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Aprecia a paciência de Deus com você?A Sentinela — 1977 | 1.° de agosto
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Aprecia a paciência de Deus com você?
“Jeová . . . é paciente convosco, porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento.” — 2 Ped. 3:9.
1. (a) Por que apreciamos aqueles que têm paciência conosco? (Pro. 25:15) (b) Qual pode ser o resultado quando nos impacientamos com outros?
NÃO ficamos contentes quando alguém tem paciência conosco, não nos tratando de modo rude? Apreciamos quando os outros tomam em consideração nossos problemas e nossa situação, ajudando-nos bondosamente ao ponto que lhe é possível. A vida, hoje em dia, já tem bastantes problemas, sem que se fique sujeito a pressões desnecessárias por parte de pessoas impacientes. Além disso, se nos mesmos ficarmos impacientes, isso não tornaria nossa vida mais agradável. Antes, irritaríamos os outros e lhes tornaríamos mais difícil tratar-nos com bondade. Nossa impaciência poderia até mesmo magoar alguém a quem recorremos em busca de ajuda e encorajamento.
2, 3. (a) Que convicção é vital, para continuarmos a ser pacientes, quando vemos os ímpios prosperar? (Sal. 37:1-6; Heb. 11:6) (b) Como mostra Eclesiastes 8:12, 13, que sempre é melhor ser alguém que teme a Jeová?
2 Mas, como se pode ter paciência quando se vê injustiça e opressão, e quando os ímpios parecem prosperar? Isso exige fé. Sim, temos de estar convencidos de que Jeová Deus endireitará tudo. Isto está em harmonia com o que o Rei Salomão observou e foi inspirado a registrar: “Embora o pecador faça o mal cem vezes e continue por longo tempo conforme quiser, contudo, estou também apercebido de que resultará em bem para os que temem o verdadeiro Deus, porque têm tido temor dele. Mas não resultará em nada de bom para o iníquo, nem prolongará ele os seus dias, que são como uma sombra, porque ele não tem temor de Deus.” — Ecl. 8:12, 13.
3 A justiça humana pode ser falha e os criminosos talvez escapem da punição, por alguma brecha na lei. Os contraventores talvez pensem que se conseguem safar com algo. Mas, conforme Salomão destacou, sua maldade não traz nenhuma recompensa. Sua vida passa depressa, “como uma sombra”, e toda a sua esperteza e maquinação de nada lhes valerão para prolongá-la. Por outro lado, os que temem a Deus realmente não estão em desvantagem. Eles preservam uma consciência limpa, têm satisfação em fazer o que sabem ser direito, e, mesmo que faleçam, têm a esperança de ser ressuscitados à vida. Afinal, deveras “resultará em bem para os que temem o verdadeiro Deus”.
4. Quando ficamos perturbados com o que vemos acontecer no mundo, de que nos devemos lembrar, conforme salientado em Gênesis 6:5, 6, e Habacuque 1:13?
4 Outrossim, os verdadeiros cristãos farão bem em lembrar-se de que a violação da lei, que os perturba, também é aflitiva para Jeová Deus. Sabemos disso por causa daquilo que a Bíblia diz a respeito do que ele pensou do mundo violento dos tempos de Noé. Lemos: “Jeová viu que a maldade do homem era abundante na terra e que toda a inclinação dos pensamentos do seu coração era só má, todo o tempo. E Jeová deplorou ter feito os homens na terra e sentiu-se magoado no coração.” (Gên. 6:5, 6) Sim, Jeová deplorou que a humanidade se tinha tornado tão má, que ele se via obrigado a destruí-la. Ficou profundamente magoado por eles terem usado mal a sua vida e as abundantes provisões que fizera para a existência deles. Séculos depois, o profeta Habacuque escreveu a respeito de Jeová: “És de olhos puros demais para ver [com prazer] o que é mau; e não podes olhar [com aprovação] para a desgraça.” — Hab. 1:13.
5. De acordo com 2 Pedro 3:9, por que tem Jeová exercido paciência?
5 Não obstante, o Deus Todo-poderoso tem suportado pacientemente a humanidade rebelde. Por quê? “Jeová não é vagaroso com respeito à sua promessa, conforme alguns consideram a vagarosidade, mas ele é paciente convosco, porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento.” (2 Ped. 3:9) Note que a paciência de Deus tem sido de benefício para os cristãos, porque o apóstolo Pedro dirigiu-se aos concrentes com as palavras: “Ele é paciente convosco.” O que significa isso?
6. Por que se pode dizer que a paciência de Jeová tem beneficiado os verdadeiros cristãos?
6 O apóstolo estava demonstrando que aquilo que alguns interpretavam como vagarosidade da parte de Deus devia ser encarado de modo inteiramente diferente. O fato de que o dia da vingança de Jeová ainda não chegou prova que ele ama a humanidade, que ele quer que as pessoas vivam, não que morram. Antigamente, os que agora são cristãos eram incrédulos, e, por isso, não estavam numa condição aprovada perante ele. Se o Altíssimo tivesse naquele tempo executado seu julgamento contra o mundo ímpio, eles também teriam perecido. De modo que a paciência de Deus resultou em salvação para os cristãos, assim como abre para todos a oportunidade de salvação. Não devemos ser gratos de que isso é assim?
7. (a) Continuará Jeová indefinidamente paciente com a humanidade desobediente? (Isa. 55:6, 7; Sof. 2:2, 3) (b) O que prova que vivemos nos “últimos dias” ? (c) Por que devemos especialmente nós ter paciência?
7 Naturalmente, aproxima-se rapidamente o tempo de Jeová Deus encerrar o atual ‘dia de oportunidade’ para aqueles que agora vivem entrarem numa relação aprovada com ele. (2 Cor. 6:2) A profecia bíblica e a cronologia da Bíblia indicam o tempo desde 1914 E. C., com seus crescentes crimes e violência, guerras, escassez de víveres, terremotos, medo e desassossego, como sendo os “últimos dias” deste mundo ímpio. (Mar. 13:3-37; Luc. 21:7-36; 2 Tim. 3:1-5) Enquanto este sistema continuar nos seus “últimos dias”, os cristãos precisam persistir em ser pacientes, olhando em confiança para que Jeová Deus traga o alívio, por meio de seu Filho Jesus Cristo. (2 Tes. 1:6-9) É assim porque estes “últimos dias” continuarão a ser “tempos críticos, difíceis de manejar”. — 2 Tim. 3:1.
PROFETAS COMO MODELO DE PACIÊNCIA
8. O exemplo de paciência de quem foi indicado pelo discípulo Tiago, e que pergunta poderia isso suscitar?
8 Especialmente agora, pois, precisamos derivar encorajamento do exemplo de paciência dado pelos antigos servos de Deus. “Irmãos”, escreveu o discípulo Tiago, “tomai por modelo do sofrimento do mal e do exercício da paciência os profetas, que falaram em nome de Jeová”. (Tia. 5:10) Que é que foi que esses profetas tiveram de enfrentar, e por quê?
9. (a) Que espécie de reação obtiveram os profetas de seus conterrâneos? (b) Por que continuaram a ser pacientes com os israelitas, por muitos anos?
9 Muitas vezes, os profetas descobriram que seus conterrâneos israelitas se negaram a escutá-los, insistindo na continuação de seu próprio proceder de contravenção. A Bíblia apresenta o seguinte resumo da situação em Israel e Judá: “Jeová continuou a advertir Israel e Judá por meio de todos os seus profetas e todo visionário, dizendo: “Recuai dos vossos maus caminhos e guardai meus mandamentos, meus estatutos, segundo toda a lei que ordenei aos vossos antepassados e que vos enviei por meio dos meus servos, os profetas’; e eles não escutaram.” (2 Reis 17:13, 14) Contudo, apesar de tal insensibilidade deles, profetas tais como Isaías, Jeremias e Miquéias serviram fielmente durante décadas. Preocupavam-se com o bem-estar de seus conterrâneos, reconhecendo que a atuação em harmonia com os avisos proféticos significava vida.
10. Que espécie de sofrimento suportaram os profetas durante o reinado do Rei Acabe?
10 A falha geral do povo, de não escutar, não era o único obstáculo que os profetas tinham de enfrentar com paciência. Muitos foram ultrajados, fisicamente maltratados e até mesmo mortos. No tempo do rei israelita Acabe, por exemplo, todos os profetas de Jeová, em que a rainha Jezabel, idólatra de Baal, podia deitar mão, foram mortos. Cem outros deles, ajudados por Obadias, que temia a Deus, escaparam por se ocultarem em cavernas. (1 Reis 18:4, 13) Durante o mesmo período, Jeová, em vista do que tinha em mente para o profeta Elias, impediu que ele caísse nas mãos de Acabe. (1 Reis 18:10-12) Mais tarde, até mesmo Elias fugiu de Jezabel, para salvar a vida. (1 Reis 19:2, 3) Mas Jeová Deus o mandou de volta ao país, para continuar com sua obra profética. (1 Reis 19:9, 15-18) Em outra ocasião, o Rei Acabe mandou que o profeta de Jeová, Micaías, fosse encarcerado com uma ração reduzida de alimento e bebida. Por quê? Porque Micaías verazmente declarou a palavra de Jeová. — 1 Reis 22:26, 27.
11. Que sofrimento enfrentou Jeremias durante seus muitos anos de profetizar?
11 Outro profeta que suportou muito foi Jeremias. Homens de sua própria cidade de Anatote ameaçaram matá-lo. (Jer. 11:21) Certa vez, uma turba, incluindo sacerdotes e falsos profetas, apoderou-se do profeta na área do templo e o ameaçou com a morte. (Jer. 26:8-11) A Bíblia relata que ele foi ‘golpeado’ pelo comissário do templo, o sacerdote Pasur. Isto pode significar que Pasur ordenou que o profeta fosse espancado. Visto que tal alta autoridade tomou a dianteira em afrontar Jeremias, as outras pessoas devem ter ficado animadas a escarnecer, zombar e abusar do profeta. Daí, como se fosse algum criminoso, Jeremias foi posto no tronco durante a noite. (Jer. 20:2, 3, 7, 8) Preso sob a acusação falsa de se bandear para os caldeus, Jeremias foi encarcerado na “casa dos grilhões”, em condições tão péssimas, que sua vida estava em perigo. Ele apelou para o Rei Zedequias, o qual o colocou depois sob custódia no Pátio da Guarda. (Jer. 37:11-16, 20, 21) Mais tarde, Zedequias cedeu às demandas dos príncipes, de entregar Jeremias a eles. Estes príncipes procuraram matar o profeta por lançá-lo numa cisterna lamacenta. — Jer. 38:5, 6.
12. O que revelam os textos de Jeremias 38:20 e 8:21 a 9:1 sobre o exercício de paciência por Jeremias?
12 Deveras, Jeremias sofreu grandes males às mãos de seus conterrâneos. Mas continuou a ter paciência, não ficando amargurado com eles. Por exemplo, depois de o Rei Zedequias o ter entregue aos príncipes que procuravam matá-lo, o profeta mostrou-se preocupado com o bem-estar do fraco monarca. Jeremias suplicou-lhe: “Obedece, por favor, à voz de Jeová naquilo que te falo e te irá bem, e tua alma continuará a viver.” (Jer. 38:20) Antes disso, contemplando o terrível julgamento que sobreviria a Judá e Jerusalém, Jeremias não expressara sentimentos de vingança, mas de tristeza. Ele disse: “Fiquei quebrantado por causa do quebrantamento da filha do meu povo. Fiquei entristecido. Fui tomado de franco assombro. Não há nenhum bálsamo em Gileade? Ou não há ali ninguém que cure? Por que se dá, então, que não surgiu o restabelecimento da filha do meu povo? Quem dera que a minha cabeça fosse de águas e que os meus olhos fossem uma fonte de lágrimas! Então eu poderia chorar dia e noite pelos mortos da filha do meu povo.” (Jer. 8:21 a 9:1) Quanta paciência, quanto amor Jeremias demonstrava para com seu povo, os israelitas!
13. O que mostra que os profetas se sentiam aflitos por causa das condições que observavam? (Jer. 5:3, 4)
13 Nunca nos devemos esquecer, porém, de que Jeremias e outros profetas fiéis sentiam vivamente as terríveis injustiças e opressões que havia no país. Ansiavam o alívio. Por exemplo, o profeta Habacuque foi induzido a exclamar: “Por que me fazes ver o que é prejudicial e continuas a olhar para a mera desgraça? E por que há assolação e violência diante de mim, e por que vem a haver altercação, e por que se sustenta contenda? Portanto a lei fica entorpecida e a justiça nunca sai. Visto que o iníquo está em torno do justo, por isso a justiça sai pervertida.” — Hab. 1:3, 4.
14. Embora os fiéis profetas desejassem ter alívio das condições péssimas, o que não fizeram com referência a Jeová e Sua mensagem? (Jer. 20:9; Miq. 3:8)
14 Não obstante, os profetas fiéis não deixaram que os seus desejos pessoais de alívio os fizessem ficar impacientes com Jeová ou os fizessem parar de proclamar a Sua mensagem. Enquanto Jeová exercia paciência com um certo fim, eles estavam dispostos a suportar o vitupério, ao proclamarem a Sua mensagem: “Recuai, recuai dos vossos maus caminhos, pois, por que devíeis morrer, ó casa de Israel?” — Eze. 33:11.
OS EXCELENTES EXEMPLOS DE PACIÊNCIA DEVIAM INCITAR-NOS A AGIR
15. Por que temos um motivo ainda maior para ser pacientes, do que tiveram os profetas hebreus?
15 Por certo, se os antigos profetas hebreus puderam ser tão pacientes, quando confrontados com grandes dificuldades, nós temos um motivo ainda maior para ser pacientes. Por quê? Porque temos muito mais do que os profetas tiveram. Os profetas aguardavam em fé a vinda do Messias, mas sabiam que não estariam vivos para ver este grandioso acontecimento. Jesus Cristo disse aos judeus: “Deveras, eu vos digo; Muitos profetas e homens justos desejaram ver o que vós estais observando e não o viram, e ouvir as coisas que vós estais ouvindo e não as ouviram.” (Mat. 13:17) Muitas das coisas que os profetas aguardavam em fé cumpriram-se há séculos atrás. Além disso, muitos dos atualmente vivos presenciaram pessoalmente o cumprimento de mais outras profecias. (Rev. 6:1-8; 17:8) Jesus Cristo, dando a sua vida em sacrifício, forneceu uma garantia imutável de que todas as promessas de Deus se cumprirão. (2 Cor. 1:20, 21) Vemos diariamente a evidência de que vivemos no “tempo do fim”. (Dan. 11:40-43; 12:1, 4; Mat. 24:7-14) Por isso se aplica a nós a exortação de Jesus Cristo: “Erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso livramento está-se aproximando.” (Luc. 21:28) Sim, dentro em breve, o Filho de Deus, como “Rei dos reis e Senhor dos senhores”, agirá contra os ímpios, trazendo o bem-vindo alívio de todos os sofrimentos e opressões. — Rev. 19:11-21.
16. Como podemos demonstrar que apreciamos a paciência de Jeová para conosco?
16 Não devíamos pacientemente aguardar este grandioso dia, especialmente visto que está tão perto? Não devíamos querer ajudar a quantos pudermos a aprender o caminho de salvação de Deus? E no que se refere às faltas dos outros, não devíamos estar dispostos a suportá-las pacientemente? Se sinceramente apreciarmos que a paciência de Deus significa nossa salvação, seremos motivados no coração a proceder assim.
O PRECIOSO FRUTO DA PACIÊNCIA
17. Que ilustração, encontrada em Tiago 5:7, 8, mostra que o exercício da paciência é essencial, se havemos de ver bons frutos?
17 Persistirmos em ter paciência, imitando os fiéis profetas, pode resultar em vermos bons frutos. Isto se evidencia no que o discípulo Tiago escreveu: “Exercei paciência, irmãos, até a presença do Senhor. Eis que o lavrador fica esperando o precioso fruto da terra, exercendo paciência com ele, até que venha a chuva temporã e a chuva serôdia. Vós também exercei paciência; firmai os vossos corações.” — Tia. 5:7, 8.
18. Embora o lavrador não possa apressar a chuva, nem o crescimento das safras, o que pode ele fazer na expectativa duma colheita?
18 O lavrador não pode fazer nada para apressar a chuva ou o crescimento da sua safra. Ele pode fazer seu trabalho como agricultor diligente na preparação do solo, em lançar a semente e em cuidar da lavoura. Mas não exerce nenhum controle sobre as chuvas, nem pode mudar as leis fixas de Deus quanto ao crescimento de suas safras. Sua espera, em circunstâncias que ele não pode mudar, aguardando em harmonia com as leis de Jeová, é chamada de ‘exercício da paciência’. Por fim, ao passo que o lavrador continua fazendo o que pode, as plantas crescem e produzem frutos.
19. Onde entra a paciência no que se refere a produzir frutos na forma de genuínos discípulos?
19 Assim é hoje com os verdadeiros cristãos. Temos a responsabilidade de proclamar as “boas novas” a outros e de ensinar a Palavra de Deus aos interessados. (1 Cor. 9:16; Mat. 28:19, 20) Mas, não podemos produzir ou acelerar o desenvolvimento espiritual por meio de nossa engenhosidade ou pelos métodos que talvez inventemos. Para isso, temos de esperar por Jeová, ao passo que pacientemente fazemos a nossa parte, agindo em plena harmonia com a sua Palavra. O apóstolo Paulo tornou isto claro ao escrever: “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus o fazia crescer; de modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus que o faz crescer. Ora, quem planta e quem rega é um só mas cada um receberá a sua própria recompensa, segundo o seu próprio labor. Pois somos colaboradores de Deus.” (1 Cor. 3:6-9) Jeová Deus não deixará de fazer a sua parte. Portanto, mostremo-nos fiéis colaboradores dele, mostrando assim que apreciamos a paciência de Jeová para conosco. Quão felizes seremos então ao ver parte do que plantamos e regemos chegar ao pleno desenvolvimento cristão! Sim, haverá frutos na forma de genuínos discípulos de Jesus Cristo.
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Continue a ser pacienteA Sentinela — 1977 | 1.° de agosto
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Continue a ser paciente
“Ficarei à espreita de Jeová. Mostrarei uma atitude de espera pelo Deus de minha salvação. Meu Deus me ouvirá.” — Miq. 7:7.
1. Que excelentes benefícios têm resultado do exercício da paciência por Jeová?
A PACIÊNCIA, deveras, traz grandes dividendos. O exercício da paciência por Deus abriu para a humanidade uma grandiosa oportunidade de vida eterna como seus servos aprovados. (João 17:3; 2 Ped. 3:9; 1 Tim. 2:3, 4) Isto tem concedido às pessoas tempo para se inteirarem de seus requisitos e começarem a se harmonizar com eles. Muitos fizeram isso. Em resultado, estes usufruem mesmo desde já uma vida significativa, evitando as frustrações e as dificuldades que sobrevêm àqueles que não fazem caso das normas justas de Deus.
2. Se usarmos de paciência nos tratos com outros, que benefícios derivamos disso agora?
2 Também no nível individual, o exercício da paciência recompensa. Quem é paciente não se permite ficar prontamente agitado, e, por isso, há menos probabilidade de ele agir com precipitação. Preserva assim uma boa consciência e evita desnecessárias altercações e brigas. Há também um benefício para a saúde. O provérbio bíblico diz: “O coração calmo é a vida do organismo carnal.” (Pro. 14:30) A calma e a paciência, mesmo em circunstâncias provadoras, promovem o bem-estar de todo o corpo. Por outro lado, contínuas perturbações e irritações são como uma doença, que pode enfraquecer a constituição humana. Em vista dos benefícios derivados do uso de paciência, certamente devemos querer demonstrar esta excelente qualidade.
3. Por que devemos encarar como obrigação termos paciência com os outros?
3 Há ainda outro motivo para se ser paciente. Devemos considerar este como obrigação. Por quê? Note o princípio declarado por Jesus: “Todas as coisas . . . que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.” (Mat. 7:12) Agora, será que queremos que os outros sejam pacientes conosco? Nós gostamos quando os outros nos escutam com paciência num assunto importante. Dá prazer associar-nos com alguém que nos explica pacientemente as coisas que não entendemos. É muito mais fácil para nós lidar com aqueles que estão dispostos a desconsiderar nossas faltas menores e que são pacientes conosco, apesar de nossas repetidas falhas. Portanto, não são também estes os setores em que queremos usar de paciência?
4. Qual deve ser nosso motivo básico para querermos ser pacientes?
4 Para nós, cristãos, o motivo mais forte de querermos ser pacientes deve ser nosso desejo de agradar a Jeová Deus. Visto que ele é paciente, somos convidados a imitá-lo neste respeito. A Bíblia nos exorta: “Tornai-vos imitadores de Deus, como filhos amados.” (Efé. 5:1) Mas o que nos ajudará a refletirmos a paciência de Deus num grau maior?
RECONHEÇA A SERIEDADE DA IMPACIÊNCIA
5. Com que tendência indesejável associa Eclesiastes 7:8 a impaciência, e como se manifesta isso?
5 Devemos evitar encarar levianamente a impaciência indevida. A Bíblia diz: “Melhor é aquele que é paciente do que o soberbo no espírito. Não te precipites no teu espírito em ficar ofendido, pois ficar ofendido é o que descansa no seio dos estúpidos.” (Ecl. 7:8, 9) Note que aquele que é paciente é aqui contrastado com alguém que é soberbo e orgulhoso. O orgulhoso talvez raciocine: Por que devo eu ter de agüentar as irritações e os aborrecimentos causados pela estupidez e o egoísmo dos outros? Quem eles acham que eu sou? Também, o soberbo toma prontamente tudo como afronta pessoal e retruca logo àquele que talvez o corrija. Nutre. ressentimentos, guardando-os no íntimo como que no seu próprio “seio”.
6. Por que se pode dizer que alguém soberbo e impaciente também e ‘estúpido’?
6 Alguém assim realmente é “estúpido”. Sua pressa em se ofender resulta em palavras e atos precipitados, para o seu próprio prejuízo e o de outros. Ele tem também um conceito desequilibrado sobre si mesmo. Isto é evidente no conselho do apóstolo Paulo, em Romanos 12:3: “Digo a cada um aí entre vós que não pense mais de si mesmo do que é necessário pensar; mas, que pense de modo a ter bom juízo.” Além disso, quem permite que a soberba e a impaciência o vençam pode pôr em perigo sua posição perante Jeová Deus. Por quê? “Porque Deus se opõe aos soberbos, mas dá benignidade imerecida aos humildes.” — 1 Ped. 5:5.
7. Devemos atribuir toda a impaciência ao orgulho? Por que, ou por que não?
7 Naturalmente, nem todas as formas de impaciência se arraigam no orgulho. Por exemplo, uma família talvez tenha um encontro marcado para um jantar, em determinada hora, na casa de amigos. O pai e a mãe talvez estejam prontos com bastante antecedência para chegar lá sem terem de correr. No entanto, a filha, por não estar muito entusiasmada com a visita, ou por outro motivo, talvez demore em fazer os necessários preparativos para ir. Portanto, os pais talvez a exortem a aprontar-se mais depressa, para que não se atrasem. Qualquer impaciência que talvez manifestem no tom da voz não pode ser atribuída ao orgulho. Antes, talvez fiquem perturbados com a falta de consideração de sua filha e talvez se aflijam com o efeito desfavorável que seu atraso possa ter sobre seus anfitriões. Isto também ilustra a importância de se evitarem situações que possam dar a outros motivos válidos para se impacientarem conosco. Aqui também se aplica o princípio: “Assim como quereis que os homens façam a vós, fazei do mesmo modo a eles.” — Luc. 6:31.
8. O que aprendemos de 1 Samuel 13:3-14 a respeito do perigo da impaciência?
8 Assim, embora possa haver causa justa para nos impacientarmos ocasionalmente, temos de reconhecer a seriedade da impaciência que se deriva do orgulho ou que nos pode induzir a agir com precipitação. O perigo de nos deixarmos vencer pela impaciência foi bem ilustrado pelo caso do Rei Saul. Depois de o filho de Saul, Jonatã, ter golpeado a guarnição dos filisteus em Geba, esses filisteus, em retaliação, reuniram uma poderosa força e se acamparam em Micmás. No ínterim, Saul estava em Gilgal, no vale do Jordão, esperando pelo profeta Samuel. Quando o profeta não chegou no tempo esperado, Saul ficou impaciente. Temeu que os filisteus viessem contra ele antes de ele poder obter a ajuda de Jeová pela oferta dum sacrifício queimado. Também, visto que os seus homens o abandonavam, ele ficou preocupado com qualquer demora adicional, que pudesse levar à perda de todo o seu exército. Cedendo à impaciência, Saul, presunçosamente, passou a oferecer o sacrifício, desconsiderando a ordem de Jeová, por meio de Samuel, de que esperasse. Logo depois chegou Samuel. (1 Sam. 13:3-12) Aquele único ato precipitado teve sérias conseqüências. Samuel disse a Saul: “Agiste nesciamente. Não guardaste o mandamento de Jeová, teu Deus, que ele te ordenou, porque se o tivesse guardado, Jeová teria tornado firme o teu reino sobre Israel por tempo indefinido. E agora teu reino não durará.” (1 Sam. 13:13, 14) Imagine só! A impaciência de Saul, levando a um ato pecador, foi um dos principais motivos de Jeová tirar o reinado da sua descendência. Por isso, nunca devemos subestimar a dificuldade que a indevida impaciência nos pode causar.
APRENDA DO EXEMPLO DE JEOVÁ
9. (a) Como é a relação entre o perdão e a paciência demonstrada na ilustração de Jesus a respeito de dois escravos e as dívidas deles? (b) O que não podemos esperar que Jeová faça por nós, se ficarmos impacientes e impiedosos para com nossos irmãos?
9 Sermos pacientes amiúde envolve a disposição de perdoar as transgressões de outros contra nós. Neste respeito, refletirmos sobre o exemplo que Jeová dá em perdoar pode ajudar-nos muito em ser pacientes com o nosso próximo. Uma ilustração dada por Jesus Cristo destaca fortemente este ponto. O apóstolo Pedro havia suscitado a pergunta: “Senhor, quantas vezes há de pecar contra mim o meu irmão e eu lhe hei de perdoar? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Eu não te digo: Até sete vezes, mas: Até setenta e sete vezes.” Daí, ele contou a ilustração de dois escravos. Um deles devia ao rei 60.000.000 de denários. Quando veio a hora do ajuste de contas, este escravo rogou: “Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo de volta.” Movido pela compaixão, o rei cancelou a dívida inteira. Mas, este escravo chegou-se então a outro escravo, exigindo o pagamento duma dívida de 100 denários. Este escravo rogou: “Tem paciência comigo, e eu te pagarei de volta.” Mas o escravo cuja dívida maior havia sido cancelada não estava disposto a ser paciente. Mandou que seu co-escravo fosse encarcerado. Sabendo disso, o rei mudou de idéia e mandou que o escravo impaciente e impiedoso fosse lançado na prisão. Na aplicação desta ilustração, Jesus disse: “Do mesmo modo lidará também convosco o meu Pai celestial, se não perdoardes de coração cada um ao seu irmão.” — Mat. 18:21-35.
10. Como devemos encarar as faltas de nossos irmãos à luz do perdão de nossos pecados por Deus?
10 Em comparação com a grande dívida de pecado que Jeová Deus nos perdoou à base do sacrifício do seu Filho, quaisquer transgressões que um irmão cristão nosso possa ter cometido contra nós são deveras pequenas. Portanto, se ele estiver arrependido, que direito teríamos de ficar impacientes com ele ou de querer que ele sofra pelo que nos fez?
11. (a) O que estava Jeová disposto a fazer, a fim de prover a base para o perdão dos pecados da humanidade? (Rom. 5:6-8) (b) Como deve influir em nós o exemplo de Deus, de prover um sacrifício propiciatório? (1 João 4:11)
11 Nunca devemos perder de vista que a base em que Jeová Deus concede o perdão foi provida por ele com grande custo para si mesmo. Amava profundamente seu Filho. O próprio Jesus Cristo disse: “O Pai tem afeição pelo Filho.” (João 5:20) Ainda assim, o Altíssimo estava disposto a entregá-lo a favor do mundo da humanidade, como “sacrifício propiciatório” pelos nossos pecados. (João 3:16; 1 João 2:2) Nenhum homem jamais sacrificou tanto, para prover a base para o restabelecimento de boas relações com alguém que pecou contra ele. Que exemplo sublime Jeová forneceu para incentivar-nos a ser pacientes com aqueles que talvez pequem contra nós!
ATITUDE CORRETA PARA COM OS OUTROS
12. (a) Que lição sobre nossos irmãos podemos tirar de Romanos 12:4-8 e 1 Coríntios 12:14-26, e como pode ajudar-nos isso a ser pacientes com eles? (b) De que modo pode o conselho em Filipenses 2:3 ajudar-nos a ser pacientes?
12 O que também ajuda a cultivar a paciência é a atitude correta para com os outros. Precisamos tomar em consideração que as pessoas e as circunstâncias variam. Alguns, por exemplo, talvez sejam vagarosos em compreender as coisas, mas outros talvez consigam entender prontamente instruções pormenorizadas. Contudo, isso não transforma em inferiores aqueles que são vagarosos ou mais metódicos! É bem possível que se sobressaiam em outros aspectos da vida — bondade, amizade e generosidade. Por isso faremos bem em encarar as pessoas como um todo. É bem apropriado o conselho do apóstolo Paulo aos filipenses: ‘Considere os outros superiores a si mesmo.’ (Fil. 2:3) De fato, nenhum homem imperfeito possui todas as qualidades desejáveis. Se ele for humilde, verá prontamente que outros se sobressaem em campos em que ele é fraco, e que ele também, às vezes, pode pôr a paciência deles à prova.
13. O que prova que Jesus era paciente nos seus tratos com seus apóstolos?
13 Jesus Cristo, por certo, demonstrou exatamente o que significa ter a atitude correta para com os outros. Ele pacientemente suportou seus apóstolos — as rivalidades mesquinhas deles e sua lentidão em compreender. Nunca perdeu a paciência nos tratos com eles. Antes, ilustrou pacientemente as lições que quis que compreendessem. (Mar. 9:33-37; João 13:5-17) Não temos nenhum registro de que Jesus Cristo alguma vez passasse uma descompostura em seus companheiros. Quão excelente seria se imitássemos o perfeito exemplo dele!
A DISPOSIÇÃO DE ESPERAR
14. No que se refere a uma responsabilidade na congregação, por que talvez se impacientem alguns irmãos?
14 No entanto, não são apenas as faltas dos outros ou suas limitações que podem testar a nossa paciência. Muitas vezes é uma questão de querer esperar que aconteça o que é desejável. O caso é: Seremos impacientes, como uma criança, que quer tudo no mesmo instante, ou estamos dispostos a esperar pacientemente até a ocasião apropriada? Talvez você seja irmão na congregação cristã. Por não ser servo ministerial, acha difícil esperar até que tenha realmente sido ‘examinado quanto à aptidão’? (1 Tim. 3:10) Se tiver sido servo ministerial já por um ano ou mais, acha que já é tempo de que se considere a sua recomendação como ancião? Ou está disposto a esperar, usando bem o seu tempo para obter entendimento mais profundo e melhor da Palavra de Deus e para provar que é cooperador, fidedigno, atencioso e plenamente devotado ao serviço de Jeová?
15. (a) Por que o desejo de ser incumbido de responsabilidade exige também sóbrio exame de si mesmo? (Tia. 3:1, 2) (b) O que poderá perguntar a si mesmo o irmão que deseja participar no pastoreio do rebanho?
15 Naturalmente, é elogiável que irmãos ‘procurem alcançar’ maior responsabilidade. O apóstolo Paulo escreveu: “Esta declaração é fiel. Se algum homem procura alcançar o cargo de superintendente, está desejoso de uma obra excelente.” (1 Tim. 3:1) Não obstante, a responsabilidade vem acompanhada por maior prestação de contas. Jesus Cristo declarou a regra: “A quem encarregaram de muito, deste reclamarão mais do que o usual.” (Luc. 12:48) Portanto, se quiser ter maior responsabilidade, deverá examinar primeiro se sua vida como cristão poderia ser passível de maior escrutínio por parte dos outros membros da congregação, sem suscitar questões quanto a espécie de exemplo que está dando. Poderá também perguntar a si mesmo: Quero realmente servir meus irmãos? Tenho a sabedoria piedosa e a perspicácia necessárias para julgar questões que envolvem a vida de outros? Saberia dar sólido conselho bíblico, que ajudaria outros com seus problemas pessoais e familiares? Será que os outros me encaram realmente como “ancião”, em razão de minha experiência de vida cristã? Esse sóbrio exame de si mesmo talvez acalme qualquer tendência para a impaciência. Poderá fazê-lo entender a importância de esperar pacientemente até a ocasião em que realmente pode servir bem seus irmãos.
16. Como poderão ajudar a um irmão as palavras do apóstolo Paulo em 1 Timóteo 5:22, 24, 25, a esperar humilde e pacientemente até que os outros possam ver que ele está qualificado para maiores responsabilidades?
16 Talvez lhe ajude também considerar a pesada responsabilidade que recai sobre os anciãos que fazem as recomendações dos irmãos que deverão servir quais superintendentes. O apóstolo Paulo aconselhou a Timóteo: “Nunca ponhas as mãos apressadamente sobre nenhum homem; tampouco sejas partícipe dos pecados de outros; mantém-te casto.” (1 Tim. 5:22) Se Timóteo deixasse de se certificar de que alguém designado realmente estivesse à altura dos requisitos bíblicos, ele levaria certa responsabilidade pelos erros cometidos pelo homem que não está qualificado. O mesmo se aplica hoje. Assim, por que não esperar humilde e pacientemente a ocasião em que os outros podem ver suas obras excelentes? Lembre-se de que, assim como os erros finalmente vêm à luz, assim também as obras excelentes não permanecerão ocultas. O apóstolo Paulo salientou isso a Timóteo, quando escreveu: “Os pecados de alguns homens manifestam-se publicamente, conduzindo diretamente ao julgamento, mas, quanto a outros homens, os pecados deles também se tornam manifestos mais tarde. Do mesmo modo também se manifestam publicamente as obras excelentes, e as que são diferentes não podem ficar escondidas.” — 1 Tim. 5:24, 25.
17. Que atitude do profeta Miquéias devemos procurar cultivar, e em que setores da vida devemos querer ser pacientes?
17 Em todos os setores da vida, na realidade, devemos querer acatar a exortação bíblica de ‘esperar por Jeová, desde agora e por tempo indefinido’. (Sal. 131:3) Não nos impacientemos por ainda não ter chegado o grande dia de Deus para executar o julgamento. Antes, devemos querer demonstrar a espécie de confiança que Miquéias expressou: “Ficarei à espreita de Jeová. Mostrarei uma atitude de espera pelo Deus da minha salvação. Meu Deus me ouvirá.” (Miq. 7:7) Além disso, continuemos a mostrar-nos pacientes para com todos, perdoando as transgressões menores contra nós e tomando em consideração suas limitações e situações. Sim, nunca permitamos que a impaciência, junto com o orgulho, ponha em perigo nossa relação com nosso paciente Deus, Jeová.
[Foto na página 472]
Jesus deu o perfeito exemplo de ser paciente, suportando as faltas dos seus apóstolos, e até mesmo ilustrando as lições que queria que aprendessem.
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“Vale da sombra tenebrosa”A Sentinela — 1977 | 1.° de agosto
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“Vale da sombra tenebrosa”
● O salmista Davi declarou: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra tenebrosa, não temerei mal nenhum.” (Sal. 23:4) Quando Davi ainda era rapaz e pastor, ele ficou bem familiarizado com os perigos que confrontam as ovelhas. Pode haver feras de tocaia em vales tenebrosos ou ravinas. Ou pode haver bandidos à espreita. Também pode haver diversas covas fundas. Sem a atenção e o cuidado dum pastor, portanto, a ovelha pode estar em grave perigo. De modo similar, Davi veio a estar em situações perigosas. Mas, por causa de sua confiança em Jeová, o Grande Pastor, Davi se sentiu seguro.
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