BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • yb86 pp. 186-252
  • Nigéria

Nenhum vídeo disponível para o trecho selecionado.

Desculpe, ocorreu um erro ao carregar o vídeo.

  • Nigéria
  • Anuário das Testemunhas de Jeová de 1986
  • Subtítulos
  • UM CAMPO DESAFIADOR
  • PEQUENOS COMEÇOS
  • O “NEGRO” BROWN E O “BÍBLIA” BROWN
  • LAGOS TORNA-SE SEDE
  • PUBLICAÇÕES NO VERNÁCULO E VIAGENS PARA PROFERIR DISCURSOS
  • A VERDADE SE ESPALHA
  • ‘EM NENHUM SENTIDO AMEDRONTADOS PELOS OPONENTES’
  • TRABALHADORES VOLUNTÁRIOS SÃO ABENÇOADOS POR JEOVÁ
  • EMOCIONANTES DISCURSOS PÚBLICOS E ASSEMBLÉIAS
  • PODEROSO INSTRUMENTO PARA DIVULGAR AS BOAS NOVAS
  • MÉTODOS INCOMUNS DE PREGAÇÃO
  • TESTADOS QUANTO À LEALDADE
  • A GUERRA MUNDIAL TRAZ RESTRIÇÕES
  • PRISÕES E PETIÇÕES
  • ENTRARAM EM CENA DURANTE A GUERRA
  • ABAIXO-ASSINADO BEM-SUCEDIDO
  • CHEGAM OS PRIMEIROS FORMADOS DE GILEADE
  • QUERIAM CONHECER OS MISSIONÁRIOS
  • CHEGA O IRMÃO KNORR
  • A POLIGAMIA REPRESENTA PROBLEMAS
  • LANÇADO PROGRAMA DE ALFABETIZAÇÃO
  • BARRACAS DE BAMBU E FALÊNCIA DE ÍDOLOS
  • ATÉ À VISTA, “BÍBLIA” BROWN
  • MISSIONÁRIOS EM AÇÃO!
  • DEUSES IMPOTENTES
  • MAIS FORMADOS DE GILEADE
  • CONTRASTE ENTRE POLÍGAMOS
  • REUNIÕES PÚBLICAS — ESTILO NIGERIANO
  • PENETRAÇÃO EM TERRITÓRIOS NÃO-DESIGNADOS
  • AJOELHAR-SE OU NÃO AJOELHAR-SE?
  • APRIMORADOS ARRANJOS ORGANIZACIONAIS
  • CERTIFICANDO-SE DE QUE OS CASAMENTOS SEJAM HONROSOS
  • ASSEMBLÉIAS HISTÓRICAS DOS SERVOS DE JEOVÁ
  • ESCOLAS ESPECIAIS PARA SUPRIR NOSSAS NECESSIDADES
  • O IRMÃO GOOCH PARTE
  • FÉ SÓLIDA EM MEIO A AGITAÇÃO NACIONAL
  • JUJU FALHA
  • COMEÇA UMA CRISE
  • PROTEGIDOS POR CAUSA DA NEUTRALIDADE
  • TEMPOS DE CRISE
  • AÇÕES EM FACE DA GUERRA
  • INTEGRIDADE E AUMENTO DURANTE A GUERRA
  • UM DEUS DE ATOS SALVADORES
  • AJUDA DE SUPERINTENDENTES VIAJANTES
  • “PROVISÕES PARA A CRISE”, DA PARTE DE JEOVÁ
  • NOTÁVEL FORÇA ESPIRITUAL
  • APOIO DAS ASSEMBLÉIAS “PAZ NA TERRA”
  • SUPRIMENTOS DE SOCORRO
  • PASSARAM FIRMES POR UMA PROVAÇÃO
  • LÍDERES RELIGIOSOS ENVOLVERAM-SE NA GUERRA
  • PERSEGUIDORES SE TORNAM IRMÃOS
  • APÓS A GUERRA — REORGANIZAÇÃO
  • PRIMEIRA ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL
  • GRANDE MULTIDÃO DE PROCLAMADORES DO REINO
  • ASSEMBLÉIAS PARA ATENDER A MULTIDÕES CRESCENTES
  • EXPANSÃO NO PRÉDIO DA FILIAL
Anuário das Testemunhas de Jeová de 1986
yb86 pp. 186-252

Nigéria

ESTA nação foi concebida pelos britânicos no início do século 20, quando eles encerraram dentro duma mesma fronteira uma estonteante diversidade de pessoas que falam mais de 250 línguas. Por muitos séculos estas tiveram seus reinos, cidades-estados e sistemas sociais independentes. Contudo, foi em 1.º de outubro de 1960, quando a Nigéria se tornou um estado soberano politicamente independente, que, no conceito dos nigerianos, a nação realmente veio à existência. O país tem sido profundamente influenciado por sua herança diversificada.

A Nigéria é umas quatro vezes maior do que a Grã-Bretanha, e tem mais do que o dobro do tamanho do estado da Califórnia, nos EUA. Esta grande região é atravessada pelo Níger — o terceiro mais longo rio da África, com 4.180 quilômetros de extensão — e o Benué. Estes formam um sistema fluvial que a grosso modo divide o país em três regiões. No norte vivem os hausas, os fulanis e muitas outras tribos menores. No sul, a oeste do Níger, vivem os iorubas e a leste os ibos, além de uns 200 outros grupos tribais. Com as suas diversificadas culturas, tradições, línguas e religiões, há muitos fatores divisórios em operação. Mas, a língua inglesa tem sido um importante elo de ligação que os mantêm agregados como uma só nação, a mais populosa da África.

UM CAMPO DESAFIADOR

Os ministros cristãos que se incumbem da pregação das boas novas do Reino de Deus aqui constatam que se trata duma designação mui desafiadora. A Nigéria fica logo ao norte do equador. O clima é quente e úmido ao longo da costa. Há também vastos pantanais. Com este conjunto de circunstâncias, o país tem sido assolado por doenças como malária, febre amarela, lepra e verminose. Esta região pertence àquela área da África Ocidental outrora chamada de “Sepultura do Homem Branco”. A situação no norte é um tanto diferente. Esta área se estende em direção ao Saara, tornando-se semidesértica em certos lugares.

A religião predominante é o islamismo, que parece ter sido introduzido por volta de 900 EC, e estabeleceu um firme reduto no norte. Cerca da metade da população do país é constituída de muçulmanos, um terço de “cristãos”, e o restante se apega a seus cultos antigos. Comunidades inteiras, especialmente no sul, foram “cristianizadas” em grande parte do mesmo modo como a Europa foi—por coerção ou engodo, em vez de por se fazer discípulos de indivíduos. Assim, não causa surpresa o fato de que crenças e práticas tradicionais de seus antigos cultos ainda influenciem fortemente a vida deles.

Os ministros cristãos que servem aqui precisam enfrentar o problema do alastrado analfabetismo. Também, deparam-se com a situação de pregar em vilarejos em que se oferecem regularmente sacrifícios a deuses fetichistas em rituais demoníacos. Incorrem na oposição de sociedades secretas como a Odozi Obodo e organizações juju como a Ekpo. Deparam-se freqüentemente com feiticeiros.

Mas isto é apenas parte do quadro. O cristão que vem do além-mar não pode deixar de ficar impressionado com a prontidão do povo—mesmo alguns muçulmanos—em falar sobre religião. Muitos nigerianos são verdadeiros amantes da Bíblia. Os jornais em geral publicam muita coisa sobre assuntos religiosos. Vêem-se amiúde nomes e lemas religiosos, que os visitantes muitas vezes acham engraçados. Uma loja talvez se chame “Abençoada Companhia de Comércio”, ou, “Armazém Primeiro Deus”. Veículos talvez ostentem o lema “Deus É Meu Ajudador”, e um letreiro pintado num caminhão caindo aos pedaços talvez proclame: “O Homem Propõe — Deus Dispõe.”

PEQUENOS COMEÇOS

A obra de fazer discípulos na Nigéria tem tido estreita ligação com o progresso teocrático em outros países africanos ocidentais. Em diferentes períodos, a filial da África Ocidental da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), localizada em Lagos, teve supervisão sobre Gana, Serra Leoa, Benin, Togo, Camarões e Guiné Equatorial. Pioneiros, pioneiros especiais e missionários nigerianos têm servido nesses países, bem como em Gambia, na República Central Africana e na Libéria. Como é que tudo começou?

Evidentemente foi em fins de 1921 que as boas novas chegaram pela primeira vez à Nigéria, quando Claude Brown fez uma breve visita e alguma pregação, especialmente no norte. O irmão Brown era um antilhano que havia morado em Winnipeg, Canadá. Ele visitou de novo a Nigéria em 1923 e proferiu vários discursos em Lagos.

Nessa época os grupos de estudo bíblico eram dirigidos por Vincent Samuels, um negro americano que estabelecera uma alfaiataria em Tinubu Square, Lagos. Ele tomou a iniciativa de pregar de casa em casa e usava a publicação A Harpa de Deus, da Torre de Vigia, em sessões de estudo bíblico com um grupo de 15 pessoas no lar de certa sra. Odunlami.

James Namikpoh, encadernador e impressor que trabalhava na gráfica do governo em Lagos, ouviu a respeito dessas sessões e passou a se associar com o pequeno grupo em 1923. Fez progresso rápido e tornou-se o primeiro nigeriano a empreender a pregação ativa. Logo depois a sra. Odunlami o seguiu. Mais tarde naquele ano Joshua Owenpa viu A Harpa de Deus na mesa dum colega de serviço na sede da ferrovia em Lagos, tomou-o emprestado, leu-o durante toda a noite, logo começou a se associar com o grupo de estudo e se tornou o terceiro nigeriano ativo no serviço de Jeová.

Naquele mesmo ano, William R. Brown, um jamaicano, entrou no cenário da África Ocidental. Ele veio de Trinidad, que havia sido sua base de operações na pregação através do Caribe. Tendo dado testemunho na maioria das ilhas ali, ele foi convidado por J. F. Rutherford, presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), para ‘ir à Serra Leoa, África Ocidental, com a esposa e filho’.

Dali ele visitou a Nigéria em novembro de 1923 e deu seu primeiro discurso no Salão Memorial de Glover. Durante esta breve visita ele também distribuiu centenas de publicações da Torre de Vigia em casas comerciais e estabelecimentos governamentais. W. R. Brown voltou de novo a Lagos em 1926, e desta vez discursou a multidões que superlotavam o Salão Memorial de Glover. Nesta viagem ele também incentivou os irmãos Namikpoh e Owenpa a ampliarem o alcance de sua atividade de pregação. O irmão Owenpa mais tarde escreveu:

“O irmão W. R. Brown convidou-me a entrar no serviço de colportor [agora serviço de pioneiro] e eu saí da ferrovia . . . em 1.º de julho de 1927. Comecei o serviço de colportor na mesma data. Ele me deu instruções bíblicas e encorajamento por trazer-me à atenção Filipenses 1:28 (Weymouth, em inglês): ‘Nunca por um momento sequer te deixes intimidar diante de teus antagonistas. Teu destemor será para eles um seguro sinal de destruição impendente, mas para ti será um seguro sinal de tua salvação.’”

Portanto, Vincent Samuels, dos Estados Unidos, e dois antilhanos chamados Brown desempenharam papéis importantes nos primeiros estágios da obra na Nigéria. Deu-se um bom início e a obra continuou a aumentar.

O “NEGRO” BROWN E O “BÍBLIA” BROWN

Claude Brown tornou-se conhecido como “Negro” Brown. William Brown foi apelidado de “Bíblia” Brown, pois, como ele mesmo escreveu: “Ao dar discursos eu sempre usava slides com lanterna, o que me possibilitava projetar todos os textos bíblicos numa tela e daí explicá-los.” Foi primeiro na Serra Leoa que ele recebeu o apelido de “Bíblia” Brown, porque ele gostava de dizer: “Não é Brown quem diz, mas é a Bíblia quem diz.”

Com respeito a líderes religiosos, William Brown escreveu: “Naquele tempo o público dava pouca importância ao que chamava ‘a religião do homem branco’. Foi apropriado eu falar no Salão Memorial, de Glover, sobre o fracasso da religião da cristandade. Concordemente, anunciei o discurso nos três principais jornais. Um editor católico submeteu o anúncio ao Dr. Moses Da Rocha, que escreveu uma carta e mandou publicá-la ao lado do meu anúncio. Ele instou com o governo da Nigéria para que proibisse as minhas reuniões ou pelo menos enviasse policiais para manter a ordem. Ele apelou para diversos líderes religiosos em Lagos no sentido de que enviassem os seus representantes mais habilitados à minha reunião e arrasassem as minhas ‘teses heréticas’. Realmente compareceram policiais e muitos representantes eclesiásticos.

“Durante o desmascaramento da cristandade, a assistência interrompeu com aplausos. Quando a reunião foi aberta a perguntas, o filho de um clérigo anglicano fez duas perguntas, às quais se deu a resposta, e tentou fazer uma terceira pergunta, quando eu disse: ‘Queira sentar-se e permitir que outros façam perguntas também.’ . . . Concluí a reunião oferecendo o livro Libertação. . . . Esvaziaram todas as caixas . . . e até vieram buscar mais, na minha casa à noite . . . 3.900 livros colocados! Foram a todas as partes colocando-os com os seus vizinhos.”

LAGOS TORNA-SE SEDE

Dando-se conta de que o campo nigeriano parecia mais fértil do que qualquer outro país africano ocidental na época, William Brown transferiu sua residência para Lagos em fins de 1930. Também estabeleceu-se ali a filial África Ocidental, da Sociedade, que supervisionava a Nigéria, a Costa do Ouro (agora Gana), e Serra Leoa.

Em 1931, Ibadã e Lagos estavam entre 166 cidades ao redor do mundo que tinham sessões de encerramento ligadas ao congresso internacional em Columbus, Ohio, EUA. As Testemunhas nigerianas juntaram suas vozes alegres na adoção do notável “novo nome”, Testemunhas de Jeová. O panfleto de notícias do congresso, The Messenger, publicou o seguinte relatório do irmão Brown:

“Um vigoroso testemunho está sendo dado [na África Ocidental]. O pequeno grupo aqui viaja mais de 3.000 quilômetros ao longo da costa por barcos a vapor e outros meios de transporte. Também viajam de trem e de carro mais de 1.000 quilômetros interior adentro. Embora mais da metade da população nesta vasta área seja analfabeta, é surpreendente ver quão prontamente a comunidade alfabetizada compra os livros, para saber algo sobre Deus e a Bíblia.”

PUBLICAÇÕES NO VERNÁCULO E VIAGENS PARA PROFERIR DISCURSOS

Visto que tais livros eram em inglês e beneficiavam só os que sabiam ler esse idioma, o passo seguinte seria torná-los disponíveis nas línguas locais. A versão em ioruba de A Harpa de Deus (Duru Olorun) já havia sido publicada em 1930, traduzida pela irmã Odunlami ajudada por J. P. Ogunfowoke. S. A. Adediji, um clérigo anglicano que começou a ler os livros do irmão Rutherford em 1929, também começara a traduzir o livro Livramento. Em 1931 ele se afastou da igreja, dedicou-se a traduzir o livro Reconciliação e o folheto O Reino, a Esperança do Mundo, e depois entrou no serviço de pioneiro. Outras publicações foram traduzidas em diversas outras línguas do vernáculo.

Logo que A Harpa de Deus tornou-se disponível em ioruba, Ogunfowoke prontamente levou um suprimento para Ibadã e Ilesha. Proferiu discursos ao ar livre em dois ou três lugares em Ilesha, onde colocou grandes quantidades do livro e organizou um grupo de estudo.

Tais viagens para proferir discursos revelaram ser um meio eficaz de alcançar pessoas com a verdade. W. R. Brown viajou extensivamente para proferir discursos públicos e iniciar a obra do Reino em novos lugares. Ele escreveu: “Nunca fiquei à vontade sentado no escritório por muito tempo. Organizava o meu horário de modo que pudesse estar fora . . . falando das boas novas oralmente e pela página impressa. . . .

“Ao entrar numa aldeia . . . costumava ir ao chefe da aldeia e o convidava a assistir ao discurso que iria ser dado na frente do recinto em que ficava a residência dele. Não era incomum o chefe mandar um homem pela aldeia para anunciar o discurso tocando um sino. O povo do chefe estendia um grande tapete e colocava uma cadeira para ele. Ele se sentava ali e um homem segurava uma sombrinha sobre ele e às vezes um homem com um enorme leque de avestruz o abanava. Milhares de pessoas assistiam.”

A VERDADE SE ESPALHA

Entre os que a seguir aceitaram a verdade figurava Alfred Nduaguibe. Ele reagiu bem a um dos discursos do irmão Brown em 1931 e mais tarde foi pioneiro na pregação em grande parte de Igboland.

Em Yocubaland morava Joseph Ogunniyi, um proeminente servidor civil que também era ministro da igreja Anglicana local (Sociedade Missionária da Igreja). Joshua Owenpa o visitara ao passar em Ile Ife em fevereiro de 1931. Logo umas oito pessoas se reuniam na sua sala de visitas e na casa do chefe, o Obajio de Ife. Em outubro de 1932 Joseph Ogunniyi assumiu o serviço como auxiliar (similar a um atual pioneiro auxiliar) para divulgar as verdades que aprendera. Ele e mais três outros cobriram os principais povoados, visitando um diferente a cada dia. “Logo nos tornamos muitos”, escreveu. Assim, a verdade se espalhava no oeste— Yorubaland—onde grupos estudavam em Lagos, Ibadã, Oio, Ile Ife, Ilesha e Abeokuta.

Lá no centro-oeste vivia Egor Egha, um homem muitíssimo dinâmico cujo interesse pela verdade foi despertado em julho de 1932, quando ele se juntou a um grupo de pessoas que ouviam um discurso. Dois dias depois ele viajou à sua cidade natal, Oyede, para informar a todo mundo o que o orador dissera. Deixando seu emprego de mensageiro do foro em Ughelli, ele se tornou um zeloso pregador em toda Oyede, em todo Isoko até Forcados, e na região de Ughelli.

‘EM NENHUM SENTIDO AMEDRONTADOS PELOS OPONENTES’

À medida que os irmãos Brown, Ogunfowoke, Adediji e Owenpa circulavam pelo país, eles agora se deparavam com muita oposição. Quando o irmão Brown visitou Ilesha em 1931, o subchefe do distrito expulsou-o da pousada e confiscou todos os seus livros. Quando o governador em Lagos considerou o assunto, diante duma queixa apresentada pelo irmão Brown, o Residente (funcionário colonial) censurou seus subalternos, desculpou-se, e devolveu os livros. Contudo, a oposição religiosa contra o ainda novinho grupo de estudantes da Bíblia aumentava.

Descrevendo isto, o irmão Ladesuyi diz: “Católicos, anglicanos e outros, antes antagonistas, agora se uniram contra nós. Eles até mesmo conspiraram com chefes pagãos para acabar com as reuniões de estudo bíblico que realizávamos numa marcenaria. Os nossos livros foram confiscados e fomos presos mais de uma vez. Quando o irmão Adediji foi preso, em 1932, ele foi julgado no tribunal nativo, onde foi grandemente humilhado e ridicularizado.”

Por volta da mesma época, Ogunfowoke foi preso em Oio quando o clero incitou o chefe do distrito a processá-lo. Também Joshua Owenpa foi preso em Ibadã, com ordens para deixar a cidade em 24 horas. Agora, também, os salões públicos estavam vedados às Testemunhas de Jeová, graças aos empenhos do clero. Podemos ver por que o irmão Brown costumava citar Filipenses 1:28 ao aconselhar novos pioneiros a não se deixarem intimidar pelos oponentes. Eles exibiam firme coragem qual zeloso segmento das mais de 80 Testemunhas que então pregavam em toda a África Ocidental.

Infelizmente, porém, nem todos permaneceram leais a Jeová e sua organização visível. Um dos que faziam serviço de tempo integral começou a solicitar dinheiro dos irmãos e a usar desonestamente os fundos da Sociedade. Tornou-se franco opositor e usou a imprensa para difamar Testemunhas fiéis. Outro procurava proeminência especial ao proferir discursos. Ele objetou ao requisito da monogamia, desafiou a instrução de que todos deviam relatar sua atividade de pregação, e se opôs aos que com o tempo corretamente começaram a ensinar que nem todos deviam participar dos emblemas na Ceia do Senhor. Por fim, ele deixou a organização do Senhor e formou um grupo religioso por conta própria.

TRABALHADORES VOLUNTÁRIOS SÃO ABENÇOADOS POR JEOVÁ

No ínterim, os fiéis pioneiros levavam a verdade a novas regiões. Em 1933, Peter Otudoh, batizado em agosto de 1932 e que trabalhava na filial, ofereceu-se a ir a Badagri, perto da fronteira com Daomé (atual República de Benin). Ele e mais quatro pregaram em Ikoyi e Ipokia, daí em Ijofin e, cruzando a fronteira, até Porto-Novo.

Em janeiro de 1934 a Sociedade enviou Alfred Nduaguibe à Nigéria oriental para visitar Igboland como pioneiro. Ele viajou de barco a vapor até Port Harcourt, visitou muitas cidades e vilarejos ao longo da costa, de Abonnema a Calabar, e penetrou terra adentro até Enugu, Abakaliki e até mesmo Caduna, no norte. Ele retornou a Lagos e fez um relatório ao irmão Brown sobre as condições naquele território. Após o estudo da Sentinela naquele domingo o irmão Brown perguntou à assistência: “Quem deseja ir à Nigéria oriental para achar as ovelhas de Jeová ali, na pregação?” Alfred Nduaguibe, Peter Otudoh, e mais três se ofereceram. Não demorou muito e a pregação deles passou a sofrer grande oposição da parte dos líderes religiosos. Mas os irmãos sabiam que Jeová os abençoava. Como disse o irmão Otudoh, eles “encaravam os perseguidores como moscas pousadas nas costas dum elefante”.

EMOCIONANTES DISCURSOS PÚBLICOS E ASSEMBLÉIAS

Os discursos públicos eram talvez o aspecto notável da atividade de pregação naquele tempo. E que temas escolhiam! Por exemplo, um deles anunciado em Ibadã intitulava-se: “Acabou-se a Renda do Clero, Veja Ezequiel 34:10; Longas Vestes Não Enganam Mais, Veja Zacarias 13:4.” Não é de admirar que os irmãos atraíssem o fogo do clero.

As assembléias, também, vinham desempenhando um papel de crescente importância e aumentavam em tamanho. Os irmãos as aguardavam como verdadeiras festas espirituais. E que esforços faziam para assistir! Jacob Ajakaiye conta que ele e mais dois outros “caminharam uma distância de 240 quilômetros de Kabba a Ilesha, de Ilesha a Ijebu-Ode foram de caminhão, e tinham de voltar para casa do mesmo modo”. O irmão Egbenoma lembra-se de ter andado 60 quilômetros para uma assembléia em Sapele. O irmão Emeghara fez uma jornada de 110 quilômetros, de Aba até uma assembléia em Calabar.

Tais viagens longas eram tanto cansativas como perigosas. Os irmãos Brown e Otudoh, por exemplo, escaparam por pouco de assaltantes armados com canivetes e facões na estrada da cidade de Benin a Agbor. Eles evitaram o cerco por desviarem o carro para um lado e daí tiveram de arrancar em alta velocidade para escapar dos bandidos.

PODEROSO INSTRUMENTO PARA DIVULGAR AS BOAS NOVAS

Novo equipamento e uma nova técnica—o uso do carro com alto-falante—surgiu em janeiro de 1936. Deixemos que o irmão Brown nos fale a respeito:

“É um prazer entrar pela primeira vez num vilarejo com o carro sonante, todo mundo olhando com espanto. . . . Sempre perguntamos onde fica o centro do vilarejo, e operamos a partir dali, começando com uma animada música. As pessoas se aproximam do carro, vindas de todas as direções. Em alguns lugares os lavradores estão a mais de um quilômetro do povoado, arando a terra, e, ao ouvirem a voz dos discos . . . eles olham em volta e para cima para descobrir de onde vem a voz de Deus. Não vendo ninguém, eles correm para o povoado . . . Após o discurso nós apresentamos os livros e folhetos; daí, a procura é grande. . . . Houve dias que distribuímos mais de 1.400 folhetos de um pêni.”

Havia agora 250 publicadores, incluindo 38 pioneiros e 28 auxiliares, na África Ocidental.

MÉTODOS INCOMUNS DE PREGAÇÃO

Usaram-se todos os meios disponíveis para divulgar a mensagem do Reino: cartazes pendurados em lanças, discos, o carro sonante, e trombetas para ampliar a voz. Estas trombetas, algumas das quais eram trombetas de velhos gramofones, passaram a ser usadas em todo o país assim que os irmãos viram os excelentes resultados que o carro sonante produzia. As reações, naturalmente, eram variadas. Assim o eram as técnicas usadas pelos trombeteiros e os inusitados locais que escolhiam como pontos estratégicos de onde soar as trombetas.

Na província de Opobo, no sudeste da Nigéria, Peter Udosen Mkpong subia numa árvore às quatro horas da manhã e soava a trombeta com um hino seguido de ensino bíblico. Ele obteve bons resultados. Por outro lado, quando Daniel Uwaekwe e seus companheiros tentaram usar as trombetas em Isiekenesi, o povo os atacou com paus, facões e outras armas.

TESTADOS QUANTO À LEALDADE

No ínterim, a filial da África Ocidental beneficiava-se de aprimoramentos organizacionais que se implantavam em todo o mundo a partir de 1938. As companhias (congregações) foram gradativamente reorganizadas para se ajustarem ao padrão bíblico teocrático, e todas as designações de servos passaram a ser feitas diretamente pela Sociedade. Isto requeria maior submissão individual a instruções organizacionais. Requeria completa lealdade a arranjos teocráticos. E foi esta lealdade que foi posta à prova por volta desse tempo.

Em 1939, S. A. Adediji, que trabalhava na filial, recebeu um artigo que argüia que o Senhor Jesus Cristo não estava presente. Uma carta acompanhante fingia que o artigo vinha da sede da Sociedade e ordenava que este fosse lido nas várias congregações num determinado horário. O irmão Brown estava temporariamente ausente. Adediji sabia que o artigo viera dum apóstata canadense chamado Salter. Ele sabia que A Sentinela de 1.º de junho de 1937 (em inglês) informara que Salter havia sido desassociado, e que se havia resolvido “destruir sem ler quaisquer escritos dessa natureza recebidos pelo correio ou de outro modo”. No entanto, Adediji enviou instruções para que cópias do artigo fossem lidas e consideradas numa das reuniões em todas as congregações na Nigéria. Em várias congregações isto resultou em muito dano. Com o tempo, a tendência que Adediji revelou naquela ocasião fez com que ele se afastasse da organização, e voltou a ser um clérigo anglicano.

Em contraste, alguns dos irmãos que receberam a carta recusaram-se a lê-la à congregação, porque reconheceram que era fraudulenta. Seu estado de alerta e sua lealdade ajudou a proteger o rebanho.

Em 1940 o “pequeno” tornou-se mil na Nigéria. Havia 1.051 louvadores ativos de Jeová. (Isa. 60:22) Mas, pressões severas jaziam à frente.

A GUERRA MUNDIAL TRAZ RESTRIÇÕES

O irrompimento da Segunda Guerra Mundial provocou severas provações às Testemunhas de Jeová em muitos países. Em 10 de maio de 1940, um Decreto Real proibiu a importação das publicações da Torre de Vigia na Nigéria, alegando que continham matéria sediciosa e indesejável. Mas, quem as considerou “indesejáveis”? Não o povo comum, mas o clero, cujas organizações eram ali expostas como fraudes religiosas. Agora eles recorreram à sua antiga tática de usar o estado secular para se opor à mensagem do Reino e impedi-la.

Embora a proibição do governo fosse baixada em 10 de maio, “considerou-se que entrou em vigor no dia 13 de março”. Por quê? Porque 15.450 exemplares do livro Inimigos em ioruba haviam chegado de Nova Iorque no dia 14 de março. E este era um livro especialmente temido pelo clero.

Quando o irmão Brown falou com o governador sobre o assunto, este expressou contrariedade quanto à exposição da hierarquia católica feita nesse livro. Afirmou que a igreja contribuíra para o bem da Nigéria. Isto levou a uma palestra, assim descrita pelo irmão Brown:

“Eu disse a ele que os que leram essas publicações são cristãos melhores e mais acatadores da lei do que os outros, e frisei que autoridades em toda a Nigéria reconhecem a boa conduta deles. Ele olhou diretamente para mim franzindo a testa, e, com um sorriso, disse: ‘Sabe, sr. Brown, nós achamos que haverá um conflito, e se os seus livros forem amplamente lidos, as pessoas se tornarão cristãos e não vão se engajar nele. Depois da guerra os livros serão liberados.’”

PRISÕES E PETIÇÕES

Já em 1940 chefes distritais e alguns policiais rurais haviam começado a prender os irmãos por distribuírem publicações. Irmãos foram presos em Ilesha, mas foram inocentados pela Corte do Magistrado em Ile Ife. O promotor foi repreendido por seu zelo excessivo. Quando o irmão Owenpa foi preso em Sapele e todos os seus livros foram confiscados, ele aconselhou os irmãos a continuarem a pregar usando só a Bíblia.

A polícia em Lagos também prendeu publicadores que testemunhavam de casa em casa. Em 31 de julho de 1941 eles confiscaram da sede da Sociedade sete carregamentos de caminhão de livros e 700 discos. Embora se entendesse que esta literatura seria devolvida no fim do período de emergência, mais de 250.000 exemplares foram oficialmente queimados em 1943, para espanto do público em geral. The Daily Service, um jornal de Lagos, disse acertadamente que “a destruição desses livros é inteiramente injustificável”.

Os irmãos continuaram a enviar petições ao governo para que a proibição fosse sustada; mas, a única concessão feita foi para indivíduos, permitindo-lhes ter tais livros em sua biblioteca particular. Assim, a Bíblia era agora o único livro que as Testemunhas de Jeová podiam usar no seu ministério público, e elas a usaram plenamente. Em adição, utilizaram-se de jornais locais para anunciar a Teocracia. Havia uma coluna importante no West African Pilot, sob o título “Opinião Pública”, em que apareciam regularmente artigos submetidos pelo irmão Brown. E providenciaram localmente a produção de milhares de impressos (tratados) em inglês e em ioruba, para ampla distribuição. Contudo, o que especialmente produziu frutos foi o programa de discursos públicos e estudos bíblicos pessoais. Fizeram-se centenas de novos discípulos. Permita-nos apresentar-lhe alguns desses que aceitaram a verdade durante a guerra e que mais tarde serviram na filial ou quais superintendentes viajantes.

ENTRARAM EM CENA DURANTE A GUERRA

Asuquo Akpabio tinha 19 anos de idade em 1943, quando pela primeira vez viu as Testemunhas de Jeová discursarem ao ar livre em Itu, perto de Calabar. Ele e seus amigos tentaram dissolver as reuniões das Testemunhas. Mas, não por muito tempo. Primeiro, seus amigos se interessaram pelo que ouviram nos discursos e começaram a estudar com as Testemunhas. Daí, não mais tendo o apoio deles, suas observações oposicionistas foram silenciadas durante um dos discursos por alguém na assistência que gritou: “Por que é que você dá coice contra o ferrão?” Asuquo se retirou; mas as Testemunhas o visitaram no dia seguinte, e ele passou a estudar a Bíblia com elas. Ele e seus amigos foram batizados naquele mesmo ano. Relembrando aqueles eventos, ele diz: “Tornamo-nos pregadores que enfrentavam a mesma oposição que nós havíamos protagonizado — suportávamos constantes espancamentos por parte de sacerdotes e de membros de igreja proeminentes.”

Samuel Opara foi batizado em 1943 à idade de 13 anos. Ele vinha recebendo uma formação religiosa por intermédio do meio-irmão de sua mãe, que era professor e o pastor na Igreja Africana local, embora tivesse duas esposas na época. Entrando em contato com os livros de J. F. Rutherford, este pastor ficou convencido pelo tom da verdade e se tornou Testemunha de Jeová. Assim, Samuel também aprendeu a verdade e iniciou uma carreira de serviço fiel que lhe trouxe muita oposição da parte de membros da família e dos aldeões.

Havia também Albert Olugbebi — batizado em 1945. O pai de Albert lhe ensinara a verdade mas depois foi expulso da congregação por poligamia. Não obstante, Albert continuou firme e, apesar da forte oposição de seu pai, mais tarde renunciou a uma promissora carreira de funcionário público para tornar-se pioneiro.

Em 1946 a guerra havia terminado e as Testemunhas na Nigéria se regozijaram em ver o quanto Jeová abençoara o Seu povo. Haviam passado por seis anos difíceis, e, ainda assim, haviam aumentado numericamente de 636, em 1939, para 3.542, em 1946. Agora parecia ser o momento certo para um grande esforço com o objetivo de conseguir que a proscrição da literatura da Sociedade fosse sustada.

ABAIXO-ASSINADO BEM-SUCEDIDO

O Anuário de 1947 (em inglês) fala sobre ele da seguinte maneira: “No início deste ano receberam-se da matriz informações de que em algumas partes do Caribe obteve-se êxito em resultado dum abaixo-assinado do público em geral apelando em favor das Testemunhas de Jeová. Decidimos seguir o exemplo, [e conseguir] que alguns . . . membros do Conselho Legislativo levantassem a questão numa reunião que seria realizada no dia 18 de março de 1946. . . . Tínhamos mal e mal duas semanas para encaminhar os assuntos, mas os irmãos trabalharam arduamente e foram recompensados com mais de 10.000 assinaturas de pessoas da classe instruída. . . . As autoridades pasmaram-se ao ver os nomes de quase todos os principais cidadãos . . . [Dois meses depois] a proscrição foi anulada, para alegria dos irmãos e do público em geral, que nos aplaudia onde quer que fôssemos. A notícia foi publicada na gazeta oficial em 18 de maio de 1946, e na manhã seguinte a imprensa local estourou a notícia com manchetes de letras garrafais.”

Os irmãos logo escreveram ao governo solicitando a devolução das publicações confiscadas e recuperaram o que não tinha sido destruído pela polícia. Daí, em dezembro, alegremente receberam os novos livros “Seja Deus Verdadeiro” e “Equipado para Toda Boa Obra” nas suas Assembléias “Nações Alegres”, que tiveram uma assistência conjunta de mais de 5.000 pessoas.

CHEGAM OS PRIMEIROS FORMADOS DE GILEADE

Abriu-se novo capítulo na obra das Testemunhas de Jeová na África Ocidental em junho de 1947, quando os primeiros formados de Gileade chegaram à Serra Leoa, Costa do Ouro (agora Gana) e Nigéria. Foi realmente uma ocasião feliz quando o irmão Brown encabeçou a família de Betel em Lagos em dar boas-vindas a Ernest V. Moreton e Harold Masinick, do Canadá, e Anthony C. Attwood, da Inglaterra. Desde então, 51 outros missionários não-nigerianos têm servido aqui em diferentes períodos.

Com a ajuda de missionários treinados, o escritório da filial e a organização de Betel foram melhor alinhados ao sistema adotado na matriz em Brooklyn, Nova Iorque. As 201 congregações foram agrupadas em 11 circuitos, cada qual servido por um servo aos irmãos (superintendente de circuito). Estes incluíam Samuel Ladesuyi, Asuquo Akpabio, Joshua Owenpa e Amos Wosu. Começaram a ser realizadas assembléias de circuito semestrais, supervisionadas por um superintendente de distrito designado que, naquele tempo, era um dos formados de Gileade.

A Reunião de Serviço e a Escola do Ministério Teocrático em cada congregação também passou a servir mais eficazmente em treinar os irmãos para serem instrutores produtivos da Bíblia. Em vez da anterior ampla proclamação que era feita por um carro sonante e por discursos gravados, dava-se mais ênfase à atividade de pregação e ensino do ministro individual.

QUERIAM CONHECER OS MISSIONÁRIOS

Os irmãos ansiavam conhecer os novos missionários — os primeiros irmãos brancos na Nigéria. Logo tiveram a oportunidade de conhecer o irmão Attwood, enquanto este acompanhava o irmão Brown em quatro assembléias de circuito. Pessoas não-Testemunhas também sentiam curiosidade a respeito destes recém-chegados.

Um fato ocorrido com John Charuk — um missionário que veio mais tarde — é típico da reação dos aldeões. Ele nos conta: “Ao caminharmos em direção à minha pousada [em Umutu] . . . metade do povoado me seguia e, por fim, quase todos os habitantes se haviam reunido para ver o homem branco e seu local de acomodação—um humilde lar africano. . . .

“No sábado de manhã cerca de 50 homens, mulheres e crianças me seguiam para ver com os seus próprios olhos a inacreditável cena de um homem branco pregando o evangelho em suas casas por meio dum intérprete. . . . No domingo, apesar da chuva, 21 pessoas foram batizadas e 794 prestaram arrebatada atenção ao discurso público. Duas semanas depois ouvi dizer que seis dos aldeões haviam queimado ou ‘afogado’ [atirado no rio] os seus jujus (amuletos) e são agora publicadores do Reino.”

Houve também reações em Lagos e em outras cidades grandes. O irmão Attwood diz: “Éramos os primeiros brancos que, como Testemunhas de Jeová, haviam entrado na Nigéria. . . . Assim, pode-se muito bem imaginar que outros brancos locais, . . . especialmente autoridades do governo, estariam . . . um tanto preocupados a respeito [de nossas atividades]. O irmão Brown já lhes dera suficientes dores de cabeça. A sua destemida pregação por todo o país não lhes era algo especialmente agradável . . . e agora, ter alguém da Inglaterra . . . empenhado no mesmo tipo de atividade, era um tanto desagradável para eles.”

CHEGA O IRMÃO KNORR

No fim do mesmo ano em que chegaram os primeiros missionários, o presidente da Sociedade (dos EUA), N. H. Knorr, e seu secretário, M. G. Henschel, fizeram sua primeira visita à Nigéria. Este foi realmente um dos pontos altos do ano. O irmão Knorr deu um discurso público em Lagos, e eles assistiram a um dos dois congressos programados para a visita deles. Ao todo, 10.000 pessoas em Ibadã e em Lagos ouviram o discurso do irmão Knorr: “O Governante Permanente Para Todas as Nações.” Contratempos de viagem os impediram de chegar até o outro congresso, em Igboland. Mas os irmãos Attwood e Moreton deram um jeito para cruzar o rio Níger de canoa, e, depois de uma jornada de caminhão à meia-noite, eles chegaram a Enugu para servir a assembléia ali.

Na assembléia de Ibadã foi anunciada a designação do irmão Attwood como superintendente da filial. O irmão Brown servira fielmente por 25 anos, mas agora, o grandemente aumentado trabalho na filial, junto com sua idade avançada e saúde decadente, tornaram desejável que a carga repousasse sobre ombros mais jovens. Os irmãos Moreton e Masinick, que trabalhavam no serviço externo, em Lagos, também foram chamados para trabalhar na filial.

A POLIGAMIA REPRESENTA PROBLEMAS

Mesmo depois de 1934, quando alguns indivíduos objetaram ao requisito de monogamia entre as Testemunhas de Jeová, a poligamia continuava a representar problemas para os irmãos. Muitos dos que se haviam associado à organização de Jeová ainda tinham várias esposas. Isto incluía alguns proeminentes, que aplicavam mal o texto em 1 Coríntios 7:20: “Em qualquer estado em que cada um foi chamado, neste permaneça.”

Contudo, A Sentinela de 15 de janeiro de 1947 (em inglês), alguns meses antes da visita do irmão Knorr à Nigéria, explicou que a norma bíblica de uma esposa para um marido precisa ser mantida mundialmente. Naquela ocasião foi enviada uma carta às congregações, dando aos polígamos seis meses para resolver seu assunto marital, ou, senão, perder seus privilégios. A maioria dos irmãos ficou muitíssimo contente em ver esta firme posição em favor da conformidade aos princípios bíblicos.

Mas, centenas de Testemunhas confrontavam-se agora com uma decisão: Renunciariam elas a uma antiga e socialmente aceita instituição em favor de normas cristãs que algumas delas haviam conhecido apenas alguns anos ou meses antes? Conseguiriam enfrentar a zombaria de amigos e a oposição frontal de suas famílias? Alguns abertamente expressaram dúvidas quanto a se as Testemunhas de Jeová seriam bem-sucedidas num assunto em que as igrejas falharam. Muitas pessoas do mundo predisseram que se as Testemunhas de Jeová tentassem abolir a poligamia em suas fileiras, isto significaria abolir as próprias fileiras.

Lembrando o que aconteceu quando o irmão Knorr falou sobre as diretrizes da Sociedade sobre a poligamia em Ibadã e em Lagos naquele ano, o irmão Moreton escreveu: “Johnson Adejuyibe, de Akure, tinha três esposas e dez filhos. Ali mesmo na barraca [em que se realizava a assembléia], logo que esta ficou vazia, ele postou as suas esposas à sua frente e disse a elas o que seria feito, e resolveu o assunto ali mesmo.”

Narrando a sua própria reação ao discurso do irmão Attwood numa assembléia de distrito em Warri mais cedo naquele ano, Richard Idodia disse: “Eu não esperei passar os seis meses para despedir as excedentes [esposas], e fiquei apenas com uma.”

Alguns, porém, não viram claramente que esta instrução vinha da Palavra de Deus. Asuquo Akpabio, por exemplo, conta que o irmão que o hospedava em Ifiayong acordou-o à meia-noite e exigiu que ele mudasse o anúncio a respeito da poligamia. Visto que ele se recusou a fazer isto, seu hospedeiro naquela mesma noite o expulsou de casa sob uma chuva torrencial. Não obstante, a poligamia foi logo eliminada das congregações, com pouquíssima perda numérica.

LANÇADO PROGRAMA DE ALFABETIZAÇÃO

Há muito se reconhecia que o analfabetismo era um enorme problema Em 1946 o irmão Brown calculou que, dos 23 milhões de habitantes da Nigéria, escassamente um milhão sabia ler e escrever, e que apenas 2 por cento das pessoas no norte eram alfabetizadas.

Embora a maior parte das Testemunhas de Jeová soubesse ler, muitas eram analfabetas. Haviam aprendido a verdade da Palavra de Deus apenas por ouvi-la ser pregada. Para terem uma participação mais eficaz no ministério, elas tinham de aprender a ler. Em outubro de 1949 iniciaram-se aulas de alfabetização em todas as congregações, usando-se cartilhas preparadas localmente pela Sociedade. Esta campanha de alfabetização dura até hoje.

BARRACAS DE BAMBU E FALÊNCIA DE ÍDOLOS

Com o passar dos anos, assistências cada vez maiores nas assembléias tornaram difícil achar auditórios suficientemente grandes para as assembléias de distrito. Assim, os irmãos construíam gigantescas barracas de bambu, folhas de palmeira e esteiras de colmo localmente trançadas, amiúde em clareiras cercadas de rica vegetação tropical. Às vezes a assistência às reuniões públicas alcançava números incríveis, porque a cidade inteira vinha ouvir o discurso. Numa assembléia em Obiaruku, no meio-oeste nigeriano, por exemplo, os irmãos eram apenas 300, mas 4.626 compareceram à assembléia.

Em Okpara Waterside, em fevereiro de 1949, recém-interessados que assistiam à assembléia de circuito pediram aos irmãos que fossem às suas casas para remover seus deuses-ídolos. A assembléia praticamente acabou com o comércio dos sacerdotes juju naquela cidade. Noutra cidade, um rei nativo que costumava perseguir os irmãos foi deposto e fugiu da cidade acossado pela enraivecida populaça, por causa de seu governo corrupto. Quando os irmãos se reuniram para uma assembléia de circuito, os chefes ofereceram o palácio desocupado para a realização da assembléia e para hospedar muitos visitantes.

ATÉ À VISTA, “BÍBLIA” BROWN

Depois de 27 anos de serviço na África Ocidental, o irmão Brown e sua família deixaram a Nigéria em 4 de abril de 1950, rumo às Antilhas. Isto foi considerado notícia por um membro do Conselho Legislativo que também era editor do Daily Times. Ele publicou um artigo intitulado “‘BÍBLIA BROWN’ DIZ ATÉ À VISTA, NÃO ADEUS”, em que ele disse: “Hoje ‘Bíblia’ Brown se tornou uma instituição e é amigo de todos, dos jovens e dos idosos, dos europeus, dos africanos e dos libaneses, até mesmo dos que discordaram com ele e odiaram a sua propaganda religiosa. . . . Lagos sentirá falta do rosto familiar de ‘Bíblia’ Brown, e todos os seus amigos lhe desejarão, bem como à Sra. Brown, muitas felicidades no seu novo lar nas Ilhas das Antilhas.” Dez anos mais tarde, em conexão com as comemorações da independência da Nigéria, o governador-geral, que bem lembrava do bom trabalho feito por “Bíblia” Brown, convidou-os a voltarem à Nigéria para uma visita como convidados do governo.

Na sua carta de despedida ao irmão Brown, em 1950, os irmãos disseram que “‘um homem veio a ser milhares’ não é conversa vã”. Sim, o número de publicadores na Nigéria havia aumentado para 8.370. Jeová abençoava plenamente o Seu próprio trabalho neste país.

MISSIONÁRIOS EM AÇÃO!

Os missionários assumiram o trabalho que o irmão Brown deixava, e tiveram experiências maravilhosas ao servirem assembléias como superintendentes de distrito. Viajaram de avião, carro, caminhão, canoa, bicicleta e, como Jesus, muitas vezes a pé. Suas designações os levavam para longe das vias principais, a aldeias bem dentro na densa floresta tropical, o sertão, onde parecia que o tempo parara por centenas de anos e onde a pagã adoração juju dominava, com as suas sociedades secretas exercendo poder quase ilimitado.

Tendo ido a Aka Eze para uma assembléia de circuito, John Charuk, que com seu irmão Michael chegara à Nigéria do Canadá depois de se formarem em Gileade em 1949, relatou:

“Achei Aka Eze . . . vivendo feliz sob condições primitivas. Todas as casas são choupanas de barro redondas com coberturas cônicas de capim. Não há poço, e a única água disponível para se beber é um arroio raso em que todos se banham. . . . Os irmãos, porém, construíram seu próprio recinto residencial na extremidade da aldeia e o mantém bem limpo. Eles têm um bom Salão do Reino e plantaram flores e arbustos em volta. . . . Após o discurso público, assistido por 990 pessoas, várias delas disseram: ‘Nós também temos que nos tornar Testemunhas de Jeová.’”

DEUSES IMPOTENTES

À medida que a verdade penetrava em áreas remotas, um número crescente de pessoas se libertavam da religião falsa e da idolatria. Sociedades secretas e outros adoradores de ídolos não gostaram disso, e se opuseram aos irmãos. Mas, de algum modo, amiúde abria-se um caminho para que tal oposição saísse pela culatra. Por exemplo, em Itu, onde as sociedades secretas nos moveram muita oposição, o chefe do distrito, um canadense, aconselhou a todos os chefes de seu distrito a não lutarem contra as Testemunhas de Jeová. Ele disse: “Elas não são muitas, mas são poderosas. Elas mudaram as leis do Canadá. Ninguém que luta contra elas vence.” Isto amedrontou os chefes, e muitos deles vieram ao discurso público da assembléia de distrito a que se haviam oposto, levando junto seus seguidores.

Numa assembléia de distrito noutra parte do país, certo homem afundado até o pescoço na adoração demoníaca expressou seu desejo de se libertar. Temendo destruir seus deuses-ídolos, ele procurou as Testemunhas de Jeová no começo da noite e pediu-lhes que executassem a tarefa. Já era tarde da noite quando uns 100 irmãos chegaram à casa dele. A casa juju foi incendiada e incontáveis ídolos e talismãs foram atirados às chamas crepitantes. Por meio de oráculos de inspiração demoníaca e sacerdotes, estes jujus vinham impondo restrições desnecessárias na vida das pessoas. Este homem gastara todo seu dinheiro tentando satisfazer esses deuses-ídolos. Agora estava livre!

MAIS FORMADOS DE GILEADE

Em 1951, verificou-se que se deveria intensificar o testemunho organizado em Ibadã. Com uma população de mais de 320.000, era a maior cidade da Nigéria. (A população de Lagos naquele tempo era de um pouco mais de 200.000.) Assim, em abril, instalou-se ali um lar missionário para ajudar os publicadores locais. A família missionária incluía os irmãos Charuk e Charlie Young, que chegara da Inglaterra junto com Wilfred Gooch.

Em 1.º de setembro de 1951 o irmão Gooch passou a servir em Lagos como superintendente da filial. Daí, em dezembro, o irmão Young, junto com os irmãos Charuk, começou a trabalhar no serviço de distrito, e mais tarde, quando se negou novos vistos a seus companheiros, que por isso foram redesignados para a Libéria, ele se tornou o único superintendente de distrito. Depois, por mais de uma década, o irmão Young viajou por todo o país, hospedando-se em casas de publicadores nas aldeias e nas cidades, servindo assembléias. Em virtude disto, ele desenvolveu uma íntima interação com o povo e exerceu talvez o mais amplo impacto pessoal sobre os irmãos do que qualquer outro formado de Gileade não-nigeriano que já serviu neste país. Os irmãos sentiram uma grande perda quando ele e sua esposa Anne voltaram à Inglaterra em abril de 1965.

Mas, foi motivo de alegria quando três de nossos irmãos nigerianos (Asuquo Akpabio, Matthew Prighen e Reuben Udoh) se formaram na 18.a turma de Gileade e voltaram para assumir suas tarefas como superintendentes de circuito. Estes foram os primeiros dentre 17 nigerianos que cursaram a Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia.

CONTRASTE ENTRE POLÍGAMOS

As revistas da Sociedade continuavam a produzir bons resultados na vida de pessoas sinceras. Uma destas era um chefe que assinou A Sentinela e reconheceu a verdade no que leu. Mas não sabia o que fazer a seguir. No devido tempo o superintendente de circuito o visitou, e eles estudaram A Sentinela em ioruba. Decidindo-se tornar Testemunha de Jeová, ele dispensou 13 de suas 14 esposas e se batizou.

Por outro lado, descobriu-se alguns polígamos secretos numa congregação há muito estabelecida, mas que fazia pouquíssimo progresso. Quando foram expulsos, em harmonia com as instruções sobre desassociação na Sentinela (em inglês) de 1.º de março de 1952 (em português, dezembro de 1952 e janeiro de 1953), as bênçãos de Jeová sobre os irmãos de novo se manifestaram. O número de publicadores em poucos meses pulou de 130 para mais de 200.

Houve também bênçãos inesperadas em Ebute Metta, Lagos, um ano depois, quando alguns que haviam seguido um apóstata muitos anos antes, em favor da poligamia, tiveram a sua visão espiritual restaurada. Albert Olih, membro da família de Betel, lidou com este caso porque ele era na época o superintendente presidente na Congregação Ebute Metta. Eis o seu relato:

“Certo dia fui procurado por alguns membros [dum grupo apóstata que se auto-intitulava] ‘Organização das Testemunhas de Jeová’. Eles queriam saber como retornar à organização teocrática. Disseram que não mais podiam concordar com os outros membros no assunto da poligamia. Foram aconselhados a se afastarem desses caso estivessem convencidos de que Jeová usa apenas uma organização visível na terra. Assim, num domingo à noite, 100 deles se dirigiram ao nosso Salão do Reino e declararam a sua posição a favor de Jeová. Foi como se uma congregação surgisse num dia. Eles fizeram os necessários ajustes na sua vida.”

REUNIÕES PÚBLICAS — ESTILO NIGERIANO

A obra do reino continuou a avançar rapidamente, e os discursos públicos proferidos nas aldeias estavam tendo excelente efeito. O modo de organizá-los reflete aquele quê especial do estilo de vida nesta parte do mundo. Eis como um superintendente de distrito os descreveu, começando com a chegada dos publicadores na aldeia:

“O grupo se dispersa . . . indo de casa em casa, todos exceto [um com uma grande buzina de metal] que percorre o meio da rua anunciando um discurso público. . . . [Mais tarde] as Testemunhas . . . convergem para um grande espaço aberto, no centro do povoado, debaixo de um enorme pé de manga. Traz-se uma mesa duma casa vizinha, . . . providencia-se uma [lâmpada a querosene]. . . . As Testemunhas se agrupam num bem-formado semicírculo em frente do orador, e logo em seguida os aldeões, uns 300 ou 400, se ajuntam atrás. . . . Cai a noite e tudo é silêncio . . . enquanto que, de Bíblia em punho, o orador esclarece seus pontos.”

Essas reuniões públicas ganharam nova dimensão quando se começou a usar os filmes da Sociedade. Aldeias inteiras compareciam às exibições, inchando congregações locais, de uns poucos publicadores, para uma assistência de 500 ou mais pessoas. Estas se sentavam no chão, no estilo africano, em frente a uma grande tela elevada. Nas assembléias de circuito amiúde se atraíam grandes assistências de até 8.000 pessoas.

PENETRAÇÃO EM TERRITÓRIOS NÃO-DESIGNADOS

Em 1954, as campanhas de serviço em territórios não-designados, em maio, junho e julho, já se haviam tornado uma modalidade anual regular na obra de pregação. Embora esta fosse a época de pesadas chuvas, era um período em que os irmãos, a maioria lavradores, podiam devotar mais tempo para a atividade de pregação. Era também um período em que se podiam encontrar muitas pessoas em casa.

Durante estas campanhas era comum encontrar “ovelhas perdidas”, mas, um grupo de irmãos teve a experiência incomum de encontrar uma congregação inteira de “ovelhas” perdidas. Isto se deu numa bem isolada região no pantanoso Delta do Níger, onde esses publicadores nunca antes haviam dado testemunho. Eles encontraram um grupo de umas doze pessoas que regularmente estudavam as publicações da Sociedade e davam testemunho. Este grupo de estudo veio à existência depois que um publicador havia estado lá por causa de seu serviço secular. Quando partiu, eles continuaram a estudar e pregavam, embora ninguém na sede da Sociedade soubesse da existência desse grupo até que foi “descoberto” durante a campanha de território não-designado.

Outro grupo foi encontrado no norte da Nigéria. Os irmãos locais tinham informações vagas sobre a existência de interessados numa aldeia em que todos os outros praticavam o antigo culto religioso tradicional. O publicador mais próximo era um pioneiro especial 60 quilômetros distante. Acompanhado do superintendente de circuito, ele fez uma viagem especial de bicicleta para procurá-los. Depois de se perderem, finalmente chegaram ao lugar, quase totalmente esgotados. Seus esforços foram recompensados, porém, quando encontraram mais de 30 pessoas estudando juntas, em torno de uma Bíblia. O único contato que haviam tido com a mensagem do Reino fora através da palavra oral.

AJOELHAR-SE OU NÃO AJOELHAR-SE?

Já por anos os irmãos na região de Warri vinham tendo grande dificuldade quanto ao assunto do miuno — curvar-se diante de homens idosos — um costume na área do delta. Alguns dos irmãos mais antigos na região haviam decidido que todo e qualquer ajoelhamento diante de homens era errado. A filial dizia que os indivíduos deviam decidir o assunto por si mesmos. Mas, vários irmãos mais antigos insistiam em proibir os jovens a se ajoelharem, e até mesmo desassociaram por “adoração de ídolos” a alguns que se ajoelharam. Por outro lado, os que se recusavam a praticar o miuno eram perseguidos pelo povo local por deixarem de observar o costume, e isto atrapalhava o progresso de muitos interessados que o encaravam apenas como uma questão de mostrar o devido respeito.

Daí veio A Sentinela de 15 de maio de 1954 (em inglês), respondendo à pergunta: “Devemos adorar a Jesus?” Isto decidiu a questão. Mostrou claramente a distinção entre ajoelhar-se por respeito ou saudação e ajoelhar-se por adoração ou dever de obediência. A vasta maioria dos irmãos ficou satisfeita com isto. Mas, uma pequena minoria, que há muito havia tomado uma posição obstinada, era agora orgulhosa demais para ceder, e deixou a organização.

APRIMORADOS ARRANJOS ORGANIZACIONAIS

Depois que o governo lhe recusara o visto de entrada em 1952, o irmão Henschel recebeu permissão de visitar de novo a Nigéria em novembro de 1955. Isto contribuiu para tornar as Assembléias “Reino Triuntante”, a que ele assistiu em Aba e em Ilesha, algo muito especial para os cerca de 34.000 que compareceram.

Depois disso, fizeram-se ajustes nas congregações e nos circuitos a fim de dar maior atenção pessoal objetivando ajudar indivíduos a avançar à madureza. Visto que uns 25 por cento dos publicadores em muitos circuitos não eram batizados, introduziu-se um programa de ensino para ajudar a estes a progredir rumo à dedicação e ao batismo. As congregações foram reorganizadas e fortalecidas por se fundirem grupos pequenos com outros mais fortes nas imediações. Também, os circuitos foram reduzidos em tamanho, de modo que o superintendente pudesse fazer três visitas anuais, em vez de duas, possibilitando-lhe ministrar treinamento mais regular aos publicadores.

Por volta desta época notou-se que muitas congregações haviam transformado a Comemoração num acontecimento público na praça. Incluíam na contagem até mesmo os transeuntes. Isto inchou os números relativos à assistência e também provocou incidentes indecorosos e discussões com opositores. Instruções publicadas no Informante (atual Nosso Ministério do Reino) puseram um termo a isso, e o resultado foi uma cifra menor de assistência— 24.330, em 1956, contra 33.027, em 1955 — mas uma reunião muito mais digna.

Deu-se também atenção à distribuição de revistas. Os irmãos começavam a perceber o seu valor em divulgar as boas novas. Em janeiro de 1957 apareceu o novo estilo da Sentinela em ibo e em ioruba, em cores. Os irmãos se emocionaram. Certa congregação em Lagos aumentou a sua colocação média de revistas de 0,7 por publicador, em setembro, para 7, em janeiro. Certo irmão participou no dia de revistas e colocou 73 em duas horas, numa feira. Outro informou: “As pessoas correm atrás de nós na rua para adquiri-las.”

Visto que as pessoas literalmente ‘corriam atrás de nós’, havia necessidade de cuidar quanto a quem aceitar para o batismo. A partir de 1.º de janeiro de 1956, confiou-se ao superintendente de congregação o dever de examinar os candidatos ao batismo e assinar uma declaração que tinham de apresentar para serem aprovados para o batismo numa assembléia. Exigia-se que primeiro completassem o estudo do livro “Seja Deus Verdadeiro”, que fossem pessoas que haviam estudado por pelo menos seis meses, e que preenchessem requisitos cristãos básicos.

CERTIFICANDO-SE DE QUE OS CASAMENTOS SEJAM HONROSOS

Mais ajuda veio em setembro e outubro de 1956, em forma de artigos da Sentinela sobre o casamento [1/6 e 1/7 de 1957 em português]. Estes abordaram problemas tais como preços de noiva exorbitantes, casamento experimental, relações sexuais durante o noivado, e deserção de casamentos não-documentados. Casamentos realizados segundo costumes tradicionais tinham que ser agora adequadamente documentados. Adotou-se o formulário “Declaração de Casamento”, e, por fim, seu uso ficou restrito àqueles cujo cônjuge descrente se recusasse a registrar o casamento. Contudo, foram enfatizados os benefícios maiores de se casar sob o Estatuto Nigeriano sobre o Casamento, em vez de sob o sistema tradicional, e isto produziu uma avalanche de registros em várias partes do país.

Um caso notável foi o de um irmão de 99 anos e sua esposa de 55. Eles já eram casados consensualmente, mas então, um dos jornais disse: “Por trinta e quatro anos, um homem e uma mulher viviam [juntos] e tiveram sete filhos. Ontem . . . eles foram declarados marido e esposa no Cartório de Casamentos de Lagos. O sr. Edo . . . é membro da seita Testemunhas de Jeová e ambos pregam o evangelho.”

No decorrer dos anos desde então, muitos Salões do Reino em todo o país têm sido licenciados como locais para cerimônias de casamento. O governo reconhece anciãos designados nas congregações como legalmente habilitados para realizar o registro em tais salões.

ASSEMBLÉIAS HISTÓRICAS DOS SERVOS DE JEOVÁ

No início de 1958 tivemos uma assembléia realmente histórica na cidade de Benin. Pela primeira vez, irmãos de idiomas diferentes tinham barracas separadas, no mesmo local de assembléia. Nove línguas estavam representadas, a assistência totalizou 19.731 e 740 foram batizados. Entre os presentes no discurso público estava o Oba (rei tradicional) de Benin, Akenzua II, que expressou o seu apreço à audiência reunida.

Ao findar o ano de serviço, a Nigéria estava representada na Assembléia Internacional “Vontade Divina”, em Nova Iorque, por 12 delegados, incluindo dois estudantes de Gileade que foram graduados no primeiro dia do congresso.

Daí, em princípios de 1959, soou uma estimulante chamada a todas as Testemunhas de Jeová na Nigéria: “Venham a Ilesha, dias 12 a 15 de março!” Para quê? Para a Assembléia Nacional “Vontade Divina”, que contaria com a presença do irmão Knorr. O governo negara-lhe a entrada em 1952. No domingo, 27.926 pessoas, representando 11 grupos lingüísticos, ouviram-no com arrebatada atenção falar sobre o tema “Uma Terra Paradísica Por Meio do Reino de Deus”. Os congressistas receberam com prazer o novo livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado, um livro especialmente apropriado para a África, por causa de seu problema de analfabetismo.

ESCOLAS ESPECIAIS PARA SUPRIR NOSSAS NECESSIDADES

Quando em setembro de 1961 teve início em Lagos a Escola do Ministério do Reino, para instruir superintendentes, isto significou um passo à frente em equipá-los para cuidar mais eficazmente de suas responsabilidades. Os cursos de alfabetização também davam bons resultados. O programa havia sido aprimorado, e arranjaram-se melhores cartilhas. Os irmãos foram também incentivados a cooperar com o programa de alfabetização do governo, e muitos se alfabetizavam através deste arranjo.

Em 1952, certo irmão, que quatro anos antes não sabia ler, aprendeu tão bem que foi designado instrutor das aulas de leitura em sua congregação. Ezekiel Ovbiagele era analfabeto quando foi batizado, em 1940. Entrou no curso de alfabetização e aprendeu a ler e a escrever; tornou-se pioneiro, e em 1953 já estava suficientemente qualificado para ser designado superintendente viajante.

Muitos dos que aprenderam a ler já eram idosos e pensavam que não mais tinham a capacidade de aprender. Mas, seu desejo de ler pessoalmente a Bíblia e ensinar outros reacendeu a sua ânsia de aprender. Uma irmã de mais de 60 anos, que por mais de 20 anos era doente, viajava semanalmente 8 quilômetros de canoa, para assistir às aulas de leitura. Ela mostrou seu progresso numa assembléia de circuito em 1952 quando pôs-se de pé e leu fluentemente um trecho da Bíblia. Que alegria trouxe tal progresso!

Em 1961 vários milhares de adultos já se haviam alfabetizado por meio desses cursos. Comentando sobre isto, o irmão Gooch disse: “Os Salões do Reino são usados para realizar aulas de leitura às quais todos na aldeia são bem-vindos.” Exemplificando os resultados, ele falou da Congregação Umuochita, onde muitos aldeões compareciam às reuniões porque o Salão do Reino se tornara a “escola” deles. Os nossos registros indicam que de 1962 a 1984 outros 19.238 adultos foram ensinados a ler e a escrever nos nossos cursos nas congregações.

O IRMÃO GOOCH PARTE

Em 1963, depois que Wilfred Gooch fez em Brooklyn um curso especial de Gileade, de dez meses, ele foi designado superintendente da filial nas Ilhas Britânicas. Sua esposa, Gwen, juntou-se a ele nessa designação. Ele servira 12 anos na Nigéria e havia contribuído muito para a estabilidade organizacional dentro da filial e nas congregações.

Woodworth Mills, que servia na Nigéria desde 1956, substituiu-o como superintendente de filial. O irmão Mills, natural de Trinidad, e sua esposa Oris, haviam sido pioneiros em Aruba antes de cursarem Gileade e seguirem para a Nigéria.

FÉ SÓLIDA EM MEIO A AGITAÇÃO NACIONAL

Problemas políticos de pós-independência agora assolavam o país, e as condições econômicas deterioravam. Nos meses de maio e junho de 1964 houve séria agitação trabalhista, incluindo tumultos e greves nos correios e nos portos. Era apenas um prenúncio do que havia de vir. Mas, as Testemunhas de Jeová não se envolveram. Mantiveram-se ocupadas na obra de dar testemunho sobre o Reino.

As condições desestabilizadas afetaram as atividades de serviço de campo. Mas os 35.039 publicadores fizeram o possível, e as perspectivas de progresso contínuo eram brilhantes. Entre os que serviam aos interesses do Reino havia muitos publicadores idosos que mostravam fé sólida. Com confiança em Jeová, eles deram evidência de terem força além do normal. Por exemplo, para assistir à Assembléia “Frutos do Espírito” em Oshogbo, em 1964, um irmão de 80 anos caminhou uns 160 quilômetros.

JUJU FALHA

Havia neste tempo 1.919 pessoas engajadas nas várias formas do serviço de pioneiro, levando a verdade a novas áreas e organizando congregações em aldeias remotas. Amiúde enfrentavam oposição demoníaca, como aconteceu na aldeia de Ago-Sasa.

Visto que um pioneiro ignorou a ordem de sair da aldeia em sete dias, um sacerdote do deus tribal Sango o amaldiçoou. No dia seguinte, uma trovoada fora de época abateu-se sobre a vizinhança do Salão do Reino, onde o pioneiro estudava em particular. Um raio destruiu uma árvore próxima e momentaneamente paralisou o irmão. Dias depois, um aldeão lhe disse: “Você deve ter fortes poderes mágicos. Depois daquele dia em que o sacerdote Sango falou com você ele apanhou cola amarga [a noz duma árvore tropical], e uma ave, e proferiu uma maldição contra você diante de Sango. Sango golpeou seu salão, mas você sobreviveu. Hoje aquele sacerdote foi morto por um raio na sua própria casa.”

Na época funcionava apenas um estudo de livro de congregação em Ago-Sasa; mas, os aldeões que ouviram o sacerdote ameaçar o pioneiro consideraram isso uma medição de forças espirituais. Convencidos da supremacia de Jeová, muitos deles se interessaram pela verdade.

COMEÇA UMA CRISE

Os distúrbios de 1964 foram apenas um indício do que havia de vir. As agitações políticas, revoltas no exército, anarquia e violência tribal aumentaram em 1965. Isto culminou com um golpe de estado aplicado por oficiais militares em 15 de janeiro de 1966, que pôs o país sob firme controle dum regime militar.

Estes eventos impuseram grandes pressões à obra de pregação do Reino; todavia, abril de 1966 foi o primeiro mês em que mais de um milhão de horas foram empregadas no serviço de campo, e a 800.ª congregação foi formada. Curiosamente, dentre 42.000 publicadores que relataram serviço de campo em 1965, havia 4.280 pessoas entre 51 e 70 anos de idade; 808 tinham mais de 70, e muitos destes figuravam entre os 5.460 que estavam na verdade há mais de 15 anos. Já haviam dado provas de que a sua fé era duradoura.

Em meados de 1966 havia 1.514 publicadores e 25 pioneiros especiais nas províncias do norte. Foram estes que então passaram por algumas das mais severas aflições.

Violentos motins irromperam em maio e continuaram ininterruptamente até outubro. Irados por causa dos assassinatos de seus líderes políticos e religiosos durante o golpe, e por causa da posição política dos líderes ibos, e irritados por causa do êxito dos ibos que trabalhavam no norte, as tribos do norte se insurgiram contra eles, fazendo deles alvos de massacres. A maioria dos irmãos eram ibos e tiveram de fugir para a sua cidade natal no sudeste. Mesmo assim, uns 20, incluindo alguns servos e pioneiros, foram mortos. Muitos perderam todos os seus bens. Dois Salões do Reino foram queimados e outros bastante danificados. Em meados de setembro a pregação das boas novas no norte sofreu uma virtual paralisação.

PROTEGIDOS POR CAUSA DA NEUTRALIDADE

A Sociedade logo providenciou socorros, enviando roupas e utensílios domésticos. No ínterim, a neutralidade desses irmãos, junto com a pregação que haviam feito, significou proteção para muitos deles.

Quando os amotinados em Zaria invadiram um recinto residencial e passaram a destruir as casas, seu líder de repente os impediu e disse: “As pessoas que moram aqui não têm ligação com o nosso problema político.” Ele havia visto os irmãos e as nossas publicações nas casas.

Em Cano, um irmão caminhava para casa junto com um colega de serviço quando de repente foram cercados por uma quadrilha. O irmão foi derrubado. Quando um dos homens puxou a faca para matá-lo, outro membro da quadrilha gritou: “Pare! Não toque nele! Ele pregou para mim dois dias atrás!” Outros concordaram que o irmão não era dos a quem procuravam. Eles o deixaram, mas mataram seu companheiro não-Testemunha.

TEMPOS DE CRISE

Em meio à violência que se alastrava por todo o país, 67.376 pessoas assistiram a três Assembléias de Distrito “Filhos da Liberdade de Deus”, em novembro de 1966. Contudo, a situação política piorava rapidamente. Os ibos estavam sendo hostilizados em Hausaland, ao norte, e em Yorubaland, a oeste. Até mesmo membros da família de Betel que falavam ibo foram ameaçados pelo crescente terrorismo. Igboland, a leste, ia ficando isolada.

Os irmãos Mills, Akpabio e Olih, da sede, visitaram o leste da Nigéria em abril de 1967. Deram-se encorajamento e conselhos. Isto veio na hora certa, pois logo no mês seguinte o país mergulhou na guerra.

AÇÕES EM FACE DA GUERRA

Os estados do leste proclamaram seu desligamento da Federação da Nigéria em 30 de maio, criando a República de Biafra. O estado de emergência tornou-se crítico. O exército federal foi mobilizado. Impôs-se um bloqueio econômico total contra o leste, e todas as ligações telefônicas, telegráficas, postais, aéreas e rodoviárias foram cortadas. As tensões explodiram, levando a uma violenta guerra civil.

Em meados de junho, antes do irrompimento da luta em escala total, os irmãos Mills e Akpabio fizeram uma perigosa visita de 12 dias a Biafra. Realizaram-se reuniões com os irmãos, que foram ajudados a ver a necessidade de manterem estrita neutralidade cristã e de permanecerem achegados à organização de Jeová. Organizou-se um sistema de entrega de correspondência mão-em-mão, e fizeram-se arranjos para enviar instruções e suprimentos de publicações para Asaba, na margem ocidental do rio Níger. Esperava-se que de lá pudessem ser encaminhados para o leste. Mas, por volta de 15 de agosto a guerra já se havia alastrado até o meio-oeste, e a sede perdeu o contato com mais dois distritos e 22 circuitos naquela região. Foi um rompimento sério, porque o meio-oeste era o funil pelo qual os suprimentos espirituais e as comunicações escoavam para dentro e para fora dos distritos orientais. Agora este funil estava bloqueado.

Felizmente, esta situação foi apenas temporária. Mas, mesmo durante esse período, o espírito de pioneiro entre os irmãos nas áreas atingidas era elevado. Um irmão que na época era superintendente de distrito no meio-oeste recorda: “Mesmo quando perdemos o contato com a sede por causa da guerra em 1967, os publicadores estavam tão ansiosos de trabalhar de pioneiro que tivemos de formar uma comissão especial para fazer designações provisórias.”

INTEGRIDADE E AUMENTO DURANTE A GUERRA

Com a Biafra incendiada pela guerra, os irmãos ibos foram impedidos de juntar-se aos 47.452 que assistiram à série de Assembléias de Distrito “Fazer Discípulos”, em dezembro de 1967 e janeiro de 1968. Mas, estavam ativos na pregação. Quando escassas notícias chegaram, soube-se que haviam alcançado um auge de 11.812 publicadores em dezembro, e que em março seguinte 16.302 se reuniram para a Comemoração em 217 locais. Em certa região os irmãos conseguiram apenas uma garrafa de vinho, e cada congregação ganhou umas duas colheradas para a celebração.

Tais cristãos dedicados mantiveram estrita neutralidade para com o conflito. Ao passo que as autoridades no lado nigeriano geralmente não criavam caso, as autoridades biafrenses rejeitaram qualquer postura neutra. Certo chefe de divisão disse: “Pessoas não preparadas para contribuir para a vitória desta guerra de sobrevivência têm de estar prontas para deixar esta república.” Os jornais biafrenses publicaram comentários hostis contra os irmãos, e uma onda de incitação rapidamente levantou a opinião pública contra estes. O fogo de perseguição tornou-se intenso.

À medida que os combates reais se aproximavam cada vez mais deles, os irmãos se refugiavam na zona agreste, em grupos. Mudando-se de lugar em lugar, construíam choupanas em que realizavam diariamente reuniões bíblicas. Pessoas de fora que os observavam admiravam-se grandemente de que eles não saqueavam propriedades abandonadas ao passarem por elas, e que nem mesmo comiam mandioca em fazendas abandonadas, embora estivessem passando fome. Quando a comida se tornou tão escassa que muitos dentre a população faminta passaram a comer carne humana, os irmãos não os imitaram. Confiando em Jeová, eles se mantiveram vivos comendo lagartos, cobras, gafanhotos — qualquer coisa que tivesse proteína ou que pudesse suprir seu estômago sem envenená-los.

Durante este período, os irmãos eram caçados como animais. Muitos foram levados à força a centros de recrutamento e brutalmente espancados ao se recusarem tornar-se soldados. Certo pioneiro foi surrado com 374 golpes. A afirmação de um jovem pioneiro de que ele já era soldado de Cristo foi recebida com um murro na cabeça, junto com o comentário: “Sua designação como soldado de Cristo está cancelada; você é agora soldado de Biafra.” Corajosamente, ele respondeu: “Jeová ainda não me avisou que a minha designação como soldado dele foi cancelada, e minha designação vale até eu receber tal notificação.” Ele sofreu tratamento brutal adicional. Foi até mesmo levado à força para a frente de combate; mas, visto que não tinha número de alistamento, o oficial comandante disse: “Não posso lutar com um soldado não-identificado.” Mandou que ele voltasse ao acampamento para obter um número. No caminho, o soldado que foi enviado para acompanhá-lo disse: “Se quiser, pode ir embora agora. Você não tem número e ninguém conseguirá localizá-lo.” O irmão agradeceu e se mandou.

Outro irmão foi detido e torturado num abrigo subterranão em Atani, às margens do rio Níger. Um irmão mutilado designado para levar-lhe comida voltou com a informação de que, embora o irmão se encontrasse num lugar em que havia falta de ar e ele estivesse coberto de suor, sempre cantava louvores a Jeová. Ele encorajou outros irmãos a terem firme coragem. Alguns dias depois, faleceu cantando louvores a Jeová.

UM DEUS DE ATOS SALVADORES

Tais experiências ensinaram aos irmãos que Jeová fortalece seus servos de modo que possam perseverar — mesmo até a morte. Mas muitos sobreviveram. Alguns escaparam após terem sido enterrados vivos, baleados por esquadrões armados, espancados e abandonados como mortos, amarrados e incendiados. Não é de admirar que eles agora falassem de Jeová como um Deus de atos salvadores. — Sal. 68:20.

As irmãs também passaram por duros testes. Soldados tentaram violentar algumas delas. Mas, quando uma irmã orou a Jeová, fingiu um ataque epiléptico e caiu, espumando pela boca, os soldados fugiram depressa. O irmão Ekong, de Uyo Afaha Nkan, foi baleado quando se recusou a permitir que soldados violentassem a sua filha, e outros, também, foram mortos porque não permitiram que suas esposas ou filhas fossem violentadas.

AJUDA DE SUPERINTENDENTES VIAJANTES

Os superintendentes de circuito desempenhavam um corajoso papel em edificar espiritualmente os irmãos. Benjamin Osueke, que agora serve com a esposa na filial em Lagos, foi um deles. Ele nos fornece as seguintes recordações:

“As Testemunhas revelaram ser guardiães de seus irmãos, no verdadeiro sentido da palavra. Irmãos de regiões fortemente convulsionadas foram acomodados pelos que moravam em lugares calmos. Visto que as mulheres podiam circular relativamente mais à vontade do que os homens, as irmãs proviam comida para os irmãos que se escondiam dos recrutadores. Com a ajuda duma pioneira regular, pude visitar vários grupos de publicadores no agreste. Os outros superintendentes de circuito também procuravam achar os locais em que os irmãos se estabeleciam na zona agreste, de modo que pudessem visitá-los e dar encorajamento espiritual. Os irmãos apreciavam isto e também correram riscos em nosso favor. Isaac Nwagwu, por exemplo, levou-me de canoa para o outro lado do rio Otamiri, às custas de grande risco para a sua própria segurança. Um dentre o grupo de publicadores que vieram se despedir de mim exclamou: ‘Hoje é o melhor dia da minha vida. Nunca pensei que nesta vida veria de novo um servo de circuito. Se eu morrer agora no calor desta guerra, morro satisfeito.”‘

Havia seis formados de Gileade entre tais superintendentes viajantes, que deram muita força e encorajamento. Os três superintendentes de distrito agiam como comissão para organizar e supervisionar a obra. Mantinham-se em contato com os publicadores, juntavam e compilavam relatórios de serviço de campo, e organizavam assembléias de circuito. Mas, podiam eles se comunicar com o mundo exterior?

“PROVISÕES PARA A CRISE”, DA PARTE DE JEOVÁ

No início de 1968 as autoridades biafrenses colocaram dois de seus funcionários civis em importantes pontos “sensíveis” na Europa e na pista de pouso biafrense. Acontece que estes dois eram amigos. Também eram Testemunhas de Jeová. Lá estavam eles, em ambas as extremidades do único elo de ligação entre a Biafra e o mundo exterior. No seu primeiro encontro inesperado, em Port Harcourt, em março de 1968, eles perceberam e consideraram as possibilidades que a sua nomeação oferecia para estabelecer contato entre os irmãos e a Sociedade.

Tratava-se duma incumbência muito delicada e arriscada, mas estes irmãos reconheceram que a situação deve ter sido manobrada por Jeová. Reconhecendo isto, um deles disse mais tarde que “o arranjo estava além de algo que humanos pudessem ter planejado”, e que não poderia ter ocorrido “por feliz coincidência”. As sedes da Sociedade em Lagos, Londres e Brooklyn foram informadas, e começou um firme fluxo de comunicações. Estes mesmos canais foram usados para levar suprimentos de socorro para os nossos irmãos em necessidade, através do Gabão e de Daomé (agora Benin).

NOTÁVEL FORÇA ESPIRITUAL

As difíceis condições físicas de nossos irmãos em Biafra chegaram ao conhecimento do povo de Jeová em toda a terra. A integridade deles também se tornava conhecida, e isto redundava em muito encorajamento para os que dela ouviam falar. (Compare com Filipenses 1:14.) Milhares de irmãos que assistiam à Assembléia Internacional “Paz na Terra” no Estádio Ianque em Nova Iorque, em 1969, emocionaram-se com a seguinte experiência:

“Um jovem irmão, Christopher Utoh, figurava entre alguns jovens arrastados para o serviço militar. Ele recusou-se a violar a sua consciência. Por isso, foi espancado, preso, passou fome, e foi ameaçado de morte. Depois de um desgastante mês de tortura, ele foi levado à presença do comandante da divisão. Ameaças adicionais de nada valeram para quebrar a sua firmeza. Finalmente, o oficial o liberou com a seguinte ordem:

“‘A Quem Possa Interessar: O acima mencionado ministro de religião por tempo integral foi nesta data isentado de recrutamento/conscrição. Sua isenção se baseia em motivos ministeriais religiosos e pede-se a todos os envolvidos que lhe dêem toda a necessária assistência e ajuda a fim de habilitá-lo a cumprir seus deveres qual ministro ordenado de Jeová Deus.’”

Pobres materialmente, molestados e afligidos fisicamente, mas fortes espiritualmente, os irmãos conservaram a integridade para com Jeová, o apego à Sua organização visível e o zelo no serviço do Reino. Entre estes, havia diligentes pioneiros. Samuel Onyedire, então superintendente de circuito, conta o seguinte sobre eles:

“O maciço bombardeio aéreo, a incessante caça a rapazes e homens fisicamente aptos e as campanhas de mobilização geral, não eram condições favoráveis, mas os pioneiros sabiam que as boas novas tinham de ser pregadas, quer a época fosse boa, quer má. Assim, muitos se apegaram à sua comissão. Em segundo lugar, eles reconheceram que o serviço de tempo integral os habilitava a conservar a percepção e o equilíbrio espirituais. Esta conscientização deu-lhes força íntima e resistência para prosseguir. Em terceiro lugar, eles aproveitavam as primeiras horas da manhã e da noite para trabalhar, visto que os bombardeios geralmente começavam depois das 10 da manhã. Também, dirigiam estudos bíblicos a qualquer hora conveniente durante o dia. . .. Durante campanhas de conscrição, os pioneiros aproveitavam a oportunidade para pregar a aldeões que se escondiam na zona agreste. Podiam confortar o povo frustrado, fazer revisitas e até mesmo dirigir estudos bíblicos no seu ‘território móvel’. Os vizinhos ficavam desconcertados. Não podiam entender por que alguém devia arriscar a vida simplesmente para divulgar as suas crenças. Mas os irmãos eram pioneiros felizes.”

APOIO DAS ASSEMBLÉIAS “PAZ NA TERRA”

A série de Assembléias “Paz na Terra” criou oportunidades para fortalecer a coragem desses irmãos acossados, porém perseverantes. Mesmo agora, lembrando o passado, parece milagre que dois dos superintendentes de distrito puderam assistir à assembléia em Londres, em 1969. No entanto, embora Biafra estivesse isolada e fosse virtualmente impossível deixar o país, fizeram-se arranjos para que estes dois irmãos fizessem isso. Eles chegaram à pista de pouso de Uli na escuridão da noite e, apesar de grande risco, embarcaram num avião que havia trazido suprimentos de socorro à Biafra e voaram para Londres via São Tomé e Lisboa. Falaram com o irmão Knorr e receberam encorajamento muitíssimo caloroso e sugestões do irmão Franz. Fizeram-se arranjos para enviar carregamentos de alimentos, remédios, publicações e roupas para os irmãos em extrema necessidade.

A Assembléia “Paz na Terra” na Nigéria foi realizada em dezembro em Ilesha, em plena guerra. Embora fosse um congresso nacional, poucos irmãos ibos, de Enugu, estavam entre os 97.201 assistentes; mas, certamente se alegraram em estar entre tantos irmãos e em participar em dar boas-vindas aos 3.425 que então foram batizados. Devido à sua bem-conhecida neutralidade, c exército federal prestou plena cooperação aos delegados do congresso. Não só concederam passes para os veículos, mas também baixaram instruções escritas ordenando que os soldados nas barreiras “os tratassem cortesmente, e os ajudassem, se necessário”.

SUPRIMENTOS DE SOCORRO

Suprimentos de socorro coletados pelos irmãos das Ilhas Britânicas e da Irlanda foram enviados através dos meios de transporte da Cruz Vermelha Internacional e de outras organizações caritativas voluntárias interessadas em fazer chegar o socorro para as vítimas da guerra. Também, a sede da Sociedade em Nova Iorque e a filial de Londres enviaram donativos totalizando US$ 24.000. Durante o período da crise e depois, a filial em Lagos enviou umas 36 toneladas de alimentos, roupa e outros materiais.

Depois que o irmão Mills voltou duma viagem em que se distribuíram suprimentos de socorro e provisões espirituais, ele relatou suas experiências em Lagos. Em resultado, muitos membros da família de Betel se ofereceram para fazer viagens similares a fim de encorajar os irmãos nos campos de refugiados em áreas assoladas pela guerra civil. Assim, a Sociedade enviou Asuquo Akpabio com suprimentos a Calabar, num avião da Cruz Vermelha. Um vôo similar a Port Harcourt foi feito por Gerald Bogard. Houve também Wendell Jensen, um americano; ele e sua esposa Lois haviam chegado à Nigéria, de Gileade, em 1966. Ele conseguiu chegar a Port Harcourt com suprimentos de comida, remédios, roupas e publicações, mas foi interceptado por soldados e submetido a um duro interrogatório. Finalmente, conseguiu entregar os suprimentos aos irmãos em Port Harcourt e Aba.

Gösta Andersson, um missionário recém-chegado, levou mais suprimentos necessários num vôo da Cruz Vermelha a Enugu. Depois de andar várias horas para localizar os irmãos, e com soldados irrequietos e armados por toda a parte, ele conseguiu entregar os suprimentos. Certo momento, quando ele parou para um lanche à beira da estrada, um soldado correu em sua direção com o rifle apontado para ele. O irmão Andersson diz: “Eu lhe expliquei quem eu era e mostrei-lhe a permissão das autoridades militares. Ele se retirou relutantemente e me olhava com suspeita à medida que eu pegava as minhas coisas e saía apressadamente, tentando esconder o meu medo.” Ele encorajou os publicadores locais e, tomando emprestado uma bicicleta, foi até uma aldeia onde os irmãos haviam programado uma assembléia de um dia.

PASSARAM FIRMES POR UMA PROVAÇÃO

Subitamente, a guerra terminou em 15 de Janeiro de 1970, para surpresa de ambos os lados. À medida que as Testemunhas de Jeová saíam dos esconderijos e de novo se associavam livremente com seus irmãos, contavam experiências maravilhosas que demonstram proteção angélica e como foram salvas por usarem o nome de Jeová e confiarem nele. (Pro. 18:10) Falaram sobre os efeitos amedrontadores dos ataques aéreos. Descreveram os horrores da fome prolongada e a horrível doença kwashiorkor, que, segundo informes, causou a morte de pelo menos um milhão de biafrenses. Contaram como, quais Testemunhas de Jeová, haviam sofrido extrema importunação e perseguição devido às campanhas de conscrição.

Quase todos os Salões do Reino nas áreas castigadas pela guerra haviam sido saqueados. Uns 50 haviam sido demolidos e outros 50 muito danificados pelos ataques aéreos e lutas em terra. Não obstante, os irmãos passaram por isso com a sua integridade intacta e sua fé fortalecida. Acertadamente, um superintendente de circuito observou: “Eles revelaram ser . . . construídos com materiais à prova de fogo.” Outro, Samuel Onyedire, que continuou fiel no serviço de tempo integral em que já estava desde 1954, comentou: “É gratificante refletir sobre como Jeová sustentou seus servos durante os dias turbulentos da guerra. Ele fortaleceu a nossa fé e nos infundiu coragem. Agradecemos aos irmãos em toda a terra, cujas orações a nosso favor foram tão maravilhosamente atendidas.”

LÍDERES RELIGIOSOS ENVOLVERAM-SE NA GUERRA

O registro que o clero da cristandade deixou é bem diferente. Foi exatamente como escreveu o colunista Akin Elegbe no Morning Post de 10 de maio de 1971: “Enquanto a crise assolava, a igreja, para desapontamento de todos, . . . ativamente jogava gasolina numa fogueira que quase destruiu . . . a Nigéria.”

Clérigos de ambos os lados chamaram a guerra de “guerra de Deus”. O comandante militar de um dos lados foi saudado por um bispo protestante como o “Messias da África Negra”, e foi instado por outro ministro religioso a ‘trabalhar como Moisés, Josué’. Outro clérigo disse que a guerra contra a rebelião tinha “o apoio da Bíblia Sagrada e do Alcorão”. Líderes muçulmanos deram o seu apoio, dizendo: “A guerra é necessária para a paz.” No lado oponente, bispos protestantes e católicos saudaram seu comandante militar como “nosso Moisés”, e conclamaram ajuda para os “nossos soldados e milícias na frente de combate, não apenas com as nossas orações mas também com todo apoio moral e material”. As igrejas contribuíram para a compra de armas e oraram para o mesmo deus pedindo a vitória para os seus respectivos lados. Líderes religiosos em outros países também tomaram partido no conflito, criando grande confusão religiosa.

Não é de admirar que um governador de estado nigeriano dissesse que a “crise na Nigéria poderia ter sido evitada se as igrejas e outras organizações cristãs tivessem desempenhado bem o seu papel”. Fez-se até mesmo um protesto oficial ao Vaticano contra a Igreja, a qual, segundo certo escritor, “não poupou esforços na tentativa de dividir” a Nigéria.

Os próprios clérigos fizeram expressões de autocondenação. Por exemplo, criticando o papel das igrejas na guerra, o pastor K. O. Balogun, da Assembléia Cristã de Ibadã, disse: “Os que se auto-denominam mensageiros de Deus falharam. . .. Nós, que nos auto-denominamos ministros de Deus, tornamo-nos ministros de Satanás.”

Compreensivelmente, muitas pessoas em ambos os lados perderam a fé no clero. Também, os reveses da guerra e os incalculáveis sofrimentos e aflições as compeliram a reconsiderar sua atitude para com as Testemunhas de Jeová. Numa época de tantos apuros e perplexidade, apenas as Testemunhas de Jeová as confortavam com uma mensagem de esperança real. Somente elas haviam mantido uma corajosa posição neutra. Não é de admirar que, perto do fim da guerra, pessoas honestas em grande número começassem a aceitar a verdade. Conforme os irmãos mais tarde informaram: “Até mesmo soldados nos convidavam a pregar para eles. Sentiam um certo refrigério quando ouviam a mensagem do Reino de Deus.”

PERSEGUIDORES SE TORNAM IRMÃOS

Certo oficial militar que tentara em vão forçar os irmãos a pegar em armas — embora fosse fácil fazer com que outros religiosos o fizessem — procurou as Testemunhas de Jeová depois da guerra para descobrir como poderia tornar-se uma delas. A integridade e a neutralidade dos irmãos o haviam convencido. “Achei a religião verdadeira”, disse. Ele foi apenas um dos muitos militares que assim se beneficiaram, por notarem a fidelidade do povo de Jeová.

Num campo de conscrição biafrense, certo jovem irmão recusou alistar-se para treinamento militar apesar de graves espancamentos. Foi levado diante dum pelotão de fuzilamento, amarrado a um poste e informado de que seria fuzilado após a contagem até quatro. À medida que o oficial enunciava cada número, ele pausava para que o irmão pudesse mudar de idéia. Quando chegou ao quatro, ele foi executado. Mas, entre os presentes havia um jovem soldado que então se sentiu impelido a examinar a sua própria posição em vista do exemplo de fé e integridade que acabara de testemunhar. Ele havia sido criado presbiteriano e pensava que todos adoravam o mesmo Deus. Agora sabia que as Testemunhas de Jeová eram diferentes. Assim que a guerra acabou ele passou a assistir a reuniões congregacionais locais e se tornou Testemunha de Jeová.

Muitos destes servem agora como pioneiros. Alguns até mesmo chegaram a ser superintendentes de circuito ou serviram em Betel. Portanto, aqueles anos de provações não impediram o progresso das Testemunhas de Jeová. Em vez disso, houve um aumento fenomenal que elevou seu número médio de publicadores de 37.392, em 1965, para 62.641, em 1970. Naqueles cinco anos 24.486 novos discípulos foram batizados, em comparação com 12.230 nos cinco anos anteriores. Sim, Jeová sem dúvida abençoara a fiel perseverança de suas Testemunhas.

APÓS A GUERRA — REORGANIZAÇÃO

Assim que terminou a guerra, a filial rapidamente providenciou reiniciar a produção de publicações em ibo e em efique, que fora interrompida. Superintendentes de circuito e de distrito fizeram um curso especial de treinamento em Lagos. Terminado o curso, os que vieram de Igboland retornaram para lá a fim de ajudar as 304 congregações e grupos isolados reorganizados.

No ínterim, tomaram-se medidas para encorajar e reabilitar os irmãos nas regiões castigadas pela guerra. No dia 8 de março, o superintendente da filial e outros que ali trabalhavam iniciaram um roteiro de nove dias pelo leste, levando 11 toneladas de mui necessitadas publicações bíblicas, roupas e alimentos. A visita deles trouxe muito encorajamento espiritual para os irmãos.

PRIMEIRA ASSEMBLÉIA INTERNACIONAL

Agora que as pessoas em todas as partes do país podiam de novo viajar livremente, amadurecera a ocasião para reunir todos os irmãos numa grande assembléia. Esta oportunidade surgiu na Assembléia Internacional “Homens de Boa Vontade” em Lagos, em dezembro de 1970. Revelou ser um dos mais notáveis eventos na história das Testemunhas de Jeová neste país.

Arranjar acomodações para 100.000 Testemunhas vindas de toda a Nigéria representou um estonteante problema. Mas os irmãos vasculharam a cidade e os subúrbios, solicitando às pessoas hospedagem para os visitantes durante o congresso. Salões do Reino se transformaram em dormitórios. Prédios vazios, fábricas, escolas, garagens — tudo foi reservado e aproveitado. Quando as multidões afluíram à cidade, de algum modo e em algum lugar todos tinham seu cantinho para dormir.

Estavam presentes delegados de 15 países. Incluídos nestes, N. H. Knorr, F. W. Franz, M. G. Henschel e também Wilfred e Gwen Gooch. Os preparativos para receber os visitantes estrangeiros incluíam reservar praticamente todos os quartos de hotel na cidade. Assim, quando o agente duma grande empresa aérea internacional soube que a sua firma ia enviar alguns representantes a Lagos, ele rapidamente comunicou: “Não há acomodações! Todo quarto de hotel ocupado por Testemunhas de Jeová.” “Pode hospedá-los em sua casa?”, indagaram. “Eu estou hospedando seis Testemunhas de Jeová!”, foi a resposta.

Para as necessárias instalações para o congresso, construiu-se uma cidade de bambu—17 áreas com assentos, palco, dormitórios, bares e outros departamentos. E apresentou-se ali um programa simultâneo em 17 línguas. Ao discurso público no último dia compareceram 121.128 pessoas. Foi realmente espantoso! O próprio batismo foi um evento gigantesco—3.775 novas Testemunhas foram imersas à razão de 20 por minuto.

Os irmãos e irmãs ibos foram entusiasticamente bem-vindos com calorosos abraços e lágrimas de alegria. Muitos deles haviam sido ajudados a chegar ao congresso por meio de contribuições de irmãos de toda a Nigéria e do além-mar. Eles choravam de alegria à medida que bebiam refrescantes águas de verdade e saboreavam a edificante associação que lhes havia sido negada por mais de dois anos. Depois do congresso, alguns dos delegados estrangeiros foram de ônibus a Igboland para ver em primeira mão a área mais seriamente atingida pela guerra civil. Causou-se grande sensação numa cidade após outra, à medida que os membros da excursão eram saudados e abraçados pelos irmãos locais. As pessoas acorriam às ruas para ver. Tal demonstração de amor e união entre negros e brancos era algo que nunca antes haviam visto.

GRANDE MULTIDÃO DE PROCLAMADORES DO REINO

Ao longo das décadas, desde que Claude Brown pela primeira vez pregou as boas novas na Nigéria em 1921, a verdade tem tido uma acolhida realmente acalentadora. Depois de 25 anos, em 1946, havia 3.542 que participavam na obra do Reino. Em 1971 tal número aumentara para 75.372 proclamadores do Reino. Em 1976, uma média de 107.924 participaram nesta atividade. Mas daí houve um período de decréscimo, e a média caiu para 91.217, à medida que testes de fé peneiravam os que se revelaram não terem sido construídos com ‘materiais à prova de fogo’. (1 Coríntios 3:11-13) Na era do pós-guerra, alguns se deixaram levar pelos interesses materialistas da vida na cidade; outros, pelas práticas imorais. Mas, a vasta maioria permaneceu sólida na fé. E em abril de 1985 foi atingido um novo auge de 121.729 publicadores.

Entre estes, há um crescente grupo de zelosos pioneiros. O número destes no serviço de pioneiro regular e especial aumentou de 2.956, em 1980, para 4.556 em abril de 1985. Neste mesmo período, o número máximo de pioneiros auxiliares disparou de 2.411 para 15.096!

Alguns dos trabalhadores de tempo integral vêm fielmente servindo a Jeová desde antes de 1940. Outros estão no serviço de tempo integral por mais de 30 anos. James Namikpoh, o primeiro nigeriano a participar na proclamação das boas novas, estava ativo no serviço de Jeová por 52 anos. Ele foi pioneiro por 46 anos e serviu até falecer, aos 84 anos de idade. M. J. Orode, apesar da perda de uma perna, foi pioneiro por 32 anos, até a sua morte em 1983. Muitos mais destes fiéis ainda servem, tanto no serviço externo como na sede.

Durante as décadas em que ocorria este maravilhoso aumento na Nigéria, os interesses do Reino também foram cultivados em países vizinhos, sob a direção da filial da Nigéria. Embora o espaço aqui não nos permita relatar os pormenores, cada um destes países têm a sua própria acalentadora história de pequenos começos, fidelidade sob perseguição, e esforço diligente da parte de publicadores abnegados em levar a outros as boas novas. Serra Leoa e Gana têm agora, ambos, a sua própria filial. Em outros países vizinhos os nossos irmãos cumprem o seu ministério sob restrições governamentais, que às vezes levam a prisões e duros maus-tratos. Mas, os servos leais de Deus continuam a demonstrar que fazer a vontade de Jeová é para eles o seu interesse maior na vida, e seu número continua a aumentar.

ASSEMBLÉIAS PARA ATENDER A MULTIDÕES CRESCENTES

Em vez de continuar a realizar grandes assembléias num só local, como em 1970, parecia sábio depois disso realizar várias delas em pontos convenientes por todo o país. O total tem variado de ano em ano, mas em 1984 houve 45 assembléias, com discursos em 22 línguas, e uma assistência total de 287.894!

Para atender a essas crescentes multidões, construíram-se locais de assembléia permanentes em muitos lugares. Alguns destes consistem numa grande área de assentos coberta, com todas as laterais abertas para permitir a ventilação constante. Alguns se assemelham a anfiteatros. Vários locais incluem uma piscina para batismo, também grandes dormitórios para acomodar os delegados. Os próprios irmãos fizeram o trabalho e produziram instalações bem adequadas às suas necessidades neste clima tropical.

EXPANSÃO NO PRÉDIO DA FILIAL

Em 1972, a supervisão do trabalho na filial passou a se beneficiar de novos procedimentos teocráticos. Em 1976, o Corpo Governante designou uma comissão de irmãos maduros para supervisionar a obra do Reino, como vinha sendo feito em outros países em todo o mundo. Vários irmãos têm compartilhado as responsabilidades de supervisão desde que a filial foi estabelecida aqui. Todos deram valiosas contribuições e foram amados pelos irmãos. Don Ward, que servia em Daomé (atual Benin), foi redesignado à Nigéria para supervisionar a construção de uma ampliação no prédio da filial e foi designado superintendente de filial em 1972. Ele tornou-se o primeiro coordenador da Comissão de Filial; mas teve de voltar aos Estados Unidos por causa de doença, e faleceu em 1983 depois de 41 anos de serviço fiel. No momento a Comissão de Filial é composta de Malcolm Vigo e os irmãos Andersson, Olih, Olugbebi, Prosser e Trost.

O lar de Betel, o escritório e a gráfica também tiveram de ser aumentados repetidas vezes ao longo dos anos. Lá em 1948 a impressão era feita numa pequena impressora plana no térreo da casa da irmã Green, na Rua Campbell, em Lagos. O escritório e o depósito de publicações eram em lugares diferentes, e a família de Betel morava em outros três diferentes lugares. Desde então tivemos vários bons prédios, mas todos se tornaram pequenos.

No momento desta escrita, um inteiramente novo conjunto de prédios está sendo erigido em Igieduma, sobre 55,5 hectares de terra. Um alojamento temporário para os que trabalham na construção foi erguido em 1984. O Corpo Governante decidiu que o prédio da gráfica seria pré-fabricado, e os seus componentes foram enviados dos Estados Unidos. Quando pronta, a nova gráfica medirá 80 x 120 metros. Serão construídos também um espaçoso escritório, quatro prédios residenciais interligados, e outras instalações necessárias. Obter licenças de importação foi realmente um ato de fé. E a chegada em boa ordem de todo c material ao local de construção tem sido uma evidência da bênção de Jeová. Aos irmãos locais se juntaram Testemunhas do exterior, com especialização, e juntos trabalham para terminar com êxito o projeto.

A obra do Reino já percorreu um longo caminho neste país. Os irmãos passaram por ardentes testes de sua fé. Consolidou-se uma forte organização teocrática. Há 60 anos havia apenas um proclamador das boas novas na Nigéria. Aquele “pequeno” se tornou, não apenas mil, mas agora bem mais de 120.000. Estes regozijam-se de pertencer à organização mundial unida que hoje vivência o cumprimento da grande promessa de Jeová: “O próprio pequeno tornar-se-á mil e o menor, uma nação forte. Eu mesmo, Jeová, apressarei isso ao seu próprio tempo.”—Isa. 60:22.

[Foto na página 193]

James Namikpoh — a primeira Testemunha nigeriana e pioneiro até a sua morte aos 84 anos de idade.

[Foto na página 199]

“Bíblia” Brown e sua esposa serviram 27 anos na África Ocidental

[Foto na página 200]

Capacetes com dizeres, e megafones, constavam entre os instrumentos usados para divulgar a mensagem do Reino.

[Fotos na página 209]

Ernest Moreton (que gostava da roupa nigeriana) e AnthonyAttwood figuravam entre os primeiros missionários enviados a Nigéria. Inglaterra. . . empenhado no mesmo tipo de atividade, era um tanto desagradável para eles.”

[Foto na página 216]

Asuguo Akpabio, um dos primeiros formados de Gileade nigerianos, com sua esposa Christiane.

[Fotos na página 223]

Relances da vida na Nigéria.

[Foto na página 231]

Woodworth e Oris Milis, formados de Gileade que tem servido por uns 30 anos na Nigéria.

[Fotos na página 247]

Congressos — ao estilo nigeriano.

[Foto na página 249]

Um dos locais de assembléia permanentes, construído por Testemunhas nigerianas

[Foto na página 250]

Atual Comissão de Filial. Na frente (da esquerda para a direita): Albert Olagbebi, Malcolm Vigo, Albert Olih. Atrás: Carlos Prosser, Gosta Andersson, Donald Trost.

[Foto na página 252]

Estas instalações da filial se tornaram pequenas; novas estão sendo construídas em Igieduma.

[Mapa na página 191]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

NIGÉRIA

Cano

Zaria

Caduna

Rio Níger

Rio Benué

Rio Ocpara

LAGOS

Oio

Ilesha

Ibadã

Cidade de Benin

IGIEDUMA

Enugu

Asaba

Sapele

Warri

Aba

Forcados

Calabar

Port Harcourt

NÍGER

CHADE

CAMARÕES

GOLFO DA GUINÉ

BANIN

Lago Chade

[Mapa na página 238]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

Mais de 250 línguas são faladas na Nigéria. Indicam-se aqui as áreas que predominam algumas das principais.

NIGÉRIA

Ioruba

Ibo

Efique

    Publicações em Português (1950-2026)
    Sair
    Login
    • Português (Brasil)
    • Compartilhar
    • Preferências
    • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
    • Termos de Uso
    • Política de Privacidade
    • Configurações de Privacidade
    • JW.ORG
    • Login
    Compartilhar