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    Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976
    • meio do artigo da Sentinela em inglês, “Não os Temais.” Foi exposta a inimizade da Igreja Católica Romana e o artigo avisara que a oposição poderia levar à morte de alguns servos fiéis de Deus. Mas, instava com o povo de Deus a continuar dando testemunho do Seu nome com intrepidez e alegria, para que pudessem ter parte na vindicação daquele nome sagrado.

      AJUDAS EM SUA DEFESA

      Para os cristãos, aqueles eram tempos de prova da sua fé. Naturalmente, nem todo incidente de oposição declarada, nem mesmo cada prisão, levou a um julgamento. Muitas vezes, porém, os servos de Jeová se viram precisando de ajuda de modo a fazerem sua defesa bem sucedida nos tribunais dos Estados Unidos. Para ajudar os proclamadores do Reino, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) estabeleceu um departamento legal em sua sede em Brooklyn, Nova Iorque.

      Rememorando, Robert E. Morgan recorda: “Em nossas reuniões de serviço semanais estudávamos Order of Trial (Normas dum Julgamento) preparado pela Sociedade, e nos esforçávamos de nos equipar para lidar com a polícia e os juízes que constantemente nos fustigavam no serviço de campo. Nossas reuniões de serviço nos ensinavam a responder quando acossados pela polícia, quais eram nossos direitos como cidadãos, e que medidas não devíamos deixar de tomar a fim de estabelecer sólida base para a ação legal em defesa das boas novas, caso as condenações exigissem que recorrêssemos aos tribunais de recursos.”

      “As demonstrações nas reuniões de serviço encenavam como agir desde a hora da prisão até a conclusão do julgamento e a solução do caso”, lembra-se Ray C. Bopp, adicionando: “Os servos na congregação agiam como advogados de acusação e de defesa, e alguns ‘julgamentos’ demoravam várias semanas.”

      DETIDAS E MANDADAS PARA A CADEIA

      As ajudas legais providas pela Sociedade e o excelente treinamento provido nas reuniões de serviço ajudaram imensamente os servos de Deus. Mas, quanto aos rigores da vida atrás das grades, apenas o próprio Jeová podia fortalecer seu povo. Como Paulo disse: “Para todas as coisas tenho força em virtude daquele que me confere poder.” — Fil. 4:13.

      As testemunhas cristãs de Jeová às centenas foram detidas e encarceradas nos anos turbulentos das décadas de 30 e de 40. Homer L. Rogers afirma o seguinte a respeito dos problemas legais encontrados pelo povo de Jeová em certa área: “A cidade de La Grange [Geórgia] sancionara uma ordenança que proibia qualquer pessoa de visitar uma casa em La Grange e oferecer ao morador qualquer matéria impressa. Isto visava as testemunhas de Jeová, e só era imposta contra as testemunhas de Jeová.” Como podia estar seguro disso? Os moradores da cidade testificaram que toda outra matéria impressa era distribuída livremente em La Grange sem a interferência da autoridades.

      Em 17 de maio de 1936, 176 Testemunhas foram detidas por pregarem em La Grange e foram encarceradas. No dia seguinte, as mulheres foram soltas, mas 76 homens ficaram presos quatorze dias na Prisão e Campo de Detenção do Condado de Troup, a uns 6,5 quilômetros fora da cidade. Os detentos regulares ali eram presos submetidos a trabalhos forçados, acorrentados uns aos outros, que realmente eram acorrentados aí trabalharem nas estradas desde o nascer até o por do sol. Quando as Testemunhas foram julgadas, elas foram condenadas e multadas a pagar um dólar cada uma ou a passa trinta dias na cadeia segundo C. E. Sillaway. Visto que o promotor público da cidade ordenou ao escrivão municipal que não assinasse o recurso por carta requisitaria, os irmãos perderam seu direito de recorrer da sentença e 57 voltaram para cumprir a pena de trinta dias na prisão, em 28 de maio de 1937. Apesar de sua inocência, estas Testemunhas usavam uniforme de presidiário, duas pessoas tinham de partilhar o mesmo cobertor durante as noites de frio, e fizeram trabalho forçados nas ruas e em outras partes.

      Muitos foram os sofrimentos impostos a estes detentos. Todavia, também tiveram oportunidade de fazer o bem em sentido espiritual. Escreve o irmão C. E. Sillaway: “Próximo do fim de nossos trinta dias, meu grupo e outro, doze ao todo, fomos designados a um cemitério de pretos, em isolamento quase que rural. Perto do meio da manhã, veio uma procissão fúnebre pela porta principal, e parou, ao passo que o coveiro se aproximou de nós. Parecia que essa família era pobre demais para pagar ao pregador a sua taxa de serviços para um enterro, e não fora feito nenhum sermão nem oração. Será que um de nós, ministros, gostaria de proferir algumas palavras? Foi um privilégio falar ao punhado de pessoas sobre a verdadeira condição dos mortos e a esperança de ressurreição. Elas não se importaram com as roupas da cadeia.”

      Theresa Drake afirma que sua primeira experiência com a intolerância contra o povo de Deus se deu no início da década de 30, quando ela foi presa pela primeira vez em Bergenfield Nova Jérsei. Ela prossegue: “Tiraram-me as impressões digitais pela primeira vez em Plainfield, Nova Jérsei. Foi em Plainfield que eu fiquei detida à noite junto com outras 28 irmãs. Ficamos presas numa pequena cela e, havendo 29 de nós ali, isto tornava impossível que nos deitássemos para dormir. Por fim, levaram-nos para o ginásio no mesmo prédio e ali estenderam esteiras para dormirmos nelas. Lembro-me de um policial abrir a porta e olhar para nós e dizer: ‘Como ovelhas levadas para o matadouro.’”

      Citando outro caso escreve a irmã Drake: “Em Perth Amboy fomos presas e detidas desde as 10 até as 20 horas. Foi nessa ocasião que conheci o irmão Rutherford. Ele veio pagar a fiança de 150 de nós que estávamos presas. Ficamos detidas em uma grande sala do tribunal. Lá fora, as pessoas retiravam nossos livros e publicações de dentro de nossos carros e os jogavam por todo o gramado do tribunal. Havia meia dúzia de homens no fundo do tribunal que esperavam agarrar o irmão Rutherford. Ameaçaram-no, mas jamais tiveram a oportunidade de fazê-lo, pois ao deixarmos o tribunal, foi cercado por nós e então se dirigiu rapidamente para um carro à sua espera, e não o seu usual.”

      Sobre as cidades de Ohio e da Virgínia Ocidental, diz Edna Bauer: “Muitos dos amigos eram presos e conduzidos à cadeia nos carros de bombeiros, com as sirenas tocando, chamando bem alto a atenção para as prisões que eram feitas.” Amiúde muitos eram detidos de uma só vez, e não se mostrava qualquer consideração pela idade. Por exemplo, a irmã Bennecoff esposa de James W. Bennecoff, lembra-se dum incidente em Colúmbia, Carolina do Sul, “quando 200 de nós fomos metidos na cadeia, o mais jovem tendo apenas seis semanas de idade”.

      As condições do cárcere podiam ser bem angustiantes. Earl R. Dale lembra-se de seu confinamento injusto como cristão em Somersworth, Nova Hampshire, e escreve: “Dormi aquela noite, ou tentei dormir. A prisão não era lá muito limpa. De noite, havia uns bichinhos que se arrastavam sobre nós, e eu não gostava deles, mas eles gostavam de mim.” Por pregar as boas novas em Caruthersville, Missúri, em 1941, o irmão R. J. Adair e sua esposa foram presos por 78 dias. A irmã Adair descreve o local de seu confinamento como “masmorra”. A saúde da irmã Adair ficou debilitada durante a prisão. “Não era agradável dormir sobre o chão de cimento com um cobertor e travesseiro durante setenta e oito noites”, admite ela. “Mas, o importante era permanecer fiel a Jeová.”

      Embora as testemunhas de Jeová nos Estados Unidos fossem amiúde presas por pregarem a mensagem do Reino, isso não calou seus lábios. Como detentos, continuaram a declarar as boas novas. Por exemplo, Dora Wadams teve várias oportunidades de pregar quando presa. Certa vez, quando notícias da soltura das Testemunhas circulavam numa cadeia de Newark Nova Jérsei, ela se lembra de que aconteceu o seguinte: “Certa noite, quando fomos trancadas em nossas celas, ouvimos algumas detentas ao redor de nós dizerem: ‘O povo da Bíblia vai deixar-nos amanhã. Este lugar jamais será o mesmo. São como se fossem anjos enviados a nós.’”

      SEUS DIAS NO TRIBUNAL

      Os servos de Jeová estavam prontos para defender a si mesmos, bem como sua obra dada por Deus, se suas prisões levassem a julgamentos. Às vezes não eram nem mesmo representadas por advogados. Por exemplo, em 1938, Roland E. Collier, associado com a congregação de Orange, Massachusetts, conseguiu permissão de usar um carro-sonante na vizinha Athol. Ele e outro irmão estavam no carro-sonante, tocando o disco “Inimigos”, enquanto outros publicadores do Reino pregavam de porta em porta. O irmão Collier foi preso e acusado de ir de casa em casa, embora não o fizesse nessa ocasião. Ele nos conta: “Com interesse, aguardamos o julgamento e nos preparamos para ele. Estudei cuidadosamente o Order of Trial (Normas dum Julgamento) publicado pela Sociedade para a preparação para os julgamentos. No dia do julgamento, alguns irmãos entraram na sala de julgamento para me encorajar. Eu segui as normas corretas de julgamento esboçadas pela Sociedade, até mesmo ao ponto de interrogar o chefe de polícia. Quando toda a evidência tinha sido apresentada, depois do julgamento completo, fui declarado inocente e o jornal publicou a manchete que dizia ‘HOMEM DE ORANGE SAI PREGANDO DA PRISÃO’.”

      Alguns advogados que não eram testemunhas de Jeová trabalharam arduamente para defender o povo de Deus. Não raro, contudo, advogados que eram Testemunhas representavam seus concrentes no tribunal. Entre eles estava Victor Schmidt. Sua esposa Mildred diz, em parte: “Depois da decisão adversa do Supremo Tribunal dos Estados Unidos no caso da bandeira houve o que parecia ser uma avalancha de motins e prisões que desceram sobre nossos irmãos em tantos lugares fora de Cincinnati [Ohio]. Tornou-se necessário que eu levasse meu marido de carro para estes vários lugares, visto que ele não sabia dirigir. Por algum tempo, havia um lugar diferente para se ir quase todo dia. Por conseguinte, tive que deixar trabalho junto com os pioneiros. . . . Victor tinha grande fé em Jeová, e isto me fortalecia a ter igual fé. Ao nos aproximarmos dessas cidades em que ele iria representar nossos irmãos no tribunal, ele fazia com que eu encostasse o carro na estrada e orava a Jeová, para que abrisse o caminho para ele trazer alguma ajuda para nossos irmãos, e, também, que se fosse da vontade de Jeová, que bondosamente nos protegesse e nos ajudasse a jamais ceder ao temor dos homens. Muitas foram as ocasiões em que vimos evidência do pujante poder das forças angélicas de Jeová operando em nosso favor.”

      CHEGANDO AO SUPREMO TRIBUNAL DOS ESTADOS UNIDOS

      Vários casos legais que envolviam as testemunhas de Jeová por fim chegaram ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos. Um destes foi Lovell v. City of Griffin. Embora o povo de Deus com freqüência fosse preso por pregar as boas novas em Griffin, Geórgia, em certa ocasião vários deles foram detidos pela alegada violação de uma ordenança municipal que proibia “a prática de distribuir . . . publicações de qualquer espécie . . . sem primeiro obter-se permissão por escrito do Administrador Municipal da Cidade de Griffin.” O irmão G. E. Fiske comenta: “Havia vários irmãos com mais de 1,80 metros e as autoridades perguntaram se estariam dispostos a permitir que fosse escolhido um para representar o grupo, e nossos superintendentes mostraram-se dispostos. Assim, escolheram uma irmã miudinha e magra, visto que achavam que ela seria uma presa fácil. Mas, ela [Alma Lovell] estudara o Order of Trial (Normas dum Julgamento) . . . Nenhum dos homens estava tão bem preparado como esta irmãzinha, e, quando o processo foi julgado, ela falou perante o tribunal por mais de uma hora dando maravilhoso testemunho. No entanto, o juiz não estava nem sequer interessado, e colocou os pés sobre a mesa. Quando ela se sentou, o juiz removeu os pés e disse: ‘Já acabou?’ Ela disse: ‘Sim, Meritíssimo.’ Então ele declarou que todos eram culpados. O advogado da Sociedade recorreu imediatamente da decisão.” Em 28 de março de 1938, o Supremo Tribunal votou unanimemente que a ordenança em questão era nula por si mesma.

      Ao se empenhar na obra de pregar o Reino em 26 de abril de 1938, a testemunha cristã Newton Cantwell foi preso junto com seus dois filhos menores, ao tocar o disco fonográfico “Inimigos” e distribuir o livro do mesmo nome. O caso foi levado aos tribunais de Connecticut devido ao processo movido por dois católicos romanos. Estava envolvida alegada perturbação da paz e também suposta violação de uma postura de Connecticut que proibia a solicitação de donativos para organizações de caridade ou para uma causa religiosa sem aprovação do conselho de bem-estar social da secretaria de estado. Condenações se seguiram nos tribunais de Connecticut e R. D. Cantwell escreve: “A Sociedade recorreu da decisão e foi levada ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos . . . revogou-se a condenação e a postura de Connecticut que exigia uma permissão para se oferecer pubçicações religiosas à venda, ou para se aceitar donativos para uma causa religiosa, foi declarada inconstitucional, conforme aplicada às testemunhas de Jeová. Outra vitória do povo de Jeová!”

      Mas, as testemunhas de Jeová perderam importante processo no Supremo Tribunal dos Estados Unidos por cinco votos contra quatro em 8 de junho de 1942. Era o de Jones v. City of Opelika. Este processo envolvia a distribuição de revistas nas ruas e suscitou a questão quanto a se Rosco Jones fora corretamente declarado culpado de violar uma postura de Opelika, Alabama, por “vender livros” sem ter obtido uma licença e ter pago a taxa exigida.

      “DIA DE VITÓRIA” PARA O POVO DE DEUS

      Daí, veio o dia 3 de maio de 1943. Poderia bem ser chamado de “dia de vitória” para as testemunhas de Jeová. Por quê? Porque doze de treze processos foram decididos então em sei favor. Notável era o de Murdock v. Pennsylvania, um processe do imposto de licença. Esta decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos inverteu sua própria posição no processo de Jones v. City of Opelika. No voto de Murdock, o Tribunal sustentou: “Contende-se, contudo, que o fato de o imposto de licença poder suprimir ou controlar tal atividade não tem importância, caso não o faça. Mas, isto significa desconsiderar a natureza deste imposto. É um imposto de licença — um imposto claro, estabelecido para o exercício de um privilégio concedido pela Carta de Direitos. Um estado não pode fixar um imposto para o usufruto dum direito concedido pela Constituição federal.” A respeito do processo Jones, foi dito: “A decisão em Jones v. Opelika é hoje declarada nula. Livres daquele precedente controlador, podemos restaurar à sua elevada e constitucional posição, as liberdades dos evangelistas itinerantes que disseminam suas crenças religiosas e os postulados de sua fé, por meio da distribuição de publicações.” A decisão favorável no processo Murdock acabou com o dilúvio de impostos de licença que envolviam o povo de Jeová.

      Seus esforços tiveram efeito sobre a lei. Apropriadamente tem-se dito: “É patente que as atuais garantias constitucionais de liberdade pessoal, conforme interpretadas com autoridade pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos, são muito mais amplas do que eram antes da primavera setentrional de 1938 e que a maior parte desta ampliação pode ser encontrada nos trinta e um processos das Testemunhas de Jeová (dezesseis votos decisivos), dos quais Lovell v. City of Griffin foi o primeiro. Se ‘o sangue dos mártires é a semente da Igreja’, qual é a dívida da Lei Constitucional à persistência militante — ou talvez, devo dizer, à devoção — deste estranho grupo?’ — Minnesota Law Review (Revista Jurídica de Minnesota) Vol. 28, N.º 4, março de 1944, p. 246.

      TURBAS VIOLENTAS FRACASSAM EM SILENCIAR OS LOUVADORES DE JEOVÁ

      Ao passo que as testemunhas de Jeová travavam batalhas legais pela liberdade de adoração e por seu direito de pregar as boas novas, no campo, às vezes se viam face a face com turbas violentas. Isto não deixava de ter um paralelo, contudo, pois o próprio Jesus Cristo teve experiências desse tipo. (Luc. 4:28-30; João 8:59; 10:31-39) O fiel Estêvão sofreu martírio às mãos duma multidão irada. — Atos 6:8-12; 7:54-8:1.

      O congresso cristão mundial realizado de 23 a 25 de junho de 1939 foi considerado por desordeiros como oportunidade de fustigar o povo de Deus. Comunicações telefônicas diretas ligavam Nova Iorque, a cidade principal, com outros locais de assembléias nos EUA, Canadá, Ilhas Britânicas, Austrália e Havaí. Ao passo que o discurso de J. F. Rutherford “Governo e Paz” era anunciado os servos de Jeová souberam que grupos da Ação Católica planejavam impedir o discurso público em 25 de junho. Assim, o povo de Deus estava pronto para dificuldades. Blosco Muscariello nos conta: “Como Neemias, que erguia o muro de Jerusalém e fornecia a seus homens tanto os instrumentos para edificar como os instrumentos para lutar (Nee. 4:15-22), estávamos assim armados. . . . Alguns de nós, rapazes, recebemos instruções especiais como indicadores. Forneceu-se a cada um bastão forte a ser usado no caso de qualquer interferência durante o discurso principal.” Mas, R. D. Cantwell acrescenta: “Fomos instruídos a não usá-lo, a menos que fosse questão de ficarmos encurralados na defesa final.”

      Embora não fosse conhecido em geral, o irmão Rutherford estava com a saúde ruim ao subir na tribuna do Madison Square Garden em Nova Iorque naquele domingo de tarde, 25 de junho de 1939. Logo o discurso estava em andamento. Entre os últimos a chegar achavam-se cerca de 500 seguidores do clérigo católico romano Charles E. Coughlin, famoso “padre do rádio” da década de 30, cuja transmissão radiofônica era ouvida por milhões. Visto que o setor da pista do auditório tinha sido reservado e estava lotado de Testemunhas, os seguidores de Coughlin, inclusive sacerdotes, tiveram de ocupar a seção de cima das arquibancadas por trás do orador.

      “Em nenhuma outra parte do auditório se fumava”, escreveu um correspondente de Consolação, “mas dezoito minutos depois de o discurso começar um homem no setor esquerdo à frente dessa multidão acendeu um cigarro, então outro no setor da frente à direita acendeu outro; daí, as luzes elétricas desta seção apenas começaram a piscar, e então, apenas nessa seção houve apupos, berros e assobios.” “Eu estava sentada tensa”, diz a irmã Broad, esposa de Edward Broad, “esperando que a confusão se espalhasse por todo o “Garden”. Mas, ao se passarem alguns minutos, vi que os problemas se limitavam a um grupo bem atrás do orador. ‘O que fará ele?’, fiquei imaginando. Parecia impossível alguém continuar a falar, sendo jogadas coisas sobre a tribuna, e não se sabendo se, a qualquer momento, o microfone lhe seria arrebatado.” Esther Allen recorda que “loucas gritarias e expressões de ‘Heil Hitler!’ ‘Viva Franco!’ e ‘Matem esse maldito Rutherford!’ enchiam o ar.”

      Será que o adoentado irmão Rutherford cederia diante de tais inimigos violentos? “Quanto mais eles berravam para abafar a voz do orador, tanto mais forte tornava-se a voz do Juiz Rutherford”, diz a irmã A. F. Laupert. Observa Aleck Bangle: “O presidente da Sociedade não ficou com medo, ma disse corajosamente: ‘Observem hoje que os nazistas e a católicos gostariam de interromper esta reunião, mas, pela graça de Deus, não conseguem isso.’“ “Essa era a oportunidade que precisávamos para romper em sinceros aplausos, dando ao orador nosso entusiástico apoio”, escreve Roger Morgan acrescentando: “O irmão Rutherford manteve sua posição até o fim da hora. Mais tarde, ficávamos emocionados cada ver que tocávamos os discos desse discurso nos lares das pessoas.’

      C. H. Lyon nos conta: “Os indicadores fizeram bem seu trabalho. Um par dos mais teimosos coughlinitas levaram uma paulada na cabeça, e todos eles foram, sem cerimônia alguma levados para baixo pelas rampas, e expulsos do auditório. Um dos coughlinitas ganhou um pouco de publicidade num tablóide no dia seguinte, quando imprimiram uma foto dele com a cabeça enfaixada, como que com um turbante.”

      Três indicadores Testemunhas foram presos e acusados de “agressão”. Foram julgados perante três juízes (dois católicos romanos e um judeu) do Tribunal Especial de Pequenas Ofensas da Cidade de Nova Iorque, em 23 e 24 de outubro de 1939. No julgamento, mostrou-se que os indicadores se dirigiram à seção do “Madison Square Garden” em que irrompera e distúrbio para remover os perturbadores. Quando os desordeiros agrediram os indicadores, estes resistiram e trataram com firmeza alguns do grupo radical. Testemunhas da acusação fizeram muitas declarações contraditórias. O tribunal não só declarou inocentes os três indicadores. Também declarou que os indicadores Testemunhas tinham agido dentro dos sem direitos.

      GUERRA MUNDIAL ATIÇA AS CHAMAS DA VIOLÊNCIA

      A violência causada por turbas tinha irrompido na assembléia de 1939 das testemunhas de Jeová. Mas, as chamas da violência contra elas seriam ainda atiçadas com maior intensidade à medida que o mundo se metia na guerra. Seria em fins de 1941 que os Estados Unidos declarariam guerra à Alemanha, à Itália e ao Japão, mas o espírito de nacionalismo já era forte por todo o país muito antes disso.

      Durante esses meses iniciais da Segunda Guerra Mundial Jeová Deus fez destacada provisão para seu povo. Em seu número de 1.º de novembro de 1939, a Sentinela em inglês trouxe um artigo intitulado “Neutralidade” (em português, fevereiro de 1940). Como texto básico, tinha as seguintes palavras de Jesus Cristo concernente a seus discípulos: “Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo.” (João 17:16, Tradução Brasileira) Esse estudo bíblico da neutralidade cristã, vindo quando veio, preparou as testemunhas de Jeová de antemão para os tempos difíceis a frente.

      AMEAÇA DE INCÊNDIO PREMEDITADO NA FAZENDA DO REINO

      A Fazenda do Reino, perto de South Lansing, Nova Iorque, serviu bem para fornecer aos membros da equipe da sede da Sociedade as frutas, os legumes, a carne, o leite e o queijo necessários. David Abbuhl trabalhava na Fazenda do Reino quando sua paz e serenidade foram perturbadas lá em 1940. “Na véspera do Dia da Bandeira, 14 de junho de 1940”, afirma o irmão Abbuhl, “fomos alertados por um velho que diariamente passava por ali, quando ia comprar uísque na taverna em South Lansing, a respeito de um plano do povo da cidade e os da Legião Americana, de incendiar nossos prédios e destroçar nossa maquinaria.” O xerife foi avisado.

      Por fim, o inimigo surgiu em cena. John Bogard, que era então o servo da fazenda, certa vez forneceu este relato vívido das dificuldades: “Por volta das seis da tarde, os bandos começaram a se reunir, um carro após outro, até que havia trinta ou quarenta carros lotados. O Xerife e seus homens chegaram e começaram a parar os motoristas e a examinar suas carteiras, avisando-os a não tomar nenhuma ação contra a Fazenda do Reino. Eles continuaram rodando para lá e para cá pela estrada em frente à nossa propriedade até tarde da noite, mas a presença da polícia os manteve na estrada e frustrou seu plano de destruir a fazenda. Foi uma noite excitante para todos nós ali na fazenda, mas lembramo-nos vividamente da garantia de Jesus a seus seguidores: “Sereis pessoas odiadas por todos, por causa do meu nome. Contudo nenhum cabelo da vossa cabeça perecerá de modo algum. — Luc. 21:17, 18.”

      Assim aconteceu que foram evitados a tentativa de ataque e o incêndio premeditado. Calculadamente 1.000 carros, levando possivelmente 4.000 homens, tinham vindo de todos os setores da parte oeste do estado de Nova Iorque para destruir a propriedade da Fazenda do Reino, da Sociedade — mas, isso de nada adiantou. Afirma Kathryn Bogard: “Seu propósito falhou, e algumas das mesmas pessoas que constituíam a turba são agora Testemunhas, sim, estando até mesmo no ministério de tempo integral!”

  • Estados Unidos da América (Parte Três)
    Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976
    • Estados Unidos da América (Parte Três)

      IRROMPE A VIOLÊNCIA EM LITCHFIELD

      Por volta do mesmo tempo que a Fazenda do Reino era objeto de uma tentativa de ataque e incêndio premeditado, surgiram dificuldades contra as testemunhas de Jeová em Litchfield, Ilinóis. “De alguma forma, os arruaceiros em Litchfield foram informados de nossos planos, de modo que, quando fomos trabalhar naquela cidade, estavam preparados para nos receber”, lembra Clarence S. Huzzey. “O sacerdote local tocou os sinos da igreja como sinal e eles começaram a prender os irmãos — levando-os para a cadeia local. Alguns dos irmãos foram terrivelmente espancados e a turba até ameaçou incendiar a cadeia. Alguns dos arruaceiros localizaram os carros dos irmãos e começaram a demoli-los — reduzindo-os a destroços.”

      Walter R. Wissman diz: “Depois de serem espancados pela turba, os irmãos foram levados à cadeia local pela patrulha rodoviária estadual, para sua própria proteção. Certo irmão, Charles Cervenka, foi derrubado no chão por um soco, quando se recusou a saudar a bandeira, a bandeira sendo empurrada sobre seu rosto, e foi gravemente chutado e espancado na cabeça e no corpo. Foi o mais gravemente ferido dentre os irmãos e jamais se recuperou por completo do espancamento. Morreu alguns anos depois. Afirmou, mais tarde, que, ao ser espancado, dizia a si mesmo que estava tão contente de que isto aconteceu com ele e não com algum dos irmãos mais novos, porque sabia que podia agüentar isso, ao passo que talvez um novato enfraquecesse e transigisse.”

      “A cidade de Litchfield estava mui orgulhosa desta realização”, lembra-se o irmão Wissman. “Com efeito, vários anos mais tarde, já bem adiantado na década de 1950, Litchfield celebrou seu centenário com carros alegóricos que representavam os eventos destacados nos cem anos de história da cidade. Um desses carros comemorava o ataque da turba contra as testemunhas de Jeová em 1940. As autoridades municipais consideravam que este era um evento memorável de sua história. Que Jeová os recompense!”

      APELOS DESATENDIDOS

      Tão graves e numerosos eram os ataques violentos contra as testemunhas de Jeová que o Procurador-Geral dos Estados Unidos, General Francis Biddle e a Sra. Eleanor Roosevelt (esposa do Presidente Franklin D. Roosevelt) fizeram apelos públicos para a cessação de tais ações. Com efeito, em 16 de junho de 1940, no próprio dia do incidente de Litchfield, durante uma transmissão radiofônica de costa a costa pela cadeia da “National Broadcasting Company”, Biddle declarou:

      “As testemunhas de Jeová têm sido repetidas veres atacadas e espancadas. Não cometeram crime algum; mas a turba julgava que cometeram, e lhes deu o castigo da turba. O Procurador Geral ordenou imediata investigação destes ultrajes.

      “O povo deve ficar alerta e vigilante, e, acima de tudo, frio e são. Visto que a violência da turba tornará a tarefa do governo infinitamente mais difícil, não será tolerada. Não derrotaremos o mal nazista por imitar seus métodos.”

      Mas, tais apelos não frearam a onda de hostilidade contra as testemunhas de Jeová.

      INTERROMPIDAS AS REUNIÕES CRISTÃS

      Durante esses anos turbulentos, os cristãos nos Estados Unidos às vezes eram atacados enquanto se reuniam pacificamente para instrução bíblica. Isso aconteceu, por exemplo em Saco, Maine, em 1940. Numa ocasião, quando as testemunhas de Jeová estavam em seu Salão do Reino do segundo pavimento, preparando-se para apresentar um discurso bíblico gravado, uma turba de 1.500 a 1.700 pessoas se formou, segundo Harold B. Duncan. Lembra-se claramente de que um sacerdote estava com eles, sentado num carro em frente do salão. “O sujeito na [vizinha] loja de consertos de rádio ligou todo rádio que pôde em pleno volume, de modo a abafar o discurso”, afirma o irmão Duncan, acrescentando: “Então a turba começou a apedrejar as vidraças das janelas. A polícia em trajes civis, com faroletes, apontou os raios de luz para as janelas a serem apedrejadas. A delegacia de polícia estava situada a um quarteirão e meio de distância. Fui lá duas vezes e informei-os do que acontecia. Disseram: ‘Quando vocês saudarem a bandeira americana, nós os ajudaremos!’ A turba apedrejou 70 [pequenas vidraças] do salão e uma pedra tão grande como meu punho passou raspando pela cabeça da irmã Gertrude Bob e arrancou um pedaço do reboque da parede.”

      A violência duma turba também irrompeu na assembléia de 1942 em Klamath Falls, Oregon. Segundo Don Milford, os arruaceiros cortaram os fios telefônicos que traziam um discurso de uma outra cidade de congresso, mas um irmão que tinha uma cópia do discurso imediatamente tomou a direção e o programa prosseguiu. Por fim, a turba invadiu o salão. As Testemunhas se defenderam e, quando a porta foi de novo fechada, um dos atacantes — “um homem alto e forte” — estava desmaiado dentro do prédio. Era um oficial de polícia, e foi tirada uma foto dele com o distintivo junto ao seu rosto. “Chamamos a Cruz Vermelha”, afirma o irmão Milford, “e enviaram duas mulheres com uma maca e o levaram. Ouviu-se-lhe dizer mais tarde: ‘Não pensei que eles fossem lutar.’” A polícia recusou-se a ajudar as Testemunhas, e demorou mais de quatro horas para que a turba fosse dispersada pela milícia estadual.

      AGRESSÕES NA OBRA DE REVISTAS NAS RUAS

      Ao passo que os policiais em certas localidades deixavam de proteger as testemunhas de Jeová, isso por certo não ocorria invariavelmente. Por exemplo, ao fazer o serviço de revistas na rua, em Tulsa, Oklahoma, há alguns anos, L. I. Payne observou que um policial sempre estava ao alcance da vista. “Assim”, diz o irmão Payne, “certo dia lhe perguntei por que estava sempre tão por perto. Sua observação foi no sentido de que, muito embora tivesse grande área a cobrir, ficaria naquela vizinhança porque não ia permitir que alguém me expulsasse dali ou me espancasse. Tinha lido como as cidadezinhas tratavam as Testemunhas e não podia entender por que alguém desejaria impedir esta obra.”

      Na realidade os servos de Jeová amiúde eram agredidos por turbas violentas ao se empenharem no testemunho na ruas com A Sentinela e Consolação. Para exemplificar, Georg L. McKee afirma que, semana após semana, em uma comunidade de Oklahoma, certas turbas, que iam de 100 a bem mais de 1.000 homens furiosos, fustigavam as Testemunhas empenhadas na obra de revistas nas ruas. O prefeito, o chefe de polícia e outras autoridades não forneciam proteção alguma. Segundo o irmão McKee, em geral os arruaceiros eram dirigidos por destacado médico e líder da Legião Americana, primo de Belle Starr, notória bandida. Primeiro, capangas bêbados começavam um distúrbio. Daí, vinha a turba, armada de tacos de bilhar, porretes, canivetes, cutelos de açougueiros e revólveres. Com que objetivo? Expulsar as Testemunhas da cidade. Mas, todo sábado, os proclamadores do Reino, determinavam de antemão, por quanto tempo iriam empenhar-se no serviço nas ruas e, embora a turba se juntasse rapidamente, tinham êxito em completar o tempo determinado. Muita revistas eram colocadas com os que faziam compras.

      Certo sábado, cerca de quinze Testemunhas foram assediadas. “Compreendemos que teríamos de confiar em Jeová Deus e no bom critério para escapar vivos”, afirma o irmão McKee, continuando: “Sem nem mesmo um aviso, começaram a atacar três de nós, irmãos, com seus canivetes e porretes. . . . Com braços quebrados, crânios fraturados e outros ferimentos, fomos a quatro médicos diferentes na comunidade, mas todos se recusaram a dar-nos o tratamento necessário. Tivemos que viajar para uma comunidade a uns 80 quilômetros de distância para obter os serviços de um médico condolente. As feridas e as mágoas logo sararam, e retornamos à esquina das ruas no sábado seguinte com as boas novas do Reino. Este espírito predominava durante todos os tempos aflitivos que passamos no auge da perseguição.”

      FÚRIA EM CONNERSVILLE

      Destacados entre os atos violentos eram os incidente ocorridos em 1940 em Connersville, Indiana. Certas mulheres cristãs que foram julgadas ali foram acusadas falsamente de “conspiração turbulenta”. Quando o irmão Rainbow, servo de zona, e Victor e Mildred Schmidt saíam do tribunal no primeiro dia de julgamento, cerca de vinte homens investiram contra seu carro, ameaçaram-nos de morte e tentaram virar o veículo.

      No último dia do julgamento, o promotor público usou o seu tempo de argumentação mais para incitar um motim, às vezes falando de forma direta para os homens armados no prédio. Por volta das 21 horas veio o veredicto: “Culpados.” Então, irrompeu uma tempestade de violência. A irmã Schmidt afirma que ela e seu marido Victor, que era um dos advogados que cuidavam do caso, junto com dois outros irmãos, foram separados das outras Testemunhas e uma turba de duzentas a trezentas pessoas investiu sobre eles. Ela nos conta:

      “Quase que de imediato, uma barragem de todos os tipos de frutas, legumes e ovos começou a bombardear-nos. Mais tarde nos disseram que os arruaceiros tinham jogado a carga inteira dum caminhão em cima de nós.

      “Tentamos correr para nosso carro, mas fomos impedidos e empurrados para a estrada que conduzia para fora da cidade. Então, uma turba correu para cima de nós, ferindo os irmãos e atingindo-me nas costas, provocando o efeito duma chicotada. Já então, uma tempestade tinha irrompido em toda sua fúria. A chuva caía em torrentes e o vento soprava furiosamente. No entanto, a fúria dos elementos era insignificante em comparação com a fúria desta turba endemoninhada. Devido à tempestade, muitos fugiram para seus carros, e dirigiam-nos ao nosso lado, berrando e amaldiçoando-nos e sempre incluindo o nome de Jeová em suas maldições. Oh, como isso doía em nossos ouvidos!

      “Mas, apesar da tempestade, parecia como se pelo menos cem homens a pé exercessem pressão sobre nós. Irmãos que lotavam um carro dirigido pela irmã Jacoby (agora irmã Crain) de Springfield, Ohio, tentaram socorrer-nos, mas a turba quase que virou o carro e o chutou e rebentou suas portas. Isto trouxe mais pancadas sobre nós, à medida que os arruaceiros nos puxavam para longe do carro. Os irmãos foram obrigados a ir embora sem nós. Ao sermos empurrados e a tempestade continuar sem diminuir, os arruaceiros continuavam gritando e bradando ‘Joguem-nos no rio! Joguem-nos no rio!’ Este brado incessante semeou o terror em meu coração, e, ao nos aproximarmos da ponte que cruzava o rio, o brado subitamente parou. Logo tínhamos atravessado a ponte. Era como se os anjos de Jeová tivessem cegado a turba quanto a onde estávamos! Pensei eu: ‘Obrigado, Jeová!’

      “Então os grandes e troncudos arruaceiros começaram a agredir de novo os irmãos. Quão duro era ver alguém que se ama ser agredido! Cada vez que batiam em Victor, ele cambaleava, mas jamais caiu. Tais golpes eram golpes horrorosos para mim . . .

      “Vez após vez, aproximaram-se de mim pelas costas e me deram aquele rápido empurrão como uma chicotada. Por fim separaram-nos dos dois irmãos, e, andamos de braços firmemente dados, Victor disse: ‘Não sofremos tanto quanto Paulo. Não resistimos até ao derramamento de sangue.’ [Compare com Hebreus 12:4.]

      “Estava muito escuro e ficava tarde (soube depois que eram por volta das 23 horas). Estávamos além dos limites da cidade e quase exaustos quando, subitamente, um carro parou bem perto de nós. Uma voz familiar disse: ‘Depressa! Entrem!’ Oh, ali estava aquele excelente jovem pioneiro, Ray Franz salvando-nos desta turba violenta! . . .

      “Aqui, de novo, sentíamos que os anjos de Jeová tinham cegado o inimigo para não nos ver entrar no carro. Ali, no carro, seguros da turba, estavam os queridos irmãos Rainbow e esposa, e três outros. De alguma forma, esse carrinho teve espaço, para todos nós oito. Todos sentíamos que os anjos de Jeová tinham impedido que o inimigo nos visse entrar no carro. A turba ainda estava violentamente irada conosco, sem nenhum indício de nos livrar. Parecia como se Jeová, com seus braços amorosos, tivesse nos alcançado e nos libertado! Mais tarde soubemos que, depois de os dois irmãos serem retirados de perto de nós, encontraram refúgio numa pilha de feno até que alguns irmãos os encontraram bem cedo de manhã. Um dos irmãos fora gravemente ferido por um objeto atirado nele.

      “Chegamos em casa por volta das 2 da madrugada, ensopados e gelados, visto que a tempestade pusera fim a uma onda de calor e trouxera o ar frio. Nossos irmãos e irmãs nos ministraram, até mesmo pensando cinco feridas abertas no rosto de Victor. Quão gratos ficamos de estar sob os cuidados amorosos de nossos queridos irmãos!”

      Apesar de tais graves experiências, contudo, Jeová sustenta e fortalece seus servos. “Assim”, observa a irmã Schmidt, “aqui tínhamos sofrido outro tipo de prova, que Jeová misericordiosamente nos ajudara a suportar, e deixar que ‘a perseverança tivesse a sua obra completa’.” — Tia. 1:4

      OUTROS ATOS DE BRUTALIDADE DA TURBA

      Muitos foram os atos de violência da turba, tendo por alvo as testemunhas de Jeová. Em dezembro de 1942, em Winnsboro Texas, várias testemunhas de Jeová foram assediadas por uma turba enquanto faziam o serviço de revistas nas ruas. Entre as Testemunhas achava-se O. L. Pillars, servo aos irmãos (superintendente de circuito). À medida que os arruaceiros se aproximavam, as Testemunhas concluíram que não poderiam fazer o trabalho nas ruas sob tais circunstâncias. Assim, começaram a andar em direção a seu carro. “No meio da rua principal, em seu carro-sonante, estava o pregador batista C. C. Phillips”, lembra-se o irmão Pillars. “Ele estava pregando sobre Cristo e sua crucificação, mas, logo que nos viu, mudou seu sermão. Começou a falar de modo bombástico e a dizer disparates sobre como as testemunhas de Jeová não saudavam a bandeira. Ele disse como estaria feliz de morrer pela ‘Old Glory’ (Velha Glória), e que qualquer pessoa que não saudasse a bandeira deveria ser expulsa da cidade. Ao passarmos por seu carro, olhamos adiante, podendo ver outra turba que vinha em nossa direção. Logo cercaram fileiras sobre nós e nos detiveram até que o delegado municipal surgiu e nos prendeu.”

      Mais tarde, a turba entrou no escritório do delegado, que não fez esforço de proteger as Testemunhas. Os arruaceiros se apoderaram delas. Na rua, o irmão Pillars, por sua vez estava sendo surrado. “Desta feita”, afirma o irmão Pillars “senti a ajuda mais incomum. Estava levando tremenda surra. O sangue jorrava do meu nariz, rosto e boca, mas não sentia dor alguma. Mesmo nessa hora, maravilhei-me desse fato e achei que era manifestação da ajuda angélica. . . . Para mim, explicava como nossos irmãos alemães suportaram fielmente o calor da perseguição nazista sem vacilar.”

      O irmão Pillars foi repetidamente espancado até ficar inconsciente, então reanimado e espancado de novo. Por fim, não podendo fazer que recobrasse os sentidos, os arruaceiros o embeberam em água fria e tentaram obrigá-lo a saudar uma bandeira de cinco por dez centímetros, segundo ele, “a única bandeira que estes grandes ‘patriotas’ conseguiram achar”. Ao erguê-la, erguiam também o braço dele, mas ele deixou cair a mão, mostrando que não faria a saudação. Logo amarraram uma corda no pescoço dele, jogaram-no ao chão e o arrastaram até a cadeia. Vagamente, ouviu-os dizer: “Vamos enforcá-lo logo. Assim nos livraremos para sempre dessas Testemunhas.” Não muito depois disso, tentaram fazer exatamente tal coisa. Escreve o irmão Pillars: “Puseram a corda nova de cânhamo, de pouco mais de um centímetro, ao redor do meu pescoço, dando o laço do carrasco por trás da orelha, e me arrastaram para a rua. Em seguida, jogaram a corda por cima dum cano que saía do prédio. Quatro ou cinco arruaceiros começaram a puxar a corda. Ao ser erguido do solo, a corda ficou apertada e desmaiei.”

      A próxima coisa que o irmão Pillars se deu conta era de que estava de volta à cela sem aquecimento. Um médico o examinou e disse: “Se quer que este rapaz viva, é melhor levá-lo para o hospital, visto que perdeu muito sangue e seus olhos se dilataram.” A isto, o delegado redargüiu: “Ele é o Diabo mais teimoso que já vi.” “Como essas palavras me encorajaram”, observa o irmão Pillars, “pois me asseguravam de que não havia transigido”.

      Depois de o médico ir embora, os arruaceiros encheram a cadeia fria, escura. Acenderam fósforos para ver o rosto do irmão Pillars, e ele os ouviu dizer: “Já está morto?” Alguém respondeu: “Não, mas vai morrer.” Congelado de frio até os ossos e completamente encharcado, o irmão Pillars tentou evitar tremer de frio, esperando que o imaginassem morto. Por fim, foram embora e tudo ficou quieto. Com o tempo, a porta se abriu, entrou a Polícia Estadual do Texas e o irmão Pillars foi levado de ambulância para o hospital em Pittsburgo, Texas. Tinha estado a mercê da turba durante seis horas. Mas, o que acontecera quando o enforcaram? Por que ainda estava vivo? “Descobri tais respostas em fins do dia seguinte”, observa o irmão Pillars, acrescentando:

      “Na enfermaria de presos no hospital de Pittsburgo onde eu me recuperava chegou o irmão Tom Williams. Era um advogado local de Sulphur Springs e verdadeiro batalhador pela justiça. Esforçara-se de localizar-me, sem nenhum êxito, até que ameaçou processar a cidade. Então lhe revelaram que eu estava hospitalizado. Quão bom foi ver o rosto dum irmão. Ele me contou então que toda a cidade comentava — eu tinha sido enforcado, mas a corda rebentara!

      “Mais tarde, o F. B. I. fez uma investigação oficial e isto levou a uma audiência de instrução dum júri, um grupo de pentecostais se dispondo a testemunhar. Disseram: ‘Hoje são as testemunhas de Jeová. Amanhã seremos nós!’ Quando descreveram o enforcamento, disseram: ‘Vimo-lo balançando na corda. Então ela rebentou. Quando vimos a corda rebentar sabíamos que era o Senhor que a rebentara.’”

      O delegado e outras autoridades fugiram atravessando as fronteiras estaduais. Por isso, jamais foram julgados. O irmão Pillars se recuperou e voltou a seu trabalho como servo aos irmãos naquela área.

      SUPORTANDO A PERSEGUIÇÃO BRUTAL

      “Jamais poderia suportar tal perseguição brutal!” talvez afirme. Não, não em sua própria força. Mas, Jeová pode torná-lo forte se aproveitar Suas provisões para a edificação espiritual agora. A razão principal para a perseguição se relaciona com a questão da soberania universal. Com efeito Satanás desafiou a Deus, afirmando que nenhum humano permaneceria fiel a Jeová sob prova por parte do Diabo. Que privilégio é manter integridade a Deus, assim provando Satanás mentiroso, e apoiando o lado de Jeová na questão! — Jó 1:1-2:10; Pro. 27:11.

      Nos anos desde aqueles dias turbulentos de muitos ataques de turbas contra as testemunhas de Jeová, nos Estados Unidos, o povo de Deus, tornou-se cada vez mais cônscio da necessidade de confiar plenamente em Jeová. Ao passo que defenderão a si mesmos e a seus entes queridos, em harmonia com os princípios bíblicos, não se armam de armas mortíferas em antecipação dos ataques. (Mat. 26:51, 52; 2 Tim. 2:24) Antes reconhecem que ‘as armas de seu combate não são carnais’. — 2 Cor. 10:4, veja A Sentinela de 1.º de dezembro de 1968 páginas 729-734.

      ASSEMBLÉIA TEOCRÁTICA EM SÃO LUÍS

      A humanidade já se achava nas garras da Segunda Guerra Mundial e a perseguição grassava entre o povo de Deus. Mas ‘Jeová dos exércitos estava com eles.’ (Sal. 46:1, 7) Ele se certificava de que obtivessem amplas provisões de boas coisas em sentido espiritual. Muito digna de nota, nesse sentido, foi a Assembléia Teocrática das Testemunhas de Jeová em São Luís, Missúri, de 6 a 10 de agosto de 1941.

      Os servos de Jeová ansiavam estar presentes a essa assembléia. Assim, muitos deles achavam-se na estrada, seguindo para São Luís. “Logo soubemos”, diz a irmã A. L. McCreery, “que todas as Testemunhas puseram uma revista [A Sentinela ou Consolação] na janela do carro para identificar-se; nós também o fizemos. A viagem inteira foi uma em que acenávamos para pessoas inteiramente estranhas que passavam por nós, mas sabíamos que eram nossos irmãos pelos seus sorrisos e acenos.

      Apesar da pressão da Ação Católica e dos Veteranos nas Guerras Estrangeiras, o encarregado da Arena recusou-se a cancelar o contrato de seu uso pelas testemunhas de Jeová. No entanto, as igrejas católicas circularam uma propaganda que fez com que muitos moradores cancelassem os quartos que iriam alugar para o povo de Deus. “Freiras foram de porta em porta, dizendo às pessoas que não alugassem quartos para as testemunhas de Jeová”, afirma Robert E. Rainer. Por isso, ao chegarem a São Luis, “tantas Testemunhas não tinham acomodações que se tornou necessário mandar fazer colchões e enchê-los, de modo que pudessem dormir nas instalações da Arena”, segundo Margaret J. Rogers.

      A respeito do problema de acomodações, o irmão e a irmã G. J. Janssen declaram: “Durante o congresso, um jornal publicou uma foto duma Testemunha que era mãe, e seu filho dormindo a noite no gramado do local do congresso. Isso bastou. Os moradores locais, com o coração mais abrandado do que o dos seus falsos mestres, começaram a telefonar ao departamento de hospedagem para dizer que seus quartos extras estavam disponíveis para as Testemunhas.” Não demorou muito até que os quartos eram oferecidos por telegramas, telefonemas cartas, visitas pessoais e outros meios. Os publicadores do Reino eram até mesmo parados nas ruas por pessoas que lhes ofereciam hospedagens.

      Algumas Testemunhas, ao chegarem, dirigiram-se para a Cidade Teocrática dos Carros-Reboques. Cresceu até que o local pululava com 677 carros-reboques, 1.824 tendas, 100 carros com camas, 99 caminhões e 3 ônibus — e uma população de 15.526 pessoas. “Era imensa”, observa Edna Gorra, que também afirma: “Deram-nos nomes as ruas e havia instalações para lavagem de roupa, banheiros adequados, etc. Era algo maravilhoso de se contemplar — pessoas de diferentes estados morando em seus carros-reboques, suas tendas e seus ônibus, todos de comum acordo.”

      DESTAQUES DO PROGRAMA

      Espiritualmente recompensador foi deveras o programa do congresso. Por exemplo, Hazel Burford, agora missionária no

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