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Tragédia no marDespertai! — 1978 | 8 de julho
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Tragédia no mar
Conforme narrado ao correspondente de “Despertai!” em Papua Nova Guiné
PARTIMOS de Gasmata, Nova Bretanha, por volta das 11 horas da quarta-feira, 9 de março. O tempo estava delicioso. Uma brisa suave impulsionava a vela de nossa canoa oriental, e continuamente nos fazia avançar. Para aumentar a velocidade, remávamos.
À nossa esquerda, a costa estava orlada de mangais verde-escuros, em boa parte da viagem. Estes eram intermitentemente povoados por aldeias costeiras e pequenas praias, com bastante freqüência ao longo do caminho. As ondas batiam contra suas areias brancas, e fileiras de coqueiros serviam de pano de fundo.
Cerca de 5 a 8 quilômetros mais para dentro da costa, as montanhas cobertas de florestas, nesta parte da comprida ilha, de 485 quilômetros, a Nova Bretanha, abruptamente ascendiam a até 1.525 metros de altitude. Quão majestosas pareciam!
Vez por outra, nossa canoa passava por coloridos leitos coralinos, onde podíamos ver peixes tropicais. Nós navegávamos razoavelmente perto da costa. Aqui o mar era calmo. De tempos a tempos, observávamos pequenos recifes mar adentro, assinalados por linhas brancas de rebentação — as ondas subindo e lançando sua carga de espuma em rápidos intervalos. Sentados na canoa, observando toda esta paz e grandiosidade, causavam profunda sensação de satisfação em nós, observadores. Na verdade, tratava-se dum cenário lindo!
Pouco sabíamos que, em questão de horas, esta vista serena seria transformada. Ver-nos-íamos num mar encapelado, com enormes ondas agitadas por um vento ciclônico!
Finalidade da Viagem
A finalidade da viagem era comparecer a uma assembléia das Testemunhas de Jeová a cerca de 50 quilômetros em Umisa, costa acima. Ao todo, éramos cinco, dois ministros de tempo integral, no serviço especial, Jack Nelulu e William Nahilo, um senhor idoso chamado Deia, sua esposa, Kurkur, e sua filha adotiva de seis anos. Algumas das Testemunhas de Jeová na pequena congregação em Umisa cuidavam da filha de 12 anos, e do filho de 10 anos, de Deia. Assim, Deia e Kurkur tinham motivos adicionais de viajar — ver de novo seus dois outros filhos.
Viagens assim são comuns entre nós, moradores da costa da Nova Bretanha. Nada fazíamos de extraordinário por velejarmos numa canoa oriental costa acima. Toda a nossa gente viaja dessa maneira. E que espetáculo são as canoas, com suas velas brancas plenamente soltas, ao deslizarem sobre as ondas! Nossa área abunda de peixes e de vida marinha. Ao velejarmos, era fascinante ver os vários tipos de vida marinha. Os trejeitos das toninhas, ao perseguirem os barcos, divertiam-nos e nos forneciam variedade.
Assolados por Terrível Vento
Em fins da tarde, chegamos ao fim do recife, ao longo do qual velejávamos. À nossa frente, não muito longe da ilha principal da Nova Bretanha, podíamos ver pequena ilhota chamada Atui. Decidimos fazer tal travessia. Soprava apenas um vento leve.
Subitamente, por volta das 18 horas, quando estávamos a meio caminho desta área de mar aberto, ainda a 1.600 metros de Atui, fomos assolados por terrível vento. Agitou rápido o mar. A água começou a encher a canoa, e fizemos esforços frenéticos de retirá-la. Será que o mastro e a vela suportariam o vendaval? Se suportassem, sabíamos que chegaríamos seguros à ilhota. Mas, isso não aconteceria.
O vento era forte demais. Soprava com grande intensidade, vindo das montanhas. Sob a pressão, o mastro quebrou, deixando-nos entregues à mercê do vento. Remamos mais forte. Oh, como remamos! Mas, éramos impotentes em orientar o curso do barco para Atui. Fomos levados para alto-mar, passando ao largo da ilha. Mesmo então pensávamos que, se o barco suportasse tudo, conseguiríamos voltar de novo, depois de o vento amainar.
Fomos levados cada vez mais para o alto mar. O mar se tornou mais encapelado, Agora a questão era: Será que o barco agüentaria? A tensão sobre cada viga se tornou maior. Daí, por volta das 19 horas, nosso barco se rompeu, não conseguindo suportar mais os golpes recebidos. Rompeu-se da proa à popa, o vento levando embora a metade mais leve. Compreendemos rápido que nada adiantava tentar salvar algo da canoa, embora William ainda se agarrasse à sua sacola.
Sem perder um instante, Jack quebrou o restante do barco, lançando tábuas para William, Deia e sua esposa, ao passo que gritava freneticamente: “Agora podemos nadar. Quem alcançar primeiro a praia pode contar aos nossos irmãos, na congregação, o que aconteceu, e eles poderão vir apanhar-nos.”
Um Consegue Chegar a Salvo
William separou-se então dos demais e não pôde mais ser visto na escuridão. Começou a nadar em direção à ilha Atui, esperando que sua direção estivesse certa. No ínterim, Deia, Kurkur e Jack, com a garotinha agarrada em seus ombros, decidiram que era melhor nadar até o recife, esperando que pudessem ficar nele até vir socorro.
“Ao nadar, pensei em Jeová Deus e não senti medo”, disse William mais tarde. Não sentiu nenhuma cãibra nos braços e pernas, e nem sequer pensou em afogar-se. Nadou sempre, mas ainda assim não viu nenhuma terra. Daí, lembra-se: “Por volta das 21 horas, surgiu a lua. Pude ver as luzes de Fullerborn [uma plantação] e de sua ilha, e nadei em direção a ela. Cheguei à ilha por volta das 23 horas. Já então meu corpo estava insensível e não podia sentir nada.” William simplesmente ficou deitado ali, na praia, até que se sentiu mais forte, e sua visão voltou ao normal. O mar e o vento tinham anuviado sua visão, de modo que não podia enxergar corretamente.
Quando sentiu que suas forças voltaram, levantou-se e pegou sua sacola, à qual se havia agarrado todo o tempo em que esteve na água. Andou até um povoado na ilha Quando o alcançou, apenas algumas pessoas estavam em casa. (Os restantes, temerosos devido aos fortes ventos, tinham remado até um povoado maior, na vizinha Nova Bretanha.) As pessoas pegaram William, levaram-no para dentro de casa e lhe forneceram trajes secos e biscoitos. Daí, dormiu. No amanhecer, levaram-no à aldeia maior na ilha grande. Ali, ele pegou uma canoa e remou até Umisa. Disse a seus amigos ali o que acontecera, como o vento destruíra a canoa, e como Jack, o casal e a garotinha ainda não tinham chegado à praia. Temia que se tivessem perdido.
Todos ficaram muito tristes. William lhes contou que Jack nuo ficara com uma tábua como os demais. Também estava levando a garotinha nas costas. Concluíram que devia ter-se afogado, não tendo nada para ajudá-lo. Pensaram que o casal também devia estar morto. Todos ficaram muito transtornados. Mas, confortaram-se uns aos outros com a idéia de que, se estavam realmente mortos, Jeová se lembraria deles e os ressuscitaria. — João 6:40.
Chega o Segundo Sobrevivente
Por toda a quinta-feira, algumas das Testemunhas que estavam ali para a assembléia procuraram corpos em ambas as direções, ao longo da praia. Outros ficaram e conversaram sobre o ocorrido. Daí, por volta das 19,30 daquela noite, chegou Jack! Pôde ouvir algumas pessoas chorando ao se aproximar das casas. “Não chorem — aqui estou”, disse ele, depois do que caiu em sono profundo. Achando que ele precisava alimentar-se, fizeram um purê de mamão e enfiaram um pouco dele em sua boca. No amanhecer de sexta-feira, William e outra pessoa foram a uma plantação próxima, onde havia um rádio de duas faixas. Alertaram-se os navios para procurar os corpos das outras três pessoas. No entanto, o mar ainda estava muito agitado e os capitães tinham receio de sair
Jack Relata Seu Pesadelo
Mais tarde, Jack despertou e relatou tudo que lhe acontecera. Depois de perder William de vista, ele, Deia e esposa, chamaram uns aos outros. Imaginavam que o barco tinha quebrado em alguma parte próxima do recife, de modo que tentaram alcançá-lo. Deia e sua esposa seguravam ambos tábuas da canoa. Quanto a Jack, ele recorda: ‘Não tinha nada a que me agarrar para flutuar. Simplesmente nadei, com a garotinha agarrada aos meus ombros.’
As ondas eram montanhescas e batiam contra eles com muita ferocidade. Ficavam ao léu, na água espumante. O vento aumentava seu pesadelo, visto que salpicava água salgada, ardida, em seus rostos e olhos. Quando as ondas batiam subitamente contra eles, não podiam deixar de engolir alguma água salgada.
Logo Jack se separou de Deia e sua esposa. Visto ser escuro, não podiam ver uns aos outros. “Eu berrava seus nomes”, disse ele, “mas eles não respondiam”. Então compreendeu que não iria encontrar o recife. Assim, com a garotinha ainda agarrada a ele, deu meia-volta e tentou nadar em direção à ilha que haviam avistado antes. Foi nadando sempre. Por volta das 20 horas, o vento se tornou extremamente forte e as ondas passavam sobre eles. Jack nadou durante o que lhe pareciam outros 30 minutos, e quando procurou sentir a garotinha, ela não mais estava ali! Uma das enormes ondas deve tê-la levado, e, devido as suas costas estarem insensíveis, não sentiu isso!
Jack prossegue: “Quando compreendi que ela não estava mais agarrada às minhas costas, tentei procurá-la.” Por cerca de 30 minutos, procurou-a, mas sem resultados. Assim, continuou nadando, não sabendo para onde se dirigia. Simplesmente continuou nadando até o nascer do sol. Próxima dali estava a ilha Atui. Eram cerca de 8 horas quando conseguiu alcançar a praia e desmaiou de exaustão. Sem que William soubesse, isto ocorreu do lado oposto da ilha.
Jack estivera na água por cerca de 13 horas, grande parte desse tempo com a garotinha nas costas. Foi deveras uma maratona! Quão grato estava de estar vivo! Seu corpo rígido jazia na praia por toda a manhã. De tempos a tempos, vomitava parte da água salgada que engolira. Por volta do meio-dia, sentiu-se muito fraco. Tudo que conseguia fazer era ficar ali deitado. Então adormeceu até por volta das 18 horas.
Quando se levantou, andou um pouco mais ao longo da praia e achou uma pequena canoa. Normalmente a pessoa apreciaria passear por ali. Atui não é uma ilha muito grande — tem apenas cerca de 275 metros de comprimento e cerca da metade disso de largura, mas é lindíssima, tendo uma orla de areia branca por toda a volta. Coqueirais e muitas outras árvores crescem ali em abundância, aumentando sua beleza. Todavia, este vento ciclônico tinha realmente assolado esta ilhota. Alguns afirmam tratar-se dos piores vendavais que já experimentaram.
Depois de encontrar a canoa, Jack lentamente remou para o outro lado, onde estavam seus amigos, a cerca de 3 quilômetros de distância. Pouco é de admirar que desmaiasse de novo ao chegar lá!
Nem Tudo Estava Perdido
Jack e William desde então se recuperaram de sua provação. Um tribunal se reuniu para ouvir o ocorrido e o juiz decidiu tratar-se dum acidente. Todavia, entre os parentes dos mortos, as emoções atingiram um clímax. Nesta ilha, como em outras partes de Papua Nova Guiné, há o que é conhecido como costume da “retribuição”. Alguns ameaçaram a vida destes dois ministros de tempo integral, embora estivesse além de seu poder salvar os outros três.
Isso significa que, no tempo atual, não é seguro pregar as boas novas do Reino na área de Gasmata, de onde veio Deia, especialmente em sua aldeia, Lukuklukuk. Infelizmente, pessoas de outras religiões tentaram usar tal incidente para fazer cessar a obra das Testemunhas de Jeová. Mas Jack e William estão seguros de que os interessados na Bíblia aqui ainda desejam ouvir suas verdades. Espera-se que, no devido tempo, abra-se de novo a porta para que tais aldeias sejam novamente visitadas.
As Testemunhas de Jeová reconhecem a verdade das palavras da Bíblia a respeito da humanidade: “O tempo e o imprevisto sobrevêm a todos.” (Ecl. 9:11) Este acidente poderia ter envolvido qualquer pessoa que por acaso estivesse no mar quando irrompeu a tempestade.
William, compreendendo isto, indicou que os que estavam no barco sabiam que coisas similares aconteceram aos apóstolos. Paulo sofreu naufrágio quatro vezes. Certa vez, passou uma noite e um dia inteiros nas profundezas. (Atos 27:39-44; 2 Cor. 11:25) Assim, quando tal acidente ocorreu, todos eles pensaram nos apóstolos, e isto os fortaleceu. Jack e William agradeceram a Deus por terem sobrevivido. Todavia, ficaram muito tristes com o ocorrido a Deia e Kurkur e sua filhinha.
Se for parente de Deia, uma pessoa dessa localidade ou, talvez, alguém interessado neste relato, assegure-se de que nem tudo está perdido. A morte das três pessoas foi certamente um golpe. Nenhum humano pode trazer de volta os mortos, como se mostra no caso do filho do rei Davi. (2 Sam. 12:23) Mas, como disse Jack: “Sabemos que Jeová Deus ressuscitará os mortos.” (Atos 24:15) Ele sabe que eles estão apenas dormindo na morte e que Deus se lembrará deles e os despertará de seu sono. — João 11:11-13.
Que todos os parentes de tais pessoas queridas, Deia e Kurkur e sua filhinha, junto com todos os outros que passaram por perdas similares, derivem conforto das palavras do apóstolo João, em Revelação 20:13. Ali, ele descreve o que viu ocorrer em sua visão da ressurreição: “E o mar entregou os mortos nele, e a morte e o Hades entregaram os mortos neles.” Pense só no que isso significa! A morte deles, no mar, não apresenta nenhuma dificuldade para o Onipotente. Em lugar do desespero que acontece em ocasiões de tragédias ou de perdas, as promessas das Escrituras enchem-nos de confiante expectativa de que nosso quinhão pode ser reunir-nos com nossos entes queridos, se exercermos fé na provisão de Deus para salvação. Esta é a espécie de reunião que Jack e William aguardam, ao pensarem em seus queridos amigos perdidos nesta tragédia no mar.
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Por que não fumar?Despertai! — 1978 | 8 de julho
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O Conceito da Bíblia
Por que não fumar?
“FUMAR, afinal de contas, não é pecado.” Assim escreveu certa pessoa, numa carta dirigida a um famoso jornal dos Estados Unidos. Sem dúvida, tal comentário reflete a atitude da maioria das pessoas, em especial dos que fumam. E provável que perguntem: ‘Por que não se deve fumar? Afinal de contas, isso não é pecado.’
Todavia, outros talvez achem que é errado fumar. Quem está certo? O que indica a Bíblia?
Compatível com Atributos Humanos?
Um dos principais atributos com que o Criador dotou o homem é a sabedoria. Mas é sábio fumar? Bem, o terceiro relatório sobre o fumo, do Colégio Real de Médicos da Grã-Bretanha, intitulava-se “Fumar ou Saúde”, ao invés de “Fumar e Saúde”, como fora antes o caso. Aludindo ao relatório, declarava o periódico New Scientist: “É sobrepujante a evidência de que fumar cigarros provoca o câncer pulmonar, a doença cardíaca, o enfisema, e a bronquite.” Assim, quão sábio é fumar e assim pôr em perigo sua saúde?
Outra qualidade humana dada por Deus é a justiça. Mas, será que a gestante fumante lida com justiça com seu filho por nascer? Não realmente, pois o Departamento Médico da Universidade Tohoku, do Japão, relatou que as mulheres fumantes dão à luz bebês que pesam, em média, 200 gramas menos que as não-fumantes.
O amor é outra qualidade dada por Jeová Deus à humanidade. Mas é amoroso fumar? Evidência computada de um estudo, de 5 anos, feito por pesquisadores da Faculdade de Higiene e Medicina Tropical de Londres, indica que a prole dos fumantes sofria de pneumonia ou de bronquite em seu primeiro ano de vida com duas vezes mais freqüência do que os filhos de não-fumantes. Assim, não é um ato de amor quando os membros da família fumam.
Ainda outro atributo que Deus supriu aos humanos é o poder. Fumar diminui a força de vontade, pois o uso do fumo vicia. Assim sendo, o Dr. Robert Dupont, diretor do Instituto Nacional de Combate ao Abuso de Tóxicos, dos EUA, chamou o fumo de “provavelmente a droga mais mortífera de nossa sociedade”, e comentou: “As pessoas que usam cigarros têm o mesmo problema que os heroinômanos. Ambos os grupos têm um problema de controle,
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