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A arqueologia confirma a BíbliaA Sentinela — 1981 | 15 de maio
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no norte da Síria a antiga cidade-estado de Ebla. Igual a Mari, Ebla não é mencionada na Bíblia, mas ambos os nomes aparecem em textos antigos que remontam ao período patriarcal. Portanto, o que foi descoberto pela pá dos escavadores neste novo lugar? Na biblioteca do palácio real foram encontrados milhares de tabuinhas de argila remontando ao fim do terceiro ou ao começo do segundo milênio antes da Era Comum. O semanário francês Le Point, numa reportagem sobre esta descoberta, no número 19 de março de 1979, declarou: “Os nomes próprios são espantosamente similares [aos das Escrituras]. Na Bíblia encontramos ‘Abraão’, nas tabuinhas de Ebla, ‘Ab-ra-rum’; Esaú; — E-sa-um; Miguel — Mi-ki-ilu; Davi — Da-u-dum; Ismael — Ish-ma-ilum; Israel — Ish-ra-ilu. Os arquivos de Ebla também contêm os nomes de Sodoma e Gomorra, cidades mencionadas na Bíblia, mas cuja historicidade por muito tempo foi questionada pelos eruditos. . . . Ainda mais, as tabuinhas alistam cidades na ordem exatamente igual em que são mencionadas no Antigo Testamento: Sodoma, Gomorra, Adma, Zeboim e Bela [Gên. 14:2].” Segundo Boyce Rensberger, escrevendo no Times de Nova Iorque, “alguns eruditos bíblicos acreditam [que as tabuinhas de Ebla] rivalizam com os Rolos do Mar Morto quanto a autenticar e a aumentar o conhecimento da vida nos tempos . . . bíblicos.”
COSTUMES E LEIS
A arqueologia fez muita coisa para explicar os costumes aludidos na Bíblia, mostrando assim a exatidão do registro bíblico. Um caso em pauta é o relato de Gênesis, capítulo 31, onde se menciona que Raquel, esposa de Jacó, “furtou os terafins que pertenciam a seu pai”, Labão.(V. Gênesis 31:19) Declara-se o motivo de Labão dar-se ao trabalho de ir no encalço de sua filha e o marido dela durante sete dias. Foi para recuperar os seus “deuses” (Vv. Gênesis 31:23, 30) É interessante que uma descoberta arqueológica na antiga cidade mesopotâmica setentrional de Nuzi revelou a existência duma lei patriarcal, segundo a qual a posse dos deuses da família davam ao homem o direito aos bens de raiz do seu falecido sogro. Quando é lembrado que Labão era nativo do noroeste da Mesopotâmia e quão traiçoeiramente ele havia lidado com Jacó, o conhecimento desta lei lança luz sobre o estranho furto de Raquel e sobre os esforços frenéticos de Labão para recuperar os seus “deuses”. O Museu do Louvre, de Paris, exibe diversos de tais “deuses domésticos”, descobertos em diversas cidades da Mesopotâmia. Seu tamanho pequeno (de 10 a 15 centímetros) também ajuda a explicar como Raquel pôde ocultar os terafins sentando-se no cesto da sela em que estavam e negando-se a se levantar, quando Labão fez a busca. — Vv. Gênesis 31:34, 35.
Um dos bens mais prezados do Museu do Louvre é um bloco de pedra preta de exatamente 2,25 metros de altura, comumente conhecido por “Código de Hamurábi”. Sob um relevo mostrando o Rei Hamurábi de Babilônia recebendo autoridade do deus-sol Xamaxe, há 282 leis em colunas escritas em letras cuneiformes. Visto que se diz que Hamurábi reinou de 1728 a 1686 A.E.C., alguns críticos da Bíblia afirmaram que Moisés, que registrou as leis de Israel mais de um século e meio depois, apenas plagiou o código deste rei babilônico. Desmentindo esta acusação, W. J. Martin escreveu no livro Documentos dos Tempos do Antigo Testamento (em inglês):
“Apesar das muitas similaridades, não há nenhuma base para se presumir qualquer apropriação direta pelos hebreus dos babilônios. Mesmo nos pontos em que as duas séries de leis diferem pouco na letra, divergem muito no espírito. Por exemplo, no Código de Hamurábi, o furto e a aceitação de produtos furtados eram punidos com a pena capital (Leis 6 a 22), mas nas leis de Israel a punição era a compensação. (Êxo. 22:1; Lev. 6:1-5) Ao passo que a lei mosaica proibia a entrega dum escravo fugitivo ao seu amo (Deut. 23:15, 16), as leis babilônicas puniam com a morte aquele que acolhesse um escravo fugitivo. — Leis 15, 16, 19 .”
No Supplément au Dictionnaire de la Bible, o orientalista francês Joseph Plessis escreveu: “Não parece que o legislador hebreu tenha feito uso dos diversos códigos de Babilônia e Assíria. Nada na sua obra pode ser provado como tendo sido apropriado. Embora haja similaridades interessantes, elas não são tais que não possam ser facilmente explicadas pela codificação de costumes compartilhados por pessoas da mesma origem.”
Ao passo que o Código de Hamurábi reflete o espírito de retaliação, a lei mosaica diz: “Não deves odiar teu irmão no teu coração. . . . Não deves tomar vingança nem ter ressentimento contra os filhos do teu povo; e tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” (Lev. 19:17, 18) Isto não somente prova que Moisés não se apropriou de nada de Hamurábi, mas a comparação entre as leis bíblicas e as inscritas nas tabuinhas e nas estelas escavadas pelos arqueólogos mostram que as leis bíblicas são muito superiores àquelas que governavam outros povos antigos.
A ARQUEOLOGIA E AS ESCRITURAS GREGAS
Que dizer das Escrituras Gregas, comumente chamadas de “Novo Testamento”? Confirmou a arqueologia a exatidão desta parte importante da Bíblia? Escreveram-se livros inteiros mostrando que há tal confirmação. Já em 1890, o erudito bíblico francês F. Vigouroux publicou um livro de mais de 400 páginas intitulado “Le Nouveau Testament et les découvertes archéologiques modernes” (O Novo Testamento e as Modernas Descobertas Arqueológicas). Ele fornece nele prova abundante em apoio dos Evangelhos, de Atos dos Apóstolos e das cartas contidas nas Escrituras Gregas. Em 1895, W. M. Ramsay publicou seu livro agora já clássico S. Paulo, o Viajante, e o Cidadão Romano (em inglês), fornecendo muita matéria valiosa sobre a autenticidade das Escrituras Gregas Cristãs.
Mais recentemente, publicaram-se muitos outros livros e artigos eruditos, mostrando como a arqueologia tem demonstrado a veracidade da Bíblia inteira. E. M. Blaiklock escreveu no seu livro A Arqueologia do Novo Testamento, publicado em inglês pela primeira vez em 1970: “As notáveis vindicações da historiografia bíblica ensinaram aos historiadores o respeito pela autoridade tanto do Antigo como do Novo Testamento, e a admiração pela exatidão, a profunda preocupação com a verdade e a perspicácia histórica, inspirada, dos diversos escritores que deram à Bíblia seus livros de história.”
Sim, a arqueologia claramente apóia a Bíblia. Mas, que dizer de outros campos de ciência?
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As cidades encravadasA Sentinela — 1981 | 15 de maio
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As cidades encravadas
HAVIA cidades de determinado povo ou tribo que ficavam encerradas no território duma tribo diferente, chamadas em hebraico de mivdalóhth, ou “lugares separados”, “enclaves”. Exemplos modernos de enclaves são Berlim Ocidental, cercada pelo território da Alemanha Oriental, e a propriedade doada às Nações Unidas, encravada na cidade de Nova Iorque. Parte da antiga Jerusalém permanecia um enclave jebuseu dentro do território de Israel por quatro séculos, até que Davi finalmente a capturou. — Jos. 15:63; Juí. 1:21; 19:11, 12; 2 Sam. 5:6-9.
Na divisão da Terra da Promessa entre as doze tribos, havia cidades dentro do território geral de uma tribo que pertenciam a outra tribo. De acordo com Josué 16:9, “os filhos de Efraim possuíam cidades encravadas no meio da herança dos filhos de Manassés” (NM), quer dizer, “as cidades que se separaram para os filhos de Efraim, que estavam no meio da herança dos filhos de Manassés”. (Almeida, atualizada; veja também Josué 17:8, 9.) Alguns dos filhos de Manassés moravam em cidades dentro das fronteiras de Issacar e de Aser. — Jos. 17:11; 1 Crô. 7:29.
A herança de Simeão consistia em cidades que todas se encontravam no território de Judá, visto que a parte desta última tribo “mostrou ser grande demais para eles”. (Jos. 19:1-9) As quarenta e oito cidades administradas pelos levitas, inclusive as seis cidades de refúgio, eram todas enclaves no território de outras tribos. (Jos. 21:3-41) Assim se cumpriu a profecia de Jacó, no seu leito de morte, a respeito de Simeão e de Levi, de que ‘não teriam parte em Jacó, mas seriam espalhados em Israel’. — Gên. 49:7. — Tirado de Ajuda ao Entendimento da Bíblia, p. 517, em inglês.
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