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  • Como dirige a sua vida?
    A Sentinela — 1983 | 15 de janeiro
    • Como dirige a sua vida?

      “Felizes os sem defeito no seu caminho, os que andam na lei de Jeová.” — SALMO 119:1.

      1. Que mostra a história quanto ao que é importante para a felicidade?

      QUE é necessário para se levar uma vida feliz?’ Muitos responderiam por citar coisas materiais, tais como alimento, roupa e abrigo, ou os vários tipos de recreação e prazer. Contudo, a história prova que o conceito que você tem da vida e seu modo de viver são mais importantes para a sua felicidade. Ao relacionar-se com seu empregador, seus conhecidos e sua família — falará a verdade? Tomará o que não é seu? Participará em certos serviços ou entretenimentos questionáveis?

      2. De que maneira alguns dirigem a sua vida, levando a que perguntas?

      2 O Ao decidir tais questões, alguns preferem regras definidas que conhecem ou que possam consultar quando necessário. Outros fazem o que “parece” ser certo, segundo sua consciência. Contudo, talvez esteja inclinado a perguntar: Visto que a Bíblia tem muito a dizer sobre “consciência”, que é ela? Como funciona? Será que desempenha um papel vital para tomarmos decisões e para encontrarmos a felicidade? E como poderemos dizer, como o apóstolo Paulo: “Eu me comportei perante Deus com uma consciência perfeitamente limpa, até o dia de hoje?” — Atos 23:1.

      SUA CONSCIÊNCIA — QUE É?

      3, 4. Que é “consciência”, e quem a tem?

      3 A idéia de que a maioria tem sobre a consciência é que esta é um senso geral do certo e do errado. Temos, porém, uma fonte de informação mais exata sobre ela — a Palavra de Deus. A Bíblia nos ajuda a entender que a consciência é um testemunhador íntimo. Assim, Paulo disse: “Minha consciência dá testemunho comigo, em espírito santo.” (Romanos 9:1) Ele usou a palavra grega syneídesis, que significa, literalmente, um co-conhecimento consigo mesmo. De modo que a consciência é a capacidade de olhar para si mesmo e fazer um julgamento sobre si mesmo, dar testemunho a si mesmo.

      4 A consciência não é um simples desenvolvimento social, pois a Bíblia mostra que Deus a implantou no casal humano original. (Gênesis 3:7, 8) Considerando a responsabilidade dos judeus e dos gentios, Paulo escreveu: “Pois, sempre que pessoas das nações [gentios] que não têm lei, fazem por natureza as coisas da lei, tais pessoas, embora não tenham lei, são uma lei para si mesmas. Elas é que são quem demonstra que a matéria da lei está escrita nos seus corações, ao passo que a sua consciência lhes dá testemunho e nos seus próprios pensamentos são acusadas ou até mesmo desculpadas.” (Romanos 2:14, 15) Sim, mesmo pessoas sem a lei escrita de Deus têm considerado como sendo erradas coisas tais como assassinato, roubo ou incesto. Podemos deduzir também desses versículos que a consciência é um jogo recíproco entre o coração e a mente (“pensamentos”).

      5. Qual é um dos modos em que sua consciência funciona?

      5 A função da consciência que provavelmente melhor conhecemos é a de julgar a nossa conduta ‘depois do acontecido’, depois da ação errada. Quando concluímos que agimos errada ou desonrosamente, nossa consciência nos acusa e condena. (Veja 2 Samuel 24:10; 1 João 3:20.) Se mostrarmo-nos sensíveis a ela, este papel da consciência pode ajudar-nos por motivar-nos a evitar repetir o erro. E pode levar-nos ao arrependimento, a pedir desculpas ou mesmo a sanar o dano, se possível. — Salmo 32:3, 5; Mateus 5:23, 24; Lucas 19:1-8.

      6. De que outra maneira pode a sua consciência operar?

      6 Nossa consciência pode servir também de outra maneira. Embora alguns digam que uma boa consciência é silenciosa, quando enfrentamos um problema ou uma decisão a tomar, nossa consciência deve manifestar-se e estimular-nos a fazer o que é correto. Temos bom exemplo disso na recusa de José diante dos avanços da esposa de Potifar. Embora Deus ainda não tivesse fornecido uma lei escrita contra o adultério, a consciência de José induziu-o a rejeitar a imoralidade. (Gênesis 39:1-9) Se, antes de agirmos, escutarmos a nossa consciência, podemos evitar a angústia duma consciência pesada.

      7. Que pretendemos determinar com este estudo?

      7 Resta a pergunta: Quão influente deve ser a consciência? Crê que a maioria dos assuntos morais e pessoais devam ser decididos à base da consciência? Ou é preferível haver regras? Necessitamos saber. Também, existem perigos contra os quais devemos precaver-nos? Que indica a Palavra de Deus, que afirma ser “proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça”? — 2 Timóteo 3:16.

      PONTOS DE VISTA EXTREMOS

      8. A moralidade tem sido encarada de que dois extremos?

      8 O conflito entre regras e consciência é de longa data. No artigo “Casuística”, a Encyclopaedia Britannica (11.ª ed., em inglês) explica que a moralidade “às vezes tem sido considerada como sendo uma lei exterior e às vezes como uma disposição íntima. . . . Os crentes na lei tem posto sua confiança na autoridade ou na lógica; ao passo que os crentes na disposição olham principalmente para as nossas faculdades instintivas — a consciência, o senso comum ou o sentimento”. Extremismos em ambas as posições existiam quando Jesus e os apóstolos estiveram na terra. Podemos compreender melhor o útil equilíbrio e a sabedoria piedosa da Bíblia por observar a situação então existente.

      9, 10. (a) Como manifestaram os fariseus um modo extremo de encarar os assuntos? (b) Em contraste, que posição era comum entre os gregos e os romanos?

      9 Os fariseus judaicos batiam-se por regras, zelosamente. Não contentes com a lei mosaica, desenvolveram numerosas regras ou “mandamentos de homens”, que invalidavam os mandamentos de Deus. Além de desenvolverem essas regras que iam além do que Deus exigia, o conceito legalista deles promovia a idéia de que a qualidade de se ser justo poderia resultar de se conhecer e seguir esses regulamentos humanos. — Mateus 15:1-20; 23:1-5; Lucas 18:9-12.

      10 “No pólo oposto figurava a antiga Grécia”, comenta o erudito clássico Samuel H. Butcher. “Entre os gregos . . . nenhum sistema de doutrina ou observância, nenhum manual contendo regras de moral autoritárias, foram jamais transmitidos em forma documental. . . . Regras inflexíveis petrificavam a ação.” Quanto aos romanos, a Encyclopaedia Britannica diz: “Cícero e Sêneca adotaram o bom senso como seu guia. Decidiam cada problema à base dos méritos deste, dando mais atenção ao espírito do que à letra.” Esta filosofia greco-romana era popular no primeiro século. Atrairia os cristãos? Paulo escreveu: “Acautelei-vos: talvez haja alguém que vos leve embora como presa sua, por intermédio de filosofia e de vão engano . . . segundo as coisas elementares do mundo e não segundo Cristo.” — Colossenses 2:8; Atos 17:18-21.

      11. Mais tarde na história, como eram evidentes os dois extremos?

      11 Em anos posteriores, também, ambos os extremos tinham seus defensores, mesmo entre pessoas que se diziam cristãs. Os jesuítas notabilizaram-se por enfatizar uma moralidade baseada em inúmeras leis da Igreja. Depois da Reforma, o protestantismo enfatizou o individualismo e a consciência, que levou ao conceito corrente conhecido como “ética da situação”, popularizado pelo bispo episcopaliano, dr. Joseph Fletcher. O jornal The National Observer publicou: “O dr. Fletcher lançou um manifesto controversial sobre liberdade e responsabilidade individuais, baseado numa ética de amor fraternal que, diz ele, deve libertar o homem moderno de regras rígidas e arcaicas e de códigos tais como os ‘Dez Mandamentos’. . . . Com o amor qual único guia, então, o aborto, o sexo pré-marital, o divórcio, . . . e outros erros convencionais tornam-se moralmente aceitáveis para o dr. Fletcher, em algumas situações.”

      12. Com que perigo, que devemos evitar, nos confrontamos?

      12 Evidentemente, os humanos têm a tendência de ir a extremos — sendo guiados, quer por regras, quer pela consciência. Alguns que se apercebem da fraqueza de um extremo reagem por ir ao outro extremo, como um pêndulo que oscila da extrema direita a extrema esquerda. Por exemplo, na Idade Média o pêndulo oscilou desde a mentalidade voltada para regras, dos jesuítas, até a ênfase dos Reformadores na liberdade e na consciência. Também, talvez conheça pais que foram excessivamente estritos em criar seus filhos. Mas, quando esses filhos cresceram, reagiram por ir ao extremo oposto, permitindo que seus próprios filhos tivessem toda e qualquer liberdade, com resultados desastrosos. Podemos perceber a veracidade do comentário bíblico: “Bem sei, ó Jeová, que não é do homem terreno o seu caminho. Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” — Jeremias 10:23.

      A EQUILIBRADA E ÚTIL DIREÇÃO DE DEUS

      13. De que ajuda a Bíblia nos supre no que tange à moralidade e à consciência?

      13 Jeová tem provido ajuda equilibrada aos cristãos, nas Escrituras, de modo que podemos evitar: (1) acentuar excessivamente as regras de modo legalista, o que pode levar a um conceito mesquinho e rígido sobre a vida e a adoração, ou (2) enfatizar excessivamente a liberdade de consciência, o que tem levado alguns a adotar raciocínios humanos que até mesmo escusam o mal. Para absorver o equilíbrio da Palavra de Deus e beneficiar-nos de sua diretriz, devemos ter a atitude de Davi: “Faze-me saber os teus próprios caminhos, ó Jeová; ensina-me as tuas próprias veredas. Faze-me andar na tua verdade e ensina-me, pois tu és o meu Deus de salvação.” — Salmo 25:4, 5.

      14, 15. Que podemos aprender das Escrituras Gregas Cristãs quanto ao conceito dos judeus e o de Deus a respeito da Lei?

      14 A Bíblia revela que Jesus desaprovou a mentalidade voltada para regras, dos escribas e fariseus. Alguns poucos judeus que não queriam usar suas faculdades de raciocínio conferidas por Deus, talvez tenham gostado de regulamentos sobre até que altura lavar os braços, sobre o que constituía “trabalho” no sábadoa de que colheitas se devia recolher o dízimo, e assim por diante. Esse comportamento resultou em regras pesadas, que exigiam intermináveis interpretações e desviavam a atenção do espírito e dos aspectos de maior peso das Escrituras. Jesus disse aos líderes religiosos: “Dais o décimo da hortelã, e do endro, e do cominho, mas desconsiderastes os assuntos mais importantes da Lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fidelidade.” — Mateus 23:23; Marcos 7:3, 4.

      15 A lei mosaica contribuiu para a espiritualidade, a moralidade e a saúde dos judeus, provando-lhes também que, quais pecadores, necessitavam do Messias. (Gálatas 3:19, 23-25; Romanos 7:7-14) Visto que era uma norma perfeita, nenhum israelita poderia observá-la infalivelmente, e assim obter uma consciência perfeita. (Hebreus 9:9, 10) Portanto, embora esse código legal fosse de origem divina, uma vez que o propósito de Deus para ele terminara, ele removeu-o. Daí, em vez de lidar com o povo, que se identificava com o seu Nome, à base dum extenso código escrito, Deus ‘pôs Suas leis em suas mentes e em seus corações’. — Jeremias 31:33; Hebreus 10:16; 2 Coríntios 3:5-11.

      16. Que lições se apresentam aqui para (a) pessoas que são muito estritas consigo mesmas e (b) nós e nosso conceito sobre regras?

      16 Com isso em mente, os que hoje supervisionam ou coordenam atividades de outros precisam ter o cuidado de não sobrecarregá-los com regulamentos humanos desnecessários. A tendência para fazer isso pode ser forte nos que são muito estritos ou exigentes consigo mesmos e que portanto acham que os outros devem encarar os assuntos da mesma maneira. Paulo, contudo, escreveu aos cristãos: “Não é que sejamos os amos de vossa fé, mas somos colaboradores para a vossa alegria, porque é pela vossa fé que estais em pé.” (2 Coríntios 1:24) Relacionado com isso, os cristãos em geral devem precaver-se contra querer que alguém em autoridade faça regras sobre toda sorte de assuntos. Devemos, em vez disso, aumentar nosso conhecimento do que a Palavra de Deus diz, de modo a treinar as nossas consciências e faculdades perceptivas. — Hebreus 5:14.

      17. Contra que outro conceito incorreto devemos precaver-nos?

      17 Outro perigo, porém, é oscilar para o extremo oposto, achando que todo cristão é livre para fazer virtualmente tudo o que sua consciência permite. Alguns, recentemente, fizeram disso uma questão, dizendo que “o cristianismo não é uma religião de regras”, citando passagens tais como: “Fostes, naturalmente, chamados à liberdade, irmãos; apenas não useis esta liberdade como induzimento para a carne, mas, por intermédio do amor, trabalhai como escravos uns para os outros. Pois a Lei inteira está cumprida numa só expressão, a saber: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’” (Gálatas 5:13, 14) É verdade que os cristãos não estão sob a lei mosaica ou qualquer outro código extensivo de leis divinas. Contudo, devemos estar alertas para que ‘nenhum homem nos iluda com argumentos persuasivos (“capciosos”, Lincoln Ramos)’, pois um exame honesto da Bíblia mostra que ela provê certas leis ou regras para nós. — Colossenses 2:4.

      OS CRISTÃOS NÃO ESTÃO SEM LEI

      18, 19. Qual a posição dos cristãos, com respeito a leis e regras bíblicas?

      18 Paulo escreveu aos Coríntios que um homem culpado de fornicação deveria ser expulso. Acrescentou que idólatras, adúlteros, homossexuais, ladrões, gananciosos, beberrões, injuriadores e extorsores “não herdarão o reino de Deus”. (1 Coríntios 5:1, 6, 7, 11-13; 6:9-11) Lemos também que os cristãos devem ‘abster-se de coisas sacrificadas a ídolos, de sangue, de coisas estranguladas e de fornicação’ e que supostos irmãos que promovem ensinos falsos devem ser rejeitados. (Atos 15:28, 29; Tito 3:10; 2 João 9-11) Evidentemente, estão envolvidas leis aqui. Um praticante de tais pecados não pode tornar-se verdadeiro cristão. E, se um servo de Deus se empenha impenitentemente em tais pecados, ele deve ser desassociado.

      19 Também temos regras bíblicas sobre assuntos que dizem respeito a transgressões não passíveis de desassociação. Por exemplo, Paulo escreveu que cristãos solteiros devem casar-se “somente no Senhor” e ordenou que “se alguém não quiser trabalhar, tampouco coma”. (1 Coríntios 7:39; 2 Tessalonicenses 3:10) Alguém talvez pense: ‘Visto que eu não seria desassociado por desacatar tais recomendações, essas regras não devem ser muito importantes.’ Que raciocínio imprudente! Deus considera importantes essas regras. Não disse Paulo aos Tessalonicenses que ‘tomassem nota’ e ‘parassem de associar-se com’ pessoas preguiçosas que deliberadamente desobedecessem a regra a respeito de trabalhar? — 2 Tessalonicenses 3:14, 15.b

      20, 21. Que podemos aprender a respeito de orientações congregacionais, e qual deve ser nossa atitude diante delas?

      20 Algumas regras são especificamente para o bem da congregação. Por exemplo, no passado alguns cristãos tinham a capacidade de falar em línguas. As instruções de Paulo foram que apenas dois ou três deles falassem numa mesma ocasião, que se alternassem e que estivesse presente um tradutor — regras que promoviam a paz e a ordem. (1 Coríntios 14:26-33) Similarmente, os anciãos numa congregação atual talvez dêem instruções a respeito de manter livres as saídas do Salão do Reino, de não guardar lugares desnecessariamente e de estacionar veículos de modo que mostre consideração para com o próximo, e com segurança. Tais regras congregacionais não são antibíblicas, pois têm a mesma finalidade (paz e boa ordem) como era o caso da recomendação de Paulo a respeito de falar em línguas. Relacionado com isso, existe a recomendação bíblica: “Sede obedientes aos que tomam a dianteira entre vós.” (Hebreus 13:17) Visto que o nosso empenho de evitar pecados, tais como mentir ou roubar, envolve a obediência a Deus, este texto deve referir-se à nossa obediência às orientações dos anciãos em assuntos congregacionais. E fazer isso não é difícil, se eles evitarem ‘dominar sobre os que são a herança de Deus’, de modo legislatório. — 1 Pedro 5:3.

      21 Outras “regras” ou métodos de fazer as coisas beneficiam o rebanho mundial. Por exemplo, solicita-se às Testemunhas de Jeová que entreguem relatórios a respeito de seu testemunho. (Compare com Atos 2:41, 42; 8:14.) A pessoa que oscila até o extremo da liberdade individual talvez discorde deste proceder. Pense, porém, no benefício advindo do fato de que os que supervisionam o rebanho têm tido condições de saber, à base de relatórios, a amplitude que o testemunho do reino tem alcançado, onde ajuda se faz necessária e quando um grupo de discípulos pode ser transformado em congregação. E não nos têm sido deleitoso ler os relatórios mundiais? (Ezequiel 9:11; Marcos 6:30; Atos 14:21-23; 15:3; 19:1-6) Confiantes em que Deus dirige seu povo, podemos demonstrar um espírito de apoio e cooperação.

      22. Por que é necessário estudar um pouco mais a matéria sobre a consciência?

      22 Além de leis ou regras específicas, as Escrituras contêm princípios úteis que cristãos sábios podem aplicar a fim de serem “sem defeito no seu caminho”. (Salmo 119:1) Os princípios são especialmente úteis em harmonizar a nossa consciência com o modo de pensar de Deus. Mas, que significa isso no que tange a ‘assuntos de consciência’? Alguns têm tido o conceito: ‘Se é algo entregue à minha consciência, o que eu faço é assunto inteiramente pessoal.’ Examinemos o assunto no artigo seguinte e saibamos adicionalmente como treinar nossa consciência a fim de derivar dela o maior benefício possível.

  • Tire proveito de sua consciência dada por Deus
    A Sentinela — 1983 | 15 de janeiro
    • Tire proveito de sua consciência dada por Deus

      “A lei de seu Deus está no seu coração; seus passos não vacilarão.” — Salmo 37:31.

      1, 2. Por que sermos guiados por nossa consciência deve interessar-nos? (Provérbios 12:15; 14:12)

      EMBORA Deus não tenha dado aos cristãos um extenso código de leis, ele nos forneceu algumas leis, ou regras específicas, e muitos princípios para serem aplicados segundo a nossa fé e consciência. Mas, uma coisa é ter uma consciência e outra coisa é tirar pleno proveito dela. Muitos acham que, ‘se algo não incomoda a minha consciência, está tudo bem’. É correto tal raciocínio?

      2 A Bíblia mostra que devido à carne pecaminosa, a nossa consciência pode desencaminhar-nos; ela pode ser fraca, mal orientada ou aviltada. Podemos compreender melhor o perigo do conceito “permita que sua consciência seja seu guia” por considerarmos os habitantes de Creta, do primeiro século, que eram conhecidos como “mentirosos, feras prejudiciais, glutões desempregados”. — Tito 1:10-12.

      3. No caso dos cretenses, como influiu neles a consciência?

      3 Como no caso de todas as pessoas, os cretenses tinham uma consciência inata. Mas não tiravam proveito dela. Escrevendo a Tito em Creta, o apóstolo Paulo disse: “Todas as coisas são puras para os puros. Mas, para os aviltados e os sem fé nada é puro, porém, tanto as suas mentes como as suas consciências estão aviltadas.” (Tito 1:15; Romanos 2:14, 15) A maioria dos cretenses tinham uma consciência insensível, que não os ajudava a fazer o que era moral ou limpo. (1 Timóteo 4:2) ‘Nada era puro’ para muitos cretenses. Como assim? Tendo consciências aviltadas, eles encaravam toda situação como oportunidade para fazer o mal. Talvez dissessem: ‘Isso não aflige minha consciência.’ Mas, devia ter afligido! Contudo, alguns judeus cretenses ou prosélitos estavam em Jerusalém para o Pentecostes de 33 EC. O conhecimento espiritual deles os teria ajudado a evitar serem mentirosos, injuriosos ou glutões. E os que aceitaram Jesus foram ajudados adicionalmente pelo que este ensinou sobre ter uma consciência boa e operante. — Atos 2:5, 11; Tito 1:5; 2:2-5; 3:3-7.

      4, 5. Do caso de Paulo, que podemos aprender a respeito de consciência?

      4 A consciência, porém, pode desencaminhar até mesmo uma pessoa exposta à influência da Palavra de Deus e que deseja agir com acerto. Saulo, ou Paulo, conhecia as Escrituras e adorava a Deus zelosamente de acordo com a Lei. Contudo, deixou de acompanhar o desenrolar progressivo da vontade de Deus. Depois que o Messias veio, pregou e morreu em cumprimento de profecia, Paulo continuou praticando o judaísmo farisaico. Sua consciência não o impediu de ‘perseguir a congregação’ e de ‘respirar ameaça e assassínio contra os discípulos do Senhor’. — Filipenses 3:4-6; Atos 9:1, 2.

      5 Esses exemplos mostram que nossa consciência pode desencaminhar-nos. Visto que temos muitas decisões a tomar sobre assuntos não abrangidos por leis bíblicas específicas, mas que são assuntos de consciência, precisamos saber como treinar nossa consciência e derivar dela o máximo proveito. Consideraremos a seguir três aspectos.

      QUE INDICA A PALAVRA DE DEUS?

      6, 7. Qual é uma das maneiras em que a Palavra de Deus pode ajudar-nos em assuntos de consciência?

      6 A perfeita Palavra de Deus contém muito que pode esclarecer-nos quanto ao pensamento de Deus, ou quanto a princípios, e educar a nossa consciência. Como já observado, José não dispunha de lei escrita de Deus contra o adultério. Mas, a consciência de José estava corretamente educada. Sem dúvida, havia meditado no fato de que Deus tencionara que o marido e a esposa (“os dois”) fossem uma só carne, sem a intrusão de uma terceira parceria adúltera. E José certamente sabia dos acontecimentos que envolveram o amigo de Deus, Abraão, que forneceram indícios da posição de Deus quanto ao adultério. — Mateus 19:5; Gênesis 2:24; 20:1-18.

      7 Podemos similarmente tirar proveito. Por exemplo, talvez tenhamos de tomar uma decisão quanto a participar numa refeição ou negociar com alguém de outra nacionalidade, raça ou formação. Isso é assunto de decisão pessoal. Se, contudo, tivermos assimilado da Bíblia a atitude de Deus, de imparcialidade e justiça, a nossa consciência educada neutralizará qualquer preconceito que talvez nos tenha cercado ao crescermos. Agiremos concordemente. (Atos 10:34, 35; Tiago 2:1-4) Desta forma, os princípios bíblicos também podem nos ajudar.

      8. Quando temos de tomar uma decisão de consciência, que devemos fazer?

      8 Quando temos de decidir um assunto de modo a ‘termos uma boa consciência’, devemos procurar saber o que Jeová diz que se relacione com o assunto, pois isso pode e deve influir em nossa consciência e em nossa decisão. (1 Pedro 3:16) Além de verificar se há leis que se apliquem diretamente, devemos interessar-nos em saber se há algum princípio bíblico relacionado com o assunto. Será que Jesus fez ou disse algo que revelasse qual era seu pensamento nessa questão? Podemos pesquisar o assunto nas publicações bíblicas que o abordam. E podemos consultar co-cristãos que talvez possam nos ajudar a encontrar princípios bíblicos relevantes. Naturalmente, essa iniciativa não deve ser tomada com a idéia de que eles devem assumir a nossa responsabilidade, nem devemos perguntar: ‘Se estivesse em meu lugar, o que faria’? — Gálatas 6:5.

      9. Qual é o nosso alvo, ao decidirmos assuntos relacionados com a consciência?

      9 Nas situações em que precisa ser tomada uma decisão pessoal, os cristãos sinceros devem seguir um proceder que os deixe com uma consciência tranqüila para com Deus. Devem prezar poder dizer: “Nossa consciência [dá testemunho] que nos temos comportado no mundo com santidade e sinceridade piedosa . . . porém, mais especificamente para convosco.”(2 Coríntios 1:12) O quanto um cristão ama a Jeová e a seus princípios pode evidenciar-se das decisões que toma em assuntos de consciência.

      COMO INFLUIRÁ EM OUTROS?

      10, 11. Uma pergunta a respeito de alimento, levantada na antiga Corinto, ilustra que segundo aspecto quanto a questões pertinentes à consciência?

      10 Visto que os cristãos querem que sua consciência os motive a imitar a Deus, a preocupação amorosa com outros deve ser uma influência importante nas decisões que envolvem a consciência. Este aspecto entrou em pauta quando Paulo escreveu a respeito de vários assuntos relacionados com alimento.

      11 Na congregação coríntia, surgiu uma preocupação a respeito de carne que havia sido sacrificada a ídolos. Para um cristão, teria sido idolatria comer carne sacrificial durante uma cerimônia idólatra. Mas Paulo explicou que não era pecado comer carne que sobrasse dos sacrifícios, que fosse vendida em estabelecimentos comerciais tipo restaurante, ligados a um templo, ou em açougues públicos. (1 Coríntios 8:10; 10:25; Atos 15:29) No entanto, alguns cristãos que previamente haviam adorado ídolos eram sensíveis (tinham consciência fraca) quanto a comer tal carne, mesmo quando era vendida publicamente, sem conexões religiosas. Embora não justificasse a consciência fraca, Paulo instou com outros que levassem em conta esses irmãos. Teria sido desamoroso fazer o que pudesse levá-los a tropeçar ou a sentir-se conscienciosamente livres para participar de novo na idolatria.

      12, 13. Por que devem ser levados em conta os conceitos e a consciência dos outros? Exemplifique.

      12 Paulo demonstrou a atitude que todos nós devemos ter: “Se o alimento [ou qualquer outra coisa] fizer o meu irmão tropeçar, nunca mais comerei carne alguma.” Se, num assunto que compete a nossa consciência, em que temos, portanto, a liberdade de agir, desconsideramos a consciência dos outros e assim ‘arruinamos os nossos irmãos pelos quais Cristo morreu’, podemos perder nossa boa relação com Deus. Paulo perguntou: “Por que haveria de ser julgada a minha liberdade pela consciência de outra pessoa?” (1 Coríntios 8:3, 11-13; 10:29) Embora um indivíduo ache que se trata de ‘assunto pessoal de consciência’, se prejudicar outros, isso pode resultar em ele ser julgado adversamente por Jeová. Isso mostra quão enganoso pode ser pensar ‘se depende de minha consciência, está tudo bem’.

      13 Considere o ocorrido com um casal que recebia os benefícios dum estudo bíblico, assistia às reuniões e estava em vias de se batizar. Um ancião na congregação disse ao marido que ele havia gostado de um certo filme. O homem replicou: ‘O quê?! Você assiste a filmes impróprios para menores de 18 anos?’ O ancião tentou justificar-se, dizendo que alguns desses filmes (considerados questionáveis mesmo pelo mundo) têm valor se os aspectos objetáveis forem desconsiderados. Mas, parece que isso influiu no homem. Depois disso seu progresso foi mais lento do que o de sua esposa. Se o ancião tivesse refletido sobre textos tais como Colossenses 3:2-8, Efésios 5:3-5 e Mateus 7:12, estes talvez tivessem influído em sua consciência e na sua conduta. — 1 Coríntios 9:22, 25-27.

      14, 15. Como pode a consciência do corpo de anciãos ter alguma influência em certos assuntos pessoais?

      14 Levar outros em consideração envolve também não esperar que aprovem algo que vá de encontro à consciência deles. Por exemplo, os anciãos congregacionais são responsáveis pela concessão de permissão para a realização de cerimônias de casamento no Salão do Reino, pela maneira como estas são realizadas, como o salão é decorado, e assim por diante.a Os anciãos duma congregação escreveram: “Num casamento todas as damas de honra desfilaram pelo corredor, abanando-se com leques. O próximo casamento tinha de superar o primeiro, de modo que as damas de honra percorreram o corredor girando sombrinhas. O próximo tinha de ser maior e melhor; eles queriam vinte damas de honra e vinte acompanhantes. O Salão do Reino começava a ser usado como circo.”

      15 Era isso ‘um assunto de consciência’ para decisão particular? Não. Embora a consciência dum casal de noivos permita algo excessivo ou extravagante, a consciência coletiva dos anciãos não poderia ser despercebida. Embora não queiram impor seu gosto pessoal, eles têm por objetivo final a paz, a união e a espiritualidade da congregação inteira. E devem conscienciosamente ajudar pessoas para que ‘saibam como devem comportar-se na família de Deus, que é coluna e amparo da verdade’. — 1 Timóteo 3:15; 1 Coríntios 10:1.

      16. Se você tiver de decidir um assunto que compete à sua consciência, que deve considerar?

      16 Assim, ao enfrentar uma decisão ‘num assunto de consciência’, devemos refletir sobre (1) o que a Palavra de Deus diz sobre isso e (2) como nossa decisão pode influir em outros ou envolvê-los. Há, porém, um terceiro aspecto importante.

      COMO SEREMOS NÓS MESMOS INFLUENCIADOS?

      17. Como foi que a consciência influenciou um irmão na cidade de Nova Iorque?

      17 A revista Natural History, de agosto de 1981, publicou um artigo a respeito de mensageiros da cidade de Nova Iorque que entregam, de bicicleta, encomendas e cartas urgentes a firmas na cidade. Entre exemplos de homens que entraram nesse tipo de serviço, lemos: “Donald, mensageiro de 41 anos, tem condições de sustentar sua esposa e um filho de 15 anos, com os seus vencimentos. Donald era processador de filmes, mas largou sua profissão porque, como Testemunha de Jeová, não podia fechar os olhos ao papel que desempenhava na produção de material pornográfico. Como mensageiro, não somente tem uma consciência limpa, mas pode também fazer seu próprio horário de trabalho para empregar mais tempo no proselitismo.”

      18. (a) Como talvez tenha esse irmão chegado à sua decisão? (b) Que lição pode você aprender disso?

      18 Vários fatores pesam nas decisões relacionadas com emprego (veja quadro na página 26). Similar ao caso de Donald, o cristão talvez trabalhe numa firma que processa filmes — fotografias, filmes domésticos filmes de propaganda, filmes de cinema. Gradativamente, vai aparecendo algum material pornográfico. A certo ponto, a consciência do cristão começa a incomodá-lo. Talvez verifique que ele mesmo está sendo forçado a um envolvimento com pornografia ou com outra atividade ilegal. Quer por ser identificado com uma firma que trabalha com pornografia, quer devido ao que se espera que ele faça, talvez verifique que precisa largar esse emprego a fim de permanecer “irrepreensível”, o que seria de interesse especial no caso de pessoas que tivessem ou almejassem oportunidades de serviço na congregação. Ao procurar outro trabalho, poderá confiantemente contar com a bênção de Jeová. (1 Timóteo 3:2, 8-10; Romanos 13:5) Sem dúvida, há muitos cristãos que abandonaram tais empregos em vez de permitirem que a impureza os corrompesse gradualmente. (Veja Mateus 5:28.) Assim, quando temos uma decisão a tomar que envolva a consciência, devemos perguntar: ‘Se eu fizer isso ou recusar-me a fazê-lo, como isso me afetará?’ Certamente, não devemos desconsiderar a nossa consciência, cauterizando-a e tornando assim mais fácil fazer o que é errado no futuro. — 1 Timóteo 4:2; Judas 10; Efésios 4:18, 19.

      19, 20. (a) Como podem tanto a consciência como a fé exercer uma influência quanto ao nosso ministério? (b) Ricos ou não, qual deve ser o nosso desejo?

      19 Ao refletirmos sobre a decisão conscienciosa feita por Donald, devemos observar que, além de procurar uma relação aprovada com Jeová, ele desejava divulgar em maior escala a sua fé. Isso harmoniza-se com a ligação que Paulo faz entre a consciência e a fé: “O objetivo desta ordem é o amor proveniente dum coração puro, e duma boa consciência, e duma fé sem hipocrisia.” — 1 Timóteo 1:5.

      20 É elogiável quando a fé duma pessoa e seu desejo de ter uma boa consciência levam-na a fazer ajustes, de modo que ‘seus passos não vacilem’ e que possa dispensar mais tempo e atenção a divulgar “todo o conselho de Deus”. (Atos 20:26, 27) Como, porém, devemos encarar outros cujas circunstâncias aparentemente permitem-lhes fazer mais na pregação, mas que disso não se aproveitam? Talvez tenham bom rendimento proveniente de seu emprego ou de seus negócios e já parecem ter dinheiro suficiente para viver confortavelmente neste sistema. Contudo, em vez de regozijarem-se na tarefa de fazer discípulos, por tempo integral, como pioneiros, eles prosseguem no empenho de expandir seus negócios, sua casa, e em aumentar seus confortos.b (Veja Marcos 10:17-22; Lucas 12:16-21.) Não nos compete julgar outros em tal assunto, pois “cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus”. Em vez disso, permitamos que a nossa fé nos mova, sem hipocrisia, a servir a Deus ao máximo, de modo a termos uma consciência limpa. — Romanos 14:1-4, 10-12.

      GUIADOS POR UMA BOA CONSCIÊNCIA

      21. Que efeito positivo pode a nossa consciência ter sobre nós?

      21 Uma consciência cristã corretamente educada e sensível nos guiará a fazer o que é bom. Fez isso no caso de Paulo. Ele estava tão interessado em ‘seus irmãos’, co-judeus, que escreveu: “Minha consciência dá testemunho comigo, em espírito santo, de que tenho grande pesar e incessante dor no meu coração.” (Romanos 9:1-3) Sim, ele fez tudo o que lhe era possível para partilhar com eles as boas novas do cristianismo.

      22. Por que pode a consciência motivar-nos mesmo além do que as regras possam conseguir?

      22 Deve-se dar o mesmo no nosso caso. Se apreciarmos o valor de nossa consciência dada por Deus, não estaremos propensos a pensar simplesmente em termos de regras. As regras talvez estabeleçam requisitos, ou alvos, mínimos. Mas, uma consciência estimulada pelo amor e pela fé provavelmente exigirá mais de nós, motivando-nos a sacrifícios e altruísmo maiores. Desse modo certamente tiraremos proveito de nossa consciência. Ela nos manterá afastados das coisas que possam resultar na desaprovação de Deus e ajudar-nos-á a fazer as coisas que ele explicitamente aprova. É especialmente assim à medida que nossa consciência nos guia em direção a termos uma participação maior em proclamar as boas novas. Que proveito maior poderia haver do que aquele que Paulo mencionou a Timóteo? Ele disse: “Presta constante atenção a ti mesmo e ao teu ensino. Permanece nestas coisas, pois, por fazeres isso, salvarás tanto a ti mesmo como aos que te escutam.” — 1 Timóteo 4:16.

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