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Perseguição de cristãos testa corações em MalauiA Sentinela — 1973 | 15 de setembro
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A OBRA DE SEPARAÇÃO AFETA A TODOS OS MALAUIS
Alguns perguntaram: ‘Por que permite Deus que cristãos conscienciosos sofram assim? Adianta isso alguma coisa?’ Jesus salientou que tais coisas ocorreriam nestes “últimos dias”, quando disse aos seus discípulos: “Quando o Filho do homem chegar na sua glória, e com ele todos os anjos, então se assentará no seu trono glorioso. E diante dele serão ajuntadas todas as nações, e ele separará uns dos outros assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.” — Mat. 25:31, 32.
Jesus prosseguiu, dizendo que as “ovelhas” se identificariam pela sua bondade para com os “irmãos” dele. Disse que estes seus irmãos gerados pelo espírito e ungidos sofreriam encarceramento, doença, sede, fome e falta de roupa, assim como as testemunhas de Jeová em Malaui sofreram. Ele disse que as “ovelhas” prestariam ajuda. O que fizeram neste respeito é contado por Cristo como feito a ele pessoalmente.
Nos últimos poucos anos, muitos têm demonstrado uma atitude semelhante à de “ovelhas”, reconhecendo os proclamadores do Reino como representantes de Cristo. Têm prestado ajuda com seu tempo, seus recursos e sua capacidade. Agora estão ao lado dos “irmãos” de Cristo na proclamação da verdade bíblica a outros, e estes semelhantes a “ovelhas” têm a esperança de viver numa terra paradísica, sob o reino de Deus. — Mat. 25:34-36.
Uma evidência notável de que realmente há uma obra de separação em resultado da perseguição é o número dos que tomaram sua posição ao lado das Testemunhas malauis e que fugiram com elas. Nos novos acampamentos em Moçambique puderam continuar a estudar a Bíblia, e agora mais de 200 já foram batizados nestes acampamentos.
Também, muitos cidadãos de Moçambique prestaram ajuda e deram abrigo aos refugiados. Nos acampamentos providos em Moçambique, as Testemunhas usufruem grandemente a sua liberdade de se reunir em grandes grupos para reuniões de estudo bíblico e para entoar cânticos do Reino, o que não podiam fazer desde 1967. Trabalham arduamente, desmatando e cultivando a terra. A Sociedade Torre de Vigia faz todo o possível para cuidar de que estes refugiados tenham o necessário. E os que se encontram nestes acampamentos expressam seu apreço de coração pelo amor demonstrado pelos seus irmãos cristãos em toda a terra em doações ativas. Isto lhes serve como prova de que Deus vê a integridade de seu povo e que cuida deles. — 1 Ped. 5:7.
Por outro lado, os que participam na perseguição de cristãos colocam-se numa situação muito perigosa perante Deus. Não obstante, as Testemunhas não os consideram como “cabritos” da parábola de Jesus. Este julgamento cabe a Deus. Alguns deles talvez sejam sinceros. Neste caso, talvez caiam em si, assim como fez Saulo, violento mas sincero perseguidor de cristãos, que mais tarde se tornou o apóstolo Paulo. (1 Tim. 1:12-16) Mas, tais pessoas não devem pensar que, só porque Deus não age imediatamente contra eles, podem prosseguir com impunidade. Se pensarem assim, desacertarão o objetivo de Sua paciência em dar-lhes a oportunidade de mudar. — 2 Ped. 3:9.
Também, os que observam o que está acontecendo e que deixam de ajudar os perseguidos pela obediência a Cristo têm de encarar as perguntas: ‘Perseguirei pessoas cristãs, inofensivas, ou vou ficar observando cristãos serem espancados, seus braços quebrados, seus lares incendiados, e ainda assim ficar calado? E permitirei que o medo ou o egoísmo me refreiem, não dando ajuda a estas pessoas? Então, qual é a minha situação perante Deus?’ Por conseguinte, causa-se um verdadeiro esquadrinhamento de corações em Malaui, bem como em Moçambique e em Zâmbia.
Nem mesmo sob perseguição as testemunhas malauis de Jeová não guardam rancor aos seus perseguidores. Compreendem que se permite isso para que se realize a obra de separação. Oram para que os opositores se dêem conta de sua verdadeira situação perante o Deus Todo-poderoso e mudem de proceder, sendo assim separados como “ovelhas” para a “direita” de Cristo, com a perspectiva de vida eterna numa terra paradísica por recompensa. — Mat. 5:44.
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É importante para os cristãos a data da celebração da Páscoa?A Sentinela — 1973 | 15 de setembro
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É importante para os cristãos a data da celebração da Páscoa?
JESUS CRISTO, fundador do cristianismo, instituiu a comemoração de sua morte (a Refeição Noturna do Senhor) num dia assinalado por uma observância anual, a Páscoa judaica. Sendo assim, é razoável que a Refeição Noturna do Senhor seja também uma celebração anual. Por isso, a data em que se realizava a Páscoa determinaria quando se havia de comemorar a morte de Jesus. Portanto, os cristãos acham ser de interesse mais do que passageiro verificar quando se celebrava a Páscoa. Isto é importante, porque estão sob a ordem de comemorar a morte de Jesus. — Luc. 22:19.
Segundo o calendário judaico, a data aniversária da celebração da Páscoa cai no mês de nisã. Jeová Deus ordenou a respeito do cordeiro ou cabrito que se devia comer durante a refeição pascoal: “Terá de continuar a ser resguardado por vos até o dia quatorze deste mês, e toda a congregação da assembléia de Israel terá de abatê-lo entre as duas noitinhas.” — Êxo. 12:6.
O que significa a expressão “duas noitinhas”? Tem qualquer relação com a data da celebração da Páscoa?
A tradição judaica, em geral, apresenta as “duas noitinhas” como o tempo desde o meio-dia (quando o sol começa a declinar) até o pôr do sol. Visto que os israelitas mediam seu dia do pôr do sol ao pôr do sol, isto significaria que a vítima pascoal foi morta antes do pôr do sol em que terminava o 14 de nisã e começava o 15 de nisã. Se isto fosse correto, a própria refeição pascoal teria sido consumida, no Egito, em 15 de nisã, e os israelitas teriam deixado o Egito só naquela data.
Mas o conceito judaico, tradicional, a respeito das “duas noitinhas”, não se harmoniza com a narrativa bíblica de Êxodo 12:17, 18. Lemos ali: “Tereis de guardar a festividade dos pães não fermentados, porque neste mesmo dia terei de fazer os vossos exércitos sair da terra do Egito. E tereis de guardar este dia nas vossas gerações como estatuto por tempo indefinido. No primeiro mês [nisã ou abibe], no dia quatorze do mês, à noitinha, deveis comer pães não fermentados.”
Se a vítima pascoal tivesse sido abatida assim como afirma a tradição judaica, a saber, no último quarto do dia quatorze, que terminou ao pôr do sol, então os israelitas não poderiam ter partido do Egito naquele “mesmo dia.” O acontecimento que os habilitou a partir foi a morte dos primogênitos dos egípcios. Mas, visto que isto ocorreu a meia-noite, só teria ocorrido cerca de seis horas depois de terminar o 14 de nisã. — Êxo. 12:29.
Portanto, temos de recorrer a uma outra fonte, não à tradição judaica, para saber quando se sacrificava e comia a vítima pascoal. Teremos de examinar a própria Bíblia para saber o significado da expressão “duas noitinhas”. Fixando nossa atenção em Deuteronômio 16:6, notamos que no caso da primeira noitinha estava envolvido um tempo muito mais tarde do que o meio-dia. As instruções dadas ali a Israel rezavam: “Deves sacrificar a páscoa, a noitinha, assim que se pôr o sol.” Portanto, a primeira das “duas noitinhas” evidentemente indica o tempo do pôr do sol, ao passo que a segunda noitinha corresponde ao tempo em que a luz refletida do sol ou o arrebol da tarde termina e a escuridão sobrevêm.
Esta explicação das duas noitinhas foi também dada pelo rabino espanhol Aben-Ezra (1092-1167 E. C.), bem como pelos samaritanos e os judeus caraítas. É o conceito apresentado por eruditos tais como Michaelis, Rosenmueller, Gesenius, Maurer, Kalisch, Knobel e Keil.
Examinando a evidência bíblica como um todo, podemos ver que a vítima pascoal foi abatida ao pôr do sol, no começo do 14 de nisã, e a refeição
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