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Fui vítima de queimadurasDespertai! — 1980 | 22 de novembro
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amolecimento. Era cruciante! Especialmente durante as primeiras semanas, quando as crostas se estavam formando! Quando ela movimentava os dedos ou o pulso, as crostas sangravam.
Sabíamos que Darcy se aproximava pelos gritos dos pacientes, ao passo que ela vinha de quarto em quarto. Mas, se não fosse por ela, realmente, teríamos acabado como inválidos. Resolvi que, se tivesse que ser machucado, eu mesmo o faria. De manhã cedo eu começava a manipular as articulações. Quando Darcy chegava a mim, por volta das 13 horas, eu era capaz de realizar os movimentos que ela pedia, e ela seguia em frente. Em resultado de manter esta terapia dolorosa, recobrei o uso quase normal dos dedos, das mãos e dos braços.
Uma parte importante da reabilitação é o combate à depressão. Foi o meu maior problema. A dor angustiante dos tratamentos diários, aparentemente intermináveis, pode ser quase insuportável. O que torna isto tão difícil é que o progresso é muito lento, levando meses, e, para alguns pacientes, até mesmo anos.
A capacidade de fazer coisas fisicamente pode ser limitada. Mesmo dormir é difícil, visto que a pessoa acorda freqüentemente ao se virar sobre uma parte ferida. Nos primeiros dias as enfermeiras me alimentavam. Mas, depois elas inventaram uma conexão às ataduras para encaixar um utensílio de modo que eu pudesse alimentar a mim mesmo. Todavia, amiúde eu simplesmente enfiava o rosto no prato para comer. Nem mesmo podia virar as páginas dum livro para ler.
O que também contribui para a depressão é a preocupação quanto às cicatrizes — com que aparência a pessoa ficará. Sei que eu estava preocupado. Admito que de vez em quando eu ficava bem deprimido e chorava. Mesmo os pacientes mais fortes ficavam deprimidos. Um deles me disse: “Detesto encarar um outro dia.”
Contudo, é importante uma atitude mental positiva para a recuperação. Recordo-me do caso de Judith Byrd. Ela esteve num acidente dum automóvel Pinto, na parte de trás do carro, em que o tanque de gasolina explodiu; os jornais, no ano passado, noticiaram que a família Byrd finalmente conseguiu um acordo de indenização das empresas envolvidas, a que aluga carros e a que os fabrica. Bem, duas semanas depois que cheguei ao centro de queimados, Judith foi trazida com queimaduras em cerca de 55% do corpo.
Alguns dias depois, um dos médicos me disse: “Todos os seus sinais vitais são bons. Ela deve viver, mas não parece desejar isso.” Seu rosto estava muito desfigurado e suas mãos precisaram ser amputadas. Falei um pouco com Judith, e minha família e eu chegamos a conhecer os parentes dela. Ficamos tristes quando Judith faleceu, três meses depois. Como certo médico proeminente disse, ele nunca viu um paciente gravemente enfermo, que perdeu a vontade de viver, recuperar-se.
É compreensível que os pacientes com queimaduras talvez tendam a desistir. Assim, creio eu, nunca é demais enfatizar a necessidade que eles têm de incentivo. Sei que as centenas de cartões e de visitas que recebi, por parte de meus irmãos e irmãs cristãos, realmente me ajudaram. Reconhecendo esta necessidade, o Centro de Queimaduras de Nassau iniciou uma Associação de Amparo às Vítimas de Queimaduras. São feitos arranjos para que pacientes recuperados, como eu, visitem o Centro e animem os que estão passando pelo mesmo tratamento agonizante até os visitantes completaram com bom êxito.
Fazer Enxerto ou Não
Os médicos queriam fazer-me um enxerto de pele. Os enxertos de pele de porco que eu havia recebido no começo eram realmente mais como ataduras. Os únicos enxertos permanentes são os retirados do corpo da própria pessoa — até mesmo enxertos retirados de outras pessoas são finalmente rejeitados.
Notei os problemas que outros pacientes enfrentavam com enxertos de sua própria pele. Era amiúde desanimador quando seus enxertos não pegavam. E havia a dor pela qual passavam ao descolar-se a pele de áreas não queimadas do corpo, e o tempo que levava para estas novas feridas sararem. Eu queria ver se por fim o meu corpo iria restaurar as feridas ainda descobertas nos meus braços. Com o passar do tempo, surpreendentemente mais e mais pele começou a crescer sobre as feridas abertas.
Quando recusei os enxertos de pele, decidiu-se mudar-me para outra parte do hospital. Pedi para ser enviado para casa, onde minha esposa poderia cuidar de mim. Ela fez um trabalho notável, tudo isso além de cuidar dos nossos filhos e de suas tarefas domésticas. Ainda senti muita dor durante meses, mas aos poucos os ferimentos começaram a se fechar.
Poucas semanas depois que saí do hospital, meus braços foram medidos para umas coberturas elásticas especiais que se amoldam ao corpo, usadas sobre áreas queimadas. Por um tempo usei estas mangas elásticas 24 horas por dia, e ainda as uso à noite. Elas exercem força constante sobre os ferimentos, alisam a pele e eliminam grande parte das cicatrizes disformes. Oito meses após o acidente, estava apto para voltar ao trabalho.
Queimaduras são uma ameaça muito maior do que a maioria das pessoas imagina. Aprenderá, no artigo que segue, sobre um tratamento bem eficaz para elas.
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Como lidar com queimadurasDespertai! — 1980 | 22 de novembro
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Como lidar com queimaduras
TALVEZ lhe surpreenda saber que milhares de pessoas sofrem queimaduras diariamente. Somente nos Estados Unidos, uma média de 270 pessoas cada dia sofrem queimaduras suficientemente sérias para serem hospitalizadas. Caso o leitor ou um amigo se torne vítima duma queimadura, existem coisas que pode fazer para minimizar e até mesmo anular o dano.
Para ilustrar: No ano passado Anna Helak, uma senhora de 59 anos, na cidade de Nova Iorque, EUA, preparava o jantar para convidados. Quando abriu a porta do forno, houve uma explosão de calor e fogo. Felizmente, não se feriu muito, sendo claramente a parte superior do braço direito a única do corpo a ser atingida pelo fogo. Visto que os convidados estavam para chegar, envolveu o braço queimado numa toalha e continuou com os preparativos para o jantar.
Quando os convidados começaram a chegar Anna ainda estava visivelmente abalada — um tanto assustada — e o braço começava a doer. Quando se retirou a toalha, a pele estava vermelha e começando a criar vesículas. Um dos convidados pediu que se enchesse um balde com água gelada.
Anna foi então instruída a enfiar o braço queimado dentro do balde. Ela deu um suspiro de alívio, sendo que a friagem amorteceu quase que instantaneamente a dor. Mas, quando retirou o braço de dentro do balde, depois de alguns minutos, o braço começou a doer novamente. Foi instruída a manter o braço dentro da água e removê-lo a cada 20 minutos mais ou menos.
Não foi senão cerca de três horas depois que Anna pôde ficar com seu braço fora do balde de água gelada sem que este doesse. O braço sarou sem deixar marcas, sem quaisquer complicações ou dor adicionais. Anna apreciou muito que um dos seus convidados sabia como lidar com queimaduras.
Durante muitos anos, a medicina quase que ignorou este simples tratamento com água gelada. Mas, publicações médicas recentes destacam que o resfriamento imediato de queimaduras é o proceder simples mais benéfico. Durante a década de 1960, o Dr. Alex G. Shulman tomou a dianteira em reavivar o tratamento com água gelada. Num artigo do “Journal of the American Medical Association” (Revista da Associação Médica Estadunidense) ele comunicou o tratamento bem sucedido de 150 pacientes que haviam sofrido queimaduras de todos os graus, mas com menos de 20% da superfície do corpo afetada.
A área queimada era imersa numa grande bacia de água fria, à qual adicionavam-se cubos de gelo e hexaclorofeno. Caso a parte queimada não pudesse ficar submersa em água, então se aplicavam toalhas umedecidas em água bem gelada sobre ela. “O fator tempo entre o dano e o tratamento determina o resultado”, observou ele. “Este tratamento deve, portanto, ser iniciado imediatamente, se possível, pelo paciente ou pelo assistente de pronto-socorro.”
Como se deve lidar com queimaduras? Aplique imediatamente o frio sobre elas. É vital a pronta ação. Poderá poupar muito sofrimento e evitar cicatrizes.
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