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PecadoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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A GRAVIDADE RELATIVA DO ERRO
Embora um pecado seja um pecado, e, em qualquer caso, possa com justiça fazer com que o culpado seja digno de receber o “Salário” do pecado — a morte — as Escrituras mostram que Deus considera o erro da humanidade como tendo vários graus de gravidade. Assim, os homens de Sodoma eram “grandes pecadores contra Jeová”, e seu pecado era “muito grave”. (Gên. 13:13; 18:20; compare com 2 Timóteo 3:6, 7.) Fazerem os israelitas um bezerro de ouro foi também chamado de “grande pecado” (Êxo. 32:30, 31), e a adoração do bezerro, por parte de Jeroboão, moveu similarmente o reino setentrional a “pecar com um grande pecado”. (2 Reis 17:16, 21) O pecado de Judá se tornou “semelhante ao de Sodoma”, fazendo com que o reino de Judá fosse detestável aos olhos de Deus. (Isa. 1:4, 10; 3:9; Lam. 1:8; 4;6) Tal proceder de desconsideração pela vontade de que Deus pode até mesmo transformar em pecado a própria oração duma pessoa. (Sal.109:7, 8, 14) Uma vez que o pecado é uma à própria pessoa de Deus, ele não é indiferente ao pecado, e, à medida que sua gravidade aumenta, a indignação e a ira dele compreensivelmente também aumentam. (Rom. 1:18; Deut. 29:22-28; Jó 42:7; Sal. 21:8, 9) Sua ira, contudo, não é unicamente devida ao envolvimento de sua própria pessoa, mas é, igualmente provocada pelo dano e pela injustiça causados aos humanos e, especialmente, a seus servos fiéis. — Isa. 10:1-4; Mal. 2:13-16; 2 Tes. 1:6-10.
A Fraqueza e a ignorância humanas
Jeová leva em conta a fraqueza dos homens imperfeitos que descendem de Adão, de modo que aqueles que sinceramente buscam a Ele podem afirmar: “Ele nem mesmo fez a nós os nossos pecados; nem trouxe sobre nós os que merecemos segundo os nossos erros.” As Escrituras mostram a maravilhosa misericórdia e benevolência que Deus tem demonstrado ao lidar pacientemente com homens feitos de carne. (Sal. 103:2, 3, 10-18) Ele também leva em conta a ignorância como fator contribuinte para os pecados (1 Tim. 1:13; compare com Lucas 12:47, 48), uma vez que tal ignorância não seja voluntária. Aqueles que rejeitam deliberadamente o conhecimento e a sabedoria que Deus lhes oferece, ‘tendo prazer na injustiça’, não são escusados. (2 Tes. 2:9-12; Pro. 1:22-33; Osé. 4:6-8) Alguns são temporariamente desencaminhados da verdade, mas, com ajuda, retornam a ela (Tia. 5:19, 20), enquanto que outros ‘fecham os olhos à luz e se esquecem da purificação anterior de seus pecados’. — 2 Ped. 1:9.
O conhecimento e o pecado imperdoável
Assim, o conhecimento traz maior responsabilidade. O pecado de Pilatos não foi tão grande quanto o dos líderes religiosos judeus que entregaram Jesus ao governador, nem quanto o de Judas, que traiu seu Senhor. (João 19:11; 17:12) Jesus disse aos fariseus de seus dias que, se fossem cegos, não teriam pecado algum, evidentemente querendo dizer que os pecados deles poderiam ser perdoados por Deus à base da ignorância deles; contudo, porque negavam ser ignorantes, ‘seu pecado permanecia’. (João 9:39-41) Eles e outros ‘não tinham desculpa para o seu pecado’, porque eram testemunhas das palavras e das obras poderosas de Jesus, como resultado de o espírito de Deus estar sobre ele. (João 15:22-24; Luc. 4:18) Aqueles que (seja em palavra, seja pelo seu proceder) blasfemavam voluntária e deliberadamente contra o espírito de Deus assim manifesto, eram ‘culpados de pecado eterno’, não sendo possível nenhum perdão. (Mat. 12:31, 32; Mar. 3:28-30; compare com João 15:26; 16:7, 8.) Este poderia ser o caso de alguns que se tornaram cristãos e então, deliberadamente, desviaram-se da pura adoração de Deus. Hebreus 10:26, 27 declara que “se praticarmos o pecado deliberadamente, depois de termos recebido o conhecimento exato da verdade, não há mais nenhum sacrifício pelos pecados, mas há uma certa expectativa terrível de julgamento e há um ciúme ardente que vai consumir os que estão em oposição”.
Em 1 João 5:16, 17, João evidentemente se refere ao pecado voluntário, com conhecimento de causa, ao falar dum “pecado que incorre em morte”, contrastando-se com aquele que não incorre. (Compare com Números 15:30.) Nos casos em que a evidência indica tal pecado voluntário, com conhecimento de causa, o cristão não oraria a favor de tal ofensor. Deus, naturalmente, é o Juiz final quanto a qual é a atitude de coração do pecador, mas, em tais casos, o cristão não se arrisca a tornar a sua oração algo vão ou que desagrada a Deus. — Compare com Jeremias 7:16; Mateus 5:44; Atos 7:60.
Um único pecado versus a prática do pecado
João também diferencia um único pecado da prática do pecado, segundo indicado por uma comparação de 1 João 2:1 com 3:4-8, conforme vertidos pela Tradução do Novo Mundo. Quanto a ser correta a tradução “todo aquele que pratica pecado [poión ten hamartian]” (1 João 3:4), a obra Word Pictures in the New Testament (Quadros Verbais no Novo Testamento; Vol. VI, p. 221), de Robertson, afirma: “O particípio presente ativo (poion) significa o hábito de praticar o pecado.” Quanto ao V. 6, onde no texto grego se emprega a frase oukh hamartánei, a mesma autoridade comenta (p. 222): “O presente linear . . . indicativo ativo de hamartano, ‘não persiste em pecar’.” Assim, o cristão fiel pode, alguma vez, recair ou cair no pecado, devido à fraqueza ou a ser desencaminhado, mas ele ‘não pratica pecado’ por continuar a andar nele. — 1 João 3:9, 10; compare com 1 Coríntios 15:33, 34; 1 Timóteo 5:20.
Ser partícipe dos pecados dos outros
A pessoa pode-se tornar culpada de pecar perante Deus por meio de sua associação voluntária com malfeitores e/ou por aprovar o erro deles. (Compare com Salmo 50:18, 21.) Os que permanecem na simbólica cidade de “Babilônia, a Grande”, por conseguinte, ‘recebem parte das suas pragas’. (Rev. 18:2, 4-8) Um cristão, por associar-se com alguém que abandona o ensino de Cristo, ou até mesmo por ‘cumprimentá-lo’, torna-se “partícipe das suas obras iníquas”. — 2 João 9-11; compare com Tito 3:10, 11.
Paulo avisou a Timóteo para que não fosse “partícipe dos pecados de outros”. (1 Tim. 5:22) As palavras precedentes de Paulo quanto a ‘nunca pôr as mãos apressadamente sobre nenhum homem’ precisam referir-se à autoridade que fora concedida a Timóteo de designar “anciãos” ou “superintendentes” nas congregações. Ele não devia nomear um homem recém-convertido, pois este poderia ficar enfunado de orgulho; caso Timóteo deixasse de acatar este conselho, ele assumiria, razoavelmente, uma parcela da responsabilidade por quaisquer erros que tal pessoa cometesse. — 1 Tim. 3:6.
Toda uma nação podia-se tomar culpada de pecado perante Deus, à base dos princípios acima. — Pro. 14:34.
OS PECADOS CONTRA OS HOMENS E CONTRA DEUS E CRISTO
Visto que somente Deus é o padrão de justiça e de bondade, os pecados cometidos contra os humanos não são falhas em ajustar-se à ‘imagem e à semelhança’ de tais pessoas, mas são uma falha de respeitar ou de cuidar dos seus legítimos e corretos interesses, assim cometendo-se uma ofensa contra elas, causando-lhes danos injustos. (Juí. 11:12, 13, 27; 1 Sam. 19:4, 5; 20:1; 26:21; Jer. 37:18; 2 Cor. 11:7) Jesus delineou os princípios orientadores a seguir quando se observasse outrem pecar. (Mat. 18:15-17) Mesmo que o irmão duma pessoa pecasse contra ela setenta e sete vezes, ou sete vezes num único dia, tal ofensor devia ser perdoado se, ao ser censurado, mostrasse arrependimento. (Mat. 18:21, 22; Luc. 17:3, 4; compare com 1 Pedro 4:8.) Pedro fala dos servos domésticos como sendo esbofeteados por pecados cometidos contra seus amos. (1 Ped. 2:18-20) Um indivíduo pode pecar contra a autoridade constituída por deixar de lhe mostrar o devido respeito. Paulo se declarou inocente de qualquer pecado “contra a Lei dos judeus, [ou] contra o templo, [ou] contra César”. — Atos 25:8.
Os pecados contra os humanos, todavia, são também pecados contra o Criador, ao qual os homens terão de prestar contas. (Rom. 14:10, 12; Efé. 6:5-9; Heb. 13:17) Deus, que impediu que Abimeleque tivesse relações sexuais com Sara, disse àquele rei filisteu: “Também te refreei de pecar contra mim.” (Gên. 20:1-7) José reconhecia, similarmente, que o adultério era um pecado contra o Criador o homem e da mulher, e o Formador da união matrimonial (Gên. 39:7-9), assim como também o fez o Rei Davi. (2 Sam. 12:13; Sal. 51:4) Pecados tais como o roubo, a fraude ou a apropriação indébita da propriedade de outrem, são classificados na Lei como ‘comportamento infiel para com Jeová’. (Lev. 6:2-4; Núm. 5:6-8) Os que endureciam o coração e eram pães-duros para com seus irmãos pobres, e os que retinham o salário dos trabalhadores, ficavam sujeitos à reprovação divina. (Deut. 15:7-10; 24:14, 15; compare com Provérbios 14:31; Amós 5:12.) Samuel declarou ser ‘inconcebível da sua parte pecar contra Jeová por deixar de orar’ a favor de seus co-israelitas, e segundo o pedido deles. — 1 Sam. 12:19-23.
Assim, ao passo que todos os pecados, em realidade, são pecados contra Deus, Jeová considera alguns pecados como sendo mais diretamente contra a Sua própria pessoa, tais como a idolatria (Êxo. 20:2-5; 2 Reis 22:17), a falta de fé (Rom. 14:22, 23; Heb. 10:37, 38; 12:1), o desrespeito pelas coisas (Núm. 18:22, 23), e todas as formas de adoração falsa. (Osé. 8:11-14) É sem dúvida por causa disso que o sacerdote Eli disse a seus filhos, que desrespeitavam o tabernáculo e o serviço de Deus, que “se um homem pecar contra um homem, Deus arbitrará por ele [compare com 1 Reis 8:31, 32]; mas se o homem pecar contra Jeová, quem é que vai orar por ele?” — 1 Sam.2:22-25; compare com Vv. 12-17.
Pecar contra o próprio corpo
Ao avisar sobre a fornicação, Paulo declara que “todo outro pecado que o homem possa cometer é fora de seu corpo, mas quem pratica fornicação está pecando contra o seu próprio corpo”. (1 Cor. 6:18) A fornicação, em seu sentido amplo, inclui o adultério. (Veja FORNICAÇÃO.) O contexto mostra que Paulo estava ressaltando que os cristãos deviam unir-se a seu Senhor e Cabeça, Cristo Jesus. (Vv. 13-15) O fornicador, de forma errada e pecaminosa, torna-se uma só carne com a outra pessoa (amiúde de uma meretriz). (Vv. 16-18) Visto que nenhum outro pecado pode assim separar o corpo do cristão da união com Cristo e fazer com que se torne “um só” com outrem, é evidentemente por isso que todos os demais pecados são considerados como sendo ‘fora do corpo’. A fornicação também pode resultar em danos irreparáveis para o corpo do próprio fornicador.
PECADOS COMETIDOS POR ANJOS
Visto que os filhos espirituais de Deus devem também refletir a glória de Deus e trazer-lhe louvor, cumprindo a Sua vontade (Sal. 148:1, 2; 103:20, 21), eles podem pecar no mesmo sentido básico que os humanos. Mostra 2 Pedro 2:4 que alguns filhos espirituais de Deus deveras pecaram, sendo ‘entregues a covas de profunda escuridão, sendo reservados para o julgamento’. Evidentemente 1 Pedro 3:19, 20 se refere à mesma situação, ao falar dos “espíritos em prisão, os quais outrora tinham sido desobedientes, quando a paciência de Deus esperava nos dias de Noé”. E Judas 6 indica que o ‘errar o alvo’ ou pecar, por parte de tais criaturas espirituais, deu-se por que “não conservaram a sua posição original, mas abandonaram a sua própria moradia correta”, tal moradia correta logicamente se referindo aos céus da presença de Deus.
Uma vez que o sacrifício de Jesus Cristo não abrange nenhuma provisão para cobrir os pecados das criaturas espirituais, não existe nenhuma razão para se crer que os pecados de tais anjos desobedientes fossem perdoáveis. (Heb. 2:14-17) Semelhante a Adão, eram criaturas perfeitas, não tendo nenhuma fraqueza inata que pudesse ser considerada como fator atenuante em se julgar o erro delas. — Veja ARREPENDIMENTO; PERDÃO; RECONCILIAÇÃO; RESGATE (REDENÇÃO).
EVITAR O PECADO
O amor a Deus e o amor ao próximo são os principais meios de se evitar o pecado, que é agir contra a lei, pois o amor é uma qualidade notável de Deus; ele fez do amor o alicerce de sua Lei para Israel. (Mat. 22:37-40; Rom. 13:8-11) Desta forma, o cristão pode, não alienar-se de Deus, mas ficar em jubilosa união com Ele e com seu Filho. (1 João 1:3; 3:1-11, 24; 4:16) Tais pessoas se submetem à orientação do espírito santo de Deus e podem ‘viver quanto ao espírito, do ponto de vista de Deus’, desistindo dos pecados (1 Ped. 4:1-6) e produzindo, os frutos justos do espírito de Deus, em lugar dos frutos iníquos da carne pecaminosa. (Gál. 5:16-26) Podem, assim, obter sua libertação do domínio do pecado. — Rom. 6:12-22.
Tendo fé na segura recompensa de Deus pela justiça (Heb. 11:1, 6), a pessoa pode resistir ao convite do pecado para compartilhar do seu usufruto temporário. (Heb. 11:24-26) Conhecendo ser impossível fugir da regra de que “o que homem semear, isso também ceifará”, uma vez que “de Deus não se mofa”, a pessoa se vê protegida dos enganos do pecado. (Gál. 6:7 8) Ela compreende que não é possível ocultar para sempre os pecados (1 Tim. 5:24) e que, “embora o pecador faça o mal cem vezes e continue por longo tempo conforme quiser”, todavia, “resultará em bem para os que temem o verdadeiro Deus”, mas que isto não sucederá com o iníquo que não teme a Deus. (Ecl. 8:11-13; compare com Números 32:23; Provérbios 23:17, 18.) Quaisquer riquezas materiais que os iníquos possam ter obtido não lhes comprará a proteção de Deus (Sof. 1:17, 18), e, deveras, com o tempo, as riquezas do pecador resultarão ser “algo entesourado para o justo”. (Pro. 13:21, 22; Ecl. 2:26) Os que, pela fé, se empenham pela justiça, podem evitar levar a “carga pesada”, a perda da paz mental e de coração, a fraqueza da doença espiritual, que o pecado acarreta. — Sal. 38:3-6, 18; 41:4.
O conhecimento da palavra de Deus constitui a base de tal fé, e o meio de fortalecê-la. (Sal. 119:11; compare com 106:7.) A pessoa que age precipitadamente sem primeiro procurar conhecer o caminho a seguir, ‘errará o alvo’, pecando. (Pro. 19:2) Discernir que “um único pecador pode destruir a muito bem” faz com que a pessoa justa procure agir com genuína sabedoria. (Compare com Eclesiastes 9:18; 10:1-4.) É um proceder sábio evitar más associações com os que praticam a adoração falsa, com as pessoas de inclinações imorais, pois tais associações enredam a pessoa a pecar e corrompem hábitos úteis. — Êxo. 23:33; Nee. 13:25, 26; Sal. 26:9-11; Pro. 1:10-19; Ecl. 7:26; 1 Cor. 15:33, 34.
Há, certamente, muitas coisas que podem ser feitas ou não, ou que podem ser feitas de um modo ou de outro, sem qualquer condenação de pecado. (Compare com 1 Coríntios 7:27, 28.) Deus não quis envolver o homem em infindáveis instruções que governassem cada mínimo pormenor de como as coisas deviam ser feitas. Evidentemente, o homem devia utilizar a sua inteligência, e também dispunha de amplo grau de liberdade para demonstrar sua personalidade e suas preferências individuais. O pacto da Lei continha muitos regulamentos; todavia, nem mesmo isto privou os homens de sua liberdade de expressão pessoal. O cristianismo, com sua forte ênfase ao amor a Deus e ao próximo como regra orientadora, permite similarmente aos homens a mais ampla liberdade que a pessoa de coração justo poderia desejar. — Compare com Mateus 22:37-40; Romanos 8:21.
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PecaíasAjuda ao Entendimento da Bíblia
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PECAÍAS
[Jeová abriu os olhos]. Rei de Israel, em Samaria, e filho e sucessor de Menaém. Seu curto reinado de dois anos (c. 780-778 AEC) foi assinalado pela mesma adoração idólatra do bezerro introduzida por Jeroboão e permitida por Menaém. Peca, o ajudante-de-ordens de Pecaías, conspirou contra ele, matou-o e começou a reinar no lugar dele. — 2 Reis 15:22-26.
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PecodeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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PECODE
[voltar a atenção, trazer punição]. Pelo visto, este era o nome duma área na vizinhança da cidade de Babilônia. Os homens de Pecode achavam-se entre os que deviam ser incluídos nas forças militares destinadas a executar o julgamento de Jeová contra a infiel Jerusalém. (Eze. 23:4, 22-26) Mais tarde, a própria Pecode devia ser condenada à destruição. — Jer. 50:21.
Pecode é, em geral, identificada com a Puqudu das inscrições assírias. A “Inscrição de Nimrud”, de Tiglate-Pileser III, indica que Pecode foi anexada ao Império Assírio e se localizava nas proximidades do Elão. Assim sendo, caso seja corretamente identificada com Puqudu, parece que Pecode se localizava a E do Tigre, e ao N da confluência desse rio com o Carque.
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