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Nasceram prematuros, nasceram pequenosDespertai! — 1989 | 22 de fevereiro
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Nasceram prematuros, nasceram pequenos
MILHÕES de casais, em todo o mundo, estão à espera de um precioso “pacote”. A maioria deles sabe aproximadamente a data em que seu bebê deve chegar. Alguns, contudo, ficam bem surpresos quando seu bebê nasce antes do tempo, e é muito menor do que esperavam.
Em 22 de março de 1980, um casal que mora perto de Middletown, Nova Iorque, EUA, teve um bebê, o qual nasceu mais de três meses antes do esperado. Ela pesava menos de 800 gramas, e tinha apenas 35 centímetros, cerca da largura destas duas páginas.
Os pais deram à sua filhinha o nome de Kelly. Ela nasceu prematura, nasceu pequena. Kelly chegou depois de apenas 26 semanas de gestação, em vez das 40 semanas normais. Conta-se a gestação desde o primeiro dia do último período menstrual normal da mãe.
Bebês Prematuros e de Baixo Peso
Um bebê é considerado prematuro se nasce mais de três semanas antes do tempo, ou antes da 37.ª semana de gravidez. Antes um bebê era chamado de prematuro se pesasse menos de 2.500 gramas. Mas mudou-se tal definição, uma vez que alguns bebês nascidos a termo também pesam menos de 2.500 gramas. Significativamente, a epidemia de bebês que nascem de adolescentes, e até mesmo de meninas na pré-adolescência, tem resultado em um número cada vez maior de bebês de baixo peso.
Nos Estados Unidos, cerca de 10 por cento de todos os nativivos [bebês que nascem vivos] são prematuros. Deveras, todo ano nascem, nos Estados Unidos, até 300.000 desses bebês! Eles são lançados do útero num ambiente para o qual ainda não se acham plenamente adaptados. Podem ser comparados a exploradores do Ártico que se viram privados de suas tendas e dos seus sacos de dormir.
Na verdade, estes bebês prematuros têm todos os órgãos do corpo, embora estes se achem num estágio imaturo. Com efeito, já na 15.ª semana de gravidez, o coração, o cérebro, os rins e o sistema digestivo do bebê estão formados e podem ser reconhecidos. Ora, com três semanas, o coração parcialmente desenvolvido até mesmo começa a bater!
Mas, naturalmente, o bebê não consegue sobreviver fora do útero de sua mãe durante as primeiras semanas de gravidez. Todavia, por causa dos progressos da ciência médica, até mesmo os prematuros que nascem na 22.ª semana de gestação estão atualmente sendo salvos. Isto, contudo, tem resultado num dilema, e um dilema bem custoso até. Considere como isto veio a acontecer.
Recentes Progressos Médicos
No início da década de 60, morriam mais da metade de todos os prematuros que pesavam de 900 a 1.400 gramas. Em 1963, os melhores médicos daquela nação não conseguiram salvar Patrick, o recém-nascido filho — pesando 1.400 gramas — do presidente dos EUA, John F. Kennedy.
A realidade é que, até bem recentemente, havia um enfoque de evitar meter-se no tratamento dos prematuros. Permitia-se que os subdesenvolvidos ou os muito doentes tivessem morte natural. Naturalmente, eles eram alimentados e recebiam cuidados, mas não se iniciava nenhum tratamento intensivo. Daí, zelosas equipes médicas decidiram fazer carreira em tentar salvar tais recém-nascidos.
Em 1975, a Academia Americana de Pediatria constituiu uma nova especialidade médica chamada neonatologia (um ramo da medicina que se preocupa com os cuidados, o desenvolvimento e as doenças dos recém-nascidos). Foram criadas modernas NICUs (sigla, em inglês, de unidades neonatais de tratamento intensivo) para simular algumas das funções do útero. Atualmente, cerca de 90 por cento dos bebezinhos que pesam de cerca de 900 a 1.400 gramas sobrevivem!
O tratamento, contudo, não é nem agradável nem bonito. Um prematuro talvez apresente meia dúzia de cânulas inseridas em seu corpo, e sua pele pode ficar bem roxeada de tantas agulhadas. A revista científica Discover descreve uma moderna NICU:
“A maioria dos bebezinhos jaz nua, em mesas acolchoadas, aquecidas eletricamente, ligada a uma série de frascos e aparelhos. Cada um geralmente dispõe de sua própria enfermeira. . . . Os peitos deles arfam tremendamente; suas costelas e seus esternos são tão moles que se curvam para dentro, cada vez que respiram. De acordo com seus aparelhos de monitoração, a maioria dos corações bate 150 vezes por minuto, e eles respiram de 30 a 90 vezes nesse período.”
Verdadeiro Dilema
De acordo com uma pesquisa, cerca de 17.000 prematuros, pesando menos de cerca de 900 gramas, chegam anualmente às centenas de unidades neonatais de tratamento especial que agora operam nos Estados Unidos. Atualmente, afirma-se que até mesmo estes bem pequeninos bebês têm cerca de 70 por cento de probabilidade de sobrevivência! Mas, a que preço?
As estimativas do número de prematuros que sofrem de graves deficiências mentais e físicas variam de 5 a 20 por cento, o que é muito mais do que para os bebês nascidos a termo. E, naturalmente, quanto menor o bebê, maiores os riscos. Os riscos principais incluem o retardo mental, problemas visuais e auditivos, e paralisia cerebral. Mas isso não é tudo. O autor de The Premature Baby Book (O Livro do Bebê Prematuro) diz: “Tenho visto uma porção de garotos que nasceram com menos de 1.500 gramas que apresentam dislexia, problemas de comportamento, problemas na vista, ou outros problemas que os médicos chamam de ‘menores’.”
Até mesmo os prematuros que os médicos dizem ser normais têm dificuldades. O Dr. Forest C. Bennett, diretor do programa de acompanhamento de bebês de alto risco, da Universidade de Washington, em Seattle, EUA, comenta: “Nossos testes de bebês prematuros estavam todos dentro dos parâmetros normais. Mas os pais continuavam a dizer-nos que tais bebês eram diferentes de seus irmãos e irmãs. Tendiam a sorrir menos, a comunicar-se menos com sua mãe, a prestar menos atenção à luz e aos sons, e a ser mais exigentes do que outras crianças. E, quando cresceram e foram para a escola, eles não se saíram muito bem.”
Além disso, é muito difícil para as famílias ter um filho prematuro numa NICU situada, talvez, a muitos quilômetros de distância, e fazer freqüentes viagens para visitá-lo — apenas para ver o bebê sofrer tanto. E, quando finalmente levam o bebezinho para casa, isso pode ser especialmente provador. Sandy E. Garrand, presidente de uma rede conhecida como “Cuidados Parentais”, comenta:
“É inacreditável que os hospitais gastem US$ 300.000 [uns Cz$ 300 milhões] para manter um bebê sob cuidados intensivos por dois ou três meses, mas, quando o bebê vai para casa, os pais fiquem totalmente sem assistência, nem mesmo sabendo se seu filho será um deficiente. Isso gera uma tremenda sensação de isolamento. As famílias ficam estressadas. Os casamentos ficam estressados.”
O pai de uma menininha prematura sentiu-se movido a dizer: “Houve uma ocasião em que receávamos que ela morresse. Agora, há ocasiões em que temos receio de que ela viva. Sem esta tecnologia, ela morreria de forma natural, e nós não teríamos de propor a nós mesmos estas perguntas. Talvez isso fosse melhor.”
A Dra. Constance Battle, como diretora-médica do Hospital de Crianças Doentes, Washington, DC, EUA, diz que ela está “mergulhada nos trágicos resultados de tratamentos bem-intencionados”. Qual é o conselho dela aos neonatologistas? “Eu lhes digo que pensem bem, antes de forçar a viver algo que jamais verão de novo. Os senhores não compreendem o limbo em que a criança vive.”
Sendo tão incerto o resultado físico e mental para muitos prematuros, e sendo o custo do tratamento tão elevado, pode compreender por que certa revista chama os prematuros de “Um dilema de 2 Bilhões de Dólares”.
Outra Faceta do Dilema
Quando é o bebê considerado uma pessoa? Alguns bebês são legalmente abortados com até 24 semanas de gestação, cerca da mesma idade em que outros estão sendo salvos. Assim, diz a revista Omni: “A linha divisória entre o aborto e os cuidados para salvar a vida está-se tornando cada vez mais tênue — tão tênue que muitos hospitais fazem abortos de fetos em uma ala, enquanto que, em outra ala, salvam prematuros apenas duas semanas mais velhos.”
A revista apontou o que agravaria o dilema, comentando: “Os pulmões são os únicos órgãos incapazes de funcionar nos prematuros com 16 a 20 semanas de idade. Assim, dispondo-se de câmaras de alta pressão ou de ECMO [sigla, em inglês, de membrana de oxigenação extra-corpórea], o nível de viabilidade desceria mais um degrau”, de modo que até mesmo bebês com menos idade seriam salvos. Deveras, em 27 de julho de 1985, nasceu um bebê de 340 gramas, e ainda está vivo, e a mãe dele só tinha 22 semanas de gravidez!
Quando o coração de um bebê abortado continua a bater por mais de alguns minutos, esse bebê, em alguns hospitais, é assumido pela NICU, onde é mantido aquecido e confortável até morrer. Todavia, a Dra. Elizabeth Brown, do Hospital Municipal de Boston, explica que um de tais bebês abortados sobreviveu, e foi mais tarde adotado. A Dra. Brown disse a respeito da parturiente: “Ela ficou muito feliz por seu filho ter vivido.”
Deveras, a vida é preciosa. E nada acalenta tanto a coração, especialmente duma mãe ou dum pai, como ver seu bebê viver e tornar-se uma criança feliz e saudável. Isto se dá, quer o bebê tenha nascido duma gestação levada a termo, quer seja prematuro. Mas, que aconteceu no caso de Kelly, mencionada na introdução? Como podem os pais de prematuros ser ajudados a enfrentar a situação? Existe algo que a mãe prospectiva possa fazer, de modo que ela não dê à luz prematuramente? Qual é a fonte do problema dos partos prematuros, e existe uma solução deveras satisfatória?
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Bebês prematuros — como enfrentar o desafioDespertai! — 1989 | 22 de fevereiro
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Bebês prematuros — como enfrentar o desafio
KELLY tem oito anos agora, e a foto acompanhante mostra que ela é uma criança feliz e saudável. Na verdade, isto é algo notável, quando se considera que ela nasceu com 14 semanas de prematuridade, e pesava menos de 800 gramas! Antes dos meados da década de 60, só raramente, se é que alguma vez, um bebezinho que nascesse tão cedo e fosse tão pequenino conseguia sobreviver.
Mas, em que sentidos o prematuro difere do bebê nascido a termo? A diferença mais óbvia é o tamanho reduzido. Também, a pele delicada do bebê pode parecer rósea, e um tanto fina; pode-se até ver as veias bem fininhas. E, dependendo de quão prematura seja esta criaturinha, ela pode ter pêlos muito finos na face ou no corpo. Estes logo desaparecem.
Ademais, a cabeça do bebê pode parecer um tanto grande em comparação com o resto do corpo, mas isto não é nada com que se alarmar. À medida que o bebê se aproxima da data do nascimento a termo, ele adquire mais gordura e começa a apresentar o aspecto mais simétrico de um bebê nascido a termo.
Quanto a quaisquer necessidades especiais de que o bebezinho possa ter, estas variam de poucas a muitas. Cada caso é diferente. Mas já foram alcançados alguns marcos notáveis. A tecnologia moderna, junto com devotadas equipes hospitalares, e uma superabundância de ternos cuidados amorosos (TCA) da parte dos pais, resultaram em notável taxa de sobrevivência.
O Que os Pais Podem Fazer
Pais, especialmente vocês muito podem fazer a favor de seu bebê prematuro, recém-nascido. Incentiva-se dar um nome ao bebê logo depois do parto, uma vez que isto une mais os pais e o bebê num relacionamento que realmente estimula o progresso do bebê “que veio antes da hora”. Quando a condição do bebê se estabilizar, uma das principais preocupações é estabelecer o contato físico com ele.
Carícias, brandos afagos e leve massagem na pele do bebê podem ser apropriados, especialmente se o bebê ainda não puder ser tomado nos braços. E o que poderia ser mais reconfortante para o pequenino do que ouvir a voz da mamãe e do papai, expressa em leve murmúrio, em doces canções de ninar ou em palavras sussurradas com ternura? Por outro lado, quando o bebê é muito prematuro, há motivos para cautela. “Eles ficam facilmente esgotados, e entram em colapso”, afirma o Dr. Peter A. Gorski, que passou dois anos registrando o comportamento dos prematuros. “Vi bebês tão sobrecarregados com a interação social do contato visual que eles não tinham mais forças. O que parece bondoso para nós talvez nem sempre seja o melhor.”
Visitar o bebê tanto quanto possível certamente contribuirá para fortalecer seu relacionamento com ele. Se, devido às circunstâncias, vocês não puderem visitar em pessoa seu bebezinho, podem mandar para o hospital fitas gravadas de conversas dos membros da família e de outros sons domésticos, para que seu bebê os ouça. Uma peça de roupa da mãe que, embora lavada, ainda retenha seu cheiro ímpar, pode ser colocada na incubadora ou isolette [incubadora especial para prematuros]. Alguns colocaram uma foto da mamãe, do papai, ou dos irmãos e das irmãs, a cerca de 25 centímetros do bebê.
Considere a situação de Elise, que, em 1971, chegou dez semanas antes da data esperada. Ela pesava 1.500 gramas. Os pais dela só tinham permissão de visitá-la duas vezes por semana. A mãe dela, Betty, comenta: “Eu não tive aquele achego a Elise que tive com meu primeiro filho, e com os três filhos que nasceram depois dela.” Todavia, Betty explica: “Com o passar dos anos, tornamo-nos mais achegadas, e Elise se tornou um dos meus filhos mais prestimosos e agradáveis.”
A mãe pode prover o alimento perfeito para o bebê prematuro, seu leite materno. Cientistas canadenses, em Toronto, verificaram que a composição do leite das mães de prematuros difere da do leite de mães de bebês nascidos a termo, e os prematuros se dão melhor com ele. Segundo The Journal of the American Medical Association, “o bebê prematuro [acha-se] melhor capacitado a utilizar, para crescer, a proteína e os outros nutrientes do leite materno”.
O Que Outros Podem Fazer
É amigo ou parente dos pais de um bebê prematuro? Se for, há muito que pode fazer. Existem gêneros alimentícios a comprar, refeições a preparar, tarefas domésticas a executar, roupa para lavar, e talvez outros filhos para cuidar. Seu apoio nestes assuntos seculares pode ser de muita ajuda para pais que precisem fazer viagens freqüentes e, não raro, longas, a fim de visitar seu bebê numa unidade neonatal de tratamento intensivo.
Christy, mãe dum bebê que nasceu cinco semanas antes do tempo, disse que seus irmãos e irmãs cristãos a ajudaram em tudo que foi descrito acima. “Foram uma fonte constante de alegria e de fortaleza para nós, naquelas primeiras semanas”, disse ela.
Pode-se também dar apoio por enviar cartões e presentes. Os presentes podem incluir qualquer coisa que você adquiriria para o bebê nascido a termo. Deve-se, naturalmente, levar em conta o tamanho do bebê. Há disponíveis fraldas descartáveis, ou de pano, para prematuros, bem como moldes e roupinhas para eles.
Nunca é demais sublinhar a necessidade de apoio emocional. Seja positivo e otimista. Mary, a mãe de Kelly, disse: “Eu precisava de pessoas que fossem encorajadoras e dissessem coisas edificantes. Sentia raiva quando alguém me dizia: ‘Não se apegue muito.’ Era a esperança que me sustentava.” Um pensamento bíblico que a sustentou acha-se em Isaías 41:13: “Pois eu, Jeová, teu Deus, agarro a tua direita, Aquele que te diz: ‘Não tenhas medo. Eu mesmo te ajudarei.’”
Visitas feitas por anciãos cristãos da congregação de Mary foram muito encorajadoras. Ambas as mães, Christy e Mary, disseram que o apoio que receberam dos maridos foi imensurável, e que tal experiência os tornou mais apegados um ao outro.
A Prevenção — O Proceder Sábio
Há sabedoria em se despender mais esforços em tentar impedir que os bebês sejam prematuros do que em simplesmente cuidar deles, depois. Segundo certo estudo feito nos Estados Unidos, para cada hora prolongada de gravidez, entre 24 e 28 semanas, poupa-se US$ 150 [uns Cz$ 135.000,00] em cuidados hospitalares. Assim, seria proveitoso incluir informações sobre bebês prematuros em sua “biblioteca pré-natal”, e ter preparado um plano de ação, caso ocorra o nascimento prematuro do bebê. Mais importante, porém, é que a mãe prospectiva deve tentar prevenir ter um parto prematuro.
Primeiro, a mulher grávida não deve fumar. Fumar durante a gravidez evidentemente prejudica as artérias do feto, segundo um informe publicado em Medical World News. Comentou um professor da Universidade de Cornell: “Que os vasos fetais são prejudicados, penso eu, confere com o que sabemos sobre bebês nascidos com baixo peso, e alta incidência de malformações congênitas, e a separação prematura entre os bebês de mulheres que fumam.”
Em segundo lugar, se você estiver grávida, deve evitar atividades que exijam esforço demasiado, tais como levantar peso. Em terceiro lugar, evite situações que possam causar traumas físicos ou emocionais. A Bíblia menciona que um ferimento físico ou notícias devastadoras podem precipitar um parto. — Êxodo 21:22; 1 Samuel 4:19.
Se correr alto risco de ter um prematuro, deve consultar uma pessoa, tal como um obstetra, que tenha experiência em cuidar de gestantes. As grávidas de alto risco incluem as que, antes, já deram à luz um bebê prematuro, as grávidas de mais de um filho, as que têm mais de 40 anos, ou são adolescentes, e as que consomem imoderadamente bebidas alcoólicas. Entre outras coisas que colocam a mulher na categoria de alto risco acha-se a pressão arterial alta, o diabetes, e as anormalidades da placenta. No caso de tais mulheres, precisa haver uma maior monitoração da gravidez. Certifique-se de seguir a dieta pré-natal apropriada, de modo a tentar manter a melhor saúde possível para você mesma e seu bebê.
Todavia, mesmo quando a mãe prospectiva faz todo o possível para certificar-se dum parto normal, não existem garantias disso. Partos prematuros são por demais comuns, e seu número parece estar aumentando. Mas, que dizer do futuro? Existe qualquer perspectiva de corrigir este defeito no sistema reprodutivo humano?
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Os bebês prematuros precisam de ternos cuidados amorososDespertai! — 1989 | 22 de fevereiro
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Os bebês prematuros precisam de ternos cuidados amorosos
ERAM três horas da madrugada de domingo. Desconheço o que provocou o prematuro trabalho de parto. Mas, suspeito que talvez tenha recebido convidados demais em casa. Seja qual for a razão, meu filhinho estava a caminho um mês antes do tempo.
O trabalho de parto foi longo e incerto. Por todo o dia de domingo e por toda aquela noite, entrei no trabalho de parto sem dar à luz. Muitas vezes, a cabeça do bebê ficava visível para a parteira em uma contração (que se chama de coroação), apenas para desaparecer inteiramente, ficando fora do alcance, na outra. Às quatro horas da manhã de segunda-feira, 25 horas depois de iniciado o trabalho de parto, a parteira determinou, por ouvir os batimentos cardíacos do bebê, que o bebê estava em situação angustiosa. Ela me ministrou oxigênio e me levou de imediato para o hospital. Três horas depois, Danny nasceu.
Tanto eu como meu marido, Bill, podíamos ver que o bebê estava tendo dificuldades de respirar, visto que seus pulmões não funcionavam bem. Eles nos permitiram segurá-lo por alguns segundos, e, nesse tempo, eu e Bill notamos que ele respirava mais facilmente quando o segurávamos e falávamos com ele. Quando a equipe hospitalar nos disse que ele tinha de ser colocado numa incubadora, eu não tinha disposição de discutir com eles, depois de um trabalho de parto tão longo e confuso.
Às 9:30 horas, o pediatra veio ver-me. Disse que tinha examinado o bebê e parecia estar passando bem; o médico mandaria trazer o bebê, para que eu o amamentasse. Mas o bebê não veio. Eram 10, 11, 12 horas, e o Danny ainda não tinha vindo. Por fim, pouco depois do meio-dia, veio uma enfermeira do berçário e me fez o surpreendente anúncio: “Seu bebê está-se retraindo e dilatando, e teve de ser colocado numa isolette! [incubadora especial para prematuros].” Depois de dizer isso, e sem maiores explicações, ela foi embora.
Pode imaginar o que isso causou ao meu estado emocional já abalado. Visto que eu não sabia o que “retraindo e dilatando” significavam, chamei a parteira e perguntei-lhe se era algo grave. “É, sim”, disse ela, “é muito grave. É com isso que eles se preocupam, no caso dos bebês prematuros”.
“Que quer dizer com isso?” Eu perguntei: “Ele poderia morrer?”
“É possível”, disse ela. Ela sugeriu que eu deveria insistir em ver o bebê.
As enfermeiras me disseram que eu não podia vê-lo até que o médico o examinasse. Nesse ponto, comecei a chorar histericamente e criei uma comoção e tanto. “Ele é meu bebê, e vai morrer, e eu nem sequer posso segurá-lo!” Elas reagiram rapidamente, levando-me até ele. Embora não pudesse tomá-lo nos braços, havia uma pequena abertura do lado da isolette, ou incubadora, por onde eu podia enfiar a mão e tocá-lo.
Danny estava num estado lastimável. Os músculos de seu estômago ainda estavam arfando de tanto esforço de respirar do modo errado, e suas narinas estavam bem abertas, uma vez que ele não estava obtendo suficiente oxigênio. (Daí a expressão retraindo o esterno, e dilatando as narinas.) As mãos e os pés dele estavam escuros, por falta de oxigênio.
Coloquei a mão lá dentro e comecei a massageá-lo levemente da cabeça aos pés, e a dizer-lhe o quanto eu o amava. Contei tudo sobre o papai dele e seu irmão, Timóteo, e toda a sua família, e quanto todos nós o amávamos e queríamos que fosse para casa. Ele se mostrou muito atento a ouvir minha voz, e a massagem ajudou a acalmá-lo. Ninguém me precisa convencer de que o amor opera maravilhas. Vi isso por mim mesma naquele dia. Em questão de meia hora, a respiração dele já era inteiramente normal, e as mãos e os pés dele estavam bem rosados.
Disse a enfermeira de plantão: “Não posso acreditar! Olhe só para ele! Está respirando tão bem, e olhe só as mãos e os pés dele!” Ela o retirou e entregou a mim, sem esperar a permissão do médico.
A crise passou. Danny estava seguro. Isso aconteceu há mais de sete anos. Até o dia de hoje, Danny gosta muito de ouvir essa história sobre a sua experiência, e ele gosta que eu a conte a outros. — Segundo narrado por Mary Jane Triggs.
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Quando todos os bebezinhos serão saudáveisDespertai! — 1989 | 22 de fevereiro
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Quando todos os bebezinhos serão saudáveis
SERIA um crime expulsar uma pessoa de sua tenda e de seu saco de dormir numa noite fria do Ártico, obrigando-a a suportar as intempéries em escassa roupa de baixo. Similarmente, é um crime que um bebê seja prematuramente expelido de seu lugar aquecido e protegido no útero, antes de poder enfrentar o mundo exterior. Mas quem ou o que é responsável por este crime hediondo?
Os pais certamente não submeteriam intencionalmente seu filhinho a tais dificuldades. Em realidade, a mãe não consegue parar o trabalho de parto, uma vez iniciado, quer isso ocorra com um bebê nascido a termo, quer com um prematuro. Até os peritos médicos não compreendem exatamente o que dá início ao trabalho de parto, quer prematuro, quer a termo. O que se sabe porém, é que às vezes acontece algo de terrivelmente errado, e um bebê é lançado num mundo para o qual não está equipado a viver.
Por que isto acontece é explicado na Bíblia. Escreveu o salmista inspirado: “Eis que em erro fui dado à luz com dores de parto, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Salmo 51:5) Uma criatura espiritual rebelde induziu o primeiro casal humano a rebelar-se contra Deus, e, desta forma, eles se tornaram pecadores. Erraram o alvo da obediência correta ao seu Criador. Assim todos os seus descendentes foram concebidos em pecado, ou em imperfeição. (Romanos 5:12) As conseqüências disso são a doença e a morte, bem como várias disfunções orgânicas, inclusive um sistema reprodutivo que, às vezes, expele prematuramente seu precioso fruto.
Um Mundo sem Bebês Prematuros
Se os humanos tivessem mantido sua perfeição, não haveria bebês que nascessem antes do tempo de enfrentar as calamidades que confrontam hoje tantos prematuros. E logo virá o tempo em que uma mãe jamais dará à luz prematuramente. O inspirado profeta Isaías escreveu sobre esse tempo, dando-nos a promessa de nosso amoroso Criador: “Vou criar novos céus e nova terra; as coisas de outrora não serão lembradas, nem tornarão a vir ao coração.” — Isaías 65:17, A Bíblia de Jerusalém.
A profecia bíblica de Isaías prossegue falando das condições animadoras que prevalecerão no novo mundo de Deus, dizendo: “Nela não se tornará a ouvir choro nem lamentação. Já não haverá ali criancinhas que vivam apenas alguns dias. . . Não se fatigarão inutilmente, nem gerarão filhos para a desgraça; porque constituirão a raça dos benditos de Iahweh, juntamente com os seus descendentes.” — Isaías 65:19-24; BJ.
Quão grandioso será quando todo o sofrimento e aflição humanos forem remotas lembranças, quando não mais haverá necessidade de medidas médicas extremas, e unidades de tratamento intensivo para tentar manter vivos alguns bebezinhos nascidos prematuramente! Visto que a imperfeição humana será então eliminada por meio da grandiosa provisão do resgate de nosso grande Deus, jamais um bebê será expelido do útero antes de estar perfeitamente equipado para usufruir a vida em sua plenitude. — Revelação [Apocalipse] 21:3, 4.
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