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O que significa “nascer de novo”A Sentinela — 1969 | 1.° de junho
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O que significa “nascer de novo”
UM MINISTRO das testemunhas de Jeová bateu na porta de um dos lares numa cidade de Kentucky, nos Estados Unidos. Ele ia apresentar uma breve mensagem bíblica, mas o morador apenas escutou a sua introdução, quando logo perguntou: “Desculpe a minha pergunta, mas, diga-me: O senhor “nasceu e novo”? Tem o Espírito Santo?’”
Se estivesse no lugar daquele ministro ordenado, o que responderia? Este respondeu calmamente: “Naturalmente tenho o espírito de Deus. Esta é a razão de eu estar aqui para lhe falar sobre a Bíblia.”
Note que ele não disse simplesmente “Sim” ou “Não”. Às vezes não se pode responder a perguntas deste modo, se se quiser transmitir honestamente o significado correto. Mas, o que faria se alguém lhe perguntasse: “Crê no Deus Todo-poderoso chamado Satanás?” Teria de dar uma resposta apropriada, mostrando que, ‘sim’, crê no Deus Todo-poderoso, mas que ele não é Satanás. Agora, analisemos em que o morador talvez estivesse pensando e o que a Testemunha queria dizer na sua resposta.
QUEM ‘NASCE DE NOVO’?
Certa noite, após a Páscoa do ano 30 E. C., veio a Jesus um governante judeu chamado Nicodemos. O relato em João 3:3-5 reza: “Jesus disse-lhe: ‘Digo-te em toda a verdade: A menos que alguém nasça de novo, não pode ver o reino de Deus.’ Nicodemos disse-lhe: ‘Como pode um homem nascer, sendo velho? Será que pode entrar pela segunda vez na madre de sua mãe e nascer’? Jesus respondeu: ‘Eu te digo em toda a verdade: A menos que alguém nasça de água e espírito, não pode entrar no reino de Deus.’”
À base deste relato, muitos freqüentadores de igreja acham que, se alguém quiser ter a salvação, precisa “nascer de novo”, precisa ‘nascer de água e espírito’. Crêem que a única maneira de se obter vida eterna é ir para o céu. Quanto a isso, em parte têm razão. É verdade que aqueles que, como criaturas espirituais, formarão parte do reino de Deus viverão para sempre. Mas, Jeová esclarece na sua Palavra que a maioria dos humanos que terão vida e felicidade eternas viverão aqui mesmo na terra. (Sal. 37:29) Tais pessoas não precisam “nascer de novo”. Por que não?
O propósito original de Deus para com a humanidade era que vivesse para sempre no paraíso na terra. Nenhum de seus servos fiéis, antes do tempo do ministério terrestre de Jesus, tinha qualquer esperança de ir para o céu, nem foram para lá ao morrerem. Por exemplo, o apóstolo Pedro disse a respeito do Rei Davi: “Realmente, Davi não ascendeu aos céus.” (Atos 2:34) Isto se deu assim embora ele tivesse sobre si o espírito de Deus. Davi disse: “Foi o espírito de Jeová que falou por meu intermédio.” — 2 Sam. 23:2.
Isto é também ilustrado pelo caso de João Batista. A Bíblia diz que ele estava “cheio de espírito santo desde a madre de sua mãe”. (Luc. 1:15) Todavia, ele não ‘nasceu de novo’, nem foi chamado para estar no futuro reino celestial. O próprio Jesus provou isso por dizer: “Entre os nascidos de mulheres não se levantou ninguém maior do que João Batista; mas aquele que é menor no reino dos céus é maior do que ele.” — Mat. 11:11.
Assim como os cidadãos de um país talvez tenham alguns homens selecionados para servirem como seus representantes, constituindo seu governo, assim Deus decidiu selecionar entre a humanidade 144.000 humanos para serem parte do reino dos céus. Estes regerão com Jesus sobre a terra paradísica. (Rev. 5:9, 10; 14:1-3; 20:6) Deus começou a selecionar a estes somente depois de Cristo ter morrido e ter aberto o caminho para a vida celestial. (Heb. 10:19, 20) Mas, o que era necessário para que estes filhos humanos, imperfeitos, de Adão, se tornassem filhos espirituais de Deus? Jesus comentava isso quando falou com Nicodemos.
‘NASCER DE ÁGUA E ESPÍRITO’
O que Jesus havia dito era parte do que o morador em Kentucky estava citando: “A menos que alguém nasça de água e espírito, não pode entrar no reino de Deus.” (João 3:3) Quem fosse selecionado para fazer parte do reino celestial havia uma vez “nascido da carne”, e ele não poderia entrar no reino do céu com seu corpo de carne e sangue. (João 3:6; 1 Cor. 15:50) Portanto, depois de Deus perdoar-lhe os pecados à base de sua fé no resgate de Cristo e considerá-lo como humano perfeito, Jeová o gera e lhe concede uma herança espiritual. Esta última ação aconteceu até mesmo no caso de Jesus, para que ele pudesse ir para o céu. Depois de Jesus ter sido batizado em água, Jeová derramou sobre ele seu espírito. Assim era alguém gerado pelo espírito, com o direito a ser filho espiritual de Deus; ‘nascera de novo’. — Mat. 3:16, 17.
Do mesmo modo, os cristãos que são chamados para fazerem parte do reino dos céus precisam passar por estes passos; precisam ‘nascer de água e espírito’. Nicodemos, como judeu, teria sabido que o espírito santo era literal, a força ativa de Deus. E Jesus reconheceu que o governante judeu compreenderia que a “água” também era literal. Nicodemos mui provavelmente sabia que João Batista havia batizado em água, pois “os judeus lhe enviaram sacerdotes e levitas de Jerusalém” para investigar o que João fazia. (João 1:19; Mat. 3:5) Além disso, os discípulos de Jesus batizavam em água. (João 3:22; 4:1, 2) Portanto, mencionar Jesus “água” deve ter significado algo para Nicodemos. Mas, o que dizer de nascer de espírito santo? Este passo deve ter sido difícil para ele compreender, visto que ainda não havia começado para os discípulos de Jesus.
João Batista prometera que Jesus ‘batizaria em espírito santo’, e, no dia de Pentecostes de 33 E. C., Jesus fez isso. Derramou espírito santo sobre discípulos que já tinham sido batizados em água. (João 1:33; Atos 2:1-4, 33, 38) Deste modo, aqueles cristãos ‘nasceram de novo’, recebendo uma habilitação semelhante a um nascimento, para perspectivas de vida espiritual no céu, vida que receberiam quando se provassem fiéis até à morte e fossem ressuscitados. Eles sabiam que tinham ‘nascido de novo’, porque possuíam o testemunho do espírito. O apóstolo Paulo escreveu mais tarde: “O próprio espírito dá testemunho com o nosso espírito de que somos filhos de Deus.” — Rom. 8:16, 17; 2 Cor. 1:22.
Entretanto, assim como João Batista é Davi tinham uma porção do espírito de Deus, mas não foram chamados para fazerem parte do reino celestial, assim se dá com muitos cristãos hoje em dia. Eles dedicaram sua vida a Deus e foram batizados em água. No entanto, reconhecem que não receberam a esperança de viver no céu. Deus não lhes dá uma compreensão, semelhante a um nascimento, da esperança duma vida espiritual no céu, porque a sua provisão para eles, se se provarem fiéis a ele, é de viverem eternamente numa terra paradísica. O ministro que visitou aquele lar em Kentucky é um dos que aguardam tal paraíso.
Significa isso que tais não possuem agora o favor de Deus? De modo algum! Eles têm a aprovação de Deus assim como João Batista a teve. Uma evidência disso é o fato de que Jeová lhes dá espírito santo, capacitando-os a manifestar os seus frutos bem como a realizar seu ministério cristão. (Gál. 5:22, 23; Luc. 12:11, 12) Portanto, podemos apreciar quão exata e justa foi a resposta do ministro ao morador indagador.
Se quiser saber mais sobre a mensagem bíblica que ele tinha a respeito do reino celestial de Deus e o vindouro paraíso terrestre, convidamo-lo a aproveitar as oportunidades que tem de falar sobre a Bíblia com as testemunhas de Jeová na sua vizinhança.
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1969 | 1.° de junho
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Perguntas dos Leitores
● Por que se dava que, sob a lei mosaica, funções normais, tais como a menstruação, as relações sexuais entre marido e mulher e o parto, eram consideradas como tornando a pessoa “impura”? L. A., Espanha.
Os regulamentos da lei mosaica sobre a impureza relacionada com a menstruação, as emissões seminais e o parto se encontram em Levítico, capítulos 12 a 15. Antes de se considerar quais eram estes regulamentos e qual era a possível razão deles, note-se que não estamos aqui considerando as leis sobre fluxos em razão de doença dos órgãos genitais. — Lev. 15:1-15, 25-30.
Sob a Lei, quando um homem tinha uma emissão involuntária de sêmen, ele tinha de banhar-se e ser “impuro” até à noitinha. Durante relações sexuais, quando o homem tinha uma emissão seminal, tanto ele como sua esposa eram “impuros” desde então até à noitinha. A mulher que tivesse a sua menstruação regular devia contar sete dias como período de impureza menstrual. Caso as regras da mulher começassem durante as relações, então também seu marido era “impuro” por sete dias. Quem tocasse as vestes duma mulher menstruada, a cama ou o objeto em que ela se sentou, também ficaria “impuro” até à noitinha. — Lev. 15:16-24.
O parto também significava “impureza” para a mãe. Se ela dera à luz um menino, ficava “impura” por sete dias. Depois permanecia trinta e três dias no retiro de seu lar, não se lhe permitindo tocar em coisa sagrada ou entrar no santuário. Quando o bebê era menina, a mãe ficava “impura” por quatorze dias, e seu período de meio-retiro era de sessenta e seis dias. No fim de qualquer período de purificação ela devia apresentar uma oferta queimada e uma oferta pelo pecado como sacrifícios de purificação. — Lev. 12:1-8; Luc. 2:22-24.
Estes regulamentos, sem dúvida, tinham bom efeito em vários sentidos. Embora uma ocasional emissão noturna por parte de um homem não casado talvez fosse uma função normal do corpo masculino maduro, a inconveniência de ficar “impuro” por um dia teria desencorajado o israelita de procurar obter prazer de tal emissão; antes o teria incentivado a evitar pensar em coisas sensuais. Também, estudos médicos atribuem parcialmente a pouca incidência do câncer uterino entre as mulheres judaicas à sua abstinência das relações sexuais durante a menstruação; de modo que havia benefícios higiênicos. Este mesmo regulamento faria o marido israelita lembrar-se de tomar em consideração os ciclos e limitações biológicos, tanto físicos como emocionais, de sua esposa. (Lev. 18:19; 1 Ped. 3:7) Também, estas leis ensinariam aos homens e às mulheres a autodisciplina, o refreio razoável de suas paixões e o respeito pelos órgãos sexuais.
No que se refere à menstruação, parece que também estava envolvido o respeito pelo sangue como algo sagrado para Deus. Se o marido e a mulher tivessem deliberadamente relações enquanto ela menstruava, o homem lhe estaria ‘expondo a sua fonte’ e a mulher estaria ‘descobrindo a fonte de seu sangue’. (Lev. 20:18; 17:11) Visto que o marido israelita não devia ter relações com sua esposa nestas ocasiões, conforme se acaba de considerar, os que deliberadamente mostrassem desprezo pela lei de Deus sobre o assunto deviam ser decepados. — Núm. 15:30, 31.
Mas, parece ter havido outro assunto atrás de todos estes regulamentos específicos envolvendo a impureza. Deus criara em Adão e Eva o impulso sexual e a faculdade de procriação, e dissera-lhes que tivessem filhos. (Gên. 1:28) Mas, quando pecaram por comerem duma árvore proibida, as coisas mudaram; tornaram-se imperfeitos, pecadores. Suas consciências culpadas, atingidas pelo pecado, faziam que se apercebessem de que estavam nus. Não eram mais puros e sem pecado perante
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