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Confiança no meio dum mundo cheio de dúvidasA Sentinela — 1981 | 1.° de fevereiro
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Confiança no meio dum mundo cheio de dúvidas
“Bendito o varão vigoroso que confia em Jeová e cuja confiança veio a ser Jeová.” — A Bíblia.
‘Cepticismo fácil e elegante é a atitude que se espera dum adulto educado.’ — A filosofia do mundo.
1, 2. Qual era a atitude de certos gregos, e o que tem produzido a erudição superior deste mundo?
“QUE é verdade?” Esta resposta que Pôncio Pilatos deu a Jesus Cristo é típica da atitude céptica de muitas pessoas. (João 18:38) Diz-se a respeito dos antigos cépticos gregos, que eles “tinham por objetivo uma tranqüilidade mental sem perturbação, a ser alcançada pelo constante equilíbrio entre argumentos opostos, reduzindo assim tudo a uma condição de incerteza e dúvida”.
2 Mais perto dos nossos dias, foram desenvolvidas variantes desta atitude de cepticismo, por filósofos tais como o francês René Descartes, o holandês Spinoza, o escocês David Hume e o filósofo alemão Kant. Por causa da influência destes homens e de muitos outros, a dúvida sistemática tornou-se credo da erudição superior. As universidades em todos os países produziram assim uma geração de duvidadores, para os quais “tudo é relativo”.
3. (a) Qual é um dos maus efeitos da dúvida sistemática? (b) Que atitude melhor e incentivada na Bíblia?
3 Falando sobre os maus efeitos de tal incerteza sistemática, certa autoridade declara que uma “conseqüência da atitude de relativismo e cepticismo na nossa própria era é bem simplesmente a falta de reverência pela verdade como tal”. Prossegue, dizendo:
A reverência pela verdade não é simplesmente o pseudocinismo de nossa própria era, que procura “desmascarar” tudo, na crença de que ninguém e nada pode reivindicar genuinamente a posse da verdade. É a atitude que conjuga a confiança alegre em que a verdade pode realmente ser encontrada, com a sujeição humilde à verdade, onde quer e sempre que emergir. Tal sinceridade para com a verdade é exigida dos que adoram o Deus da verdade. . . . Esta é a atitude . . . de que tanto o [Antigo Testamento] como o [Novo Testamento] dão testemunho. — New International Dictionary of New Testament Theology, 1978, Volume 3, páginas 900, 901
Confiança Alegre na Verdade
4, 5. (a) Como é que as Escrituras inspiram confiança, não dúvida? (b) Quais são os bons efeitos da sinceridade para com as “palavras salutares” da Bíblia?
4 Sim, sem dúvida, a Bíblia inteira inspira nada senão confiança nos seus leitores. As Escrituras Hebraicas declaram: “Bendito o varão vigoroso que confia em Jeová e cuja confiança veio a ser Jeová.” (Jer. 17:7) E Paulo escreveu nas Escrituras Gregas Cristãs: “Não perdi a confiança, porque sei em quem depositei minha confiança, e não tenho nenhuma dúvida de que ele é capaz de cuidar de tudo o que lhe confiei, até aquele Dia.” Não há nenhum cepticismo nisso! — 2 Tim. 1:12, The Jerusalem Bible.
5 Depois de ter assim expresso sua completa confiança em Deus, Paulo acrescentou: “Apega-te ao modelo de palavras salutares que ouviste de mim com a fé e o amor que há em conexão com Cristo Jesus.” (2 Tim. 1:13) A sinceridade para com as “palavras salutares” encontradas na Bíblia aumenta nossa fé e nosso amor, e dá-nos confiança alegre na veracidade de todas as preciosas promessas que Jeová nos fez. Isto, por sua vez, nos dá esperança, a qual é “âncora para a alma, tanto segura como firme”. — Heb. 6:17-19.
6. De que precisamos nós mesmos, para poder transmitir as “boas novas” a outros?
6 É tal confiança alegre na verdade que nos habilita a sair e a pregar as boas novas do reino de Deus como única esperança da humanidade. Precisamos estar plenamente convencidos da veracidade da mensagem de esperança para transmiti-la a outros. Podemos assim dizer aos que nos escutam: “As boas novas que pregamos não se apresentaram entre vós apenas em palavra, mas também com poder e com espírito santo, e com forte certeza.” “Quando recebestes a palavra de Deus, que ouvistes de nós, vós a aceitastes, não como a palavra de homens, mas, pelo que verazmente é, como a palavra de Deus.” — 1 Tes. 1:5; 2:13.
7, 8. Na primitiva congregação cristã, quem ajudou os irmãos a dirimir dúvidas?
7 Na primitiva congregação cristã, superintendentes fiéis ajudaram seus concrentes a dirimir dúvidas e a ser firmes na fé. Com a ajuda do espírito santo, o corpo governante do primeiro século, composto de apóstolos e anciãos da congregação de Jerusalém, tomou decisões, emitiu instruções e enviou homens fiéis para edificarem os irmãos. Lemos no livro bíblico de Atos: “Ora, enquanto [Paulo, Silas e seus companheiros de viagem] viajavam através das cidades, entregavam aos que estavam ali, para a sua observância, os decretos decididos pelos apóstolos e anciãos, que estavam em Jerusalém. Portanto, as congregações continuavam deveras a ser firmadas na fé e a aumentar em número, dia a dia.” — Atos 16:4, 5; 15:23-29.
8 Escrevendo à congregação em Colossos, Paulo referiu-se ao fiel cristão Epafras como “esforçando-se sempre a favor de vós nas suas orações, para que por fim estejais de pé, completos e com firme convicção, em toda a vontade de Deus”. (Col. 4:12) Mesmo naqueles dias, não podia haver margem para cepticismo e dúvida. Aqueles primitivos cristãos precisavam ter ‘firmeza na fé’, “firme convicção”.
Dirimir Dúvidas
9. Por que é a confiança cristã especialmente importante hoje em dia?
9 Será que a confiança cristã é menos importante em nossos dias, no meio dum mundo em que, segundo o filósofo britânico Bertrand Russell, ‘cepticismo fácil e elegante é a atitude que se espera do adulto educado’? Não. Antes, a firme convicção é ainda mais importante, porque mais do que nunca, “o espírito que agora opera nos filhos da desobediência” incentiva a desconfiança e a dúvida. (Efé. 2:2) Portanto, o cristão que está cheio de dúvidas deveria reconhecer o perigo e tomar as medidas necessárias para que, ‘por fim, esteja de pé, completo e com firme convicção’.
10, 11. (a) Caso comecem a arraigar-se dúvidas na nossa mente, que perguntas devemos fazer a nós mesmos? (b) Como responderiam mais de 2.000.000 de pessoas a estas perguntas?
10 Se dúvidas traiçoeiras começarem a surgir na sua mente, o cristão faria bem em primeiro analisar a situação e fazer-se algumas perguntas pertinentes:
Onde aprendi que o nome de Deus é Jeová, o que este nome significa, qual é o propósito amoroso de Deus para com a humanidade e por que ele permitiu a continuação do sofrimento por tanto tempo na terra? — Sal. 83:18; Rev. 21:3, 4; 2 Ped. 3:9, 13.
Quem me ensinou que Jesus Cristo não é a segunda parte duma deidade trina, mas é o Filho unigênito de Jeová, e quem foi que me ajudou a entender o pleno significado da redenção do pecado por meio do sacrifício resgatador de Cristo? — João 3:16; 14:28; 1 Cor. 15:27, 28.
Que religião me esclareceu na mente a questão do espírito santo, que o “Espírito Santo” não é uma pessoa, mas é a força ativa de Jeová, e onde encontrei um grupo de pessoas que se esforçam sinceramente a produzir os frutos do espírito? — Atos 2:33; Gál. 5:22, 23; Col. 3:12-14.
Que organização religiosa me esclareceu sobre a antiga idéia pagã da imortalidade da alma humana, provando com a Bíblia que a alma é mortal e dando assim verdadeiro sentido à doutrina bíblica da ressurreição, libertando-me do dogma do inferno de fogo, que desonra a Deus? — Eze. 18:4; Atos 24:15; Rom. 6:23.
Quem tem pregado o reino de Deus como única esperança da humanidade, e quem me tem ajudado a reconhecer que vivemos nos “últimos dias” e que devemos ‘manter-nos despertos’ para com a vinda do Filho do homem? — Mar. 13:10, 33-37; Luc. 21:34-36; 2 Ped. 3:3-7.
Junto a quem tenho encontrado verdadeiro objetivo na vida, “a paz de Deus”, proteção contra as tentações e armadilhas deste mundo, e sabedoria prática para solucionar os problemas da vida? — Mat. 24:45-47; 1 Tim. 3:15; Fil. 4:6-9.
Finalmente, que grupo de cristãos tem genuinamente ‘amor entre si’ (João 13:34, 35), respeitando realmente os princípios delineados em João 17:14, 16, e Isaías 2:4, sendo perseguido, não por se meter na política, mas simplesmente ‘por causa do nome de Jesus’, isto é, por serem verdadeiros cristãos? — Mat. 24:9; João 15:18, 19.
11 Para mais de 2.000.000 de pessoas, em mais de 200 terras e grupos de ilhas, a resposta cândida a estas perguntas é: as Testemunhas de Jeová, conforme alimentadas espiritualmente pela classe do “escravo fiel e discreto” e seu corpo governante. — Veja Lucas 12:42-44.
Mantenha Uma Atitude Positiva
12. Onde comecem as dúvidas?
12 Para evitar contrair o espírito do mundo, o espírito de suspeita, desconfiança e cepticismo, é necessário vigiar a motivação mais íntima que se tem. Cristo disse aos 11 apóstolos fiéis e a outros discípulos, que tinham dificuldade de crer que ele fora realmente ressuscitado: “Por que estais aflitos e por que é que se levantam dúvidas nos vossos corações?” (Luc. 24:38) Sim, é ali que começam as dúvidas — no coração.
13, 14. (a) Sinal de que podem ser as dúvidas? (b) Que lição podemos aprender do Israel infiel?
13 Portanto, caso dúvidas aflitivas venham a perturbar-nos, devemos começar a examinar a nossa motivação. Trata-se de dúvidas genuínas, ou são pretexto para diminuirmos o passo? Revelam falta de perseverança? Refletem falta de fé no poder de Deus, de nos perdoar? Será que alguém lançou as sementes da dúvida? (1 João 1:9; Atos 20:30) Paulo escreveu: “Acautelai-vos, irmãos, para que nunca se desenvolva em nenhum de vós um coração iníquo, falto de fé, por se separar do Deus vivente. . . . ‘Não endureçais os vossos corações.’” — Heb. 3:12-15.
14 Se mantivermos uma atitude positiva e nos lembrarmos de tudo o que Jeová fez por nós, por meio de seu Filho Jesus Cristo, e de tudo o que aprendemos sobre os seus propósitos e as suas promessas, por meio do alimento espiritual provido por intermédio do “escravo fiel e discreto”, evitaremos tornar-nos ingratos, assim como Israel, de quem Jeová disse: “O gado conhece seu proprietário, e os burros sabem onde seu dono os alimenta. Mas isto é mais do que meu povo Israel sabe.” — Isa. 1:3, Good News Bible.
Estes Recuperaram a Confiança
15. Como foi certo ancião ajudado a vencer as suas dúvidas?
15 Um ancião, no oeste da França, começou a ter dúvidas sobre estar associado com a verdadeira congregação de Deus, porque, conforme o expressou, o alimento espiritual servido parecia-lhe sempre o mesmo. Por isso, pediu ser eximido dos deveres cristãos de ancião. No entanto, sua família e os outros anciãos não o trataram como se fosse apóstata Ajudaram-no amorosamente, por meio de oração e de palestras edificantes. Aos poucos, este irmão foi ajudado a se dar conta de que não pode haver sempre novas explicações, assim como tampouco a mãe pode servir refeições inteiramente diferentes três vezes por dia, nos 365 dias do ano. Os mesmos ingredientes básicos retornam em formas diferentes, mas o paladar apreciativo ajuda a ter prazer no alimento, a digeri-lo e a derivar força dele. Este irmão foi também ajudado a refletir na escassez de alimento espiritual em outra parte. Aos poucos, recuperou a confiança, aprofundou seu apreço pelas boas coisas aprendidas nas publicações da Torre de Vigia, recuperou sua força espiritual e sentiu renovada alegria no serviço de Jeová. Agora, ele serve novamente como ancião cristão.
16. O que lançou dúvidas na mente dum jovem francês, Testemunha, e como foi endireitado?
16 Um jovem, Testemunha, no sul da França, que havia tido idéias libertistas antes de aceitar a verdade, chegou a conhecer um livro sobre o anarquismo (“a teoria de que todas as formas de governo interferem injustamente na liberdade individual e devem ser substituídas pela associação voluntária de grupos cooperativos”). Ele o leu, achou-o interessante, comprou mais livros do mesmo teor, e, enquanto os lia, começou a perder a fé e a ter dúvidas. Daí, de repente, conforme disse: “Dei-me conta de que estava permitindo que o mau alimento espiritual suscitasse em mim tendências da minha velha personalidade, que eram o espírito de rebelião.” Dois artigos da Sentinela endireitaram seu modo de pensar: “O Caminho da Vida — Estreito, mas Livre”, do número de 1° de março de 1978, e “O Benefício Que o Reino de Deus Lhe Pode Trazer”, no número de 15 de julho de 1978. Ele recuperou a confiança, ingressou na obra de pregação por tempo integral e serve agora como pioneiro especial.
A Confiança Dá Felicidade
17, 18. O que diz Tiago sobre os que duvidam, e que conselho lhes dá?
17 Estes são apenas dois exemplos de cristãos assediados por dúvidas, mas que as venceram e que recuperaram sua felicidade no serviço de Deus. Se tivessem cedido as dúvidas, seriam hoje infelizes e não teriam esperança. A Bíblia diz: “Quem duvida é semelhante a uma onda do mar, impelida pelo vento e agitada.” (Tia. 1:6) Sim, as dúvidas tornam-nos vulneráveis. Tiago acrescenta que aquele que duvida “é homem indeciso, instável em todos os seus caminhos”. — Tia. 1:8.
18 A forte confiança em Jeová, na sua Palavra e na sua organização elimina as dúvidas paralisantes e dá verdadeira felicidade. Este é o caminho da verdadeira felicidade. “Portanto”, diz Tiago, “se alguém de vós tiver falta de sabedoria, persista ele em pedi-la a Deus, pois ele dá generosamente a todos, e sem censurar; e ser-lhe-á dada. Mas, persista ele em pedir com fé, em nada duvidando”. — Tia. 1:5, 6.
19. Por que devemos evitar “o espírito do mundo”, e o que nos ajudará a nos apegarmos “à confiança que tivemos no princípio”?
19 Se adotarmos o “espírito do mundo”, as dúvidas tornar-se-ão parte de nosso modo de pensar. Mas, Paulo escreveu: “Ora, não recebemos o espírito do mundo, mas o espírito que é de Deus, para que soubéssemos as coisas que nos foram dadas bondosamente por Deus.” (1 Cor. 2:12) Se estivermos plenamente cônscios de todas “as coisas que nos foram dadas bondosamente por Deus”, e se reconhecermos honestamente que chegamos a conhecer essas coisas por estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová, nossa profunda gratidão a Jeová nos induzirá a lançar fora a dúvida e a fazer “firme o nosso apego à confiança que tivemos no princípio, firme até o fim”. — Heb. 3:14.
20. Quais são duas recompensas da confiança?
20 Se ‘fizermos firme a nossa confiança’ em Deus, na sua Palavra infalível e na sua congregação terrestre, sob a direção de Cristo, obteremos ricas recompensas, tanto agora como no futuro. Uma destas, que não deve ser subestimada, é a paz mental. O salmista escreveu: “Paz abundante pertence aos que amam a tua lei, e para eles não há pedra de tropeço.” (Sal. 119:165; veja também Colossenses 3:15.) Muito recompensadoras são também nossas associações salutares com cristãos fiéis, que apreciam “as coisas que nos foram dadas bondosamente por Deus”, por meio de seu espírito, sua Palavra e sua congregação visível. — Sal. 1:1-3; 2 Tes. 3:6, 14; Heb. 10:24, 25.
21, 22. (a) Que outros benefícios resultam da confiança? (b) O que será examinado no artigo que segue?
21 Apegarmo-nos firmemente “à confiança que tivemos no princípio” habilita-nos a ser zelosos no serviço de Deus, o que dá alegria a Jeová e a nós mesmos. (Pro. 27:11) A alegria que sentimos já é em si mesma uma recompensa (Mat. 25:23), mas, além disso, é uma proteção, um “baluarte” para nós. (Nee. 8:10) Esta alegria no serviço de Jeová nos dá uma perspectiva positiva, que se torna cada vez mais brilhante, ao passo que vemos o cumprimento de profecias. Temos um objetivo na vida. Sabemos para onde vamos. Temos uma gloriosa esperança, que gira em torno da “cidade” ou do reino messiânico aguardado por Abraão. — Heb 11:10, 16.
22 Todavia, “a pronunciação inspirada diz definitivamente que nos períodos posteriores de tempo alguns se desviarão da fé”. (1 Tim. 4:1) Por que se dá isso, e por que não nos deve perturbar indevidamente? Examinaremos isso no artigo que segue.
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Permaneça ‘sólido na fé’A Sentinela — 1981 | 1.° de fevereiro
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Permaneça ‘sólido na fé’
“A pronunciação inspirada diz definitivamente que nos períodos posteriores de tempo alguns se desviarão da fé.” — 1 Tim. 4:1.
1. Devemos ficar indevidamente chocado se alguém desviar d fé?
FICA profundamente chocado e indevidamente perturbado quando vê ou ouve que um cristão, a quem conhece, está ficando com dúvidas, está esfriando ou talvez até mesmo está ficando rebelde, a ponto de abandonar a congregação cristã e de tentar levar outros consigo? Neste caso, poderá consolar-se por saber que, embora tais ocorrências sejam tristes, as Escrituras nos avisaram de antemão de que ocorreriam.
2, 3. (a) O que significa a palavra “apostasia”, e quem foi o primeiro apóstata? (b) O que trouxe a Israel e a Judá o proceder apóstata?
2 A palavra “apostasia” vem dum termo grego que significa “ficar apartado”, “afastamento, deserção”, “rebelião, desistência”. O primeiro a afastar-se da adoração verdadeira de Jeová foi Satanás, o Diabo. De modo que ele foi o primeiro apóstata. (João 8:44) Ele fez com que o primeiro casal humano se tornasse apóstata. (Gênesis, capítulo 3) Logo cedo na história de Israel, houve um “afastamento” ou ‘desvio’ da adoração verdadeira. Lemos:
“Não escutaram nem mesmo os seus juízes, mas tiveram relações imorais com outros deuses e foram curvar-se diante deles. Desviaram-se depressa do caminho em que seus antepassados haviam andado por obedecerem aos mandamentos de Jeová.” — Juí. 2:17.
3 Mais tarde, muitos dos reis, tanto de Israel como de Judá, tornaram-se apóstatas e levaram as nações que governavam a um proceder apóstata. Deus puniu primeiro o reino setentrional de Israel, dizendo: “Enviá-lo-ei [i. e., a Assíria] contra uma nação apóstata [Israel].” (Isa. 10:6) E pouco antes da destruição de Jerusalém, capital de Judá, pelos babilônios, Jeová declarou: “Dos profetas de Jerusalém saiu apostasia a todo o país.” (Jer. 23:15) A apostasia ou o afastamento da verdadeira fé certamente não trouxe nenhuma bênção a Israel e Judá.
Apostasia Entre os Primitivos Cristãos
4. Que advertência fez Jesus contra os apóstatas?
4 Logo no começo do seu ministério cristão, Jesus advertiu seus seguidores contra os apóstatas. Ele disse no seu Sermão do Monte:
“Entrai pelo portão estreito; porque larga e espaçosa é a estrada que conduz à destruição, e muitos são os que entram por ela; ao passo que estreito é o portão e apertada a estrada que conduz a vida, e poucos são os que o acham. Vigiai-vos dos falsos profetas que se chegam a vós em pele de ovelha, mas que por dentro são lobos vorazes. Pelos seus frutos os reconhecereis.” — Mat. 7:13-16.
5. O que disse Paulo sobre os apóstatas?
5 Vinte e cinco anos mais tarde, Paulo advertiu os anciãos cristãos de Éfeso: “Sei que depois de eu ter ido embora entrarão no meio de vós lobos opressivos e eles não tratarão o rebanho com ternura, e dentre vós mesmos surgirão homens e falarão coisas deturpadas, para atrair a si os discípulos.” (Atos 20:29, 30) No último de seus escritos inspirados, Paulo mencionou por nome alguns de tais apóstatas do primeiro século. Ele advertiu Timóteo: “Esquiva-te dos falatórios vãos que violam o que é santo; porque passarão a impiedade cada vez maior e a palavra deles se espalhará como gangrena. Himeneu e Fileto são desses. Estes mesmos se desviaram da verdade, . . . e estão subvertendo a fé que alguns têm.” “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos danos . . . guarda-te dele, porque ele resistiu as nossas palavras num grau excessivo.” — 2 Tim. 2:16-18; 4:14, 15.
6. Quais são alguns dos aspectos identificadores de apóstatas típicos?
6 Quando analisamos estas advertências feitas por Jesus e por Paulo, destacam-se as seguintes particularidades identificadoras dos apóstatas típicos:
(1) Desvio da verdade.
(2) Conversa deturpada, fútil.
(3) Esforços de subverter a fé que alguns tem e atrair discípulos.
(4) Hipocrisia (‘lobos em pele de ovelha’).
(5) Reconhecíveis pelos seus frutos ‘passam a impiedade cada vez maior.
Esses sinais denunciadores destinavam-se a habilitar os primitivos cristãos a identificar prontamente os apóstatas e a ‘guardar-se deles’.
Apostasia “nos Períodos Posteriores de Tempo”?
7. Quando ocorreu uma apostasia em massa, conforme predita por que texto?
7 A apostasia que ‘já estava operando’ enquanto alguns dos apóstolos de Cristo ainda estavam vivos tornou-se prolífica “nos períodos posteriores de tempo”, isto é, após a morte deles. Os cinco sinais denunciadores tornaram-se cada vez mais evidentes a partir do segundo século, atingindo o clímax no quarto século. Esta apostasia em massa havia de ocorrer antes da “presença de nosso Senhor Jesus Cristo” e do “dia de Jeová”. — 2 Tes. 2:1-12.
8, 9. (a) Que advertência fez Pedro a respeito dos últimos dias? (b) Encontrar-se-iam esses “ridicularizadores” e os “que desafiam a lei” exclusivamente fora da congregação cristã?
8 Mas outros textos esclarecem que, mesmo durante os “últimos dias” do atual sistema de coisas, ocorreriam casos de apostasia dentro da verdadeira congregação cristã. O apóstolo Pedro escreveu:
“Nos últimos dias virão ridicularizadores com os seus escárnios, procedendo segundo os seus próprios desejos e dizendo: ‘Onde está essa prometida presença dele?’ . . . Vós, portanto, amados, tendo este conhecimento adiantado, guardai-vos para que não sejais desviados com eles pelo erro dos que desafiam a lei e não decaiais da vossa firmeza.” — 2 Ped. 3:3, 4, 17.
9 Pedro não estava apenas advertindo seus irmãos contra “ridicularizadores” e os “que desafiam a lei” no mundo. Os cristãos sempre se aperceberam do perigo provindo dessa direção. Pedro estava também falando sobre o perigo de se ser “desviado” por alguns dentro da congregação cristã, que se tornariam “ridicularizadores”, fazendo pouco do cumprimento das profecias a respeito da “presença” de Cristo e adotando uma atitude desafiadora da lei para com o “escravo fiel e discreto”, o Corpo Governante da congregação cristã e os anciãos designados.
Causas e Efeitos da Apostasia
10, 11. (a) Qual é uma das causas importantes da apostasia? (b) Quais são alguns significativos paralelos da palavra grega traduzida por “duvidar”, e de que modo o apóstata arvora-se em juiz?
10 Entre as diversas causas da apostasia, a que mais se destaca é, sem dúvida, a falta de fé por causa de dúvidas. (Heb. 3:12) É interessante que O Novo Dicionário Intencional da Teologia do Novo Testamento (em inglês) forneça a seguinte informação sobre o verbo grego que amiúde é traduzido por “duvidar”: “Diakrino, distinguir, julgar, . . .; duvidar, vacilar. . . . Em algumas passagens [do Novo Testamento], a dúvida aparece como falta de fé, e, assim, como pecado (Rom. 14:23). . . . Em Rom. 4:20f., a dúvida chega perto da descrença. . . . A dúvida, assim, é falta de confiança no ato de Deus, que ele ainda tem de realizar e que os homens devem aguardar. . . . No NT, quem duvida peca contra Deus e suas promessas, porque julga a Deus de modo falso.”
11 De modo que aquele que duvida a ponto de se tornar apóstata arvora-se em juiz. Acha que sabe mais do que seus concristãos, também mais do que o “escravo fiel e discreto”, por meio de quem aprendeu a melhor parte, senão tudo o que ele sabe sobre Jeová Deus e seus propósitos. Desenvolve o espírito de independência torna-se “soberbo de coração . . . algo detestável para Jeová”. (Pro. 16:5) Alguns apóstatas até mesmo acham que sabem mais do que Deus, quanto a ordenar os eventos na realização de seus propósitos. Mais duas outras causas da apostasia, portanto, são a ingratidão e a presunção. — 2 Ped. 2:10b-13a.
12. Quais são alguns dos efeitos da rebelião e da apostasia?
12 Quanto aos efeitos do proceder apóstata, um deles é a imediata perda da alegria. O apóstata fica endurecido no seu modo rebelde. Outro é que ele deixa de assimilar o alimento espiritual provido pelo “escravo fiel e discreto” — o que resulta em fraqueza espiritual e no quebrantamento do espírito. Jeová declarou profeticamente, contrastando a felicidade de seus servos leais com a condição lastimável dos apóstatas:
“Eis que os meus próprios servos comerão, mas vós passareis fome. Eis que os meus próprios servos beberão, mas vós passareis sede. Eis que os meus próprios servos se alegrarão, mas vós passareis vergonha. Eis que os meus próprios servos gritarão de júbilo por causa da boa condição do coração, mas vós fareis clamores por causa da dor de coração e uivareis por causa do puro quebrantamento do espírito.” — Isa. 65:13, 14.
13. O que se quer dizer com ‘menosprezar o senhorio’ e em que resulta isso? (Judas 8, 10)
13 Depois de se terem entregue a obras da carne tais como “inimizades, rixas, ciúme, acessos de ira, contendas, divisões, seitas”, os apóstatas muitas vezes são vítimas de outras obras carnais, tais como “bebedeiras”, “conduta desenfreada” e “fornicação”. (Gál. 5:19-21) Pedro adverte contra os que “menosprezam o senhorio” por desprezarem a ordem teocrática, que “falam de modo ultrajante” a respeito dos incumbidos de responsabilidades dentro da congregação cristã, e assim ‘abandonam a vereda reta’. Ele diz que “as condições derradeiras tornaram-se piores para eles do que as primeiras”. — Leia cuidadosamente 2 Pedro, capítulo 2.
Como Evitar o ‘Desvio da Fé’
14, 15. Como podemos evitar a presunção?
14 Vimos que uma das causas básicas da apostasia é a falta de fé por causa de dúvidas destrutivas, e que a palavra traduzida por “dúvida” significa também “distinguir”. O apóstata arvora-se em alguém que decide o que é verdadeiro e o que é falso, o que é “bom” e o que é “mau” em matéria de alimento espiritual Torna-se presunçoso — Veja Gênesis 2:17; 3:1-7.
15 Portanto, o cristão, para evitar o desvio da fé, deve precaver-se contra a falta de fé, “o pecado que facilmente nos enlaça”, e deve correr “com perseverança a carreira que se nos apresenta”. (Heb. 12:1; 3:12, 19) Paulo nos dá o seguinte conselho: “Persisti em examinar se estais na fé, persisti em provar o que vós mesmos sois.” (2 Cor. 13:5) Paulo não nos convida a ter dúvidas sobre a “fé”, mas a questionar a nós mesmos, para ver se vivemos à altura da fé, ou não. Tal exame honesto de nós mesmos deve encher-nos de modéstia e humildade, protegendo-nos assim contra o espírito independente e a presunção do apóstata.
16. (a) Que outra armadilha devemos evitar? (b) Que lição dupla podemos aprender dos judeus bereanos?
16 Para evitar-nos desviar-nos da fé, precisamos também precaver-nos contra a ingratidão. Devemos ser gratos pelo abundante alimento espiritual que recebemos por meio do “escravo fiel e discreto”. (Mat. 24:45) Isto não significa que não devamos convencer-nos das coisas, ao passo que prosseguimos avançando. Neste respeito, podemos aprender uma lição dupla dos judeus bereanos. Para certificar-se. eles ‘examinavam cuidadosamente as Escrituras, cada dia, quanto a se estas coisas eram assim’, mas, eram também ‘de mentalidade nobre’, porque “recebiam a palavra [que Lhes foi pregada por Paulo e Silas] com o maior anelo mental”. — Atos 17:11.
17, 18. O que devemos ser capazes de distinguir, e que conselho dá Paulo sobre isso?
17 Tal anelo grato de aprender nos ajudará a cultivar amor e a obter conhecimento exato, junto com pleno discernimento. Essas qualidades cristãs, por sua vez, nos habilitarão a diferenciar as coisas de maior importância daquelas de menor importância. Será que certo ponto, que temos dificuldade de entender, é realmente importante? Afeta as coisas realmente importantes que aprendemos com a ajuda da classe do “escravo”? Vale a pena tropeçar e talvez fazer outros tropeçar? Impede-nos isso de produzir frutos cristãos?
18 Paulo aconselha-nos: “Isto é o que continuo a orar: que o vosso amor abunde ainda mais e mais com conhecimento exato e pleno discernimento; que vos certifiqueis das coisas mais importantes, para que sejais sem defeito e não façais outros tropeçar, até o dia de Cristo, e estejais cheios de fruto justo, que é por intermédio de Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus.” — Fil. 1:9-11.
‘Arrebatar do Fogo os Que Duvidam’
19. (a) Que distinção adicional precisa ser feita? (b) Que conselho edificante, adicional, dá Judas?
19 Visto que fomos advertidos de que ‘alguns se desviariam da fé’, devemos estar prontos para travar “uma luta árdua pela fé que de uma vez para sempre foi entregue aos santos”. (1 Tim. 4:1; Judas 3) Mas, precisa-se fazer uma distinção entre os apóstatas perturbadores, mencionados em 2 Pedro, capítulo 2, e os cristãos que ficam fracos na fé e que têm dúvidas pela falta de conhecimento exato. Judas faz esta distinção. Depois de advertir contra “resmungadores, queixosos”, que “admiram personalidades”, e contra “ridicularizadores”, que “são os que fazem separações”, ele diz: “Mantende-vos no amor de Deus, ao passo que aguardais a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, visando a vida eterna. Continuai, também, a mostrar misericórdia para com alguns que têm dúvidas; salvei-os por arrebatá-los do fogo.” — Judas 16-23.
20. Como se deve ajudar os que têm dúvidas, mas o que faremos se eles recusarem ajuda e ‘se desviarem da fé’?
20 Sim, a esses que duvidam é preciso mostrar que estão em perigo de ser consumidos por dúvidas destrutivas. Seus irmãos cristãos, e especialmente os anciãos, devem esforçar-se a ajudá-los, e, se de todo possível, arrebatá-los do “fogo” que poderia destruí-los espiritualmente. Quanto aos que recusam tal ajuda paciente e amorosa, e que realmente ‘se desviam da fé’, não devemos ficar indevidamente perturbados. Diremos, junto com o apóstolo João: “Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; pois, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco. — 1 João 2:19.
“Sólidos na Fé” Até o Fim
21, 22. (a) Que exortação faz Pedro para permanecermos fortes na fé? (b) O que precisam continuar a fazer os israelitas espirituais e a “grande multidão”, se quiserem realizar suas respectivas esperanças?
21 Não pode haver dúvida de que Satanás gostaria de ver todos nós ‘desviar-nos da fé’ Por isso, Pedro aconselha-nos:
“Tomai vossa posição contra ele, sólidos na fé, sabendo que as mesmas coisas, em matéria de sofrimentos, estão sendo efetuadas na associação inteira dos vossos irmãos no mundo. Porém, depois de terdes sofrido por um pouco, o próprio Deus de toda a benignidade imerecida, que vos chamou a sua eterna glória em união com Cristo, completará o vosso treinamento; ele vos fará firmes ele vos fará fortes.” — 1 Ped. 5:8-10.
Sim, os que são do Israel espiritual, que foram chamados para reinar com Cristo em “glória eterna”, precisam permanecer fiéis na “hora da prova”, se quiserem que ‘ninguém tome a sua coroa’. — 2 Tim. 2:10: Rev. 3:10, 11.
22 Seus companheiros, os membros da “grande multidão”, também reconhecem que precisam permanecer “sólidos na fé”, se quiserem ‘sair da grande tribulação’. (Rev. 7:9, 10, 14) Ambos, estes cristãos que têm esperança celestial, e seus companheiros, cuja esperança é viver para sempre no paraíso restabelecido na terra, estão decididos a continuar pregando fielmente “estas boas novas do reino”. (Mat. 24:14) A excelente expansão em muitas partes do mundo, até este ano de 1981, é para eles prova de que a bênção de Jeová está sobre a sua organização, e que ainda há trabalho a fazer. Por isso, acatam o conselho de Paulo: “Não desistamos de fazer aquilo que é excelente, pois ceifaremos na época devida, se não desfalecermos.” — Gál. 6:8, 9.
23. O que dá a todos nós forte encorajamento para permanecermos “sólidos na fé”?
23 Ao passo que vemos as coisas preditas para “os últimos dias” ocorrerem diante dos nossos próprios olhos, temos forte confiança em que a “grande tribulação” e a aurora da nova ordem justa de Deus são iminentes. As maravilhosas bênçãos que nos aguardam, quer no céu, quer no paraíso terrestre, dão-nos “forte encorajamento” para permanecermos “sólidos na fé” até o fim, a fim de ‘nos apegarmos à esperança que se nos apresenta’ — Heb. 6:17-19.
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