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PapiroAjuda ao Entendimento da Bíblia
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século XVIII EC, presumia-se que todos os antigos manuscritos da Bíblia em papiro haviam sido destruídos pelo tempo. Não obstante, em 1778, foram descobertos papiros bíblicos na antiga Faium, no Egito. Desde então, outras descobertas foram feitas no Egito e na região ao redor do mar Morto, locais que apresentavam o clima seco ideal, tão necessário para a preservação dos papiros. Alguns dos papiros bíblicos encontrados nesses locais remontam até ao segundo ou ao primeiro século AEC. — Veja MANUSCRITOS DA BÍBLIA.
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ParaísoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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PARAÍSO
A palavra grega parádeisos ocorre três vezes nas Escrituras Gregas Cristãs. (Luc. 23:43; 2 Cor. 12:4; Rev. 2:7) Escritores gregos desde o tempo de Xenofonte (c. 434-355 AEC) empregaram a palavra, e a atribuíram a fontes persas. Alguns lexicógrafos creditariam a derivação da palavra hebraica pardés (que significa, basicamente, um parque) a essa mesma fonte. Mas, uma vez que Salomão (do século XI AEC) empregou pardés em seus escritos, ao passo que os escritos persas existentes só remontam a cerca do século VI AEC, tal derivação do termo hebraico é apenas conjectural. (Ecl. 2:5; Cân. 4:13) O emprego restante de pardés acha-se em Neemias 2:8, onde se faz referência a um régio parque florestal do rei persa, Artaxerxes (Longímano), no século V AEC.
Os três termos (hebraico pardés, persa pairidaeza, e o grego parádeisos), contudo, transmitem todos a idéia básica de lindo parque, ou um jardim semelhante a um parque. O primeiro de tais parques foi o feito pelo Criador do homem, Jeová Deus, no Éden. (Gên. 2:8, 9, 15) É chamado de gan, ou “jardim”, em hebraico, mas era obviamente como um parque quanto ao tamanho e à natureza. — Veja ÉDEN.
A PROMESSA FEITA POR JESUS AO MALFEITOR
O relato de Lucas mostra que um malfeitor, que estava sendo executado ao lado de Jesus Cristo, proferiu palavras em defesa de Jesus, e solicitou que Jesus se lembrasse dele quando ‘entrasse em seu reino’. A resposta de Jesus foi: “Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” (Luc. 23:39-43) A pontuação indicada na tradução destas palavras, naturalmente, depende do entendimento do tradutor quanto ao sentido das palavras de Jesus. Pois, no texto original grego não se empregou nenhuma pontuação, a pontuação, no estilo moderno, não se tornando algo comum senão por volta do século IX EC. Ao passo que muitas traduções colocam uma vírgula (ou dois pontos) antes da palavra “hoje”, e desta forma dão a impressão de que o malfeitor entrou no Paraíso naquele mesmo dia, não existe nada no restante das Escrituras que apóie isto. O próprio Jesus ficou morto e no túmulo até o terceiro dia e foi então ressuscitado como as “primícias” da ressurreição. (Atos 10:40; 1 Cor. 15:20; Col. 1:18) Ele ascendeu ao céu quarenta dias mais tarde. — João 20:17; Atos 1:1-3, 9.
Por conseguinte, a evidência aponta que o emprego, por parte de Jesus, da palavra “hoje” não foi para fornecer o tempo em que o malfeitor estaria no Paraíso, mas, antes, para trazer à atenção a ocasião em que tal promessa estava sendo feita, e na qual o malfeitor tinha demonstrado certa medida de fé em Jesus. Era um dia em que Jesus fora rejeitado e condenado pelos líderes religiosos mais categorizados de seu próprio povo, e, depois disso, fora sentenciado à morte pela autoridade romana. Tornara-se um objeto de zombaria e de ridicularização. De maneira que o malfeitor, ao seu lado, mostrava uma notável qualidade e elogiável atitude de coração em não acompanhar a multidão, mas, em vez disso, falar em defesa de Jesus e expressar sua crença na vindoura realeza de Jesus. Reconhecendo que a ênfase é colocada corretamente na ocasião em que a promessa era feita, em vez de na época de seu cumprimento, outras traduções, tais como as feitas por Rotherham e Lamsa (em inglês), bem como as traduções para o alemão de Reinhardt e de W. Michaelis, vertem esse texto de modo similar à Tradução do Novo Mundo, aqui citada.
Quanto à identificação do Paraíso a respeito do qual Jesus falou, é claro que não é um sinônimo do reino celeste de Cristo. Anteriormente, naquele dia, a entrada naquele reino celeste tinha sido apresentada como perspectiva para os fiéis discípulos de Jesus, mas à base de terem ‘permanecido com ele em suas provações’, algo que o malfeitor jamais tinha feito, morrer ele numa estaca ao lado de Jesus era algo devido puramente às suas próprias ações criminais. (Luc. 22:28-30; 23:40, 41) O malfeitor obviamente não havia ‘nascido de novo’, da água e do espírito, que Jesus mostrou ser um pré-requisito para a entrada no reino dos céus. (João 3:3-6) Nem era o malfeitor um dos ‘vencedores’ que o glorificado Cristo Jesus declarou estariam junto com ele em seu trono celeste, e que têm parte na “primeira ressurreição”. — Rev. 3:11, 12, 21; 12:10, 11; 14:1-4; 20:4-6; veja Céu, I; Vida.
UM PARAÍSO ESPIRITUAL
Através de muitos dos livros proféticos da Bíblia, encontram-se promessas divinas no tocante à restauração de Israel das terras de seu exílio para sua terra natal desolada. Deus faria com que aquela terra abandonada fosse lavrada e semeada, a fim de produzir ricamente e abundar em pessoas e em animais; as cidades seriam reconstruídas e habitadas, e o povo diria: “Aquela terra lá, que fora desolada, tem-se tornado como o jardim do Éden.” (Eze. 36:6-11, 29, 30, 33-35; compare com Isaías 51:3; Jeremias 31:10-12; Ezequiel 34:25-27.) No entanto, estas profecias também mostram que condições paradísicas se relacionavam às próprias pessoas, que, por fidelidade a Deus, podiam então ‘brotar’ e florescer como “árvores de justiça”, gozando de linda prosperidade espiritual como um “jardim bem regado”, como que regado por abundantes bênçãos de Deus por ter o Seu favor. (Isa. 58:11; 61:3, 11; Jer. 31:12; 32:41; compare com Salmo 1:3; 72:3, 6-8, 16; 85:10-13; Isaías 44:3, 4.) O povo de Israel tinha sido o “vinhedo” de Deus, sua plantação, mas a maldade e apostasia deles para com a adoração verdadeira tinha causado um figurado ‘ressecamento’ de seu campo espiritual, mesmo antes de ocorrer a desolação literal de sua terra. — Compare com Êxodo 15:17; Isaías 5:1-8; Jeremias 2:21.
Isto sem dúvida fornece a chave para se entender a descrição feita por Paulo, da visão (evidentemente tida por ele, visto que constitui parte da defesa de seu próprio apostolado) mencionada em 2 Coríntios 12:1-7. Arrebatado até o “terceiro céu” (veja Céu, I [Terceiro Céu]), a pessoa que teve a visão entrou no “paraíso” e ouviu palavras inefáveis. Que este paraíso contemplado em visão podia referir-se a uma condição espiritual entre o povo de Deus, como se deu no caso do Israel carnal, pode ser depreendido de que a congregação cristã também era o “campo de Deus em lavoura”, seu vinhedo espiritual, arraigado em Cristo Jesus e produzindo frutos para o louvor de Deus. (1 Cor. 3:9; João 15:1-8) Como tal, substituíra a nação de Israel no favor de Deus. (Compare com Mateus 21:33-43.) A visão de Paulo, contudo, tem logicamente de ser aplicada a alguma época então futura, de modo a constituir uma ‘revelação’. (2 Cor. 12:1) Uma apostasia, que viria a ser suscitada entre a congregação cristã, já operava nos dias de Paulo, e resultaria numa condição semelhante à de um campo ressemeado de joio. (Mat. 13:24-30, 36-43; Atos 20:29; 2 Tes. 2:3, 7; compare com Hebreus 6:7, 8.) Assim, a visão paradísica de Paulo não se aplicaria, razoavelmente, enquanto isto acontecesse, mas, como é evidente, se relacionaria com a época da “colheita”, quando os cristãos genuínos seriam ajuntados pelos ceifadores angélicos e usufruiriam ricas bênçãos e prosperidade espiritual da parte de Deus.
COMER DA “ÁRVORE DA VIDA” NO “PARAÍSO DE DEUS”
Revelação 2:7 menciona esta “árvore da vida” no “paraíso de Deus”, o comer dela sendo privilégio ‘daquele que vencer’. Visto que outras promessas fornecidas a tais vencedores nesta seção de Revelação se relacionam patentemente com o obterem sua herança celeste (Rev. 2:26-28; 3:12, 21), parece evidente que o “paraíso de Deus”, neste caso, é um paraíso celeste. A palavra “árvore” neste caso traduz o termo grego xy‘lon, que literalmente significa “madeira”, e, por conseguinte, poderia referir-se a um bosque de árvores. No paraíso terrestre do Éden, comer da árvore da vida teria significado, para o homem, viver para sempre. (Gên. 3:22-24) Até mesmo os frutos das outras árvores do jardim poderiam ter sido sustentadores da vida para o homem, enquanto ele continuasse obediente. Assim, comer da “árvore [ou árvores] da vida” no “paraíso de Deus” se relaciona, evidentemente, com a provisão divina para manter a vida, concedida aos vencedores cristãos, outros textos mostrando que eles obtêm o prêmio da imortalidade e da incorruptibilidade junto com seu Cabeça e Senhor celeste, Cristo Jesus. — 1 Cor. 15:50-54; 1 Ped. 1:3, 4.
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ParalisiaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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PARALISIA
A diminuição ou a perda total da capacidade muscular, ou da sensação, em uma ou mais partes do corpo. Às vezes chamada de atrofia, resulta de danos ou de distúrbios do sistema nervoso, ou a atrofia muscular, assim, quer impedindo a transmissão dos impulsos nervosos, quer causando a incapacidade dos músculos de reagir a eles. A paralisia tem muitos nomes e formas, alguns dos tipos podendo ser fatais. Entre suas etiologias acham-se a doença (como no caso da paralisia diftérica), as lesões cerebrais, os danos causados à medula espinhal, ou a pressão resultante dum tumor.
Os paralíticos achavam-se entre os miraculosamente curados por Jesus Cristo. (Mat. 4:24) Foi trazido a Jesus um paralítico, e Jesus curou o sofredor, depois de lhe perdoar os pecados. Daí, instado por Cristo, o anterior paralítico pegou sua maca e foi para casa. (Mat. 9:2-8; Mar. 2:3-12; Luc. 5:18-26) Em outra ocasião, o servo dum oficial do exército ficou afligido de paralisia e estava prestes a morrer, mas Jesus o curou à distância. (Mat. 8:5-13; Luc. 7:1-10) Embora geralmente não seja dolorosa, a paralisia às vezes pode sê-lo. Ocorrem dores como câimbras na espinha e nas extremidades, em caso da paralisia agitante (parkinsonismo, ou doença de Parkinson), e há uma dor agonizante na paraplegia dolorosa, uma forma de paralisia ligada a alguns casos de câncer da medula espinhal. “Paralíticas” são as pessoas afligidas de paralisia.
O evangelista Filipe pregou e realizou sinais na cidade de Samaria, curando muitos paralíticos. (Atos 8:5-8) Em Lida, Pedro disse ao paralítico Enéias, “que já por oito anos jazia na sua maca”: “Enéias, Jesus Cristo te sara. Levanta-te e arruma a tua cama.” Nisso, “ele se levantou imediatamente”. — Atos 9:32-35.
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PardalAjuda ao Entendimento da Bíblia
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PARDAL
[Gr., strouthíon].
O vocábulo grego strouthíon, um diminutivo que significa qualquer avezinha, era aplicado especialmente aos pardais.
As únicas referências diretas aos pardais na Bíblia encontram-se numa declaração que Jesus fez durante sua terceira excursão pela Galiléia, e, pelo visto, foram declaradas de novo cerca de um ano depois, em seu posterior ministério na Judéia. Indicando que ‘vendem-se dois pardais por uma moeda de pequeno valor [literalmente, um assário ou ás]’, ou, se fossem comprados em grupos de cinco, “por duas moedas de pequeno valor”, Jesus declarou que, embora esses passarinhos fossem considerados de valor tão ínfimo, “contudo, nem mesmo um deles cairá ao chão sem o conhecimento de vosso Pai”, “nem mesmo um deles está esquecido diante de Deus”. Ele incentivou então seus discípulos a não terem medo, garantindo-lhes: “Vós valeis mais do que muitos pardais.” — Mat. 10:29-31; Luc. 12:6, 7.
Tanto antiga como modernamente, vende-se pardais nos mercados do Oriente. Como item alimentício, eram depenados e enfiados em espetos de madeira, sendo tostados (como churrasquinho no espeto). Uma inscrição antiga do código tarifário do imperador Diocleciano (301 EC) mostra que, dentre todas as aves vendidas como alimento, os pardais eram as mais baratas. Amiúde vendidas em grupos de dez, o preço máximo para este total foi fixado pela lei em dezesseis denários, evidentemente o denário de cobre, introduzido por Diocleciano. A esta taxa do século IV, cinco pardais teriam custado por volta do mesmo preço corrente do que quando Jesus estava na terra.
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Paredes (Muros; Muralhas)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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PAREDES (MUROS; MURALHAS)
Desde que o homem tem construído casas e cidades, ele tem erguido muros (muralhas) de muitos materiais, com uma variedade de formatos, para diversas finalidades. O tamanho e a resistência das estruturas dependiam grandemente da forma de construção e dos materiais empregados em suas paredes e muros.
Nos tempos antigos, o medo fazia com que as pessoas erguessem muros protetores em torno das grandes cidades, a fim de impedir invasões inimigas. (1 Reis 4:13; Isa. 25:12) Os habitantes das pequenas “aldeias dependentes” em toda a volta da cidade murada (Núm. 21:25), se atacados, igualmente se refugiavam dentro dela. A Lei mosaica fazia uma distinção legal entre as cidades muradas e as não-muradas, quanto aos direitos dos proprietários das casas. (Lev. 25:29-31) Os muros não só proviam uma barreira física entre as moradias da cidade e um inimigo, mas também concediam a seus defensores uma posição elevada, em cima da qual podiam proteger os muros de serem minados, de se cavar um túnel sob eles, ou de serem rompidos pelos aríetes. (2 Sam. 11:20-24; 20:15; Sal. 55:10; Cân. 5:7; Isa. 62:6; Eze. 4:1, 2; 26:9) Como contramedida, as forças atacantes às vezes erguiam muros de sítio como escudos
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