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Quão significativas são as suas orações?A Sentinela — 1987 | 15 de julho
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Quão significativas são as suas orações?
“Clamei de todo o meu coração. Responde-me, ó Jeová.” — SALMO 119:145.
1, 2. (a) Que parábola de Jesus trata da oração? (b) Que conclusão tirou Jesus das duas orações, e o que nos deve mostrar isso?
QUE espécie de orações ouve o Criador, Jeová Deus? Uma parábola contada por Jesus Cristo indica uma das condições básicas para Deus responder a orações. Jesus disse que dois homens oravam no templo em Jerusalém. Um deles era um altamente respeitado fariseu, e o outro era um desprezado cobrador de impostos. O fariseu orou: “Ó Deus, agradeço-te que não sou como o resto dos homens,. . . ou mesmo como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana, dou o décimo de todas as coisas que adquiro.” Mas o humilde cobrador de impostos “batia no peito, dizendo: ‘Ó Deus, sê clemente para comigo pecador’”. — Lucas 18:9-13.
2 Comentando essas duas orações, Jesus disse: “Digo-vos: Este homem [o cobrador de impostos] desceu para sua casa provado mais justo do que aquele homem [o fariseu]; porque todo o que se enaltecer será humilhado, mas quem se humilhar será enaltecido.” (Lucas 18:14) É evidente que Jesus mostrou que não basta apenas orar ao nosso Pai celestial. Também é importante como oramos — nossa atitude mental.
3. (a) Cite algumas regras básicas que governam a oração. (b) Que formas pode assumir a oração?
3 A oração, de fato, é um privilégio precioso, ponderoso e sério, e todos os cristãos bem informados conhecem as regras básicas que a governam. As orações precisam ser dirigidas ao único Deus verdadeiro, Jeová. Precisam ser feitas em nome do seu Filho, Jesus Cristo. Para serem aceitáveis, têm de ser feitas com fé. Sim, “aquele que se aproxima de Deus tem de crer que ele existe”. Além disso, as orações precisam estar em harmonia com a vontade de Deus. (Hebreus 11:6; Salmo 65:2; Mateus 17:20; João 14:6, 14; 1 João 5:14) E aprendemos dos exemplos bíblicos que as orações podem assumir a forma de louvor, agradecimento, petição e súplica. — Lucas 10:21; Efésios 5:20; Filipenses 4:6; Hebreus 5:7.
Exemplos de Orações Significativas
4. (a) Que exemplos de orações significativas proveram Moisés e Josué? (b) Que exemplos deram Davi e o Rei Ezequias? (c) Que característica em comum tiveram diversas dessas orações?
4 Quando nos confrontamos com pesados problemas, temos de fazer decisões sérias, cometemos graves erros ou nossa vida está ameaçada, é especialmente então que nossas orações se tornam fervorosas e significativas. Visto que os israelitas se rebelaram depois de ouvir o relatório negativo dos dez espias infiéis, Jeová disse a Moisés que o povo merecia ser eliminado. Moisés, numa oração fervorosa e significativa, rogou a Jeová a não tomar esta ação, porque Seu nome estava envolvido. (Números 14:11-19) Quando Israel foi derrotado em Ai, por causa da ganância de Acã, Josué fez uma ardente súplica, também à base do nome de Jeová. (Josué 7:6-9) Muitos dos salmos de Davi têm a forma de fervorosas orações, dos quais um exemplo notável é o Salmo 51. A oração do Rei Ezequias, por ocasião da invasão de Judá pelo rei assírio Senaqueribe, é outro belo exemplo de oração significativa, e novamente envolvia o nome de Jeová. — Isaías 37:14-20.
5. Que outros exemplos de orações significativas temos, conforme feitas por certos servos de Jeová?
5 Poderia dizer-se que o livro de Lamentações é uma oração longa e fervorosa de Jeremias a favor de seu povo, porque se dirige repetidas vezes a Jeová. (Lamentações 1:20; 2:20; 3:40-45, 55-66; 5:1-22) Esdras e Daniel também fizeram orações significativas e fervorosas a favor de seu povo, confessando os erros da sua nação e rogando perdão. (Esdras 9:5-15; Daniel 9:4-19) E podemos ter a certeza de que a oração que Jonas fez enquanto estava no ventre do enorme peixe foi fervorosa e significativa. — Jonas 2:1-9.
6. (a) Que exemplos de orações significativas nos deu Jesus? (b) Que fator básico é necessário para que nossas orações sejam significativas?
6 Antes de escolher os 12 apóstolos, Jesus passou a noite toda em oração, para que se fizesse a vontade de seu Pai na escolha. (Lucas 6:12-16) Há também a significativa oração de Jesus na noite em que foi traído, conforme registrada em João, capítulo 17. Todas essas orações dão eloqüente testemunho da excelente relação com Jeová Deus usufruída por aqueles que as fizeram. Sem dúvida, esta deve ser um fator básico nas nossas orações, se hão de ser significativas. E elas precisam ser fervorosas e significativas se hão de ter “poder” perante Jeová Deus. — Tiago 5:16, A Bíblia de Jerusalém.
Falhas Devidas à Imperfeição Humana
7. Que perguntas poderíamos fazer a nós mesmos sobre as nossas orações?
7 Conforme se observou, quando estamos sob tensão, nossas orações provavelmente são especialmente fervorosas e significativas. Mas que dizer de nossas orações de cada dia? Evidenciam a relação cordial e íntima que sentimos ter com o nosso Pai celestial, Jeová Deus? Alguém disse muito bem: “A oração tem de significar algo para nós para significar algo para Deus.” Damos às nossas orações a reflexão que merecem, e certificamo-nos de que venham mesmo de nosso coração figurativo?
8. Que falhas talvez tenham as nossas orações por causa da imperfeição humana?
8 É fácil deixarmos nossas orações deteriorar neste sentido. Por causa das nossas inclinações imperfeitas herdadas, nosso coração pode facilmente enganar-nos, privando nossas orações das qualidades que deviam ter. (Jeremias 17:9) A menos que, na maioria dos casos, paremos e pensemos antes de orar, poderemos verificar que temos a tendência de nossas orações se tornarem mecânicas, estereotipadas e rotineiras. Ou podem tornar-se repetitivas, o que faz lembrar aquilo que Jesus disse a respeito da maneira imprópria de ‘os das nações orarem’. (Mateus 6:7, 8) Ou nossas orações podem tratar apenas de generalidades, em vez de tratar de assuntos ou pessoas específicos.
9. Que outras armadilhas podem surgir com respeito às nossas orações, e o que, sem dúvida, é um motivo de tais armadilhas?
9 Ocasionalmente, talvez estejamos inclinados a fazer as orações apressadamente. Mas, vale a pena notar a seguinte observação: “Se você estiver ocupado demais para orar, então está mesmo ocupado demais.” Não devemos querer decorar certas palavras e simplesmente repeti-las cada vez que oramos; tampouco deve ser necessário que uma Testemunha de Jeová leia sua oração, como no caso duma assembléia pública. Sem dúvida, todas essas armadilhas surgem, pelo menos em parte, do fato de não podermos fisicamente ver a Jeová Deus, Aquele a quem oramos. Todavia, não podemos esperar que ele se agrade de tais orações, nem tiramos proveito de fazê-las.
Como Superar as Falhas
10. (a) Que atitude trairia falta da avaliação correta da importância da oração? (b) Que caso bíblico é mencionado?
10 Poderemos prevenir-nos contra as armadilhas mencionadas na medida em que soubermos avaliar a importância das nossas orações diárias e de termos uma boa relação com o nosso Pai celestial. Em primeiro lugar, tal avaliação nos ajudará a nos prevenirmos contra fazer apressadamente nossas orações, como se precisássemos passar para coisas mais importantes. Nada pode ser mais importante do que dirigir-nos ao Soberano Universal, Jeová Deus. É verdade que pode haver ocasiões em que o tempo é limitado. Por exemplo, quando o Rei Artaxerxes perguntou ao seu copeiro Neemias: “O que é que estás procurando obter?”, Neemias ‘orou imediatamente ao Deus dos céus’. (Neemias 2:4) Visto que o rei esperava obter uma resposta imediata, Neemias não podia demorar nessa oração. Mas, podemos estar certos de que ela era significativa e provinda do coração, porque Jeová respondeu a ela imediatamente. (Neemias 2:5, 6) Exceto em tais ocasiões raras, porém, devemos tomar tempo para as nossas orações e deixar as outras coisas esperar. Se as nossas orações tendem a ser apressadas, não avaliamos plenamente a importância da oração.
11. Contra que outra armadilha precisamos prevenir-nos, e que belo exemplo deu Jesus neste respeito?
11 Outra armadilha que talvez tenhamos de evitar é a de repetir generalidades. Essas orações tampouco fazem justiça ao precioso privilégio da oração. Jesus, na sua oração-modelo, nos deu um bom exemplo neste respeito. Mencionou sete petições distintas: três têm que ver com o triunfo da justiça, uma com as nossas necessidades físicas diárias, e três com o nosso bem-estar espiritual. — Mateus 6:9-13.
12. Que bom exemplo deu Paulo quanto a sermos específicos nas nossas orações?
12 Também o apóstolo Paulo nos deu um bom exemplo neste respeito. Ele pediu que outros orassem por ele, ‘para que lhe fosse dada a capacidade de falar com denodo’. (Efésios 6:18-20) Ele era igualmente específico nas suas próprias orações a favor de outros. “Isto é o que continuo a orar”, disse Paulo, “que o vosso amor abunde ainda mais e mais com conhecimento exato e pleno discernimento; que vos certifiqueis das coisas mais importantes, para que sejais sem defeito e não façais outros tropeçar, até o dia de Cristo, e estejais cheios de fruto justo, que é por intermédio de Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus”. — Filipenses 1:9-11.
13. Como podemos fazer orações significativas referentes aos nossos diversos serviços prestados a Jeová?
13 Sim, as nossas orações devem tratar de coisas específicas, e isto requer que reflitamos nas nossas orações. (Veja Provérbios 15:28.) Enquanto estamos no ministério de campo, poderemos pedir a Deus não apenas a sua bênção sobre os nossos esforços, mas também sabedoria, tato, magnanimidade, franqueza no falar, ou ajuda para qualquer fraqueza que possa interferir na nossa eficácia em dar testemunho. Além disso, não poderíamos pedir que Deus nos conduza àqueles que estão famintos e sedentos da justiça? Pouco antes de proferir um discurso público ou ter parte numa Reunião de Serviço, ou na Escola do Ministério Teocrático, podemos rogar que Jeová nos dê abundantemente seu espírito santo. Por quê? Para que tenhamos confiança e equilíbrio, para que falemos com fervor e convicção, a fim de dar honra ao nome de Deus e edificar nossos irmãos. Todas essas orações contribuem também para termos a atitude mental correta ao falar.
14. Qual deve ser nossa atitude para com as fraquezas carnais que são difíceis de vencer?
14 Temos alguma fraqueza carnal que guerreia contra a nossa espiritualidade e parece difícil de vencer? Devemos querer tratar dela especificamente nas nossas orações. E longe de ficarmos desanimados, nunca devemos cansar-nos de pedir humilde e fervorosamente que Deus nos ajude e nos conceda perdão. Sim, em tais circunstâncias, devemos querer dirigir-nos a Jeová assim como a criança se dirige ao pai, quando está em dificuldades, não importa quantas vezes seja que oremos a Ele sobre a mesma fraqueza. Se formos sinceros, Jeová nos dará ajuda e a percepção de que nos perdoou. Em tais circunstâncias, podemos também derivar consolo da confissão do apóstolo Paulo, de que ele tinha um problema. — Romanos 7:21-25.
Ajudas Para se Fazerem Orações Significativas
15. Com que atitude mental devemos dirigir-nos a Jeová Deus em oração?
15 Para nossas orações serem realmente significativas, temos de fazer empenho de tirar da mente todas as outras considerações não relacionadas e concentrar-nos no fato de que nos chegamos à presença do Grande Deus, Jeová. Temos de dirigir-nos a ele com profundo respeito, reconhecendo a reverência que sua pessoa inspira. Conforme Jeová disse a Moisés, nenhum homem pode ver a Deus e continuar vivendo. (Êxodo 33:20) De modo que precisamos dirigir-nos a Jeová com a devida humildade e modéstia, que é um dos pontos enfatizados por Jesus na sua parábola do fariseu e do cobrador de impostos. (Miquéias 6:8; Lucas 18:9-14) Jeová tem de ser bem real para nós. Temos de ter a mesma atitude mental de Moisés. “Permanecia constante como que vendo Aquele que é invisível.” (Hebreus 11:27) Tais características dão testemunho de que temos uma boa relação com o nosso Pai celestial.
16. Que papel desempenha nosso coração em fazermos orações significativas?
16 Nossas orações também serão significativas se nos dirigirmos a Jeová com o coração cheio de amor e de afeição por ele. Por exemplo, quanto apreço por Jeová Deus e quanto amor a ele expressou o salmista Davi nos Salmos 23 e 103! Não há dúvida sobre Davi ter tido uma excelente relação com seu Grande Pastor, Jeová Deus. Na Escola do Ministério Teocrático, somos aconselhados a falar com cordialidade e sentimento. Isto se deve dar especialmente quando lemos textos, e ainda mais quando oramos ao nosso Pai celestial. Sim, queremos sentir-nos como Davi, quando orou: “Faze-me saber os teus próprios caminhos, ó Jeová; ensina-me as tuas próprias veredas. Faze-me andar na tua verdade e ensina-me, pois tu és o meu Deus de salvação.” Outro indício de como nos devemos sentir são as seguintes palavras de mais um salmista: “Clamei de todo o meu coração. Responde-me, ó Jeová.” — Salmo 25:4, 5; 119:145.
17. Como podemos impedir que nossas orações se tornem repetitivas?
17 Para mantermos nossas orações significativas e evitarmos torná-las repetitivas faremos bem em variar as idéias que contêm. O texto bíblico para o dia ou alguma publicação cristã que estejamos lendo podem dar-nos idéias. O tema da lição da Sentinela, do discurso público, da assembléia ou do congresso a que assistimos pode servir para tal fim.
18. Para tornar nossas orações mais significativas, o que poderíamos fazer em harmonia com palavras e exemplos bíblicos?
18 A fim de nos ajudar a termos uma disposição mental mais voltada para a oração e tornar nossas orações mais significativas, convém mudar de posição. Nas orações públicas, naturalmente inclinamos a cabeça. Mas nas orações mais pessoais, alguns acham bom ajoelhar-se perante Jeová ao orar individualmente ou como família, porque acham esta postura conducente a se ter uma atitude mental humilde. No Salmo 95:6 somos exortados: “Entrai, adoremos e dobremo-nos; ajoelhemo-nos diante de Jeová, Aquele que nos fez.” Salomão ajoelhou-se quando fez a sua oração na dedicação do templo de Jeová, e Daniel tomou por hábito ajoelhar-se ao orar. — 2 Crônicas 6:13; Daniel 6:10.
19. Aqueles que têm a responsabilidade de orar em público fariam bem em ter que fatos em mente?
19 Em vista da importância da oração, os anciãos designados devem usar de bom juízo na escolha dos que fazem uma oração pública a favor da congregação. O homem batizado que representa a congregação deve ser ministro cristão maduro. Sua oração deve revelar que tem uma boa relação com Deus. E os privilegiados a fazer tais orações devem pensar em ser ouvidos, porque não oram apenas por si mesmos, mas também a favor de toda a congregação. Senão, como podem os demais da congregação participar em dizer “amém” no fim da oração? (1 Coríntios 14:16) Naturalmente, para os demais poderem dizer um significativo “amém”, precisam escutar com atenção, não deixar a mente vagar, mas tornar a oração realmente sua própria. Outra palavra de cautela que se poderia acrescentar é que, visto tais orações serem feitas a Jeová Deus, não devem ser usadas como desculpa para pregar aos ouvintes ou para apresentar algumas idéias puramente pessoais.
20. Que sugestão se dá, visto que orações significativas feitas em voz alta transmitem uma bênção aos ouvintes?
20 Quando nossas orações, feitas em voz alta, são realmente significativas, elas transmitem uma bênção aos ouvintes. Por ser assim, os casais e as famílias fariam bem em fazer todo dia pelo menos uma oração em conjunto. Neste caso, uma pessoa, tal como o chefe da família, falaria pelo cônjuge ou pelos demais.
21. Para que nossas orações sejam significativas, que outro assunto merece consideração?
21 Para nossas orações serem realmente significativas, há ainda outro assunto que merece nossa atenção. É o de sermos coerentes com respeito às nossas orações. O que quer dizer isso? Significa que devemos viver em harmonia com as nossas orações e esforçar-nos naquilo em prol de que oramos. Este aspecto de nossas orações será considerado no artigo seguinte.
Qual É a Sua Resposta?
◻ Quais são algumas das orações significativas registradas nas Escrituras?
◻ Por causa da imperfeição humana, que falhas poderiam ter nossas orações?
◻ Como podemos vencer certas falhas nas nossas orações?
◻ Quais são algumas ajudas para fazermos orações significativas?
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Orações requerem obrasA Sentinela — 1987 | 15 de julho
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Orações requerem obras
“Jeová está longe dos iníquos, mas ouve a oração dos justos.” — PROVÉRBIOS 15:29.
1. Qual é uma das condições a serem satisfeitas, se Deus há de responder às nossas orações?
TODOS os requisitos de Jeová são sábios, justos e amorosos. De modo algum são penosos. (1 João 5:3) Isto inclui seus requisitos a respeito da oração, um dos quais sendo que temos de levar uma vida em harmonia com as nossas orações. Nosso proceder tem de agradar a Jeová Deus. Senão, como podemos esperar que ele considere com favor as nossas petições e súplicas?
2, 3. Por que não respondia Jeová às orações dos israelitas, conforme se nota nas palavras de Isaías, Jeremias e Miquéias?
2 Este é um aspecto da oração que é desconsiderado pela maioria das pessoas da cristandade, assim como foi desconsiderado pelos israelitas apóstatas nos dias de Isaías. Foi por isso que Jeová mandou que seu profeta o representasse em dizer: “Embora façais muitas orações, não escuto. . . Lavai-vos; limpai-vos; removei a ruindade das vossas ações de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem.” (Isaías 1:15-17) Sim, se aqueles israelitas quisessem ter o favor de Deus, teriam de agir dum modo que agradasse a Ele. Conforme foi dito muito bem: “Se quiser que Deus o ouça quando ora, terá de ouvi-Lo quando Ele fala.”
3 De fato, Jeová Deus repetidas vezes achou necessário lembrar essas verdades ao seu povo Israel. De modo que lemos: “Quem desvia seu ouvido de ouvir a lei — até mesmo sua oração é algo detestável” a Deus. “Jeová está longe dos iníquos, mas ouve a oração dos justos.” (Provérbios 28:9; 15:29) Por causa desta situação, Jeremias lamentou: “Com uma massa de nuvem impediste a aproximação a ti [Jeová], para que não passasse nenhuma oração.” (Lamentações 3:44) De fato, cumpriu-se a advertência que Miquéias foi inspirado a dar: “Clamarão a Jeová por socorro, mas ele não lhes responderá. E naquele tempo esconderá deles a sua face, conforme a maldade que praticaram nas suas ações.” — Miquéias 3:4; Provérbios 1:28-32.
4. O que indica que até mesmo entre os do povo de Jeová há alguns que não reconhecem a necessidade de obras em harmonia com as suas orações?
4 De modo que é necessário que vivamos em harmonia com as nossas orações. É essencial que este fato seja enfatizado hoje em dia? Deveras é, não só por causa da situação existente na cristandade, mas também por causa da situação de alguns do povo dedicado de Jeová. Dos mais de 3.000.000 de publicadores das boas novas no ano passado, mais de 37.000 foram desassociados por conduta imprópria para um cristão. Isto equivale à proporção de cerca de um em 80. É bem provável que a maioria dessas pessoas orassem pelo menos de vez em quando. Mas, agiam em harmonia com as suas orações? De modo algum! Mesmo alguns anciãos, que haviam estado no serviço de tempo integral durante décadas, estavam entre os disciplinados de um ou de outro modo. Quão lastimável! Deveras: “Quem pensa estar de pé, acautele-se para que não caia”, para que não aja dum modo que torne suas orações inaceitáveis para seu Criador. — 1 Coríntios 10:12.
Por Que as Orações Requerem Obras
5. Como temos de provar nossa sinceridade, para que Jeová responda às nossas orações?
5 Para que nossas orações sejam ouvidas por Jeová Deus, não só precisamos estar moral e espiritualmente limpos, mas também temos de provar a sinceridade das nossas orações por fazer empenho por aquilo em prol de que oramos. A oração sozinha não substitui um esforço honesto e inteligente. Jeová não fará por nós aquilo que podemos fazer por nós mesmos pela aplicação séria do conselho da sua Palavra e por seguir a orientação do seu espírito santo. Devemos estar dispostos a fazer tudo o que podemos neste sentido, para que ele tenha uma base para responder às nossas orações. De modo que ‘não devemos pedir mais do que aquilo pelo qual estamos dispostos a fazer empenho’, disse alguém com acerto.
6. Por que dois motivos devemos orar?
6 No entanto, pode-se fazer a pergunta: ‘Por que orar, se temos de fazer empenho por aquilo pelo qual oramos?’ Devemos orar pelo menos por dois bons motivos. Primeiro, pelas nossas orações reconhecemos que todas as boas coisas procedem de Deus. Ele é o Dador de todo bom e perfeito presente — o sol, a chuva, as estações frutíferas, e de tantas outras coisas! (Mateus 5:45; Atos 14:16, 17; Tiago 1:17) Segundo, serem os nossos esforços bem-sucedidos ou não depende da bênção de Jeová. Conforme lemos no Salmo 127:1: “A menos que o próprio Jeová construa a casa, é fútil que seus construtores trabalhem arduamente nela. A menos que o próprio Jeová guarde a cidade, é fútil que o guarda se mantenha alerta.” As seguintes palavras do apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 3:6, 7, destacam o mesmo ponto: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus o fazia crescer; de modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus que o faz crescer.”
Alguns Exemplos Antigos
7, 8. (a) Que incidente na vida de Jacó mostra que ele reconhecia que orações precisam ser acompanhadas por obras? (b) Que exemplo neste respeito proveu o Rei Davi?
7 As Escrituras relatam muitos casos que mostram que os servos fiéis de Jeová se empenhavam por aquilo em prol de que oravam. Consideremos alguns exemplos representativos. Visto que o neto de Abraão, Jacó, obteve a bênção da primogenitura, seu irmão mais velho, Esaú, lhe nutria um ódio assassino. (Gênesis 27:41) Uns 20 anos mais tarde, quando Jacó voltava de Padã-Arã para sua terra natal com uma grande família e muito gado, ele soube que Esaú lhe vinha ao encontro. Lembrando-se da hostilidade de Esaú, Jacó orou fervorosamente a Jeová, pedindo proteção contra o furor de seu irmão. Mas deixou-o ficar nisso? De modo algum. Mandou à sua frente generosos presentes, raciocinando: “Talvez eu possa aplacá-lo com o presente que vai na minha frente.” E assim veio a ser, porque, quando os dois irmãos se encontraram, Esaú abraçou Jacó e o beijou. — Gênesis, capítulos 32, 33.
8 Davi forneceu outro exemplo de se empenhar em prol daquilo pelo qual se ora. Quando seu filho Absalão lhe usurpou o trono, o conselheiro de Davi, Aitofel, lançou sua sorte com Absalão. De modo que Davi fez uma fervorosa súplica para que o conselho de Aitofel fosse frustrado. Será que Davi apenas orou neste sentido? Não, ele mandou que seu conselheiro leal, Husai, se juntasse a Absalão para frustrar o conselho de Aitofel. E foi assim que aconteceu. Absalão agiu segundo o mau conselho dado por Husai, rejeitando o conselho de Aitofel. — 2 Samuel 15:31-37; 17:1-14; 18:6-8.
9. Como mostrou Neemias que reconhecia o princípio de que orações requerem obras?
9 Para a nossa admoestação poderia ser citado ainda outro exemplo, o de Neemias. Ele tinha um grande projeto a executar — reconstruir as muralhas de Jerusalém. Entretanto, muitos inimigos conspiravam contra ele. Neemias tanto orou como agiu, conforme lemos: “Oramos ao nosso Deus e por causa deles mantivemos uma guarda estacionada contra eles, dia e noite.” Daí em diante, metade dos jovens de Neemias manteve-se de prontidão para proteger a outra metade, os que construíam o muro. — Neemias 4:9, 16.
O Exemplo de Jesus
10, 11. Que exemplos dados por Jesus mostram que ele agia em harmonia com as suas orações?
10 Jesus Cristo nos deu um belo exemplo de se empenhar por aquilo pelo qual se ora. Ele nos ensinou a orar: “Santificado seja o teu nome.” (Mateus 6:9) Mas Jesus fazia também tudo o que podia para que seus ouvintes santificassem o nome de seu Pai. Do mesmo modo, Jesus não se limitava a orar: “Pai, glorifica o teu nome.” (João 12:28) Não, ele fazia o que podia para glorificar o nome de seu Pai e para que outros fizessem o mesmo. — Lucas 5:23-26; 17:12-15; João 17:4.
11 Vendo a grande necessidade espiritual das pessoas, Jesus disse aos seus discípulos: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, rogai ao Senhor da colheita [Jeová Deus] que mande trabalhadores para a sua colheita.” (Mateus 9:37, 38) Deixou Jesus a questão só ficar nisso? De modo algum! Logo depois, ele enviou seus 12 apóstolos aos pares numa viagem de pregação, ou de “colheita”. Mais tarde, Jesus enviou 70 evangelizadores para fazer a mesma obra. — Mateus 10:1-10; Lucas 10:1-9.
A Aplicação Deste Princípio
12. Que relação têm as obras com as nossas orações para que Deus nos dê o pão de cada dia?
12 É evidente que Jeová Deus espera que sejamos coerentes, que ajamos em harmonia com as nossas orações, provando assim nossa sinceridade. Jesus mandou-nos orar: “Dá-nos hoje o nosso pão para este dia.” (Mateus 6:11) Portanto, todos os seus seguidores rogam corretamente a Deus neste sentido. Mas, será que esperamos que nosso Pai celestial responda a esta oração sem fazermos alguma coisa a respeito? Claro que não. Por isso, lemos: “O preguiçoso mostra-se almejante” — talvez até mesmo por orar — “mas a sua alma não tem nada”. (Provérbios 13:4) O apóstolo Paulo apresentou o mesmo argumento em 2 Tessalonicenses 3:10, dizendo: “Se alguém não quiser trabalhar, tampouco coma.” A oração pelo pão de cada dia precisa ser acompanhada pela disposição de trabalhar. É interessante notar que Paulo disse sabiamente que aqueles que não ‘quisessem trabalhar’ tampouco comessem. Alguns daqueles que querem trabalhar talvez estejam desempregados, doentes ou idosos demais para trabalhar. Querem mesmo trabalhar, mas isso está fora do seu alcance. Portanto, podem corretamente orar pelo seu pão diário e esperar recebê-lo.
13. O que temos de fazer para que Jeová responda às nossas orações em que pedimos seu espírito santo?
13 Jesus também nos aconselhou a pedir ao seu Pai celestial o espírito santo. Conforme Jesus nos assegura, Deus está mais disposto a dar-nos o espírito santo do que os pais terrenos estão a dar boas coisas aos seus filhos. (Lucas 11:13) Mas, podemos esperar que Jeová Deus nos conceda seu espírito santo de modo milagroso, sem qualquer esforço da nossa parte? De modo algum! Temos de fazer tudo o que podemos para receber espírito santo. Além de orarmos por ele, precisamos nutrir-nos diligentemente da Palavra de Deus. Por quê? Porque Jeová Deus não dá seu espírito santo à parte da sua Palavra, e não podemos esperar receber espírito santo se desconsideramos o canal terrestre que Jeová usa hoje, “o escravo fiel e discreto”, representado pelo Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. Sem a ajuda deste “escravo”, nem entenderíamos o pleno sentido do que lemos, nem saberíamos como aplicar aquilo que aprendemos. — Mateus 24:45-47.
14, 15. (a) Como temos de cooperar, para que Jeová responda às nossas orações por sabedoria? (b) Como é isso corroborado pelo exemplo do Rei Salomão?
14 O princípio, de que orações requerem obras, aplica-se também às seguintes palavras do discípulo Tiago, meio-irmão de Jesus: “Se alguém de vós tiver falta de sabedoria, persista ele em pedi-la a Deus, pois ele dá generosamente a todos, e sem censurar; e ser-lhe-á dada.” (Tiago 1:5; Mateus 13:55) Mas concede-nos Deus tal sabedoria por meio de algum milagre? Não. Em primeiro lugar, temos de ter a atitude correta, como lemos: “Ensinará aos mansos o seu caminho.” (Salmo 25:9) E como ensina Deus os “mansos”? Por meio da sua Palavra. Novamente, temos de fazer esforço para entendê-la e aplicá-la, conforme indica Provérbios 2:1-6: “Filho meu, se aceitares as minhas declarações e entesourares contigo os meus próprios mandamentos, de modo a prestares atenção à sabedoria, com o teu ouvido, para inclinares teu coração ao discernimento; se, além disso, clamares pela própria compreensão e emitires a tua voz pelo próprio discernimento, se persistires em procurar isso como a prata. . . , neste caso entenderás o temor a Jeová e acharás o próprio conhecimento de Deus. Pois o próprio Jeová dá sabedoria.”
15 Quando o Rei Salomão orou pedindo sabedoria e Deus respondeu milagrosamente à sua oração, aplicava-se ali também o princípio de que orações requerem obras? Sim, aplicava-se, porque se requeria de Salomão, como rei de Israel, escrever sua própria cópia da Lei, lê-la diariamente e aplicá-la na sua vida. Mas quando Salomão contrariou as instruções dela, como por multiplicar esposas e cavalos, suas obras não mais estavam em harmonia com as suas orações. Em resultado disso, Salomão tornou-se apóstata e morreu como tal, como “insensato”. — Salmo 14:1; Deuteronômio 17:16-20; 1 Reis 10:26; 11:3, 4, 11.
16. Que ilustração mostra que nossas orações para vencermos fraquezas carnais precisam ser acompanhadas por obras?
16 O princípio de que orações precisam ser acompanhadas por obras aplica-se também quando pedimos a ajuda de Deus para vencer algum hábito arraigado, egoísta. Neste respeito, uma pioneira admitiu ter sido muito dada a ver novelas, vendo-as desde as 11 até às 15:30 horas, todos os dias. Aprendendo dum discurso num congresso de distrito quão prejudiciais são esses programas imorais, ela apresentou a questão em oração a Deus. Mas, levou bastante tempo para ela vencer seu hábito. Por quê? Porque, conforme disse: ‘Eu orava pedindo conseguir vencer este hábito, e depois via assim mesmo esses programas. Por isso, decidi ficar no serviço de campo o dia inteiro, para não cair na tentação. Por fim, cheguei ao ponto de conseguir desligar a TV de manhã e mantê-la desligada o dia inteiro.’ Sim, além de orar para vencer sua fraqueza, ela tinha de se esforçar para vencê-la.
A Oração e Nosso Testemunhar
17-19. (a) Que fatos mostram que as Testemunhas de Jeová têm agido em harmonia com as suas orações? (b) Que exemplo de certa pessoa destaca o mesmo ponto?
17 Em nenhum ponto é mais veraz o princípio de que orações requerem obras do que na pregação do Reino. De modo que todas as Testemunhas de Jeová não somente oram pelo aumento de trabalhadores na colheita, mas também se esforçam neste trabalho. Em resultado disso, têm presenciado fenomenais aumentos em um país após outro. Note apenas um exemplo: Em 1930 havia apenas uma Testemunha de Jeová pregando no Chile. Hoje, aquela uma Testemunha tornou-se não somente mil, mas uns 30.000. (Isaías 60:22) É isto apenas o resultado de orações? Não, envolveu também trabalho. Ora, só em 1986, as Testemunhas de Jeová no Chile devotaram mais de 6.492.000 horas à pregação!
18 O mesmo se dá quando a pregação é proscrita. As Testemunhas não somente oram pelo aumento, mas também passam a atuar às ocultas e continuam pregando. Portanto, apesar da oposição oficial, há aumentos nesses países. Assim, em 33 países em que as Testemunhas de Jeová sofrem tal oposição oficial, devotaram durante o ano de serviço de 1986 mais de 32.600.000 horas à sua pregação e tiveram um aumento de 4,6 por cento!
19 Naturalmente, o princípio de que orações requerem obras aplica-se também individualmente. Talvez oremos a Jeová para conseguir um estudo bíblico domiciliar, mas pode ser que não façamos todo o possível para consegui-lo. Isso se deu com certa pioneira. Tendo apenas um estudo bíblico, orou para ter mais. Deixou ela o assunto só nisso? Não, passou a observar cuidadosamente o seu ministério e verificou que, nas revisitas, ela não levantava a questão de a pessoa ter um estudo bíblico domiciliar. Por fazer empenho neste sentido, logo tinha mais dois estudos bíblicos.
20. Como se pode resumir o princípio de que orações requerem obras?
20 Poderiam ser citados muitos outros exemplos para provar que orações requerem obras. Por exemplo, há os pertinentes ao relacionamento pessoal na família ou na congregação. Mas os exemplos precedentes devem bastar para tornar bem claro que orações deveras requerem obras. Isto é bem lógico, porque não podemos esperar que Jeová Deus dê consideração favorável às nossas petições, se o ofendermos com a nossa conduta. Segue-se também que temos de fazer todo o possível para estar em harmonia com as nossas orações, se quisermos que Jeová faça para nós aquilo que nós mesmos não podemos fazer. Deveras, os princípios de Jeová são sábios e justos. Têm sentido, e é para nosso proveito que procedamos em harmonia com eles.
Lembra-se?
◻ Que requisito a respeito da oração foi desconsiderado por muitos no antigo Israel?
◻ Por que não é desarrazoado que Deus requeira que, além de orar, nos empenhemos em prol daquilo que desejamos?
◻ Que exemplos antigos mostram que os servos de Jeová se empenhavam por aquilo pelo qual oravam?
◻ O que temos de fazer para que Deus responda às nossas orações em que pedimos seu espírito santo e sabedoria?
◻ Como se aplica ao nosso ministério de campo o princípio de que orações requerem obras?
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