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É a cruz para os cristãos?A Sentinela — 1987 | 15 de agosto
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“Originalmente o gr[ego] staurós significava uma estaca de madeira pontuda, vertical, firmemente fixa no chão. . . . Elas eram colocadas lado a lado em fileiras para formar cercas ou paliçadas em volta de povoados, ou, avulsas, eram usadas como instrumentos de tortura nos quais transgressores sérios da lei eram publicamente suspensos para morrer (ou, se já mortos, terem seus cadáveres plenamente desonrados).”
Sim, os romanos realmente usavam um instrumento de execução chamado em latim de crux. E, ao traduzir a Bíblia para o latim, esta palavra crux era usada como tradução de stau·rós. Visto que a palavra latina crux e a palavra portuguesa cruz são similares, muitos erroneamente presumem que a crux era necessariamente uma estaca com uma viga cruzada. Contudo, The Imperial Bible-Dictionary diz: “Até mesmo entre os romanos a crux (da qual se deriva nossa cruz) parece ter sido originalmente um poste reto, e isto sempre permaneceu a parte mais proeminente.”
O livro The Non-Christian Cross (A Não-Cristã Cruz) acrescenta: “Não existe uma única sentença em qualquer dos inúmeros escritos que formam o Novo Testamento que, no grego original, forneça sequer evidência indireta no sentido de que o stauros usado no caso de Jesus fosse diferente do stauros [poste ou estaca] comum; muito menos no sentido que consistisse, não em um só pedaço de madeira, mas em dois pedaços pregados juntos em forma de uma cruz.” Cristo poderia muito bem ter sido pregado num tipo de crux (stau·rós) conhecido como a crux simplex. Assim é que tal estaca foi ilustrada pelo erudito católico romano Justus Lipsius do século 16.
Que dizer da outra palavra grega, xý·lon? Ela foi usada na tradução Septuaginta, grega, da Bíblia, em Esdras 6:11. Na Tradução do Novo Mundo, o texto reza: “E por mim foi dada uma ordem que, quando alguém violar este decreto, se arranque da sua casa um madeiro e ele seja pregado nele, e sua casa se tornará por esta causa uma latrina pública.” Obviamente, tratava-se de uma viga única, ou “madeiro”.
Numerosos tradutores das Escrituras Gregas Cristãs (Novo Testamento), portanto, traduzem do seguinte modo as palavras de Pedro em Atos 5:30: “O Deus de nossos antepassados levantou Jesus, a quem matastes por pendurá-lo num madeiro [ou “árvore”, segundo a King James Version, a New International Version, A Bíblia de Jerusalém (na edição em inglês) e a Revised Standard Version].” Talvez queira também verificar como a sua Bíblia traduz xý·lon em: Atos 10:39; 13:29; Gálatas 3:13; e 1 Pedro 2:24.
Andando Pela Fé, Não Pela Vista
Mesmo depois de considerar tal evidência de que Cristo realmente morreu numa estaca, alguns talvez ainda não vejam nada de errado em usar uma cruz. ‘É um simples ornamento’, talvez digam.
Tenha em mente, contudo, como a cruz tem sido usada ao longo da história — como um objeto de adoração pagã e reverência supersticiosa. Poderia o uso duma cruz, mesmo como simples enfeite, harmonizar-se com a admoestação do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 10:14: “Portanto, meus amados, fugi da idolatria”?
Que dizer dos verdadeiros cristãos hoje? Eles, também, devem estar cônscios da necessidade de ‘guardar-se dos ídolos’, como aconselha a Bíblia. (1 João 5:21) Assim, eles não consideram a cruz um ornamento apropriado. Eles lembram-se da declaração de Paulo: “Maldito é todo aquele pendurado num madeiro”, e, por conseguinte, preferem pensar em Cristo como glorioso Rei entronizado! — Gálatas 3:13; Revelação (Apocalipse) 6:2.
Embora tais cristãos não usem cruzes, eles apreciam profundamente o fato de que Cristo morreu por eles. Sabem que o sacrifício de Cristo é uma maravilhosa demonstração do “poder de Deus” e de amor eterno. (1 Coríntios 1:18; João 3:16) Mas, eles não necessitam de algum objeto material, como uma cruz, para ajudá-los a adorar a este Deus de amor. Pois, como Paulo exortou, ‘andam pela fé, não pela vista’. — 2 Coríntios 5:7.
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Uma cruz cristã antes de Constantino?A Sentinela — 1987 | 15 de agosto
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Uma cruz cristã antes de Constantino?
“O SÍMBOLO da cruz é um emblema que tem grande antiguidade, presente em quase toda cultura conhecida. O seu significado tem fugido à compreensão dos antropólogos, embora seu uso na arte funerária possa muito bem indicar que seja uma defesa contra o mal. Por outro lado, a famosa crux ansata, do Egito, representada como que saindo da boca, deve referir-se à vida ou ao fôlego. O uso universal do símbolo da cruz torna mais pungente a impressionante falta de cruzes nas ruínas cristãs dos tempos primitivos, especialmente qualquer referência específica ao evento em Gólgota. A maioria dos eruditos concorda agora que a cruz, como referência artística ao evento da paixão, não se pode encontrar no período anterior ao de Constantino.” — Ante Pacem — Archaeological Evidence of Church Life Before Constantine (1985), do professor Graydon F. Snyder, página 27.
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