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  • O que as guerras mundiais fizeram à minha família
    Despertai! — 1979 | 8 de junho
    • à comunidade. Mas, durante todo esse tempo, Rudy se preocupava com seus irmãos na Alemanha e ficava imaginando se estavam vivos.

      Quando os Estados Unidos entraram na guerra, o irmão de minha vovózinha tinha 17 anos e estava prestes a formar-se na escola de 2.º grau. No dia depois de sua formatura, foi convocado para o exército e enviado para receber treinamento militar. Teria também de combater seus parentes, sobre os quais sabia, mas que nunca tinha visto?

      Nessa época, o que acontecera aos irmãos de meu avô, Rudy, na Alemanha? Um deles era prisioneiro de guerra na Rússia. Outro estava num campo de prisioneiros de guerra norte-americano, na França. Em certo campo, os presos eram tão mal alimentados que certo dia, quando aconteceu passar um gato perto da cerca de arame farpado, meu tio-avô o pegou e matou, tirou-lhe a pele e o comeu cru! Perto do fim da guerra, o terceiro irmão estava sendo transportado num trem militar. Foi no mesmo dia em que se declarou o armistício. Seu trem foi bombardeado, e ele morreu.

      Voltando ao pequeno povoado de Einbergue, onde os quatro irmãos haviam crescido, aconteciam outras coisas graves. Meu bisavô, Max, que havia casado de novo há alguns anos, tinha dois outros filhos. A Alemanha estava perdendo a guerra, e as forças de ocupação estavam em toda a parte do interior. Visto que a maioria dos pais tinha ido combater, não havia ninguém em casa para proteger as famílias.

      As casas eram invadidas. Havia roubos, e, às vezes, as mulheres eram violadas. Quando os aldeões recebiam aviso de que os soldados estavam vindo, pegavam suas filhas e as escondiam em pilhas de feno nos campos, de modo que ficassem seguras.

      A guerra acabou, mas os efeitos dela não cessaram com a assinatura do tratado de paz. Os irmãos de meu avô retornaram para Einbergue, Alemanha, exceto aquele que tinha morrido no trem. Sua vida jamais voltou a ser a mesma. Um entrava e saia do hospital por toda a sua vida, e morreu bem jovem. O outro irmão, Bernhard, recentemente veio da Alemanha visitar-nos na Califórnia. Seu filho já tinha recebido treinamento militar. Os meus tios, aqui nos Estados Unidos, também. Faz sentido tudo isso? Onde é que tudo terminará?

  • Deseja-se a paz, mas será que as nações se desarmarão?
    Despertai! — 1979 | 8 de junho
    • Deseja-se a paz, mas será que as nações se desarmarão?

      NADA torna a paz mais desejável do que a reflexão sobre os horrores da guerra. Milhões foram mortos e horrivelmente feridos na Guerra do Vietnã, mas isso é apenas uma parte da história. Seis meses depois de sua volta, 38 por cento dos veteranos dos Estados Unidos que eram casados, quer se separaram quer se divorciavam. Cerca de 175.000 eram dependentes da heroína. E também se relatou que cerca de meio milhão tentaram suicidar-se desde que deram baixa! — Times de Nova Iorque, 27 de maio de 1975.

      O caso de Claude Eatherly, piloto que participou no lançamento da bomba atômica sobre Hiroxima, Japão, ilustra vividamente os horríveis efeitos posteriores da guerra. Claude deu baixa das forças militares em 1947, depois que testes psiquiátricos indicaram “grave neurose e complexo de culpa”. Mais tarde, entrou e saiu regularmente em hospitais psiquiátricos. “Posso lembrar-me de vê-lo despertar, noite após noite”, comentou seu irmão no enterro de Claude, no verão setentrional de 1978. “Ele afirmava que seu cérebro ardia. Disse que podia sentir aquelas pessoas se queimando.”

      Para compreender mais plenamente os horrores da guerra, reflita sobre aquela cena, há quase 34 anos atrás. Era a manhã de 6 de agosto de 1945. Bem acima estava o B-29, Enola Gay; abaixo estava a atarefada cidade industrial nipônica de cerca de 400.000 habitantes. Às 8,15, a bomba atômica de 13 quilotons, com sua queda amainada por três pára-quedas, explodia a 580 metros de altitude sobre o centro de Hiroxima. Cerca de 140.000 pessoas foram mortas na explosão; muitas delas foram tostadas vivas pelo calor e pela radiação. As vítimas ainda morrem lentamente, devido aos efeitos da radiação.

      Os horrores causados por aquela explosão atômica, e da explosão, três dias depois, sobre Nagasáqui, estão além da compreensão humana.

      Necessidade de Paz

      Menos de um mês depois, em 2 de setembro de 1945, o Japão se rendeu formalmente. “Surge uma nova era para nós”, comentou o General Douglas MacArthur naquela ocasião memorável. Continuou: “Até a própria lição da vitória traz consigo a profunda preocupação, tanto quanto à nossa segurança futura como com a sobrevivência da civilização. . . . A completa destrutividade da guerra agora elimina esta alternativa. Tivemos nossa última oportunidade. Se não concebermos algum sistema maior e mais eqüitativo, o Armagedom estará às nossas portas.”

      Tais sentimentos amiúde têm sido repetidos pelos líderes mundiais. No outono setentrional de 1961, o então Presidente dos EUA, John F. Kennedy, propôs um “programa de desarmamento geral e completo”. Explicou que “a humanidade tem de pôr fim à guerra — ou a guerra porá fim à humanidade. . . . Os riscos inerentes ao desarmamento desaparecem em comparação com os riscos inerentes a uma corrida armamentista ilimitada”.

      Deram as nações, desde então, passos positivos em direção ao desarmamento?

      Progresso em Direção à Paz?

      Logo depois de sublinhar a necessidade de desarmamento, o presidente Kennedy solicitou ao Congresso dos EUA a suplementação de US$ 6 bilhões (uns Cr$ 138 bilhões atuais) ao orçamento militar. E a norma tem sido esta. Num instante, fala-se de paz, e exalta-se o desarmamento, mas, no instante seguinte, dão-se ordens para a construção de armas maiores e mais mortíferas. Assim, apesar das muitas propostas que parecem ótimas — há mais de 9.000 entradas numa bibliografia corrente sobre controle de armas e desarmamento — nenhum progresso foi obtido. The Nation (A Nação), de 27 de maio de 1978, comenta:

      “Desde 1945, diplomatas norte-americanos soviéticos, e outros, reuniram-se pelo menos 6.000 vezes para discutir o ‘desarmamento’ e sua prole ilegítima, ‘o controle das armas’, mas, em trinta e dois anos, não houve uma única arma que fosse eliminada pelo acordo mútuo. Pelo contrário, a corrida armamentista — convencional e nuclear, mas especialmente nuclear — escalonou implacavelmente.”

      Ilustrando o fracasso, o “desarmamento” em geral não é nem sequer mais o assunto de discussão; agora é ‘o controle das armas’. Mas, o controle das armas é incontrolável. O público, em geral, já perdeu toda a confiança de que algo significativo seja feito para melhorar essa situação.

      Isto foi demonstrado no início de 1978, quando se realizou a Sessão Especial das Nações Unidas Sobre o Desarmamento. Ao anunciar a vindoura sessão, rezava uma manchete do News de Búfalo, EUA: “ONU MOVIMENTA-SE PARA AFASTAR ARMAGEDOM.” A sessão de cinco semanas foi histórica, no sentido de que foi a primeira reunião global sobre desarmamento desde a Conferência de Desarmamento da Liga das Nações, de 1932-34, há cerca de 46 anos atrás. Todavia, as reuniões mereceram muito pouco destaque na imprensa ou em outros canais noticiosos.

      À medida que as sessões chegavam a seu ponto médio, O Dr. Frank Barnaby, o diretor do Instituto Internacional de Pesquisas Sobre a Paz, de Estocolmo, Suécia, lamentou que se estava conseguindo ainda menos do que ele esperava. “Há um ar de pessimismo; a atmosfera geral é bem horrível”, disse ele.

      Todavia, como compreendem as pessoas informadas, há clamorosa necessidade de se aliviar a situação crítica. O perigo de guerra nuclear é bem real, e está aumentando, indicou o Sr. Barnaby. E o idoso delegado britânico, Lorde Noel-Baker, que também tinha sido delegado à Conferência de Desarmamento da Liga das Nações, comentou: “O maior perigo é que os fatos sobre a guerra nuclear simplesmente não penetraram.”

      Quais são estes fatos?

      Poder Destrutivo

      Especialmente, têm que ver com a grande potência das armas nucleares, os tremendos números em mãos e os meios sofisticados que as nações aperfeiçoaram para lançá-las sobre qualquer alvo na terra. Considere os fatos.

      As palavras quiloton (1.000 toneladas) e megaton (1.000.000 de toneladas) referem-se ao equivalente em TNT das armas nucleares. Assim, a bomba de 13 quilotons sobre Hiroxima era apenas uma “bombinha” comparada às armas modernas, de multimegatons. Por exemplo, bombas de até 60 megatons — mais de 4.600 vezes mais potentes que a lançada sobre Hiroxima — já foram testadas. Todavia, em 1945, bastou apenas aquela bomba comparativamente diminuta para incinerar 140.000 pessoas, milhares delas de forma horrível, e para devastar Hiroxima.

      Uma arma moderna talvez seja tipicamente de cerca de um megaton — cerca de 75 vezes mais potente que a bomba de Hiroxima. Visto que cada bomba pode extirpar uma cidade grande, tente imaginar o que uma bomba de multimegatons faria a uma área povoada tal como a grande Nova Iorque, Londres ou Tóquio. As nações possuem dezenas de milhares de poderosas armas nucleares, a União Soviética e os Estados Unidos possuindo a ampla maioria delas. Tais armas têm o poder de matar cada humano na terra tantas vezes em seguida que as estatísticas se tornam inexpressivas.

      O fato atemorizador é que tal poder destrutivo pode ser usado para destruir praticamente qualquer alvo na terra, em questão de minutos após sua liberação. Certo presidente norte-americano não estava brincando quando disse: “Eu poderia apertar este botão aqui mesmo e, em 20 minutos, 70 milhões de russos estariam mortos.”

      Os hodiernos lançadores de foguetes podem lançar com precisão ogivas bélicas que caiam num raio de alguns metros dum alvo que diste milhares de quilômetros deles. Ademais, um míssil do tipo moderno transporta várias bombas. Uma vez o míssil atinja a área geral a ser destruída, cada bomba pode ser orientada para um alvo diferente. Nem estão os lançadores de mísseis confinados a posições terrestres estacionárias; os mísseis podem ser lançados de aviões em pleno ar ou de embarcações no mar.

      Um único submarino, equipado de lançadores de mísseis nucleares, é capaz de destruir 224 alvos separados, cada um tão grande quanto uma metrópole! Tanto a União Soviética como os Estados Unidos possuem dezenas de submarinos equipados para causar tal destruição, e estão construindo outros maiores e mais aprimorados. Logo estará em serviço o novo submarino dos EUA, o Trident. Saturday Review explica:

      “Um Trident possui, nele mesmo, uma plataforma submarina de lançamento de bombas termonucleares, algumas das quais contêm mais poder explosivo do que mil bombas atômicas do tipo que destruiu Hiroxima, em 1945. . . . Os oficiais do Trident detêm, em suas mãos, mais potência do que foi acumulada pelos seres humanos, na história registrada, até 1945.”

      O Que Tudo Isso Custa

      Toda essa preparação militar custa dinheiro, e muito. Desde 1945, as nações gastaram bem mais de US$ 6.000.000.000.000 (uns Cr$ 138 trilhões) em atividades militares! O Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos), de maio de 1978, observou: “Os gastos militares globais atingem presentemente cerca de US$ 400 bilhões (Cr$ 9,2 trilhões) por ano.” E aumentam rápido, subindo em direção a Cr$ 23 milhões por minuto!

      A magnitude da edificação militar é estonteante. Em 1977, James Reston, do Times de Nova Iorque, declarou: “Ano passado, as nações do mundo gastaram 60 vezes mais equipando cada soldado do que gastamos em educar cada criança.” Ao redor do mundo, cerca de 60 milhões de pessoas servem nas forças armadas ou estão empenhadas em ocupações relacionadas ao serviço militar. Cerca da metade dos cientistas do mundo estão ocupados no aperfeiçoamento de armas.

      Pense no que poderia ser realizado se todo esse dinheiro e esforço fossem canalizados para fins construtivos, ao invés de no armamentismo. Poderia haver excelente habitação para todos, melhores cuidados de saúde e de educação, e muitos outros benefícios. Acontece que os programas armamentistas contribuem para a falência das nações, tanto física como moralmente.

      Afirma-se, contudo, que a preparação militar impedirá a guerra. Mas, tem feito isso? Pelo contrário. Desde 1945, mais de 25 milhões de pessoas foram mortas, em cerca de 150 guerras travadas ao redor do globo. Em qualquer dia se travam, em média, 12 guerras em alguma parte do mundo. Na verdade, desde 1945 não se tem usado bombas nucleares nestas guerras. Mas será que o acúmulo de amplos estoques de tais armas, bem como o aperfeiçoamento de métodos sofisticados de lançá-las, tornam menos provável sua utilização?

      Muitos não acham que torne. Como disse certo ex-congressista de Óregon, EUA: “As cartas estão agora empilhadas para ampla destruição e morte. . . . Os fatos podem ser expressos em poucas palavras. Primeiro, milhares de armas nucleares, muitas de potência inimaginável, existem hoje. Em segundo lugar, quase todas estão prontas para detonação instantânea. Em terceiro lugar, seus guardiães são seres humanos.”

      Sim, os humanos são imperfeitos; estão sujeitos a erro e inclinados ao egoísmo e à cobiça, fixando-se o cenário para a guerra. A Bíblia mostra a que leva o desejo egoísta: “Onde começam estas guerras e batalhas entre vós mesmos? Não é precisamente nos desejos que combatem dentro de vós mesmos? Desejais algo e não o obtivestes; assim, preparai-vos para matar. Tendes uma ambição que não podeis satisfazer; assim, lutais para conseguir o que quereis pela força.” — Tia. 4:1, 2, The Jerusalem Bible.

      As nações combaterão com o que está disponível. Em 1985, afirma o Instituto Internacional de Paz de Estocolmo, Suécia, cerca de 35 nações conseguirão a capacidade nuclear. Com que resultado? “A não proliferação nuclear estável, como a conhecemos, tornar-se-á impossível”, avisa o instituto, “e a guerra se tornará inevitável”.

      Alguma Esperança de Paz?

      É forte o desejo de paz da humanidade. Numa recente Sessão Especial das Nações Unidas Sobre Desarmamento, 500 observadores nipônicos apresentaram às autoridades da ONU 20 milhões de assinaturas em petições que exigiam o desarmamento mundial imediato. Tais petições encheram 450 caixas de papelão que pesavam mais de 12 toneladas!

      Será que alguma vez virão a existir o desarmamento e a paz? Se havemos de julgar pelas medidas tomadas pelos líderes mundiais, a resposta é definitivamente Não. Não estão fazendo virtualmente nada para inverter a corrida armamentista. Isto foi novamente ilustrado por sua atitude para com o Tratado do Espaço Exterior, de 1967, que se esperava tornasse o espaço sideral uma zona de paz. Observa o Bulletin of the Atomic Scientists: “O tratado muito pouco fez para impedir o número de satélites militares. Cerca de 75 por cento de todos os satélites lançados têm utilização militar. Durante 1977, 133 satélites foram lançados, e, destes, 95 foram satélites militares.”

      Todavia, há base para confiança de que virão a existir o desarmamento e a paz. A promessa da Bíblia, inscrita num muro de pedra defronte do prédio principal das Nações Unidas proclama: “Converterão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em podadeiras: uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.” — Isa. 2:4, Versão Autorizada, em inglês (similar à Almeida, em português).

      Mas como será cumprida esta promessa? As Nações Unidas obviamente não conseguiram cumpri-la. Que base existe, então, para se confiar de que virá a existir a verdadeira paz? É a religião a solução?

      [Destaque na página 5]

      “Desde 1945, diplomatas norte-americanos, soviéticos e outros, reuniram-se pelo menos 6.000 vezes para discutir o ‘desarmamento’, e sua prole ilegítima, ‘o controle das armas’, mas, em trinta e dois anos, não houve uma única arma que fosse eliminada pelo acordo mútuo.” — “The Nation” (A Nação), 27 de maio de 1978.

      [Destaque na página 6]

      “Um Trident possui, nele mesmo, uma plataforma submarina de lançamento de bombas termonucleares, algumas das quais contêm mais poder explosivo do que mil bombas atômicas do tipo que destruiu Hiroxima, em 1945. . . .” — “Saturday Review”, 17 de abril de 1978.

      [Destaque da página 7]

      “Nos últimos trinta e três anos, tem havido contínua luta ao redor do globo — ou, como foi computado por certo professor húngaro, ‘não houve mais do que vinte e seis dias . . . em que não se travasse nenhuma guerra em alguma parte do mundo.’ O mesmo professor calculou que, nas últimas três décadas, cerca de vinte e cinco milhões de almas pereceram em batalha, um total que representa mais mortos militares do que os havidos em ambas as guerras mundiais juntas.” — “Esquire”, 1.º de março de 1978.

      [Destaque na página 8]

      “Cerca de 75 por cento de todos os satélites lançados têm utilização militar. Durante 1977, 133 satélites foram lançados, e, destes, 95 foram satélites militares.” — “The Bulletin of the Atomic Scientists” (Boletim dos Cientistas Atômicos), maio de 1978.

      [Foto na página 8]

      Converterão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em podadeiras: uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra. Isaías.

  • A verdadeira paz — virá alguma vez a existir?
    Despertai! — 1979 | 8 de junho
    • A verdadeira paz — virá alguma vez a existir?

      A RELIGIÃO amiúde é considerada como a principal defensora da paz. Especialmente na época de Natal, as igrejas prestam homenagem ao menino Jesus, o prometido “Príncipe da Paz”. Nos círculos religiosos em todo o mundo, cita-se de novo o relato bíblico sobre os anjos que apareceram aos pastores, dizendo: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens.” — Luc. 2:14, Almeida, revista e corrigida.

      Quão boas soam tais palavras neste mundo ameaçado pela guerra, sim, em muitos lugares, um mundo devastado pela guerra! A humanidade deveras anela a paz genuína. Assim, a promessa bíblica a respeito de a humanidade ‘não aprender mais a guerra’ provoca uma reação favorável no coração de muitos. (Isa. 2:4) Mas como se pode confiar que as religiões do mundo promovam tal paz há muito ansiada?

      O Que Mostra a História

      Bem, qual tem sido o registro das religiões do mundo? Têm sido uma força a favor da paz, ou, com efeito, têm sido apoiadoras da guerra? O que se deu nos tempos antigos?

      The Encyclopedia of Religion and Ethics (Enciclopédia de Religião e Ética), editada por James Hastings, comenta: “A religião egípcia jamais condenou a guerra. . . . Em suma, toda guerra era moral, ideal, sobrenatural, e sancionada pelo precedente divino.” Sobre a Assíria, W. B. Wright afirma em seu livro Ancient Cities (Cidades Antigas): “Lutar era o negócio daquela nação, e os sacerdotes eram fomentadores incessantes da guerra . . . esta raça de saqueadores era excessivamente religiosa.”

      ‘Mas isso foi muito antes de Jesus introduzir o cristianismo’, alguém talvez proteste. E isso é verdade. Os seguidores primitivos de Cristo não apoiavam as guerras das nações. O livro Paganism to Christianity in the Roman Empire (Do Paganismo ao Cristianismo no Império Romano), de W. W. Hyde, observa: “Durante os primeiros três séculos . . . os cristãos opunham-se a servir como matadores profissionais nos exércitos romanos. Este espírito primitivo, contudo, mudou gradualmente.” Sim, com o tempo, as igrejas da cristandade falharam em apegar-se aos ensinos de Cristo. O historiador católico E. E. Watkin admite:

      “Dolorosa como seja tal admissão, não podemos, nos interesses duma falsa edificação ou de lealdade desonesta, negar ou ignorar o fato histórico de que os Bispos apoiaram coerentemente todas as guerras travadas pelo governo de seu país. Não conheço, efetivamente, um único caso em que uma hierarquia nacional tenha condenado qualquer guerra como sendo injusta . . . Qualquer que seja a teoria oficial, na prática, ‘meu país está sempre certo’ tem sido a máxima seguida no tempo de guerra pelos Bispos católicos.” — Morals and Missiles (Moral e Mísseis), editado por Charles S. Thompson, págs. 57, 58.

      Similarmente, o falecido Harry Emerson Fosdick, destacado clérigo protestante, admitiu: “Até mesmo em nossas igrejas temos colocado as bandeiras da batalha . . . Com um canto de nossa boca temos louvado o Príncipe da Paz, e com o outro temos glorificado a guerra.” Isto se tem dado especialmente ao alcance da memória recente, quando “Louve a Deus e Passe a Munição” se tornou uma canção popular estadunidense durante a Segunda Guerra Mundial. Mas qual era a situação na Alemanha?

      Friedrich Heer, professor católico romano de história da Universidade de Viena, Áustria, explicou:

      “Nos fatos frios da história alemã, a Cruz e a suástica vieram a ficar cada vez mais juntas, até que a suástica proclamou a mensagem da vitória das torres das catedrais alemãs, as bandeiras suásticas apareceram ao redor dos altares e os teólogos, pastores, eclesiásticos e estadistas católicos e protestantes acolheram a aliança com Hitler.” — God’s First Love (Primeiro Amor de Deus), Friedrich Heer, p. 247.

      Alguns anos antes, durante a Primeira Guerra Mundial, existia a mesma situação: as igrejas de ambos os lados promoviam os esforços bélicos de seus respectivos países da maneira mais vigorosa. O respeitado historiador eclesiástico, Roland H. Bainton, observa em seu livro Christian Attitudes Toward War and Peace (Atitudes Cristãs Para com a Guerra e a Paz):

      “Os eclesiásticos estadunidenses de todas as fés jamais estiveram tão unidos uns com os outros e com a mente do país. Esta era uma guerra santa. Jesus foi vestido de cáqui e representado como visando um cano de fuzil. Os alemães eram hunos. Matá-los era limpar a terra de monstros.”

      Os fatos são por demais evidentes para serem negados. A religião não tem sido uma força a favor da paz. Antes, tem sido apoiadora, e, às vezes, até mesmo promovedora, da guerra. Isto ainda é verdadeiro. O artigo GUERRAS RELIGIOSAS — ZELO SANGRENTO, numa recente revista Time, comentava:

      “As cenas são macabras. Imagens religiosas adornam veículos e fuzis à medida que os soldados cristãos, alguns deles usando cruzes penduradas no pescoço, tomam de assalto as fortalezas muçulmanas. Soldados muçulmanos, por sua vez, despem ou mutilam os corpos dos soldados cristãos mortos, amarram-nos a carros e os arrastam pelas ruas. Na guerra perversa do Líbano, a religião é uma presença palpável. . . .

      “Lutar e morrer sob bandeiras religiosas prosseguem com persistência violenta em outras partes ao redor do mundo. Os protestantes e os católicos romanos no Ulster trocam matanças numa espécie de movimento perpétuo de futilidade. Árabes e israelenses se postam tensamente nas fronteiras duma disputa territorial, cultural e religiosa. Nas Filipinas, os separatistas muçulmanos estão rebelados contra a maioria cristã. Os cristãos ortodoxos grego-cipriotas confrontam os muçulmanos turco-cipriotas do outro lado de uma triste linha de armistício. O Paquistão se separou da Índia porque os muçulmanos temiam a regência duma maioria hindu.” — 12 de julho de 1976.

      O Que Cristo Deve Pensar

      O que supõe que o Príncipe da Paz, Jesus Cristo, pensa destas religiões, especialmente das que afirmam representá-lo? Por certo, ele não se agrada delas! Sem dúvida, ele tinha presente tal hipocrisia religiosa quando disse: “Nem todo o que me disser: ‘Senhor, Senhor’, entrará no reino dos céus, senão aquele que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus.” — Mat. 7:21.

      Na época do Natal, por exemplo, as igrejas prestam muitos louvores fingidos a Jesus, o Príncipe da Paz. Afirmam que estão celebrando o aniversário dele. Entoam-se lindos cânticos, e presépios concebidos engenhosamente são exibidos para comemorar tal evento. Mas, daí, os celebrantes comumente passam a empenhar-se em longas festanças, em bebedeiras e no modo de vida imoral. O que realmente celebram?

      “A festa de Natal é a revisão cristã do dia romano do solstício hibernal”, explica a Encyclopœdia Britannica. As festas romanas de dezembro eram terrivelmente licenciosas, e colocar o nome de Cristo nelas não alterou a situação. Afirma o livro Curiosities of Popular Customs (Curiosidades dos Costumes Populares), de W. S. Walsh: “As loucas festanças, deveras, do período de Natal nos tempos antigos é quase impossível de crer. A obscenidade, a bebedice, a blasfêmia — não faltava nada. A libertinagem era levada a efeito no limite mais amplo da licenciosidade.”

      Quando as igrejas ligam o nome de Cristo a tais festividades tumultuadas, imagine como isso deve desagradar a Cristo! Mas considere como a celebração do Natal, num modo mais sutil, mina a posição de Cristo como o Príncipe da Paz.

      Bebê ou Rei Reinante?

      Na época de Natal, como é que as igrejas representam Jesus? Não é como um bebê numa manjedoura? Em resultado, muitos parecem imaginar Jesus apenas nesses termos, como um bebê dependente do cuidado de outros. Mas é este um quadro verdadeiro da posição de Cristo?

      De jeito nenhum! Cristo é um príncipe, sendo o Filho do Rei Todo-poderoso, Jeová Deus. Todavia, é mais do que um príncipe bebezinho. Foi-lhe dada a regência e a autoridade. Predisse a antiga profecia bíblica: “O domínio principesco virá a estar sobre o seu ombro. E será chamado . . . Príncipe da Paz.” (Isa. 9:6) Para cumprir tal profecia, após sua morte na terra, Jesus foi levantado para a vida celeste, e foi por fim entronizado como rei de Deus, lá nos céus.

      Assim, Cristo de forma alguma se parece mais a um bebê numa manjedoura. Ele é o rei reinante de Deus! Quão inapropriado, então, é focalizar a atenção primária nele como um bebê! Desta forma perdemos o sentido inteiro de seu papel em relação com a atual situação mundial, e a clamorosa necessidade de paz. E qual é o papel de Cristo?

      Ele é o Regente designado que Deus usará para trazer paz à terra. Mas isto não acontecerá do modo que muitos talvez esperem. Queira abrir sua Bíblia em Revelação (Apocalipse), capítulo 19, e ler os versículos 11 a 16. É vital que entendamos o quadro da posição de Cristo, aqui descrito — como poderoso regente à frente das forças angélicas de Deus. Observe que o texto diz que Cristo, que é “A Palavra de Deus”, ‘golpeará as nações com uma vara de ferro’, removendo-as para dar lugar ao governo de paz da parte de Deus.

      É assim, então, que virá a existir a verdadeira paz. Não virá por quaisquer esforços dos homens — eles falharam completamente. Mas virá a existir por meio do governo do Reino de Deus. Vivemos agora no tempo quando se cumprirá a seguinte profecia bíblica: “Nos dias daqueles reis, o Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. E o próprio reino . . . esmiuçará e porá termo a todos estes reinos, e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos.” — Dan. 2:44.

      Tempo de Decisão

      Em vista da destruição predita de todos os atuais governos, inclusive das religiões que os apóiam, é vital que examinemos nossa própria situação. Jesus disse: “Meu reino não faz parte deste mundo”, e também disse sobre seus verdadeiros seguidores: “Não fazem parte do mundo.” (João 18:36; 17:16) Adere sua religião a estas declarações de Jesus? Existe uma religião que adere. Indicando-a, o St. Anthony Messenger (Mensageiro de S. Antônio), católico romano, de maio de 1973, comentou:

      “As Testemunhas de Jeová colocam-se fora das ‘instituições’ e não aceitam nenhuma responsabilidade de abençoar seja lá o que for que o governo secular decida fazer. Milhares de pessoas boas acham tal alheamento dos interesses políticos e econômicos mais achegado ao espírito do Novo Testamento do que os arranjos às vezes cômodos entre a Igreja e o estado. Uma identificação muito íntima de um com o outro abafa a voz profética da Igreja e transforma os sacerdotes e ministros em chefes de torcida espirituais. As igrejas cristãs amiúde transmitem a impressão de que abençoarão qualquer guerra ou aventura em que os líderes do estado decidam lançar-se.”

      É claro que as Testemunhas de Jeová são diferentes das igrejas e religiões do mundo. Para a verdadeira paz, depositaram sua esperança e confiança, não nos governos dos homens, mas na regência do Príncipe da Paz, Jesus Cristo. Se concordar que a violência não faz sentido, e se gostaria de viver na terra quando a paz for universal, entre em contato com as Testemunhas de Jeová. Ficarão contentes de ajudá-lo a aprender mais sobre como a verdadeira paz em breve virá a existir, sob a regência do reino de Deus.

      “Ó Deus, dá ao rei as tuas próprias decisões judiciais, e ao filho do rei a tua justiça. Nos seus dias florescerá o justo e a abundância de paz até que não haja mais lua. E terá súditos de mar a mar e desde o Rio até os confins da terra.” — Sal. 72:1, 7, 8.

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