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Como poderá haver paz entre os homens?A Sentinela — 1960 | 1.° de março
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bem em considerar as palavras de Jesus Cristo, que previu os nossos dias de angústia e perplexidade. Ele predisse que os homens chegariam a desfalecer “de medo e pela expectação das coisas que vêm sobre a terra habitada”. — Luc. 21:26, NM.
A PAZ TRAZIDA POR DEUS
Visto que os homens não encontraram uma solução funcional para o problema da paz mundial, não quer dizer que tudo esteja perdido. Eles podem recorrer ao seu Criador em busca desta solução. Jeová Deus a revelou há muito tempo quando fez que um profeta escrevesse: “Pois eis que nos nasceu uma criança, eis que se nos deu um filho, e o domínio principesco estará sobre os seus ombros. . . . Da abundância do domínio principesco e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer firmemente e para o sustentar por meio da justiça, desde agora e por tempo indefinido. O próprio zelo de Jeová dos exércitos fará isso.” — Isa. 9:6, 7, NM.
Este governo celestial para a terra pode fazer, o que os homens não puderam — estabelecer a paz permanente. Pode eliminar a guerra para sempre. Foi em prol deste governo que Jesus ensinou aos seus seguidores a orar, quando disse: “Portanto orae vós deste modo: Pae nosso que estás nos céos; santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céo.” (Mat. 6:9, 10) Quando este governo divino governar a terra em justiça e retidão, as guerras serão impossíveis.
Uma das principais causas das dificuldades atuais é a divisão da humanidade em muitos grupos, cada grupo reivindicando exclusivamente certo território. Visto que certos grupos procuram avidamente anexar os territórios de outros grupos e dominar sobre os povos ali, parece impossível que haja paz permanente. Mas, isto não pode acontecer sob o domínio do reino de Deus. Em vez de serem divididos em muitas nações, os habitantes da terra formarão apenas uma só nação, debaixo de um só governo — um governo justo.
Para que venha a paz trazida por Deus, é primeiro necessário remover tais governos constituídos pelos homens. Enquanto estes continuarem, continuarão as dificuldades. O grande Soberano do universo não permitirá que façam competição ao seu governo justo quanto à terra e sejam causa de dificuldades. Ele predisse há muito, pelo seu profeta Daniel; que eles deixarão de existir. “Nos dias desses reis suscitará o Deus do céo um reino que não será jamais destruido, nem passará a soberania deste a outro povo; mas fará em pedaços e consumirá todos, estes reinos, e elle mesmo subsistirá para sempre.” — Dan. 2:44.
Não poderá haver paz permanente para a humanidade enquanto existirem pessoas que não querem obedecer às leis divinas e que não querem sujeitar-se à autoridade do reino de Deus. É necessário expurgar a terra dos iníquos. A vindoura batalha do Armagedon fará exatamente isso. Esta será a “guerra do grande dia do Deus Todo-Poderoso”, quando ele há de executar a sua sentença adversa contra o sistema iníquo de coisas.
O EFEITO DO DOMÍNIO DO REINO
O povo que possuirá a terra sob o domínio do reino de Deus exercerá amor mútuo em vez de ódio e suspeita. Isto é essencial para a manutenção dum mundo pacífico. As pessoas que se amam mutuamente, assim como Cristo mandou, não armazenam armas mortíferas para se destruírem mutuamente. Não precisam de inspeções de segurança para se protegerem contra a perfídia de outrem. Não agem traiçoeiramente, porém são verazes e honestas.
Para que o povo que hoje vive exerça amor, precisa haver uma transformação. Precisa ser uma transformação tanto no modo de pensar como na maneira de viver. Em vez de pensar egoistamente apenas nos seus próprios interesses, a pessoa precisa aprender a pensar altruistamente. Sua maneira de viver precisa mostrar consideração para com os outros. Acima de tudo, os interesses de Deus precisam ser postos em primeiro lugar. O apóstolo Paulo falou desta transformação ao dizer: “Deixai de vos amoldar a este sistema de coisas, mas transformai-vos pela renovação de vossa mente, para que proveis a vós mesmos a, boa, aceitável e completa vontade de Deus.” (Rom. 12:2, NM) Hoje em dia há pessoas que fazem exatamente isso, apesar das fronteiras e dos ódios nacionais. Exercem entre si amor mútuo, em todo o mundo. Como sociedade do novo mundo, aguardam com viva antecipação a paz em toda a terra, sob o reino de Deus.
Assim como apenas pessoas amantes da paz sobreviveram ao dilúvio dos dias de Noé, assim também apenas pessoas amantes da paz sobreviverão à vindoura batalha do Armagedon. “Pois os retos são os que residirão na terra, e os imaculados são os que sobrarão nela. Quanto aos iníquos, eles serão cortados da própria terra; e quanto aos traiçoeiros, serão arrancados dela.” — Pro. 2:21, 22, NM.
O efeito do domínio do reino de Deus será uma terra povoada com pessoas justas, todas exercendo entre si o amor. Os iníquos deste presente mundo terão sido cortados da existência. Nenhum deles sobreviverá à batalha do Armagedon para perturbar a paz do novo mundo que há de seguir.
Uma vez que todas as pessoas estarão unidas como um só povo debaixo do governo justo de Deus, não haverá choques por causa de raça ou de nacionalidade. Todos reconhecerão que “Deus não é parcial” e que cada “homem que o teme e que obra a justiça é-lhe aceitável”. (Atos 10:34, 35, NM) A união humana incluirá também a adoração, a qual já em si mesma será um grande fator contribuinte para a paz.
Além da paz, Deus prometeu trazer muitas outras coisas boas à humanidade por meio do seu reino. “Deus mesmo estará com elles, e enxugará toda a lagrima dos olhos delles. Não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem choro, nem dor, porque as primeiras cousas são passadas. Disse aquelle que estava sentado sobre o throno: Eis que faço novas todas as cousas.” (Apo. 21:3-5) Deus passa então a garantir-nos que aquilo que ele promete, certamente cumprirá, dizendo. “Escreve, porque estas palavras são fieis e verdadeiras.”
HAVERÁ PAZ EM NOSSA GERAÇÃO
Jeová revela na Bíblia quando podemos esperar a mudança para o governo que trará a paz permanente. Ele fez que seus profetas escrevessem sobre as coisas que aconteceriam em escala mundial durante os últimos dias do atual sistema de coisas. A geração que viveria quando estas coisas se tornassem realidade seria a que presenciaria a mudança. Os eventos mundiais desde a Primeira Guerra Mundial de 1914-1918 cumpriram estas profecias. Chegou finalmente o tempo para Jeová Deus limpar a terra e trazer aos homens a paz permanente. A geração que vivia em 1914 há de ver isso. “Em verdade vos digo que não passará esta geração, sem que todas estas cousas se cumpram.” (Mat. 24:34) Antes de fazer esta declaração, Jesus mencionou algumas das ocorrências visíveis que assinalariam os últimos dias, coisas que têm ocorrido.
Para estar entre os que viverão para ver a paz permanente na terra, sob o domínio do reino de Deus, é necessário buscar a Jeová Deus e obedecer-lhe. “Buscae a Jehovah, todos os mansos da terra, que tendes posto por obra o seu juízo: buscae a justiça, buscae a mansidão; póde ser que sejaes escondidos no dia da ira de Jehovah.” (Sof. 2:3) Não podemos desconsiderar as ordens de Deus só por causa dos ruídos de guerra hoje em dia. Não importa o que as nações tentem fazer, podemos confiar nas promessas de Deus, de que ele há de causar uma mudança para condições melhores. Podemos estar confiantes de que o seu reino trará paz permanente aos homens, nesta geração.
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Achando ovelhas nas “celas da morte”A Sentinela — 1960 | 1.° de março
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Achando ovelhas nas “celas da morte”
ASSIM como é inteiramente impossível julgar a pessoa pela primeira impressão que se tem dela ou pela sua reação inicial ao ser visitada com a mensagem do Reino, assim nem sempre se pode julgar pelo proceder passado na vida de alguém se esta pessoa tem um coração de boa vontade. Este fato foi trazido à nossa atenção numa carta de um ministro das testemunhas de Jeová, que visita o Quartel Disciplinar dos Estados Unidos em Forte Leavenworth, em Kansas.
Este ministro recebeu permissão das autoridades para visitar na prisão os que tinham manifestado interesse nas boas novas do reino de Jeová. Um número bastante grande dos presos tinha progredido no seu estudo da Bíblia ao ponto de se tornarem testemunhas de Jeová, embora estivessem encarcerados por diversos crimes anteriores.
É notável saber-se que até mesmo homens nas “celas da morte” se tornaram testemunhas ativas, não num arrependimento emocional de último momento antes da morte, mas com fé inteligente, reconhecendo que, embora as horas que lhes restavam fossem talvez poucas, tinham de estar devotados a fazer a vontade de Jeová, conforme revelada na Sua Palavra. Transcrevemos a seguir o relatório do ministro que visita estes homens nas “celas da morte”:
“Esta carta refere-se à minha visita aos homens nas ‘celas da morte’ nesta prisão. Atualmente, dois dos três homens visitados ali ainda estão nesta prisão, condenados à morte.
“O irmão Z foi batizado por mim em 12 de dezembro. Isto não foi anteriormente relatado. As circunstâncias deste batismo são sem dúvida diferentes da maioria dos casos, visto que as autoridades militares tomaram precauções extremas com este homem, uma vez que era necessário tirá-lo do lugar em que estava encarcerado. O batismo foi realizado numa grande banheira no hospital da prisão. O incomum foi que quatro guardas ficaram de vigia, ouvindo o discurso de batismo. A oração e o próprio batismo foram testemunhados pelo comandante, que é a pessoa que marca o tempo e dá as ordens para as execuções, três das quais foram realizadas recentemente. Estavam também presentes o seu ajudante, um major e oito guardas, todos de graduação elevada.
“O irmão Z está certamente amadurecendo no seu estudo e ele dá testemunho aos outros prisioneiros. O outro homem na cela da morte não sabia nem ler nem escrever, mas, com a ajuda do irmão Z, aprendeu a ler e está estudando a Bíblia.
“O terceiro homem anteriormente preso na cela da morte (por dois anos e meio) teve a sua sentença mudada para encarceramento vitalício e espera ser transferido para uma prisão federal. Ele assiste agora regularmente às reuniões das testemunhas de Jeová, cada semana, junto com três homens de boa vontade. Todos os que se reúnem ali no Quartel Disciplinar certamente agradecem a Jeová a sua Palavra, a sua organização e o seu espírito. Dirigem os seus agradecimentos a Jeová pelas mais novas ajudas bíblicas que podem ser encontradas na biblioteca do estabelecimento.”
Na hora da morte de Jesus, um malfeitor apoiou Jesus e repreendeu os que falavam dele abusivamente. Exercendo fé em Jesus, como o Cristo, este malfeitor disse: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino.” E Jesus disse-lhe: “Em verdade te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” Os que hoje se dirigem a Cristo na mesma fé podem aguardar a mesma promessa, apesar do deu proceder passado. — Luc. 23:42,. 48, NM.
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