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  • O Papa viaja
    Despertai! — 1984 | 8 de junho
    • O Papa viaja

      “O PAPA Conquista a Espanha”, foi a manchete da imprensa espanhola. “Febre Papal em Toda a Parte”, proclamava o jornal Sunday New Nigerian, por ocasião da visita do papa à África Ocidental. “Mais de um milhão de poloneses se reuniram num estádio de futebol para a missa celebrada pelo Papa João Paulo II”, veiculou The New York Times, de 18 de junho de 1983.

      Tais descrições refletem algumas das ardorosas reações às 20 andanças papais que abrangeram 38 países ao redor do mundo, nos últimos cinco anos. Calcula-se que, aproximadamente, 18 milhões de poloneses o viram no decorrer de sua viagem de oito dias à Polônia, em 1983. Trata-se da metade da população daquele país!

      Em muitos países, tais como o Brasil, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, até mesmo pessoas não-católicas estavam presentes, para saciar sua curiosidade. Como declarou certo escritor: “A aclamação não se limitava às classes trabalhadoras, nem mesmo aos católicos.”

      Segundo a mesma fonte: “Um ministro inglês [católico] do gabinete escreveu-lhe [ao papa], em maio de 1979, utilizando linguagem duma revista de fã-clube: o Papa tinha qualidades dum astro, a sua presença era majestosa e eletrizante, ele irradiava autoridade e vigor.”

      Em sua biografia do Papa João Paulo II, Lorde Longford, da Grã-Bretanha, católico convertido, comentou que, no Estádio Ianque, em Nova Iorque, EUA, “ofereceu-se [ao papa] uma recepção digna dum superastro”. Não é de admirar que o escritor Peter Nichols, simpático à igreja, embora não seja católico, declarasse em seu livro The Pope’s Divisions (As Divisões Papais): “O entusiasmo popular pelo papado faz parte agora da vida moderna.”

      Por que será, contudo, que este papa é tão popular? Quão profundos são, realmente, os efeitos de suas visitas sobre a conduta dos católicos? Neste momento histórico, por que são tão necessárias tais visitas papais? Qual é a mensagem que o papa oferece ao mundo? Os artigos que seguem abrangerão estas perguntas.

  • O Papa — por que é tão popular?
    Despertai! — 1984 | 8 de junho
    • O Papa — por que é tão popular?

      “A VISITA do Papa João Paulo II ao solo espanhol foi como um furacão de emoções, entusiasmo e fervor populares . . . Empregando-se a linguagem dos números . . . a visita de João Paulo II ultrapassou todos os recordes do país.” — Diário ABC, de Madri.

      Naturalmente, a popularidade do papa pode ser explicada em termos simples — ele é o líder espiritual de mais de 600 milhões de católicos em todo o mundo, de modo que, em quase qualquer país onde haja católicos, ele certamente terá uma boa audiência. Mas, isso seria simplificar demais tal fenômeno. Quais, então, são os fatores que explicam a popularidade do papa neste momento histórico?

      “Não Perde Nenhuma Oportunidade”

      Parte da resposta talvez possa ser encontrada em sua experiência inicial como ator. Lorde Longford, em sua biografia autorizada do Papa João Paulo II, afirma: “Contudo, é como ator que seus colegas de escola mais se lembram dele. Um diretor visitante lhe disse: ‘Um dia você será um grande ator.’” Prossegue a biografia: “Não resta dúvida de que esta arte da palavra viva . . . permeou e inspirou Karol Wojtyla [este é o verdadeiro nome do papa] desde a juventude.”

      Entretanto, que influência isto exerce em seu relacionamento com o público? Adiciona o biógrafo Lorde Longford: “Por fim se refletiu no surpreendente impacto que o futuro Papa iria causar em muitas diferentes línguas, em incontáveis milhões de pessoas de todo o mundo.” O sacerdote e escritor católico, Andrew M. Greeley, escreveu: “Ele se desincumbiu das primeiras seis semanas de sua tarefa com a grande perícia dum ator profissional e dum político profissional. Não se pode deixar de maravilhar com seu desempenho impecável.”

      Por certo, este papa sabe como utilizar gestos emocionais e dramáticos para cativar as massas. Por exemplo, diante duma multidão de 200.000 pessoas reunidas em Roma, “quando um garotinho veio correndo com flores, um nervoso monsenhor tentou afastá-lo. Mas o papa agarrou o garotinho e o abraçou.” Acrescenta Greeley: “Pode-se ver, alguém me disse, que ele estudou arte dramática. Não perde nenhuma oportunidade.” O sacerdote Greeley concordou: “Certamente que não.”

      “O Maior Espetáculo, a Maior Festa Que Já Se Viu”

      A psicologia das massas é outra característica do êxito deste papa. Um redator da revista Newsweek descreveu o papa como “um bem dotado artista itinerante que pode representar diante duma vasta multidão, como um ator que cativa sua assistência”. Teve-se um exemplo desta habilidade na chegada dele ao México, em 1979. Como se observa no livro The Man Who Leads the Church (O Homem Que Dirige a Igreja), foi acolhido no aeroporto por “uma banda completa de mariachis — músicos locais tradicionais” que “tocava a grande música favorita dos mexicanos, ‘Cielito Lindo’ . . . Tratava-se dum clichê, mas ninguém ligava. Esta excursão pontifícia tornar-se-ia o maior espetáculo, a maior festa que já se viu. O senso de João Paulo II de promover um espetáculo mostrou-se igual ao de seus anfitriões. Ele desceu altivamente pela escada do avião e se firmou nas mãos e nos joelhos para beijar o solo mexicano. (Isto se tinha tornado um gesto tradicional. . . . Mas, seu efeito jamais falhou.)”

      O efeito que tudo isto exerce sobre as multidões em todo o mundo é bem descrito pelo autor católico, Peter Hebblethwaite: “Que mensagens estavam captando deste novo papa cativante? . . . No entusiasmo popular suscitado pelas viagens de João Paulo II as pessoas simplesmente se esqueciam ou deixavam de acatar aquilo que ele realmente dizia. . . . A razão de conseguir safar-se com quase tudo era que a novidade de seu pontificado e o carisma de sua presença proviam uma distração daquilo que ele realmente dizia.” Sim, ao apreciarem o espetáculo, as massas parecem desperceber as implicações dos discursos diretos do papa. Mas, para muitos católicos de mentalidade liberal, os sermões dele são muitíssimo intragáveis, duma linha dura demais, e ultraconservadores.

      “Interlocutor de Estadistas e Políticos”

      Outra razão da popularidade papal é que vivemos numa geração que tem sido condicionada a oferecer e a aceitar a adoração de ídolos. As pessoas, em todo o mundo, têm seus astros e estrelas da televisão e do cinema, seus ídolos do esporte e seus salvadores políticos. Assim, por que não ter, também, ídolos religiosos? Se os protestantes têm seu Billy Graham e outros têm o “reverendo” Moon, por que os católicos não poderiam ter seu João Paulo II? Caso alguém julgue que isto é um exagero, observe o que o escritor católico Hebblethwaite declara em seu livro The Year of the Three Popes (O Ano dos Três Papas): “Quando um homem se torna papa, inicia-se um processo mitificatório ao qual é difícil de resistir. Sua vida anterior é reescrita para mostrar que há muito tempo ele já estava destinado para o cargo que, por fim, viria a ocupar [o papado]. Torna-se, da noite para o dia, uma figura mundial, um interlocutor de estadistas e políticos, e de líderes eclesiásticos de todos os tipos.” — O grifo é nosso.

      Por conseguinte, no contexto moderno, o papa se põe em evidência por motivo de seus constantes contatos e comunicação com “estadistas e políticos”. Torna-se outra personalidade mundial de TV. Uma vez que também é o chefe dum estado temporal, a Cidade do Vaticano, é recebido com todas as honras pelos chefes de Estado e pelos governantes políticos — até mesmo pelos comunistas! Sim, “apesar de seu tamanho minúsculo, tem-se dito, porém, que a Cidade do Vaticano possui maior influência do que a própria Itália”, afirma a Encyclopaedia Britannica.

      Outros fatores, porém, também influenciaram grandemente a projeção publicitária do atual papa. “Apesar de não contar com divisões do exército, ou talvez por causa disso, o Papa é a única pessoa que pode ser chamada de líder mundial. Numa era de pigmeus políticos, tem assumido a liderança moral do mundo.” Isto sugere que as figuras políticas do mundo têm tão baixa estatura moral que isto faz com que o papa pareça ser um gigante!

      O Papa, a Política e a Polônia

      Outro elemento que fez com que as massas ficassem fascinadas com este papa é a evidente utilização, por parte dele, do nacionalismo e de seu envolvimento em questões políticas e sociais. Ele tem mantido fortes debates com diversos governos e líderes políticos. Há nisso uma aparente contradição entre suas ordens ao clero, para que se mantenha afastado da política, e suas próprias homilias, que o envolvem em questões políticas.

      Para exemplificar, Lorde Longford observou que, na visita do papa às Filipinas, “ele avisou a ala antigovernamental da Igreja ali para que evitasse imiscuir-se na política, lembrando-lhes de seu papel na sociedade: ‘Sois sacerdotes e religiosos. Não sois líderes sociais ou políticos, nem autoridades dum poder temporal.’” Todavia, em sua homilia à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é citado como afirmando que ‘embora a Igreja pudesse vincular-se à reforma social revolucionária, não se poderia tolerar a violência política’. Nos seus 13 dias no Brasil, disse Longford, o papa “instou com os pobres a fazer tudo a seu alcance para garantir que obtivessem, do governo, os seus direitos”.

      O poder político do papa é exemplificado por sua recente visita à Polônia, a qual, segundo as notícias, foi mui cuidadosamente planejada, com vistas a resolver os críticos problemas políticos e econômicos da Polônia. William Safire, de The New York Times, escreveu: “A Igreja e o estado chegaram a algum acordo secreto, e foi concedida a bênção política tão avidamente ansiada pelo líder polonês escolhido por Moscou. . . . A igreja, para perdurar, às vezes tem de negociar com totalitários.”

      Que a visita do papa à Polônia também teve motivação política é algo que goza de apoio adicional. O presidente Reagan entrevistou-se com o cardeal Krol, de Filadélfia, que acompanhou o papa em sua visita à Polônia. Por quê? Porque “o Sr. Reagan quis saber as impressões do cardeal sobre a situação na Polônia depois da visita papal, com suas nítidas ramificações políticas”. (O grifo é nosso.) Quem pode negar que as viagens do papa tenham conotações políticas, o que o torna popular junto às massas, embora nem sempre com os governantes?

      Uma coisa é entender os motivos de sua popularidade atual, mas uma questão mais importante é: Por que são agora necessárias as suas viagens mundiais? Que mensagem tem apresentado? Quão profundos são seus efeitos? Os artigos seguintes comentarão tais perguntas

      [Foto na página 5]

      ‘O papa se torna um interlocutor no diálogo com estadistas e políticos.’

  • As viagens do Papa — por que são necessárias?
    Despertai! — 1984 | 8 de junho
    • As viagens do Papa — por que são necessárias?

      AO REALIZAR sua segunda visita à Polônia, o Papa João Paulo II concluiu sua 20a peregrinação internacional em apenas cinco anos. Depois de séculos de imobilismo papal, é razoável perguntar: Por que foram necessárias tantas excursões em um período tão curto?

      O escritor Peter Nichols nos fornece um indício. Falando do conclave em que foi escolhido João Paulo II, ele escreve: “Certamente, contudo, deve ter havido amplo acordo . . . de que, acima de tudo, a Igreja Católica precisava de medidas disciplinares, e que seu longo período de inquietação, confusão, experiências, de dúvidas e discussões, para não se dizer nada das deserções . . . tinha então de ter um fim.”

      Tal situação é adicionalmente ressaltada por um idoso sacerdote holandês que, falando do catolicismo holandês, disse: “O desespero é geral. Há a evasão de intelectuais e de pessoas simples. Há os conflitos públicos entre os bispos. Trata-se duma tragédia imensa, imensa mesmo.” Daí, sobre a vocação para o sacerdócio, acrescentou: “Tais jovens não desejam ser sacerdotes. Não prestarão sua confiança a uma igreja que se acha num estado de tragédia moral.”

      Tal moléstia infeta a Igreja Católica na maioria das partes do mundo. A inquestionável lealdade dos católicos aos preceitos de sua igreja, tão evidente há 30 ou 40 anos, tem decrescido. O comparecimento à Missa e as confissões têm diminuído.

      Sim, há rachaduras profundas e definitivas na estrutura monolítica da Igreja Católica Romana. Patenteiam-se as divisões em três campos principais: (1) a prática diária das normas básicas católicas sobre a moral (aborto, controle da natalidade, divórcio), (2) política e reforma social, e (3) teologia, os ensinos básicos da igreja.

      Será que os Católicos Obedecem ao Papa?

      Nos anos mais recentes, o aborto, a contracepção e o divórcio tornaram-se debates acesos em todos os níveis da sociedade católica. Pouco antes da visita do papa aos Estados Unidos, em 1979, fez-se uma pesquisa dum grupo representativo de católicos americanos sobre seu apego às normas católicas. O livro The Man Who Leads the Church declara que “50 por cento se dispunham a tolerar o aborto por simples solicitação; 53 por cento criam que se devia permitir que os sacerdotes se casem; 63 por cento achavam aceitável o divórcio . . . e 66 por cento diziam que gostariam que a Igreja aprovasse o controle artificial da natalidade. Quanto a este último ponto, em especial, a prática e o preceito entre os católicos americanos já se separaram de forma permanente. Tem-se conhecimento de que os casais católicos utilizam amplamente os anticoncepcionais, e isto sem quaisquer grandes sentimentos de culpa.”

      Atitudes similares sobre questões morais prevalecem até mesmo em países predominantemente católicos. Um informe da Espanha indicava que 47.605.000 itens de controle da natalidade foram ali vendidos em 1982. Os abortos se tornaram prática costumeira em países católicos, já por muito tempo. Até mesmo a Irlanda, país fervorosamente católico, exibe as rachaduras. John Whale escreve: “Os próprios bispos [da Irlanda] reconhecem que, ‘na atualidade, registra-se oficialmente que mais de 2.200 moças irlandesas realizam abortos na Grã-Bretanha cada ano’. Reconhece-se comumente que o total real é muito mais elevado.”

      Uma das grandes questões que influi profundamente nos católicos é o divórcio. Para a igreja, ele não existe, e, em suas homilias, o Papa João Paulo II tem sido inflexível neste ponto. Entretanto existe, em vez disso, a anulação do casamento, às vezes custosa e que demanda muito tempo. O escritor John Whale expõe a situação nos Estados Unidos: “O Arcebispo Edward McCarthy, de Miami, identificou o divórcio como ‘o principal problema que enfrentamos — não há dúvidas sobre isso’.” Por que será que algumas autoridades eclesiais refutam em aplicar as normas estritas da Igreja neste assunto? “Elas reconhecem que tal proceder frustraria seus objetivos, tanto em sentido pastoral como na questão do avanço numérico católico. Assim, concedem trinta mil anulações por ano — em essência, certidões de que um casamento rompido jamais realmente aconteceu, em primeiro lugar, . . . ‘Há nisso um componente de acrobacia legal’, reconheceu . . . um clérigo de Chicago.” — O grifo é nosso.

      Um cardeal dos Estados Unidos, em data recente, celebrou uma Missa a favor dos divorciados e separados. Veiculou The New York Times: “Foi . . . a primeira vez que um cardeal celebrou missa a favor dos católicos divorciados e separados.” Havendo toda essa pressão para o reconhecimento da validez do divórcio, não é de admirar que o papa tenha de viajar pelo mundo a fim de tentar manter a disciplina em suas fileiras!

      Será que a Política Divide a Igreja?

      Embora os porta-vozes do Vaticano dêem muita ênfase ao objetivo “pastoral” das viagens do papa, muitos comentaristas as enfocam sob diferente luz. O livro The Man Who Leads the Church declara a respeito das jornadas do papa: “Apesar da ênfase sobre sua natureza espiritual ou pastoral, cada jornada envolvia lidar com uma questão política.”

      Assim, por que são tão necessárias estas visitas? Porque profundas divisões envolvem o clero católico em questões políticas e sociais. Isto foi especialmente exemplificado pelo giro do papa pela América Central. Certo jornalista colocou a seguinte manchete em seu artigo sobre a viagem do papa: “Política e Religião Divididas e Entrelaçadas no Roteiro do Papa”. Isso se tornou ululantemente óbvio em sua visita à Nicarágua, onde sacerdotes católicos ocupam importantes cargos no governo. Ao mesmo tempo, de acordo com The New York Times, o arcebispo de Manágua, capital da Nicarágua, é “forte crítico do Governo”. Não se trata duma igreja dividida?

      A mesma notícia também declarava que o principal objetivo do papa na América Central era “fortalecer a Igreja Católica Romana . . . contra os desafios internos suscitados por sacerdotes e freiras esquerdistas”. A estrutura monolítica e autocrática da Igreja Católica está-se fendendo e, de forma um tanto parecida com o lendário menino holandês que tentou vedar o dique rompido com o dedo, o Papa João Paulo II está correndo o mundo, na tentativa de tapar os buracos

      Sob Ataque os Ensinos Eclesiais

      Fissuras adicionais no tecido eclesial são vistas à medida que teólogos e sacerdotes católicos continuam a pôr em dúvida alguns dos ensinos fundamentais da igreja. Não é de admirar que o monge beneditino Patrick Granfield tenha descrito como assombrosa a responsabilidade do papa de preservar a unidade da fé, “porque quase todo aspecto do ensino tradicional sobre a fé e a moral é assunto de intenso debate teológico. As questões em debate incluem: . . . a moral sexual; o controle da natalidade; o aborto; o divórcio e o novo casamento; o celibato sacerdotal; a ordenação das mulheres”, entre outras.

      Lá em 1971, o papa, o então Cardeal Wojtyla, indicara que alguns teólogos tinham semeado sementes da dúvida por questionarem doutrinas básicas tais como a Trindade, a natureza de Cristo, a presença real de Cristo na Eucaristia e a indissolubilidade do casamento. Outros, tais como Hans Küng, perito católico suíço, suscitavam dúvidas sobre a doutrina da infalibilidade papal, do século 19.

      A Igreja Católica está assolada por divisões e dúvidas que ela mesma criou. O clero abrange um espectro que vai dos liberais e progressistas até os conservadores e ultra-ortodoxos no campo religioso, e de comunistas a fascistas na arena política. Acrescente-se a isto tudo a crise mundial de vocações, que leva à escassez de padres e freiras. O comunismo continua a pretender a lealdade de considerável parte da população de países católicos tais como a Itália, a França e a Espanha. Não é de admirar que o papa tenha de viajar e proferir firmes avisos!

      Mas, em suas viagens, que mensagem leva ele às nações? Que esperança tem para oferecer ao mundo? Nosso artigo final sobre este assunto discutirá estas questões.

      [Fotos na página 8]

      O papa examina a fundo as atitudes católicas quanto ao divórcio, o controle da natalidade e o aborto.

  • A mensagem do Papa — será a solução?
    Despertai! — 1984 | 8 de junho
    • A mensagem do Papa — será a solução?

      AO DESPEDIR-ME de meus compatriotas em Cracóvia, . . . desejo que o bem, sob os cuidados da Virgem Santíssima de Jasna Gora [Claro Monte], possa, mais uma vez, mostrar-se mais poderoso do que o mal em terra polonesa.”

      Com tais palavras, o Papa João Paulo II concluiu sua visita de 1983 à Polônia. Comentou o repórter de The New York Times: “A referência ao ícone da Madona Negra de Czestochowa, o símbolo mais reverenciado da religião e do nacionalismo da Polônia, tem sido um tema subjacente da viagem do Papa.” — O grifo é nosso.

      ‘Apego Passional à Virgem Maria’

      O escritor católico Peter Hebblethwaite observa: “A devoção à Maria é outra coisa mais que Wojtyla deve à longa tradição polonesa. . . . Mesmo em suas declarações mais breves, ele faz alusão à Maria.” Esta observação significativa é um indício duma faceta predominante da religiosidade do atual papa — seu apego à Virgem Maria sob as muitas manifestações diferentes dela no mundo católico.

      Em sua biografia autorizada do papa, Lorde Longford declara: “Sua devoção à bem-aventurada Virgem Maria constitui parte fundamental dele. . . . É impossível imaginá-lo sem ela. Neste respeito, compartilha indubitavelmente duma fervorosa tradição polonesa. Seu amor à Virgem Maria remonta a seus anos de infância.” É interessante que a mãe dele morreu quando ele ainda era criança, de modo que o mesmo escritor afirma: “Tem-se sugerido que a perda bem cedo de sua mãe talvez tenha contribuído para o apego passional de Wojtyla à Virgem Maria nos anos posteriores.” (O grifo é nosso.) Comenta Peter Hebblethwaite: “Maria representa o elemento feminino em sua vida.”

      Alguns Católicos Ficam Desapontados

      Mas, como Hebblethwaite admite: “Alguns católicos acham excessivo este culto prestado a Maria; alguns protestantes o rejeitam como antibíblico, supersticioso e, até mesmo, no seu limite, blasfemo.” Até o bispo mexicano, Sergio Mendez Arceo, criticou a devoção excessiva do papa a Maria; as inumeráveis referências à virgem de Guadalupe foram “demasiadas”. Ainda mais quando nos lembramos de que os antropólogos identificam esta Virgem, ‘la Morenita’, com a ‘dulcíssima senhora de Tepeyac’, que é identificada com a antiga deusa asteca Tonantzin. O sacerdote católico Andrew Greeley admite “que Maria é um dos mais poderosos símbolos religiosos da história do mundo ocidental. . . . O símbolo de Maria vincula o Cristianismo diretamente com as religiões antigas das deusas-mães.” — O grifo é nosso.

      Como é que alguns católicos italianos reagiram ao catolicismo polonês? O escritor Peter Nichols descreve as reações dum grupo que visitou a Polônia para ver por si mesmo o reavivamento católico ali. “O primeiro abalo — e houve outros — foi que Jesus ocupava um papel subordinado. A Virgem Maria vinha em primeiro lugar, e o papa polonês em segundo, sendo que Jesus, conforme tais jovens se expressavam, mal conseguia um terceiro lugar.” Neste caso, o Soberano Senhor Jeová, “Altíssimo sobre a terra inteira”, não conseguia nem mesmo um quarto lugar! — Salmo 83:18, A Bíblia de Jerusalém, católica.

      A Quem Pedro Ressaltou?

      Todo o precedente nos provê certo entendimento da formação religiosa polonesa do atual papa, e de sua mensagem básica para a humanidade. Ele inculca o papel da “Mãe de Deus” como mediadora entre Deus e o homem. Mas, estará ensinando a mensagem correta para os tempos em que vivemos? Deveria ele ressaltar a mãe de Cristo? Ou deveria proclamar o que o apóstolo Pedro e os cristãos primitivos pregaram como a única esperança para a humanidade, a saber, o Reino de Deus, ou sua regência governamental, por meio de Cristo?

      Como ponto de interesse, uma vez que o papa afirma ser o sucessor legal do apóstolo Pedro, o que disse Pedro a respeito de Maria? Dirigiu a atenção para ela, como a solução para os problemas do gênero humano? Utilizou-a como símbolo nacionalista? Exaltou-a acima de Deus e de Cristo em sua adoração?

      A verdade do assunto é que, em suas duas cartas, ele não menciona Maria uma vez sequer! E ela somente é mencionada em 5 dos 27 livros das Escrituras Gregas. Embora os Evangelhos a mencionem com respeito e de modo favorável, devido ao seu humilde papel como mãe do Messias, nenhum escritor jamais lhe atribui qualquer veneração.

      Em contrapartida, Pedro ressalta claramente o papel de Deus. Em sua primeira carta, ele declara: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, pois, segundo a sua grande misericórdia, ele nos deu um novo nascimento para uma esperança viva por intermédio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.” E, a respeito de Jesus, disse ele aos concrentes: “Fixai vossa esperança na benignidade imerecida que vos há de ser trazida na Revelação de Jesus Cristo.” A “revelação de Jesus Cristo”, e não de Maria, significará o fim deste sistema de coisas corrupto. Por meio da purificadora “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”, remover-se-á da terra toda a iniqüidade. A justiça e a retidão serão restauradas por meio do governo do Reino de Cristo, desde os céus. — 1 Pedro 1:3, 13; Revelação 16:14, 16; 19:11.

      Pedro escreveu sobre tal Reino, afirmando: “De fato, assim vos será ricamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” Este mesmo governo celeste do Reino livrará a terra de todos os elementos que blasfemam do nome de Jeová e que poluem a terra. Como Pedro declara de forma enfática: “Mas, há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça.” — 2 Pedro 1:11; 3:13; Daniel 2:44.

      A Mensagem Correta e o Mediador Acertado

      Por conseguinte, a verdadeira mensagem para as nações, atualmente, não é o envolvimento na política ou no nacionalismo; nem é uma questão de venerar-se uma tradição humana sobre Maria, “o aspecto feminino de Deus”, como o sacerdote Greeley a denomina. A mensagem vital para nossos tempos perigosos é aquela ordenada por Jesus: “E estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” — Mateus 24:14.

      Jesus instou com seus seguidores para que orassem a favor da vinda desse Reino, quando ele aconselhou-os: “Portanto, tendes de orar do seguinte modo: ‘Nosso Pai nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.’” Disse Jesus que seus seguidores deveriam solicitar o Reino de Deus por meio de sua mãe, Maria? A resposta dele mesmo é: “Também, o que for que pedirdes em meu nome, eu farei isso, a fim de que o Pai seja glorificado em conexão com o Filho [não com a mãe]. Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei.” É claro que Cristo é o único Mediador entre Deus e o homem, assim como o apóstolo Paulo afirmou: “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e homens, um homem, Cristo Jesus.” — Mateus 6:9, 10; João 14:13, 14; 1 Timóteo 2:5.

      Por conseguinte, se desejamos sólida esperança para o futuro da humanidade e da terra, para quem nos devemos voltar? Será para a “Rainha da Polônia”, como o papa tem sugerido inúmeras vezes? O que disse Jesus? “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” Sim, a vida eterna provém de Jeová Deus e de Cristo Jesus, porque o Reino também vem por meio deles. E o conhecimento sobre eles é obtido mediante o estudo da Palavra de Deus, a Bíblia, “os escritos sagrados, que te podem fazer sábio para a salvação, por intermédio da fé em conexão com Cristo Jesus” — João 17:3; 2 Timóteo 3:15.

      Instamos com todas as pessoas sinceras, católicas e outras, a obterem tal conhecimento. O leitor também pode obter conhecimento sobre o Reino de Deus e aguardar o tempo, agora próximo, em que Deus “enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram”. As Testemunhas de Jeová em sua vizinhança terão muito prazer em ajudá-lo a entender a Bíblia mediante um estudo bíblico domiciliar gratuito, sem qualquer compromisso. — Revelação 21:4.

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