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Gostaria de estar no paraíso?Despertai! — 1980 | 8 de fevereiro
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Gostaria de estar no paraíso?
Poucas pessoas pensariam haver qualquer conexão entre um cemitério e um paraíso global. Mas tenha ambos em mente ao considerar o que se diz aqui.
COMO uma cidadezinha aninhada no seio de Hamburgo, Alemanha, Ohlsdorf cresce numa taxa de umas 220 pessoas por semana. É adornada com cerca de 10.000 árvores e arbustos, vicejando de flores de muitas cores e variedades.
Centenas de milhares de pessoas visitam Ohlsdorf a cada ano. E eu me aventuro a afirmar que se trata dum lugar que talvez gostasse de visitar, mas dificilmente é um lugar em que gostaria de ficar. A realidade é que seus mais de 1.200.000 residentes permanentes teriam preferido não ter vindo para cá, em primeiro lugar. Sim, apesar de ser tão lindo lugar, realmente não é um lugar para se viver. Como vê, Ohlsdorf é um cemitério! Com seus 403 hectares, é um dos maiores cemitérios da Europa. Se todos os seus mais de 1.200.000 “habitantes” tivessem sido sepultados em túmulos de tamanho normal, colocados lado a lado, formariam uma faixa de dois metros de largura que atingiria 1.100 quilômetros, de Hamburgo, Alemanha, até Viena, Áustria!
Mas Ohlsdorf pouco significava para mim até que, em certo dia ensolarado de setembro, fui de carro até lá para proferir um discurso fúnebre da mãe falecida de um bom amigo meu. O sermão deveria ser proferido na sala mortuária N.º 10, e lembro-me de perguntar a mim mesmo: “Pode o cemitério ser realmente tão grande a ponto de serem precisas pelo menos 10 salas?” Quando cheguei lá, fiquei surpreso. E, quanto mais via, mais surpreso ficava. Era como estar num lindo parque, num paraíso.
Início do “Paraíso” de Ohlsdorf
E como foi que surgiu tal “paraíso”? Na última metade do século 19, os existentes cemitérios regionais de Hamburgo não mais eram suficientes para as necessidades da população crescente. Assim, fizeram-se planos para estabelecer um cemitério cívico interdenominacional nos Campos de Ohlsdorf, próximo duma aldeia do mesmo nome, a cerca de 10 quilômetros de Hamburgo. Anos depois, a aldeia tornou-se parte de Hamburgo, mas o cemitério ficou tão bem conhecido que os habitantes dessa área falam das pessoas que morreram como “estando em Ohlsdorf”.
Johann Wilhelm Cordes, seu fundador e projetista, pensava que, usando suas próprias palavras, num cemitério “a beleza deve cativar o olho e as plantas devem ocultar o túmulo”. Ele teve êxito nisto, porque a beleza de Ohlsdorf não pode ser negada, nem se pode desperceber sua vida vegetal. Os planos de Cordes serviram, na virada do século, como modelo para tipos similares de cemitérios em muitas outras cidades alemãs.
Dentro do cemitério, mais de 300 espécies diferentes de árvores, algumas nativas da América do Norte e da Ásia, são identificadas por plaquetas explicativas, fazendo com que se pareça muito a um jardim botânico. A cada junho, 29 tipos diferentes de grandes rododendros florescem em ambos os lados da alameda principal do cemitério, “Avenida Cordes”, transformando-a numa vista emocionante.
O parque possui 2.500 bancos, 650 cadeiras e 660 fontes d’água. Centenas de patos, gansos e cisnes negros têm seu lar nos lagos espalhados por toda a área. Assim, pode descansar junto a um lago ou fonte, ouvindo um concerto apresentado pelos “músicos alados”. Sim, não se pode deixar de apreciar a atmosfera tranqüila e descontraente. Foram tal beleza e tais condições pacíficas que me moveram a pensar sobre o paraíso.
Reflexões Sobre o Paraíso
Um paraíso para os vivos seria algo bem acolhido, mas por que um paraíso para os mortos? Sem dúvida, um dos motivos por que Cordes e outros como ele construíram tal tipo de cemitério foi para ajudar a remover a patente tragédia da perda trazida pela morte. A morte é deveras inimiga do homem, assim como a Bíblia afirma expressamente (1 Cor. 15:26) Nas ocasiões de grande pesar, a beleza nos pode ajudar a avaliar que, apesar da nossa perda, ainda vale a pena viver. Mas nenhuma espécie física de beleza pode apagar por completo a sensação de perda que a mãe enviuvada ou o marido enlutado sente em tal momento.
Falando sobre a universalidade e inevitabilidade da morte, afirma a revista Stern: “Ela chega cedo demais ou tarde demais; mas sempre chega sem falha, e, no fim, sempre vence. Seu nome é morte.” Confrontados por tal inevitabilidade, será que estar na espécie de paraíso representado por Ohlsdorf é o melhor que podemos esperar? Se for, dificilmente é um consolo Quem realmente deseja ser um residente permanente nessa espécie de paraíso?
Comecei a pensar em quão estranho é que, para muitos, atualmente, andar num lindo parque pareça ser o mais perto dum paraíso que possam esperar alcançar Dá-se isso com o leitor? Se assim for, por quê? Com todas as habilidades técnicas e criativas do homem, por que é que parece incrível um paraíso global? Todavia, como seria se todo o globo fosse um paraíso, talvez algo parecido ao jardim do Éden, no relato bíblico sobre Adão e Eva? Está Deus — que fez a terra em primeiro lugar — interessado em restaurar o paraíso? E, especialmente importante para nós, temos qualquer razão sólida para esperar que Ele crie um paraíso terrestre em nosso período de vida?
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A base bíblica para uma esperança paradísicaDespertai! — 1980 | 8 de fevereiro
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A base bíblica para uma esperança paradísica
SEGUNDO a Bíblia, a história da humanidade começou num jardim ou paraíso, no Éden. Que aparência tinha? Não possuímos os pormenores completos, mas o fidedigno registro antigo diz que era um jardim com “toda árvore de aspecto desejável e boa para alimento”. (Gên. 2:9) Parece bom, não parece? E onde estava localizado tal jardim? Fornecendo indícios, Gênesis 2:10-14 diz:
“Ora, havia um rio saindo do Éden para regar o jardim, e dali começava a dividisse, e tornou-se como que quatro cabeceiras. O nome do primeiro rio é Píson . . . E o nome do segundo rio é Giom; é aquele que circunda toda a terra de Cus. E o nome do terceiro rio é Hídequel . . . E o quarto rio é o Eufrates.” Assim, os peritos sugeriram uma área no Oriente Médio, no que é agora a Turquia oriental. O propósito original de Deus era que, com o tempo, o jardim paradísico do Éden se expandisse até cobrir o globo. — Gên. 1:28.
Crê que este jardim do Éden realmente existiu? O teólogo e tradutor da Bíblia, Hans Bruns, alemão, comentando tais versículos, teceu esta interessante observação: “Os rios visam indicar que não se trata dum conto de fadas, mas, ao invés, de algo que realmente aconteceu aqui na terra.” Mas, temos outros motivos, também, de confiar na existência desse paraíso do passado.
Um Paraíso Terrestre — Passado e Futuro
As memórias do lar paradísico original da humanidade perduraram. A tradução Septuaginta das Escrituras Hebraicas para o grego (280 A.E.C.) verteu jardim, com respeito ao Éden, pela palavra “paradeisos”, da qual temos a palavra portuguesa “paraíso”. Em sua língua dada por Deus, Adão, sem dúvida, contou a seus descendentes sobre o jardim ou paraíso em que vivera. Era somente lógico que, depois de expulso daquele paraíso original, o homem aguardasse sua possível restauração. Após a confusão das línguas em Babel, as pessoas foram espalhadas aos quatro ventos, mas levaram consigo seu conhecimento religioso. Embora diferentes culturas e condições geográficas tendessem a distorcer o relato original sobre o paraíso, encontramos no folclore de numerosas civilizações antigas as lembranças dum paraíso original. Escrevendo no periódico canadense, Studies in Religion (Estudos de Religião), John Navone indica: “Alguma crença no paraíso, quer como estado original quer final, pode ser provavelmente achada em todas as religiões.”
Em muitas profecias sobre a Terra Prometida e o vindouro reino do Messias aludiu-se à esperança dum paraíso futuro. Para exemplificar, o profeta Isaías predisse: “Porque Jeová certamente consolará Sião. . . . fará seu ermo igual ao Éden e sua planície desértica igual ao jardim de Jeová”. Isso significava uma mudança de condições ermas e desérticas para uma de crescimento verdejante, dum paraíso. O profeta também falou da construção de casas, da plantação de vinhedos, e de longa vida, durante a qual se usufruiriam os produtos da terra. — Isa. 51:3; 65:21-23.
Tais palavras tiveram cumprimento quando os israelitas voltaram para a Terra Prometida, depois de 70 anos de cativeiro em Babilônia. Comparada com sua condição desolada durante o exílio, a terra tornou-se paradísica. Mas, o assunto não termina aqui. Segundo as Escrituras, um evento ainda maior se reservaria ao futuro. Quase 800 anos depois, o apóstolo Pedro repetiu a promessa de Isaías sobre vindouros “novos céus e uma nova terra”. (2 Ped. 3:13) Também, segundo Revelação 21:1, o apóstolo João viu, em visão, os ainda futuros “novo céu e uma nova terra”
Logicamente, as profecias da vindoura “nova terra” não se referem a um novo globo. (Veja o Salmo 104:5; Isaías 45:18.) Todavia, o estabelecimento de uma “nova terra”, no sentido de uma nova sociedade terrestre inteiramente dedicada a Deus e interessada na promoção de sua adoração, sem dúvida traria resultantes mudanças físicas na própria terra. Tal sociedade humana poderia legitimamente esperar ter a bênção divina, e esta se refletiria na terra literal. No discurso fúnebre proferido no cemitério de Ohlsdorf, apresentei este ponto, citando, entre outros textos, o Salmo 67:6, 7: “A própria terra dará certamente a sua produção; Deus, nosso Deus, nos abençoará. Deus nos abençoará, e todos os confins da terra o temerão.”
Na visão supracitada, de Revelação, capítulo 21, João viu a parte regente do novo sistema de Deus dirigindo sua atenção para a terra. Com que resultados? “Com isso ouvi uma voz alta do trono dizer: ‘Eis que a tenda de Deus está com a humanidade [observe que se menciona a Deus como estando com os homens, e não os homens com Deus, no céu], e ele residirá com eles e eles serão os seus povos. E o próprio Deus estará com eles. E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” (Rev. 21 Versículos 3, 4) Não lhe parece isto o paraíso, um paraíso restaurado à terra?
É verdade que, na maioria das igrejas, pouco se ouve falar sobre a promessa bíblica de um futuro paraíso em toda a terra. Entretanto, no discurso fúnebre, indiquei que o conhecimento desse paraíso terrestre era comum entre os adoradores verdadeiros, tanto antes como depois da introdução do cristianismo, no primeiro século. Não foi senão mais tarde, depois de a predita apostasia do cristianismo ter-se estabelecido, que a crença na restauração dum paraíso terrestre começou a desvanecer-se.
A cronologia bíblica e o cumprimento das profecias indicam que se aproxima o tempo quando Deus agirá de forma a destruir o atual sistema iníquo de coisas, e substituí-lo pela regência justa de seu Filho, Cristo Jesus — “novos céus”. Os sobreviventes terrestres deste tempo de dificuldades servirão qual núcleo duma “nova terra”. As pessoas que agora servem fielmente a Deus têm excelentes perspectivas de ver o paraíso. Mas, não apenas de vê-lo; terão o privilégio de colaborar na sua restauração Apreciaria isto?
Quinhão do Homem em Restaurar o Paraíso
Não se trata do paraíso do preguiçoso; será um lugar de atividades satisfatórias. (Coteje com João 5:17.) A restauração do paraíso será realizada por pessoas que cumprirão a ordem dada ao homem no paraíso original: sujeitar a terra, cultivá-la e cuidar dela. A disposição do homem de fazer isto em harmonia com as instruções divinas, junto com a bênção de Deus, trará gradual disseminação das condições paradísicas por todo o globo. — Gên. 1:28.
Muitos, hoje, sentem-se frustrados com seu trabalho, pois amiúde é monótono e parece resultar em pouco mais do que oferecer os meios de sobrevivência de um dia para o outro. Que contraste, porém, com o quadro transmitido pelas palavras proféticas de Isaías: “As pessoas construirão casas e passarão a viver nelas — não serão usadas por outrem. Plantarão vinhas e apreciarão o vinho — não será bebido por outros . . . Usufruirão plenamente as coisas pelas quais trabalharam . . . Eu as abençoarei, bem como a seus descendentes, por todo o tempo vindouro.” (Isa. 65:21-23, Today’s English Version) Condições comparáveis a estas existirão no vindouro paraíso terrestre. Pode imaginar quão satisfatório será aplicar suas energias e talentos em tal trabalho? — Ecl. 2:24.
Apreciaria ajudar a restaurar o paraíso? As Testemunhas de Jeová têm esta esperança. É por isso que estudam a Bíblia e encorajam outros a fazer o mesmo. Sabem que o conhecimento exato dos propósitos de Deus e de seus requisitos para a vida é uma necessidade, a fim de que a pessoa tenha o privilégio de participar nesta atividade recompensadora. Permita que o ajudem a verificar mais sobre suas perspectivas de viver para ver o paraíso.
Ao disseminar esta mensagem encorajadora de um restaurado paraíso terrestre, imitam seu Líder, Cristo Jesus, que, até o dia de sua morte, falou a outros sobre seu reino e suas bênçãos. Uma de suas últimas declarações registradas antes de morrer foram as palavras dirigidas a um malfeitor pendurado ao lado dele numa estaca de tortura: “Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” — Luc 23:43.a
Assim como o proceder de Jesus demonstrou, não devemos guardar as coisas boas para nós mesmos, mas devemos amorosamente partilhá-las. Na realidade, somos obrigados a tornar conhecido a tantas pessoas quantas possível esta esperança confortadora de um futuro paraíso terrestre. Um enterro me ofereceu boa oportunidade de fazer isto. Visto que todos nós, em algum tempo, precisamos confortar um amigo ou parente que perdeu um ente querido na morte, talvez ache úteis algumas das idéias bíblicas incluídas em tal discurso fúnebre
“Mas os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz. . . . Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre.” — Salmos 37:11, 29.
[Nota(s) de rodapé]
a Tem havido considerável controvérsia sobre a tradução correta destas palavras, que podem conter grande significado para todos nós. Para obter uma consideração pormenorizada deste texto, queira ver as páginas 26-28.
[Foto na página 5]
Jardim do Éden
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Oferecer o conforto dum paraíso futuroDespertai! — 1980 | 8 de fevereiro
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Oferecer o conforto dum paraíso futuro
“ALÉM disso, irmãos, não queremos que sejais ignorantes no que se refere aos que estão dormindo na morte, para que não estejais pesarosos como os demais que não têm esperança.” Assim escreveu o apóstolo Paulo. Depois de dar garantia quanto à esperança de ressurreição, concluiu: “Conseqüentemente, persisti em consolar-vos uns aos outros com estas palavras.” (1 Tes. 4:13, 18) Oferecer conforto é o que o orador dum discurso fúnebre deseja basicamente fazer. Mas é também o que todos nós podemos fazer em prol de outros que sentem pesar devido a um ente querido que faleceu. O que, então, podemos oferecer no sentido de conforto?
O pesar é uma reação humana muito natural. Há numerosos exemplos na Bíblia de servos de Deus que mostraram pesar diante da perda de entes queridos. Por exemplo, as Escrituras nos contam que “José lançou-se então sobre a face do seu pai [falecido] e rompeu em pranto sobre ele, e beijou-o”. (Gên. 50:1) Também, os filhos de Israel “passaram a chorar Moisés nas planícies desérticas de Moabe por trinta dias” depois de sua morte. (Deu. 34:8) Ajudando-nos a entender que o pesar não é sinal de imperfeição, João 11:35 diz que o perfeito Jesus “entregava-se ao choro” em relação com a morte de seu amigo Lázaro.
Os verdadeiros cristãos sentem devidamente pesar quando morrem parentes, amigos ou vizinhos. Sentem falta destas pessoas falecidas, às quais tinham afeição. (João 11:36) Mas, graças à esperança dos cristãos, baseada na Bíblia, eles ‘não ficam pesarosos como os demais que não têm esperança’. Isto é, não cedem a ilimitada aflição e extremas demonstrações emotivas, como às vezes se dá com pessoas que não têm conhecimento exato sobre a morte e a ressurreição. Todavia, os cristãos devem estar sinceramente interessados em cuidar dos mortos de forma dignificante, e em oferecer conforto aos que continuam vivos.
Um meio de fazer isto está ligado ao próprio enterro. Caso seja feita a solicitação, o corpo de superintendentes duma congregação das Testemunhas de Jeová pode fazer arranjos para que um orador capaz profira um discurso fúnebre, num local tal como uma capela funerária, ou junto ao túmulo, antes do enterro. Não se cobra nada por este serviço confortador. E é confortador mesmo, visto que o orador providenciado mediante a congregação será alguém com bom conhecimento da Palavra de Deus. Será alguém plenamente cônscio da seriedade da ocasião, um homem capaz não só de oferecer conforto aos que sofreram tal perda, mas também de edificar espiritualmente os presentes. Faz-se isto por explicar a maravilhosa esperança que a Bíblia fornece, em suma, a esperança de um futuro paraíso terrestre em que tanto os que continuam vivos como os mortos ressuscitados possam ter um quinhão.
Os ofícios fúnebres dirigidos pelas Testemunhas de Jeová podem começar com um cântico, se isto for desejado. Isto se dá, em especial, nos ofícios de recordação do morto, realizados nos Salões do Reino. Entre os cânticos de seu cancioneiro amiúde usados acham-se os intitulados: “A Alegria da Ressurreição” (Número 53, baseado em João 11; 20:18; Revelação 20:13), “Lança Tua Carga em Jeová!” (Número 87, tirado do Salmo 55), “Bálsamo em Gileade” (Número 97, empregando Jeremias 8:22), e “A Ressurreição — Amorosa Provisão de Deus” (Número 98, baseado nas palavras de Jesus em João 5:28, 29).
Com freqüência, o orador incluirá algumas palavras sobre a pessoa falecida. Bem poderá dar-se que, enquanto viva, fora exemplar em sua devoção cristã, enfrentara com êxito várias provações, por aplicar os princípios bíblicos ou, de outros modos, tinha mostrado desejar fazer um bom nome perante Deus. (Ecl. 7:1) Os que assistem a tal enterro podem achar confortadoras e também úteis tais observações calorosas, ao se esforçarem de levar uma vida cristã.
O orador provavelmente mencionará também a esperança para os mortos, baseada na Bíblia, que a pessoa falecida conhecia, caso ele ou ela tenha sido cristão verdadeiro. Também poderão ser oferecidos comentários de bom gosto no sentido de que, visto que todos nós somos pecadores, inclusive a pessoa falecida, a morte é inevitável no atual sistema e é a herança comum de todos. — Rom. 5:12; 6:23.
O orador não promove entre os que continuam vivos a falsa esperança de que podem, de qualquer modo, ajudar seu ente querido por pagar para rezar Missas ou algo dessa espécie. Não há cerimônias que tragam de volta os mortos ou alterem a posição de tal pessoa perante Deus. (Veja 2 Samuel 12:19-23.) Mas, que conforto é saber que os mortos estão inconscientes, não padecendo tormento nem sofrimento! E saber que o futuro dum ente querido falecido se acha nas mãos de um Deus justo e amoroso, que fez uma provisão de ressurreição, é um conforto em si mesmo. — Ecl. 9:5, 10; Deu. 32:4.
Um texto citado no discurso fúnebre proferido em Ohlsdorf é o encontrado no Salmo 90:10, que diz: “Os dias dos nossos anos são em si mesmos setenta anos; e se por motivo de potência especial são oitenta anos, mesmo assim a sua insistência é em desgraça e em coisas prejudiciais.” As estatísticas apóiam a Bíblia. Segundo The World Almanac (Almanaque Mundial, 1979), as taxas de expectativa de vida humana variam de 30 a 40 anos em países tais como Bangladesh, Benin, Chade e Máli a um máximo de pouco mais de 70 anos (mas bem abaixo dos 80) na Islândia, Japão, Países-Baixos e alguns outros poucos países.
Concordemente, alguns podem assemelhar sua “conta de vida” a uma conta bancária, que por ocasião do nascimento foi creditada com cerca de 25.600 dias. Quando jovem, isto poderia parecer uma grande quantidade de tempo. Ainda assim, no máximo, quando a pessoa tem 25 anos, cerca de um terço de seus dias já foram usados, como dinheiro gasto. Como decrescente conta bancária, o tempo restante da vida diminui a cada dia que passa. Com 35 anos, a vida da pessoa, no máximo, já passou quase a metade. Mas, mesmo assim, da mesma forma que súbita recessão ou inesperado desenrolar de eventos pode deixar sem provisão a conta bancária duma pessoa, assim também circunstâncias inesperadas podem subitamente esgotar a “conta de vida” duma pessoa. Será este o propósito ou projeto da vida, que os dias da pessoa sejam gastos deste modo, ao mesmo tempo estando cheios de ‘desgraça e coisas prejudiciais’? A morte de um ente querido amiúde faz com que os sobreviventes pensem seriamente sobre este assunto. — Ecl. 7:2.
Ainda assim, é possível oferecer conforto aos que pranteiam. Poderá indicar-lhes que o Criador do homem leva uma vida objetiva, e para sempre. Se, como diz a Bíblia, o homem foi criado à Sua semelhança, por que devia então a vida do homem ser tão curta? (Gên. 1:27) Isto parece difícil de se harmonizar com o Deus de amor sobre o qual aprendemos na Bíblia, o Deus que tão obviamente se interessa na felicidade e no contentamento de suas criaturas. Mas que alívio confortador pode-se aprender e aceitar, à base da Bíblia, que Deus pode desfazer a morte!
As Escrituras asseguram aos cristãos verdadeiros que eles servem o Deus “que vivifica os mortos”. (Rom. 4:17) Jeová Deus promete acabar com a morte por esvaziar a sepultura comum dos mortos da humanidade, fazendo-os retornar à vida num paraíso terrestre Com tal esperança, não é de admirar que os servos de Deus ‘não fiquem pesarosos como os demais que não têm esperança’. — 1 Tes. 4:13.
Aguardando o Paraíso
Num discurso fúnebre ou até mesmo quando está confortando pessoalmente a um enlutado, não raro se pode trazer à atenção o propósito original de Deus para a terra. Tal propósito era que o jardim paradisíaco do Éden se estendesse para abranger o globo todo. (Gên. 1:28) Podemos confiar que o propósito de Deus não pode ser frustrado, e não será. Na verdade, em sua sabedoria, Ele permitiu que a imperfeição continuasse entre os humanos até que seu Filho viesse à terra e oferecesse um sacrifício de resgate, e até que o reino celeste fosse estabelecido. Mas podemos ter confiança absoluta de que um paraíso será mesmo restaurado em toda a terra. Assim, os mortos que saírem na futura ressurreição terrestre realmente estarão em posição de gozar uma vida muito melhor — mais pacífica e gratificante — do que a que possuíam antes de morrer. Quão confortadora pode ser tal garantia dada pela Palavra de Deus!
Foi com tais pensamentos ainda me passando pela mente que me despedi dos parentes enlutados e dos conhecidos da mãe falecida de meu amigo. Deixando o lindo paraíso, semelhante a um parque, de Ohlsdorf, tive de regozijar-me na esperança da outra espécie de paraíso logo adiante — um paraíso terrestre para os vivos, mas um paraíso em que até mesmo os mortos poderão participar.
[Gravura de página inteira na página 9]
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Procurando a natureza, encontra o paraísoDespertai! — 1980 | 8 de fevereiro
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Procurando a natureza, encontra o paraíso
● Um rapaz que estudava para obter o doutorado de filosofia e religião na Universidade Pacific, de Oregon, EUA, tornou-se profundamente envolvido no uso e na venda de tóxicos. Ele também relata: “Os estudos de religião que eu fazia foram bastantes para me convencer de que eu não queria ter nada que ver com religião.” Desiludido, abandonou a escola e se mudou para a floresta. “Comecei a trabalhar na floresta”, explica ele, “achando que isto era tão próximo de Deus quanto eu conseguiria chegar, estando apenas perto da natureza”. Mas continuava a consumir tóxicos e álcool.
“Quando pegava minha correspondência nos correios”, afirma, a senhora que os dirigia “me dizia que eu devia parar de fazer as coisas que andava fazendo; que Deus tinha em mente um ‘paraíso’ aqui na terra . . . A idéia de pessoas viverem na terra, num paraíso, era algo novo para mim”. Assim, começou a estudar a Bíblia com o filho da agente postal. Sobre isto, ele comenta: “O fato de que teríamos a oportunidade de viver num lindo planeta, nas florestas e junto aos riachos, e sei lá mais o quê — tais coisas realmente apelaram para meu amor à natureza. Assim, comecei realmente a levar isso a sério e a tentar mudar meus hábitos.” Com o tempo, a esperança do paraíso, baseada na Bíblia, ajudou este rapaz a limpar a sua vida.
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