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Pactos que envolvem o propósito eterno de DeusA Sentinela — 1989 | 1.° de fevereiro
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Pactos que envolvem o propósito eterno de Deus
“Jeová . . . lembrou-se do seu pacto, sim, por tempo indefinido, da palavra que ele ordenou, por mil gerações.” — SALMO 105:7, 8.
1, 2. Por que podemos dizer que a maioria de nós foi afetada por um pacto?
COM toda certeza um pacto afetou a você — seu passado, seu presente e seu futuro. ‘Que pacto?’, talvez se pergunte. Referimo-nos ao casamento, pois a maioria de nós somos filhos de um casamento e muitos de nós somos casados. Mesmo os ainda não casados talvez cogitem as bênçãos de um casamento feliz no futuro.
2 Séculos atrás o profeta hebreu Malaquias escreveu a respeito da “esposa da tua mocidade”, “tua parceira e a esposa do teu pacto”. (Malaquias 2:14-16) Ele podia chamar o casamento de pacto, pois isso significa um contrato ou acordo formal, um arranjo entre partes para fazer algo em conjunto. O acordo do casamento é um pacto bilateral em que duas partes concordam em se tornar marido e mulher, aceitando obrigações mútuas e aguardando benefícios duradouros.
3. Por que outros pactos podem afetar-nos mais do que o casamento?
3 O casamento talvez pareça ser o pacto que nos causa o maior impacto pessoal, não obstante, a Bíblia fala de pactos de importância muito mais ampla. Ao contrastar pactos bíblicos com os das religiões não bíblicas, certa enciclopédia diz que apenas na Bíblia “esse ordenamento da relação entre Deus e seu povo se transforma num sistema abrangente que acaba tendo implicações universais”. Sim, esses pactos envolvem o propósito eterno de nosso amoroso Criador. Como verá, a possibilidade de você receber bênçãos indizíveis está ligada a esses pactos. ‘Mas como?’, você tem razão de perguntar.
4. Que pacto inicial aponta para o propósito eterno de Deus?
4 Você bem se apercebe dos trágicos resultados da rejeição da autoridade de Deus por parte de Adão e Eva. Nós herdamos deles a imperfeição, que está por trás das doenças de que somos vítimas, e que levam à morte. (Gênesis 3:1-6, 14-19) Podemos ser gratos, contudo, de que o pecado deles não pôde frustrar o propósito de Deus de encher a terra com adoradores verdadeiros usufruindo saúde e felicidade duradouras. Neste respeito, Jeová fez o pacto registrado em Gênesis 3:15: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre o teu descendente e o seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.” Contudo, a brevidade e a linguagem simbólica dessa declaração deixou muitas perguntas em aberto. Como cumpriria Jeová essa promessa pactual?
5, 6. (a) Que meios decidiu Deus usar na elaboração de seu propósito? (b) Por que devemos estar interessados nos meios de Deus fazer isso?
5 Deus adicionalmente decidiu providenciar uma série específica de pactos divinos, que, incluindo o pacto edênico, totalizam sete. Todos nós que esperamos usufruir bênçãos eternas precisamos entender esses pactos. Isso inclui saber quando e por que foram feitos, quem estava envolvido, quais eram os seus objetivos ou termos, e como esses pactos se relacionam um com o outro no propósito de Deus de abençoar a humanidade obediente com vida eterna. Esta é uma ocasião propícia para recapitular esses pactos, pois em 22 de março de 1989, as congregações dos cristãos se reunirão para comemorar a Refeição Noturna do Senhor, que tem relação direta com tais pactos.
6 Naturalmente, para alguns a idéia de pactos talvez soe insípida, legalística, com pouco interesse humano. Mas, considere o que diz o Dicionário Teológico do Velho Testamento (em inglês): “Os termos para ‘pacto’ no antigo Oriente Médio, bem como nos mundos grego e romano. . . estão distribuídos segundo dois campos semânticos: juramento e compromisso por um lado, amor e amizade por outro.” Pode-se ver ambos esses aspectos — juramento e amizade — como ponto central nos pactos de Jeová.
O Pacto Abraâmico — Base Para Bênçãos Eternas
7, 8. Que tipo de pacto fez Jeová com Abraão? (1 Crônicas 16:15, 16)
7 O patriarca Abraão, o “pai de todos os que têm fé”, era “amigo de Jeová”. (Romanos 4:11; Tiago 2:21-23) Deus prestou-lhe um juramento, fazendo um pacto que é básico para recebermos as bênçãos eternas. — Hebreus 6:13-18.
8 Enquanto Abraão estava em Ur, Jeová disse-lhe que se mudasse para outra terra, que veio a ser Canaã. Naquela ocasião, Jeová prometeu a Abraão: “Farei de ti uma grande nação e te abençoarei, e hei de engrandecer o teu nome;. . . e todas as famílias do solo certamente abençoarão a si mesmas por meio de ti.”a (Gênesis 12:1-3) Depois disso, Deus gradativamente acrescentou detalhes ao que corretamente nos referimos como pacto abraâmico: o descendente, ou herdeiro, de Abraão, herdaria a Terra Prometida; seu descendente produziria uma descendência inumerável; Abraão e Sara dariam origem a reis. — Gênesis 13:14-17; 15:4-6; 17:1-8, 16; Salmo 105:8-10.
9. Como sabemos que podemos estar envolvidos no pacto abraâmico?
9 Deus chamou-o de “meu pacto entre mim e ti [Abraão]”. (Gênesis 17:2) Mas certamente devemos dar-nos conta de que a nossa vida está envolvida, pois Deus mais tarde ampliou esse pacto, declarando: “Seguramente te abençoarei e seguramente multiplicarei o teu descendente como as estrelas dos céus e como os grãos de areia que há à beira do mar; e teu descendente tomará posse do portão dos seus inimigos. E todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de teu descendente.” (Gênesis 22:17, 18) Nós fazemos parte dessas nações; uma bênção em potencial está em reserva para nós.
10. Que vislumbres nos dá o pacto feito com Abraão?
10 Vejamos agora o que podemos aprender do pacto abraâmico. Como o pacto edênico feito antes dele, o pacto abraâmico indica um vindouro “descendente”, sugerindo assim que o descendente teria uma linhagem humana. (Gênesis 3:15) Seria da linhagem de Sem, daí até Abraão e depois através do filho deste, Isaque. Esta linhagem envolveria realeza, e de algum modo representaria uma bênção não apenas para uma única família mas para humanos de todas as terras. Como se cumpriu esse pacto?
11. De que modo ocorreu um cumprimento literal do pacto abraâmico?
11 Os descendentes de Abraão através de Jacó, ou Israel, multiplicaram-se e tornaram-se uma grande nação. Como inumerável descendente literal de Abraão, estavam dedicados à adoração pura do Deus de Abraão, Isaque e Jacó. (Gênesis 28:13; Êxodo 3:6, 15; 6:3; Atos 3:13) Os israelitas muitas vezes se desviaram da adoração pura, não obstante, “Jeová mostrou-lhes favor e teve misericórdia com eles. . . por causa do seu pacto com Abraão, Isaque e Jacó; e ele não quis arruiná-los”. (2 Reis 13:23; Êxodo 2:24; Levítico 26:42-45) Mesmo depois que Deus aceitara a congregação cristã como seu povo, ele continuou por algum tempo a mostrar favor especial aos israelitas como povo que constituía o descendente literal de Abraão. — Daniel 9:27.
O Descendente Espiritual de Abraão
12, 13. Como provou Jesus ser a parte principal do descendente no cumprimento espiritual do pacto abraâmico?
12 O pacto abraâmico teve outro cumprimento, de natureza espiritual. Este cumprimento maior não seria óbvio antes dos dias de Jesus, mas podemos sentir-nos felizes de que é claro em nossos tempos. Temos a explicação de seu cumprimento na Palavra de Deus. Paulo escreveu: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e a seu descendente. Não diz: ‘E a descendentes’, como no caso de muitos, mas como no caso de um só: ‘E a teu descendente’, que é Cristo.” — Gálatas 3:16.
13 Sim, o descendente viria através de uma só linhagem, ou família, o que realmente se deu no caso de Jesus, nascido como judeu natural, um descendente literal de Abraão. (Mateus 1:1-16; Lucas 3:23-34) Adicionalmente, ele fazia parte da família do Abraão Maior, no céu. Lembre-se de que com profunda fé o patriarca Abraão dispunha-se a sacrificar seu filho Isaque, caso Deus assim o desejasse. (Gênesis 22:1-18; Hebreus 11:17-19) Similarmente, Jeová enviou seu Filho unigênito à terra para tornar-se um sacrifício resgatador para a humanidade crente. (Romanos 5:8; 8:32) Assim, é compreensível por que Paulo identificou Jesus Cristo como parte principal do descendente de Abraão, segundo esse pacto.
14. Quem é a parte secundária do descendente de Abraão, e a que consideração adicional isso conduz?
14 Paulo passou a indicar que Deus ‘multiplicaria o descendente de Abraão’ no cumprimento espiritual. Ele escreveu: “Se pertenceis a Cristo, sois realmente descendente de Abraão, herdeiros com referência a uma promessa.” (Gênesis 22:17; Gálatas 3:29) Estes são os 144.000 cristãos ungidos com o espírito que formam a parte secundária do descendente de Abraão. Não estão em oposição à parte principal do descendente, mas “pertencem a Cristo”. (1 Coríntios 1:2; 15:23) Sabemos que muitos deles não podem traçar sua ascendência até Abraão, pois são de nações não judaicas. O que é mais crucial no cumprimento espiritual, porém, é que eles não são por natureza parte da família do Abraão Maior, Jeová; em vez disso, originam-se da família imperfeita do pecador Adão. Assim, precisamos ver à base de pactos posteriores como é que eles podem qualificar-se para tornar-se parte do “descendente de Abraão”.
O Pacto da Lei Temporariamente Adicionado
15-17. (a) Por que o pacto da Lei foi acrescentado ao pacto abraâmico? (b) Como foi que a Lei cumpriu esses objetivos?
15 Depois que Deus fez o pacto abraâmico como passo fundamental para o cumprimento de Seu propósito, como seria a linhagem do descendente protegida contra a contaminação ou o extermínio até que chegasse o tempo para ele surgir? Quando o Descendente realmente chegasse, como poderiam os verdadeiros adoradores identificá-lo? Paulo responde a tais perguntas por destacar a sabedoria de Deus em temporariamente adicionar o pacto da Lei. Esse apóstolo escreve:
16 “Por que, então, a Lei? Ela foi acrescentada para tornar manifestas as transgressões, até que chegasse o descendente a quem se fizera a promessa; e ela foi transmitida por intermédio de anjos, pela mão dum mediador. . . . A Lei. . . tornou-se o nosso tutor, conduzindo a Cristo, para que fôssemos declarados justos devido à fé.” — Gálatas 3:19, 24.
17 No monte Sinai, Jeová fez um ímpar pacto nacional entre si mesmo e Israel — o pacto da Lei, com Moisés qual mediador.b (Gálatas 4:24, 25) O povo concordou entrar nesse pacto, e este foi validado com o sangue de touros e bodes. (Êxodo 24:3-8; Hebreus 9:19, 20) O pacto forneceu a Israel leis teocráticas e um esquema para um governo justo. O pacto proibia casar-se com pagãos ou participar em imorais e falsas práticas religiosas. Isso protegia os israelitas e era uma força para preservar incontaminada a linhagem do descendente. (Êxodo 20:4-6; 34:12-16) Mas, visto que nenhum israelita imperfeito podia guardar a Lei completamente, os pecados se tornaram manifestos. (Gálatas 3:19) Também destacava a necessidade de um sacerdote perfeito, permanente, e de um sacrifício que não precisasse ser repetido anualmente. A Lei era como um tutor que leva uma criança ao necessário instrutor, que seria o Messias, ou Cristo. (Hebreus 7:26-28; 9:9, 16-22; 10:1-4, 11) Quando tivesse cumprido o seu objetivo, o pacto da Lei cessaria. — Gálatas 3:24, 25; Romanos 7:6; veja “Perguntas dos Leitores”, página 31.
18. Que perspectiva adicional estava envolvida no pacto da Lei, mas por que era isso difícil de entender?
18 Ao fazer o pacto temporário, Deus também mencionou o seguinte objetivo emocionante: “Se obedecerdes estritamente à minha voz e deveras guardardes meu pacto, então vos haveis de tornar minha propriedade especial. . . E vós mesmos vos tornareis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.” (Êxodo 19:5, 6) Que perspectiva! Uma nação de reis-sacerdotes. Mas, como seria isso possível? Como a Lei mais tarde especificou, a tribo governante (Judá) e a tribo sacerdotal (Levi) receberam responsabilidades diferentes. (Gênesis 49:10; Êxodo 28:43; Números 3:5-13) Nenhum homem poderia ser tanto governante civil como sacerdote. Ainda assim, as palavras de Deus em Êxodo 19:5, 6 forneciam motivo para se crer que de alguma maneira não revelada, os que estavam no pacto da Lei teriam a oportunidade de prover os membros de “um reino de sacerdotes e uma nação santa”.
O Pacto do Reino Feito com Davi
19. De que modo se fez referência à realeza nos pactos?
19 Com o tempo Jeová acrescentou outro pacto que esclareceu adicionalmente como ele cumpriria o seu propósito, para a nossa bênção eterna. Já vimos que o pacto abraâmico fazia referência à futura realeza que haveria entre o descendente literal de Abraão. (Gênesis 17:6) O pacto da Lei também previa reis entre o povo de Deus, pois Moisés disse a Israel: ‘Quando por fim entrares na [Terra Prometida] e disseres: “Deixa-me estabelecer sobre mim um rei igual a todas as nações em volta de mim”; deves impreterivelmente estabelecer sobre ti o rei que Jeová, teu Deus, escolher. Não se te permitirá estabelecer sobre ti um estrangeiro.’ (Deuteronômio 17:14, 15) Como providenciaria Deus tal realeza, e como influiria no pacto abraâmico?
20. De que modo entraram no quadro Davi e sua linhagem?
20 Embora o primeiro rei de Israel fosse Saul, da tribo de Benjamim, ele foi sucedido pelo corajoso e leal Davi, de Judá. (1 Samuel 8:5; 9:1, 2; 10:1; 16:1, 13) Já bem avançado no reinado de Davi, Jeová decidiu fazer um pacto com ele. Primeiro, ele disse: “Hei de suscitar o teu descendente depois de ti, que sairá das tuas entranhas; e deveras estabelecerei firmemente o seu reino. É ele quem construirá uma casa ao meu nome, e eu hei de estabelecer firmemente o trono do seu reino por tempo indefinido.” (2 Samuel 7:12, 13) Como ali indicado, Salomão, filho de Davi, tornou-se o rei seguinte e foi usado para construir uma casa, ou templo, para Deus em Jerusalém. Mas, viria mais.
21. O pacto do Reino feito com Davi provisionou o quê?
21 Jeová passou a fazer o seguinte pacto com Davi: “E tua casa e teu reino hão de ficar firmes por tempo indefinido diante de ti; teu próprio trono ficará firmemente estabelecido por tempo indefinido.” (2 Samuel 7:16) Evidentemente, desse modo Deus estava estabelecendo uma dinastia real para Israel na família de Davi. Não seria meramente uma contínua sucessão de reis davídicos. Por fim, alguém da linhagem de Davi apareceria para governar “por tempo indefinido, e seu trono [seria] como o sol diante de [Deus]”. — Salmo 89:20, 29, 34-36; Isaías 55:3, 4.
22. Que relação teve o pacto com Davi com a linhagem do Descendente, e com que desfecho?
22 É evidente, pois, que o pacto davídico estreitou adicionalmente a linhagem do Descendente. Até mesmo os judeus do primeiro século sabiam que o Messias teria de ser um descendente de Davi. (João 7:41, 42) Jesus Cristo, a parte principal do descendente do pacto abraâmico, qualificou-se para tornar-se Herdeiro desse Reino davídico, conforme atestado por um anjo. (Lucas 1:31-33) Jesus ganhou assim o direito de governar sobre a Terra Prometida, o domínio terrestre sobre o qual Davi reinara. Isto deve aumentar a nossa confiança em Jesus; ele governa, não por usurpação ilegal, mas através de um arranjo legalmente estabelecido, um pacto divino.
23. Que perguntas e assuntos restam para considerar?
23 Consideramos apenas quatro dos pactos divinos relacionados com a maneira de Deus realizar seu propósito de trazer bênçãos eternas para a humanidade. Provavelmente, pode ver que o quadro ainda não está completo. Persistem as perguntas: Visto que os humanos continuaram imperfeitos, que sacerdote ou sacrifício poderia algum dia mudar permanentemente essa situação? Como os humanos se qualificariam para se tornar parte do descendente de Abraão? Existe razão para crer que o direito para governar se expandiria para incluir mais do que um mero território terrestre? Como poderia o descendente de Abraão, tanto a parte principal como a secundária, trazer uma bênção para “todas as nações da terra”, incluindo cada um de nós? Vejamos.
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Será você beneficiado pelos pactos de Deus?A Sentinela — 1989 | 1.° de fevereiro
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Será você beneficiado pelos pactos de Deus?
“‘Por meio de ti serão abençoadas todas as nações.’ Conseqüentemente, os que aderem à fé são abençoados junto com o fiel Abraão.” — GÁLATAS 3:8, 9.
1. O que mostra a história quanto aos resultados conseguidos por muitos governos?
“BENEVOLENTES [ou, esclarecidos] déspotas” é como são chamados alguns governantes europeus do século 18. Eles ‘eram bem intencionados quanto a governar seus povos com paternal bondade, mas os seus planos falharam e as suas reformas fracassaram redondamente’.a (The Encyclopedia Americana) Esta foi uma das causas principais das revoluções nas quais a Europa pouco depois mergulhou.
2, 3. Em que sentido é Jeová diferente de monarcas humanos?
2 Quão diferente Jeová é de imprevisíveis governantes humanos. Pode-se facilmente perceber a desesperada necessidade de mudanças que finalmente produzirão verdadeiras soluções para a injustiça e o sofrimento. Mas não precisamos temer que as ações de Deus nessa direção dependam de algum capricho. No livro de maior circulação mundial, ele documentou a sua promessa de trazer bênçãos duradouras para a humanidade crente. Isto não dependerá da anterior nacionalidade, raça, educação ou condição social das pessoas. (Gálatas 3:28) Mas, pode-se confiar nisso?
3 O apóstolo Paulo citou parte da garantia que Deus dera a Abraão: “Certamente, abençoando te abençoarei.” Paulo acrescentou que, visto ser “impossível que Deus minta”, podemos ter “forte encorajamento para nos apegar à esperança que se nos apresenta”. (Hebreus 6:13-18) A nossa confiança nessas bênçãos pode ser adicionalmente fortalecida por atentarmos à maneira ordeira em que Deus lançou a base para tornar isso realidade.
4. Como usou Deus vários pactos para realizar o seu propósito?
4 Já vimos que Deus fez um pacto com Abraão envolvendo um descendente que seria o meio para abençoar “todas as nações da terra”. (Gênesis 22:17, 18) Os israelitas se tornaram um descendente carnal, mas, no sentido mais importante, o espiritual, Jesus Cristo mostrou ser a parte principal do descendente de Abraão. Jesus era também o Filho, ou Descendente, do Abraão Maior, Jeová. Os cristãos que ‘pertencem a Cristo’ compõem a parte secundária do descendente de Abraão. (Gálatas 3:16, 29) Depois de fazer o pacto abraâmico, Deus temporariamente adicionou o pacto da Lei feito com a nação de Israel. Provou que os israelitas eram pecadores que necessitavam de um sacerdote permanente e um sacrifício perfeito. Protegeu a linhagem do Descendente e ajudou a identificá-lo. O pacto da Lei também mostrou que, de algum modo, Deus produziria uma nação de reis-sacerdotes. Enquanto a Lei ainda vigorava, Deus fez um pacto com Davi para ter uma dinastia real em Israel. O pacto do Reino feito com Davi também apontava para alguém que teria um domínio permanente sobre a terra.
5. Que perguntas ou problemas ainda precisavam ser sanados?
5 Todavia, havia aspectos ou objetivos nesses pactos que pareciam incompletos ou necessitando de esclarecimentos. Por exemplo, se o vindouro Descendente havia de ser um rei na linhagem de Davi, como poderia ele ser um sacerdote permanente que faria mais do que faziam os sacerdotes anteriores? (Hebreus 5:1; 7:13, 14) Poderia esse Rei governar mais do que um limitado domínio terrestre? Como é que os membros da parte secundária do descendente se habilitariam para pertencer à família do Abraão Maior? E mesmo que isso lhes fosse possível, que domínio teriam, visto que a maioria deles não descende de Davi? Vejamos como Deus tomou medidas legais na forma de pactos adicionais que resolveriam essas questões, abrindo o caminho para a nossa bênção eterna.
Pacto Para um Sacerdote Celestial
6, 7. (a) Segundo Salmo 110:4, que pacto adicional fez Deus? (b) Que informação de fundo ajuda a entender esse pacto adicionado?
6 Como vimos, no âmbito do pacto da Lei, Deus fez um pacto com Davi para um descendente (semente) que reinasse permanentemente sobre um domínio terrestre. Mas Jeová também revelou a Davi que viria um sacerdote duradouro. Davi escreveu: “Jeová jurou (e não o deplorará): ‘Tu és sacerdote por tempo indefinido à maneira de Melquisedeque!’” (Salmo 110:4) O que estava por trás dessa juramentada palavra de Deus que equivalia a um pacto pessoal entre Jeová e o vindouro Sacerdote?
7 Melquisedeque fora rei da antiga Salém, que evidentemente se localizava no lugar em que mais tarde foi construída a cidade de Jerusalém (nome que incorpora “Salém“). O relato dos tratos de Abraão com ele destaca que Melquisedeque era um rei que adorava o “Deus Altíssimo”. (Gênesis 14:17-20) Não obstante, a declaração de Deus no Salmo 110:4 mostra que Melquisedeque era também sacerdote, fazendo dele uma pessoa ímpar. Ele era tanto rei como sacerdote, e serviu onde os reis davídicos e os sacerdotes levíticos mais tarde desempenharam as funções que Deus lhes atribuíra.
8. Com quem foi feito esse pacto para um sacerdote semelhante a Melquisedeque, e com que resultado?
8 Paulo fornece detalhes adicionais sobre esse pacto para produzir um sacerdote semelhante a Melquisedeque. Por exemplo, ele diz que Jesus Cristo foi quem fora ‘chamado por Deus como sumo sacerdote à maneira de Melquisedeque’. (Hebreus 5:4-10; 6:20; 7:17, 21, 22) Embora Melquisedeque obviamente tivesse pais humanos, não há registro de sua genealogia. Assim, em vez de Jesus herdar o cargo de sacerdote segundo uma registrada linhagem a partir de Melquisedeque, a sua nomeação veio diretamente de Deus. O sacerdócio de Jesus não passará a um sucessor, pois ele “permanece sacerdote perpetuamente”. Isso é assim, pois os benefícios de seu serviço sacerdotal serão eternos. Podemos ser genuinamente abençoados por termos um sacerdote que “é também capaz de salvar completamente os que se aproximam de Deus por intermédio dele” e de instruir e guiar eternamente os fiéis. — Hebreus 7:1-3, 15-17, 23-25.
9, 10. De que modo o conhecimento a respeito desse quinto pacto amplia o nosso entendimento sobre como o propósito de Deus será cumprido?
9 Outro fato significativo é que o papel de Jesus como Rei-Sacerdote vai além da esfera terrestre. No mesmo contexto em que mencionou esse pacto para um sacerdote semelhante a Melquisedeque, Davi escreveu: “A pronunciação de Jeová a meu Senhor é: ‘Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo para os teus pés.’” Podemos ver assim que Jesus — o Senhor de Davi — havia de ter um lugar no céu com Jeová, o que ocorreu na sua ascensão. Do céu, Cristo pode exercer autoridade junto com seu Pai para subjugar inimigos e executar julgamentos. — Salmo 110:1, 2; Atos 2:33-36; Hebreus 1:3; 8:1; 12:2.
10 Assim, tomando conhecimento desse quinto pacto, temos uma visão ampliada da maneira ordeira e cabal pela qual Jeová realizará seu propósito. Esse pacto estabelece que a parte principal do descendente será também um sacerdote no céu, e que a sua autoridade qual Rei-Sacerdote terá alcance universal. — 1 Pedro 3:22.
O Novo Pacto e a Parte Secundária do Descendente
11. Que dificuldades existiam quanto à parte secundária do descendente?
11 Quando anteriormente consideramos o pacto abraâmico, notamos que Jesus tornou-se a parte principal do descendente, por direito natural. Ele descendia diretamente do patriarca Abraão, e, qual humano perfeito era um Filho aceito do Abraão Maior. Que dizer, porém, de humanos que têm o privilégio de tornar-se a parte secundária do descendente de Abraão, “herdeiros com referência a uma promessa”? (Gálatas 3:29) Sendo imperfeitos, pertencentes à família do pecador Adão, não se qualificariam para pertencer à família de Jeová, o Abraão Maior. Como poderia ser sobrepujado o impedimento da imperfeição? Isso seria impossível para humanos, mas não o é para Deus. — Mateus 19:25, 26.
12, 13. (a) Com que palavras predisse Deus um outro pacto? (b) Que particularidade especial desse pacto merece nossa atenção?
12 Estando a Lei ainda em vigor, Deus predisse por meio de seu profeta: “Eu vou concluir um novo pacto com a casa de Israel e com a casa de Judá; não um igual ao pacto que concluí com os seus antepassados . . . ‘pacto meu que eles próprios violaram’. . . Vou pôr a minha lei no seu íntimo e a escreverei no seu coração. E vou tornar-me seu Deus e eles mesmos se tornarão meu povo. E não mais ensinarão . . . ‘Conhecei a Jeová!’ porque todos eles me conhecerão . . . Porque perdoarei seu erro e não me lembrarei mais do seu pecado.” — Jeremias 31:31-34.
13 Note que um aspecto desse novo pacto era o perdão de pecados, evidentemente de maneira ‘não igual’ ao arranjo de sacrifícios animais sob a Lei. Jesus lançou luz sobre isso no dia em que morreu. Após participar junto com os seus discípulos na celebração da Páscoa, exigida pela Lei, Cristo instituiu a Refeição Noturna do Senhor. Essa celebração anual envolveria partilhar um copo de vinho, sobre o que Jesus disse: “Este copo significa o novo pacto em virtude do meu sangue, que há de ser derramado em vosso benefício.” — Lucas 22:14-20.
14. Por que é o novo pacto importante na produção da parte secundária do descendente?
14 Assim, o novo pacto entraria em vigor por meio do sangue de Jesus. À base de tal sacrifício perfeito, Deus podia ‘perdoar o erro e o pecado’ de uma vez para sempre. Pense no que isso significaria! Podendo perdoar completamente os pecados de humanos devotos da família de Adão, Deus poderia considerá-los como sem pecados, gerá-los como filhos espirituais do Abraão Maior e daí ungi-los com espírito santo. (Romanos 8:14-17) Assim, o novo pacto validado pelo sacrifício de Jesus habilita seus discípulos a comporem a parte secundária do descendente de Abraão. Paulo escreveu: “Pela sua morte [Jesus reduziria] a nada aquele que tem os meios de causar a morte, isto é, o Diabo; e [emanciparia] todos os que pelo temor da morte estavam toda a sua vida sujeitos à escravidão. Pois ele realmente não auxilia em nada os anjos, mas auxilia o descendente de Abraão.” — Hebreus 2:14-16; 9:14.
15. Quem são as partes do novo pacto?
15 Sendo Jesus o Mediador e o sacrifício consolidador do novo pacto, quais seriam as partes desse pacto? Jeremias predisse que Deus faria esse pacto com “a casa de Israel”. Que Israel? Não o Israel carnal circuncidado sob a Lei, pois o novo pacto tornou obsoleto aquele pacto anterior. (Hebreus 8:7, 13; veja a página 31.) Agora Deus lidaria com judeus e gentios que, por meio da fé, eram simbolicamente ‘circuncidados no coração pelo espírito’. Isto se harmoniza com a afirmação de Deus de que as ‘suas leis seriam escritas na mente e no coração’ dos que seriam incluídos no novo pacto. (Romanos 2:28, 29; Hebreus 8:10) Paulo chamou tais judeus espirituais de “o Israel de Deus”. — Gálatas 6:16; Tiago 1:1.
16. Como é que o novo pacto ajuda no cumprimento do que Êxodo 19:6 aponta?
16 Visto que Deus lidava agora com o Israel espiritual, abriu-se uma porta de oportunidade. Quando Deus oficializou a Lei, ele falara dos filhos de Israel se tornarem para ele “um reino de sacerdotes e uma nação santa”. (Êxodo 19:6) Realmente, o Israel carnal nunca poderia tornar-se, e nunca se tornou, uma nação em que todos os seus membros eram reis-sacerdotes. Mas os judeus e os gentios que foram aceitos como parte secundária do descendente de Abraão poderiam tornar-se reis-sacerdotes.b O apóstolo Pedro confirmou isso, dizendo a estes: “Vós sois ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial, para que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão.” Ele também escreveu que ‘estava reservada para eles nos céus uma herança imarcescível’. — 1 Pedro 1:4; 2:9, 10.
17. Por que é o novo pacto “melhor” do que o pacto da Lei?
17 Assim, o novo pacto opera junto com o preexistente pacto abraâmico para produzir a parte secundária do descendente. Este novo pacto entre Jeová e os cristãos ungidos pelo espírito permite a formação de uma nação celestial de reis-sacerdotes na família real do Abraão Maior. Podemos ver, então, por que Paulo disse que este é um “pacto correspondentemente melhor, que foi estabelecido legalmente em promessas melhores”. (Hebreus 8:6) Tais promessas incluem a bênção de ter a lei de Deus escrita no coração dos devotos, cujos pecados não são lembrados, e com todos ‘conhecendo a Jeová, desde o menor até o maior’. — Hebreus 8:11.
O Pacto de Jesus Para um Reino
18. Em que sentido os pactos que consideramos até aqui não cumpriram completamente o propósito de Deus?
18 Refletindo sobre os seis pactos que consideramos, pode parecer que Jeová legalmente já providenciou tudo o que seria necessário para cumprir o seu propósito. Todavia, a Bíblia apresenta mais um pacto que se relaciona com o que já consideramos, um pacto que supre aspectos adicionais desse assunto vital. Cristãos ungidos pelo espírito corretamente esperam que ‘o Senhor os livre de toda obra iníqua e os salve para o seu reino celestial’. (2 Timóteo 4:18) No céu, eles serão uma nação de reis-sacerdotes, mas, qual será o seu domínio? Ao serem estes ressuscitados para o céu, Cristo já se encontra lá como sumo sacerdote perfeito. Também se terá firmado com poder real para domínio universal. (Salmo 2:6-9; Revelação [Apocalipse] 11:15) O que resta para os outros reis-sacerdotes fazerem?
19. Quando e como foi feito um importante sétimo pacto?
19 No dia 14 de nisã de 33 EC, a noite em que Jesus instituiu a Refeição Noturna do Senhor e mencionou “o novo pacto em virtude do [seu] sangue”, ele falou de ainda outro pacto, o sétimo em consideração. Ele disse a seus apóstolos fiéis: “Vós sois os que ficastes comigo nas minhas provações; e eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu reino, e vos senteis em tronos para julgar as doze tribos de Israel.” (Lucas 22:20, 28-30) Assim como o Pai fez um pacto com Jesus para este ser sacerdote semelhante a Melquisedeque, Cristo fez um pacto pessoal com seus seguidores leais.
20. Com quem foi feito o pacto para um Reino, e por quê? (Daniel 7:18; 2 Timóteo 2:11-13)
20 Os 11 apóstolos certamente haviam ficado com Jesus nas provações que ele enfrentou, e o pacto indicou que se sentariam em tronos. Ademais, Revelação 3:21 prova que todos os cristãos ungidos pelo espírito que forem fiéis se sentarão em tronos celestiais. Assim, esse pacto é com todos os 144.000 que foram comprados com o sangue de Jesus para serem levados para o céu como sacerdotes e “reinar sobre a terra”. (Revelação 1:4-6; 5:9, 10; 20:6) O pacto que Jesus faz com eles agrega-os a ele a fim de partilharem seu domínio. Em certo sentido, é como se uma noiva de uma família nobre se unisse em casamento a um monarca reinante. Ela coloca-se assim na posição de partilhar com ele o domínio do reino. — João 3:29; 2 Coríntios 11:2; Revelação 19:7, 8.
21, 22. Que bênção pode-se esperar em decorrência do que esses pactos realizam?
21 Que benefícios propiciará isso para a humanidade obediente? Nem Jesus e tampouco os 144.000 serão como os benevolentes déspotas que ‘não podiam prover soluções reais’. Em vez disso, assegura-se-nos de que Jesus é um sumo sacerdote “que foi provado em todos os sentidos como nós mesmos, porém, sem pecado”. Podemos assim entender por que ele ‘pode compadecer-se’ das fraquezas humanas e por que as “outras ovelhas”, assim como no caso dos cristãos ungidos, podem também, através de Cristo, aproximar-se do trono de Deus “com franqueza no falar”. Assim, elas também ‘obtêm misericórdia e acham benignidade imerecida para ajuda no tempo certo’. — Hebreus 4:14-16; João 10:16.
22 Os pactuários para servir com Jesus quais reis-sacerdotes também participam em abençoar a humanidade. Assim como os antigos sacerdotes levíticos beneficiaram a inteira nação de Israel, os que servem em tronos celestiais com Jesus julgarão com justiça todos os que viverem na terra. (Lucas 22:30) Esses reis-sacerdotes já foram humanos, de modo que serão compreensivos para com as necessidades da humanidade. Essa parte secundária do descendente cooperará com Jesus em cuidar de que ‘todas as nações sejam abençoadas’. — Gálatas 3:8.
23. De que modo devem as pessoas agir em conformidade com esses pactos?
23 Todos os que desejarem partilhar dessa bênção para a humanidade, dessa forma beneficiando-se dos pactos de Deus, são agora convidados a fazer isso. (Revelação 22:17) Uma boa iniciativa é estar presente na celebração da Refeição Noturna do Senhor, que será realizada após o pôr-do-sol na quarta-feira, 22 de março de 1989. Programe comparecer, numa das congregações das Testemunhas de Jeová. Ali aprenderá mais a respeito de pactos divinos e verá adicionalmente como poderá beneficiar-se deles.
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