não consegue, ou ele trepa na mãe errada, e é deixado para trás. Amiúde, quando isto acontece, o fazendeiro leva o filhote como mascote para seus filhos.
Sabe-se de mamães macacas, quando encurraladas, às vezes suplicarem misericórdia. Erguem seu filhote como razão para se demonstrar compaixão para com o indefeso. Ou, se prenhe, sabe-se de mamães afagarem a barriga para chamar atenção para sua prenhez. Quando nasce, o macaquinho parece um ratinho sem pêlo. A cor de sua pele é um lindo verde, levemente azulado (observável por um ou dois anos), e é aparentemente por esta razão que é chamado de “macaco verde”. Na fase adulta, ele é amarelo-acinzentado, com o peito e partes das pernas e dos braços brancos. Quando plenamente desenvolvidos, os adultos pesam quase 7 quilos.
Quem está na frente, no contínuo conflito entre macaco e fazendeiro? Não é fácil definir. Entretanto, recentes exames do campo, realizados por membros da Fundação da Ciência do Comportamento, sob a direção do Dr. Frank Ervin, indicam que entre sete e 12 mil macacos verdes de São Cristóvão habitam atualmente na ilha. O relatório sugere 34.000 macacos como sendo o número máximo que a ilha poderia alimentar durante o ano se eles continuarem a morar apenas nas regiões atualmente ocupadas. Este algarismo indica que quase tantos macacos quantas pessoas poderiam morar confortavelmente na ilha.
Mas, os fazendeiros frustrados talvez discordem disso.
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Observando o MundoDespertai! — 1980 | 8 de novembro
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Observando o Mundo
‘Mundo em Perigo’
◆ “No início da década de 80, a comunidade mundial enfrenta perigos muito maiores do que em qualquer outra época, desde a Segunda Guerra Mundial”, afirma recente relatório da Comissão Independente Sobre Questões de Desenvolvimento Internacional, da Europa. Tal comissão, dirigida pelo ex-chanceler da República Federal da Alemanha, Willy Brandt, também disse que “torna-se claro que a economia mundial está agora funcionando tão mal que prejudica tanto os interesses imediatos como os a longo prazo, de todas as nações”. The Guardian, de Londres, Inglaterra, comentou que a linguagem desse relatório “não está longe do pânico”, e também observa que “em face dos perigos reais que se acercam, a única solução tem sido
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