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  • Como me conservei firme na fé em uma prisão da China comunista
    A Sentinela — 1963 | 1.° de dezembro
    • achava que êle precisava tirar-me da prisão para fazer isto; eu esperava ser liberto no nôvo mundo. Sentia-me como certos fiéis hebreus da antiguidade. Quando foram julgados perante o rei por causa de não olvidarem a adoração de Deus, êles disseram: “Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, êle nos livrará da fornalha de fogo ardente, e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste.” — Dan. 3:17, 18, ALA.

      Depois do meu julgamento, quando fui transferido da casa de detenção para a prisão de Xangai, minhas condições de vida melhoraram. Embora eu fôsse mantido numa cela isolada e não me permitissem unir-me aos outros prisioneiros, com o tempo recebi um pouco mais de liberdade de movimento. Foi-me permitido passar algum tempo durante o dia num pátio junto à minha cela; e, embora não houvesse móveis na cela, havia uma pequena mesa e um banquinho no pátio, os quais eu podia usar. Também me permitiram usar material de escrita e eu usei-os imediatamente.

      CÂNTICOS DE LOUVOR PARA APOIAR A FÉ

      Comecei a escrever alguns temas bíblicos numa forma em que pudessem ser usados como versos de um cântico e então eu murmuraria várias combinações de notas até que encontrasse um tom que combinasse. Com o tempo eu compus uma coleção considerável de cânticos para ajudar-me a manter na memória os propósitos de Deus. Alguns dos cânticos tinham apenas alguns versos, mas outros tinham tantos quantos 144 versos, traçando as promessas bíblicas desde Gênesis até Apocalipse. Êstes ajudaram-me a recapitular trechos da Bíblia e a arranjar temas que passavam por tôda a Escritura. Por exemplo, eu tinha cânticos intitulados: “Selecionando a Semente”, “A Resposta à Chamada de Jeová”, “O Memorial”, “O Maior Dêstes É o Amor”, “Mais de um Milhão de Irmãos” e “De Casa em Casa”. Que fôrças êles me davam ao passo que eu cantava:

      Que poder ou fôrça do velho Satanás

      Pode jamais nos impor separação

      Do Deus de nosso amor, profundo e veraz,

      Sim, que amamos de todo coração.

      Derrubar o monte Sinai poderi̇́eis,

      E o plantar nas profundezas do mar?

      Embora mais fácil, nunca tenteis

      Do alto Jeová vos separar!

      Ao continuarmos a Jeová leais

      Com um rijo amor como vínculo

      Do inimigo desesperado demais

      Desafiamos firmes e com afinco.

      Se indo ao máximo limitado,

      E nos matar por nossa firmeza então

      Cristo, nosso Rei, estará ao nosso lado

      Com as chaves da sepultura na mão.

      Tôdas as manhãs, antes do café, eu cantava cêrca de cinco de meus cânticos e, à noitinha, outros cinco.

      Embora minha primeira tentativa de orar na prisão tenha sido rudemente interrompida, eu compreendi a importância de permanecer achegado a Jeová. Eu podia ficar isolado de meus companheiros, mas ninguém poderia separar-me de Deus. Quando me mudaram para a prisão de Xangai, determinei orar mais abertamente. Compreendi que êste era um dos modos que eu podia dar testemunho aos à minha volta. Assim, à vista de quem passasse por minha cela, eu me ajoelhava três vêzes por dia e orava em voz alta, tendo em mente o Daniel em quem fala a Bíblia. Mesmo quando era proibido por lei, “três vêzes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus”. (Dan. 6:10, ALA) Eu orava para que Deus me desse a sabedoria de dizer e fazer as coisas certas, para a honra dêle. Orava para que seu propósito glorioso triunfasse. Orava de todo o coração pelos meus irmãos em tôdas as partes do mundo. Parecia que em tais ocasiões o espírito de Deus orientava a minha mente nas questões mais benéficas e me dava um espírito de serenidade. Que fôrça espiritual e confôrto me proporcionava a oração! E assim todos vieram a me conhecer como ministro cristão.

      Contudo, às vêzes eu era tomado pelas dúvidas quanto a se eu tinha realmente feito tudo o que devia fazer no serviço de Jeová, antes de minha prisão. A princípio eu me preocupava com isto, mas depois vi que me beneficiava por recapitular a situação, vendo onde eu tinha falhado e onde eu podia melhorar no futuro; e resolvi que faria um serviço muito melhor no futuro, se tivesse a liberdade de assim fazer. Orando sôbre isto a Jeová, senti-me revigorado e o resultado foi que meus dias em prisão fortaleceram a minha convicção e determinação de prosseguir no serviço de Jeová.

      Eu fazia anualmente arranjos para celebrar o Memorial da morte de Cristo da melhor maneira que pudesse. Da janela da prisão eu via a lua a tornar-se cheia perto do ini̇́cio da primavera. Calculava tão cuidadosamente quanto podia a data da celebração. Ora, eu não podia obter os emblemas, o pão e o vinho, os carcereiros não mos davam. Por isso, nos dois primeiros anos eu pude apenas passar pelas moções, usando emblemas imaginários, assim como eu pregava a pessoas imaginárias. Então, no terceiro ano eu achei algumas latas de passas na minha parte de alimentos da Cruz Vermelha e disto eu pude fazer vinho, ao passo que arroz, que é sem fermento, serviu de pão. Êste ano eu tive ambos, meu vinho e alguns biscoitos sem fermento da Cruz Vermelha, para usá-los como emblemas. Cantei, orei e dei um discurso regular para a ocasião, mesmo como teria feito em qualquer congregação do povo de Jeová. Assim, todo ano sentia-me unido com meus irmãos em todo o mundo nesta ocasião importante.

      Embora minhas atividades em prisão fôssem extremamente limitadas, eu me empenhei a dar testemunho mediante exemplo. Tinha em mente a fidelidade do judeu Neemias, que, estando em cativeiro, foi mordomo tão fiel do rei da Pérsia, que êste lhe permitiu voltar para Jerusalém para atender às questões que envolviam a sua adoração a Deus. Várias vêzes eu pedi um trabalho para fazer, mas mo negaram. Todavia, requeria-se que todos os prisioneiros limpassem as suas próprias celas e eu procurei fazer da minha um modêlo. Gradualmente ampliei meus esforços, limpando a área em frente de minha cela durante o tempo que me permitiam ficar fora e, depois, as celas vazias perto da minha. Com o tempo eu estava limpando e polindo as mesas dos carcereiros. Eu era sincero no meu desejo de fazer algo útil e com o tempo isto me granjeou a confiança dos carcereiros. E um dêles me disse: ‘Tudo o que você faz sai bem feito, quer fazer limpeza ou estudar a língua. Eu espero que quando voltar à Inglaterra, utilizará êste zêlo a serviço do povo.’ Assegurei-lhe que isto era exatamente o que eu esperava fazer.

      Nunca senti ódio por êstes homens designados a guardar-me. Parecia-me que eram muito semelhantes aos oficiais do exército que receberam a incumbência de pregar Jesus na estaca de tortura; êles não sabiam o que estavam fazendo. Por isso eu orei para que Deus os perdoasse e só punisse os que eram realmente repreensíveis e maliciosos no ódio a Êle e ao seu povo.

      DE NÔVO COM O POVO DE JEOVÁ!

      Quando, por fim, foi-me dito que a hora de eu sair estava perto, e cinco meses antes do tempo, que alívio! Depois de me levarem a passeio por Xangai e pelos territórios circundantes para ver o que os comunistas fizeram pelo povo em sentido material, finalmente me mandaram através da ponte, para os braços dos irmãos cristãos que me esperavam, no dia vinte e sete de maio. Que coisa maravilhosa é estar de volta ao povo de Deus!

      Os irmãos de Hong-Kong foram tão amorosos que foi realmente difícil nos separar. Mas em 1.° de junho tomei um avião para casa, para a Inglaterra. A primeira parada foi no Japão, onde um grande grupo de Testemunhas me esperava para me saudar. Êles não sabiam de meus planos de viagem, mas tinham acompanhado nos jornais as notícias sôbre a minha saída da prisão e calcularam que eu devia estar naquele avião. Queriam estar lá para me saudar.

      Em Nova Iorque fiquei contentíssimo em ver o presidente da Sociedade Tôrre de Vigia, o irmão Knorr, no aeroporto para me saudar e êle foi o primeiro a me abraçar em amorosas boas-vindas. O Betel e a imprensa de Brooklyn mudaram muito desde que eu os vi pela última vez em 1947, antes de embarcar para a China, mas eis aqui o mesmo espírito de amor, simplesmente em escala mais ampliada.

      Ali, também, os irmãos queriam saber as minhas experiências e eu fiquei contente em lhas relatar e em assegurar-lhes com convicção de que, a despeito dos eventos dos últimos quatro anos e meio, jamais em meus vinte e cinco anos de ministério de tempo integral a minha fé foi tão firme como está agora. Por quê? Porque não há armas, nem paredes, nem cadeias que possam impedir que o espírito de Jeová chegue até ao seu povo! Tendo-nos dedicado ao estudo de sua Palavra e permitido que ela se aprofunde em nosso coração, não há nada a temer. Não permanecemos em nossas próprias fôrças. Mas com a sua todo-poderosa fôrça Deus pode fazer até o mais frágil de nós sair vitorioso em face de perseguição.

      ● Quão firme é a sua fé? Poderia confrontar-se com constante interrogatório e anos de isolamento numa prisão sem contudo fracassar? Lembre-se de que as Escrituras dizem que “todos os que desejarem viver com devoção piedosa em associação com Cristo Jesus também serão perseguidos”. (2 Tim. 3:12) O tempo de fortalecer-se é antes da perseguição. Como? Empregando sabiamente agora o seu tempo, estudando e meditando a Palavra de Deus para que ela se enraíze profundamente em seu coração, pela associação regular com o povo de Jeová e pelo uso do que aprende no serviço de Jeová. Então estará entre os que “pelo uso têm as suas faculdades perceptivas treinadas para distinguir tanto o certo como o errado”. (Heb. 5:14) Esta percepção é vital quando confrontado com oposição. Mas se confiar em Jeová agora, aproveitando-se das provisões que êle fêz, estará em condição de ser fortalecido nêle em tempo de crise e êle o susterá. — Os Editôres.

  • “O próprio Jeová me acolherá” — Singapura
    A Sentinela — 1963 | 1.° de dezembro
    • “O Próprio Jeová me Acolherá” — Singapura

      Para uma pessoa budista, criada num lar chinês, onde foi ensinada a render estrita obediência, empreender-se num estudo da Bíblia requer grande coragem. Para ela dedicar a vida a Jeová, o Deus da Bíblia, e então seguir na vida a carreira de ministro de tempo integral pode significar um rompimento violento com a família. Mas um bem instruído jovem chinês começou a freqüentar as reuniões depois de apenas cinco meses de estudo. Quando aprendeu o princi̇́pio bíblico referente ao uso de sangue, recusou vender sangue de galinha na banca que seu pai tinha no mercado, onde trabalhava. Isto encolerizou seu pai, que lhe ordenou parar de estudar a Bíblia. O estudo continuou e em nove meses ele dedicou sua vida a Jeová e começou no serviço de pioneiro de férias. O pai, enraivecido, ameaçou: “Continuando a desobedecer-me com esta pregação, não pense que vou cuidar de você. Então saia de minha casa e veja se o seu Deus Jeová cuidará de você.” Sem dúvida, as palavras do salmista passaram pela mente de nosso irmão, segundo registradas no Salmo 27:10: “No caso de meu próprio pai e de minha própria mãe me abandonarem, ainda assim o próprio Jeová me acolherá.” Pegando algumas coisinhas suas, o irmão partiu. Será que seu Pai celeste cumpriria a sua promessa registrada em Mateus, capítulo seis? Não disse Jesus que trouxe espada e que os inimigos do homem seriam seus próprios familiares? Resolutamente o irmão continuou no seu trabalho de pioneiro, alistando-se então como pioneiro especial. Não, seu Deus Jeová não o abandonou, e mais, êle tem agora cem vezes mais ‘irmãos, irmãs e mães’, e assim por diante. Será que também o leitor, com um pouco mais de coragem, de esforço e de fé, poderia entrar no serviço de pioneiro? — Anuário de 1963, página 251.

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