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Deus DesconhecidoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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mesmo a ponto de deificarem o abstrato, erigindo altares à Fama, à Modéstia, à Energia, à Persuasão e à Piedade. Talvez temendo que pudessem esquecer algum deus e, por conseguinte, incorrer no desfavor dele, os homens de Atenas haviam erigido um altar sobre o qual estavam inscritas as palavras: “A um Deus Desconhecido.” Na abertura do seu discurso aos estóicos, aos epicureus e a outros reunidos no Areópago (Colina de Marte), Paulo jeitosamente dirigiu a atenção deles a esse altar “A um Deus Desconhecido”, dizendo-lhes que era a respeito desse Deus, até então desconhecido a eles, que lhes pregava. — Atos 17:18, 19, 22-34.
Que existiam na Grécia altares deste tipo é comprovado pelos escritores gregos Filostrato (170?-245 E.C.) e Pausânias (2.° século E.C.). Pausânias menciona altares de “deuses chamados Desconhecidos”, e Filostrato, em sua obra Life of Apollonius of Tyana (Vida de Apolônio de Tiana), escreve: “É mais prudente falar bem de todos os deuses, e especialmente em Atenas, onde se encontram também altares de deidades desconhecidas.”
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Deuses E DeusasAjuda ao Entendimento da Bíblia
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DEUSES E DEUSAS
As deidades que têm sido e ainda são adoradas pelas nações são fruto da criação humana, produtos de homens imperfeitos, “inanes nos seus raciocínios”, que “transformaram a glória do Deus incorruptível em algo semelhante à imagem do homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de bichos rastejantes”. (Rom. 1:21-23) Não é de admirar, portanto, observarmos que tais deidades refletem as mesmas características e fraquezas de seus adoradores imperfeitos.
Dificilmente pode-se atribuir ao acaso as notáveis similaridades prontamente observáveis quando se comparam os deuses e as deusas dos povos antigos. Concernente a isto, o coronel J. Garnier, em seu livro The Worship of the Dead (A Adoração dos Mortos), escreveu: “Não apenas os egípcios, os caldeus, os fenícios, os gregos e os romanos, mas também os hindus, os budistas da China e do Tibete, os godos, os anglo-saxões, os druidas, os mexicanos e os peruanos, os aborígenes da Austrália e até mesmo os selvagens das ilhas dos Mares do Sul, devem todos ter derivado suas idéias religiosas de uma fonte comum e de um centro comum. Em toda a parte deparamo-nos com as mais surpreendentes coincidências nos rituais, nas cerimônias, nos costumes, nas tradições, e nos nomes e nas relações de seus respectivos deuses e deusas.”
A evidência das Escrituras aponta para a terra de Sinear como sendo o berço pós-diluviano dos falsos conceitos religiosos. Sem dúvida sob a direção de Ninrode, “poderoso caçador em oposição a Jeová”, começou a construção da cidade de Babel e de sua torre, provavelmente um zigurate a ser usado na adoração falsa. Empreendeu-se este projeto de construção, não para trazer honra a Jeová Deus, mas para a autoglorificação dos construtores, que desejavam fazer para si mesmos um “nome célebre”. Também, era diametralmente oposto ao propósito de Deus para a humanidade, de que ela se devia espalhar sobre a terra. O Todo-poderoso frustrou os planos desses construtores por confundir a língua deles. Não mais podendo se entender, gradualmente desistiram de construir a cidade e se dispersaram. (Gên. 10:8-10; 11:2-9) No entanto, Ninrode aparentemente ficou em Babel e expandiu o seu domínio, fundando o primeiro Império Babilônico. — Gên. 10:11, 12.
Quanto aos povos dispersos, para onde quer que foram levaram junto a sua religião falsa, que seria praticada sob novos termos, na nova língua deles e em novas localizações. Visto que Noé ainda viveu 350 anos depois do dilúvio, esta dispersão logicamente ocorreu enquanto Noé e seu filho Sem ainda viviam. (Gên. 9:28; 11:10, 11) Portanto, a dispersão ocorreu numa época em que eram conhecidos os fatos a respeito de acontecimentos anteriores, tais como o Dilúvio. Este conhecimento, sem dúvida perdurava, de alguma maneira, na memória do povo dispersado. Indicativo disso é o fato de que as mitologias dos antigos refletem várias partes do registro bíblico, porém, de uma forma distorcida e politeísta. As lendas descrevem certos deuses quais matadores de serpentes; também, as religiões de muitos povos antigos incluíam a adoração de um deus designado ao papel de benfeitor, que sofre morte violenta na terra e é então trazido de volta à vida. Isto sugere que tal deus era, na verdade, um humano deificado, erroneamente considerado como sendo o ‘descendente prometido’. (Compare com Gênesis 3:15.) Os mitos falam a respeito de casos amorosos entre deuses e mulheres terrenas, e dos feitos heróicos de sua descendência híbrida. (Compare com Gênesis 6:1, 2, 4; Judas 6.) Dificilmente existe uma nação na terra que não tenha uma lenda a respeito dum dilúvio global, e, nas lendas da humanidade, são também encontrados vestígios do relato da construção da torre.
DEIDADES BABILÔNICAS
Após a morte de Ninrode, os babilônios sem dúvida estavam propensos a tê-lo em alta estima qual fundador, construtor e primeiro rei de sua cidade, e qual fundador do Império Babilônico original. Segundo a tradição, Ninrode sofreu morte violenta. Embora não exista registro de que Ninrode tenha sido adorado sob seu próprio nome, alguns peritos crêem que sua morte era comemorada no ‘choro por Tamuz’, anual. (Eze. 8:14) Também, visto que o deus Marduque era considerado o fundador de Babilônia, isto sugeriria que Marduque não representa senão o deificado Ninrode. Assim, The International Standard Bible Encyclopædia (Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional; Vol. IV, p. 2147) diz a respeito da identificação de Ninrode: “A mais admissível correspondência é com Marduque, o principal deus de Babilônia, provavelmente seu fundador histórico, assim como Assur, o deus da Assíria, aparece em [Gênesis 10:11] como o fundador do império assír[io].”
Caso Ninrode tenha sido realmente o primeiro homem a ser deificado após o Dilúvio, ele teria sido considerado o “pai dos deuses” na religião babilônica. Sua mãe se tornaria assim a “mãe de deus” ou a “mãe dos deuses”. Cus, o pai de Ninrode, embora provavelmente não tenha recebido uma posição de grande proeminência, poderia muito bem ter-se convertido no terceiro membro duma tríade composta de Cus, sua esposa e o filho deles, Ninrode, embora fossem adorados sob nomes diferentes. Com o pai indubitavelmente mantido em segundo plano, isto deve ter dado origem à adoração da mãe e do filho. Que isto realmente aconteceu é sugerido pelo muito difundido conceito trinitarista nos mitos antigos, a adoração de uma deusa-mãe e de seu filho, e o papel menor atribuído ao deus-pai.
Com o passar do tempo, os deuses do primeiro Império Babilônico começaram a se multiplicar. O panteão veio a ter numerosas tríades de deuses ou deidades. Uma de tais tríades era composta de Anu, o deus do céu, Enlil, o deus da terra, do ar e da tempestade, e de Ea, o deus que presidia as águas. Outra tríade era composta do deus-lua, Sin, do deus-sol, Xamaxe, e de Istar, a deusa da fertilidade, amante ou consorte de Tamuz. Os babilônios tinham até mesmo tríades de demônios, tais como a tríade de Labartu, Labasu e Akhkhazu. A adoração de corpos celestiais tornou-se proeminente (Isa. 47:13), e diversos planetas vieram a ser associados a certas deidades. O planeta Júpiter foi identificado com o deus principal de Babilônia, Marduque; Vênus com Istar, deusa do amor e da fertilidade; Saturno com Ninurta, deus da guerra e da caça, e patrono da agricultura; Mercúrio com Nebo, deus da sabedoria e da agricultura; Marte com Nergal, deus da guerra e da pestilência, e senhor do submundo.
DEIDADES ASSÍRIAS
Falando-se de modo geral, os deuses e as deusas assírios são idênticos às deidades babilônicas. Contudo, certa deidade, Assur, o deus principal, parece ter sido exclusivo do panteão assírio. Visto que a Assíria derivou seu nome de Assur, tem sido sugerido que este deus seja, na realidade, o filho de Sem, chamado Assur, deificado por adoradores falsos. — Gên. 10:21, 22.
DEIDADES EGÍPCIAS
Os deuses e as deusas adorados pelos egípcios evidenciam uma herança basicamente babilônica. Havia tríades de deidades e até mesmo tríades triplas, ou “enéades”. Uma das tríades populares consistia de Osíris, sua consorte Ísis e o filho deles, Hórus.
Osíris era o mais popular dos deuses egípcios e era considerado filho do deus-terra, Geb, e da deusa-céu, Nut. Dizia-se que Osíris tornou-se marido de Ísis e reinou qual rei sobre o Egito. Os relatos mitológicos contam que Osíris foi assassinado pelo seu irmão, Set, e então trazido de volta à vida, tornando-se o juiz e o rei dos mortos. O relacionamento entre Osíris e Ísis, e as respectivas características deles, correspondem notavelmente ao relacionamento e às características dos babilônios Tamuz e Istar. Assim, muitos peritos acham que eles são os mesmos. É de interesse,
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