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Orar a Jeová para ser ouvidoA Sentinela — 1980 | 1.° de dezembro
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Orar a Jeová para ser ouvido
“Aquele que se aproxima de Deus tem de crer que ele existe e que se torna o recompensador dos que seriamente o buscam.” — Heb. 11:6.
1-3. (a) O que nos diz a experiência duma menininha? (b) Que lição há nisso para todos os pais?
ACONTECEU num Salão do Reino das Testemunhas de Jeová. Apesar de vários olhares severos e de repreensões sussurradas pela mãe, certa menininha continuou a comportar-se mal. A mãe acenou então para o pai, para que tomasse conta, e ele fez isso. Foi com a filha para uma salinha, no fundo do salão. Dando-se conta do que a aguardava, a menininha clamou: “Ó Jeová, por favor, ajuda!”
2 Sempre que se conta este incidente, ele provoca risadas, o que é compreensível. Mas, será que é apenas divertido, ou nos diz mais alguma coisa? Na realidade, ele nos diz algo mais. A menininha conhecia o nome de Deus, o Criador, que esse é Jeová, algo que poucas meninas sabem. Fora-lhe ensinado o valor da oração e que se pode recorrer a Jeová em busca de ajuda em ocasiões de dificuldades. É verdade que parece divertido que ela pedisse que Jeová a protegesse contra a disciplina necessária. Mas, será que tal pedido fica limitado a menininhas ingênuas? De modo algum. A nação de Israel fez isso vez após vez, especialmente nos dias dos juízes. Ela orou repetidamente a Deus por alívio, quando recebia uma punição merecida. — Juí. 2:11-18; 4:1-3, 23, 24; 10:6-16; 11:32, 33.
3 Isto contém uma lição para todos os pais cristãos. Comece cedo na vida de seus filhos a inculcar neles a fé em Jeová Deus. Ajude-os a reconhecerem e a entenderem que Jeová é uma pessoa real, que ouve orações e responde a elas. Instruir os filhos na oração, desde a infância, contribuirá muito para se tornarem tementes a Deus, quando atingirem a idade da responsabilidade. — Veja Salmo 22:9, 10; Provérbios 22:6; 2 Timóteo 3:14, 15.
POR QUE DEVE REFLETIR NAS SUAS ORAÇÕES
4, 5. (a) Que perguntas a respeito da oração convêm fazermos a nós mesmos? (b) Por que são oportunas tais perguntas?
4 Mas, que papel desempenha a oração na sua vida? Quantas vezes ora? Acontece que amiúde está atarefado demais para até mesmo orar? Ou faz as suas orações às pressas, mecanicamente, como uma espécie de tarefa ou dever que precisa cumprir? Que qualidade têm as suas orações?
5 Essas perguntas, que fazem pensar, são bem oportunas. Mesmo entre os que se identificam como servos de Jeová há alguns que não oram regularmente. Outros acham que às suas orações falta conteúdo ou substância significativa. Este é um assunto que o cristão não pode considerar levianamente, porque a qualidade de suas orações reflete a sua condição espiritual. A saúde espiritual da pessoa, por sua vez, depende na maior parte de ela estar cônscia de sua necessidade espiritual e de fazer algo a respeito. (Mat. 5:3) Ao mesmo tempo, por refletir sobre a qualidade de suas orações, a pessoa pode melhorar sua condição espiritual.
POR QUE PODEMOS DIRIGIR-NOS A JEOVÁ COM CONFIANÇA
6. Em vista do que a Bíblia diz em Salmo 65:2, Filipenses 4:6 e; 1 Tessalonicenses 5:17, por que podemos orar com confiança a Deus?
6 Por que podemos confiantemente dirigir-nos a Jeová e esperar que ele escute as nossas orações? Em primeiro lugar, porque ele se identifica como “Ouvinte de oração” e ordena repetidas vezes que oremos. (Sal. 65:2) Sua Palavra contém ordens tais como: “Orai continuamente, para que não entreis em tentação.” (Mat. 26:41) “Orai uns pelos outros.” (Tia. 5:16) “Persisti em oração.” (Rom. 12:12) “Orai incessantemente.” (1 Tes. 5:17) “Não estejais ansiosos de coisa alguma, mas em tudo, por oração e súplica, junto com agradecimento, fazei conhecer as vossas petições a Deus.” — Fil. 4:6.
7. Quais eram alguns dos homens exemplares na oração?
7 A Bíblia fornece também exemplos, de fato, ordens indiretas para orarmos. O registro inspirado, de Gênesis a Revelação, está cheio de exemplos de homens de oração. Lemos sobre Abraão orar a Jeová. (Gên. 12:8) Jesus Cristo, desde o tempo de seu batismo no Jordão até ser pendurado na estaca de execução, orou vez após vez a seu Pai. (Luc. 3:21; 23:46) O apóstolo Paulo menciona o assunto da oração literalmente dezenas de vezes, nas suas cartas. Repetidamente ele fala sobre orar pelos outros, dá incentivo à oração ou pede que outros orem por ele. (Fil. 1:9-11; Efé. 6:18, 19) O livro de Revelação, escrito pelo apóstolo João, termina com duas orações. — Rev. 22:20, 21.
8. Por causa de que questão podemos chegar a Deus com confiança?
8 Um segundo motivo de podermos chegar a Deus confiantemente em oração é que seu nome está envolvido. Isto inclui seu nome ou reputação como “Ouvinte de oração”. Também, visto que seu nome está ligado com o seu povo, a aparente evidência de que ele o abandona seria interpretada mal pelos observadores, como que revelando a incapacidade de Jeová, de ajudar seus servos inconstantes. Isto lançaria vitupério sobre o seu nome. Por isso lemos no Salmo 79:9: “Ajuda-nos, ó Deus de nossa salvação, por causa da glória do teu nome; e livra-nos e cobre os nossos pecados por causa do teu nome.” Moisés, Josué, Davi e Ezequias oraram todos no mesmo sentido. (Êxo. 32:11, 12; Jos. 7:8, 9; 2 Reis 19:15-19; Sal. 25:11) E o profeta Daniel fez o seu apelo nas seguintes palavras: ‘Ó Jeová, presta deveras atenção e age. Não tardes, pois o teu próprio nome foi invocado sobre o teu povo.’ (Dan. 9:19) Sim, se realmente levarmos o nome de Jeová, poderemos fazer súplicas a ele nesta base.
9. Por que podemos suplicar confiantemente a Deus que nos conceda misericórdia e perdão?
9 Um terceiro motivo pelo qual podemos esperar que Jeová ouça as nossas orações é que ele conhece as nossas limitações e quer ajudar-nos. O salmista Davi expressou isso do seguinte modo: “Tão longe como o nascente é do poente, tão longe pôs de nós as nossas transgressões. Assim como o pai é misericordioso para com os seus filhos, Jeová tem sido misericordioso para com os que o temem. Porque ele mesmo conhece bem a nossa formação, lembra-se de que somos pó.” (Sal. 103:12-14; veja também o Salmo 51:5.) Portanto, quando caímos numa falta, quando erramos ou cometemos um sério engano, podemos rogar a Jeová Deus à base de nossas fraquezas e imperfeições.
10. Conforme ilustrado no caso de Jó, no de Paulo e de outros, por que podemos chegar-nos a Deus com confiança?
10 Outro motivo ponderoso para podermos chegar a Jeová com confiança é que ele ouvirá as nossas orações à base de mantermos a integridade. Jó fez uma súplica eloqüente neste sentido, dizendo: “Pese-me Ele na balança da justiça e conhecerá Deus a minha inocência.” (Jó 31:6, Liga de Estudos Bíblicos) De modo similar, Paulo exortou os concrentes: “Fazei orações por nós, pois confiamos em ter uma consciência honesta, visto que queremos comportar-nos honestamente em todas as coisas.” (Heb. 13:18) Que temos de ser retos do ponto de vista de Deus também é evidente no que o apóstolo João escreveu: “Amados, se os nossos corações não nos condenarem, temos franqueza no falar para com Deus; e tudo o que pedimos recebemos dele, porque estamos observando os seus mandamentos e estamos fazendo as coisas que são agradáveis aos seus olhos.” — 1 João 3:21, 22.
ORE POR MEIO DE JESUS CRISTO, NÃO A ELE
11. Por meio de quem, apenas, podemos chegar-nos a Deus em oração?
11 Como podemos chegar-nos ao grande “Ouvinte de oração”? Ele determinou que isso fosse feito apenas por meio de Jesus Cristo. Há apenas um Mediador entre Deus e os homens, um só Sumo Sacerdote, Jesus Cristo. (1 Tim. 2:5; Heb. 7:25, 26) O próprio Jesus expressou isso de modo bem explícito, dizendo: “Ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6) “Eu vos digo em toda a verdade: Se pedirdes ao Pai qualquer coisa, ele vo-la dará em meu nome. . . . Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja plena.” — João 16:23, 24.
12, 13. (a) Em vista do que fizeram o apóstolo João e Estevão, que perguntas talvez possam ser feitas? (b) Mas, por que não se podem tomar os exemplos de Estêvão e do apóstolo João como motivo para se orar diretamente a Jesus?
12 No entanto, alguns se perguntam: ‘Não podemos também pedir algo diretamente a Jesus? Não se dirigiu o discípulo Estêvão em oração diretamente a Jesus, e não fez o apóstolo João o mesmo?’ É verdade, Estêvão, pouco antes de expirar, disse: “Senhor Jesus, recebe meu espírito.” (Atos 7:59) E o apóstolo João orou: “Amém! Vem, Senhor Jesus.” — Rev. 22:20.
13 Faremos bem, porém, em considerar as circunstâncias. Por exemplo, Estêvão teve uma visão, porque disse: “Eis que observo o céu aberto e o Filho do homem em pé à direita de Deus.” Assim, por ver a Jesus numa visão, Estêvão podia dirigir-se diretamente ao Filho de Deus. (Atos 7:56) Também o apóstolo João teve uma visão de coisas celestiais. (Rev. 1:1, 10; 4:1, 2) Enquanto tinha esta visão, o apóstolo viu Jesus e ouviu-o dizer: “Aquele que dá testemunho dessas coisas diz: ‘Sim; venho depressa.’” (Rev. 22:20) Por conseguinte, João respondeu ao que ouvira Jesus dizer. Esses casos são comparáveis ao que ocorreu quando o perseguidor Saulo de Tarso estava em caminho para Damasco. Jesus Cristo revelou-se a Saulo, dizendo: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Assim como no caso do apóstolo João e de Estêvão, Saulo respondeu diretamente a Jesus: “Quem és, Senhor?” — Atos 9:4, 5.
COM A DEVIDA REVERÊNCIA
14, 15. Quando oramos, que devem indicar nossa atitude, nossas palavras e nosso tom de voz, e por quê?
14 Quando nos dirigimos ao grande Soberano do universo em oração, temos de fazer isso também de maneira correta. Podemos dirigir-nos a ele somente com o maior respeito, deferência e profunda humildade. Dizer-nos a Palavra de Deus que podemos chegar-nos a Deus com “franqueza no falar” não significa que podemos ficar muito sem-cerimônia ou informais com o grande Criador. (Heb. 4:16; 1 João 3:21, 22) Quão irrefletido e impróprio seria iniciar uma oração com uma expressão tal como: “Boa tarde, Jeová!” Podemos ter franqueza no falar por causa de nossa fé e confiança na Sua disposição de ouvir, e por nós mantermos a integridade. Mas devemos fazer isso com profundo respeito, com reverência. — Veja Eclesiastes 5:1, 2.
15 Nunca devemos esquecer-nos de que Jeová Deus está muitíssimo acima de nós. Em vista de nossa existência e organismo terrenos, somos inferiores aos anjos em poder e glória. (Heb. 2:7) Além disso, somos humanos imperfeitos e pecadores. Portanto, nas nossas orações devemos usar apropriadamente palavras e um tom de voz que demonstrem que entendemos e reconhecemos nossa relação com Jeová Deus, porque ele concede audiência apenas aos humildes, que ‘tremem da sua palavra’. (Isa. 66:2) Quão bem este princípio foi salientado por Jesus Cristo na sua parábola sobre os dois homens que subiram ao templo em Jerusalém para orar! Jeová Deus não deu nenhuma atenção ao orgulhoso e autojusto fariseu, mas, pelo visto, ouviu a oração do humilde e contrito cobrador de impostos, e respondeu a ela. — Luc. 18:9-14.
COM FÉ E COM PERSEVERANÇA
16. Que textos mostram a importância da fé na oração?
16 Outro requisito importante para ser ouvido por Jeová é dirigir-se a ele com fé. Esta condição para a oração é repetidas vezes trazida à nossa atenção na Palavra de Deus. Jesus disse: “Se tiverdes fé do tamanho dum grão de mostarda, . . . nada vos será impossível.” (Mat. 17:20) Em Hebreus 11:6, somos informados de que, para agradarmos a Deus, não só temos de ter fé na sua existência, mas também em que ele recompensa os que “seriamente o buscam”. O discípulo Tiago escreveu: “Persista ele em pedir com fé, em nada duvidando, pois quem duvida” ‘não receberá nada de Jeová’. — Tia. 1:6, 7.
17. Que conselho dão as Escrituras para se perseverar em oração?
17 Para que nossas petições sejam atendidas, também temos de perseverar em oração. Temos de criar o hábito de orar. A Bíblia admoesta-nos: “Mantende firmemente o hábito da oração.” (Rom. 12:12, O Novo Testamento em Inglês Moderno, J. B. Phillips) Jesus enfatizou vez após vez este aspecto da oração. Ele disse no seu Sermão do Monte: “Persisti em pedir, e dar-se-vos-á; persisti em buscar, e achareis; persisti em bater, e abrir-se-vos-á.” (Mat. 7:7) Na sua parábola sobre a viúva que obteve justiça dum juiz que não temia nem a Deus, nem respeitava o homem, Jesus também enfatizou a importância da perseverança na oração. (Luc. 18:1-8) Se somos realmente sérios nas coisas que pedimos a Jeová, ‘perseveraremos em oração’ e ‘oraremos incessantemente’. — Rom. 12:12; 1 Tes. 5:17.
18. O que não devemos permitir que interfira em nosso tempo para oração?
18 Intimamente relacionado com a perseverança na oração está a questão de tomar tempo para orar. É verdade que há coisas necessárias à vida — nossa ocupação diária, comer, higiene pessoal, dormir — que ocupam a maior parte das 24 horas de nosso dia. Mas, não há também muitas outras coisas que nos podem tomar mais tempo do que deviam? Estas coisas podem incluir ler o jornal, ver televisão, empenhar-se em atividades esportivas e em outras formas de recreação ou descontração. A menos que realmente reconheçamos quão precioso é o privilégio da oração, é bem possível que verifiquemos que a negligenciamos, porque essas coisas nos tiram o tempo que devíamos ter para ela.
OCASIÕES PARA ORAÇÃO
19. Quais são algumas das muitas ocasiões que temos para orar?
19 Há deveras muitas ocasiões ou oportunidades para orarmos. No nosso caso, ‘orar incessantemente’ envolve orar em todas as ocasiões — levantando-nos de manhã, recolhendo-nos à noite, antes das refeições e durante as ocasiões que passamos acordados à noite. (Veja Salmo 5:3; 92:1, 2; 119:147-149, 164; 1 Timóteo 4:4, 5.) Talvez nos confrontemos com problemas sérios ou ocasiões de tensão, tendo de assumir pesadas responsabilidades; talvez se requeira que falemos perante uma assistência cristã ou defendamos nossa fé perante autoridades governamentais. Todas estas certamente são ocasiões para apresentarmos nossas preocupações a Jeová. Sim, “nota-o [a Deus] em todos os teus caminhos, e ele mesmo endireitará as tuas veredas”. (Pro. 3:6) Além disso, sempre que recebemos uma bênção especial, particularmente se for inesperada ou muito desejada, nosso coração devia encher-se de gratidão a Jeová. Mas, naturalmente, não precisamos de razões especiais. Nosso coração e nossa mente podem induzir-nos a expressar gratidão em qualquer outra ocasião.
20. O que se pode dizer sobre nossa postura na oração?
20 Visto que qualquer ocasião pode ser apropriada para a oração, significa isso que não precisamos pensar na nossa postura quando oramos? É verdade que a Bíblia não prescreve determinada postura, tal como ajoelhar-se ou juntar as mãos na oração. Mas lemos sobre pessoas orando em pé, ajoelhadas ou prostradas, e com as mãos estendidas. (Veja Gênesis 24:26, 48; 1 Reis 8:22, 42, 44, 54; Neemias 2:1-4; Mar. 11:25.) Isto indicaria que é apropriado, quando possível, assumir uma respeitosa posição física quando se ora. Por exemplo, numa reunião congregacional, talvez nos levantemos e inclinemos a cabeça. Tal mudança de posição física também pode ajudar-nos a nos concentrarmos na oração proferida em nosso favor. Parece que ajoelhar-se é uma postura especialmente apropriada para as orações em particular. (Veja Daniel 6:10; Filipenses 2:9, 10.) Mesmo quando deitados na cama, antes de adormecermos, temos de ter cuidado para acatar a injunção apostólica de nos ‘mantermos despertos’, atentos, vigilantes, quando oramos. — Efé. 6:18.
21. Como devemos orar, para sermos ouvidos quando nos dirigimos a Deus?
21 De fato, a oração a Jeová Deus é algo que queremos tomar a sério. Quão gratos devemos ser de que nos podemos dirigir ao nosso Pai celestial, confiantes em que ele nos ouvirá em qualquer ocasião! Naturalmente, isso depende de nos dirigirmos a ele com fé, por intermédio do canal apropriado, com a disposição mental correta, perseverando então em oração e nunca estando ocupados demais para orar. E, se você tiver filhos, ensine-lhes pacientemente a importância da oração, tanto por preceito como pelo bom exemplo.
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‘Use toda forma de oração e súplica’A Sentinela — 1980 | 1.° de dezembro
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‘Use toda forma de oração e súplica’
“Com toda forma de oração e súplica, em todas as ocasiões, [fazei] orações em espírito. E, para este fim, mantende-vos despertos com toda a constância e com súplica a favor de todos os santos.” — Efé. 6:18.
1. (a) O que queremos pensar sobre Jeová Deus quando nos dirigimos a ele em oração? (b) Quais são os quatro tipos básicos de oração?
O CRIADOR, Jeová Deus, não é mera Causa Primária, impessoal, mas é uma pessoa real, com sentimentos. Pode ver e ouvir. Sempre queremos pensar nele assim, quando nos dirigimos a ele em oração. A Palavra de Deus aconselha-nos a fazer isso “com toda forma de oração e súplica”. (Efé. 6:18) O que está incluído nisso? Há quatro formas básicas de oração: louvor, agradecimento, petição e súplica.
LOUVE A DEUS EM ORAÇÃO
2, 3. Qual é uma forma muito nobre e sublime de oração, e quais são alguns dos muitos motivos de Jeová Deus merecê-la?
2 O louvor certamente é uma forma nobre e sublime de oração. O Criador o merece por causa de suas qualidades e realizações. Ele, como “Soberano Senhor Jeová”, não tem igual em autoridade. (2 Sam. 7:28) Não tendo nem princípio, nem fim, Jeová Deus é o inigualável “Rei da eternidade”. (1 Tim. 1:17) Ele é uma pessoa tão gloriosa, que nenhum homem o pode ver e continuar vivo. (Êxo. 33:20) O Altíssimo não tem igual, sendo infinito em poder e sabedoria, inteiramente justo e a personificação do amor altruísta. (Deu. 32:4; Jó 37:23; Rom. 11:33; 1 João 4:8) Ele fez todas as coisas, e, por isso, é dono de todo o universo. (Gên. 1:1, 31; Sal. 50:10) Não tem rival em nome e fama. Somente ele pode dizer de direito: “MOSTRAREI SER.” Só ele tem o nome Jeová, entendendo-se que significa “Ele causa que venha a ser”. (Êxo. 3:14; 6:3) Só ele pode dizer de direito: “A quem me assemelhareis ou me fareis igual, ou com quem me comparareis para que nos assemelhemos?” “Eu sou o Divino e não há outro Deus, nem alguém semelhante a mim.” — Isa. 46:5, 9.
3 Tal Deus incomparável, sem igual, ímpar, sem rival, merece ser louvado mais do que todos os outros. Dezenas de vezes, desde Êxodo 15:11 até Revelação 19:6 faz-se apropriadamente a exortação de louvar a Jeová. Em harmonia com isso, continuemos a louvar o Altíssimo não só em nossas orações, mas também, em nossa conversação diária, chamemos atenção para ele, em vez de para nós mesmos. Afinal, não temos nada que não tenhamos recebido, e, à parte dele, realmente não podemos realizar nada. — Sal. 127:1; 1 Cor. 4:7.
DÊ GRAÇAS A JEOVÁ
4, 5. O que dizem os diversos escritores bíblicos sobre agradecermos a Jeová e quais são alguns dos muitos motivos para fazermos isso?
4 Intimamente relacionado com o louvor dado a Jeová é dar graças a ele. É somente correto que expressemos apreço por tudo o que Jeová tem feito, está fazendo e ainda fará por nós. Os escritores dos salmos parecem ter-se apercebido especialmente da propriedade de expressarmos agradecimentos a Jeová. Vez após vez lemos expressões tais como: “Oh! agradeça-se a Jeová a sua benevolência e as suas obras maravilhosas para com os filhos dos homens.” (Sal. 107:8, 15, 21, 31) Paulo, de modo similar, aconselha-nos a fazer “súplica, junto com agradecimento”. Sim, devemos estar “dando sempre graças por todas as coisas a nosso Deus e Pai”. — Fil. 4:6; Efé. 5:20.
5 Quantas são as coisas pelas quais devemos expressar diariamente gratidão ao nosso Pai celestial! Devemos-lhe agradecimentos por todas as coisas físicas e materiais que recebemos, e que tornam a vida não somente possível, mas também agradável. (Tia. 1:17) Apreciamos todas as bênçãos espirituais que Jeová derrama sobre os seus servos: os benefícios do sacrifício de Cristo, a Palavra de Deus e seu espírito, a congregação cristã e a dádiva da oração? Apreciamos a bênção da associação com concristãos, o privilégio de ministrar as necessidades dos outros, e a maravilhosa esperança do Reino? Neste caso, expressemos gratidão em nossas orações. É verdade que talvez nem sempre nos lembremos de tudo ou mencionemos tudo o que Deus tem feito por nós. Mas, devemos sentir o mesmo que o salmista: “Bendize a Jeová, ó minha alma, e não te esqueças de todos os seus atos.” — Sal. 103:2.
FAÇA PETIÇÕES A JEOVÁ
6. Que três pontos ou campos gerais costumam abranger as nossas petições, e a respeito de que nos instruiu Jesus que devemos orar em primeiro lugar?
6 É deveras um grande consolo que podemos chegar a Jeová com “franqueza no falar” quando fazemos nossas petições. (Heb. 4:16; 1 João 3:21) Conforme Jesus ilustrou na sua Oração-modelo, nossas petições costumam relacionar-se com três pontos gerais: o triunfo da justiça, nossas necessidades espirituais e nossas necessidades físicas. Apropriadamente, Jesus mandou-nos orar primeiro pela santificação do nome de Jeová, pela vinda do seu reino e para que se faça a sua vontade na terra. O próprio Jesus orou: “Pai, glorifica o teu nome.” (Mat. 6:9, 10; João 12:28) Essas petições devem incluir também a de que Jeová prospere a obra de seus servos na terra, e que sustente os que sofrem dificuldades e provações por causa de seu nome. (Sal. 118:25) Nem devemos desconsiderar a admoestação de Paulo, de orar por todos os em altos postos, “a fim de que continuemos a levar uma vida calma e sossegada, com plena devoção piedosa e seriedade”. — 1 Tim. 2:2.
7, 8. Sobre que espécie de assuntos pessoais devemos solicitar a Deus?
7 Nossas orações também devem mostrar séria preocupação com a nossa condição espiritual. Inclui pedirmos ao nosso Pai celestial o perdão de nossos pecados. “Se alguém cometer pecado, temos um ajudador junto ao Pai, Jesus Cristo, um justo.’ (1 João 1:8 a 2:1) Também devemos querer orar pedindo mais do espírito de Deus e que não o entristeçamos. (Luc. 11:13; Efé. 4:30) Quando estamos em situações provadoras, somos incentivados nas Escrituras a orar pedindo sabedoria. (Tia. 1:5-8) Além disso, podemos e devemos orar pela bênção de Jeová sobre o nosso serviço sagrado, inclusive a nossa pregação e nosso ensino no campo. Tais orações reconhecem o princípio de que, embora possamos plantar e regar, é Deus quem faz as coisas crescer, que as faz prosperar. — 1 Cor. 3:7.
8 Além disso, nas nossas petições a Deus, não despercebamos ou negligenciemos as diferenças que possamos ter com um irmão cristão, com nosso cônjuge ou com outro membro de nossa família. Em tais ocasiões, pode haver a tendência de parar de se comunicar — um proceder fácil, mas imprudente, a adotar. Antes, devemos orar pedindo orientação e força para resolver a dificuldade que temos com alguém. Peçamos também auxílio para perdoar e esquecer agravos, para que não fiquemos amargurados e não abriguemos ressentimentos. — Mat. 6:12.
9, 10. Que base bíblica temos para fazer petição a Jeová sobre assuntos materiais ou físicos?
9 Além dos assuntos espirituais, Jesus mostrou que é correto que peçamos a Jeová Deus nosso pão diário, nossas necessidades materiais. (Mat. 6:11) Sim, podemos pedir a Jeová Deus quaisquer e todas as nossas necessidades, fazendo-o para cada dia. Isto está em harmonia com o que Jesus disse adicionalmente no seu Sermão do Monte: “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” — Mat. 6:34, Imprensa Bíblica Brasileira.
10 Não temos trabalho, estando desempregados? Então podemos pedir que Jeová Deus abençoe e dirija nossos esforços de encontrar um emprego. Estamos doentes? Podemos orar pedindo sabedoria, força e perseverança para lidar com o nosso padecimento do melhor modo possível. Sentimo-nos realmente consolados quando podemos derramar todas as nossas preocupações perante Jeová, assim como lemos: “Não estejais ansiosos de coisa alguma, mas em tudo, por oração e súplica, junto com agradecimento, fazei conhecer as vossas petições a Deus.” (Fil. 4:6) Naturalmente, com respeito a todos esses assuntos oramos com uma condição: ‘Se for da vontade de Deus’, assim como Jesus orou no jardim de Getsêmani. — Mat. 26:39; 1 Cor. 4:19; Tia. 4:15.
COM SÚPLICA
11-13. (a) O que significa fazer súplica a Jeová, e a respeito de que assuntos é isso bem apropriado? (b) Como é isso ilustrado pela experiência dum menino?
11 Manda-se que oremos “com toda forma de oração e súplica”. (Efé. 6:18) Por que acrescentar a súplica às nossas petições? Porque a súplica vai mais um passo além das petições. Trata-se de oração especialmente fervorosa, e séria, um rogo de coração. A súplica é definida como “rogo instante e humilde”. Nas Escrituras Gregas Cristãs, a palavra da língua original é sempre usada com referência a Deus. Salienta, portanto, que, em adição à perseverança na oração, há necessidade de se ser realmente fervoroso. É compreensível que nem todas as nossas petições são súplicas. Mas as nossas orações devem incluí-las. Lemos até mesmo que Jesus Cristo fez “súplicas . . . com fortes clamores e lágrimas, e ele foi ouvido favoravelmente pelo seu temor piedoso”. (Heb. 5:7) De maneira similar, quando ouvimos que nossos irmãos estão sendo perseguidos cruelmente, é apropriado que não somente façamos petições a favor deles a Deus, mas que também supliquemos que Jeová lhes dê força para perseverar e para derrotar o objetivo da perseguição. — Veja 2 Coríntios 1:8-11.
12 Quando apelamos para Jeová em busca de ajuda na nossa luta para amofinar nosso corpo, apresentamo-nos corretamente perante ele como suplicantes. (Rom. 7:15-24; 1 Cor. 9:27) Temos problemas com controlar nossos pensamentos ou nosso gênio? Então, além de ressarcirmos quaisquer prejuízos que possamos ter causado, devemos humildemente rogar e suplicar a ajuda de Jeová Deus. Que dizer se o problema envolve comer ou beber? Novamente, seria apropriado suplicar o auxílio de Jeová e também recorrer à ajuda de familiares e/ou anciãos da congregação.
13 Até mesmo as crianças, devidamente instruídas, podem fazer súplicas a Jeová e ser ouvidas. Por exemplo, um menino de 10 anos escreveu o seguinte à Sociedade Torre de Vigia: “Em 20 de novembro, às 15 horas, dois rapazes chegaram-se a mim no pátio da escola, e um deles encostou-me uma faca na garganta, ameaçando matar-me. Orei a Jeová, e neste instante apareceu um carro da polícia, e os rapazes fugiram.”
PRECISAMOS AGIR DE ACORDO
14, 15. O que requer a coerência daqueles que oram, e quais são alguns dos exemplos bíblicos que ilustram este princípio?
14 Naturalmente, quando oramos a Jeová Deus, devemos também estar dispostos a fazer a nossa parte. O Rei Davi não só suplicou a Deus em tempo de grande aflição, mas tomou também medidas práticas. (2 Sam. 15:31 a 17:14) Outros servos fiéis de Jeová, tais como Jacó fizeram o mesmo. (Gên. 32:9-21) Sim, nossas ações devem estar de acordo com as nossas solicitações.
15 Oramos pelo pão de cada dia? Então devemos estar dispostos a trabalhar por ele, pois, “se alguém não quiser trabalhar, tampouco coma”. (Mat. 6:11; 2 Tes. 3:10) Oramos para não ser levados à tentação? Então temos de evitar colocar-nos deliberadamente em situações comprometedoras. (Mat. 6:13) Oramos pela paz entre nós? Então temos de ser pacificadores. (Sal. 122:6-9; 1 Ped. 3:11) Isto significa que temos de ter cuidado de não ofender desnecessariamente os outros, nem criar casos sem necessidade. Devemos evitar ser indevidamente sensitivos. Oramos para que a obra de Deus aumente? Então devemos ter “bastante para fazer na obra do Senhor”. (1 Cor. 15:58) Oramos por sabedoria? Então temos de usar também todos os meios providos por Deus para obter sabedoria. — Tia. 1:5-8; Sal. 119:105; 2 Tim. 3:16; Heb. 10:23-25.
PODEMOS MELHORAR A QUALIDADE DE NOSSAS ORAÇÕES?
16, 17. Como podemos melhorar a qualidade de nossas orações, mantendo-as cordiais e significativas?
16 Nossas orações revelam quanta mentalidade espiritual realmente temos. Podemos melhorar a qualidade de nossas orações, e, se for possível, como? Em primeiro lugar, devemos tomar nossas orações a sério e expressar-nos de coração. Por meditarmos mais na bondade de Deus e na sua benevolência, por pensarmos nele como sendo um Pai amoroso, que também é firme a favor do que é direito, podemos pôr mais cordialidade e sentimento nas nossas orações. De fato, queremos falar a Deus de coração, em humildade. Portanto, temos de precaver-nos contra a pressa nas nossas orações. Mesmo que se negligenciem outras coisas, nunca o devemos fazer com nossas orações.
17 Podemos também melhorar a qualidade de nossas orações por fazer empenho de não usar as mesmas palavras e frases vez após vez. (Mat. 6:7) Tal repetição pode causar que faltem verdadeiro sentimento e sentido às orações. Palavras decoradas, com mais probabilidade, tendem a vir da cabeça em vez de do coração. Os cristãos que diariamente tomam a dianteira na oração familiar devem ter cuidado especial neste sentido. Usarem as mesmas palavras dia após dia pode fazer com que a mente dos ouvintes vagueie. A meditação diária em pensamentos bíblicos e nosso cultivo de maior apreço pela benignidade imerecida de Jeová para conosco podem ajudar a manter nossas orações cordiais e significativas.
RECOMPENSAS DIRETAS E INDIRETAS
18. Por que concluiriam alguns, que não satisfazem os requisitos de Deus para as orações aceitáveis, que suas petições foram atendidas?
18 A oração é uma forma de adoração que é praticada no mundo inteiro. Muitos crêem que Deus responde às suas orações, embora suas petições não satisfaçam os requisitos divinos para a oração. Como se pode explicar esta aparente contradição? Por um lado, talvez se deva simplesmente à lei da probabilidade. Por exemplo, diz-se que todos os soldados em trincheiras oram. Visto que a maioria deles costuma sobreviver, os que sobrevivem talvez concluam que Deus respondeu às suas orações. Ou pode ser uma questão de coincidência. Por outro lado, talvez seja explicável pelo princípio psicossomático, o efeito da mente sobre o corpo.
19. Que evidência há de que Jeová Deus responde às orações dos que realmente são seu povo e que satisfazem os requisitos para a oração?
19 Todavia, os que satisfazem os requisitos divinos para a oração possuem evidência inegável de que Jeová Deus deveras responde às suas orações. Eles têm visto a bênção de Jeová sobre os seus esforços unidos e individuais. Em resultado disso, ‘o pequeno tornou-se mil e o menor, uma nação forte’. (Isa. 60:22) Em resposta às suas orações, Jeová tem manobrado os assuntos de tal maneira, que ‘nenhuma arma forjada contra eles tem sido bem sucedida’. — Isa. 54:17.
20. Quais são os diversos meios pelos quais Jeová responde às petições sinceras dirigidas a ele?
20 Jeová usa tanto os seus servos celestiais como os terrestres para responder às petições sinceras dirigidas a ele. Às vezes é um anjo que dirige os assuntos de tal maneira, que a pessoa que busca a Deus em oração é visitada no seu lar por um servo de Jeová. (Veja Atos 10:30-33; 17:26, 27.) Por outro lado, Jeová responde a muitas orações por meio de seus instrumentos terrestres. Ele pode pôr na mente de um dos do seu povo mostrar amor ou fazer um ato de bondade para com uma pessoa merecedora, que sofre verdadeira necessidade. Ou a resposta à oração de alguém pode vir por meio do estudo da Palavra de Deus, pela pesquisa duma publicação baseada na Bíblia ou daquilo que é trazido à atenção pelos anciãos da congregação. Isto se dá porque as orações dos servos de Jeová muitas vezes são por esclarecimento espiritual ou por sabedoria para lidar com determinada situação.
21. Quais são alguns dos benefícios indiretos da oração?
21 Além disso, podemos derivar benefícios indiretos da oração. O mero fato de nos termos desabafado perante Jeová, nosso Pai celestial, faz com que nos sintamos mais achegados a ele. Nossa expressão de apreço a ele em louvor e agradecimento ajuda-nos a ficarmos mais contentes com a nossa sorte. Nossa súplica fervorosa a Jeová nos ajuda a sermos humildes e a nos estribarmos antes nele do que em nosso próprio entendimento e força. (Pro. 3:5, 6; Fil. 4:13) E, naturalmente, quando oramos, nossa mente se fixa nas coisas que são edificantes. (Fil. 4:4-8) Por exemplo, quando não conseguimos dormir à noite, certamente será muito melhor orarmos a favor dos interesses do Reino e de assuntos espirituais, do que preocupar-nos ou amofinar-nos, repassar agravos, construir castelos no ar ou deixar a mente enfocar as coisas da carne. Sim, queremos ‘lançar toda a ansiedade sobre Jeová, porque ele tem cuidado de nós’. Se não ocultarmos nada de nosso Pai celestial, isso nos ajudará a examinarmos a nós mesmos e contribuirá para ficarmos ainda mais achegados a ele e mais íntimos dele. — 1 Ped. 5:7; 2 Cor. 13:5.
22. O que significa para nós tomarmos a sério as nossas orações, resultando em que confiança?
22 Deveras, a oração, incluindo louvor, agradecimento e súplica, é um privilégio precioso, e tiraremos grande proveito de tomarmos as nossas orações a sério. Nossa oração mostra que realmente temos fé. Certamente queremos agir em harmonia com as nossas orações, nunca nos apressando com elas, sempre procurando melhorar sua qualidade e nunca permitindo que caiamos na mera rotina da repetição de palavras. Por fazermos isso, seremos beneficiados indiretamente, e podemos ter confiança de que Jeová Deus nos recompensará por responder às orações que estão em harmonia com a sua vontade.
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