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Do Seder à salvaçãoA Sentinela — 1990 | 15 de fevereiro
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que também saíram do Egito não tinham esses privilégios, eles poderiam, junto com os hebreus, esperar alcançar a Terra da Promessa e usufruir uma vida normal ao passo que adoravam a Deus. Ainda assim, os servos pré-cristãos de Jeová tinham base para esperar que, com o tempo, poderiam usufruir infindável vida na terra, onde Deus intencionava que a humanidade vivesse. Isto se harmonizaria com a promessa de Jesus em João 6:54.
16. Que tipo de salvação podiam os servos antigos de Deus esperar?
16 Deus usou alguns de seus servos antigos para escrever palavras inspiradoras a respeito de a terra ter sido criada para ser habitada e a respeito de retos viverem nela para sempre. (Salmo 37:9-11; Provérbios 2:21, 22; Isaías 45:18) Mas, como poderiam os verdadeiros adoradores ganhar tal salvação se morressem? Por Deus trazê-los de volta à vida na terra. Jó, por exemplo, expressou a esperança de que seria lembrado e chamado de volta à vida. (Jó 14:13-15; Daniel 12:13) Claramente, um dos tipos de salvação é para a vida eterna na terra. — Mateus 11:11.
17. Segundo a Bíblia, que diferente salvação outros podem alcançar?
17 A Bíblia fala também da salvação para a vida no céu, para onde Jesus Cristo foi após a sua ressurreição. “Ele está à direita de Deus, pois foi para o céu; e foram-lhe sujeitos anjos, e autoridades e poderes.” (1 Pedro 3:18, 22; Efésios 1:20-22; Hebreus 9:24) Mas Jesus não seria o único humano a ser levado para o céu. Deus também determinara tomar da terra um número relativamente pequeno de outros. Jesus disse aos apóstolos: “Na casa de meu pai há muitas moradas. . . . Vou embora para vos preparar um lugar. Também, se eu for embora e vos preparar um lugar, virei novamente e vos acolherei a mim, para que, onde eu estiver, vós também estejais.” — João 14:2, 3.
18. Temos agora que razão para focalizar a nossa atenção na salvação para a vida celestial?
18 A salvação para a vida celestial em união com Jesus é certamente muito mais grandiosa do que a salvação limitada envolvida na primeira Páscoa. (2 Timóteo 2:10) Foi na noitinha do último Seder, ou refeição da Páscoa, válido que Jesus instituiu a nova celebração para seus seguidores, que se centralizava na salvação para a vida celestial. Ele disse aos apóstolos: “Persisti em fazer isso em memória de mim.” (Lucas 22:19) Antes de considerarmos como os cristãos devem realizar essa celebração, consideremos a questão de quando devemos realizá-la.
Um “Tempo Designado”
19. Por que é lógico vincular a Páscoa com a Refeição Noturna do Senhor?
19 Jesus dissera: “Desejei muito comer esta páscoa convosco antes de eu sofrer.” (Lucas 22:15) Depois disso, ele delineou a Refeição Noturna do Senhor, que seus seguidores deviam observar como recordação de sua morte. (Lucas 22:19, 20) A Páscoa era realizada uma vez por ano. Assim, é razoável que a Refeição Noturna do Senhor seja realizada anualmente. Quando? Logicamente, na primavera (setentrional), na época em que se comemorava a Páscoa. Isto significaria que, em vez de mantê-la sempre na sexta-feira, por ter sido este o dia da semana em que Jesus morreu, seria quando caísse o 14 de nisã (do calendário judaico).
20. Por que as Testemunhas de Jeová se interessam por 14 de nisã?
20 Portanto, 14 de nisã seria a data que Paulo tinha em mente quando escreveu: “Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este copo, estais proclamando a morte do Senhor, até que ele chegue.” (1 Coríntios 11:26) Nos dois séculos seguintes, muitos cristãos apegaram-se a 14 de nisã, sendo conhecidos como quartodecimanos, do latim para “14.°”. M’Clintock e Strong informam: “As igrejas da Ásia Menor celebravam a morte do Senhor no dia correspondente ao 14.º do mês de nisã, dia em que, segundo a opinião de toda a Igreja antiga, ocorreu a crucificação.” Hoje, as Testemunhas de Jeová realizam a Refeição Noturna do Senhor anualmente na data correspondente a 14 de nisã. Alguns têm notado, porém, que esta pode diferir da data em que os judeus realizam a sua Páscoa. Por quê?
21. Quando é que o cordeiro pascoal devia ser sacrificado, mas o que fazem os judeus hoje?
21 O dia hebraico ia de um pôr-do-sol (por volta de 18 horas) até o pôr-do-sol seguinte. Deus ordenara que o cordeiro da Páscoa fosse morto em 14 de nisã “entre as duas noitinhas”. (Êxodo 12:6) Quando seria isso? Judeus modernos apegam-se ao conceito rabínico de que o cordeiro devia ser morto perto do fim de 14 de nisã, entre o momento em que o sol começasse a declinar (por volta de 15 horas) e o pôr-do-sol de fato. Assim, eles realizam seu Seder após o pôr-do-sol, quando o 15 de nisã já começou. — Marcos 1:32.
22. Por que razão a data para a Comemoração da Morte de Cristo talvez difira da data em que os judeus guardam a sua Páscoa? (Marcos 14:17; João 13:30)
22 No entanto, temos bons motivos para entender aquela expressão de maneira diferente. Deuteronômio 16:6 disse claramente aos israelitas que “matassem o sacrifício pascoal, na noitinha, no pôr-do-sol”. (Versão judaica Tanakh) Isto indica que “entre as duas noitinhas” referia-se ao período que ia do crepúsculo, do pôr-do-sol (que começa em 14 de nisã), até a escuridão de fato. Os antigos judeus caraítasb entendiam isso dessa maneira, como entendem os samaritanosc até os dias de hoje. Aceitarmos que o cordeiro pascoal era sacrificado e comido “no seu tempo designado”, em 14 de nisã, e não em 15 de nisã, é uma das razões pelas quais a nossa data da Comemoração as vezes difere da data judaica. — Números 9:2-5.
23. Por que se acrescentam meses ao calendário hebraico, e como cuidam disso os judeus atuais?
23 Outra razão pela qual a nossa data talvez difira da dos judeus é que eles empregam um calendário predeterminado, cujo sistema só foi consolidado no quarto século EC. Com este, eles podem fixar datas para o 1.º de nisã, ou para festividades, com décadas ou séculos de antecedência. Ademais, ao antigo calendário lunar era necessário ocasionalmente acrescentar um 13.º mês, para que esse calendário se sincronizasse com as estações. O atual calendário judaico acrescenta esse mês em pontos fixos; num ciclo de 19 anos, ele é acrescentado para os anos 3, 6, 8, 11, 14, 17 e 19.
24, 25. (a) Nos dias de Jesus, como se fixavam os meses e se determinava a necessidade de meses extras? (b) De que modo as Testemunhas de Jeová fixam a data para a Refeição Noturna do Senhor?
24 Contudo, Emil Schurer diz que “nos dias de Jesus [os judeus] ainda não tinham um calendário fixo, mas, à base de observação puramente empírica, começavam cada novo mês com o surgimento da lua nova e, similarmente a base de observação”, acrescentavam um mês conforme a necessidade. “Se. . . se percebesse perto do fim do ano que a Páscoa cairia antes do equinócio da primavera [hemisfério norte, por volta de 21 de março], decretava-se a intercalação de um mês antes de nisã.” (História do Povo Judaico na Época de Jesus Cristo, Volume 1, em inglês) Deste modo o mês extra entra naturalmente, sem ser adicionado arbitrariamente.
25 O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová fixa a data para a Refeição Noturna do Senhor segundo o método antigo. O 1.º de nisã é determinado por quando a lua nova mais perto do equinócio da primavera (setentrional) puder provavelmente ser observada no pôr-do-sol em Jerusalém. Contando 14 dias daí para a frente chega-se a 14 de nisã, que, usualmente, corresponde ao dia de lua cheia. (Veja A Sentinela de 1.º de outubro de 1977, páginas 607-8.) À base deste método bíblico, as Testemunhas de Jeová em todo o globo foram informadas de que a Comemoração da Morte de Cristo este ano será após o pôr-do-sol do dia 10 de abril.
26. Que aspectos adicionais da Refeição Noturna do Senhor merecem a nossa atenção?
26 Esta data corresponde a 14 de nisã, que foi quando Jesus realizou a última Páscoa válida. Contudo, a Comemoração da Morte de Cristo enfoca uma salvação que vai além daquela que o Seder judaico comemora. Todos nós temos de entender o que acontece durante a Refeição Noturna do Senhor, o que significa, e como a nossa salvação está envolvida.
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‘Discernindo o que nós somos’ — na época da ComemoraçãoA Sentinela — 1990 | 15 de fevereiro
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‘Discernindo o que nós somos’ — na época da Comemoração
“Se discerníssemos o que nós mesmos somos, não seríamos julgados . . . para não ficarmos condenados.” — 1 CORÍNTIOS 11:31, 32.
1. Os verdadeiros cristãos definitivamente desejam evitar o que, e por quê?
A ÚLTIMA coisa que o cristão desejaria é ser julgado adversamente por Jeová. Desagradar “o Juiz do toda a terra” poderia levar a ‘ficarmos condenados com o mundo’ e a perder a salvação. Isto é assim quer almejemos a vida no céu com Jesus, quer a vida sem fim num paraíso terrestre. — Gênesis 18:25; 1 Coríntios 11:32.
2, 3. Em que assunto poderíamos ser julgados adversamente, e o que disse Paulo sobre isso?
2 Em 1 Coríntios, capítulo 11, o apóstolo Paulo abordou um aspecto em que é possível incorrermos em julgamento. Embora dirigisse seus comentários a cristãos ungidos, seus conselhos são importantes para todos, especialmente nesta época do ano. Discernirmos o que nós mesmos somos pode ajudar-nos a obter a aprovação de Deus e não sermos julgados adversamente. Falando sobre a anual celebração da Refeição Noturna do Senhor, Paulo escreveu:
3 “O Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou um pão, e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: ‘Isto significa meu corpo em vosso benefício. Persisti em fazer isso em memória de mim.’ Ele fez o mesmo também com respeito ao copo, depois de tomar a refeição noturna, dizendo: ‘Este copo significa o novo pacto em virtude do meu sangue. Persisti em fazer isso, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.’ Pois, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este copo, estais proclamando a morte do Senhor,
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