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CoraçãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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COMO A PALAVRA E O ESPÍRITO DE DEUS OPERAM SOBRE O CORAÇÃO
Jeremias, o profeta, quando desanimado, fez a decisão mental de não falar mais em nome de Jeová, mas, admitiu: “[A palavra de Jeová] mostrou ser no meu coração como um fogo aceso, encerrado nos meus ossos; e fiquei fatigado de contê-lo e não pude mais suportá-lo.” (Jer. 20:9) É a operação da Palavra e do espírito de Deus no coração dos cristãos que os motiva a pregar as boas novas e a suportar a perseguição. (Rom. 5:3-5; 10:8-10; 2 Tes. 3:5) Os cristãos possuem profundo amor de coração por aqueles a quem ministram; com efeito, assemelha-se os ensinados a uma carta, ’inscrita nos corações [dos ministros]’. Os próprios ensinados são cartas de recomendação para o ministro e podem ser lidas pelos observadores. Tais ‘cartas de Cristo’ acham-se inscritas, por meio do espírito santo de Deus, em tábuas carnais, ou nos corações. O efeito do espírito de Deus sobre o coração produz uma nova personalidade cristã, que pode ser lida por todos os observadores. — 2 Cor. 3:1-3.
O CORAÇÃO CIRCUNCISO
Jeová mostrou, desde que começou a lidar com a nação de Israel, que a circuncisão carnal não era o que Ele desejava primariamente; repetidas vezes apelou para que os israelitas ‘circuncidassem seus corações’ — que lhe dessem plena devoção de coração. A circuncisão literal era apenas um sinal exterior da justiça que deviam praticar no coração. (Deut. 10:16; Jer. 4:4; Lev. 26:41; Atos 7:51; Rom. 4:11, 12) Neste mesmo sentido, Jesus declarou que o maior mandamento da Lei era amar a Jeová Deus de todo o coração, de toda a alma, mente e força. (Mat. 22:37, 38; Mar. 12:28-30; Deut. 6:5) Assim, Jeová predisse que concluiria um novo pacto com seu povo, sob o qual ‘escreveria a sua lei no coração deles’. (Jer. 31:31-34; Heb. 8:10) Removeria a anterior dureza pétrea e lhes daria um “coração de carne”. — Eze. 11:19, 20; compare com Marcos 10:5.
Por conseguinte, Paulo, o apóstolo, escreve aos co-cristãos sob o novo pacto e diz: “Aproximemo-nos com corações sinceros na plena certeza da fé, tendo os nossos corações aspergidos, eximidos duma consciência iníqua.” (Heb. 10:22) Pela benignidade imerecida de Jeová, por meio do sacrifício de Cristo, que pode realmente remover pecados, os cristãos dispõem da ‘circuncisão do coração, por espírito’. (Rom. 2:28, 29) Graças a esta verdadeira devoção de coração a Jeová, e a este amor à sua lei, são identificados como servos de Jeová; são selados, tendo Seu espírito no coração deles. (2 Cor. 1:22; Efé. 1:13, 14) Sua luz brilha sobre o coração deles, iluminando-os com o conhecimento de Deus; o coração deles não está ‘velado’ pela falta de fé, como no caso dos israelitas infiéis. (2 Cor. 3:15; 4:6) O coração deles está limpo, é pleno por Jeová, e o amor deles é demonstrado na prática. Por meio da benignidade imerecida de Jeová, dispõem assim da certeza, seu coração não os condenando. Dispõem de liberdade de palavra para achegar-se a Deus, e Ele responde às orações deles — 1 João 3:19-22.
‘OLHOS DO CORAÇÃO’
Jeová ilumina os ‘olhos do coração [Gr. kardías] de seus servos para a esperança adiante. (Efé. 1:18) Desta forma, vêem a esperança em sua plena largura e profundidade e a amam (Efé. 3:16-19); são motivados a agir para alcançar tal esperança. Os judeus a quem Jesus pregou dispunham da Palavra de Deus e podiam lê-la, mas ouviam com contrariedade, fechando seus figurados “olhos” “ouvidos”, de modo que seus “corações” não obtivessem o sentido do que Cristo dizia. (Mal. 13:13-15; Isa. 6:9, 10; compare com Isaías 44:18-20.) Por este motivo, Jesus lhes disse que os pagãos de Nínive seriam levantados em julgamento e os condenariam. — Mat. 12:41.
CORAÇÃO DE DEUS
Deus revela possuir afeições e emoções; a Bíblia o descrevendo como tendo um “coração”. Ele fica pesaroso com a pecaminosidade do homem; no tempo do Dilúvio, “sentiu-se magoado no coração”, deplorando que os homens tivessem rejeitado sua regência justa tornando necessário que Deus se transformasse em seu destruidor, ao invés de seu benfeitor. (Gên. 6:6) Em contraste, o coração de Deus ‘regozija-se’ quando seu servo é fiel. (Pro. 27:11) Jeová executará “as idéias de seu coração”. (Jer. 30:24) Algo como o oferecimento cruel de humanos quais holocaustos, praticado por alguns dos israelitas transviados, jamais subira ao coração dele, mostrando que não é Deus do tormento eterno. — Jer. 7:31; 19:5.
CENTRO DE ALGO
Sendo o coração um órgão central do corpo o termo “coração” é aplicado ao centro ou âmago de algo, tal como o “coração da terra’ (Mat. 12:40) e o “coração do mar”. — Êxo 15:8; Jonas 2:3.
PROFÉTICO
O uso simbólico do “coração” figura de modo profético em Daniel 7:4, onde se fez que o animal leonino que representava o reino de Babilônia se erguesse em seus dois pés, e foi-lhe dado “o coração de homem”, isto é, não mais possuía o corajoso “coração do leão”. (2 Sam 17:10) Foi então derrotado pelo “urso” simbólico, a Medo-Pérsia. — Dan. 7:5.
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CoralAjuda ao Entendimento da Bíblia
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CORAL
Os depósitos calcáreos de certos organismos marinhos chamados pólipos. Vivendo em colônias, estas diminutas criaturas de águas tépidas absorvem do mar os sais de cálcio e com eles constroem estruturas arbóreas lindamente ramificadas, que são tão duras quanto a pedra. Com o tempo, tais formações podem constituir grandes recifes coralinos, e os alicerces das ilhas coralinas. Há diferentes cores de corais, variedades do branco, do preto e do vermelho, este sendo o mais custoso e o mais desejado nos tempos antigos. Tiro, em certa época, era famosa por seu comércio de corais, que eram colhidos do Mediterrâneo, do mar Vermelho e do oceano Índico. (Eze. 27:16) Do coral natural, artesãos modelavam artisticamente vários adornos que eram muitíssimo apreciados pelos ricos.
Reconhecendo o considerável valor do coral, a Bíblia tece várias comparações interessantes. O conhecimento e a sabedoria certamente ultrapassam o valor dos corais. (Jó 28:18; Pro. 3:15; 8:11; 20:15) O mesmo se dá com a esposa capaz, “seu valor é muito maior do que o de corais”. — Pro. 31:10.
[Imagem na página 351]
Corais de aspecto arbóreo.
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Corantes, Corar (Tingir)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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CORANTES, CORAR (TINGIR)
A arte de repassar determinadas tonalidades e matizes a um fio, um tecido e a outros materiais, por meio de vários processos, mediante o emprego de matéria corante, já era conhecida e praticada antes dos dias de Abraão e é, provavelmente, tão antiga quanto a arte de tecer. Os israelitas utilizaram coisas tais como linha azul, fibras carmesins do quermes da cochonilha, e lã tingida de roxo ou púrpura, para o tabernáculo e para as vestes sacerdotais. (Êxo., caps. 25-28, 35, 38, 39) O tingimento, que era mormente uma atividade doméstica nos tempos antigos, por fim se tornou um empreendimento comercial e tanto em vários lugares. Os antigos egípcios eram famosos por suas mercadorias tingidas de cores muito brilhantes (Eze. 27:7), e, depois do declínio do Egito, Tiro e outras cidades fenícias se tornaram importantes centros de tingimento. A descoberta de tinturarias em toda a Palestina mostra que os hebreus também exerciam a arte de tingir.
PROCESSOS ANTIGOS
Os processos de tingimento variavam de um lugar para outro. Às vezes tingia-se o fio, ao passo que, em outros casos, o corante era aplicado ao tecido final. Parece que o fio era banhado duas vezes no corante, sendo espremido depois de sua remoção da tina pela segunda vez, de modo que pudesse reter o valioso corante. O fio era então estendido, para que secasse.
Cada material tinha de ser tratado de modo diferente. Às vezes, embora raramente, a matéria corante tinha certa afinidade natural com a fibra que era tingida. Mas, quando isto não acontecia, era necessário tratar primeiro o material com um mordente, substância que possui atração tanto pela fibra como pelo corante. Para servir de mordente, uma substância precisa ter pelo menos atração pela matéria corante, de modo a combinar-se com ela a fim de formar um composto corante que seja insolúvel. As descobertas revelam que os egípcios utilizavam mordentes nos processos de tingimento. Por exemplo, o vermelho, o amarelo e o azul eram três das cores que usavam, e diz-se que tais corantes não podiam fixar-se sem a utilização de óxidos de arsênico, de ferro e de estanho como mordentes.
Evidentemente, as peles de animais eram primeiro curtidas, e então tingidas. Até recentemente, na Síria, curtiam-se couros de carneiro com sumagre e então se aplicava o corante. Depois de o corante secar, esfregavam-se os couros com óleo, e eram então polidos. Sapatos e outros itens de couro, usados pelos beduínos, têm sido assim tingidos de vermelho, e bem que nos podem fazer lembrar as “peles de carneiros tingidas de vermelho”, usadas para o tabernáculo. — Êxo. 25:5.
FONTES DOS CORANTES
Os corantes escarlates das cochonilhas e outros corantes carmesins tinham como fonte a mais antiga substância corante conhecida, um inseto parasita homóptero da família dos Coccídeos, a cochonilha-dos-carvalhos (Coccus ilicis). Visto que a fêmea viva, que tem por volta do tamanho dum caroço de cereja, assemelha-se a um frutinho (coquinho), os gregos aplicaram a ela a palavra kókkos, que significa ‘coco’. O nome árabe de tal inseto é qirmiz ou kermez, do qual provém a palavra portuguesa “carmesim”. Tal inseto se encontra por todo o Oriente Médio. Apenas seus ovos contêm o corante escarlate ou carmesim, rico em ácido quermésico. Perto do fim de abril, a fêmea sem asas, repleta de ovos, prende-se por meio de sua probóscide aos raminhos, e, às vezes, às folhas, do pequeno carvalho ou azinheira. As larvas ou quermes são juntados e postos para secar, e obtém-se o valioso corante por fervê-los em água. Este é o corante vermelho que foi usado extensivamente para os acessórios do tabernáculo e para as roupas usadas pelo sumo sacerdote de Israel.
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