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Persistência na oração é recompensadaA Sentinela — 1979 | 15 de dezembro
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Persistência na oração é recompensada
“De comum acordo, todos eles persistiam em oração.” — Atos 1:14.
1. O que significa persistir ou perseverar em algo?
“PERSISTIR” ou “perseverar” em alguma coisa significa seguir certo proceder com firmeza e constância, até atingir o objetivo. Estes verbos incluem a idéia de vencer dificuldades e oposição antes de poder alcançar o bom êxito.
2. Por que motivos era apropriado que os discípulos de Jesus ‘persistissem em oração’?
2 Em Atos 1:14, fala-se apropriadamente sobre o pequeno grupo de verdadeiros seguidores de Jesus, dizendo que, “de comum acordo, todos eles persistiam em oração”. Sabiam que Jesus havia sido ressuscitado dentre os mortos e acabavam de presenciar a sua ascensão em direção ao céu, mas havia muita coisa que não entendiam. Ainda não viera sobre eles o prometido espírito santo, com poder. (Atos 1:8) Não avaliavam ainda plenamente por que Deus permitira que seu amado Líder fosse pendurado naquela terrível estaca de tortura. Os homens responsáveis por isso ainda estavam no poder e não havia nenhum indício de alguma mudança na sua atitude. Haviam persistido na sua implacável oposição. De modo que os seguidores de Jesus, cônscios de sua necessidade, persistiam em oração Àquele em quem tinham fé.
3. (a) Quando se respondeu às orações deles, e como afetou isto as suas prioridades? (b) Que testemunho extensivo foi dado naqueles primitivos dias?
3 A partir do dia de Pentecostes, suas orações de fé certamente receberam resposta além de sua expectativa. Começaram a avaliar as palavras finais de Jesus a eles, antes de sua ascensão. Em vez de sua prioridade girar em torno duma data, conforme dava a entender sua pergunta: “Senhor, é neste tempo que restabeleces o reino a Israel?”, sua atenção passou a fixar-se então na designação que receberam, de serem “testemunhas de [Jesus] tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até à parte mais distante da terra”. (Atos 1:6-8) Quão intrépido e cabal foi o testemunho que Pedro deu naquele dia de Pentecostes, incluindo a declaração: “A este Jesus, Deus ressuscitou, fato de que todos nós somos testemunhas”! — Atos 2:32; veja também Atos 2:40; 3:15; 4:33; 5:32.
4. Como encaram hoje os seguidores de Jesus a necessidade de persistirem em oração?
4 De maneira similar, hoje, os verdadeiros seguidores de Jesus precisam persistir nas suas orações “aquele que, segundo o seu poder que opera em nós, pode fazer mais do que superabundantemente além de todas as coisas que peçamos ou concebamos”. (Efé. 3:20) Embora fossem grandemente esclarecidos sobre o propósito de Jeová e seu cumprimento, há ainda muita coisa de que não conhecem os pormenores, tanto com a cronometragem exata dos acontecimentos ainda futuros, quanto a exatamente como se cumprirão os muitos textos a respeito do fim completo do sistema de coisas de Satanás. Estes incluem referências proféticas ao povo de Jeová, tais como a encontrada em Isaías 26:20: “Vai, povo meu . . . Esconde-te por um instante, até que passe a verberação.”
5. (a) Que duas coisas vitais se requerem das Testemunhas de Jeová? (b) Que resultados foram produzidos no mundo pela mensagem do reino de Deus, e como foi isto predito?
5 De importância mais imediata é que os servos de Jeová se dão conta de que, no ínterim, há uma grande obra a ser feita e uma atitude a ser mantida, conforme se evidencia no nome que lhes foi dado por Deus, Testemunhas de Jeová. (Isa. 43:10-12) Esta obra e a atitude que adotam exigem persistência ou perseverança. A mensagem do reino de Deus requer a destruição das nações e dos reinos do mundo. (Jer. 25:15-30) O reino de Deus “esmiuçará e porá termo a todos estes reinos”. Tal mensagem não é popular entre os atuais governantes, que demonstram o espírito de nacionalismo. Sua oposição conjunta torna-se cada vez mais evidente. Eles “se aglomeraram à uma contra Jeová e contra o seu ungido [o Rei empossado, Cristo Jesus]”. — Sal. 2:2-6; Dan. 2:44.
6. (a) Que qualidades se requerem hoje? (b) Como se deve encarar cada situação, e como se satisfez a nossa necessidade neste respeito?
6 Requer muita coragem para os servos de Deus hoje falarem assim como os apóstolos do primeiro século: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” (Atos 5:29) Tal coragem e intrepidez não dependem de nossos próprios recursos e temperamento, dos quais poucos de nós se podem gabar. O exercício destas qualidades requer um entendimento claro e discernimento do propósito de Deus, também das normas e dos princípios justos especificados na Palavra de Deus. Nunca houve na humanidade tal entrega indiscriminada ao egoísmo, à violência, à corrução e à impureza de toda sorte. (2 Tim. 3:1-5) Nestes “últimos dias”, é preciso lidar com muitas e variadas pressões. Isto significa que temos de aprender a encarar cada situação e problema do ponto de vista de Deus. Somente por recorrermos a ele podemos obter o verdadeiro esclarecimento por meio de sua Palavra, e com a ajuda de seu espírito e de sua organização. (Sal. 36:9) Daí a necessidade da persistência na oração, e da edificação duma fé forte e verdadeira, uma fé vitoriosa. Jeová, conhecendo as nossas necessidades, proveu-nos bondosamente na sua Palavra um bem oportuno encorajamento, conselho e aviso sobre estes assuntos vitais. Primeiro, há a questão sobre quem pode orar e sob que termos ou condições, se é que os há.
JEOVÁ — O “OUVINTE DE ORAÇÃO”
7. (a) Quem é o “ouvinte de oração”, e por que estava Davi muitas vezes em necessidade neste respeito? (b) Que boa orientação se provê para os que se sentem indignos? (Sal. 103:8-14)
7 Jeová inspirou seu servo Davi a escrever: “Ó Ouvinte de oração, sim, a ti chegarão pessoas de toda carne.” (Sal. 65:2) O próprio Davi sentia muitas vezes a necessidade de persistir em oração, conforme expressou em muitos dos salmos que escreveu. Às vezes, a necessidade era urgente, por causa da implacável pressão dos seus inimigos, conforme mostra o Salmo 70:1-5. Em outras ocasiões, surgiu a necessidade por causa das fraquezas e dos erros dele mesmo, alguns dos quais eram sérios. Se você mesmo, porventura, se sentir indigno de se dirigir a Deus em oração, por causa disso, pensando que ele não o ouvirá, recomendamos que leia e releia o Salmo 51:1-12. As palavras registradas nos Sal 51 versículos 9 a 11 podem constituir muito bem a base para a sua própria oração.
“Esconde a tua face dos meus pecados e extingue até mesmo todos os meus erros. Cria em mim um coração puro, ó Deus, e põe dentro de mim um espírito novo, firme. Não me lances fora de diante da tua face; e não tires de mim o teu espírito santo.”
8. Na questão de se chegar a Jeová, a quem cabe realmente a escolha, e sob que condições?
8 Será que a expressão a respeito da vinda de “pessoas de toda carne” ao “Ouvinte de oração” significa que qualquer pessoa pode fazer isso sempre que quiser? Não. Na realidade, funciona ao contrário. Conforme declarado mais adiante, nesse mesmo salmo: “Feliz aquele a quem tu [isto é, Jeová] escolhes e fazes chegar perto para que resida nos teus pátios.” (Sal. 65:4) Embora o convite seja feito a todos, chegar-se a ele precisa ser feito em toda a sinceridade. Embora sua fé, no começo, não seja tão forte, precisa ser verdadeira. “Jeová está perto . . . de todos os que o invocam em veracidade.” — Sal. 145:18.
9. Por que devem nossas orações a Jeová sempre ser feitas em nome de Jesus?
9 Adicionalmente, nossas orações a Jeová sempre precisam ser feitas em nome de Cristo Jesus, único canal designado por Deus. (João 14:13, 14) Reconhecemos com gratidão a obra redentora de Cristo a favor de toda a humanidade, e que ele serve agora como sumo sacerdote de Deus, por meio de quem podemos aproximar-nos “com franqueza no falar, do trono de benignidade imerecida, para obtermos misericórdia e acharmos benignidade imerecida para ajuda no tempo certo”. — 1 Tim. 2:4-6; Heb. 2:9; 4:14-16.
10. De que modo provê o Salmo 15 adicionalmente orientação útil neste respeito?
10 Para que obtenha informação adicional sobre a espécie de pessoa que Deus escolhe, sugerimos que leia, no Salmo 15, a resposta inspirada à pergunta: “Ó Jeová, quem será hóspede na tua tenda? Quem residirá no teu santo monte?” Precisamos reconhecer como justos os princípios delineados ali; e temos de tomá-los por alvo, embora às vezes falhemos no próprio acatamento deles.
11. (a) Em benefício de quem foram principalmente registradas as Escrituras Sagradas? (b) Que incentivo pode ser encontrado na oração de Salomão, em 1 Reis 8:41-43?
11 Talvez diga, e com toda a razão, que as Escrituras Sagradas, inclusive os textos já mencionados, giram em torno do povo de Deus e se aplicam a este, especialmente à congregação cristã, que constitui o Israel espiritual, “o Israel de Deus”. (Rom. 15:4; 1 Cor. 10:11; Gál. 6:16) Em comparação com ele, você talvez se considere como que estranho ou estrangeiro, por causa de seu anterior modo de vida e da sua total falta de interesse na religião. Muitos estão hoje nesta situação. Mas, não desista logo. Lembre-se de que entre as muitas petições apresentadas por Salomão a Jeová, por ocasião da dedicação do templo, ele orou a favor do “estrangeiro que não faz parte do teu povo Israel e que realmente vem duma terra distante por causa do teu nome”. Orou para que “tu [Jeová] . . . terás de fazer segundo tudo aquilo pelo qual o estrangeiro te invocar; para que todos os povos da terra conheçam o teu nome para te temer assim como teu povo Israel faz”. — 1 Reis 8:41-43.
12, 13. (a) O que foi Isaías inspirado a escrever sobre “estrangeiros”? (b) Em benefício de quem e de que modo podem ser aplicadas estas expressões?
12 Compreensão e encorajamento adicionais são dados a estes “estrangeiros” em Isaías 56:6-8:
“E os estrangeiros que se juntaram a Jeová para ministrar-lhe e para amar o nome de Jeová, a fim de se tornarem servos seus, todos os que guardam o sábado para não o profanarem e que se agarram ao meu pacto, eu também vou trazer ao meu santo monte e fazê-los alegrar-se dentro da minha casa de oração. Seus holocaustos e seus sacrifícios serão para aceitação sobre o meu altar. Pois a minha própria casa será chamada mesmo de casa de oração para todos os povos.”
13 Que descrição convidativa! Estes “estrangeiros” não são regimentados, mas juntam-se de bom grado a Jeová, por amor ao seu nome e a tudo o que ele representa. Toda a sua vida (não apenas um dia em sete) torna-se uma de ‘guarda de sábado’, estando dedicada a Jeová; entram assim no descanso Dele, conforme Paulo explica em Hebreus 4:1-10. O apóstolo Paulo mostra também que os ‘holocaustos e os sacrifícios’ têm aplicação prática para os cristãos dedicados, escrevendo:
“Por intermédio dele, ofereçamos sempre a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios que fazem declaração pública do seu nome. Além disso, não vos esqueçais de fazer o bem e de partilhar as coisas com outros, porque Deus se agrada bem de tais sacrifícios.” — Heb. 13:15, 16.
14. Qual era a “casa de oração” nos dias de Isaías, e o que simbolizava?
14 Nos dias de Isaías, a “casa de oração” de Jeová, naturalmente, era o templo construído por Salomão. Este templo era símbolo do grande templo espiritual de Deus. A presença pessoal de Deus estava lá no Santíssimo celestial deste templo espiritual. Os seguidores de Jesus Cristo, ungidos pelo espírito, ainda na terra, encontram-se no compartimento santo deste templo. São também representados como estando no pátio terreno, reservado para os sacerdotes neste templo espiritual.
15. (a) Como se identifica a “grande multidão” em Revelação 7:9-17? (b) Como se aplica isso hoje às Testemunhas de Jeová?
15 Em boa harmonia com o precedente, e depois de termos lido em Revelação 7:1-8 sobre a congregação cristã constituir o Israel espiritual, no total de 144.000, lemos a seguir sobre uma “grande multidão” que também usufrui o favor de Deus; e em prova de sua dedicação a Ele, “prestam-lhe serviço sagrado, dia e noite, no seu templo”. (Rev. 7:15) Esta bela visão apresenta a “grande multidão” internacional como servindo a Jeová no seu templo, quer dizer, nos pátios terrenos reservados para aqueles que não são israelitas espirituais, como que no “pátio dos gentios”. Hoje em dia, a grande maioria das Testemunhas de Jeová identifica-se como sendo da “grande multidão”, com esperança de vida eterna no reino de Deus, na terra paradísica. Jesus falou destes últimos como sendo suas “outras ovelhas, que não são deste aprisco”. Conforme Jesus prosseguiu, todas as suas verdadeiras ovelhas, hoje, tornam-se “um só rebanho, [debaixo de] um só pastor”. — Luc. 12:32; João 10:16.a
16. Que perspectiva recompensadora se apresenta aos que buscam seriamente a Jeová?
16 Você é bem-vindo para se associar com este grupo bem unido de verdadeiros adoradores de Jeová. Verificará que é uma experiência muito feliz. Mostrará ser de ajuda prática para você e de grande incentivo no seu desenvolvimento de persistência na oração, em verdadeira fé. Isto produz resultados, porque Jeová “se torna o recompensador dos que seriamente o buscam”. (Heb. 11:6) Este assunto da persistência na oração, conjugada com a fé, é salientado de maneira muito interessante no Evangelho de Lucas.
17. Que belo exemplo de persistência provê a experiência de Jacó com o anjo?
17 Neste ponto, queremos lembrar-lhe um exemplo extraordinário de persistência e como ela foi recompensada ricamente. Referimo-nos ao tempo em que Jacó passou a engalfinhar-se a noite inteira com um anjo que se havia materializado. Embora a concavidade da articulação da coxa de Jacó fosse deslocada pelo anjo, Jacó não quis largá-lo, a menos que, conforme disse, “primeiro me abençoes”. O anjo disse então algo que teria significado duradouro: “Não serás mais chamado pelo nome de Jacó mas, sim, Israel, pois contendeste com Deus e com homens, de modo que por fim prevaleceste.” Finalmente também abençoou a Jacó. Jacó certamente, foi muito além de seguir certo proceder com firmeza e constância. Ele teve de engalfinhar-se literalmente e persistir nisso, numa condição aleijada, até conseguir o que procurava. Foi maravilhosamente abençoado, conforme disse: “Tenho visto a Deus face a face e ainda assim foi livrada a minha alma.” Que belo exemplo de persistência em oração! — Gên. 32:24-30.
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A oração nestes “últimos dias”A Sentinela — 1979 | 15 de dezembro
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A oração nestes “últimos dias”
“Portanto, mantende-vos despertos, fazendo todo o tempo súplica.” — Luc. 21:36.
1. (a) Onde faz Lucas a primeira menção de oração ou “súplica”? (b) Como respondeu Jesus ao pedido: “Senhor, ensina-nos a orar”?
EMBORA a oração seja mencionada logo no início do Evangelho de Lucas, com respeito à “súplica” de Zacarias a Deus (no Lu capítulo 1, versículo 13), é no Lu capítulo 11 que Jesus trata deste assunto de forma mais extensa. Para começar, Jesus respondeu à solicitação feita por um de seus discípulos: “Senhor, ensina-nos a orar, assim como também João ensinou aos seus discípulos.” (Luc. 11:1) Jesus respondeu:
“Sempre que orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Dá-nos o nosso pão para o dia, segundo as exigências do dia. E perdoa-nos os nossos pecados, pois nós mesmos também perdoamos a todo aquele que está em dívida conosco; e não nos leves à tentação.’” — Luc. 11:2-4.
2. (a) Como se honra deste modo o nome de Deus, e em harmonia com que textos? (b) Que situação contrastante existe no mundo, e como será remediada?
2 Note a prioridade dada por Jesus ao nome de seu Pai, similar ao que se dá nos textos de 1 Reis 8:41-43 e Isaías 56:6-8, mencionados no artigo anterior. O nome de Jeová certamente não é santificado no mundo atual. O espírito do nacionalismo, de colocar-se em primeiro lugar e de entregar-se à satisfação dos próprios desejos, contentando-se com uma “forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder”, e outras condições similares, fazem com que se vitupere o nome de Deus e que ele seja desonrado ou completamente desconsiderado. (2 Tim. 3:5) De modo que Deus precisa santificar o seu próprio nome, em resposta a esta oração. (Eze. 36:23) A vergonhosa situação será remediada quando o reino de Deus, nas mãos de Cristo Jesus, entrar em ação contra as nações e seus governantes, conforme descrito de modo tão vívido no Salmo 2.
3. Neste respeito, que advertência e promessa deu Pedro?
3 Estas coisas estão para ocorrer no dia de Jeová, agora tão próximo, conforme mostram claramente as profecias bíblicas que se estão cumprindo. Por isso, faremos bem em acatar a admoestação e advertência inspiradas de Pedro:
“Aguardando e tendo bem em mente a presença do dia de Jeová, pelo qual os céus, estando incendiados, serão dissolvidos, e os elementos, estando intensamente quentes, se derreterão! Mas, há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça. Por isso, amados, visto que aguardais estas coisas, fazei o máximo para serdes finalmente achados por ele sem mancha nem mácula, e em paz.” — 2 Ped. 3:12-14.
4. De que modo estão as primeiras duas petições relacionadas intimamente na oração do Pai-Nosso, e como nos ajuda isto com respeito a outras petições?
4 Quando todas estas coisas se tiverem cumprido, o nome de Deus estará completamente vindicado e santificado. Por isso é que as duas petições de Lucas 11:2 estão intimamente relacionadas e vêm em primeiro lugar na oração do Pai-Nosso. Trata-se de eventos realmente grandes para os nossos dias e para o futuro próximo. Tê-los bem em mente nos ajudará a ter um conceito mais equilibrado sobre as nossas próprias necessidades diárias e os nossos problemas, mencionados a seguir, na oração. Em vez de ficarmos egocêntricos, o que é muito fácil, primeiro perguntaremos a nós mesmos: Que atitude e proceder da minha parte estão em harmonia com a vontade de Deus, conforme delineada na sua Palavra, e que, portanto, honram o seu nome?
A PERSISTÊNCIA OUSADA PRODUZ RESULTADO
5. (a) Qual é a regra geral nas ilustrações de Jesus quanto aos personagens usados? Cite um exemplo. (b) Em Lucas 11:5-8, que personagens se apresentam, e que papel desempenham?
5 A seguir, Lucas fala sobre uma ilustração de Jesus, que tinha um aspecto incomum. Em geral, quando se usam um ou mais personagens numa ilustração, cada um deles corresponde de perto aos retratados por tais personagens. Por exemplo, quando se retrata o Pai celestial, como na ilustração do filho pródigo, em Lucas 15:11-32, não temos nenhuma dificuldade em ver como o pai daquele filho, pelo que disse e fez, retratou apropriadamente o Pai celestial. Isto não se pode dizer, porém, no caso da seguinte ilustração de Jesus:
“Quem de vós terá um amigo e irá a ele à meia-noite, e lhe dirá: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque um amigo meu acaba de chegar a mim duma viagem e eu não tenho nada para pôr diante dele’? E aquele diz lá de dentro, em resposta: ‘Deixa de incomodar-me. A porta já está fechada à chave e meus filhinhos estão comigo na cama; não posso levantar-me e dar-te algo.’ Eu vos digo: Embora não se levante e não lhe dê nada por ser seu amigo, certamente por causa da persistência ousada deste ele se levantará e lhe dará as coisas que necessita.” — Luc 11:5-8.
6. Como se destaca aqui certo personagem em contraste com Jeová, e o que enfatizou Jesus com isso?
6 Vemos aqui que aquele que estava em condições de suprir as necessidades do suplicante no começo decididamente se negou a agir, dizendo: “Deixa de incomodar-me.” Não estava nada disposto. Em vez de se mostrar igual ao Pai celestial, destacava-se em nítido contraste com ele. Por meio disso, o ponto salientado pela ilustração foi tanto mais reforçado. Se aquele homem, já deitado com os filhos na cama, se tivesse levantado de bom grado e provido o necessário, não teria havido necessidade de “persistência ousada” da parte do suplicante. Esta foi o que Jesus enfatizou.
7, 8. Como foi isto confirmado pelas palavras adicionais de Jesus, e como nos anima isso grandemente?
7 Isto é claramente confirmado pelas palavras seguintes de Jesus: “Concordemente, eu vos digo: Persisti em pedir, e dar-se-vos-á; persisti em buscar, e achareis; persisti em bater, e abrir-se-vos-á.” (Luc. 11:9) Daí, ainda apresentando o contraste, concluiu: “Portanto, se vós, embora iníquos, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais o Pai, no céu, dará espírito santo aos que lhe pedirem!” — Luc. 11:13.
8 Visualize aquele homem que, ‘por causa da sua persistência ousada’, obteve o que necessitava mesmo à meia-noite! Sua persistência produziu resultado. Quanto incentivo isso nos dá para pormos em prática a aplicação que o próprio Jesus deu a esta ilustração: ‘Persista em pedir, buscar, bater.’ Não desista da oração, nem enfraqueça na fé por causa da persistente oposição à sua obra de pregar o Reino e fazer discípulos, nem por viver numa família dividida, nem por ter de combater alguma fraqueza pessoal, que é mais arraigada do que imaginava.
9. Que exemplos de persistência na oração e na ação notamos em Atos 4:24-30 e Atos 5:41, 42?
9 Um bom exemplo de tal persistência na oração, apoiada pela ação apropriada, pode ser visto nos primitivos dias da congregação cristã. Quando Pedro e João relataram a oposição que tiveram perante o Sinédrio, note a oração unida que expressaram em Atos 4:24-30, especialmente as palavras no At 4 versículo 29: “E agora, Jeová, dá atenção às ameaças deles e concede aos teus escravos que persistam em falar a tua palavra com todo o denodo.” Pouco depois, quando todos os apóstolos haviam sido chibateados após uma sessão adicional perante o Sinédrio, o registro diz em Atos 5:41, 42: “Estes, portanto, retiraram-se do Sinédrio, alegrando-se porque tinham sido considerados dignos de serem desonrados a favor do nome dele. E cada dia, no templo e de casa em casa, continuavam sem cessar a ensinar e a declarar as boas novas a respeito do Cristo, Jesus.” Nenhum destes apóstolos sofreu oposição mais persistente do que o apóstolo Paulo, e ele fez a declaração: “Para todas as coisas tenho força em virtude daquele que me confere poder.” — Fil. 4:13.
‘A NECESSIDADE DE SEMPRE ORAR E DE NUNCA DESISTIR’
10. O que relata Lucas que Jesus disse antes de apresentar outra ilustração para destacar a oração, indicando que cumprimento duplo?
10 Já perto do fim de seu ministério terrestre, Jesus deu um exemplo ainda mais notável do uso dum contraste numa ilustração, para dar ênfase, conforme Lucas observa: “Depois [Jesus] prosseguiu a contar-lhes uma ilustração a respeito da necessidade de sempre orarem e de nunca desistirem.” (Luc. 18:1) Primeiro, porém, consideraremos o que o levou a apresentar esta ilustração. (É de interesse notar que Lucas muitas vezes menciona o motivo de se apresentarem certas ilustrações, conforme se pode notar em Lucas 18:9 e 19:11.) Examinando novamente Lucas 17:22-37, notamos que Lucas relatou o que Jesus dissera sobre as condições prevalecentes quando ele fosse “rejeitado por esta geração”. (Luc. 17:25) Embora estas palavras de Jesus, que em parte correspondem ao capítulo 24 de Mateus, tivessem cumprimento nos seus dias, culminando no fim daquele sistema judaico de coisas, têm um cumprimento maior nos nossos dias, no “tempo do fim” do atual sistema de coisas. — Dan. 12:4.
11. (a) De que modo são as condições atuais paralelas às dos dias tanto de Noé como de Ló? (b) O que observou Jesus em especial, e encontra isso um paralelo hoje em dia?
11 E quais são as condições que prevalecem entre as pessoas desta atual geração? Sim, tornam-se cada vez mais similares às dos dias de Noé, quando “Deus viu . . . a terra e eis que estava arruinada, porque toda a carne havia arruinado seu caminho na terra” e ela estava “cheia de violência”. (Gên. 6:12, 13) No entanto, Jesus não fez nenhuma referência a estas coisas, mas, em vez disso, mencionou outra coisa de significância ainda maior. Qual? As pessoas, naquele tempo, estavam plenamente ocupadas e bastante contentes com a rotina diária de coisas tais como ‘comer e beber, casar-se e dar-se em casamento’. Era “assim como . . . nos dias de Ló”, mencionando-se ali coisas adicionais, tais como comprar, vender, plantar e construir. (Luc. 17:26-29) Em vez de ficarem preocupadas e alarmadas com a iniqüidade e a violência prevalecentes, sua atitude era marcada pela apatia e pela indiferença. Quanto ao grande testemunho dado por Noé, tanto em palavras como em atos, pela construção da arca, as pessoas “não fizeram caso”. (Mat. 24:39; 2 Ped. 2:5) Certamente, pode-se dizer o mesmo da atitude das pessoas em geral, hoje em dia, especialmente com respeito ao intenso testemunho mundial do reino de Deus, conforme predito em Mateus 24:14. A maioria delas simplesmente não está interessada; têm coisas demais para ocuparem seu tempo e sua atenção. Note também o ponto salientado por Jesus com respeito a ambos os períodos acima mencionados, de que a execução do julgamento final veio com inesperada repentinidade e “destruiu a todos”. — Luc. 17:27, 29.
12. Baseados em Lucas 17:31-37, o que podemos aprender e pôr em prática?
12 Esperamos que você esteja entre os comparativamente poucos que se preocupam com a situação atual do mundo e que esteja disposto a prestar atenção ao que a Palavra de Deus tem a dizer sobre essas coisas. Conforme indicado em Lucas 17:31-37, se você compreender a necessidade de deixar de fazer parte do atual sistema de coisas ou de ser apoiador dele, e se não mais procurar “manter a sua alma [vida] a salvo”, só cuidando de si mesmo, então não perca tempo. Tome sua posição do lado de Jeová e de seu reino. Entregue suas perspectivas de vida, tanto atuais como futuras, em dedicação a Jeová, para fazer a vontade dele. Não olhe para trás, anelando o que abandonou. “Lembrai-vos da mulher de Ló.” (Luc. 17:32) Antes, identifique-se junto com aqueles que, segundo disse Jesus, “não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo”. — João 17:14-17.
13. Quais são os pontos principais da ilustração de Lucas 18:2-5?
13 Passando agora para a ilustração de Lucas 18:2-5, há novamente alguém que suplica, esta vez uma viúva, e também um homem em condições de satisfazer-lhe as necessidades, representado por um “juiz que não temia a Deus e não respeitava homem”. Este, por fim, e com relutância, cuidou de que ela obtivesse justiça, conforme disse, apenas porque “esta viúva me causa continuamente contrariedade”. Não havia dúvida quanto à persistência dela, o que ilustra a ‘necessidade de sempre orarmos e de nunca desistirmos’.
14. (a) Em contraste com o juiz “injusto”, o que disse Jesus sobre o que Deus fará? (b) O que podemos aprender disso quanto ao aspecto do tempo?
14 Aquele juiz era similar ao homem de Lucas 11:7, porque vemos aqui novamente um contraste completo com aquilo que Deus realmente é. Note também os comentários adicionais de Jesus sobre o que Deus fará, contrastando-o com aquele juiz “injusto”. Deus “causará . . . que se faça justiça aos seus escolhidos . . . embora seja longânime para com eles”. Fará isso, “velozmente”. (Luc. 18:6-8) Podemos aprender muita coisa desses comentários. Este é o motivo de precisarmos tentar encarar todas as coisas do ponto de vista de Deus, quer se trate de algum assunto pessoal, quer do cumprimento de seu propósito. Conforme Pedro explicou: “Jeová não é vagaroso com respeito à sua promessa, conforme alguns consideram a vagarosidade, mas ele é paciente convosco [os do povo de Deus], porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento.” E, conforme o profeta transmitiu as palavras de Jeová a respeito do cumprimento duma visão: “Ainda que se demore, continua na expectativa dela; pois cumprir-se-á sem falta. Não tardará.” — 2 Ped. 3:9; Hab. 2:3; veja também Revelação 6:10, 11.
15. Como se aplica isso a problemas pessoais, e o que é preciso evitar?
15 Nos problemas pessoais, podemos ter certeza de que qualquer aparente demora em obtermos uma resposta às nossas petições não se deve à incapacidade ou falta de vontade da parte de Deus. Se nós, iguais à viúva, sofremos injustiça ou perseguição, como mostramos que temos fé em que se faça justiça? Não somente temos de continuar a orar, mas também temos de manter um proceder fiel. Se transigirmos com o fim de evitar perseguição, então, naturalmente, não haverá necessidade de continuar a orar. Isto não somente indicaria falta de fé, mas resultaria também em perdermos a evidência de ser servos cristãos de Deus. — 2 Cor. 11:23-27; 2 Tim. 3:12.
16. De que modo podemos encarar a pergunta de Lucas 18:8 como desafio pessoal, com proveito para nós mesmos?
16 Pode parecer estranho que Jesus concluísse seus comentários com a pergunta: “Não obstante, quando chegar o Filho do homem, achará realmente fé na terra?” (Luc. 18:8) Deixou a pergunta no ar. Embora isso parecesse dar a entender que a fé não seria abundante neste tempo, não podemos concluir disso que não se encontraria nenhuma fé verdadeira na terra. Antes, podemos tomar isso como desafio pessoal. Não devemos ser individualmente presunçosos, não importa por quanto tempo já somos servos dedicados de Jeová. (1 Cor. 10:12, 13) Não somente devemos acatar a admoestação de Lucas 11:9, de ‘persistir em pedir, buscar e bater’, mas, também, conforme Jesus salientou como necessário nestes dias, temos de ‘persistir em olhar, em manter-nos despertos e vigilantes’. Isto requer uma persistência total, resistir às pressões da apatia e da oposição vindas de fora, e também vencer as fraquezas de dentro. — Mar. 13:32-37; 14:38.
17. Acima de tudo, em que sentido devemos orar, seguindo o exemplo de quem?
17 Persista a orar com fé para que se mostre fiel e não recue. (Heb. 10:39) Quando sofre uma severa provação, continue a orar, assim como Jesus fez na sua hora de maior necessidade, a fim de que, acima de tudo, se faça a vontade de Deus. (Mat. 26:38-44) Deus agrada-se bem de tais orações. Ele permite que nós, como peticionários, demonstremos a profundeza de nossa preocupação, a intensidade de nosso desejo e a genuinidade de nossa motivação. Embora seja longânime, executará velozmente a justiça, quando chegar o tempo certo. — Sal. 55:16, 17; Rom. 1:9-12.
‘MANTENHA-SE DESPERTO, FAZENDO TODO O TEMPO SÚPLICA’
18. (a) Que advertência e exortação clara deu Jesus na conclusão de sua profecia? (b) De que maneira podemos escapar de tudo o que está ‘destinado a ocorrer’?
18 Em harmonia com o precedente, o Evangelho de Lucas registra como Jesus, concluindo sua profecia referente tanto aos seus dias como aos nossos, advertiu contra os excessos e contra nosso coração ficar ‘sobrecarregado com o excesso no comer, e com a imoderação no beber, e com as ansiedades da vida, e aquele dia [do julgamento final] venha sobre nós instantaneamente como um laço’. Ele disse então claramente: “Mantende-vos despertos, fazendo todo o tempo súplica [para que fim?] para que sejais bem sucedidos em escapar de todas estas coisas que estão destinadas a ocorrer, e em ficar em pé diante do Filho do homem.” (Luc. 21:34-36) Isto não significa que seremos retirados do cenário da ação, mas, antes, que temos de evitar ser ‘apanhados desprevenidos’, como num laço, ou de nos encontrarmos no lado errado. Antes, temos de orar seriamente, todo o tempo, e esforçar-nos a agir em harmonia com nossas orações, para que sejamos achados como estando com aprovação “em pé diante do Filho do homem”.
19. Que perguntas podemos fazer a nós mesmos, com proveito, a respeito da oração, e como nos ajuda o exemplo de Neemias?
19 Em vista de todas estas muitas advertências para persistirmos e nunca desistirmos, quantas vezes ora você? Apenas em ocasiões específicas, como nas refeições ou nas reuniões? São as suas orações apenas mentais, expressas pelos lábios, ou persiste em ‘fazer súplica’ e em rogar seriamente, de coração, talvez ocasionalmente com “gemidos não pronunciados”? (Rom. 8:26) Qualquer que seja a necessidade, poderá fazer assim como Neemias fez perante o rei, sem ser observado: “Orei imediatamente ao Deus dos céus.” (Nee. 2:4) Sua oração de fé recebeu resposta. Lembre-se também de que, embora possa receber ajuda pelas orações de outros, ninguém pode realmente substituí-lo na oração.
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Mantenha uma preciosa relaçãoA Sentinela — 1979 | 15 de dezembro
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Mantenha uma preciosa relação
“Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós.” — Tiago 4:8.
1, 2. (a) De que maneira é Jeová dador generoso? (b) Em que perigo está aquele que duvida, e como se pode evitar isso? (c) Pode a fé aumentar, e é ela mais do que apenas um processo mental?
JEOVÁ é dador generoso. Já ficamos sabendo, do relato de Lucas, que Jeová responde às petições daqueles que persistem em oração e que continuam vigilantes. E também outros escritores bíblicos foram inspirados a dar conselho prático sobre os assuntos intimamente relacionados da oração e da fé.
2 Tiago, por exemplo, logo no começo de sua carta, lembra-nos que devemos ‘persistir em pedir a Deus’ sabedoria para enfrentar e suportar as diversas provações. Ele admoesta e adverte: “Mas, persista ele em pedir com fé, em nada duvidando.” Quem persiste em duvidar é “homem indeciso [em grego: “de alma dúplice”]” e não recebe nada de Jeová. Antes, queremos que a nossa fé tenha a qualidade mencionada por Tiago: “Esta qualidade provada da vossa fé produz perseverança.” (Tia. 1:3-8)a Embora a nossa fé, no começo, talvez não seja tão grande como a de Abraão, ela pode aumentar e sempre tem de ser genuína, não meio a meio. Diga-se de nós assim como Paulo escreveu: “A vossa fé está crescendo sobremaneira e o amor de cada um de vós está aumentando de uns para com os outros.” A verdadeira fé não é mero processo mental, mas, conforme também escreveu Paulo: ‘Exerça fé no coração.’ Temos de ter boa motivação, resultando em boas obras. — Rom. 4:20; 10:9, 10; 2 Tes. 1:3.
3. Que verdades são trazidas à nossa atenção, em Tiago 4:7, 8, por meio de contrastes?
3 Confirmando o precedente, Tiago escreveu mais adiante: “Limpai as vossas mãos, ó pecadores, e purificai os vossos corações, ó indecisos.” Antes disso, Tiago fez certos contrastes, assim como Jesus, a fim de fazer entender verdades que precisavam ser enfatizadas: “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas oponde-vos ao Diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós.” — Tia. 4:7, 8.
4. (a) Chegar-se a alguém requer que espécie de ação, com que motivação? (b) Será que Deus dá mais do que apenas boa acolhida a tal? E que provisões já foram feitas em benefício de todos?
4 Quanto incentivo para estarmos decididos de modo certo, e, por fim, que exortação animadora! Pode-se ser decidido e persistente por um senso de dever, mas, chegar-se a alguém requer algo mais profundo. Precisa vir do coração, induzindo a pessoa a fazer empenho e estar pronta a fazer sacrifícios, para conseguir e usufruir a desejada relação pessoal e íntima. Note que Tiago não diz que, se nos chegarmos a Deus, ele, a bem dizer, só está sentado, esperando para nos acolher. Antes, se adotarmos um definitivo proceder pessoal em nos chegar a Deus, ele, da sua parte, também agirá de modo correspondente. Como faz isso? Bem, ele já fez certas boas provisões, incluindo sua Palavra e a dádiva de seu Filho como nosso Redentor, de modo que é possível para homens imperfeitos e pecaminosos se chegarem a ele. Estas provisões estão franqueadas a todos os que desejarem aproveitar-se delas com motivação sincera e verdadeira.
5. Como são os servos dedicados de Deus muitas vezes usados para ajudar aqueles que desejam ‘chegar-se a Deus’?
5 No entanto, será que Jeová faz alguma coisa de natureza mais direta e pessoal? Como acontece em tantos casos, qual é aquela coisa que move e estimula o coração de quem busca a verdade? Mais do que o conhecimento da verdade, não é, além disso, o genuíno e cordial interesse pessoal mostrado por aquele que está sendo usado como ministro de Deus? (1 Cor. 3:5) Quando aquele que busca a verdade assiste à sua primeira reunião das Testemunhas de Jeová, ele talvez não entenda muito do que se diz, mas fica de novo profundamente impressionado com o sincero ambiente amigável demonstrado por todos, além de com a atenção pessoal e a acolhida que recebe. É desta maneira que ele sente que, em resposta aos seus próprios esforços de buscar a verdade e o Dador da verdade, Deus se chega agora a ele. Ao passo que progride, sente outras evidências da direção e bênção de Deus, porque Ele dá ‘generosamente e sem censurar’. — Tia. 1:5.
6. Como somente se torna isso possível, e o que se precisa ter em mente?
6 Enquanto o buscador da verdade está sendo guiado passo a passo no caminho da justiça, ele chega a reconhecer quão grande é o privilégio de ser usado por Jeová como um de seus representantes para ajudar mais outros. Isto se torna possível por causa do derramamento de seu espírito no nosso coração, para podermos demonstrar os frutos deste espírito e dar exemplo de verdadeiro amor semelhante ao de Deus. — Gál. 5:22, 23; 1 João 4:11.
ESTEJA ATENTO, DECIDIDO
7. O que indica o teor geral da carta de Tiago?
7 Tiago escrevia a cristãos dedicados, que haviam dado os passos do arrependimento e da conversão. Haviam dado meia-volta de seu anterior proceder pecaminoso e se haviam dedicado a Jeová, sem reserva, para fazer doravante a Sua vontade. Conforme indicado pelo teor geral da carta de Tiago, muitos não viviam segundo os termos de sua dedicação. Não faziam caso da necessidade de manter esta relação com Jeová numa condição salutar.
8. (a) Por que não podem ser presumidas as relações? (b) Com respeito a que estava Tiago ansioso de ajudar os que recaíam?
8 É raro, se é que acontece, que as relações permaneçam estacionárias. Não podem ser presumidas. Ou progridem, mesmo que vagarosamente, e, assim como uma árvore, criam raízes mais profundas, ou então deterioram e começam a murchar. Tanto os frutos como a folhagem sofrem em resultado disso. (Sal. 1:1-3) Isto foi o que aconteceu com a nação do Israel carnal. Antes de ser tarde demais, Tiago estava ansioso de restabelecer os israelitas espirituais que recaíam similarmente. Por isso, ele apresentou-lhes a situação de modo bem claro, contrastando o verdadeiro com o falso, quanto às espécies diferentes de sabedoria, e também de amizade, conforme explicou em Tiago 3:13-18 e Tiago 4:1-6. Daí, segue-se o apelo já mencionado, em Tiago 4:7, 8. Ele é similar ao modo em que Jeová apelou para o Israel carnal, conforme lemos em Isaías 55:6, 7, e Malaquias 3:6, 7.
9. (a) Qual é um método de ataque usado pelo Diabo, e como se aplica isso nos tempos modernos? (b) Que conselho encorajador deu Pedro neste respeito?
9 Será que hoje prevalece a mesma situação, até certo ponto? Os preditos “tempos críticos, difíceis de manejar”, certamente existem agora, com crescentes pressões e perigos de toda espécie, que afligem as pessoas em toda a parte, especialmente os verdadeiros cristãos, que estão na ‘estrada apertada que conduz à vida’. (Mat. 7:14; 2 Tim. 3:1-5) O Diabo usa dois métodos principais de ataque. Às vezes, conforme escreveu Pedro, ele age “como leão que ruge, procurando a quem devorar”, depois de fazer-nos abandonar essa estrada, por medo. (1 Ped. 5:8) Ele provoca situações ameaçadoras, quer em escala nacional, quer no nível mais pessoal, com o objetivo de obrigar-nos a transigir, senão para que abandonemos completamente nossa posição quanto à consciência cristã e aos princípios bíblicos. Nossa vida diária e até mesmo a própria vida podem estar em jogo por causa das questões difíceis do emprego ou da neutralidade. Conforme já mencionado, é nisto que surge a necessidade de persistirmos na oração por sabedoria para ter discernimento e por força para aplicar esses princípios bíblicos. Este é o motivo de Pedro passar a exortar: “Mas, tomai vossa posição contra ele [o Diabo], sólidos na fé . . . Depois de terdes sofrido por um pouco, o próprio Deus de toda a benignidade imerecida . . . completará o vosso treinamento; ele vos fará firmes, ele vos fará fortes.” — 1 Ped. 5:9, 10.
10, 11. (a) Que outro método é usado por Satanás, e como é hoje exemplificado, levando a que perigo? (b) Portanto, em que sentido devemos estar atentos e decididos?
10 O outro método de ataque do Diabo é mais sutil. Satanás, também, “persiste em transformar-se em anjo de luz”. Ele age igual a uma serpente, não para amedrontar, mas para engodar e seduzir, assim como “a serpente seduziu Eva pela sua astúcia”. (2 Cor. 11:3, 14) Como evidência desta tática, há uma coisa que Satanás sabe, que ele não quer que você saiba, e esta é que o tempo dele é curto. Em resultado da guerra no céu, após o nascimento do reino messiânico, em 1914 E.C., ele, o grande dragão, “foi lançado para baixo, à terra, . . . tendo grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo”. (Rev. 12:1-12) Se puder persuadir especialmente aqueles “que observam os mandamentos de Deus e têm a obra de dar testemunho de Jesus”, de que o “tempo do fim”, afinal, não é tão curto assim, então terá ganho metade da batalha. (Rev. 12:17) Muitos perderiam o senso de urgência e deixariam de ficar bem despertos. Poderíamos ficar facilmente ocupados completamente com os empenhos normais da vida cotidiana. Nisto, certamente, temos de aprender a encarar as coisas do ponto de vista de Jeová e a tentar reconhecer como ele conta o tempo, lembrando-nos das palavras de Pedro: “Mas tem-se aproximado o fim de todas as coisas. Sede ajuizados, portanto, e sede vigilantes, visando as orações.” — 1 Ped. 4:7; 2 Ped. 3:8, 9.
11 Ambos os escritores bíblicos, Tiago e Pedro, expressaram muita coisa que nos ajuda e incentiva a estar atentos e decididos de maneira certa, de bom coração, e prestando bem atenção às orações e à fé.
ORE PELOS QUE SOFREM NECESSIDADES
12. (a) Como desenvolve finalmente Tiago o assunto da oração? (b) De que modo são ajudados tanto os superintendentes como os que sofrem necessidades?
12 Na conclusão de sua carta, Tiago desenvolve ainda mais o assunto da oração em conexão com a fé, e dum ângulo diferente. Qualquer que seja a situação, quer ‘sofrendo o mal’, quer ‘bem animados’, devemos dirigir-nos a Deus em oração ou em louvor. Ele fala então sobre orar pelos que sofrem necessidades. Diz-se ao doente, que evidentemente sofre de modo espiritual, sendo mental e emocionalmente afetado, que “chame a si os anciãos da congregação, e orem sobre ele”. Isto, em si mesmo, já é um indício de fé por sua parte e que ele sabe onde buscar ajuda. Não se chama o médico a menos que se tenha certo grau de fé nele. Agora, note o bom resultado da adoção de tal proceder: “E a oração de fé fará que o indisposto fique bom, e Jeová o levantará. Também, se ele tiver cometido pecados, ser-lhe-á isso perdoado.” (Tia. 5:13-15) Isto certamente fornece bom indício e orientação tanto aos em necessidade como aos superintendentes, que devem estar prontos e dispostos a servir de meio para suprir essas necessidades.
13. Como usa Tiago a Elias qual exemplo notável neste respeito?
13 Tiago amplia isto e diz, pensando nos superintendentes e em outros irmãos maduros, que “a súplica do justo, quando em operação, tem muita força”. Em apoio disso, ele cita o notável caso das respostas às orações de Elias, primeiro “para que não chovesse”, período que durou três anos e seis meses, e depois pelo recomeço das chuvas. E Elias não era super-homem. Era “homem com sentimentos iguais aos nossos”. — Tia. 5:16-18.
14. Como palavra final, que incentivo adicional é dado por Tiago?
14 Em conclusão, provendo mais incentivo para se estar atento a ajudar, no possível, mesmo aos que estão sendo ‘desencaminhados da verdade’, ele diz que “aquele que fizer um pecador voltar do erro do seu caminho salvará a sua alma da morte e cobrirá uma multidão de pecados”. (Tia. 5:19, 20) Que conclusão consoladora! Ela é bem semelhante à descrição que Jeová fez de si mesmo: “Deus misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência e em verdade, . . . perdoando o erro, e a transgressão, e o pecado.” — Êxo. 34:6, 7.
15. De maneira similar, que duas maneiras menciona Judas para se ajudar os em necessidade?
15 É interessante que Judas termina sua carta num teor similar, falando sobre “edificando-vos na vossa santíssima fé e orando com espírito santo”. Ele enfatiza também que é preciso estar atento a ajudar os necessitados de maneira bondosa, mas urgente: “Continuai . . . a mostrar misericórdia para com alguns que têm dúvidas; salvai-os por arrebatá-los do fogo. Mas continuai a mostrar misericórdia para com os outros, fazendo-o com temor, ao passo que odiais até mesmo a roupa interior que tiver sido manchada pela carne.” (Judas 20-23) Portanto, temos nisso novamente uma exortação aos que são maduros. Se souber de alguém que tem dúvidas ou que tropeçou, caindo na impureza, não o rejeite prontamente, mas arrebate-o do fogo, se possível, cuidando para que você mesmo não se queime ou seja de algum modo contaminado.
‘OLHE ATENTAMENTE . . . CONSIDERE DE PERTO’
16, 17. No livro de Hebreus, em que base faz Paulo muitas comparações, levando a que conclusões?
16 O apóstolo Paulo foi usado como escritor da maioria das cartas nas Escrituras Gregas Cristãs. Sua carta aos cristãos hebreus provê muita ajuda prática e orientação para a edificação duma fé verdadeira e forte, levando a uma relação íntima com Jeová e Cristo Jesus.
17 Compreensivelmente, na carta acima, Paulo faz muitas comparações entre os judeus que compunham o Israel carnal e os judeus que se tornaram os primeiros membros da congregação cristã e que compunham o Israel espiritual, ao qual se acrescentaram mais tarde os gentios. Baseado nestas comparações, Paulo mostra como os cristãos hebreus usufruíam muitas vantagens sobre os do Israel carnal, mas que isto trouxe consigo também maior responsabilidade. Todos os verdadeiros cristãos, hoje em dia, não importa qual a sua origem, podem igualmente aplicar estas coisas a si mesmos e tirar proveito disso.
18. Que aviso contra o escusar-se é repetido nesta carta, com que base na história de Israel?
18 Antes disso, Paulo salientou o ponto de que, se a palavra falada por meio de anjos, quando se deu a Lei a Israel, tinha de ser tratada com o maior respeito, então, “como escaparemos nós, se tivermos negligenciado uma salvação de tal magnitude, sendo que começou a ser anunciada por intermédio do nosso Senhor” Jesus? (Heb. 2:1-3; Gál. 3:19) Uma advertência similar é dada perto do fim da carta. Depois de falar sobre o que aconteceu no monte Sinai, Paulo escreve: “Porque, se não escaparam aqueles que se escusaram daquele que dava aviso divino na terra, muito menos ainda [escaparemos] nós, se nos desviarmos daquele que fala desde os céus.” — Heb. 12:25.
19. Portanto que comentários pertinentes e úteis são feitos em Hebreus 3:12-15; 12:25-29?
19 É nisso que a nossa fé precisa ser verdadeira, para ter a exigida qualidade provada. O que está envolvido é o coração. Depois de citar o comentário de Deus sobre Israel, de que “eles sempre se perdem nos seus corações”, Paulo dá o seguinte forte aviso em nosso benefício: “Acautelai-vos, irmãos, para que nunca se desenvolva em nenhum de vós um coração iníquo, falto de fé, por se separar do Deus vivente.” Não podemos ficar parados. Se não nos ‘chegarmos a Deus’ em crescente fé, ao passo que o apreciamos mais plenamente, então estaremos em perigo de ‘ficar endurecidos pelo poder enganoso do pecado’ e de começar a afastar-nos, não nos dando conta do que está acontecendo. Devemos ajudar-nos mutuamente neste respeito e ‘persistir em exortar-nos uns aos outros cada dia’. Venceremos “somente se fizermos firme o nosso apego à confiança que tivemos no princípio, firme até o fim”. Esta firme confiança, esta inabalável fé, precisa ser mantida para herdarmos o “reino que não pode ser abalado”, junto com suas bênçãos. — Heb. 3:10-14; 12:28.
20. Além de enfatizar a fé, como nos incentiva Paulo nesta carta, com respeito à oração?
20 Paulo exorta-nos também com respeito à oração, e para olharmos “atentamente para o Agente Principal e Aperfeiçoador da nossa fé, Jesus. . . . Deveras, considerai de perto aquele que aturou tal conversa contrária da parte de pecadores contra os próprios interesses deles, para que não vos canseis nem desfaleçais nas vossas almas”. Em vista de tudo aquilo por que teve de passar, pode compadecer-se das nossas fraquezas, embora ele mesmo não tivesse pecado, e por meio dele podemos ter acesso ao “trono de benignidade imerecida” e achar ajuda no tempo certo. — Heb. 4:15, 16; 12:2, 3.
21. Onde e como Paulo relaciona intimamente a oração com a “armadura” suprida por Deus, levando a que conclusão?
21 Por fim, conforme Paulo escreveu aos efésios, tenha em mente que ‘as orações em espírito, em todas as ocasiões’, estão intimamente relacionadas com o revestimento da “armadura completa de Deus”. E, igual a Paulo, devemos orar por nós mesmos e pelos outros, para que tenhamos “a capacidade de falar, . . . a fim de tornar conhecido o segredo sagrado das boas novas, . . . com denodo”. — Efé. 6:10-20.
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