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  • A era da obscenidade
    A Sentinela — 1983 | 1.° de agosto
    • A era da obscenidade

      NA FÁBRICA em Cleveland, Ohio, EUA, onde Inez trabalhava, ela era a indiscutível rainha da ‘panelinha dos bocas-sujas’. Certo dia, Alice colidiu acidentalmente com Inez. Na discussão que se seguiu, Alice casualmente xingou Inez. Os observadores ficaram chocados diante dessa petulância.

      Inez retrucou com uma porção de insultos obscenos. Os xingos ressoavam cada vez mais alto, ecoando repetidas vezes pelas paredes, atraindo outros empregados que vinham correndo para torcer pela sua favorita. De início, parecia ser um empate, ao passo que palavrão após palavrão rompiam os ares.

      Finalmente, a maior experiência de Inez em combinar e criar palavrões passou a prevalecer. Com o que parecia ser um vocabulário ilimitado de insultos, ela derrotou Alice, que, silenciada e ruborizada, retirou-se vagarosamente. Ouviram-se brados de júbilo ao passo que os operários retornavam às suas máquinas. Inez, tomando tudo como natural, retomou calmamente seu trabalho.

      Tais incidentes não são incomuns hoje em dia. A linguagem que certa vez identificava gente de baixa laia tornou-se rotina. Palavrões na boca de mulheres e até mesmo de crianças são agora “aceitáveis”. Os jovens usam comumente linguagem que no passado costumava ser punida por se lhes lavar a boca com sabão. E, ao passo que antigamente as imprecações eram representadas graficamente por asteriscos ou travessões, hoje elas são escritas por extenso para o leitor.

      A mudança de opinião quanto à obscenidade reflete-se também nos filmes. Estes, agora, comumente estão repletos de diálogos de baixo calão e de palavrões. Os produtores cinematográficos amiúde introduzem tal linguagem para classificar de “adultos” os seus filmes. Por exemplo, originalmente, o filme Annie era classificado como livre para todas as idades, mas o produtor temia que isso não atraísse o público. Portanto, inseriu alguma imprecação no filme.

      O AUMENTO DA OBSCENIDADE

      No decorrer da história, a profanação tem sido comum. Esta envolve toda espécie de linguagem que profana. Tal linguagem demonstra irreverência para com coisas sagradas, incluindo Deus e tudo o que concerne a Suas qualidades e Seus modos. Assume muitas vezes a forma de invocação para que determinada deidade “amaldiçoe” outra pessoa. Ou a pessoa pode, por meio de linguagem profana, violar e insultar pessoas ou coisas que Deus considera santas. Mas, a Bíblia diz: “O Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro.” — Êxodo 20:7, Centro Bíblico Católico.

      Nos últimos anos, porém, tem havido uma mudança notável na profanação. Tornou-se sexualmente explícita — obscena — apresentando à mente intimidades relacionadas com os órgãos sexuais e seu uso. Demonstra-se comumente desrespeito e até mesmo desdém para com a santidade do casamento e da procriação. “As torcidas nos eventos atléticos de quase todos os níveis transformaram-se”, explicou o U.S. News & World Report, “em irrestritos e explícitos insultos morais aos rivais”.

      Tais obscenidades constituem pornografia verbal. O ar hoje em dia está carregado dessa poluição verbal. De acordo com a revista Time, o treinador de beisebol, Tommy Lasorda, “soltou 144 palavrões numa breve alocução para levantar o moral do seu time”. Muitos líderes políticos também usam de palavrões. De fato, com a liberação das fitas da Casa Branca, Richard Nixon fez com que “corte de imprecação” se tornasse uma frase familiar. E o ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, embora conhecido por suas convicções religiosas, usou uma palavra de sabor sexual que o Times de Nova Iorque recusou-se a publicar. Mencionou-a meramente como “vulgaridade americana”.

      Alguns talvez se recordem de quando pessoas grosseiras usavam palavras tais como “peste”, “desgraçado”, “droga”, “doido”. Mas, em lugar delas, as obscenidades verbais e escritas tornaram-se a ordem do dia, atacando-nos por todos os lados. Anos atrás, certo autor que escreveu a respeito de linguagem irreverente alistou 14 usos irreverentes da palavra inglesa “hell” (inferno). Hoje, porém, palavras vulgares que descrevem atos sexuais entremeiam quase cada sentença de muitas pessoas, sendo aplicáveis a quase todas as coisas concebíveis. E tais palavras não são necessariamente proferidas em momentos de ira ou de dor, mas agora as pessoas praguejam simplesmente por praguejar.

      Desde os cartões de felicitações até as inscrições e desenhos em paredes, fica evidente a propagação da linguagem vulgar. Camisetas, posters, adesivos de carro e botões com obscenidades escritas podem ser vistos em quase toda a parte. Tal linguagem tornou-se moda para muitas pessoas. “A irreverência pública ficou tão amplamente aceita”, observou o U.S. News World Report, “que a reversão do padrão seria difícil, se não impossível”. Não é de admirar que a nossa era seja chamada de “a Era da Obscenidade”!

      QUAL É O MOTIVO?

      O aumento da obscenidade está diretamente relacionado com a deterioração das instituições e das normas de comportamento tradicionais. “É um sinal dos tempos”, disse certo porta-voz religioso. O colapso da estrutura familiar, a perda do respeito pela autoridade e a nova moralidade do ‘vale tudo’ têm tudo contribuído para as obscenidades desenfreadas e sexualmente explícitas. Tal linguagem reflete o modo de vida amiúde imoral de hoje.

      Thomas Cottle, conferencista de psiquiatria da Universidade de Harvard, EUA, observou: “As pessoas estão achando a vida hipócrita, insatisfatória, e estão furiosas. . . . Por detrás dessa fúria está a agressividade.” Afirma-se que a linguagem irreverente é um meio de descarregar a fúria e a frustração acumuladas. “Se alguém atravessa na minha frente numa auto-estrada e eu o xingo”, disse Chaytor Mason, psicólogo clínico, “isso me mostra que sou melhor do que ele e eu recupero parte de meu ego status”.

      O que vemos ocorrer no modo em que as pessoas insultam outros verbalmente é significativo.A Bíblia identifica isso como evidência de que o fim dum sistema iníquo está próximo. “Sabe, porém, isto”, adverte a Bíblia, “que nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos . . . blasfemadores, . . . caluniadores, sem autodomínio”. — 2 Timóteo 3:1-5.

  • As obscenidades — são realmente prejudiciais?
    A Sentinela — 1983 | 1.° de agosto
    • As obscenidades — são realmente prejudiciais?

      EM ALGUMAS das grandes cidades dos Estados Unidos, calcula-se que de cada cinco palavras pronunciadas uma seja palavrão. Na Itália, de acordo com estimativas da União Nacional Contra a Blasfêmia, mais de um bilhão de blasfêmias são pronunciadas por dia contra Deus ou a igreja. Deveras, o baixo calão é em muitos lugares o principal passatempo.

      Deve-se aplaudir isso, diz Reinhold Aman, editor de Maledicta, uma revista que trata de palavrões. Ele considera a agressão verbal benéfica, visto que é preferível à agressão física. “Eu preferiria ser xingado de [ — ] a levar um tiro ou uma facada no peito”, diz Aman.

      Também defendendo os palavrões, Chaytor Mason diz: “Blasfêmia, xingo, ou seja qual for o nome que queira dar a isso, é um método provado pelo tempo e eficaz de se descarregar as emoções acumuladas pela frustração.”

      São cada vez mais as pessoas que passam a tolerar a blasfêmia, achando-a inofensiva. Acham que a ocasião justifica o uso duma obscenidade. De fato, a Seventeen, revista para moças adolescentes, observou: “De vez em quando é divertido reunir-se com as meninas ou com os rapazes — ou com ambos — para uma competição vulgar de quem xinga melhor. Refiro-me à disputa escatológica realizada no segundo andar do dormitório feminino de minha faculdade. Os palavrões soltados naquela noite teriam feito um policial de costumes corar de vergonha.”

      Concorda que a imprecação é justificada? São as obscenidades realmente prejudiciais?

      ‘APENAS POR FARRA?’

      O que é uma “disputa escatológica”? De acordo com certo dicionário, “escatologia” é definida como: “Estudo dos excrementos; portanto, estudo do que é obsceno.” O que acha de tentar competir com outros no uso de linguagem suja?

      “Torneio de palavrões” é o termo amiúde usado para os festivais de palavrões em que os jovens se empenham freqüentemente hoje em dia. O objetivo é amiúde insultar a mãe do outro numa disputa de quem xinga melhor. Os oponentes, geralmente dois, ficam rodeados por um grupo de amigos que dão risadas ao passo que ouvem a mãe de seu amigo ser degradada por um oponente mais arguto. Uma prática similar é a descompostura. Consiste em se descrever a aparência da outra pessoa, assemelhando-a a algum animal desagradável, tal como o porco, o rato ou a jaritataca.

      Essas práticas, junto com as piadas obscenas para diversão, tornaram-se muito comuns. Por se envolverem nelas, os participantes subentendem que as indecências não são tão más assim, visto que podem brincar a respeito delas. E eles argumentam: ‘Olhe quanta gente dá risada.’ Não há dúvida de que tais práticas contribuíram para que as obscenidades se tornassem parte da conversa diária, sendo tal linguagem usada até mesmo por “profissionais” e por pessoas “sofisticadas”. Entretanto, será o uso de obscenidades potencialmente mais prejudicial do que muitos talvez acreditem?

      O EFEITO DAS OBSCENIDADES

      As palavras obscenas são para a boca o que a pornografia é para os olhos. A pornografia verbal provoca imagens sexuais. Portanto, o que pode acontecer quando se usam regularmente palavras sexualmente explícitas? Não estará a pessoa que as usa mais inclinada a fazer aquilo sobre o que fala? É certamente significativo que o tremendo aumento no uso de obscenidades foi acompanhado pelo aumento da fornicação, do adultério e do homossexualismo.

      Em vista disso, é bem possível que reconheça a sabedoria do conselho da Bíblia, quando exorta: “A fornicação e a impureza de toda sorte, ou a ganância, não sejam nem mesmo mencionadas entre vós, assim como é próprio dum povo santo; nem conduta vergonhosa, nem conversa tola, nem piadas obscenas, coisas que não são decentes.” — Efésios 5:3, 4.

      O fato é que aquele que usa de linguagem obscena está corrompendo a si mesmo. E ele propaga a outros a decadência cada vez que repete obscenidades. Portanto, é com bom motivo que a Bíblia aconselha: “Mas agora, realmente, afastai de vós a todas elas, o furor, a ira, a maldade, a linguagem ultrajante e a conversa obscena da vossa boca.” “Não saia da vossa boca nenhuma palavra pervertida.” (Colossenses 3:8; Efésios 4:29) Ela exorta também: “Afastai toda a imundície.” (Tiago 1:21) Agir contrário a esse conselho resulta no desagrado de Deus.

      Também, pense no seguinte: Quando duas pessoas trocam entre si insultos verbais, resulta isso num melhor relacionamento entre ambas? E, mesmo que em resultado dum insulto verbal a violência física seja evitada, diria que os dois, na realidade, resolveram seu problema? Dificilmente! Por outro lado, não se dá realmente que os xingos aumentam a possibilidade duma luta em vez de minimizá-la?

      Como, então, são promovidos o amor e a compreensão? É por se negar a ‘retribuir mal por mal’. A Palavra de Deus ordena: “Não vos vingueis.” Antes, “cedei lugar ao furor” por deixar a vingança nas mãos de Deus. Suas palavras e ações bondosas para com aquele que o insulta ‘amontoarão brasas acesas sobre a sua cabeça’ e talvez abrandem a atitude dele para com sua pessoa. Use de sabedoria por seguir sempre o conselho positivo da Bíblia: “Abençoai e não amaldiçoeis.” — Romanos 12:17-20, 14.

      EVITE SER ENLAÇADO

      É óbvio que precisamos vigiar constantemente para não sermos levados pelas tendências deste mundo profano. Nenhum de nós é imune às suas intrusões. Conforme disse Burges Johnson, escritor dum livro sobre profanação: “Se a profanação é de modo geral um mal do vocabulário, como se propaga ela e quem fica contagiado por ela? A resposta é fácil: ela não só é contagiosa, mas também infecciosa, pois há micróbios dela profundamente encravados dentro de todos nós.” A Bíblia confirma que somos humanos imperfeitos com tendências para o que é errado e imoral. Portanto, temos de combater a tendência de usar linguagem obscena. — Gênesis 8:21; Salmo 51:5.

      Evitar a linguagem obscena começa por se aprender a controlar as emoções e as ações que levam a ela. Quais são estas? A Bíblia responde: “Sejam tirados dentre vós toda a amargura maldosa, e ira, e furor, e brado, e linguagem ultrajante.” (Efésios 4:31) Portanto, antes de chegar a ficar tão furioso com alguém a ponto de querer xingá-lo, pare e obrigue a si mesmo a se concentrar no que você conhece de bom sobre aquela pessoa. Não permita que a ira o faça usar de linguagem obscena. Procure acatar o mandamento bíblico: “Nada saia irrestrito da vossa boca.” — 1 Samuel 2:3.

      O lugar onde poderá realmente encontrar pensamentos corretos é a Palavra de Deus, a Bíblia. Por encher sua mente de pensamentos sadios, estará criando desejos corretos do coração. Como influirá isso em sua linguagem? Jesus declarou: “É da abundância do coração que a boca fala.” — Mateus 12:34.

      Não hesite em orar a Deus em busca de ajuda e peça o espírito dele. O salmista orou: “Põe deveras uma guarda à minha boca, ó Jeová; põe deveras uma sentinela sobre a porta dos meus lábios.” (Salmo 141:3) Nossa própria vigilância em controlar nossa língua, conjugada com o apoio de Deus, nos habilitará a evitar o laço da blasfêmia.

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