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    A Sentinela — 1973 | 15 de novembro
    • Vingança do sangue dos inocentes

      “Pois, eis que Jeová está saindo do seu lugar para ajustar contas pelo erro do habitante da terra contra ele, e a terra certamente exporá seu derramamento de sangue e não mais encobrirá os seus que foram mortos.” — Isa. 26:21.

      1. Qual é a atitude de Jeová para com a vida, conforme mostra o profeta Isaías?

      DESDE o começo dos tratos de Jeová com a humanidade, ele demonstrou o alto conceito que tem da vida. Ao mesmo tempo, tornou claro ao homem que este também precisa respeitar a vida, senão terá de responder a Jeová pela sua falta de respeito. Deixar de tomar em consideração a lei de Jeová trouxe sobre as nações o julgamento justo de Jeová, e o sangue inocente que foi derramado no decorrer dos séculos não mais pode ser encoberto ou deixado sem vingança. Isto é tornado bastante certo pelas palavras do profeta Isaías: “Pois, eis que Jeová está saindo do seu lagar para ajustar contas pelo erro do habitante da terra contra ele, e a terra certamente exporá seu derramamento de sangue e não mais encobrirá os seus que foram mortos.” — Isa. 26:21.

      2. (a) Em que questão a respeito da vida ficaram envolvidos Caim e Abel e o que motivou a atitude de Caim? (b) Qual foi o julgamento de Jeová na questão?

      2 Os primeiros dois homens de que se sabe que nasceram na raça humana ficaram envolvidos nesta questão de se derramar sangue inocente, quando a oferta que Abel fez a Jeová foi aceita, ao passo que a de Caim não foi considerada com favor, “e acendeu-se muito a ira de Caim, e seu semblante começou a descair”. Reconhecendo a ameaça para a vida de Abel criada pela ira de Caim, Jeová advertiu Caim de que ele poderia ter enaltecimento simplesmente por se voltar para fazer o bem. Entretanto, o motivo da falta de favor para com Caim, ao fazer a oferta a Jeová, ‘Aquele que lê o coração’, tornou-se mais evidente na expressão adicional da atitude errada de Caim. (1 Sam. 16:7) Em vez de se humilhar em reconhecimento da lei de Jeová, seguindo o exemplo de seu irmão, decidiu desconsiderar o conselho de Deus, de dominar o pecado que estava “agachado à entrada” e seguiu o caminho que o levou ao assassinato violento de seu irmão. (1 João 3:12; Jud. 11) Uma evidência adicional de sua atitude foi a sua resposta endurecida e mentirosa à pergunta de Jeová a respeito do paradeiro de Abel: “Não sei. Sou eu guardião de meu irmão?” Esta não foi nenhuma expressão de arrependimento ou remorso! Nem ficou Caim eximido de responsabilidade por pretender ser inocente. Jeová expressou imediatamente a sentença. “Escuta! O sangue de teu irmão está clamando a mim desde o solo. E agora, maldito és, banido do solo, o qual abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue de teu irmão.” — Gên. 4:4-11.

      3. (a) Por que não foi Caim absolvido da culpa e como encarou ele a sentença da parte de Jeová? (b) Nos dias de Noé, o que fez Jeová para limpar a terra, que havia ficado cheia de violência?

      3 Note que Jeová trouxe especialmente à atenção que o sangue de Abel foi derramado ao solo. Por quê? Porque a vida está no sangue e o sangue de Abel foi derramado sem causa justificável. Caim tirou a vida de Abel, vida que pertencia a Deus, e o sangue que manchava o solo no cenário do assassinato dava testemunho mudo, mas eloqüente, de que se derramara a vida, clamando a Jeová por vingança. Caim deve ter-se dado conta de que tirar ele a vida de Abel punha em perigo a sua própria vida, porque se queixou a Jeová: “Tenho de tornar-me errante e fugitivo na terra, e é certo que quem me achar me matará.” (Gên. 4:14) No entanto, Jeová disse-lhe: “‘Por esta causa, quem matar a Caim terá de sofrer vingança sete vezes.’ E Jeová estabeleceu assim um sinal para Caim, a fim de que não fosse golpeado por aquele que o achasse.” (Gên. 4:15) O sinal que Jeová deu a Caim foi de significação inconfundível, conforme foi atestado posteriormente por Lameque, descendente de Caim, quando este compôs as palavras: “Matei um homem por contundir-me, sim, um jovem, por dar-me uma pancada. Se Caim há de ser vingado sete vezes, então Lameque setenta vezes e sete.” (Gên. 4:23, 24) A violência aumentou na terra até que, nos dias de Noé, Jeová exterminou tudo em que o “fôlego da força da vida” estava ativo, desde o homem e até o animal. Só Noé e os que estavam com ele na arca foram poupados quando as águas do Dilúvio cobriram a terra. — Gên. 7:22, 23.

      MANTIDA EM VIGOR A SANTIDADE DO SANGUE

      4. (a) Quando e como introduziu Jeová a força de vida na sua criação material? (b) Como demonstrou Jeová a ordem superior de vida duma “alma” em comparação com a vida que anima a vegetação?

      4 Este “fôlego da força da vida” foi a criação de Deus e foi implantado primeiro em animais marinhos, em criaturas voadoras, aladas, e em animais terrestres. Isto aconteceu milhares de anos antes de o homem receber este dom de Deus. No entanto, nem mesmo isso foi o começo da operação da força de vida na terra. Este se deu no terceiro dia criativo, quando Deus sobrepôs aos átomos inanimados de matéria a força da vida, dizendo: “Faça a terra brotar relva, vegetação que dê semente, árvores frutíferas que dêem fruto segundo as suas espécies, cuja semente esteja nele, sobre a terra.” (Gên. 1:11) Na vegetação, especialmente em plantas lenhosas, havia de circular um sumo ou fluido vital chamado seiva, transportando nutrimento essencial aos menores ramos, folhas e flores. Pode-se dizer assim que a vida da árvore está na seiva, que transporta as propriedades vitalizadoras da planta através de todo o seu sistema. No entanto, cerca de quatorze mil anos depois, no quinto dia criativo, quando começaram a ser criadas as criaturas marinhas e as criaturas voadoras, e mais sete mil anos depois, no sexto dia criativo, quando começaram a ser criados os animais terrestres, Jeová preparou neles uma espécie diferente de sistema circulatório. E ele encheu os intricados sistemas circulatórios destas criaturas com um veículo novo, com sangue, em vez de seiva, transportando oxigênio e nutrição a todo tecido de cada órgão e cada parte do corpo. Mas a vida no sangue é duma ordem superior à que anima as plantas e a vegetação. É a vida duma “alma”. Além disso, não se impôs ao homem nenhuma restrição quanto a cortar plantas, tirando-lhes assim a vida. Ao contrário, “toda a vegetação que dá semente . . . e toda árvore” foram dadas como alimento tanto ao homem como aos animais. (Gên. 1:29, 30) Mas, no Éden, e depois de o homem ter pecado e ter sido expulso do Éden, ele não recebeu autorização para tirar a vida de animais com a mesma liberdade irrestrita que tinha para com as plantas. A vida da alma era tida como sagrada por Deus.

      5. (a) Que nova lei recebeu Noé após o dilúvio e isso relacionado com que autorização? (b) Como salientou este mandamento adicionalmente a santidade do sangue e da vida que este contém?

      5 Quando Noé saiu da arca, Jeová deu-lhe uma nova lei. Nesta, Jeová falou da “alma” como sendo o “sangue”. Isto se dá porque a “alma” ou “vida” está no sangue. Não que a alma seja algo imaterial, invisível e intangível dentro do homem. Os animais, os peixes e as aves são chamados “almas” (Gên. 1:20-24), e, ao criar o homem, Jeová soprou o fôlego da vida no corpo feito de pó e “o homem veio a ser uma alma vivente”, quer dizer, o homem era uma alma; não possuía uma alma. (Gên. 2:7) Mas, após o Dilúvio, Jeová fez uma mudança nos seus tratos com a humanidade com respeito ao derramamento do sangue. Jeová deu ao homem a responsabilidade sagrada de agir imediatamente como executor de Jeová dos assassinos deliberados. Este mandamento foi declarado com relação à autorização de comer a carne de animais, mas Jeová advertiu Noé especificamente a respeito da santidade do sangue e da vida contida no sangue. “Todo animal movente que está vivo pode servir-vos de alimento. Como no caso da vegetação verde, deveras vos dou tudo. Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer. E, além disso, exigirei de volta vosso sangue das vossas almas. Da mão de cada criatura vivente o exigirei de volta; e da mão do homem, da mão de cada um que é seu irmão exigirei de volta a alma do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.” (Gên. 9:3-6) Impôs-se assim a pena de morte à humanidade como requisito divino, e com o passar do tempo tornou-se bastante claro que a falta do cumprimento deste requisito traria novamente séria culpa de sangue.

      NENHUM RESGATE PELA CULPA DE SANGUE

      6. Segundo a lei de Moisés, como somente podia a terra ser mantida sem poluição pela culpa de sangue, e de que alcance era esta provisão?

      6 Séculos depois, Jeová Deus enfatizou novamente seu alto conceito da vida da “alma” ao prescrever a punição pela violação da lei de Israel mediada por Moisés. Jeová disse: “E teu olho não deve ter dó: será alma por alma, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.” (Deu. 19:21) Jeová advertiu mais o seu povo quando este estava pronto para entrar na Terra da Promessa: “E não deveis poluir a terra em que estais; porque é o sangue que polui a terra, e não pode haver nenhuma expiação para a terra quanto ao sangue que se derramou sobre ela, exceto pelo sangue daquele que o derramou.” (Núm. 35:33) Tão grande era o alcance da provisão de Jeová, de manter a terra livre de poluição por cansa da culpa de sangue dos seus habitantes, que até mesmo providenciou para os casos em que o assassino não fosse conhecido. Não se podia permitir que a perda duma vida inocente fizesse com que o solo continuasse poluído. — Deu. 21:1-9.

      7. (a) Quem foi autorizado em Israel a vingar alguém que foi morto, e como se desincumbia ele de sua responsabilidade? (b) Em que diferia a lei de Israel de práticas posteriores, especialmente em tempos medievais?

      7 O autorizado, sob a lei de Israel, a vingar o sangue do morto era chamado de “vingador do sangue” ou go’el΄ e era o parente masculino mais próximo do que foi morto. (Núm. 35:19) Visto que o parente mais próximo estaria pessoalmente envolvido com o que foi morto, é compreensível que ele teria vivo interesse em cumprir esta responsabilidade, levantando-se até mesmo num acesso de ira para vingar a vida de seu parente. Se o assassino era conhecido, então a expiação pelo sangue do morto tinha de ser rápida e certa. “Caso haja um homem que odeia seu próximo, e ele se tenha posto de emboscada contra este e se tenha levantado contra ele e golpeado fatalmente a sua alma, e ele tenha morrido, e o homem tenha fugido para uma destas cidades [de refúgio], então os homens mais maduros da sua cidade têm de mandar tirá-lo de lá, e têm de entregá-lo na mão do vingador do sangue, e ele tem de morrer. Teu olho não deve ter dó dele, e tens de eliminar de Israel a culpa pelo sangue inocente, para que te vá bem.” (Deu. 19:11-13) Não se concedia santuário ou asilo ao assassino deliberado, nem se podia pagar resgate pela sua alma. (Núm. 35:31) Nos tempos antigos e nos medievais, em muitos países concedia-se asilo a qualquer pessoa, mesmo que fosse culpada de assassinato. As igrejas da cristandade tornaram-se assim santuários para os que deliberadamente violavam a lei de Deus. Isto não era tolerado sob a lei do antigo Israel. Um exemplo de que nem mesmo o altar sagrado das ofertas queimadas provia asilo é o caso de Joabe. Quando não quis soltar os chifres do altar e sair, Salomão mandou que fosse executado ali mesmo no pátio da tenda de Jeová, por sua participação na rebelião de Adonias e por matar Abner e Amasa. — 1 Reis 2:28-34.

      MISERICÓRDIA PARA COM O HOMICIDA DESINTENCIONAL

      8. (a) Por que não havia nenhuma culpa de sangue por parte do vingador do sangue, por ele tirar a vida do homicida? (b) Havia culpa de sangue da parte do vingador do sangue se ele tirou a vida dum homicida desintencional? Como ficava a terra poluída em tal caso?

      8 Quando o vingador do sangue alcançava tal matador, então não havia culpa de sangue em resultado da execução do assassino porque de fato estava fazendo expiação pelo sangue inocente que de outro modo faria com que a terra ficasse poluída. (Núm. 35:33) Mas, o que se dava quando a matança era acidental e não havia malevolência ou premeditação? Em tal caso, a perda da vida era desintencional, sem se procurar o mal do morto. Se o vingador do sangue alcançasse o homicida desintencional e o matasse num acesso de ira, então, visto que o homicida era inocente quanto a um assassinato premeditado, seu próprio parente próximo poderia levantar-se indignado contra o executor de seu parente e se tiraria outra vida inocente, visto que o primeiro vingador do sangue tinha o direito legal de se lançar sobre o homicida desintencional. Isto poderia facilmente criar uma inimizade sangrenta na qual se poderia perder uma vida inocente após outra, e o país teria sido banhado em sangue.

      9. Que provisão de asilo se fez para o homicida desintencional?

      9 Para impedir tal poluição da terra, e como ato de misericórdia, Jeová exigiu que se estabelecessem em Israel cidades como asilos, nas quais o homicida involuntário poderia refugiar-se contra o vingador do sangue. “E as cidades têm de servir-vos de refúgio contra o vingador do sangue, para que o homicida não morra até comparecer perante a assembléia para julgamento. E as cidades que dareis, as seis cidades de refúgio, estarão à vossa disposição. Dareis três cidades deste lado do Jordão e dareis três cidades na terra de Canaã. Servirão de cidades de refúgio. Estas seis cidades servirão de refúgio para os filhos de Israel e para o residente forasteiro, e para o colono no meio deles, a fim de fugir para lá aquele que sem querer tenha golpeado fatalmente uma alma.” (Núm. 35:10-15; Deu. 19:1-3, 8-10) Estas cidades tinham de estar perto e facilmente acessíveis, conforme se declara em Deuteronômio 19:6: “Do contrário, o vingador do sangue, por arder-lhe o coração, poderá ir no encalço do homicida e realmente alcançá-lo, visto que o caminho é longo; e deveras poderá golpear fatalmente a sua alma, visto que não há sentença de morte contra ele, pois não o odiou anteriormente.” Além disso, embora não seja declarado especificamente na Bíblia, a tradição judaica nos informa que as estradas que levavam às cidades de refúgio eram feitas muito largas e planas, para que não houvesse impedimentos no caminho, e eram mantidas constantemente em bom estado.

      SEGURANÇA APENAS NA CIDADE DE REFÚGIO

      10. Como se decidia se um homem tinha direito ao asilo na cidade de refúgio?

      10 Embora qualquer que tirasse uma vida pudesse fugir para tal cidade, só se concedia asilo até que o homicida pudesse ser julgado perante os anciãos da sua cidade, em cuja jurisdição ocorreu o homicídio. (Jos. 20:4-6) E “então a assembléia [tinha] de julgar entre o golpeador e o vingador do sangue segundo estes julgamentos”. (Núm. 35:24) Caso fosse achado culpado de assassinato, o homicida tinha de ser entregue sem demora ao vingador do sangue para ser executado. (Núm. 35:30) Por outro lado, se o homicida fosse achado inocente de malevolência, não tendo odiado anteriormente o morto, então “a assembléia [tinha] de livrar o homicida da mão do vingador do sangue e a assembléia [tinha] de devolvê-lo à sua cidade de refúgio à qual fugiu, e ele [tinha] de morar nela até a morte do sumo sacerdote que foi ungido com o óleo sagrado”. — Núm. 35:25.

      11. Como somente podia a cidade continuar a ser lugar de refúgio para o homicida, e o que incutiria isso nele?

      11 A fim de se assegurar o contínuo refúgio, o homicida tinha de permanecer dentro dos limites da cidade, seus subúrbios e seus pastos, que se estendiam por mil côvados para fora da cidade. “Mas, se o homicida sair terminantemente dos termos de sua cidade de refúgio à qual tenha fugido e o vingador do sangue deveras o encontrar fora do termo de sua cidade de refúgio, e o vingador do sangue deveras matar o homicida, ele não terá culpa de sangue. Pois, devia morar na sua cidade de refúgio até a morte do sumo sacerdote, e depois da morte do sumo sacerdote o homicida pode voltar à terra de sua propriedade.” (Núm. 35:26-28) Isto significava que, uma vez que o homicida entrou na cidade como habitante aceito da cidade, tendo provado sua inocência quanto a matar intencionalmente por passar pelo devido julgamento, então ele não podia sair da cidade, nem mesmo temporariamente por motivo algum, sem arriscar a vida. Isto incutia no homicida a seriedade do que tinha feito, embora inocentemente, e incutia nele continuamente a misericórdia de Jeová em conceder-lhe este asilo. Declarou-se mais: “E não deveis aceitar resgate por alguém que fugiu para a sua cidade de refúgio, para ele voltar a morar no país antes da morte do sumo sacerdote.” (Núm. 35:32) Se não, teria zombado da provisão de Jeová e teria sugerido que a vida podia ser comprada de Jeová.

      12. Era o homicida mantido prisioneiro na cidade? O que o retinha ali e o que tinha de fazer durante a sua estada nela?

      12 Admitir-se a tal na cidade de refúgio não devia tornar-se um fardo para os habitantes da cidade. Era razoável que, enquanto se encontrasse ali contribuísse para o bem-estar da cidade e trabalhasse para seu sustento. Talvez fizesse isso por trabalhar no seu próprio ofício, caso se ajustasse à vida da cidade. Senão, poderia até mesmo ter de aprender um novo ofício. Nada na lei de Jeová permitia a mendicância ou viver-se da caridade dos outros, sem se contribuir algo em troca, se se fosse fisicamente capaz. Até mesmo a viúva e o órfão que talvez não tivessem nem terra nem meios de sustento, embora se fizessem provisões abundantes para eles, ainda assim tinham de trabalhar pelo que recebiam. (Deu. 24:17-22) É interessante notar que, embora os homicidas não fossem mantidos presos na cidade e tivessem a liberdade de se locomover como quisessem, ainda assim o induzimento de Jeová para satisfazer a sua provisão de segurança era de natureza tal, que apenas os mais temerários tentariam violá-la.

      13. Que particularidades adicionais da lei de Israel tornavam claro que tirar uma vida, mesmo que desintencionalmente, não devia ser encarado levianamente?

      13 Além disso, não se devia abusar da misericórdia de Jeová em prover refúgio para o homicida desintencional, nem permitia a lei negligência imperdoável como motivo de misericórdia. Por exemplo, quando um homem construía uma casa nova, exigia-se dele que fizesse um parapeito para o seu terraço; senão, cair alguém do terraço lançaria culpa de sangue sobre a casa. (Deu. 22:8) Se um homem que era proprietário dum touro que costumava escornar, tendo sido avisado, deixou de manter seu touro sob guarda e o touro matou alguém, o proprietário do touro tinha culpa de sangue e podia ser morto. (Êxo. 21:28-32) Quando um ladrão era apanhado arrombando a noite e era morto na luta para prendê-lo, não havia culpa de sangue. Mas, se isto acontecia de dia, quando podia ser visto bem, quem o golpeasse futilmente teria culpa de sangue. (Êxo. 22:2, 3) Deveras, a lei de Jeová estava em perfeito equilíbrio, exigindo do iníquo retribuição justa, mas concedendo misericórdia aos que caíam no pecado ou numa violação desintencional da lei.

      RETRIBUIÇÃO SEGURA E BREVE

      14. Como aceitou Israel, como nação, os requisitos da Lei quanto à santidade do sangue, e que denúncia estavam os profetas de Deus autorizados a fazer?

      14 Como esta provisão eqüitativa de Jeová veio a indiciar o antigo Israel! Embora toda a lei de Israel desse ênfase à santidade da vida e à santidade do sangue, desde o começo dos seus tratos com Israel, apenas um pequeno restante acatou os rogos repetidos que Jeová achou necessário fazer ao seu povo, ‘levantando-se cedo e enviando seus profetas’, para adverti-los da certeza da retribuição justa. Eles não só se negaram a acatar a advertência de Jeová, mas voltaram-se em violência contra os Seus profetas e os mataram cruelmente, acrescentando assim o sangue destes inocentes à sua culpa perante Jeová. (Jer. 26:2-8) Por isso, Jeová enviou-lhes esta denúncia por meio de Jeremias: “Também, nas tuas saias foram achadas as manchas de sangue das almas dos pobres inocentes. Não as encontrei no ato de arrombamento, mas estão em todas estas.” (Jer. 2:34) E por meio de Isaías: “A própria terra foi poluída sob os seus habitantes, pois deixaram de lado as leis, mudaram o regulamento, violaram o pacto de duração indefinida. Por isso é que a própria maldição consumiu a terra e os que habitam nela são considerados culpados. Por isso é que os habitantes da terra diminuíram em número e restaram poucos homens mortais.” — Isa. 24:5, 6.

      15. Que retribuição trouxe Jeová sobre seu povo de Israel nos dias de Jeremias, e que responsabilidade adicional neste respeito tinham os descendentes deles nos dias de Jesus?

      15 Jerusalém foi destruída em 607 A. E. C. por causa de seus muitos crimes contra Jeová, inclusive sua culpa de sangue, e apenas um restante ficou sem condenação. Mas, apesar deste apavorante ato retributivo de Jeová, os líderes da religião falsa, dos dias de Jesus, não podiam negar a sua própria culpa de sangue, assim como tampouco puderam os líderes religiosos do tempo de Jeremias, pois, em ambos os casos, suas saias estavam vermelhas do sangue dos fiéis de Jeová, inclusive o do seu próprio Filho amado. — Mat. 23:33-36; 27:24, 25; Luc. 11:49-51.

      16. Que atitude adotam as nações hoje na questão da santidade do sangue e qual deve ser o nosso conceito?

      16 Agora, hoje, a culpa de sangue de todas as nações da terra atingiu sua plenitude. Tão grande é a culpa de sangue da “meretriz” Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa, que se diz que ela está embriagada com o sangue do povo de Jeová. (Rev. 17:5, 6; 18:24) O Vingador do sangue, da parte de Jeová, está para vir a qualquer momento para golpear, e ai daquele que for apanhado na companhia dela! (Rev. 18:4) Tais culpados de sangue “não viverão metade dos seus dias”, segundo disse Davi. (Sal. 55:23) Devemos seriamente orar junto com o salmista: “Livra-me da culpa de sangue, ó Deus, o Deus da minha salvação”, e “salva-me dos homens culpados de sangue”. (Sal. 51:14; 59:2) Então, no futuro muito próximo, quando se elevar no céu o poderoso coro de louvor a Jeová, por terem sido destruídos os últimos elementos de Babilônia, a Grande, e por ter sido vingado o sangue de todos os inocentes, nossa voz se juntará na terra a todos os que escaparam da espada retributiva do Vingador de Jeová. — Rev. 19:1, 2, 15, 21.

  • Abandonar a cidade de refúgio significa perder a vida
    A Sentinela — 1973 | 15 de novembro
    • Abandonar a cidade de refúgio significa perder a vida

      1. Em que situação está a cristandade, assim como estiveram os judeus nos dias de Jesus?

      MUITA culpa de sangue recai hoje sobre a cristandade e sobre todo o mundo. Muitas pessoas sinceras, por não terem matado pessoalmente um homem ou se empenhado diretamente numa guerra, não se apercebem de sua própria participação pessoal nesta culpa. Não obstante, precisam assumir parte desta responsabilidade com os representados na profecia como tendo derramado sangue inocente. A cristandade está atualmente na mesma situação dos judeus dos dias de Jesus, aos quais Jesus disse: “Eu vos estou enviando profetas, e sábios, e instrutores públicos. A alguns deles matareis e pendurareis em estacas, e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; para que venha sobre vós todo o sangue justo derramado na terra, desde o sangue do justo Abel até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem assassinastes entre o santuário e o altar. Deveras, eu vos digo: Todas essas coisas virão sobre esta geração. Jerusalém, Jerusalém, matadora dos profetas e apedrejadora dos que lhe são enviados.” — Mat. 23:34-37.

      2. Como veio Jerusalém a ter antecedentes manchados de sangue, e que retribuição recebeu ela?

      2 A história manchada de sangue de Jerusalém não provinha de ela se empenhar em guerra teocrática sob o comando de Jeová Deus, mas porque ela derramou sangue inocente e matou deliberadamente muitos dos profetas de Deus, até mesmo Jesus, Filho de Deus, que foi ali condenado à morte. Isto não foi feito em inocência, pois, sete séculos antes, nos dias de Jeremias, Jeová expôs a culpa de sangue de Jerusalém quando disse por meio de seu profeta: “Também, nas tuas saias foram achadas as manchas de sangue das almas dos pobres inocentes. Não as encontrei no ato de arrombamento, mas estão em todas estas. Mas tu dizes: ‘Permaneci inocente. Decerto, a sua ira recuou de mim.’ Eis que entro numa controvérsia contigo por dizeres: ‘Não pequei.’” (Jer. 2:34, 35) Agindo diretamente em harmonia com estas palavras, Jeová expressou em 607 A. E. C. sua ira contra Jerusalém pelo arbitrário derramamento de sangue por parte dela, e seus executores babilônicos derramaram o sangue dela para o chão, numa espantosa destruição. Jerusalém sofreu também outro banho de sangue, em cumprimento das palavras de Jesus, e antes de esse terminar, no verão de 70 E. C., 1.100.000 haviam morrido na cidade sitiada.

      CULPA DE SANGUE PELA RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA

      3. Por que pereceram muitos que não haviam tirado diretamente nenhuma vida?

      3 Que especialmente os da cristandade dêem atenção a este exemplo de advertência. Nem todos os judeus mortos pelos babilônios ou pelos romanos eram diretamente culpados de matar os profetas de Deus ou de outro modo tirar uma vida humana, mas eles pereceram junto com os que derramaram deliberadamente sangue inocente. Por quê? Porque defendiam os antecedentes e as tradições do judaísmo, e por isso compartilhavam da responsabilidade desta sociedade no seu derramamento de sangue.

      4. Por que não pode Jeová desconsiderar os antecedentes da cristandade?

      4 A cristandade é realmente o equivalente moderno de Jerusalém e de seu domínio de Judá. Os antecedentes da cristandade perante Deus estão manchados com o sangue injustamente derramado desde o começo dela no quarto século, nos dias de Constantino. Estes antecedentes não podem passar despercebidos, porque Jeová, que não muda, declarou a Noé: “Exigirei de volta vosso sangue das vossas almas. Da mão de cada criatura vivente o exigirei de volta; e da mão do homem, da mão de cada um que é seu irmão exigirei de volta a alma do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.” — Gên. 9:5, 6.

      5. (a) Que atos da cristandade marcaram seus antecedentes, e por que não podem ser justificados? (b) Quem compartilha a responsabilidade pela culpa de sangue da cristandade?

      5 As centenas de guerras da cristandade, além das inquisições e cruzadas religiosas antes de 1914, gastaram a vida de incontáveis centenas de milhares de pessoas insuspeitosas, e as duas guerras mundiais desde 1914, pelas quais a cristandade tem de levar a maior parte da responsabilidade para com dezenas de milhões de vidas, acumularam uma terrível dívida de sangue, que ela terá de pagar segundo o mandamento de Deus a respeito do sangue. Não se pode afirmar que estas guerras eram guerras teocráticas, travadas em nome de Deus, embora sacerdotes e clérigos de ambos os lados nestas controvérsias travadas na cristandade tenham dado bênçãos aos seus participantes. Isto não autorizou a ninguém a matar seu próximo e ainda assim ficar sem culpa de sangue perante Jeová Deus. Estar sob a bênção de tais sacerdotes ou clérigos não era entrar na “cidade de refúgio” do Sumo Sacerdote de Jeová, Jesus Cristo. Embora fossem travadas sinceramente por muitos, num fervor religioso ou patriótico, a invocação do nome de Deus sobre tais conflitos não isentou os participantes da culpa de sangue. Além disso, os que aprovam, ajudam ou apóiam os que diretamente derramam sangue, ou os que se empenham em propaganda e em movimentos tais que resultam no derramamento de sangue inocente, também caem sob a responsabilidade social como partícipes no crime e têm de comparecer perante o Deus da justiça, que não pode desconsiderar tal culpa de sangue, nem o fará.

      6. De que outro ato é a cristandade culpada, e escapará da punição por ele?

      6 De natureza muito mais séria, porém, é a culpa de sangue da cristandade, por tirar a vida de muitos dos verdadeiros servos de Deus. Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa do qual a cristandade é a parte dominante, é descrita no livro de Revelação como estando “embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus”. (Rev. 17:6) Assim como a cristandade deixou de acatar o aviso de Jeová, assim a sentença de Jeová será em breve executada nela assim como foi no seu protótipo, Jerusalém e Judá, em 607 A. E. C. e em 70 E. C. Todos os achados associados com ela, nesta ocasião, compartilharão a sua culpa e também a sua destruição. — Rev. 18:4.

      COMO FUGIR PARA A ATUAL CIDADE DE REFÚGIO

      7. Quando atacará o Vingador do sangue da parte de Jeová e onde haverá o único refúgio?

      7 Jeová refreou misericordiosamente seu Vingador do sangue, o Senhor Jesus Cristo, de atacar com suas hostes angélicas a cristandade e todos os que compartilham a culpa de sangue dela, mas este limite de tempo terminará em breve. (Rev. 7:1-3) O Vingador do sangue humano atacará na vindoura “grande tribulação”. “Pois, eis que Jeová está saindo do seu lugar para ajustar contas pelo erro do habitante da terra contra ele, e a terra certamente exporá seu derramamento de sangue e não mais encobrirá os seus que foram mortos.” (Isa. 26:21; Mat. 24:21, 22) Quando vier este tempo de decisão, toda a humanidade estará face a face com a sua responsabilidade comunal, e isto numa escala maior do que confrontou Jerusalém e o povo judeu. Todos os que não tiverem achado o lugar de segurança terão de pagar a penalidade. A terra terá de ser limpa para todo o sempre do sangue dos que foram mortos injustamente. Terá de se fazer expiação, a fim de se cumprir o mandamento a respeito da santidade do sangue feito com Noé. A única maneira de se fugir para a segurança é achar a estrada que conduz à antitípica “cidade de refúgio” de Jeová e permanecer nela até o dia da ira de Jeová ter passado, continuando a morar nela sob o benefício do grande Sumo Sacerdote de Jeová, Jesus Cristo. Então, qual é a antitípica cidade de refúgio?

      8. Qual é a antitípica cidade de refúgio e como se entra nela?

      8 No antigo Israel, o homicida tinha de fugir para uma das seis cidades especialmente designadas, e, depois de se estabelecer a sua inocência quanto a uma matança deliberada, tinha de permanecer na cidade de refúgio até a morte do sumo sacerdote atuante. (Núm. 35:9-34) Assim, a antitípica cidade de refúgio tem de ser a provisão de Jeová para proteger a pessoa contra a execução pela violação do mandamento de Deus a respeito da santidade do sangue. Entramos nesta cidade por passarmos a estar e permanecermos sob os benefícios do serviço ativo de seu Sumo Sacerdote, Jesus Cristo. A vida humana perfeita de Jesus, que ele sacrificou na terra, era equivalente a que o primeiro homem Adão usufruiu no paraíso do Éden. Jesus entregou a sua vida sem pecado na morte, e, após a sua ressurreição e ascensão à destra de Deus no céu, pôde apresentar o valor do sacrifício de resgate a favor dos descendentes moribundos de Adão. Jesus tornou-se assim o Redentor da humanidade, nosso parente mais chegado. A administração dos benefícios deste sacrifício de resgate, portanto, livra-nos da culpa e provê a reconciliação da humanidade com Deus. — Heb. 2:14; 10:12; Rom. 5:11; veja Atos 2:37-40.

      9. (a) Ao procurar o perdão de Deus, o que precisa fazer cada violador do mandamento divino a respeito da santidade do sangue? (b) Que exemplo é Paulo neste respeito?

      9 Todo violador do mandamento divino a respeito da santidade do sangue, quer deliberado, quer desintencional, precisa buscar o perdão de Deus e o cancelamento de seu pecado pela fé neste sangue vital do Sumo Sacerdote, Jesus. Precisa mostrar sincero arrependimento de ter cometido uma violação, por permanecer obedientemente sob a provisão divina por meio de Cristo, confiando na justiça e nos bons ofícios do Sumo Sacerdote. Paulo, o apóstolo, que como Saulo de Tarso perseguia a congregação cristã, aprovando até mesmo o assassinato de alguns dela, é um exemplo dos que violam o mandamento a respeito do sangue. “Não obstante”, diz ele, “foi-me concedida misericórdia, porque eu era ignorante e agi com falta de fé”. (1 Tim. 1:13) Visto que Jeová, por meio de Cristo, viu esta atitude arrependida de Saulo, confirmada mais tarde por muitas obras fiéis, o Vingador do sangue, o ressuscitado Jesus Cristo, não o fez morrer mais tarde, no ‘dia de vingança de nosso Deus’. (Isa. 61:2) Quando Jesus se revelou a Saulo e expôs a perseguição que Saulo movia à verdadeira igreja como sendo perseguição movida a Ele, Saulo arrependeu-se, mudou de proceder e aproveitou-se a partir de então dos benefícios do sacrifício de resgate, como que numa cidade de refúgio. — Atos 9:1-19.

      SOLICITAÇÃO A DEUS DUMA BOA CONSCIÊNCIA

      10. Como se procura hoje ter uma consciência limpa perante Deus?

      10 Entrar o homicida desintencional na antiga cidade de refúgio não bastava para a sua proteção. Antes de poder permanecer na cidade e receber os benefícios que a cidade oferecia, tinha de provar que tinha uma consciência limpa para com Deus no que se referia a derramar intencionalmente o sangue. Hoje, esta consciência limpa para com Deus pode ser obtida apenas por meio duma solicitação sincera e honesta a Deus, expressa na dedicação de si mesmo a Deus, por meio de Cristo, e então pelo batismo. Isto significa que aquele que se chega a Deus precisa reconhecer os pecados que cometeu em violação da lei de Deus e precisa mudar de proceder no que se refere a fazer a vontade de Deus. Por isso, precisa fazer uma dedicação plena e sem reservas de sua vida a Jeová e então apresentar-se para a imersão total em água, em símbolo de sua dedicação. Isto precisa ser feito especialmente agora, ao se aproximar o fim do mundo.

      11. Qual é a consciência limpa que solicitamos e como é mantida assim?

      11 O apóstolo Pedro falou sobre o poder salvador do batismo e sua relação com a consciência cristã, ao escrever em 1 Pedro 3:20, 21: “O que corresponde a isso [isto é, a Noé e sua família passarem pelo dilúvio, na arca, naquele fim do mundo] salva-vos também agora, a saber, o batismo, (não a eliminação da sujeira da carne, mas a solicitação de uma boa consciência, feita a Deus,) pela ressurreição de Jesus Cristo.” A consciência que solicitamos a Deus por cumprirmos com o arranjo batismal é uma consciência livre de qualquer culpa para com Deus. É a percepção da provisão do sacrifício expiatório de Jesus que nos purifica de todo o pecado, dessemelhante dos sacrifícios de animais, que tinham de ser repetidos cada ano. Não, esta boa consciência que Deus nos concede permite-nos entrar numa relação pura com Jeová e continuar nela, por nos aproveitarmos dos serviços do Seu grande Sumo Sacerdote. Os que entram nesta condição precisam manter esta boa consciência por continuarem a realizar a tarefa que lhes é designada nesta antitípica cidade de refúgio. Portanto, a consciência desempenha um papel importante para permanecermos na cidade de refúgio.

      12. Como poderíamos colocar-nos na situação perigosa de abandonar a hodierna cidade de refúgio?

      12 Tendo entrado na antitípica cidade de refúgio pela dedicação e pelo batismo, sob a provisão do sacrifício expiatório de Cristo Jesus, deixamos atrás todo o sentimento de culpa, e devemos permanecer nesta cidade com esta mesma liberdade. No entanto, caso comecemos a endurecer nossa consciência contra Deus e a justificar-nos mesmo de infrações menores da lei de Jeová para os refugiados na cidade, colocamo-nos na situação perigosa de finalmente abandonarmos a cidade completamente. A lei de Deus nos é claramente definida na sua Palavra e por meio das publicações bíblicas que ele proveu para entendermos sua vontade e seu propósito para com a humanidade no tempo do fim. Desconsiderar esta clara orientação do espírito de Deus é desconsiderar a orientação de nossa consciência cristã. Desconsiderar a consciência significa com o tempo não mais sentir dor ou perturbação quando ela deve ferir-nos. Por fim, conforme disse Paulo, a consciência pode ficar endurecida assim como carne cauterizada. Nesta condição, a consciência, como carne granulosa, não sente dor, nem tem senso de culpa. Com o tempo, poderíamos ficar complacentes para com a transgressão, e quando o erro é trazido à nossa atenção, poderíamos por fim simplesmente dar de ombros como que dizendo: “E daí? Quem se importa?” Tal atitude indiferente só pode levar a uma total desconsideração da provisão sob a qual se nos permite entrar na cidade, e se formos apanhados nesta condição, neste estado mental, não teremos proteção nenhuma contra o Vingador do sangue, porque não mais estaremos nesta cidade, sob os benefícios protetores do Sumo Sacerdote, durante o vindouro “dia de vingança”.

      FIQUEMOS FIRMES ATÉ O FIM

      13. Como se abandona a antitípica cidade de refúgio, como se evita isso e que perigo confronta os que a abandonam?

      13 Visto que ficarmos autoconfiante e perdermos a fé no sacrifício do Sumo Sacerdote, não confiando mais em ele cobrir os pecados, significa sair da cidade de refúgio, expondo-nos assim à destruição no Armagedom, faremos bem em acatar o aviso do apóstolo Paulo, que disse: “É por isso que é necessário prestarmos mais do que a costumeira atenção às coisas ouvidas por nós, para que nunca nos desviemos.” (Heb. 2:1) O tempo de o Vingador do sangue, de Jeová, entrar em ação está muito perto. Agora não é o tempo de se ser apanhado desprevenido, fora da cidade de refúgio ou numa situação perigosa perto dos limites dos pastos, que assinalam a fronteira deste santuário provido por Jeová. Nunca devemos cair no laço de pensar que nos podemos desviar nem que seja um pouquinho dos requisitos justos de Jeová. Quem de nós pode dizer em que ponto nos tornaríamos propositados na desconsideração da provisão de Jeová e em deixar de ser alguém que apenas ‘não usa de bom juízo’? Lembre-se do que Paulo disse em 1 Coríntios 4:4: “Pois não estou cônscio de nada contra mim mesmo. Contudo, não é por isso que eu seja mostrado justo, mas quem me examina é Jeová.” Podemos dizer que depositamos nossa confiança em Jeová se deliberadamente desconsiderarmos ou violarmos os seus mandamentos para nós? Pensarmos em abandonar a antitípica cidade de refúgio mesmo só temporariamente é tentar a Deus para que nos salve do seu Vingador do sangue. Além disso, se alguém em tal condição tivesse de enfrentar a morte neste instante, por causas naturais, antes da “grande tribulação”, que parte teria na ressurreição? Nunca devemos negligenciar lançar uma base suficientemente boa na fé, confiando o suficiente nos serviços do grande Sumo Sacerdote, para que o Vingador do sangue se lembre de nós favoravelmente quando chegar a ocasião da ressurreição. (Mat. 24:21, 22) Deixar de fazer isso neste “tempo do fim” pode significar a extinção para sempre. Não se teria o privilégio de sobreviver à vindoura “grande tribulação”. Tal pessoa é executada.

      QUANDO HÁ A LIBERTAÇÃO DA CIDADE DE REFÚGIO

      14. Quanto tempo terão de ficar dentro da antitípica cidade os que hoje, na terra, têm esperanças celestiais, e por que até então?

      14 Por quanto tempo têm de ficar dentro da cidade de refúgio os que antes eram culpados de sangue? Até que não haja mais necessidade dos serviços do Sumo Sacerdote. Paulo escreveu aos hebreus: “Por conseguinte, ele é também capaz de salvar completamente os que se aproximam de Deus por intermédio dele, porque está sempre vivo para interceder por eles. Pois, para nós era apropriado tal sumo sacerdote, leal, cândido, imaculado, separado dos pecadores e que chegou a ser mais alto do que os céus.” (Heb. 7:25, 26) Tais serviços, portanto, são para os sobreviventes da “grande tribulação”, que estão em imperfeição humana. Enquanto continuar qualquer culpa de sangue, precisa-se dos serviços do Sumo Sacerdote, para se manter a condição correta perante Deus. Os ungidos com o espírito santo de Deus para ser filhos espirituais, co-herdeiros de Cristo, têm de permanecer dentro da antitípica cidade de refúgio até terminarem fielmente sua carreira terrestre na morte, sacrificando assim para sempre sua natureza humana. Visto que o sacrifício de Cristo se aplica apenas aos que têm natureza humana, o Sumo Sacerdote ‘morre’ para eles no sentido de que não mais precisa agir a seu favor com o mérito de seu sacrifício humano, pois, no caso do “pequeno rebanho” dos “co-herdeiros de Cristo”, na ressurreição são mudados de humanos para espirituais e residirão daí em diante no céu, possuindo uma “natureza divina”. — Luc. 12:32; Rom. 8:17; 2 Ped. 1:4.

      15. Quando poderão abandonar a antitípica cidade os que têm esperanças terrestres, e como conseguirão isso?

      15 Os sobreviventes da “grande tribulação”, que têm a esperança de vida terrena, porém, não são libertos da cidade de refúgio ao serem destruídos os inimigos de Deus no Armagedom e ao se dar a retribuição pelo sangue dos mortos em inocência, durante as gerações da humanidade. É verdade que, antes de o Vingador do sangue agir como executor da parte de Jeová, os desta “grande multidão” terão de ter lavado suas vestes compridas e as embranquecido no sangue do Cordeiro. Contudo, a “grande tribulação” não remove sua culpa de sangue, nem os livra imediatamente dos pecados herdados de Adão. Embora tenham uma consciência limpa para com Deus, precisam continuar a manter esta consciência limpa por se manterem dentro dos limites da antitípica cidade de refúgio até se lhes restabelecer a perfeição humana, não mais precisando então os serviços do Sumo Sacerdote. Quando se dará isso? Só quando tiverem alcançado a perfeição humana no fim do reinado milenar de Cristo e ele os entregar em perfeição a Jeová, para uma prova final de sua integridade em seu mérito próprio. Quando saírem desta proteção do grande Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, ele na realidade morre para com eles como Sumo Sacerdote, porque não mais precisará agir a seu favor com o sangue purificador de seu sacrifício.

      16. Qual é a situação dos que saem na ressurreição para a vida na terra para com a antitípica cidade de refúgio?

      16 Então, que dizer dos que serão ressuscitados durante o reinado milenar de Jesus? Terão de entrar também na cidade de refúgio e permanecer ali até a “morte do sumo sacerdote”? Não. Porque estes já pagaram a pena pela sua pecaminosidade com sua própria morte. (Rom. 6:7) Foram absolvidos do pecado ao irem para a sepultura comum de toda a humanidade. Ao saírem da morte, estão numa estrada que conduz à vida eterna, não à antitípica cidade de refúgio. Ao continuarem nesta estrada da vida, eles também serão ajudados pelo Sumo Sacerdote para alcançar a perfeição humana. Passarem pela prova final após o fim do reinado milenar de Cristo também resultará em Jeová os declarar justos e numa garantia de vida sem fim na terra. No entanto, se não satisfizerem os requisitos de Deus que se aplicarão à humanidade naqueles dias, trarão sobre si o julgamento final de condenação e serão exterminados para sempre, assim como os executados mil anos antes, na “grande tribulação”.

      17. Que perguntas surgem quanto à “morte” do Sumo Sacerdote?

      17 Mas, alguém talvez pergunte sobre as palavras de Paulo aos hebreus: “Temos esta esperança como âncora para a alma, tanto segura como firme, e ela penetra até o interior da cortina, onde um precursor entrou a nosso favor, Jesus, que se tornou sumo sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque.” (Heb. 6:19, 20) Por que se diz que Jesus será Sumo Sacerdote para sempre, se seus serviços como Sumo Sacerdote hão de terminar para com o mundo da humanidade no fim dos mil anos? De que modo continua ele como Sumo Sacerdote para sempre?

      18. Que serviços do grande Sumo Sacerdote terminarão, mas por que não terminará isso com toda a sua relação com a humanidade?

      18 No tipo judaico, o sumo sacerdote morria literalmente, terminando assim não só os seus serviços como sumo sacerdote, mas também a sua vida. Isto não se dá com o Sumo Sacerdote maior, Jesus Cristo. É verdade que seus serviços acaba neste cargo quando a humanidade for levada a uma completa condição de justiça perante Jeová, mas Jesus, à mão direita de Jeová, continua para sempre. A cessação de seu cargo como Sumo Sacerdote mediador para com a humanidade não termina a sua vida. Os bons ofícios de seu serviço como Rei e Sumo Sacerdote sobre a humanidade permanecerão para sempre com a humanidade, e a humanidade sempre ficará endividada com ele por ter servido como Rei e Sumo Sacerdote a seu favor. Dobrará o joelho por toda a eternidade diante do nome de Jesus e confessará que ele é Senhor, para a glória de Deus, o Pai. (Fil. 2:5-11) Seus serviços para com a humanidade não mais serão necessitados então na aplicação do seu sacrifício expiatório para com eles. Mas, como grande Administrador e Porta-voz de Jeová, sem dúvida, ele continuará por toda a eternidade como o Proeminente no enaltecimento do louvor de Jeová e na liderança da adoração que unificará todo o universo para a glória e honra de Jeová.

      19. O que nos pode sustentar agora, e que empenho sério devemos fazer?

      19 Quão abençoado será o privilégio de estar entre as criaturas felizes que terão sobrevivido para aquele tempo! Quão gratos seremos pela misericórdia de Jeová, que tornou possível esta provisão maravilhosa! É esta esperança que nos pode sustentar agora. Que a prezemos assim como prezamos a própria vida, porque permanecer agora na cidade de refúgio de Jeová, neste “tempo do fim” do mundo culpado de sangue, significa vida para nós.

  • É a experiência o melhor mestre?
    A Sentinela — 1973 | 15 de novembro
    • É a experiência o melhor mestre?

      ● Já chegou a conhecer pessoas que passam pela vida desprezando conselhos ou a cautela por pensarem que “a experiência é o melhor mestre”? Tem-se salientado a respeito de tal conceito que um dos grandes problemas é que a pessoa lamentavelmente acaba aprendendo uma porção de coisas que realmente não queria saber. Quanta vantagem é, então, ter a Bíblia por guia! Ela representa mais do que a narrativa exata mais antiga nas experiências humanas. Apresenta realmente a orientação amorosa dum Deus interessado na felicidade dos homens.

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