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  • O pecado — ainda importa?
    A Sentinela — 1981 | 1.° de junho
    • O pecado — ainda importa?

      “COMO nação, oficialmente já deixamos de ‘pecar’ há uns vinte anos.” Este é o comentário do Dr. Karl Menninger no seu livro Que Fim Levou o Pecado, publicado em inglês. Ele observou que a última vez que um presidente estadunidense mencionou o pecado como de grande preocupação nacional foi numa proclamação em 1953.

      Em países orientais, o conceito do pecado usualmente não é tão importante assim como, digamos, o conceito da honra ou da piedade filial. Mas, nos países ocidentais, antigamente, era considerado como de vital importância. Se alguém era acusado de pecar, era assunto extremamente sério. Hoje em dia, as coisas parecem ter mudado. Quando alguém diz que pecou, costuma fazer isso com rosto meio sorridente. O pecado não é mais algo temível. É assim que deve ser encarado?

      Exatamente o que é pecado? A verdade é que muitos nem mesmo têm mais certeza do que é. Antigamente, os homens falavam sobre os “sete pecados capitais”: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Hoje, essas tendências parecem ser comuns. A soberba é estimulada por coisas tais como o orgulho nacional ou racial. É difícil de ver como a sociedade de consumo em muitos países ricos poderia continuar sem certa medida de avareza, inveja e gula entre a população. O adultério, o homossexualismo e a fornicação — variantes da luxúria — são tolerados e estimulados, até mesmo por alguns líderes religiosos. E a preguiça é ativamente incentivada por invenções modernas tais como a televisão.

      Opinião de Quem?

      Às vezes, as pessoas dizem: ‘Ora, enquanto você se deixa guiar pela sua consciência, não vai cometer nenhum pecado.’ É verdade que nossa consciência é uma ajuda dada por Deus para reconhecermos o que é bom e o que é mau. Se não fosse a consciência, a Sociedade humana provavelmente já há muito tempo teria caído no completo caos e no barbarismo. — Rom. 2:14, 15.

      Mas a consciência também pode ser enganosa. Por exemplo, a maioria das pessoas reconhece o assassinato como pecado. Mas o assassinato foi sancionado em sentido religioso para os adoradores da deusa hindu Cali, bem como para os inquisitores católicos romanos da Idade Média. Jesus advertiu seus seguidores: “Vem a hora em que todo aquele que vos matar imaginará que tem prestado um serviço sagrado a Deus.” (João 16:2) Mesmo hoje, até 50 milhões de bebês por nascer estão sendo assassinados cada ano por meio de aborto, muitas vezes com a aprovação da lei do país.

      Além disso, alguns têm uma aptidão notável para amoldar a sua consciência. Conforme se disse de certo estadista, sua consciência se torna mais “cúmplice” do que “guia”. Assim é verdade que a maioria consideraria o furto como pecado, especialmente se for o seu dinheiro que é furtado. Mas, um dos maiores problemas com o crime, nos Estados Unidos, é o crime comercial, envolvendo coisas tais como pequenos furtos, fraudes nos seguros, subornos e “comissões” fraudulentas. Milhões de pessoas comuns participam nisso. Será que a consciência delas as incomoda? Evidentemente que não. Por que não? Talvez porque não são expostas ou porque “todo mundo o faz”.

      Portanto, embora a consciência tenha um papel a desempenhar no reconhecimento do que é pecado, parece precisar de orientação. Mas donde provém tal orientação? Amiúde, os que afirmam ser autoridades no assunto se contradizem uns aos outros.

      Por exemplo, na Igreja Católica Romana, antigamente era considerado pecado comer carne na sexta-feira. Hoje em dia, na maioria das sextas-feiras do ano, isso não se dá mais. Muitos perguntam: ‘Qual é a diferença entre aquele tempo e agora?’

      Esta mesma organização religiosa encara como pecado sério usar meios “artificiais” para a limitação da família. No entanto, muitos, mesmo católicos, encaram com alarme a explosão demográfica da terra e agora pensam de modo diferente. Eles, sem dúvida, concordam com os comentários do Dr. Karl Menninger: “A crueldade, a indiferença, a falta de comedimento na reprodução, ou a ignorância e a indiferença para com as suas conseqüências mundiais parecem-me ser a expressão dum pecado assaz atroz.” Qual é o pecado: limitar ou estimular o crescimento da população?

      Essas coisas causam confusão na mente das pessoas. Uma pesquisa recente sobre os católicos romanos dos Estados Unidos verificou “na maioria dos católicos a ausência duma idéia clara do que é pecado”. Muitos admitem que estão “confusos quanto ao que é pecado”, e, por isso, “não têm certeza do que devem confessar”.

      Alguns intelectuais até mesmo questionam que o pecado ainda exista. Preferem falar mais sobre “doença” do que sobre “pecado”. Sobre Jim Jones, promulgador do recente suicídio em massa de seus seguidores na Guiana, um teólogo citado na revista Time comentou: “Acho que aquilo que realmente acontece com pessoas tais como Hitler e Jones simplesmente é doença psicológica. Parece-me que a única reação é ter dó de todos os envolvidos, não horror moral.”

      Importa Realmente?

      Em vista desta ampla diversidade de opiniões, será mesmo que o pecado ainda importa? Ora, se nos importarmos com a nossa família e o nosso próximo, se quisermos ter uma esperança quanto ao futuro e desejarmos levar agora uma vida feliz e satisfatória, então a resposta tem de ser “sim”.

      O “pecado” é às vezes definido como “violação duma lei religiosa ou dum princípio de moral”. A menção da “lei religiosa” faz lembrar que, na realidade, o único que nos pode dizer com autoridade o que é pecado e como evitá-lo é o Autor da religião verdadeira, Jeová Deus. Ele criou o homem para viver segundo certas leis de moral. Se violarmos as leis naturais — tais como a lei da gravidade — o resultado pode ser desastroso. De maneira similar, se violarmos as leis de moral de Deus — quer dizer, se pecarmos — o resultado, por fim, pode ser igualmente desastroso. A Bíblia adverte-nos: “Não vos deixeis desencaminhar: De Deus não se mofa. Pois, o que o homem semear, isto também ceifará.” — Gál. 6:7.

      O efeito calamitoso do pecado sobre a pessoa é revelado nas seguintes palavras de Ezequiel 18:4: “A alma que pecar — ela é que morrerá.” O mau efeito dele sobre nações inteiras é demonstrado em Provérbios 14:34, que diz: “A justiça é o que enaltece uma nação, mas o pecado é uma ignomínia para os grupos nacionais.”

      Sim, o pecado importa. Para o nosso próprio bem, temos de reconhecer o que é e temos de aprender a evitá-lo. Como é isso possível? Vejamos isso nos artigos que seguem.

  • É verdade que “todos pecaram”?
    A Sentinela — 1981 | 1.° de junho
    • É verdade que “todos pecaram”?

      JÁ SE perguntou porque o homem, apesar de todos os esforços de pessoas sinceras, ainda não conseguiu solucionar a maioria dos seus problemas prementes? Por que é que, embora tenha uma visão bastante clara do que deseja — paz, prosperidade, felicidade, isenção de doença — ele parece ficar cada vez mais afastado desses alvos desejáveis?

      Um dos principais motivos é encontrado nas seguintes palavras do apóstolo Paulo: “Todos pecaram e não atingem a glória de Deus.” (Rom. 3:23) Sim, a maioria dos empenhos da humanidade foram frustrados pela pecaminosidade do homem.

      Alguns talvez questionem a observação do apóstolo Paulo. Talvez digam: ‘Como posso crer que sou pecador? Não faço mal a ninguém. Levo uma vida pacata e não causo dificuldades. Que pecados cometo?’ A verdade, porém, é que o pecado envolve mais do que apenas prejudicar o próximo ou causar dificuldades. Sim, estas coisas são pecados, e evitá-los é elogiável. Mas a palavra “pecado” tem aplicação mais ampla. Paulo associou-o com ‘não atingir a glória de Deus’. Portanto, tem que ver com nossa relação com o nosso Criador, Jeová Deus.

      As palavras traduzidas por “pecado” nas nossas Bíblias modernas originalmente continham a idéia de “errar o alvo” da perfeita obediência. Obediência a quê? À vontade de Deus. Por isso, um moderno dicionário bíblico diz: “O pecado é tanto o afastamento da relação de fidelidade para com Deus como a desobediência aos mandamentos e as leis.” Sendo assim, somente o próprio Deus pode dizer-nos com autoridade o que ele considera como pecado, e ele fez isso na Bíblia.

      Alguns Exemplos de Pecado

      Em primeiro lugar, muitas coisas que se tornam aceitáveis no mundo moderno realmente são erradas. A Bíblia diz: “Nem fornicadores, nem idólatras, nem adúlteros, nem homens mantidos para propósitos desnaturais, nem homens que se deitam com homens, nem ladrões, nem gananciosos, nem beberrões, nem injuriadores, nem extorsores herdarão o reino de Deus.” (1 Cor. 6:9, 10) Sim, o adultério, a fornicação e o homossexualismo são pecados. E assim também é furtar.

      É verdade que muitos evitam a imoralidade e o furto, e isso é bom. Mas, há outros pecados. Nossa maneira de falar, bem como nossas ações, podem ser pecaminosas. Mentir é pecado. Assim também é a calúnia, a linguagem irada e a ultrajante. (Col. 3:9; Sal. 101:5; Efé. 4:31) Paulo disse adicionalmente: “Não murmureis, como alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor.” (1 Cor. 10:10, Imprensa Bíblica Brasileira) Tiago condena a fanfarrice, ao passo que Paulo adverte-nos contra a conversa tola e as piadas obscenas. (Tia. 4:16; Efé. 5:4) Pode alguém de nós dizer honestamente que ele nunca pecou pelo menos em uma das maneiras mencionadas? Isto é duvidoso. Tiago, irmão de Jesus, disse: “Se alguém não tropeçar em palavra, este é homem perfeito.” (Tia. 3:2) Pode alguém de nós afirmar que é perfeito? Não.

      Este mesmo discípulo citou outra maneira em que podemos pecar. Ele disse: “Se alguém souber fazer o que é direito e ainda assim não o faz, é pecado para ele.” (Tia. 4:17) Como pode ser isso? Pois bem, imagine um homem andando pela calçada, quando de repente uma criança sai correndo diante dele, dum jardim, para a rua movimentada. O que se dá quando o homem está em condições de salvar a criança de ser atropelada, mas simplesmente não faz caso e segue andando. É verdade que não faz nada de errado. Mas, o fato de que deixou de fazer algo para ajudar a criança é um pecado para ele. Quantas vezes deixamos todos de agir de maneira realmente amorosa para com o nosso próximo ou para com Deus? Cada vez que falhamos, é um pecado.

      As atitudes erradas também podem ser pecaminosas. A altivez e a arrogância são condenadas pela Bíblia, assim como a covardia. (Pro. 21:4; Rev. 21:8) Mesmo pensamentos errados são pecaminosos. O último dos Dez Mandamentos declara: “Não deves desejar a casa do teu próximo. Não deves desejar a esposa do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu touro, nem seu jumento, nem qualquer coisa que pertença ao teu próximo.” — Êxo. 20:17.

      Como podemos impedir que desejos errados nos venham à mente? Talvez por nos preocuparmos com algo sadio. Mas, se isso não funcionar, simplesmente temos de reconhecer o que são e combatê-los. (1 Cor. 9:27) Esses desejos errados são pecados aos olhos de Deus. — Pro. 21:2.

      Finalmente, a religião falsa pode levar-nos ao pecado. Fora de práticas erradas tais como a idolatria e o espiritismo, que são expressamente proibidos na Bíblia, mostra-se que meramente pertencer a uma religião falsa já é pecado. O último livro da Bíblia diz, descrevendo a religião falsa como uma grande cidade mundial, chamada Babilônia, a Grande: “Saí dela, povo meu, se não quiserdes compartilhar com ela nos seus pecados e se não quiserdes receber parte das suas pragas”. (Rev. 18:4) A religião falsa é culpada de graves pecados. Ela tem difamado o único Deus verdadeiro, tem perseguido os verdadeiros servos de Deus e se tem metido na política. Todos os que pertencem à religião falsa compartilham nestes pecados, por apoiarem organizações que os praticam.

      Por Que Somos Pecaminosos?

      Fizemos referência apenas a alguns dos modos em que podemos cair no pecado. Muitos outros são especificados na Bíblia. Depois de considerá-los, talvez chegue a conclusão de que é impossível evitar o pecado, dum modo ou doutro. Provavelmente concorde com o Rei Salomão, que disse: “Não há homem que não peque.” (1 Reis 8:46) O próprio Deus observou: “A inclinação do coração do homem é má desde a sua mocidade.” (Gên. 8:21) Sim, muitas coisas nos induzem a pecar, em especial, porém, a fraqueza da nossa própria carne.

      Por que deve ser assim? É uma questão de hereditariedade. Nossos primeiros pais, Adão e Eva, não tiveram originalmente este problema. Eram perfeitos e podiam fazer decisões equilibradas e razoáveis quanto ao pecado. Mas, fizeram uma escolha errada, decidindo rebelar-se contra Deus, e, por isso, caíram da perfeição para a imperfeição. Por causa disso, legaram a todos os seus filhos tendências pecaminosas e erradas. O apóstolo Paulo explicou isso do seguinte modo: “Por intermédio de um só homem [Adão] entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” — Rom. 5:12.

      Portanto, mesmo com a melhor motivação do mundo, não podemos evitar pecar. Por que não? O próprio apóstolo Paulo confessou: “O bem que quero, não faço, mas o mal que não quero, este é o que pratico”! (Rom. 7:19) Todos temos o mesmo problema.

      O resultado tem sido desastroso para a humanidade. As melhores intenções dos homens foram frustradas pela sua própria falibilidade. O egoísmo e a ganância resultam em poluição, pobreza e injustiça. A suspeita e a desconfiança causam instabilidade nas relações internacionais, bem como na família. A corrupção e o crime impedem os esforços dos países para fazerem progresso. E há pouco que o homem possa fazer quanto a isso.

      Além do mais, em vista da pecaminosidade inerente dos homens, a regra declarada em Romanos 6:23 paira como nuvem sinistra sobre nossa cabeça: “O salário pago pelo pecado é a morte.” Não há nada que possamos fazer por conta própria para evitar a pena de morte pelos nossos pecados, visto que não há nada que possamos fazer para evitar completamente o pecado. Estamos na maior parte à mercê de nossa própria imperfeição.

      É isso tudo? Ficará o homem sempre impedido pelas suas próprias fraquezas de alcançar a realização de seus maiores sonhos e aspirações? Não. Porque há Alguém que nos pode ajudar. O apóstolo Paulo, tendo confessado a sua própria incapacidade de evitar cair no pecado, prossegue: “Homem miserável que eu sou! Quem me resgatará do corpo que é submetido a esta morte?” A resposta dele? “Graças a Deus, por intermédio de Jesus Cristo, nosso Senhor!” (Rom. 7:24, 25) Sim, o reconhecimento de quanto estamos sob o poder do pecado e de nossa incapacidade de ajudarmos a nós mesmos faz com que saibamos avaliar o grande amor e a consideração de Deus, que nos tem ajudado. Mas, como fez isso?

  • A eliminação da mancha do pecado
    A Sentinela — 1981 | 1.° de junho
    • A eliminação da mancha do pecado

      QUANDO Jeová Deus acabou sua atividade criativa, ele examinou tudo o que tinha feito e o declarou “muito bom”. (Gên. 1:31) Tudo o que fizera era perfeito. (Deut. 32:4) Quando este arranjo justo foi invadido pelo pecado, era como se uma indesejável célula cancerosa tivesse invadido um corpo sadio.

      Na realidade, os humanos não foram os únicos a se rebelarem contra Deus e pecarem. A Bíblia fala sobre “os anjos que pecaram”. (2 Ped. 2:4) Foi uma criatura espiritual, Satanás, o Diabo, quem primeiro levou Adão e Eva ao seu proceder errado. (João 8:43, 44) Todavia, não se pode fazer nada por esses espíritos iníquos. Eles haviam sido perfeitos e haviam feito uma escolha deliberada. Portanto, seu pecado era inescusável. A mancha de sua pecaminosidade será eliminada do universo pela sua destruição final no tempo devido de Deus. — Mat. 25:41.

      De maneira similar, Adão e Eva escolheram pecar. Embora criados perfeitos, fizeram deliberadamente o que era errado. Assim se tornaram voluntariamente escravos do pecado, visto que o próprio Jesus explicou: “Todo praticante do pecado é escravo do pecado.” (João 8:34) Por fim, foram eliminados do cenário, quando Deus permitiu que morressem em resultado de sua imperfeição induzida pelo pecado. — Gên. 3:19; 5:5.

      Conosco, porém, é diferente. Nós também somos escravos do pecado, mas não inteiramente por nossa escolha. Somos pecadores porque nascemos assim, como se tivéssemos sido vendidos como escravos já antes de nascermos. (Rom. 5:12; 7:14) Por isso, Jeová Deus, no seu amor e na sua sabedoria, fez a provisão para que pudéssemos sair da escravidão ao pecado, se realmente quiséssemos.

      A Solução do Problema

      Jeová, nos seus tratos com a nação de Israel, mostrou que aceita o princípio da reaquisição. Por exemplo, quando um israelita ficava pobre e tinha de vender-se como escravo a um não-israelita, um parente chegado podia readquiri-lo ou resgatá-lo, se tivesse os meios para isso. (Lev. 25:47-49) O preço era calculado com exatidão, de modo que a reaquisição era inteiramente justa.

      Jeová estabeleceu também o princípio da equivalência ao lidar com a culpa pelo pecado. Por exemplo, quando alguém causou deliberadamente um dano físico a outro israelita, então, segundo a justiça, ele tinha de sofrer a mesma espécie de dano. A lei especificava “alma por alma, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, pancada por pancada” — Êxo. 21:23-25.

      Comparavelmente, Deus permite a reaquisição da humanidade da escravidão ao pecado, mas isso tem de se dar de acordo com a justiça. O preço pago tem de ser correto, não trivial, como se aquilo que se recompra não tivesse valor real. Qual é o preço? Ora, pense um pouco. O que Adão perdeu foi uma vida humana perfeita, sem pecado, com a perspectiva de viver para sempre. Era algo bem valioso.

      Nada do que o homem possui equipara-se a isso em valor. Mesmo os homens mais ricos do mundo têm de morrer algum dia. Toda a sua prata e ouro não podem prolongar nem mesmo esta vida imperfeita, muito menos ainda comprar a vida eterna. O salmista inspirado disse: “Nenhum deles pode de modo algum remir até mesmo um irmão, nem dar a Deus um resgate por ele . . . que ele ainda assim viva para sempre e não veja a cova.” (Sal. 49:7-9) Por isso, a ajuda tinha de vir de fora da raça humana.

      Deus revelou pela primeira vez o seu propósito de prover esta ajuda logo depois de Adão e Eva terem escolhido o pecado, em vez de a obediência. Ele predisse a vinda dum “descendente” que se oporia à influência da iníqua criatura espiritual que havia levado a humanidade à pecaminosidade. (Gên. 3:15) Por meio de revelações sucessivas, ele identificou a família que produziria este descendente ou descendência. Por fim, essas revelações enfocaram um casal de noivos, chamados José e Maria, que viviam na Palestina durante o tempo do Império Romano. — Gên. 22:15-18; 49:10; Luc. 1:26-35.

      Este casal ficou sabendo que Maria iria ter um filho, o qual desempenharia uma parte vital na eliminação da mancha do pecado da criação de Deus. O anjo de Jeová informou José num sonho: “José, filho de Davi, não tenhas medo de levar para casa Maria, tua esposa, pois aquilo que tem sido gerado nela é por espírito santo. Ela dará à luz um filho, e terás de dar-lhe o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos pecados deles.” (Mat. 1:20, 21) Por fim havia ali alguém que podia “remir até mesmo um irmão”.

      Jesus nasceu como filho de Maria, e, portanto, era realmente judeu da família de Davi. No entanto, conforme foi revelado mais tarde, ele teve realmente uma existência pré-humana no céu. Sua vida foi transferida pelo poder milagroso de Jeová para o ventre de Maria, para que o Filho de Deus pudesse nascer como homem. (João 1:1-3, 14) Desta maneira, Jesus não herdou a pecaminosidade que havia aleijado toda a humanidade até o seu tempo. Igual a Adão, era perfeito. Dessemelhante de Adão, permaneceu obediente. Portanto, único na história humana, Jesus era um homem que nunca pecou. O apóstolo Pedro disse: “Ele não cometeu pecado, nem se achou engano na sua boca.” Paulo explicou que Jesus era “leal, cândido, imaculado, separado dos pecadores”. — 1 Ped. 2:22; Heb. 7:26.

      Jesus possuía assim a única coisa equivalente em valor à duma vida humana perfeita: outra vida humana perfeita. Quando morreu, sua morte não era “o salário pago pelo pecado”. (Rom. 6:23) Jesus não mereceu morrer. Por isso, na sua morte, ele sacrificou algo que era o equivalente exato da vida perfeita que Adão havia perdido. — 1 Tim. 2:6.

      O sacrifício de Jesus tem o efeito exatamente oposto ao do pecado de Adão. O apóstolo Paulo disse: “Assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados.” (1 Cor. 15:22) Jesus pôde usar sua vida humana perfeita como preço para comprar a humanidade de volta do pecado. “Ele se entregou pelos nossos pecados, a fim de nos livrar do atual sistema iníquo de coisas, segundo a vontade de nosso Deus e Pai.” — Gál. 1:4.

      Alívio do Pecado

      De modo que existe agora uma saída para a humanidade! Pagou-se um preço redentor. Significa isso que todos ficarão agora automaticamente livres da escravidão ao pecado e serão restabelecidos em perfeição? De modo algum. A maneira de funcionar esta provisão foi explicada pelo próprio Jesus, que disse: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, a fim de que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” (João 3:16) Sim, os que exercerem fé em Jesus Cristo, por meio de quem Deus fez a provisão do resgate, usufruirão a vida eterna de que foram privados pela desobediência deliberada de Adão.

      Mesmo já agora, os que realmente aceitam o sacrifício de Jesus derivam benefícios. Naturalmente, ainda são imperfeitos. O tempo de Deus para restabelecer a humanidade na literal perfeição humana ainda não chegou. Mas, se cometerem um pecado, por causa da imperfeição, isto não romperá irremediavelmente sua relação com o seu Pai celestial. O apóstolo João escreveu: “Escrevo-vos estas coisas para que não cometais pecado. Contudo, se alguém cometer pecado, temos um ajudador junto ao Pai, Jesus Cristo, um justo.” (1 João 2:1, 2) Sim, caso caiamos no pecado, por causa da imperfeição, podemos orar a Deus à base do sacrifício de Jesus, confiantes em que Jeová nos perdoará. — 1 João 1:7-9.

      Significa isso, então, que o pecado realmente não importa mais? Por causa desta provisão amorosa, será que podemos agora cometer qualquer pecado que queiramos, com a certeza de que seremos perdoados por causa do sacrifício de Jesus? Não, não é absolutamente assim. Se quisermos tirar proveito desta provisão, teremos de demonstrar a mesma atitude para com o pecado que Jesus tinha. Ele ‘ama a justiça e odeia o que é contra a lei’, e nós devemos fazer o mesmo. (Heb. 1:9) Iguais a Paulo, devemos ‘amofinar o nosso corpo e conduzi-lo como escravo’, para vencer a tendência ao pecado. (1 Cor. 9:27) Isto envolve entender bem o que é pecado e lutar para resistir a ele. Deus nos ajudará, e isso pode resultar na nossa verdadeira transformação como pessoa. — Rom. 12:2.

      No entanto, se não combatermos nossas tendências pecaminosas, pode acontecer que se apliquem a nós as palavras adicionais de Paulo: “Pois, se praticarmos o pecado deliberadamente, depois de termos recebido o conhecimento exato da verdade, não há mais nenhum sacrifício pelos pecados, mas há uma certa expectativa terrível de julgamento.” — Heb. 10:26, 27.

      Finalmente, os que demonstram que, apesar de sua carne imperfeita, desejam realmente escapar da escravidão ao pecado têm uma perspectiva ainda mais maravilhosa. Promete-se-lhes a oportunidade de viverem numa nova ordem em que o pecado será coisa do passado. Terá sido completamente eliminado da criação de Deus. Nesse tempo, “não se fará dano, nem se causará ruína em todo o meu santo monte; porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová assim como as águas cobrem o próprio mar”. (Isa. 11:9) O salmista inspirado promete-nos que “o iníquo [ou o deliberadamente pecaminoso] não mais existirá”. Ao contrário, “os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz”. — Sal. 37:10, 11.

      Todos os resultados maus do pecado — a doença, a morte e o alheamento de Deus — serão coisas do passado. (Rev. 21:3, 4) Em vez disso, cumprir-se-á plenamente o propósito de Deus para com esta terra. — Mat. 6:9, 10.

      Sim, graças ao sacrifício resgatador de Jesus, a humanidade crente tem finalmente a maravilhosa oportunidade de sair da escravidão ao pecado. Por isso, é bem oportuno o incentivo do salmista: “Desvia-te do que é mau e faze o que é bom, e reside assim por tempo indefinido. Porque Jeová ama a justiça e ele não abandonará aqueles que lhe são leais. Hão de ser guardados por tempo indefinido.” — Sal. 37:27, 28.

  • Livro caro
    A Sentinela — 1981 | 1.° de junho
    • Livro caro

      Antes de Martinho Lutero produzir a sua tradução, já existiam, em alemão, versões impressas da Bíblia. Uma edição manuscrita, em alemão, de cerca de 1350 E.C., foi primeiro impressa em 1466. Quanto custava? Aproximadamente “o equivalente a uma casa na cidade ou a quatorze bois cevados”. — “The Cambridge History of the Bible”, Vol. 3 pp. 94, 95, 423.

  • O que proporciona verdadeira paz mental?
    A Sentinela — 1981 | 1.° de junho
    • O que proporciona verdadeira paz mental?

      PAZ mental? Quem a pode achar hoje neste mundo turbulento? Terroristas amiúde põem em perigo a vida dos outros. Refugiados recorrem à fuga de um país para outro. Há abundância de armas nucleares e elas constituem sentinelas potencialmente mortíferas para toda a raça humana. A inflação consome rapidamente as economias acumuladas e muitas vezes a poupança de toda uma vida. Acrescente a isso as muitas “batalhas” pessoais com problemas de saúde, o pesar causado pela morte dum ente querido — e as miríades de ansiedades compartilhadas por todos, em toda a parte — e isso certamente torna a verdadeira paz mental um item raro na atual sociedade humana.

      Mas, onde é que muitos procuram segurança e a esperada paz mental? Muitas vezes é na posse de dinheiro e de muitas coisas materiais. No entanto, será que isso dá verdadeira paz mental?

      Talvez pareçam assim. Todavia, silenciosamente, quase de modo imperceptível, o valor das coisas materiais diminui com o passar dos anos. Por exemplo, um homem rico talvez tenha muitos ternos caros. Mas, quão imprudente é dar valor demais ao guarda-roupa! Um inseto de quatro asas — especialmente no seu estágio de larva — pode causar grandes estragos na roupa cara. Sim, a traça pode ser ameaça, e, pelo menos até certo ponto, pode privar a pessoa de seu senso de segurança e de sua suposta paz mental. Quanto a isso, até mesmo quando a roupa escapa dos ataques das traças, ela se gasta ou pode ser roubada por um ladrão.

      “Um Tesouro Que Nunca Falha”

      Isaías, profeta de Deus, mostrou que o resultado final de seus opositores obstinados seria comparável ao duma roupa gasta e carcomida pelas traças. Mas, no mesmo contexto, Isaías indicou a verdadeira fonte de segurança e paz mental, dizendo: “Eis que o próprio Soberano Senhor Jeová me ajudará. Quem

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