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À beira do ArmagedomA Sentinela — 1984 | 1.° de junho
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À beira do Armagedom
JÁ POR uns quatro milênios e meio, duas grandes organizações estão num curso de colisão. O choque final lançará o mundo na mais devastadora guerra da história. A Bíblia a chama de “a guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”. Mas ela talvez seja melhor conhecida pelo nome mais agourento de Armagedom.a — Revelação 16:14, 16.
Esta guerra nem sempre foi conhecida por este nome. Mas ela envolvera, os dois descendentes mencionados em Gênesis 3:15, onde lemos: “[Eu, Deus,] porei inimizade entre ti e a mulher, e entre o teu descendente e o seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.”
Jeová Deus revelou aos poucos que o verdadeiro poder por detrás da serpente, à qual se pareciam dirigir as palavras acima, era uma criatura espiritual invisível que passou a ser chamada de “Diabo e Satanás”. (Revelação 12:9) O “descendente” deste — tanto celestial como terrestre — é uma poderosa organização que exerce um domínio mortífero sobre o mundo inteiro. (João 8:44; Efésios 6:12; Hebreus 2:14) A verdadeira “mulher” mencionada por Jeová Deus e a sua fiel organização celestial, semelhante a uma esposa. (Gálatas 4:26) Ela também tem um “descendente” ou prole, e este se tornou alvo da hostilidade por parte da organização de Satanás, o Diabo.
POR QUE ESTA GUERRA TEM DE VIR
Satanás, iludindo nossos primeiros pais para pensarem que podiam governar a si mesmos, perturbou o Paraíso pacífico em que o homem vivia. (Gênesis 3:1-6) Ele deu a entender que Deus era governante egoísta e inepto, cujas leis e princípios eram restrições desnecessárias e cruéis. O Soberano do universo não podia tolerar para sempre tal calúnia contra o seu nome e a sua reputação. Se fizesse isso, pareceria incapaz, e, com o tempo, a ruína se espalharia assim em todo o universo.
Por conseguinte, para o seu próprio bem, Deus teria de agir, não permitindo que seu nome fosse profanado para sempre ou que a sua soberania universal deixasse de ser vindicada. (Veja Isaías 48:11, 12.) A derrota da organização de Satanás, no Armagedom, servirá para limpar o inigualável nome de Deus, Jeová. (Salmo 83:18) E visto que a guerra contra Satanás resultará também em terríveis baixas humanas, a guerra de Deus destruirá a organização terrestre ou sistema de coisas de Satanás. Esta será a “grande tribulação” que Jesus predisse em Mateus 24:21, 22, e na qual alguma “carne” será salva. Aventurar-se o homem a estabelecer a sua independência já tem resultado em a terra ser ‘arruinada’ por guerras, pela poluição e por coisas assim. Mas o Armagedom vai “arruinar os que arruínam a terra”. (Revelação 11:18) Por eliminar os arruinadores, Deus abrirá o caminho para o Paraíso.
Mas, quando e como ocorrerá a guerra de Deus? Muitos acham que irromperá no Oriente Médio, especialmente em vista do que aconteceu ali em 14 de maio de 1948. Naquele dia, Israel proclamou-se nação — o que parecia ser o triunfo dum povo que por séculos havia sofrido dispersão, perseguição e até mesmo genocídio. E embora a sua posição, no começo, parecesse insegura, esta pequena nação tem mantido a sua posição já por três décadas no conturbado Oriente Médio. Muitos vêem no nascimento do moderno Israel a mão da intervenção divina e um sinal seguro de que o Armagedom está próximo.
É verdade que nem todos os teólogos são desta opinião. “Acho desperdício de tempo”, disse certo clérigo presbiteriano, “tentar relacionar os símbolos e os acontecimentos da atualidade com as profecias [bíblicas] e tentar aplicá-los a determinadas pessoas”. Não obstante, muitos livros, filmes e evangelistas de TV estão promovendo o conceito popular de que o Oriente médio é o local futuro do Armagedom.
Mas, será que o Armagedom ocorrerá realmente no Oriente Médio? Ora, como é que se travará esta “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”? O que levará a ela? Como se poderá sobreviver ao Armagedom? E o que se seguirá a esta grande guerra?
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Armagedom — prelúdio do Paraíso!A Sentinela — 1984 | 1.° de junho
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Armagedom — prelúdio do Paraíso!
ISRAEL. Este nome é muitas vezes mencionado em círculos religiosos quando se fala sobre a grande guerra de Deus. Portanto, não é de admirar que os olhos de muitos se fixem no Oriente Médio! O apóstolo Paulo, de nascença hebraica, porém, escreveu: “Nem todos os que precedem de Israel são realmente ‘Israel’. . . . Quer dizer, os filhos na carne [os judeus naturais] não são realmente os filhos de Deus.” A nação judaica perdeu o privilégio de ser o “Israel” de Deus por rejeitar Jesus Cristo como o Messias. (Romanos 9:6-8; Mateus 21:43) Neste respeito, o profeta hebreu Moisés havia advertido sobre as conseqüências tristes de os israelitas naturais adotarem um proceder de desobediência para com Jeová Deus. — Deuteronômio 28:58-68.
Então quem é o “Israel” a que Paulo se referiu? Ele mesmo explicou: “Judeu é aquele que o é no íntimo, e a sua circuncisão é a do coração, por espírito.” (Romanos 2:28, 29) As profecias sobre o Armagedom não se aplicam primariamente ao Oriente Médio, mas a uma situação mundial.
A ESTRADA PARA O ARMAGEDOM
Guerras mundiais, terremotos, escassez de víveres, o aumento do que é contra a lei — estas são condições que Jesus indicou como constituindo um “sinal” de sua “presença” invisível e da “terminação do sistema de coisas”. Assim como já foi tantas vezes provado biblicamente nesta revista, estamos vivendo nos últimos dias do atual sistema desde o ano culminante de 1914. Uma evidência adicional disso é o cumprimento atual das palavras de Jesus: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” (Mateus 24:3-14) Membros do verdadeiro “Israel de Deus” têm encabeçado esta obra de pregação em 205 terras. “O fim”, portanto, tem de estar muito perto.
Mas, como virá “o fim”? Pode-se formar um quadro bastante completo à base de pontos de profecia espalhados pela Bíblia.
Para ilustrar isso: Conforme profetizado por Daniel, o “rei do norte”, comunista, e seu rival não-comunista, o “rei do sul”, estão atualmente empenhados numa luta pelo domínio do mundo. O que virá a seguir? Daniel previu que o “rei do norte”, comunista, se apoderaria do controle de valiosos recursos materiais, tipificados pelo “ouro”, pela “prata”, e por “todas as coisas desejáveis”. — Daniel 11:40-43.a
Não obstante, os líderes do mundo, de algum modo, chegarão a um acordo. Clamarão: “Paz e segurança!” (1 Tessalonicenses 5:1-3) A euforia resultante, porém, será prontamente desfeita. Líderes políticos, cansados da interferência da religião do mundo, unir-se-ão em aniquilá-la — de maneira veloz e decisiva. Mas, é o próprio Jeová Deus quem cuidará de que esta especialmente repreensível parte da organização de Satanás, a religião falsa, seja devastada. — Revelação 17:1-18.
O verdadeiro “Israel”, porém, sobreviverá, embora não por ser retirado do cenário terrestre num arrebatamento, conforme alguns pregadores hodiernos afirmam. O profeta Ezequiel indicou o que vai acontecer, citando primeiro Satanás (ali chamado Gogue) como dizendo: “Chegarei aos que têm sossego [o povo de Jeová], morando em segurança.” Motivado por seu obsessivo ódio à “mulher” de Deus, Satanás atacará os verdadeiros cristãos. (Ezequiel 38:2, 11, 12) O confronto, profetizado há séculos, atingirá então o seu clímax.
Reagindo ao ataque de Gogue, Jeová agirá em defesa de Seu povo. Este será preservado, para a santificação do nome sagrado de Deus. E isto se dará porque o próprio Jeová é quem trará o Armagedom. — Ezequiel 38:18-23.
‘AO LUGAR QUE SE CHAMA HAR-MAGEDON’
No livro bíblico de Revelação foi predito que ‘expressões inspiradas por demônios” iriam “aos reis de toda a terra habitada, a fim de ajuntá-los para a guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”. Instigados pela propaganda inspirada por Satanás, os “reis” seriam ajuntados ‘ao lugar que em hebraico se chama Har-Magedon [“Monte de Megido”].” — Revelação 16:13-16.
Não existe realmente nenhum monte com esse nome. É verdade que em tempos bíblicos se travaram muitas batalhas perto duma cidade chamada Megido. Mas nunca houve nem há ali um monte — apenas uma elevação. Tampouco poderiam todos os exércitos do mundo espremer-se na Planície de Esdrelom, abaixo de Megido, conforme alguns imaginam. Embora a palavra “Har-Magedon” pelo visto se derive de Megido, seu verdadeiro significado está no sentido da palavra, isto é, “monte de reunião de tropas”. Tudo isso mostra que Armagedom não é um lugar, mas, antes, uma situação: a reunião ou o enfileiramento do mundo contra Jeová Deus e seu povo.
Nesta conjuntura, o próprio Jeová entrará na batalha. As organizações políticas, ‘ainda vivas’ ou funcionando, serão destruídas. (Revelação 19:20) Irromperá o pânico, ao passo que a autoridade governamental desmoronar! Os habitantes da terra ficarão aterrorizados além de imaginação, ao passo que Jeová desencadeia seu arsenal de armas sobrenaturais. (Ezequiel 38:18-23; Zacarias 14:12, 13) “E os mortos por Jeová certamente virão a estar naquele dia de uma extremidade da terra até à outra extremidade da terra.” — Jeremias 25:33.
Jesus Cristo, a parte principal do “descendente” da “mulher” de Deus, ou de Sua organização celestial, levará os justos exércitos angélicos à vitória. Satanás será derrotado e lançado num “abismo” de restrição por mil anos. (Revelação 20:1-3) E o povo de Jeová terá proteção e preservação divinas durante a grande guerra de Deus. — Mateus 24:21, 22, 37-39.
DEPOIS — UM PARAÍSO PACÍFICO!
O resultado imediato do Armagedom, sem dúvida, será um planeta arrasado. A tarefa de restabelecer a terra na condição dum Paraíso parecerá enorme. Mas isto será realizado sob a direção do governo celestial de Deus. Com o tempo, toda a terra será em beleza igual ao primeiro lar do homem, o jardim do Éden, e os humanos justos “se deleitarão na abundância de paz” que prevalecerá em todo o nosso globo. — Salmo 37:11.
Por fim, a terra tornar-se-á um Paraíso, no qual a humanidade usufruirá muitas bênçãos espirituais e materiais. Ora, ‘a tenda de Deus estará com a humanidade’! E ao passo que os humanos seguirem a
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