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Será que Pedro usa agora as chaves do reino?A Sentinela — 1966 | 15 de agosto
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13. (a) Que entendimento tinha Pedro a respeito dos conversos gentios ao Cristianismo pelo seu uso da segunda chave? (b) Que condição perturbadora surgiu na congregação de Antioquia da Síria?
13 Não poder Pedro fechar a porta da oportunidade do Reino pelo uso de nenhuma das chaves, e, em realidade, não serem mais necessárias estas chaves uma vez usadas, é sustentado por certa circunstância que surgiu na congregação de Antioquia. Em Antioquia da Síria foi onde, pela primeira vez, os discípulos de Jesus foram chamados cristãos, pela providência divina. (Atos 11:20-26) Pedro verificara, pelas circunstâncias que cercaram seu uso da segunda chave, que os gentios foram aceitos por Deus. Quando, depois disso, foi a Antioquia, primeiramente costumava ir aos lares dos conversos gentios e a tomar refeições com eles. Nem insistia que eles se circuncidassem como os judeus, antes de comer junto com eles. Mas, certos cristãos judeus vieram de Jerusalém e disseram que Tiago, meio-irmão de Jesus, que era superintendente da congregação ali, era da opinião que os crentes judaicos não se podiam associar com os crentes gentios incircuncisos. Esta era certamente uma questão de fé e de moral. Neste caso, será que Pedro agiu como o principal dos apóstolos ou como o papa? Referimo-nos ao relato:
14. Como reagiu Pedro a esta questão de fé e de moral, e que ação tomou seu co-apóstolo, Paulo?
14 “Quando Cefas [Pedro em aramaico] veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara condenado. Pois, antes da chegada de certos homens da parte de Tiago, ele costumava comer com pessoas das nações; mas, ao chegarem, passou a retirar-se e a separar-se, temendo os da classe circuncisa. Também os demais judeus juntaram-se a ele neste fingimento, de modo que até mesmo Barnabé se deixou levar por eles no seu fingimento. Quando vi, porém, que não estavam andando direito segundo a verdade das boas novas, eu disse a Cefas na frente de todos eles: ‘Se tu, embora sejas judeu, vives como as nações e não como os judeus, como é que compeles as pessoas das nações a viver segundo a prática judaica?” — Gál. 2:11-14.
PERMANECE ABERTA A PORTA DA OPORTUNIDADE
15, 16. (a) Por que foi correta a repreensão dada por Paulo a Pedro? (b) O que, com efeito, tentava Pedro fazer, e será que tinha a autoridade ou o poder de fazê-lo? (c) Como é que Pedro mostrou que o céu não o apoiava no que fez em Antioquia? (d) Como é que Pedro, ao escrever, mostrou que estava em plena harmonia com Paulo?
15 Aqui, o apóstolo Pedro foi publicamente repreendido, e justamente, pois Pedro não andava de forma correta segundo a fé e a moral cristãs. O temor dos homens de novo influenciava Pedro, como o fizera quando negara a Jesus três vezes na noite da traição de Judas Iscariotes. (Mat. 26:31-35, 69-75; Mar. 14:27-31, 66-72; Pro. 29:25) Foi como se Pedro tentasse usar a segunda das chaves do reino do céu para fechar e trancar de novo a porta no rosto dos gentios incircuncisos. Mas, ele não tinha poder de fazer isso, pois o ressuscitado Jesus Cristo disse mais tarde: “Estas coisas diz aquele que é santo, que é verdadeiro, que tem a chave de Davi, que abre de modo que ninguém feche, e fecha de modo que ninguém abra: ‘Conheço as tuas ações — eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar.’” (Rev. 3:7, 8) Portanto, o céu não concordou com o proceder que Pedro seguia em Antioquia. Este rapidamente corrigiu seu proceder, sem dúvida, em harmonia com o conselho de seu co-apóstolo, Paulo. Isto estava em acordo com o que Pedro dissera quando falou no debate a respeito da circuncisão em Jerusalém. (Atos 15:6-11) E admitiu que Paulo falara e escrevera corretamente, quando escreveu em sua segunda carta aos crentes cristãos:
16 “Considerai a paciência de nosso Senhor como salvação, assim como vos escreveu também o nosso amado irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando destas coisas, como faz também em todas as suas cartas. Nelas, porém, há algumas coisas difíceis de entender, as quais os não ensinados e instáveis estão deturpando, assim como fazem também com o resto das Escrituras, para a sua própria destruição.” — 2 Ped. 3:15, 16.
17. (a) O que ensina a Bíblia a respeito de se Pedro, ou um papa, poderia deixar pessoas entrar no céu ou impedi-las de entrar? (b) O que determina se alguém em linha para o reino do céu realmente alcança tal recompensa? (c) A quem, então, pertence o crédito de ter aberto as oportunidades do Reino, e também quanto às bênçãos a ser trazidas à humanidade por aquele reino?
17 Pedro não se considerou um papa infalível, nem pensou que era porteiro do céu. Tudo isto está em harmonia com o restante da Bíblia, que ensina que Jeová Deus, e não Pedro, é o Grande Juiz de seu povo, e Ele usa a Cristo Jesus qual Juiz associado dele. Também aqueles que entram no reino dos céus têm de aproveitar esta oportunidade enquanto estiverem na terra e têm de viver uma vida íntegra. Se a pessoas entrar no céu, isto se dará porque realmente seguiu as pisadas de Jesus na terra. A Jeová Deus vai todo o crédito de Sua bondade imerecida ao abrir o caminho para o reino do céu e escolher aqueles que serão herdeiros do Reino junto com Cristo. De forma correspondente, a Jeová pertence o crédito de fazer arranjos para o domínio do Reino sobre a terra e de estabelecer Seu reino em 1914 E. C., com bênçãos plenas que começarão a ser derramadas sobre a humanidade nesta geração, pela sua bondade imerecida.
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1966 | 15 de agosto
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Perguntas dos Leitores
● Eclesiastes 3:11 diz que Deus colocou o “tempo indefinido” no coração da humanidade. O que significa isso? — M. O., E. U. A.
Eclesiastes 3:11 reza: “Ele [Jeová] fez tudo bem arranjado no seu tempo. Colocou até o tempo indefinido no seu coração, para que a humanidade nunca descubra a obra que o verdadeiro Deus tem feito desde o princípio até o fim.” A palavra hebraica traduzida “tempo indefinido” aqui e nas outras partes da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas é ‘olam’. Relaciona-se com o tempo, tendo a idéia básica de “oculto” ou “escondido” e tem sido definida como significando “tempo oculto, i. e., obscuro e longo, cujo princípio ou fim é incerto ou indefinido”. (A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament, de William Gesenius, 1836, página 746) Algumas traduções de Eclesiastes 3:11 dizem que Deus colocou a “eternidade” no coração da humanidade. (ALA; Leeser, Normal Revisada, Normal Americana, as últimas três em inglês) O contexto mostra que o tempo está sendo considerado. (Ecl. 3:1-8, 17) Por causa disso e do significado básico de ‘olam’, os termos “eternidade” ou “tempo indefinido” são usados mui apropriadamente em Eclesiastes 3:11.
Jeová tem um tempo designado para todas as coisas. (Dan. 2:21, 22; Atos 17:26, 31) Tem feito também tudo belo ou bem arranjado em seu tempo. A ordem e o esplendor da criação, como o processo das estações, ilustra isto. Naturalmente, Eclesiastes 3:11 não significa que Deus colocou literalmente um mecanismo de tempo no coração da pessoa. Refere-se evidentemente à forma em que a apreciação do homem sobre os vários assuntos seriam influenciados pela passagem do tempo. Este texto nos ajuda a compreender que Deus jamais pode ser completamente pesquisado pelo homem. As obras de Jeová são perfeitas, mas até mesmo o homem perfeito na nova ordem prometida de Deus será incapaz de sondar as profundezas da sabedoria de Deus. (Deu. 32:4; Isa. 40:28; 55:8, 9; Rom. 11:33-36) Nas palavras de Eclesiastes 3:11, a humanidade ‘nunca descobrirá a obra que o verdadeiro Deus tem feito desde o princípio até o fim.’ Sempre haverá algo a aprender sobre a obra de Jeová. Por isso, o homem jamais perderá o interesse de aprender a respeito de Deus ou de pesquisar as maravilhas de Sua criação. Embora os habitantes da nova ordem de Deus jamais plenamente ‘descubram a obra que o verdadeiro Deus tem feito’, cada ano que passar, aprenderão cada vez mais a respeito da mesma e apreciarão a grandemente variada sabedoria de Deus.
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