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Lealdade à organização de JeováA Sentinela — 1964 | 15 de novembro
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Lealdade à organização de Jeová
Narrado por S. A. Liwag
“UMA coisa pedi a Jeová — isso é o que buscarei: Que eu habite na casa de Jeová todos os dias de minha vida, para contemplar a agradabilidade de Jeová e olhar com apreciação para o seu templo.” — Sal. 27:4.
Êste texto expressa exatamente o que desejo, desde que vim a conhecer a Jeová, e tal desejo se tem tornado cada vez mais forte com o passar dos anos. Vejo como Jeová sempre abençoa ricamente os que apóiam lealmente a sua organização, nos empenhos dela. Também, tal serviço leal resulta em grande satisfação pessoal e em que muitas outras pessoas sejam ajudadas a usufruir o indizível privilégio de servir a Jeová em sua organização visível.
PROVADA DE INÍCIO A LEALDADE
Minha lealdade a Jeová e à sua organização foi provada logo de início e com freqüência. Nasci de família católica-romana, mas sempre me interessei em saber qual era realmente a verdade. Por isso, fiz extensas pesquisas sobre religião, quando lecionava em uma escola na Cidade de Cabanatuan, lá pelos idos de mil novecentos e trinta. Não obtive nenhuma satisfação por meio das publicações das várias religiões que estudei, mas, então me confrontei com as publicações da Sociedade Tôrre de Vigia. Depois de estudá-las, sabia que o que diziam era a verdade. Visto ser a verdade, merecia ser contada a outras pessoas. Assim é que, em 1933, dediquei a minha vida a Jeová.
Ao crescer em conhecimento, entendi mais claramente a posição de um cristão neste sistema de coisas. O folheto The Kingdom, the Hope of the World, (O Reino, a Esperança do Mundo) fêz-me ver a suprema verdade que o reino de Deus é a única esperança do homem, o único remédio para todos os males do mundo. Arrazoei que, se votasse a favor de qualquer govêrno dos homens, para qualquer candidato ou partido político, então não seria neutro como Cristo Jesus, no tocante aos assuntos dêste mundo. (João 17:16) Em essência, seria desleal ao próprio govêrno de Jeová e estaria negando a grande verdade de que o reino de Deus é a única esperança do homem. Eu não poderia fazer isso e não o faria. Entretanto, voltando as costas à política do mundo criou uma crise em nossa família, que resultou em ser desprezado e mandado embora de casa.
Visto ser eu a única testemunha de Jeová na comunidade, encontrei no privilégio de orar uma grande fonte de vigor e de conforto. O conhecimento de que fazia a vontade de Deus e estava sofrendo por amor à justiça era outra fonte de vigor e de conforto. Sentia Jeová Deus tão perto que tornava minhas as expressões registradas no Salmo 27:10: “No caso de meu próprio pai . . . abandonar-me, até mesmo o próprio Jeová receber-me-ia.” E meu Deus leal e Pai celestial fêz exatamente isso. — Pro. 18:10.
Sob a direção do escritório da Sociedade em Manila, aprendi a efetuar a obra de pregação mais eficientemente. Fui de casa em casa com uma pasta cheia de publicações bíblicas, apresentando primeiro a mensagem com um cartão de testemunho, e daí explicando mais sôbre a mensagem e apresentando compêndios bíblicos.
Ao continuar dêste modo, mês após mês, não compreendia que me tornara um espetáculo à comunidade, especialmente para os meus co-professôres. Então, surgiu outra crise, desta vez em relação com a minha profissão de professor. Fui chamado ao escritório do superintendente da divisão de escolas e foi-me dito que não poderia continuar a pregar de casa em casa, nos fins de semana e ainda assim ter permissão de ensinar na escola. Expliquei que todo o mundo, inclusive os professôres públicos, tinham o direito de praticar a sua religião de seu próprio modo. De nada me valeu isto. Pediram-me que apresentasse minha resignação. No entanto, disse ao superintendente que não resignaria. Êle poderia fazer o que bem quisesse e levaria a responsabilidade diante de Deus Todo-poderoso.
ABENÇOADO POR SEGUIR O CONSELHO DA SOCIEDADE
Escrevi ao presidente da Sociedade naquele tempo, J. F. Rutherford, informando-o do que me acontecia. Êle me respondeu com muita bondade, aconselhando-me a sair como pioneiro se fôsse despedido de ensinar na escola. Fiz isto, e desde então tenho gozado imensamente a pregação e o ensino de tempo integral, quer fôsse feito abertamente ou às ocultas. O ministério se demonstrou ser imensamente mais satisfatório e alegre do que ensinar na escola, ou mesmo que fazer qualquer outro trabalho.
Depois de simbolizar a minha dedicação a Jeová Deus pelo batismo em água, em 19 de outubro de 1934, fui designado junto com outro pioneiro a cobrir a localidade de Tagalog, em Luzon central. Embora ser pioneiro naqueles dias não fôsse feito da mesma forma que hoje, não era menos emocionante e satisfatório. Exigia muita fé naquele tempo, assim como hoje.
Todos os territórios naquele tempo eram virgens e tínhamos de aprender novos dialetos de modo que pudéssemos falar com as pessoas em cada região a que íamos. Quando chegávamos a um nôvo povoado, primeiro procurávamos um lugar de dormida. Não achando um logo de início, pedíamos permissão de pernoitar no edifício da municipalidade, mesmo que fôsse em uma cela desocupada. Ao irmos de casa em casa, procurávamos achar acomodações e mudávamos para lá quando as achávamos.
Usualmente, pregávamos nos escritórios do govêrno, nas escolas e na própria cidade primeiro. Daí, pregávamos na zona rural, tanto quanto pudéssemos alcançar. Enchíamos as nossas pastas de livros e levávamos pacotes extras de publicações, debaixo dos braços. Atravessávamos rios, escalávamos montanhas, comíamos qualquer alimento que nos fôsse possível obter e dormíamos onde nos encontrássemos quando chegava a noite, até que nosso suprimento de publicações se esgotasse. Onde quer que achássemos lugar de dormida, pagávamos pela hospitalidade do hospedeiro por lhe tornar conhecido a Jeová Deus e a seu reino. Muitas vêzes falávamos até altas horas da noite. Então, antes de partirmos na manhã seguinte, apresentávamos a êles alguns folhetos como dádiva, se já não tinham obtido alguns dêles prèviamente.
Usávamos extensivamente o método de trocas, especialmente no meio rural, recebendo arroz, ovos, galinhas, açúcar e outros comestíveis em troca de publicações bíblicas. Experimentávamos o cumprimento literal das palavras de Jesus em Mateus 6:33: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e tôdas estas [outras] coisas vos serão acrescentadas.”
Em fevereiro de 1936, fui chamado para o serviço de Betel na filial de Manila. Dali, eu e meu companheiro no serviço de pioneiro fomos enviados como pontas de lança para o trabalho nas Visayas e Mindanao. Partimos para a Cidade de Cebu, a segunda das maiores cidades das Filipinas, e dali trabalhamos em diversas direções.
Ao aceitarem a verdade as pessoas favoràvelmente dispostas e ao se dedicarem a Jeová e se unirem a nós no trabalho, o grupo foi crescendo cada vez mais. Isto tornou necessário dividir o grupo. Meu fiel companheiro pioneiro dirigiu um grupo em direção ao leste, para as províncias ilheenses de Bohol, Leyte e Masbate. Eu dirigi o outro grupo em direção ao oeste, para Negros, Panay e daí para o sul, para Mindanao.
Em tôda a parte, os padres católicos e os missionários protestantes de tôdas as denominações combateram a nossa obra de pregação com dentes e unhas. Atacaram-nos de seus púlpitos e em suas publicações. Mas, as pessoas que amavam a Jeová e ao seu reino continuaram a manifestar-se, não sem freqüência como resultado direto desta oposição violenta contra nós.
ÀS OCULTAS DURANTE A OCUPAÇÃO JAPONESA
No princípio de 1939, fui chamado de volta a Manila, onde realizamos nossa primeira assembléia nas Filipinas, no Grande Teatro da ópera de Manila. Foi destacada pelo discurso gravado pelo irmão Rutherford, intitulado “Govêrno e Paz”. Quase todos os 300 de nós anunciamos o discurso público nas seções comerciais de Manila. Era interessante observar as várias reações dos espectadores — admiração, surprêsa, vaias, ódios. Certo espectador comentou: “Não sabia que havia tantas testemunhas de Jeová. Ora, são como gafanhotos em numero!”
Em 1940, fui enviado ao norte, junto com seis pioneiros, para iniciar a obra na região de Ilocos e no Vale de Cagayan. Certa vez passamos mais de um mês na cadeia, por causa da nossa pregação, mas, depois de sermos soltos, voltamos ao lugar onde tínhamos parado e continuamos a cobrir nosso território até o Vale de Cagayan.
No princípio de 1941, fui de nôvo chamado de volta a Manila. Fui então designado a servir diferentes grupos nas Visayas e Mindanao, no sul. Por volta do fim de novembro daquele ano, tinha cumprido minha missão no sul e me preparava para tomar um navio em direção a Manila, em 8 de dezembro.
Não consegui tomá-lo. Acabara de servir a um grupo de pioneiros em Toril, Cidade de Davao, quando as fôrças aéreas e navais japonêsas lançaram-se num ataque simultâneo de blitzkrieg.
Carregando todas as publicações que pudéssemos levar, dirigimo-nos às montanhas, com os soldados japoneses bem atrás de nós. Às vezes, eles chegavam aos pontos estratégicos na nossa frente, de modo que tínhamos que seguir por um desvio e viajar na maioria das vezes de noite, através de densas florestas infestadas de sanguessugas e pelas colinas sem estradas. Dirigiamo-nos a territórios ainda não ocupados, quer individualmente, quer em grupos.
Estudávamos a Palavra de Deus tanto quanto era possível, orando incessantemente para têrmos orientação, vigor e proteção divinos. Não esperávamos que as oportunidades de pregar viessem até nós, mas criávamos oportunidades de transmitir a Palavra de confôrto e de vida a outras pessoas. Ao chegar quase ao fim o nosso suprimento de publicações, apenas emprestávamos folhetos às pessoas interessadas e fazíamos revisitas para iniciar estudos bíblicos. Com o tempo, tornamo-nos uma congregação viajante de cêrca de duzentas pessoas, cêrca de metade de visayanos e a metade de ilocanos, cujos dialetos aprendemos a falar com boa vantagem.
Vez por outra, fomos apanhados no meio da linha de fogo entre as fôrças japonesas e as guerrilhas locais, ou caíamos nas mãos de perambulantes bandidos armados. De tudo isso nosso maravilhoso Deus, Jeová, livrou-nos, de modo que as únicas vidas perdidas foram as dos que morreram de malária ou por causa de outra doença, ou devido à exaustão completa causada por quase quatro anos destas duras experiências.
Era mui surpreendente observar que, ao acamparmos em certo lugar, enquanto não tínhamos coberto todo o território acessível a partir daquela localidade, não tínhamos êxito em partir para outro lugar. No entanto, quando nos estabelecíamos em certo lugar e achamos que faríamos bem em ficar por mais tempo, algo invariàvelmente acontecia, quando todo o território acessível tinha sido coberto, e nos sentíamos obrigados a ir embora. Será que era a mão de Jeová que nos guiava? Não tínhamos dúvida a respeito disso.
Ao piorar a situação, não havendo nenhuma comunicação entre os irmãos de outras partes das Filipinas, fomos forçados a penetrar mais e mais no coração das densas matas virgens de Mindanao. Os japonêses colocaram um preço para a minha cabeça, vivo ou morto.
Durante mais dois anos tivemos que viver na densa floresta como comunidade separada, sem contato com o mundo exterior, exceto quando pregávamos. Abrimos clareiras, vivíamos de raízes e de frutas silvestres e de porco selvagem e de carne de macaco até que colhíamos arroz, milho e batatas doces. Os diferentes grupos familiares foram organizados para palestrarem sôbre o texto diário, geralmente de noite, quando os reides de surprêsa dos japoneses ou as guerrilhas dos nativos eram menos prováveis. Ambos se ressentiam muito de não tomarmos os lados respectivos. Uma vez por semana tínhamos um estudo congregacional em cebu-visayo e em ilocano.
Veio o tempo em que a maior parte de nossas publicações se perdera ou se gastara. Tínhamos apenas alguns exemplares da Bíblia que ainda restavam. Como era feita a obra de pregação então? Bem, dividíamos os irmãos em grupos de seis a oito. A metade dos grupos trabalhavam a favor do alimento material da comunidade por uma semana, enquanto a outra metade saía para pregar. Na semana seguinte revertia-se o processo. Em cada grupo havia um ou dois irmãos maduros que podiam proferir um testemunho de uma hora sôbre o Reino. Cada grupo tinha uma ou duas crianças que eram treinadas a dar um resumo de cinco minutos do mesmo assunto. Cada grupo tinha um exemplar da Bíblia. Quando um grupo chegava a uma casa ou choupana, alguém do grupo saudava as pessoas e esclarecia a finalidade da visita, apresentando o orador e seu assunto. Depois de um discurso sem formalidade, por uma hora, o “presidente” sugeria que se ouvisse um resumo do discurso, que o jovem que era ministro proferia. Dado o resumo, o presidente convidava os moradores a fazerem perguntas. Se não tivessem nenhuma pergunta ou fôssem muito acanhados para fazê-las, outras pessoas do grupo faziam as perguntas preparadas de antemão para o benefício dos moradores. Diferentes membros do grupo participavam em responder às perguntas. Dessa forma, todos participavam no testemunho.
Por volta do fim desta atividade ministerial às ocultas, caí nas mãos de uma patrulha japonêsa durante um reide sôbre o nosso esconderijo na floresta. Fui arrastado como um perigoso criminoso através da floresta e para a cidade que era o quartel-general dos japonêses. Fiquei feliz ao descobrir que tinha comigo a minha Bíblia de bôlso, a única coisa que pude levar comigo. No acampamento, fui interrogado pelo oficial comandante japonês através de um intérprete. Usando a Bíblia, expliquei a posição neutra das testemunhas de Jeová e como, quais ministros dedicados de Deus, a nossa lealdade era para com o govêrno do reino celestial de Jeová. Depois de horas de interrogatório que se estenderam até altas horas da noite, para minha grande surprêsa, fui libertado! Voltei prontamente para os meus queridos, em nosso lar na floresta, enquanto que orações fervorosas e a tristeza se transformaram em gritos de alegria e lágrimas de gratidão a Jeová, pelos seus atos maravilhosos de longanimidade.
ATIVIDADE NO APÓS-GUERRA
Em 1945, as fôrças de libertação estadunidenses vieram e os irmãos retornaram a suas respectivas povoações. Para tôda a parte que foram, levaram o nôvo modo de vida que aprenderam com outras pessoas dentre o povo de Jeová, durante a guerra. Foi assim que, depois da ocupação japonêsa das Filipinas, as congregações das testemunhas de Jeová cresceram como cogumelos aqui e acolá. As 373 Testemunhas de antes da guerra se tornaram mais de 2.000 depois da guerra.
Eu me desliguei dos amados irmãos de Mindanao, de modo que pudesse entrar em contato com outros irmãos e também apresentar-me ao escritório da filial em Manila, chegando ali quase no fim de 1945. Em 1946, servi na obra de distrito. Em 1947, o presidente da Sociedade, N. H. Knorr, e seu secretário, M. G. Henschel, visitaram as Filipinas. Tal visita memorável se provou ser marco para a obra do Reino nas Filipinas, pois logo depois, missionários treinados em Gilead foram designados ao país. Isto assinalou o comêço do rápido aumento que viu 33.737 publicadores ativos em dezembro de 1963!
Com outros dois irmãos das Filipinas, fui convidado à Escola de Gilead em 1949, e me formei na Assembléia do Aumento da Teocracia, no Estádio Ianque, Cidade de Nova Iorque, em 1950. Daí fui designado de nôvo às Filipinas. No ano seguinte, com a ajuda da Sociedade e de outros irmãos amorosos, pude assistir à Assembléia da Adoração Pura, em Londres e em Paris. Em 1955, tive o raro privilégio de assistir às Assembléias do Reino Triunfante em Los Ângeles, Nova Iorque, Londres, Paris, Nurembergue, Berlim, e Haia, visitando outros irmãos em Madri, Roma, Beirute, Bangkok e Hong Kong, no caminho de volta.
Fomos favorecidos com outra visita do Irmão Knorr, em 1956, e em 1957, pela do vice-presidente da Sociedade, F. W. Franz. Daí, em 1958, fui um dos oitenta e um delegados das Filipinas àquela inesquecível Assembléia Internacional da Vontade Divina, no Estádio Ianque e no Campo de Pólo, na Cidade de Nova Iorque. Em 1963, ficamos emocionados de ver Manila servir como uma das cidades na grandiosa Assembléia Ao Redor do Mundo das Testemunhas de Jeová. Quão gratos ficamos ao ver 37.806 pessoas assistindo ao discurso público, excedendo de muito as nossas expectativas! Desde aquele tempo, pela imerecida bondade de Jeová, tenho continuado a usufruir muitos preciosos tesouros de serviço na filial na cidade de Quezon.
Sim, a vida na organização de Jeová é rica, além de qualquer comparação! Tôdas as muitas bênçãos que tenho usufruído, devo a nosso maravilhoso Deus, Jeová, e a sua leal organização que tão ricamente merece o nosso amor e a nossa lealdade em retribuição.
Se fôsse possível voltar atrás, à minha primeira juventude, eu desejaria fazer a mesma decisão que fiz há trinta e um anos atrás, apenas com ainda maior determinação — a de servir a Jeová lealmente por tempo integral, junto com sua maravilhosa organização.
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Dessatisfeitos com as igrejasA Sentinela — 1964 | 15 de novembro
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Dessatisfeitos com as Igrejas
● Certa Testemunha, que mora em Iowa, E. U. A., conta o que aconteceu certo dia, quando dois meninos, de dez e de sete anos de idade, chegaram muito agitados à sua porta e lhe perguntaram qual era o horário das reuniões realizadas pelas testemunhas de Jeová: “Disseram que já havia algum tempo que desejavam ir, mas agora a sua mamãe por fim lhes permitiu ir. Os pais dêles os haviam obrigado a ir a diferentes igrejas, mas, visto que haviam aprendido a respeito da nova ordem de coisas de Deus, que sua vovó lhes ensinara há muitos anos atrás, não se sentiam nada satisfeitos. Assistiram à sua primeira reunião naquela mesma noite.”
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