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  • O papel das autoridades superiores
    A Sentinela — 1990 | 1.° de novembro
    • O papel das autoridades superiores

      “É ministro de Deus para ti, para teu bem. Mas, se fizeres o que é mau, teme.” — ROMANOS 13:4.

      1, 2. De que modo muitos na cristandade se envolveram em atividades revolucionárias?

      Dois anos atrás, uma reunião de bispos em Londres provocou um indignado editorial no jornal New York Post. Tratava-se da Conferência de Lambeth, à qual compareceram mais de 500 bispos da comunhão anglicana. O que despertou a indignação foi uma resolução da conferência expressando compreensão pelos “que, depois de esgotarem todos os outros meios, optam pela luta armada como única maneira de conseguir justiça”.

      2 O Post disse que isto era, na verdade, um endosso ao terrorismo. Contudo, os bispos meramente acompanhavam uma crescente tendência. A atitude deles não diferia da do sacerdote católico em Gana que recomendou a guerrilha como a mais rápida, a mais certa e a mais segura maneira de libertar a África; ou do bispo metodista africano que jurou levar “a guerra de libertação até o amargo fim”; ou de muitos missionários da cristandade na Ásia e na América do Sul que têm lutado ao lado de rebeldes contra governos constituídos.

      Os Verdadeiros Cristãos Não ‘Se Opõem à Autoridade’

      3, 4. (a) Que princípios são violados pelos chamados cristãos que promovem revolução? (b) O que descobriu certa pessoa a respeito das Testemunhas de Jeová?

      3 No primeiro século, Jesus disse sobre seus seguidores: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” (João 17:14) Quem quer que se chame de cristão e que promova uma revolução é definitivamente parte do mundo. Não é seguidor de Jesus; tampouco está ‘em sujeição às autoridades superiores’. (Romanos 13:1) Tal pessoa faria bem em acatar o aviso do apóstolo Paulo, de que “quem se opõe à autoridade, tem tomado posição contra o arranjo de Deus; os que têm tomado posição contra este receberão um julgamento para si mesmos”. — Romanos 13:2.

      4 Em contraste com muitos na cristandade, as Testemunhas de Jeová não têm tratos com a violência armada. Certo senhor na Europa descobriu isso. Ele escreveu: “Vendo o que a religião e a política produziram, passei a dedicar-me a derrubar a ordem social estabelecida. Ingressei num grupo de terroristas e fui treinado no manejo de todos os tipos de armas; participei em muitos assaltos à mão armada. Minha vida estava em constante perigo. Com o tempo, ficou evidente que travávamos uma batalha perdida. Eu era um homem frustrado, vencido por uma completa desesperança na vida. Daí, uma Testemunha de Jeová bateu à nossa porta. Falou-me sobre o Reino de Deus. Insistindo em que isso para mim era perda de tempo, sugeri que minha mulher ouvisse. Ela ouviu, e, assim, iniciou-se um estudo bíblico domiciliar. Por fim, concordei em assistir aos estudos. Faltam-me palavras para expressar o alívio que senti quando entendi a respeito da força impelente que empurra a humanidade para o mal. A maravilhosa promessa do Reino deu-me uma esperança sustentadora e um objetivo na vida.”

      5. Por que os cristãos continuam pacificamente sujeitos às autoridades superiores, e até quando isso será assim?

      5 Os cristãos são embaixadores, ou enviados, de Deus e de Cristo. (Isaías 61:1, 2; 2 Coríntios 5:20; Efésios 6:19, 20) Como tais, mantêm-se neutros nos conflitos do mundo. Ainda que alguns sistemas políticos pareçam ser economicamente mais bem-sucedidos do que outros, e que alguns permitam maior liberdade do que outros, os cristãos não promovem nem classificam algum sistema como superior a outros. Sabem que todos os sistemas são imperfeitos. É “o arranjo de Deus” que estes continuem a existir até que o Seu Reino assuma o controle. (Daniel 2:44) Assim, os cristãos mantêm-se pacificamente sujeitos às autoridades superiores, ao mesmo tempo em que promovem o bem-estar eterno de outros pregando as boas novas desse Reino. — Mateus 24:14; 1 Pedro 3:11, 12.

      Obediência à Lei

      6. Por que muitas leis humanas são boas, embora ‘o mundo inteiro jaza no poder do iníquo’?

      6 Governos nacionais estabelecem sistemas de leis, e a maioria dessas leis são boas. Devia isso nos surpreender, considerando que “o mundo inteiro jaz no poder do iníquo”? (1 João 5:19) Não. Jeová deu ao nosso pai original, Adão, uma consciência, e este senso inato do que é certo e do que é errado reflete-se de muitas maneiras nas leis humanas. (Romanos 2:13-16) Hamurábi, um antigo legislador babilônio, prefaciou da seguinte maneira seu código de leis: “Naquela época [eles] nomearam-me para promover o bem-estar do povo, a mim, Hamurábi, o príncipe devoto e temente a Deus, para fazer com que a justiça prevaleça no país, para destruir os iníquos e os maus, para que os fortes não oprimam os fracos.”

      7. Se alguém violar a lei, quem tem o direito de puni-lo, e por quê?

      7 A maioria dos governos diria que o objetivo de suas leis é similar: promover o bem-estar dos cidadãos e a boa ordem na sociedade. Assim, eles punem atos anti-sociais, como assassinato e roubo, e fixam regulamentos, como limites de velocidade nas estradas e normas de estacionamento. Quem quer que deliberadamente viole suas leis toma posição contra a autoridade e ‘receberá um julgamento para si mesmo’. Julgamento da parte de quem? Não necessariamente de Deus. A palavra grega aqui traduzida por julgamento pode referir-se a procedimentos civis em vez de julgamentos da parte de Jeová. (Veja 1 Coríntios 6:7.) Se alguém agir ilegalmente, a autoridade superior tem o direito de puni-lo.

      8. Como reagirá a congregação caso um de seus membros cometa um crime sério?

      8 As Testemunhas de Jeová gozam da boa reputação de não se oporem às autoridades humanas. Caso aconteça que um dos membros da congregação de fato viole a lei, a congregação não o ajudará a safar-se da punição legal. Se alguém roubar, assassinar, difamar, sonegar impostos, estuprar, defraudar, usar drogas ilegais ou de qualquer outra maneira se opor à autoridade constituída, estará sujeito à severa disciplina da parte da congregação — e não deve sentir-se perseguido ao ser punido pela autoridade secular. — 1 Coríntios 5:12, 13; 1 Pedro 2:13-17, 20.

      Objeto de Temor

      9. Que recurso têm corretamente os cristãos caso sejam ameaçados por violadores da lei?

      9 Paulo continua a discorrer sobre as autoridades superiores, dizendo: “Pois, os que governam são objeto de temor, não para as boas ações, mas para as más. Queres tu, pois, não ter temor da autoridade? Persiste em fazer o bem, e terás louvor dela.” (Romanos 13:3) Não são os cristãos leais que devem temer punição da parte das autoridades mas sim os transgressores, os que praticam ‘más ações’, atos criminosos. Quando ameaçadas por tais violadores da lei, as Testemunhas de Jeová podem corretamente aceitar das autoridades a proteção policial ou militar. — Atos 23:12-22.

      10. Em que sentido as Testemunhas de Jeová ‘receberam louvor’ das autoridades?

      10 Para o cristão que acata as leis das autoridades superiores, Paulo diz: “Terás louvor dela.” Como exemplo disso, veja algumas cartas que as Testemunhas de Jeová no Brasil receberam depois de seus congressos de distrito. Do superintendente de um departamento municipal de esportes: “É digno do mais alto louvor a vossa conduta pacífica. É confortador no mundo atribulado de hoje saber que muitos ainda crêem em Deus e o adoram.” Do diretor de um estádio municipal: “Apesar do enorme comparecimento, não se registrou nenhum incidente que maculasse o evento, graças à impecável organização.” Do gabinete de um prefeito: “Queremos na oportunidade parabenizá-lo pela ordem e maravilhosa disciplina espontânea, desejando a todos os participantes sempre êxitos em outros Encontros.”

      11. Por que a pregação das boas novas de modo algum pode ser considerada uma má ação?

      11 A expressão “boas ações” refere-se a atos em obediência às leis das autoridades superiores. Além disso, a nossa obra de pregação, que Deus, e não o homem, ordenou que fosse feita, não é uma má ação — um ponto que as autoridades políticas devem reconhecer. É um serviço público que aumenta o calibre moral dos que o acolhem. Por conseguinte, nossa esperança é que as autoridades superiores protegerão o nosso direito de pregar a outros. Paulo apelou às autoridades a fim de estabelecer legalmente a pregação das boas novas. (Atos 16:35-40; 25:8-12; Filipenses 1:7) Recentemente, as Testemunhas de Jeová tem similarmente procurado e obtido o reconhecimento legal de sua obra na Alemanha Oriental, na Hungria, na Polônia, na Romênia, em Benin e em Myanmar (Birmânia).

      “É Ministro de Deus”

      12-14. De que modo as autoridades superiores atuaram como ministro de Deus (a) nos tempos bíblicos? (b) nos tempos modernos?

      12 Falando sobre a autoridade secular, Paulo prossegue: “É ministro de Deus para ti, para teu bem. Mas, se fizeres o que é mau, teme; porque não é sem objetivo que leva a espada; pois é ministro de Deus, vingador para expressar furor para com o que pratica o que é mau.” — Romanos 13:4.

      13 Autoridades nacionais às vezes serviram como ministro de Deus de maneiras específicas. Ciro fez isso quando conclamou os judeus a retornarem de Babilônia e reconstruírem a casa de Deus. (Esdras 1:1-4; Isaías 44:28) Artaxerxes atuou como ministro de Deus ao enviar Esdras com uma contribuição para a reconstrução dessa casa e, mais tarde, ao encarregar Neemias de reconstruir as muralhas de Jerusalém. (Esdras 7:11-26; 8:25-30; Neemias 2:1-8) As autoridades superiores romanas serviram nessa capacidade quando livraram Paulo da turba em Jerusalém, protegeram-no durante o naufrágio e providenciaram que tivesse a sua própria casa, em Roma. — Atos 21:31, 32; 28:7-10, 30, 31.

      14 Similarmente, as autoridades seculares serviram como ministro de Deus nos tempos modernos. Em 1959, por exemplo, a Suprema Corte do Canadá decidiu que certa Testemunha de Jeová, acusada em Quebec de publicar matéria sediciosa e difamatória, não era culpada — contrapondo-se assim ao preconceito do então primeiro-ministro de Quebec, Maurice Duplessis.

      15. De que modo geral as autoridades atuam como ministro de Deus, e que direito isto lhes confere?

      15 Ademais, de modo geral, os governos nacionais servem como ministro de Deus preservando a ordem pública até que o Reino de Deus assuma essa responsabilidade. Segundo Paulo, para esse fim a autoridade “leva a espada”, simbolizando seu direito de infligir punição. Em geral, isso envolve prisão ou multas. Em alguns países pode também incluir a pena de morte.a Por outro lado, muitas nações preferem não ter a pena de morte, o que também é um direito que elas têm.

      16. (a) Visto que as autoridades são ministro de Deus, o que alguns servos de Deus consideram correto fazer? (b) Que tipo de emprego o cristão não aceitaria, e por que não?

      16 O fato de as autoridades superiores serem ministro de Deus explica por que Daniel, os três hebreus, Neemias e Mordecai podiam aceitar cargos de responsabilidade nos governos babilônico e persa. Podiam dessa forma apelar à autoridade do Estado pelo bem do povo de Deus. (Neemias 1:11; Ester 10:3; Daniel 2:48, 49; 6:1, 2) Hoje, alguns cristãos também trabalham em serviços governamentais. Mas, visto que os cristãos são separados do mundo, eles não se afiliam a partidos políticos, não procuram cargo político nem aceitam cargos que envolvam traçar diretrizes em organizações políticas.

      A Necessidade de Fé

      17. Que situações talvez provoquem alguns não cristãos a resistir às autoridades?

      17 Mas, que dizer se as autoridades toleram a corrupção ou mesmo a opressão? Devem os cristãos tentar substituir essas autoridades por outra que pareça melhor? Bem, injustiça governamental e corrupção não são nada de novo. No primeiro século, o Império Romano tolerava injustiças, tais como a escravidão. Tolerava também autoridades corruptas. A Bíblia fala de cobradores de impostos desonestos, de um juiz injusto e de um governador provincial que procurava subornos. — Lucas 3:12, 13; 18:2-5; Atos 24:26, 27.

      18, 19. (a) Como reagem os cristãos em caso de abusos ou de corrupção da parte de autoridades governamentais? (b) De que modo os cristãos têm melhorado a vida de outras pessoas, conforme indicado por um historiador e pelo quadro abaixo?

      18 Os cristãos podiam ter tentado acabar com tais abusos naquele tempo, nas não o fizeram. Por exemplo, Paulo não pregou o fim da escravidão, e ele não disse a donos de escravos, cristãos, que libertassem seus escravos. Em vez disso, aconselhou aos escravos e aos donos de escravos que mostrassem compaixão cristã nos seus tratos mútuos. (1 Coríntios 7:20-24; Efésios 6:1-9; Filêmon 10-16; veja também 1 Pedro 2:18.) Similarmente, os cristãos não se envolveram em atividades revolucionárias. Eles estavam ocupados demais na pregação das “boas novas de paz”. (Atos 10:36) Em 66 EC, um exército romano sitiou Jerusalém e, em seguida, retirou-se. Em vez de ficar com os rebeldes defensores da cidade, os cristãos hebreus ‘fugiram para os montes’, obedecendo à ordem de Jesus. — Lucas 21:20, 21.

      19 Os cristãos primitivos conviviam com as coisas assim como elas eram, e tentavam melhorar a vida das pessoas ajudando-as a seguir princípios bíblicos. O historiador John Lord, em seu livro The Old Roman World (O Antigo Mundo Romano), escreveu: “Os verdadeiros triunfos do cristianismo eram transformar em homens bons os que professavam suas doutrinas, em vez de alterar instituições exteriormente populares, ou governo, ou leis.” Deviam os cristãos hoje agir de maneira diferente?

      Quando o Estado Não Coopera

      20, 21. (a) Como foi que certa autoridade secular deixou de agir como ministro de Deus para o bem? (b) Como devem reagir as Testemunhas de Jeová quando são perseguidas com a cumplicidade do Estado?

      20 Em setembro de 1972, irrompeu uma cruel perseguição contra as Testemunhas de Jeová num país da África central. Milhares foram roubados de todos os seus pertences e sujeitos a outras atrocidades, incluindo espancamento, tortura e assassinato. Cumpriram as autoridades superiores o seu dever de proteger as Testemunhas? Não! Ao contrário, incentivaram a violência, obrigando esses cristãos inofensivos a fugir para países vizinhos em busca de segurança.

      21 Não deviam as Testemunhas de Jeová iradamente insurgir-se contra tais atormentadores? Não. Os cristãos devem pacientemente suportar tais indignidades, agindo humildemente em imitação de Jesus: “Quando sofria, não ameaçava, mas encomendava-se àquele que julga justamente.” (1 Pedro 2:23) Os cristãos lembram-se de que quando Jesus foi preso no jardim de Getsêmani, ele repreendeu um discípulo que veio em sua defesa com uma espada, e, mais tarde, disse a Pôncio Pilatos: “Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, assim como é, o meu reino não é desta fonte.” — João 18:36; Mateus 26:52; Lucas 22:50, 51.

      22. Que excelente exemplo deram algumas Testemunhas de Jeová na África quando sofreram severa perseguição?

      22 Com o exemplo de Jesus em mente, aquelas Testemunhas africanas tiveram a coragem de seguir o conselho de Paulo: “Não retribuais a ninguém mal por mal. Provede coisas excelentes à vista de todos os homens. Se possível, no que depender de vós, sede pacíficos para com todos os homens. Não vos vingueis, amados, mas cedei lugar ao furor; pois está escrito: ‘A vingança é minha; eu pagarei de volta, diz Jeová.’” (Romanos 12:17-19; veja também Hebreus 10:32-34.) Que estimulante exemplo são os nossos irmãos africanos para todos nós hoje! Mesmo quando as autoridades se recusam a agir honrosamente, os cristãos verdadeiros não abandonam os princípios bíblicos.

      23. Que perguntas restam para ser consideradas?

      23 No entanto, o que podem as autoridades superiores esperar dos cristãos? Há limites nas demandas que elas podem corretamente fazer? Isto será considerado no próximo artigo.

  • Nossa sujeição relativa às autoridades superiores
    A Sentinela — 1990 | 1.° de novembro
    • Nossa sujeição relativa às autoridades superiores

      “Há, portanto, uma razão compulsiva para que estejais em sujeição.” — ROMANOS 13:5.

      1. Que duras experiências tiveram as Testemunhas de Jeová às mãos de autoridades superiores nazistas, e aconteceu isso por ‘fazerem o que era mau’?

      NO DIA 7 de janeiro de 1940, Franz Reiter e mais cinco jovens austríacos foram executados na guilhotina. Eles eram Bibelforscher, Testemunhas de Jeová, e morreram porque não podiam em sã consciência empunhar armas em favor do Reich de Hitler. Reiter foi um dos milhares de Testemunhas de Jeová que morreram por sua fé durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos mais permaneceram longos anos em campos de concentração. Será que todos estes sofreram pela “espada” das autoridades superiores nazistas por ‘fazerem o que é mau’? (Romanos 13:4) Absolutamente não! As palavras adicionais de Paulo mostram que esses cristãos obedeciam aos mandamentos de Deus em Romanos, capítulo 13, embora sofressem às mãos de autoridades.

      2. Qual é a razão compulsiva para se estar sujeito às autoridades superiores?

      2 Em Romanos 13:5, o apóstolo escreve: “Há, portanto, uma razão compulsiva para que estejais em sujeição, não somente por causa desse furor, mas também por causa da vossa consciência.” Pouco antes, Paulo dissera que o fato de a autoridade levar “a espada” era bom motivo para se estar em sujeição a ela. Agora, porém, ele dá um motivo mais forte: a consciência. Nós nos esforçamos para servir a Deus “com uma consciência limpa”. (2 Timóteo 1:3) A Bíblia diz que devemos estar sujeitos às autoridades superiores, e nós obedecemos porque queremos fazer o que é correto aos olhos de Deus. (Hebreus 5:14) De fato, a nossa consciência treinada pela Bíblia induz-nos a obedecer às autoridades mesmo sem a presença de algum humano para nos fiscalizar. — Veja Eclesiastes 10:20.

      “É Também por Isso Que Pagais Impostos”

      3, 4. Que reputação têm as Testemunhas de Jeová, e por que devem os cristãos pagar impostos?

      3 Anos atrás, na Nigéria, ocorreram distúrbios por causa do pagamento de impostos. Várias pessoas morreram, e as autoridades convocaram o exército. Os soldados entraram num Salão do Reino em que se realizava uma reunião e exigiram saber qual era o motivo dessa reunião. Ao ser informado de que se tratava duma reunião de estudo bíblico das Testemunhas de Jeová, o oficial em comando mandou que os soldados se retirassem, dizendo: “As Testemunhas de Jeová não provocam agitação por causa de impostos.”

      4 Aquelas Testemunhas nigerianas tinham a reputação de viverem em harmonia com as palavras de Paulo: “Pois é também por isso que pagais impostos; porque eles são servidores públicos de Deus, servindo constantemente com este mesmo objetivo.” (Romanos 13:6) Quando Jesus forneceu a regra ‘pagai a César as coisas de César’, ele referia-se a pagamento de impostos. (Mateus 22:21) As autoridades seculares providenciam estradas, proteção policial, bibliotecas, sistemas de transporte, escolas, serviços postais, e muito mais. Usamos freqüentemente tais provisões. Nada mais justo que paguemos por elas por meio de nossos impostos.

      “Rendei a Todos o Que Lhes É Devido”

      5. O que significa a expressão “rendei a todos o que lhes é devido”?

      5 Paulo continua: “Rendei a todos o que lhes é devido, a quem exigir imposto, o imposto; a quem exigir tributo, o tributo; a quem exigir temor, tal temor; a quem exigir honra, tal honra.” (Romanos 13:7) A palavra “todos” inclui toda autoridade secular que seja servo público de Deus. Não há exceções. Mesmo se vivemos sob um sistema político que pessoalmente não gostamos, pagamos impostos. Se onde vivemos as religiões são isentas de impostos, as congregações podem servir-se dessa vantagem. E, como quaisquer outros cidadãos, os cristãos podem aproveitar-se de possíveis dispositivos legais para reduzir os seus impostos. Mas, nenhum cristão deve ilegalmente esquivar-se de pagar impostos. — Veja Mateus 5:41; 17:24-27.

      6, 7. Por que devemos pagar impostos mesmo que o dinheiro seja usado para financiar algo que desaprovamos, ou mesmo se as autoridades nos perseguirem?

      6 Mas, suponha que determinado imposto pareça injusto. Ou, que dizer se parte de nosso imposto é usada para financiar algo com o que discordamos, como aborto gratuito, bancos de sangue ou programas contrários aos nossos conceitos de neutralidade? Ainda assim pagamos integralmente os impostos. As autoridades é que têm de assumir a responsabilidade pelo uso do dinheiro arrecadado. Não fomos designados para julgar as autoridades. Deus é o “Juiz da terra” e, em seu próprio tempo determinado, ele exigirá uma prestação de contas dos governos no que tange a como exerceram a sua autoridade. (Salmo 94:2; Jeremias 25:31) Até então, pagaremos os nossos impostos.

      7 Que dizer se as autoridades nos perseguirem? Ainda assim pagamos impostos por causa dos serviços cotidianos que são prestados. A respeito de Testemunhas de Jeová que estavam sendo perseguidas num país africano, o jornal Examiner de São Francisco, EUA, disse: “Poder-se-ia considerá-las cidadãos modelares. Pagam diligentemente seus impostos, cuidam dos doentes, combatem o analfabetismo.” Sim, essas perseguidas Testemunhas de Jeová pagavam seus impostos.

      “Temor” e “Honra”

      8. O que é o “temor” que temos das autoridades?

      8 O “temor” de Romanos 13:7 não é um temor covarde, mas sim respeito pela autoridade secular, um temor de violar a sua lei. Tal respeito é expresso por causa do cargo envolvido, nem sempre por causa da pessoa que ocupa tal cargo. A Bíblia, falando profeticamente sobre o imperador romano Tibério, refere-se a ele como “um que há de ser desprezado”. (Daniel 11:21) Mas ele era o imperador e, como tal, o cristão devia-lhe temor e honra.

      9. De que diversas maneiras pode-se render honra às autoridades humanas?

      9 Com respeito à honra, acatamos a ordem de Jesus de não fazer uso de títulos relacionados com cargo religioso. (Mateus 23:8-10) Mas, quando se trata de autoridades seculares, de bom grado nos dirigimos a elas por qualquer título que seja exigido para honrá-las. Paulo usou a expressão “Excelência” ao falar com governadores romanos. (Atos 26:25) Daniel chamou Nabucodonosor de “meu senhor”. (Daniel 4:19) Atualmente, os cristãos talvez usem expressões como “Excelentíssimo” ou “Meritíssimo”. Podem levantar-se quando um juiz entra no tribunal ou respeitosamente curvar-se perante um governante, se o costume for este.

      Sujeição Relativa

      10. Como mostrou Jesus que há limites quanto ao que as autoridades humanas podem exigir dum cristão?

      10 Visto que as Testemunhas de Jeová sujeitam-se às autoridades humanas, por que Franz Reiter e tantos outros passaram por tais sofrimentos? Porque a nossa sujeição é relativa, e as autoridades nem sempre reconhecem que há limites biblicamente fixados quanto ao que podem exigir. Se a autoridade exigir algo que fira uma treinada consciência cristã, estará indo além do limite fixado por Deus. Jesus indicou isso quando disse: “Pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.” (Mateus 22:21) Quando César demanda o que pertence a Deus, temos de reconhecer que Deus tem a primazia.

      11. Que princípio, que demonstra que há limites no que as autoridades humanas podem exigir, é amplamente aceito?

      11 É esta posição subversiva ou traiçoeira? De modo algum. É, na verdade, uma extensão de um princípio reconhecido pela maioria das nações civilizadas. No século 15, um certo Peter von Hagenbach foi levado a julgamento por ter iniciado um reinado de terror na região da Europa sobre a qual exercia autoridade. A sua defesa, de que simplesmente cumpria as ordens de seu senhor, o Duque de Burgúndia, foi rejeitada. Tal afirmação, de que a pessoa que comete atrocidades não é responsável por seus atos caso esteja cumprindo as ordens de uma autoridade superior, tem sido repetida muitas vezes desde então — mui notavelmente por criminosos de guerra nazistas perante o Tribunal Internacional de Nurembergue. Essa afirmação em geral tem sido rejeitada. O Tribunal Internacional disse em seu julgamento: “Os indivíduos têm deveres internacionais que transcendem as obrigações nacionais de obediência impostas por um determinado Estado.”

      12. Cite exemplos bíblicos de servos de Deus que se recusaram a obedecer a exigências desarrazoadas de autoridades.

      12 Os servos de Deus sempre reconheceram que há limites à sujeição que conscienciosamente devem às autoridades superiores. Por volta da época em que Moisés nasceu no Egito, Faraó ordenou a duas parteiras hebréias que matassem todos os hebreus recém-nascidos do sexo masculino. Mas as parteiras preservavam vivos os bebês. Estavam erradas em desobedecer a Faraó? Não, elas seguiam a consciência que Deus lhes dera, e este as abençoou por isso. (Êxodo 1:15-20) Quando Israel estava no exílio em Babilônia, Nabucodonosor exigiu que seus altos funcionários, incluindo os hebreus Sadraque, Mesaque e Abednego, se curvassem perante uma imagem que ele colocara na planície de Dura. Os três hebreus se recusaram. Estavam errados? Não, pois cumprir a ordem do rei significaria desobedecer à lei de Deus. — Êxodo 20:4, 5; Daniel 3:1-18.

      “Obedecer a Deus Como Governante”

      13. Que exemplo de obediência relativa às autoridades superiores deram os primitivos cristãos?

      13 Similarmente, quando as autoridades judaicas ordenaram que Pedro e João parassem de pregar a respeito de Jesus, eles responderam: “Se é justo, à vista de Deus, escutar antes a vós do que a Deus, julgai-o vós mesmos.” (Atos 4:19; 5:29) Não podiam silenciar. A revista The Christian Century, traz à atenção outras atitudes conscienciosas da parte dos primitivos cristãos, dizendo: “Os bem primitivos cristãos não serviam nas forças armadas. Roland Bainton diz que ‘desde o fim do período do Novo Testamento até a década de 170-180 A.D. não há evidência alguma de cristãos no exército’ (Christian Attitudes Toward War and Peace (Atitudes Cristãs Diante da Guerra e da Paz) [Abingdon, 1960], pp. 67-8). . . . Swift diz que Justino, o Mártir, ‘considera natural que os cristãos se refreiem de atos violentos’.”

      14, 15. Quais são alguns dos princípios bíblicos que governavam a obediência relativa dos primitivos cristãos às autoridades humanas?

      14 Por que os cristãos primitivos não serviam como soldados? Sem dúvida, cada um deles estudou cuidadosamente a Palavra e as leis de Deus e fez sua decisão pessoal à base de sua consciência treinada pela Bíblia. Eles eram neutros, ‘não faziam parte do mundo’, e sua neutralidade proibia-lhes de tomar partido nos conflitos deste mundo. (João 17:16; 18:36) Ademais, eles pertenciam a Deus. (2 Timóteo 2:19) Darem sua vida pelo Estado teria significado dar a César o que pertencia a Deus. Outrossim, eles faziam parte de uma fraternidade internacional unida pelo amor. (João 13:34, 35; Colossenses 3:14; 1 Pedro 4:8; 5:9) Não podiam em sã consciência pegar em armas com a possibilidade de matar um concristão.

      15 Além disso, os cristãos não podiam participar em práticas religiosas populares, tais como a adoração do imperador. Conseqüentemente, eram encarados como “pessoas excêntricas e perigosas, e o resto da população normalmente suspeitava deles”. (Still the Bible Speaks, de W. A. Smart) Embora Paulo escrevesse que os cristãos devem ‘render a quem exigir temor, tal temor’, eles não se esqueceram de seu temor, ou respeito, maior por Jeová. (Romanos 13:7; Salmo 86:11) O próprio Jesus disse: “Não fiqueis temerosos dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma; antes, temei aquele que pode destruir na Geena tanto a alma como o corpo.” — Mateus 10:28.

      16. (a) Em que áreas devem os cristãos pesar cuidadosamente a sua sujeição às autoridades superiores? (b) O que ilustra o quadro na página 27?

      16 Como cristãos, enfrentamos desafios similares hoje em dia. Não podemos participar em nenhuma versão moderna de idolatria — seja em forma de gestos adorativos diante de uma imagem ou um símbolo, seja por imputar salvação a uma pessoa ou a uma organização. (1 Coríntios 10:14; 1 João 5:21) E, como os primitivos cristãos, não podemos transigir na nossa neutralidade cristã. — Veja 2 Coríntios 10:4.

      “Temperamento Brando e Profundo Respeito”

      17. Que conselho deu Pedro aos que sofrem por causa da consciência?

      17 O apóstolo Pedro escreveu a respeito de nossa posição conscienciosa e disse: “Se alguém, por causa da consciência para com Deus, agüenta coisas penosas e sofre injustamente, isto é algo agradável.” (1 Pedro 2:19) Sim, é agradável a Deus quando um cristão fica firme apesar de perseguição, e há o benefício adicional de que a fé do cristão é fortalecida e refinada. (Tiago 1:2-4; 1 Pedro 1:6, 7; 5:8-10) Pedro também escreveu: “Mesmo se sofrerdes pela causa da justiça, sois felizes. No entanto, não temais o que eles temem, nem fiqueis agitados. Mas, santificai o Cristo como Senhor nos vossos corações, sempre prontos para fazer uma defesa perante todo aquele que reclamar de vós uma razão para a esperança que há em vós, fazendo-o, porém, com temperamento brando e profundo respeito.” (1 Pedro 3:14, 15) Sem dúvida um prestimoso conselho!

      18, 19. Como podem o profundo respeito e a razoabilidade ajudar caso as autoridades limitem a nossa liberdade de adoração?

      18 Quando a perseguição acontece porque as autoridades interpretam mal a posição cristã, ou porque os líderes religiosos da cristandade desvirtuam as Testemunhas de Jeová perante as autoridades, apresentar os fatos às autoridades pode resultar no abrandamento da pressão. Tendo temperamento brando e profundo respeito, o cristão não revida fisicamente os ataques dos perseguidores. Contudo, não deixa de usar todos os meios legais disponíveis para defender a sua fé. Daí, deixa o assunto nas mãos de Jeová. — Filipenses 1:7; Colossenses 4:5, 6.

      19 O profundo respeito também induz o cristão a ir até onde pode, sem violar a sua consciência, para obedecer às autoridades. Se, por exemplo, as reuniões congregacionais forem proibidas, os cristãos acharão algum meio menos evidente de continuarem a alimentar-se à mesa de Jeová. A Autoridade Suprema, Jeová Deus, nos diz por meio de Paulo: “Consideremo-nos uns aos outros para nos estimularmos ao amor e a obras excelentes, não deixando de nos ajuntar, como é costume de alguns.” (Hebreus 10:24, 25) Mas, tais reuniões podem ser realizadas discretamente. Mesmo com poucos presentes, podemos confiar que Deus abençoe tais arranjos. — Veja Mateus 18:20.

      20. Se a pregação pública das boas novas for proibida, como podem os cristãos contornar a situação?

      20 Similarmente, algumas autoridades proíbem a pregação pública das boas novas. Os cristãos que vivem sob tais autoridades têm presente que, por meio do próprio Jesus, a Autoridade Suprema disse: “Em todas as nações têm de ser pregadas primeiro as boas novas.” (Marcos 13:10) Assim, eles obedecem à Autoridade Suprema independente do que isto lhes custe. Onde era possível, os apóstolos pregavam publicamente e de casa em casa, mas há outras maneiras de alcançar as pessoas, como o testemunho informal, por exemplo. (João 4:7-15; Atos 5:42; 20:20) Não raro as autoridades não interferirão na obra de pregação se usarmos apenas a Bíblia — o que sublinha a necessidade de toda Testemunha de Jeová estar bem treinada em raciocinar à base das Escrituras. (Veja Atos 17:2, 17.) Sendo destemidos, porém respeitosos, os cristãos podem não raro encontrar uma maneira de obedecer a Jeová sem atrair a ira das autoridades superiores. — Tito 3:1, 2.

      21. Se César for implacável na sua perseguição, que proceder têm de escolher os cristãos?

      21 Às vezes, porém, as autoridades são implacáveis na sua perseguição contra os cristãos. Daí, em sã consciência, podemos apenas perseverar em fazer o que é correto. O jovem Franz Reiter podia escolher: transigir na fé ou morrer. Visto que não podia parar de adorar a Deus, corajosamente encarou a morte. Na véspera de sua execução, Franz escreveu à sua mãe: “Serei executado amanhã de manhã. Minha força vem de Deus, assim como sempre se deu com todos os cristãos verdadeiros no passado. . . Se continuarem firmes até a morte, nós nos encontraremos de novo na ressurreição.”

      22. Que esperança temos, e como devemos proceder no ínterim?

      22 Chegará o dia em que toda a humanidade estará debaixo de uma só lei, a de Jeová Deus. Até então, temos de, em boa consciência, seguir o arranjo de Deus e manter a nossa sujeição relativa às autoridades superiores, ao passo que, ao mesmo tempo, obedecemos ao nosso Soberano Senhor, Jeová, em todas as coisas. — Filipenses 4:5-7.

      Lembra-se?

      ◻ Qual é a razão compulsiva para se estar sujeito às autoridades superiores?

      ◻ Por que não devemos hesitar em pagar os impostos que César exige?

      ◻ Que tipo de honra devemos prestar às autoridades?

      ◻ Por que é a nossa sujeição a César apenas relativa?

      ◻ Se formos perseguidos porque César exige o que pertence a Deus, qual deverá ser a nossa reação?

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