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Obter êxito no celibatoDespertai! — 1973 | 8 de abril
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Assim, acha-se o leitor entre aqueles que — por livre escolha ou pelas circunstâncias — são celibatários agora? Há muito que pode fazer para obter êxito em seu celibato. Por dar atenção a seu conceito e à sua conduta, não se poderá dizer que, ao passo que permanece solteiro, é um fracasso em seu celibato. Antes, verificará que o celibato é uma forma recompensadora de vida, com suas próprias oportunidades e suas próprias bênçãos.
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Os cristãos fogem da cruel perseguição em MalauiDespertai! — 1973 | 8 de abril
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Os cristãos fogem da cruel perseguição em Malaui
MILHARES de homens, mulheres e crianças cristãs fugiram nas semanas recentes de Malaui, país da África Oriental.
Quase 11.600 pessoas afluíram para o vizinho Moçambique. Uma notícia de Zâmbia para o Daily Telegraph de Londres dizia que 8.925 pessoas procuraram refúgio em Zâmbia em meados de outubro de 1972, e mais pessoas continuavam a chegar diariamente. Alguns andaram até mais de 560 quilômetros, apenas com os bens que puderam carregar. O Times of Zâmbia disse que o país se via confrontado com uma “crise de refugiados”. Ainda outros fugiram para a Rodésia.
Por que este êxodo em massa de cristãos que viviam em Malaui?
Relatórios confirmados por milhares de testemunhas oculares forneciam um relato horrível da brutal perseguição naquele país, perseguição raramente igualada na história moderna. Entre os milhares que agora moram em campos de refugiados construídos às pressas, muitos mostravam os efeitos de espancamentos e torturas horrendos.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para refugiados enviou o representante, Dr. Hugo Idoyaga, à fronteira de Zâmbia e Malaui. Ele relatou “que muitos dos refugiados apresentavam cortes e ferimentos aparentemente infligidos por pangas, as enormes facas comuns à África Oriental.” — Times de N. I., 22 de outubro de 1972.
Todos estes refugiados eram testemunhas de Jeová. Formavam ampla maioria de umas 23.000 testemunhas de Jeová africanas para as quais Malaui era seu lar.
O sofrimento não era coisa nova para muitas delas. Em 1967, uma onda anterior de perseguição lhes trouxera intensas provações. Milhares de suas casas, lojas e locais de adoração foram destruídos e pilhados, várias Testemunhas foram assassinadas, centenas de suas mulheres foram violadas, algumas repetidas vezes. Sua atividade cristã, suas publicações bíblicas e suas reuniões para adoração foram todas banidas oficialmente.
Agora, cinco anos depois, selvagem perseguição grassou numa escala ainda maior do que antes. Fez-se um esforço nacional de destruir as testemunhas de Jeová como grupo cristão unido em Malaui, privando-as de todo emprego e dos próprios meios para se alimentarem e se abrigarem em casas. As estimativas dos mortos vão de dez mortes confirmadas até a sessenta pessoas.
Incrível como isso possa parecer neste século vinte, trata-se da verdade. Leia por si mesmo os relatos de testemunhas oculares da violência horripilante que ocorre em Malaui. Daí, considere se esta agressão poderia ou não ser justificada de algum modo. Cremos que concordará que se comete ali um trágico crime contra a humanidade, crime este que clama por rápido alívio.
[Foto na página 9]
Manchetes em muitos lugares falam da perseguição às Testemunhas em Malaui.
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Chocante registro de desumanidadeDespertai! — 1973 | 8 de abril
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Chocante registro de desumanidade
AS PESSOAS decentes, tanto em Malaui como em outras partes ficaram chocadas com as ações tomadas naquele país contra uma minoria indefesa.
A violência começou em escala pequena em meados de 1972. Alcançou proporções maciças no outono. Nessa época, o congresso anual do Partido Congressista Malaui, o único partido político do país, atiçou o espírito de violência amotinada. O congresso se encerrou com três resoluções fortemente redigidas que atacavam as testemunhas de Jeová. De julho em diante, os membros da militante Liga Jovem do partido e seu movimento de Jovens Pioneiros assumiram a liderança em vitimar as testemunhas de Jeová, e então travaram virtual guerra contra elas. Organizaram-se em grupos, indo de uma dúzia, mais ou menos, até cem pessoas. Daí, foram de povoado em povoado, armados de porretes, clavas, pangas e machadinhas, procurando e atacando as testemunhas de Jeová e suas propriedades.
Como observou o colunista Guy Wright do Examiner de São Francisco (17 de outubro de 1972), era “bem uma guerra unilateral, medindo-se a força com a fé”. Todavia, a fé deveras resultou mais forte, à medida que uma Testemunha após a outra demonstrava que sua fé não podia ser rompida pela brutalidade.
Eis aqui alguns dos relatórios de testemunhas oculares, dentre as centenas, das atrocidades cometidas:
● Típico do que se passou nos povoados é o seguinte relatório de David Banda, do Povoado de Kaluzi, Lilongwe: “Foi em 23 de setembro que o Sr. Gideon Banda, ministro do parlamento, veio falar a uma reunião pública. Eu pude ouvir a maior parte do que era dito através de alto-falantes, visto que minha casa distava apenas alguns metros do local de reunião. O Sr. Banda começou relatando à reunião o que fora considerado na reunião anual do partido. Daí, passou a discutir a questão das testemunhas de Jeová. Eu o ouvi dizer à reunião que o congresso anual resolvera tratar cruelmente as testemunhas de Jeová devido à sua recusa de comprar carteiras de filiação ao partido.
“Na noite de 25 de setembro, o irmão Swila veio me dizer que tinha visto grupos de jovens se ajuntando. Imediatamente alertamos os irmãos, mas, antes de podermos fazer algo, os jovens começaram seus ataques, quebrando vidraças e portas de nossas casas e então espancando os irmãos. Estávamos todos espalhados, de modo que não sabíamos o que realmente acontecia a cada um de nós e estava ficando muito escuro. Eu mesmo fui esconder-me e então, bem cedo de manhã, fui à polícia relatar o ocorrido. Ao invés de ouvirem minha queixa, a polícia me mandou embora. Enquanto ainda estava na delegacia, vi grupos de irmãos de outras congregações chegarem para relatar incidentes similares. A polícia lhes disse que voltassem para seus respectivos povoados.”
No entanto, as Testemunhas recusaram voltar sem proteção, indo ao invés para o mercado. David Banda relata o que aconteceu ali:
“Quando os jovens ouviram dizer que as Testemunhas tinham ido para o mercado, foram para lá e começaram a espancar os irmãos e as irmãs com varapaus e com seus punhos, e os chutavam por todo o corpo. A polícia nada fez para impedir os ataques. Daí, a violência encheu o inteiro povoado de Lilongwe. Não obstante, os irmãos conseguiram escapar, até que finalmente fugimos para Zâmbia.
● Evans Noah do Povoado de Mwalumo relata: “Em 18 de setembro de 1972, fui visitar um dos irmãos. Vimos um carro aproximar-se e reconheci o motorista como o Sr. Gamphani, membro do parlamento Malaui. Havia dois rapazes com ele. Parecia que estava procurando por mim, porque, logo que se aproximaram, ouvi um deles dizer: ‘Lá está ele.’ O carro parou e o Sr. Gamphani me mandou entrar nele. Daí, foi para a delegacia. Depois de me perguntar por que não possuía uma carteira de filiação política, fez com que a polícia me detivesse e me prenderam ali por sete dias. Não recebi nem comida nem água durante todos esses sete dias.
“Quando a polícia viu que estava ficando fisicamente debilitado, começaram a zombar de mim, me mandando transformar capim em comida. Por fim, quando viram que eram infrutíferos todos os esforços para me fazer comprar uma carteira de filiação política, soltaram-me, mandando que eu achasse meu próprio meio de ir para casa. Apesar de estar debilitado, por não ter comido, andei mais de trinta e cinco quilômetros e cheguei em casa em segurança.”
Todavia, não muito tempo depois, Evans Noah e dez outras Testemunhas se viram obrigadas a fugir de seu povoado e a partir de Malaui.
● Na área de Blantyre, a principal cidade de Malaui, Richadi Nyasulu, Greyson Kapininga e outras testemunhas de Jeová foram levadas à sede da Região Sul do Partido Congressista Malaui (P.C.M.) Perguntou-se-lhes por que não compraram carteiras de filiação política. Ao responderem que eram inteiramente apolíticos por causa de suas crenças bíblicas, as Testemunhas foram entregues a uns dezesseis Jovens Pioneiros e a membros da Liga Jovem. Estes se revezaram em espancar cada uma das Testemunhas. Quando estas ainda recusaram comprar carteiras políticas, os jovens esfregaram nos olhos delas uma mistura de sal e pimenta. Algumas foram espancadas nas costas e nádegas com uma tábua cheia de pregos. Quando qualquer uma mostrava sinais de dor, seus atacantes a espancavam com mais força, dizendo: “Que o seu Deus venha lhes salvar.” Em adição, quebraram uma garrafa e usavam as bordas para ‘fazer a barba’ de algumas Testemunhas homens. Em 22 de setembro, Jasteni Mukhuna, da região de Blantyre, foi espancada até que quebraram seu braço.
● Em Cabo Maclear, no extremo sul do Lago Malaui, a Testemunha Zelphat Mbaiko foi coberta de feixes de capim, amarrados nele. Derramaram gasolina no capim e tocaram fogo. Ele morreu em resultado das queimaduras.
Ninguém Foi Poupado
A selvageria dos atacantes era tamanha que nenhuma Testemunha foi poupada em virtude de idade ou sexo. Nem todos fugiram de Lilongwe, como, por exemplo, certa Testemunha, a Sra. Magola. Estando grávida e pesadona, não podia correr depressa. Os membros do P.C.M. a apanharam e a golpearam até que morreu, no mercado, à vista de muitos aldeões, ninguém a socorrendo. Quando se perguntou a um oficial de polícia por que não interveio, sua resposta foi que ‘tiraram todo o poder da polícia’.
● Na região de Ntonda, ao sul de Blantyre, Smith Bvalani, sua mãe idosa e outras testemunhas de Jeová, tanto homens como mulheres, foram espancados por membros da Liga Jovem até que ficaram desmaiados no chão. Um dos membros da Liga Jovem, remexendo nos bolsos deles, encontrou dinheiro em uma Testemunha. Então usou tal dinheiro para comprar carteiras de filiação política para cada um deles, escrevendo seus nomes nas carteiras e jogando-as no chão, perto das Testemunhas desmaiadas. A Liga Jovem então disse que as Testemunhas tinham cedido e transigido quanto a sua fé. Quando a mãe de Smith Bvalani recuperou os sentidos e viu tal carteira, ela lhes disse que não a aceitaria nem mesmo que isso significasse sua morte. Então a espancaram de novo até deixá-la inconsciente.
● Israel Phiri, com setenta e três anos, do Povoado de Khwele, Mchinji, relata: “No mês de julho de 1972, ouvimos um rumor de que o Partido Congressista Malaui planejava lançar uma campanha de verificação de carteiras de filiação através do país. Compreendendo que isso significaria dificuldades para as testemunhas de Jeová, decidimos deixar o povoado e esconder-nos na floresta. Éramos trinta Testemunhas ao todo. Permanecemos dois meses na floresta. No entanto, subitamente, em 5 de outubro, vimo-nos cercados por grande grupo de jovens. Eram todos rostos estranhos para mim.
“Ao tentar afastar-me, alguns deles me seguraram e começaram a me espancar com varapaus e a chutar por todo o corpo. Era impossível ver o que acontecia com os outros irmãos. Por fim, me deixaram desmaiado no chão. Depois de recobrar os sentidos, tentei procurar os outros irmãos, mas não os encontrei. Decidi partir de Malaui para Zâmbia. Apesar de todo o meu corpo estar inchado e meus olhos estarem cheios de sangue, com a ajuda de Jeová consegui andar muitos quilômetros para chegar ao hospital Thamanda, em Zâmbia.”
● No sudeste de Blantyre, no Povoado de Kavunje, todas as Testemunhas, homens e mulheres, foram terrivelmente espancados e obrigados a andar nus pela estrada. Um de seus filhos morreu em virtude do espancamento recebido. Na região norte de Malaui, em Nkhotakota, uma Testemunha grávida foi despojada de sua roupa e terrivelmente espancada. O líder local do P.C.M. mandou que crianças pequenas a chutassem no estômago, visando provocar um aborto.
Revoltantes Ataques Sexuais
Ataques sexuais contra mulheres de testemunhas de Jeová eram numerosos demais, além de repugnantes demais para ser declarados explicitamente aqui. Os seguintes foram típicos:
● Rahabu Noah, de dezessete anos, do Povoado de Mtontho, Kasungu, relata: “Em 26 de setembro de 1972, recebemos aviso de que os jovens iam de povoado em povoado atacando as testemunhas de Jeová de forma física e destruindo suas casas e propriedades. Os irmãos sugeriram que devíamos fugir e esconder-nos na floresta, e então, de noite, fugir para Zâmbia. Éramos cinco irmãs e três irmãos. Partimos bem do povoado, mas, ao entrarmos numa pequena trilha, encontramos um grupo de uns vinte. Começaram a pedir nossas carteiras. Nenhum de nós podia apresentar uma e, assim, começaram a nos espancar com varapaus e nos dar socos. Em seguida, desnudaram-nos e então continuaram a nos espancar. Um grupo de uns dez jovens me puxaram de lado e me levaram para longe dos outros. Enquanto alguns seguravam minhas mãos e minhas pernas, os outros me violaram. Vi oito deles se revezando em me violar, um após outro. Não havia ninguém com rosto conhecido no seu grupo. Depois de nos espancarem selvagemente, abandonaram-nos. Mais tarde, soube que as outras quatro irmãs em nosso grupo também foram violadas.”
● Funasi Kachipandi, do Povoado de Nyankhu, Lilongwe, fornece sua experiência: “Em 1.º de outubro de 1972, depois de ouvir relatórios dos ataques contra as testemunhas de Jeová, resolvi fugir e cruzar a fronteira para Zâmbia. Parti imediatamente com minha filha de 19 anos, Dailes Kachipandi. No entanto, não demorou muito até que fomos capturadas por um grupo de jovens desconhecidos. Exigiram as carteiras de filiação ao partido, que não podíamos apresentar. Fizeram-nos voltar e nos levaram a seu escritório perto do mercado de Chileka. Em minha presença, cinco jovens se revezaram em violar minha filha. Então, um deles me segurou e me lançou no chão. Tentei suplicar a ele que não tentasse violar-me, visto que estava no nono mês de gravidez, e estava muito fraca, mas ele não mostrou nenhum sinal de bondade humana. Ele me violou, fazendo isso na presença de minha filha. Daí, deixaram-nos. Eu relatei tais assuntos à polícia. Tomaram declarações, mas não fizeram nada. Na manhã seguinte, dei à luz um filho e então parti no mesmo dia para Zâmbia, descansando de vez em quando até chegarmos a Zâmbia.”
Em muitos outros casos, os nomes dos atacantes eram conhecidos das vítimas. Alguns detinham posições oficiais no Partido Congressista Malaui.
● No Povoado de Kamphinga, Matilina Chitsulo, do Povoado de Gwizi, foi violada pelo presidente do diretório do partido, Kachigongo. No Povoado de Mkombe, em 2 de outubro de 1972, Velenika Hositeni foi mantida num quarto do escritório do P.C.M. por uma noite inteira pelo presidente do diretório local e pelo secretário, e ambos a violentaram. Sete homens violaram outra testemunha chamada Nezelia no mesmo escritório. Ao fugirem para Zâmbia, ambas as mulheres foram hospitalizadas em Misale devido ao abuso físico que tinham sofrido.
Repetimos: Tais incidentes não constituem exceção. São apenas alguns das centenas de casos no arquivo.
Todavia, houve outra caraterística do ataque sobre as Testemunhas em todo o país, uma que o tornou de ainda mais grave conseqüência do que a perseguição que sofreram a partir de 1967.
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Resolvido: ‘Expulsemos tais pessoas da sociedade humana!’Despertai! — 1973 | 8 de abril
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Resolvido: ‘Expulsemos tais pessoas da sociedade humana!’
FOI essencialmente isso que o Congresso Anual de 1972 do Partido Congressista Malaui decidiu quanto às testemunhas de Jeová naquele país.
Reunindo-se na capital, Zomba, na Escola Secundária católica, os delegados do partido, em 16 de setembro, adotaram uma série de resoluções. Citamos aqui do Daily Digest de MANA, publicado pelo Ministério de Informação e Radiodifusão do governo de Malaui, datado de 18 de setembro de 1972. A página 17 mostra que os delegados do partido registraram sua decisão como sendo:
“(a) Deploramos o fato de que certas seitas religiosas fanáticas que operavam como a proscrita seita das Testemunhas de Jeová, impediam tanto o desenvolvimento político como o econômico do país.
“(b) Resolvemos que todos os membros destas seitas religiosas fanáticas empregados no comércio e na indústria devam ser despedidos doravante, e que qualquer empresa comercial ou industrial que não cumprir esta resolução deve ter sua licença cassada.
“(c) Resolvemos que todos os membros destas seitas religiosas fanáticas empregados pelo Governo devem ser despedidos doravante e que qualquer membro destas seitas que seja autônomo, quer no comércio quer na lavoura, seja desencorajado em suas atividades comerciais ou agrícolas.
“(d) Resolvemos que todos os membros destas seitas que morarem nos povoados devem ser expulsos de lá, e apelamos para o Governo que dê a máxima proteção possível aos membros do partido que lidarem com os aderentes destas seitas.”
Em realidade, os únicos atingidos por tais resoluções foram as testemunhas de Jeová. Nenhum outro grupo religioso em Malaui sofreu como elas.
O que, realmente, afirmavam tais resoluções? Em palavras explícitas, disseram que as testemunhas de Jeová em Malaui não deveriam ter permissão para obter emprego lucrativo — de nenhuma espécie, em parte alguma. Não se devia permitir nem sequer que cultivassem alimentos para se sustentar. E deviam ser expulsas dos povoados. O que isso lhes deixaria?
A única coisa que lhes restava seria viver como animais selvagens nas florestas e no mato, como expulsos da sociedade humana.
Mas, não será isso apenas nossa interpretação? Não se visa com tais resoluções simples expressões condenatórias, sem verdadeiro intento de privar concriaturas humanas dos próprios essenciais à vida?
Os fatos mostram que tais palavras foram entendidas pelos que as ouviram como sentença de completo banimento das testemunhas de Jeová, virtualmente uma sentença de morte.
Considere algumas das formas em que os ‘autônomos, quer no comércio quer na lavoura’ foram ‘desencorajados’ em suas atividades.
Arruinados Comerciantes Malauis
● B. Lameck Chirwa, comerciante malaui e uma das testemunhas de Jeová, voltou a Malaui de uma assembléia cristã em Salisbury, Rodésia, e encontrou seu irmão carnal, Beneya, desmaiado. Seu irmão, dono de uma mercearia, fora severamente espancado por membros da Liga Jovem por ser Testemunha. Depois de cinco horas, seu irmão reviveu e foi levado para o hospital, onde passou três dias.
Mas, um membro da Liga Jovem vira Lameck ajudar seu irmão e logo depois os membros da Liga vieram à sua loja em Zingwangwa. Foi interrogado sobre se possuía uma carteira de filiação partidária. Não poder apresentá-la resultou em fecharem a loja dele e sua casa, deixando-o do lado de fora. Daí, fizeram-no ir a Limbe, onde possuía uma loja de roupas, dirigida por sua esposa. Quando ela expressou a mesma posição conscienciosa quanto à carteira política, fecharam também esta loja. Quando Lameck decidiu dirigir-se ao Secretário-Geral do Partido Congressista Malaui, Aleke Banda, sobre tais fechamentos, verificou que os membros da Liga Jovem haviam esvaziado os pneus e levado as chaves de seu carro. Autoridades governamentais consultadas não lhe deram absolutamente nenhuma esperança de qualquer ação favorável — a menos que Lameck comprasse uma carteira de filiação partidária. Sua conta bancária, como a de todas as outras Testemunhas conhecidas, foi congelada. Por fim, conseguiu resgatar sua apólice de seguros e tomar um avião de Malaui para a Rodésia, deixando atrás prédios, mobília, estoques de roupas e equipamentos de loja, um caminhão de dezessete toneladas e um carro. O valor total era de Cr$ 791.700,00. Ele participava no comércio desde 1959. Agora, tudo se fora.
● Outra Testemunha e comerciante Malaui, chamado Chinondo, dirigia a Moderna Escola de Motoristas na principal cidade de Malaui, Blantyre. Sua frota de carros foi confiscada. Mais tarde, ele os viu parados do lado de fora do Escritório Regional Sul do P.C.M.
● William McLuckie, de 64 anos, vivia em Malaui por cerca de quarenta anos. Possuía uma loja de objetos de arte curiosos ou raros em Blantyre. Além de ter 11 pessoas como seus empregados imediatos, regularmente comprava objetos de arte de 120 escultores malauis, chefes de família. McLuckie calculou que de 600 a 700 pessoas dependiam deste negócio para viver. Por ser Testemunha, foi levado a julgamento e lhe deram quarenta e oito horas para deixar o país. Cerca de um dia depois de sua expulsão, sua esposa e três filhos tiveram vinte e quatro horas para partir.
● Alguns perderam, contudo, mais do que seus negócios. O Sunday Mail rodesiano, de 1.º de outubro de 1972, declara que “proeminente comerciante mulaui” foi “espancado até morrer”. Era M. L. Chirwa, dono duma mercearia e duma firma de garrafas de Blantyre. Relatando o mesmo incidente, The Rhodesia Herald afirma: “Até agora, nenhuma ação oficial foi tomada quanto à morte do Sr. Chirwa.”
‘Despeçam-nos Doravante’
A resolução de despedir todas as Testemunhas de seus empregos igualmente não era simples ameaça.
● M. R. Kalitera trabalhava nos correios desde 1949. Depois de vinte e três anos de serviço, foi agora despedido sem vencimentos nem pensão.
● A Testemunha Kadewere trabalhava para o Ministério da Saúde como inspetor que visitava diferentes clínicas. Tinha recebido treinamento nos Estados Unidos. Ao ir para sua casa em Zomba, verificou que seus campos de milho estavam sendo divididos entre os membros da Liga Jovem. Voltando a Blantyre, verificou que fora despedido do emprego. A Testemunha Kadewere é pai de nove filhos.
● William Nsangwe passou o Exame Intermediário do Instituto Licenciado de Secretários e trabalhou durante cinco anos na Câmara Municipal de Blantyre. Quando começaram as dificuldades para as Testemunhas, o Secretário Municipal chamou Nsangwe a seu escritório e o interrogou. Foi então entrevistado pelo Prefeito. Em ambos os casos, fizeram-se esforços de fazê-lo comprar ou aceitar um cartão de filiação partidária, que ele recusou à base da consciência. Disseram-lhe que ‘fosse e conversasse com a esposa, e com sua mãe e seu pai sobre tal assunto’ e ele respondeu que ‘trata-se dum assunto de sua própria fé, que não depende do pai, da mãe ou da esposa’. Foi despedido. Sua esposa, Joy, formada pela Universidade de Malaui e que é professora, também foi despedida, como o foi também a colega universitária e professora Venencia Kabwira, outra Testemunha.
O que se deu com os empregados governamentais se deu também com os que trabalhavam para firmas particulares.
● W. Lusangazi já trabalhava para a firma “Mandala Motors Limited” em Blantyre por mais de dez anos. Foi despedido, como o foi Widdas Madona, que trabalhava pelo mesmo número de anos para “Horace Hickling Limited’’ em Blantyre. A Testemunha Lihoma trabalhava para a “United Transport Limited” já por quinze anos. Ele, também, foi despedido.
Vários patrões protestaram vigorosamente contra a coação exercida sobre eles para despedir seus empregados que eram Testemunhas.
● Uma firma de procuradores de Blantyre levou o assunto até mesmo ao próprio presidente, procurando — sem êxito — evitar ter de perder dois de seus empregados mais fidedignos, Luwisi Kumbemba e L. D. Khokwa. (A esposa de Khokwa, que é professora, também perdeu seu emprego governamental.)
● O proprietário indiano de uma companhia de roupas em Blantyre voltou de uma viagem apenas para verificar que o empregado a quem confiara a supervisão de sua firma em sua ausência havia sido despedido à força. O empregado era Testemunha, Skennard Mitengo. O dono declarou que iria fechar a firma, “Crescent Clothing Company”, visto que afirmou que não podia trabalhar sem os serviços deste valioso empregado. Esperava-se que uma firma de propriedade de certas autoridades governamentais, a “Press Trading Company”, assumiria o controle daquela primeira firma.
Estes são apenas alguns casos duma lista completa de Testemunhas que foram despedidas do emprego. Pelo que se sabe, nenhuma Testemunha em todo o país está atualmente empregada. Mas, a campanha não cessou aqui.
Negadas as Necessidades Básicas da Vida
Malaui é um país agrícola, e não um país industrial. A ampla maioria de seu povo vive da lavoura, trabalhando em terrenos hereditários de seus pequenos povoados. A maioria das testemunhas de Jeová em Malaui se achavam nessa situação. Como todos os humanos, precisam de coisas básicas tais como alimento, água, roupa e abrigo. Todavia, fez-se um esforço concentrado de lhes negar até mesmo isto.
● Em Supuni, na região de Chikwawa, todas as Testemunhas perderam suas hortas e foram até mesmo impedidas de tirar água do poço local. Para obter água, tinham de andar mais de seis quilômetros e meio até o rio!
Literalmente milhares de casa foram incendiadas ou derrubadas. Apenas no Povoado de Jali, na área de Zomba, quarenta casas de Testemunhas foram destruídas pelo fogo.
● Do longínquo sul do país, a região de Chiromo, chega o seguinte relatório: “Nos distritos de Chiromo, Bangula e Nguluwe, todas as casas dos irmãos e todos os seus bens foram destruídos pelos Jovens Pioneiros. Todos os irmãos e irmãs do Povoado de Chamera foram espalhados e se acham no mato. Todos os seus bens foram destruídos.”
● Do Povoado de Gorden, perto de Zomba: “Todas as casas dos irmãos e das irmãs foram derrubadas. Todos os seus alimentos e bens foram confiscados pelos Chefes locais. Todos os irmãos e irmãs fugiram deste povoado.”
Como certo relatório resume a situação de moradia: “Esta é a história de muitas famílias das testemunhas de Jeová. Mulheres e crianças dormindo ao relento. Alguns dormem nas estações ferroviárias. Alguns nas estações rodoviárias, ou onde quer que consigam achar um lugar onde não sejam molestados.”
● Num povoado da região de Blantyre, a Testemunha Mazongoza, uma viúva de 60 anos, viu-se diante de membros da Liga Jovem que lhe pediram que comprasse uma carteira política. Ela recusou, à base da consciência. Por um período de uma semana, de 24 a 30 de setembro, mataram as galinhas dela, uma por uma, e, quando ela continuou a recusar-se, mataram suas cabras, uma por uma. Estas eram seus únicos bens. Daí, ameaçaram-na de morte, fazendo com que ela fugisse do povoado.
Muitos relatórios são muito breves, todavia, para alguém que conhece as circunstâncias de Malaui, dizem muita coisa.
Tipicamente, falam de ‘portas e janelas (“com 6 vidraças cada uma”) sendo rebentadas ou confiscadas’. Isto talvez pareça algo estranho a destacar. Mas, nos povoados de Malaui, a maioria das casas são feitas de paredes de barro e de telhados de colmo. Se uma delas tiver uma porta ou janela, esta é a parte mais valiosa de toda a estrutura.
Similarmente, um relatório após outro fala da destruição ou roubo de coisas tais como ‘3 esteiras, 3 cobertores, 2 cadeiras, 1 mesa, 1 toalha de mesa, 2 gravatas, 8 sacolas de amendoins com casca, 1 depósito de amendoins sem casca’. Novamente, para os que vivem em países industriais, isto talvez pareça uma perda muito pequena. Mas, para aqueles que a sofreram isto talvez represente toda a mobília de sua casinha, e a perda de uma colheita toda de que dependem para ter um pouco de dinheiro. Essa ‘1 toalha de mesa’ talvez tenha sido o único item que a dona de casa que é Testemunha possuísse para abrilhantar seu lar.
Às vezes, era uma bicicleta, um rádio ou uma máquina de costura (por exemplo, “1 máquina de costura manual”) roubada deles. Mas, a perda de uma bicicleta é para eles igual à perda de um automóvel para as pessoas de outros países. Quaisquer destes itens talvez representem o equivalente a vários meses de trabalho ou talvez tenham levado um ano inteiro ou mais de lavoura e de economias para adquiri-los.
Um relatório direto do campo de Sinda Misale, em Zâmbia, fala de milhares de Testemunhas refugiadas ali:
“Gado, ovelhas, galinhas, porcos e cabras foram todos tirados dos irmãos. Grandes números tiveram suas roupas e abrigo tirados deles, de modo que aquilo que têm é apenas aquilo com que cobrem o corpo. Uma das irmãs deixou de entrar no campo de refugiados porque estava nua, tendo sido desnudada pelos jovens do P.C.M. Outras irmãs do campo tiveram que lhe enviar algo para vestir antes de ela poder entrar lá. Praticamente todos os irmãos que fugiram de Malaui não deixaram nada atrás. Em outras palavras, não têm bens materiais para os quais voltar.”
Pode de alguma forma ser justificado um tratamento como esse que agora documentamos? Considere as acusações feitas contra as Testemunhas em Malaui, e então julgue por si mesmo.
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São culpadas de ‘impedir o desenvolvimento de Malaui’?Despertai! — 1973 | 8 de abril
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São culpadas de ‘impedir o desenvolvimento de Malaui’?
SUPONHAMOS que fosse verdade que as testemunhas de Jeová fossem uma “seita fanática’’ que ‘impedia tanto o desenvolvimento político como econômico’ de Malaui, como declara a resolução do P.C.M. Será que espancamentos, estupros, a destruição de casas e de propriedades, a expulsão de todas as formas de emprego, e até mesmo o assassinato — estaria tudo isso justificado agora?
Malaui é uma república devidamente constituída, fundada em princípios democráticos. Tem um conjunto completo de leis para a manutenção da paz, da justiça e da boa ordem. Dispõe dum completo sistema judiciário de tribunais, com juízes instruídos e capazes. Dispõe dum extenso sistema policial, com pessoal treinado.
Se as testemunhas de Jeová fossem deveras violadores da lei, por que, então, não se usa toda esta estrutura governamental para cuidar do problema? Por que não são usados processos ordeiros de acusações legais, prisões, julgamentos ou até mesmo de prisão? Por que a autoridade e os deveres de homens maduros e treinados deveriam ser transferidos para bandos de jovens imaturos, destreinados e indisciplinados? Sim, por que algum governo permitiria que elementos anarquistas fizessem o trabalho para ele? Não constitui isso uma desfeita a si mesmo e à sua habilidade de cuidar do problema por meios constitucionais e legais?
Alvos Dignificantes de Malaui
O próprio Partido Congressista Malaui declarou ser sua preocupação que o país obtenha elevado padrão de conduta. O Times de Malaui, de 14 de setembro, noticiou que um dos assuntos destacados pelos delegados ao congresso anual de 1972 do Partido foi “a importância da conduta correta e inofensiva”. O jornal adicionou que os delegados do congresso “sublinharam que, quais malauis, deveriam aprender coisas dum modo que não deveriam ser consideradas ‘vergonhosas e que não afetassem a reputação de Malaui’”.
Declarações fortes, nesse mesmo sentido, são atribuídas ao próprio Presidente Vitalício, Dr. H. Kamuzu Banda. O News de Malaui, de 19 de setembro, diz: “Comentando a resolução adotada pelo congresso anual de 1972 do Partido Congressista Malaui, Sua Excelência, o Presidente Vitalício, sublinhou a importância das boas maneiras e de se manter a tradição.” O jornal observou que o Presidente Vitalício “concitou todo o seu povo a reviver a tradição por ensinar os filhos a respeitar os anciãos e os pais. Também instou com os professores a ensinar boas maneiras às crianças”.
Tais declarações a favor da conduta correta são altamente recomendáveis. Ajustam-se ao discurso de abertura do congresso do Presidente Vitalício Banda, em que destacou “construirmos a nação sobre alicerces morais e espirituais, visto que isto era a pedra de alicerce sobre o qual se pode alicerçar uma nação disciplinada”.
A questão é: Como podem harmonizar-se de alguma forma os ataques brutais contra as testemunhas de Jeová com tais declarações públicas? Como podem tais ataques senão influir adversamente na “reputação de Malaui”? Como pode tal violência ‘construir a nação sobre alicerces morais e espirituais’?
Quem Realmente Impede Tais Alvos?
As testemunhas de Jeová em Malaui empenham-se arduamente em levar o esclarecimento moral e espiritual a seu próximo, dirigindo estudos domiciliares gratuitos na Palavra de Deus, a Bíblia. Têm ensinado milhares de Malauis a ler e escrever. Procuram elas próprias, com diligência, levar vidas exemplares, com limpeza moral e amor a Deus e ao próximo. Por certo, isto não é nenhum ‘obstáculo’ aos bons interesses de Malaui, de seu governo, e de seu povo.
Mas, permitir que elementos jovens se empenhem numa campanha nacional de violência — que destruam casas, bens e ataquem os corpos de homens, mulheres e crianças — como é que isto poderia ser de ajuda para se alcançar aqueles alvos, ou para se trabalhar pelo bem do país?
Depois que as turbas de jovens sentiram o gostinho de atacar outros, destruir, saquear e estuprar, o que pode garantir que — simplesmente porque o grupo original de vítimas deixou de existir — tais jovens parem então e voltem a ser ordeiros e ter conduta pacífica? O que pode garantir que não procurarão novas vítimas, até mesmo se tornando espinhoso problema para o próprio governo no poder? Por não agir para acabar com tal violência não poderia o governo em realidade estar erguendo a tampa de uma ‘caixa de Pandora de males’?
Com freqüência, os membros da Liga Jovem, em seus ataques contra as testemunhas de Jeová, se jactam: “Nós somos a polícia.” Foram ignoradas instruções do Departamento de Polícia para que tais jovens apresentem relatórios ao mesmo. Isto mostra o desrespeito dos jovens pela autoridade legalmente constituída.
Não são os atacantes, e sim as vítimas, as testemunhas de Jeová, os que mostram o respeitoso reconhecimento da autoridade constituída. Como assim? Porque, como declaram os próprios jornais de Malaui, coerentemente se dirigiram à polícia quando atacadas; preencheram obedientemente os relatórios exigidos e apelaram para a proteção que a lei de Malaui provê. Não tentaram tomar a lei em suas próprias mãos.
Por apelar para as autoridades legais, à base dos seus direitos legais, as testemunhas de Jeová simplesmente seguiram o exemplo dum cristão primitivo. Quando prestes a ser açoitado pelos próprios soldados que se recusaram a livrá-lo duma turba amotinada, o apóstolo Paulo trouxe à atenção sua cidadania romana, com o resultado de que se cancelou o açoitamento. (Atos 21:30-34; 22:24-29) Mais tarde, ele de novo exerceu seus direitos legais ao apelar para César. — Atos 25:9-12.
Devolver a César O Que É de César
Cristo Jesus instruiu seus discípulos a ‘pagar de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus’. (Mar. 12:17) Os que atacam as testemunhas de Jeová às vezes citam tais palavras, afirmando que as Testemunhas deixam de segui-las e, portanto, sofrem com justiça. O contrário é a verdade.
Leia o contexto destas palavras na Bíblia. Veja por si mesmo que Jesus considerava o pagamento de impostos nessa ocasião. As testemunhas de Jeová gozam duma reputação internacional de serem os contribuintes mais conscienciosos em cada país.
O colunista Guy Wright, comentando no Examiner de São Francisco, EUA, os eventos de Malaui, disse sobre as testemunhas de Jeová: “Poder-se-ia considerá-las cidadãos modelares. Pagam diligentemente seus impostos, cuidam dos doentes, combatem o analfabetismo.” Similarmente, um editorial do Times de Nova Iorque, de 22 de outubro, disse que as Testemunhas crêem que “as leis seculares devem ser obedecidas, por exemplo, no pagamento de impostos”. Os registros de impostos de qualquer governo, inclusive o de Malaui, indicam que isto é verdade. Em Malaui, durante o período de 1953 a 1972, as testemunhas de Jeová até mesmo expulsaram oficialmente de suas congregações a dezoito pessoas que premeditadamente deixaram de pagar seus impostos. As Testemunhas não fecham os olhos a tal desobediência à lei secular.
O âmago do assunto é que, ao passo que as testemunhas de Jeová ‘pagam a César as coisas de César’, são igualmente tão cuidadosas em devolver “a Deus as coisas de Deus” — e não a César.
‘Seita Religiosa Fanática’?
Mas, não é ‘fanatismo’ recusar-se a filiar-se a um partido político pela compra de um cartão de membro? Ou, pelo menos, não se torna ‘fanática’ a pessoa por sustentar tal posição em face da morte?
Se isto for ‘fanatismo’, então, não deveríamos classificar também de ‘fanáticos’ os cristãos do primeiro século? No antigo Império Romano, o imperador, como chefe de estado, exigia que todos rendessem sacrifício a ele como sinal de lealdade. Mero punhado de incenso colocado na chama do altar era considerado aceitável. Que posição tomaram os cristãos primitivos? A história nos conta:
“Os cristãos se recusavam a . . . sacrificar ao gênio do imperador — o que equivale um tanto, atualmente, a recusar-se a saudar a bandeira ou a repetir o voto de lealdade. . . . Muito poucos cristãos voltaram atrás, embora, para sua conveniência, se mantivesse geralmente na arena um altar com fogo aceso sobre ele. Tudo que o prisioneiro precisava fazer era espalhar um punhado de incenso sobre as chamas e lhe era dado um Certificado de Sacrifício e era deixado livre. Era também cuidadosamente explicado a ele que não estava adorando o imperador; simplesmente reconhecia o caráter divino do imperador qual chefe do estado romano. Ainda assim, quase que nenhum cristão se aproveitava da oportunidade de escapar.” — “Those About to Die” (Os Prestes a Morrer), de Daniel P. Mannix, págs. 135, 137.
No Livro Book of Culture (Livro de Cultura) de Ethel Rose Peyser, lemos (p. 549):
“Roma ficara gradualmente cheia de pessoas que abraçavam cultos estrangeiros, que, ao serem ordenadas, juravam lealdade ao divino espírito do imperador. Os cristãos, porém, fortes na fé não faziam tal voto de lealdade. E por não jurarem lealdade ao que hoje consideraríamos análogo à bandeira, foram considerados politicamente perigosos.”
Nos tempos modernos, talvez não seja um punhado de incenso e a obtenção dum Certificado de Sacrifício, mas, ao invés, uma saudação ou a compra duma carteira que esteja envolvida. Todavia, com as testemunhas de Jeová, esta é uma questão de consciência e por certo não se tornam ‘politicamente perigosas’ devido a tal condição de consciência. Sua neutralidade cristã quanto a todos os assuntos políticos se baseia na Palavra de Deus, a Bíblia.
Separados do Mundo
O Filho de Deus disse que seus seguidores não seriam “parte do mundo”, assim como ele não era parte do mundo, e que, “por esta razão o mundo vos odeia”. (João 15:19) Cristo Jesus se absteve de imiscuir-se nos assuntos políticos do mundo. Não era apoiador do Rei Herodes nem era opositor dele.
As testemunhas de Jeová mantêm a mesma neutralidade estrita, jamais se imiscuindo nos assuntos políticos. Não partilham das insurreições, motins, revoltas ou golpes de estado. Não representam ameaça a nenhuma autoridade constituída. Ao mesmo tempo, fixam suas esperanças pessoais no justo governo do Reino de Deus por seu Filho, e fielmente lhe dão seu pleno apoio e lealdade. Isto devem a Deus. Isto não podem dar a nenhum regente ou governo humano. Se lhes for ordenado agir contrário à Palavra de Deus, não têm outro recurso senão responder como fizeram os apóstolos: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” — Atos 5:29.
Não São Obstáculo ao ‘Desenvolvimento Econômico’
Será que as testemunhas de Jeová impedem o desenvolvimento econômico de Malaui? Pelo contrário, contribuem para o mesmo. Aqueles que os empregam testificam de seus bons hábitos de trabalho, de sua honestidade e laboriosidade. Como mostram os registros, os patrões até mesmo correram o risco de ter a má vontade das autoridades por suplicarem a favor das Testemunhas que eram seus empregados e em quem confiavam, dando-lhes posições chaves de responsabilidade.
Já em 11 de fevereiro de 1964, um supervisor da filial da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), Jerker A. Johansson, esteve em audiência com o Dr. H. Kamuzu Banda e lhe indicou que os chefes dos povoados tinham elogiado as Testemunhas por estarem entre os primeiros a apoiar os projetos de ‘‘auto-ajuda”. Uma fração de tais projetos de auto-ajuda em que as testemunhas de Jeová participaram no decorrer dos anos incluía: fabricar tijolos e cortar capim para as escolas, construir escolas, casas para os professores, estradas e pontes. Tudo isto era trabalho voluntário, sem pagamento. Com efeito, as Testemunhas com freqüência contribuíam com seu próprio dinheiro e materiais.
Compra de Carteiras de Filiação Política
A questão chave se focaliza num só ponto: a recusa das testemunhas de Jeová de comprar uma carteira de filiação ao Partido Congressista Malaui. Esta, e não outra, é a acusação continuamente levantada contra elas. Tal compra de carteiras não é pagamento de impostos. É a obtenção de filiação num partido político.
Todavia, os ataques contra as testemunhas de Jeová por não comprarem tais carteiras são contrários às declarações feitas adrede pelo mais alto oficial do Partido do Congresso Malaui. Considere:
Em 1967, as testemunhas de Jeová em Malaui ficaram sob intenso ataque e foram proscritas. Em 30 de novembro de 1967, The Times de Blantyre dizendo em manchete: “TORPE CALÚNIA, DIZ O PRESIDENTE”, citou o Presidente H. Kamuzu Banda como afirmando: “Não proscrevemos as Testemunhas de Jeová por não pertencerem ao Partido Congressista Malaui. Trata-se de torpe propaganda contra mim, pessoalmente, e contra o Governo em particular.“
Dois anos mais tarde, depois de o Presidente retornar duma excursão pela Região Central, as testemunhas de Jeová de novo obtiveram ampla publicidade. Num artigo de primeira página, The Times de Blantyre noticiava: “O Presidente disse que, por exemplo, não foram as orações da seita proscrita ‘que me fizeram dizer que desejo que as pessoas se sintam livres para renovar suas carteiras, movidas por seus próprios corações, e não obrigadas.’” — 6 de outubro de 1969.
Assim, a mais alta autoridade de Malaui fez registrar de público como se opondo ao uso da força na questão da compra de carteiras de filiação política.
De novo, a questão é de igualar as palavras com os eventos e as ações. Se for deveras o desejo do Presidente Vitalício que ninguém seja obrigado a comprar uma carteira de filiação política, então, não dispõe ele do poder e da autoridade de fazer impor tal desejo por todo o país? Ou será que ele perdeu o controle de certos elementos do Partido Congressista Malaui, que ele encabeça? Por certo, não é possível que a campanha maciça de violência contra as testemunhas de Jeová por todo o país, de alto a baixo, tenha passado despercebida do Presidente Vitalício.
Ele estava presente ao congresso anual do Partido em seu último dia, quando foram adotadas as resoluções contra as testemunhas de Jeová, lançando a onda de intensa violência contra elas. Depois de tal congresso, a imprensa Malaui apresenta o Presidente Vitalício como chamando as testemunhas de Jeová de “testemunhas do Diabo”, e como seita “estúpida” que “não respeita o Governo” e “não deseja pagar impostos”. (The Times, 18 de setembro de 1972) Visto ser bem claro que as testemunhas de Jeová respeitam o governo e pagam impostos, serão os jornais culpados de empenhar-se em ‘torpe propaganda’ quando publicam declarações tão inflamatórias e as atribuem à mais alta autoridade do país?
Similarmente, será que os membros da Liga Jovem e dos Jovens Pioneiros agora se empenham em ‘torpe propaganda’ quando usam a questão das carteiras de filiação política apenas como justificação para os recentes ataques contra as Testemunhas? Agem contrário ao desejo expresso da mais alta autoridade de Malaui?
Mais seriamente, o que dizer da presença freqüente de tais autoridades governamentais como Gwanda Chakuamba Phiri, parlamentar, e J. Kumbweza, também parlamentar, no cenário dos espancamentos de Testemunhas e da tomada à força de suas casas e seus bens? Agem tais autoridades contrário aos desejos do Presidente Vitalício por assim cometerem tais atos?
Considere também a demissão de M. R. Kalitera de sua posição nos correios depois de vinte e três anos de serviço. As instruções de quem deram origem a tal ação? Ele recebeu uma carta do Diretor-Geral dos Correios, A. N. C. Chadzala, declarando:
“Depois de nossa palestra esta manhã, em que comprovou ser membro das Testemunhas de Jeová, e que não se dispõe a comprar ou renovar a carteira do Partido Congressista Malaui, estou suspendendo-o do serviço, sem pagamento, a partir de hoje, 4 de outubro de 1972.
“2. Isto segue a instrução de Sua Excelência, o Presidente Vitalício, de que qualquer funcionário público que seja achado e que comprove ser membro das ex-Testemunhas de Jeová, deve ser dispensado, se deixar de demitir-se de seu posto.”
O Sr. Kalitera perguntou sobre tal suspensão e obteve uma carta do escritório do Chefe do Departamento do Pessoal. Seu segundo parágrafo dizia:
“2. Desejo confirmar o que o Diretor-Geral dos Correios já disse, que Sua Excelência, o Presidente Vitalício, forneceu orientações de que qualquer funcionário do Governo que se recuse a comprar uma Carteira do P.C.M. não tem nada que ver com o Serviço Público e, em conformidade com isso, deve demitir-se de seu posto. Em vista de sua recusa, eu estou em conformidade com isso aceitando sua demissão do Serviço Público a partir de 4 de outubro de 1972.”
Todas as demais testemunhas de Jeová demitidas do serviço público receberam uma carta similar. Será que tais autoridades governamentais desafiam os desejos do Presidente Vitalício e falseiam a posição dele ao fazerem tais declarações em folhas de papel timbrado do governo?
Fuga do País
As testemunhas de Jeová esperavam que o Governo de Malaui, e especialmente seu chefe de estado, o Presidente Vitalício Dr. H. Kamuzu Banda, agisse para lhes conceder proteção legal. Quando isto não aconteceu, foram obrigadas a fugir para preservar a vida. Nisto seguiam o conselho do Filho de Deus, que disse: “Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra.” (Mat. 10:23) Não havendo outra cidade ou povoado em todo Malaui para o qual fugir, foram obrigadas a fugir para outros países.
Mas, por que permitiria Deus tal intensa perseguição contra alguém que procura servi-lo? Qual é o possível propósito que isso cumpre?
[Foto na página 21]
Os jornais de Malaui atribuem ao Presidente Vitalício do país declarações inflamatórias sobre as Testemunhas de Jeová.
[Foto na página 22]
A Testemunha M. R. Kalitera trabalhava para os Correios em Malaui desde 1949, até ser demitido em 1972. Como pode ver, foi demitido, não por não pagar impostos, mas porque não quis comprar uma carteira de filiação a um partido político.
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Por que permite Deus tal perseguição?Despertai! — 1973 | 8 de abril
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Por que permite Deus tal perseguição?
EM CHILOMONI, na área de Blantyre, os atacantes disseram às testemunhas de Jeová: “Se existe um Deus, vamos deixar que Ele veja o que acontece com as testemunhas de Jeová e vamos deixar que ele lhes responda, visto que ele vê, não vê?”
Em Chalunda, quarenta e duas Testemunhas foram levadas ao chefe local do Partido, E. Y. Zenengeya, que mandou que os membros da Liga Jovem os espancassem. Um deles, chamando Chimombo, afirmou: “Que o seu Deus os livre. Se ele existe, quero que mande uma bomba e me mate.”
Em face de tais declarações, a pessoa talvez pense: ‘Exatamente por que permite Deus que aqueles que o adoram sofram graves atrocidades?’
Por Que Vem a Perseguição
A Palavra de Deus mostra que ele permite tal perseguição hoje pela mesma razão que permitiu que seu próprio Filho sofresse indignidades, sofrimento e morte às mãos de opositores. Cristo Jesus foi preso, espancado, zombaram e ridicularizaram dele. Quando foi pregado a uma estaca e estava morrendo, os homens escarneceram e zombaram dele, afirmando: “A outros ele salvou; a si mesmo não pode salvar! Ele é o Rei de Israel; desça agora da estaca de tortura, e nós acreditaremos nele. Depositou a sua confiança em Deus; que Ele o socorra agora, se Ele o quiser, pois este disse: ‘Sou Filho de Deus.’” (Mat. 27:39-44) Todavia, Deus não matou os zombadores ali na hora. Por que não?
Por causa da grande questão que envolve todas as criaturas no céu e na terra. A questão é relativa à correção da regência Soberana de Deus sobre o universo. A Bíblia mostra que esta foi desafiada pelo adversário de Deus. A palavra “adversário” nas Escrituras Hebraicas é sa.tan’ e, assim, este adversário principal é chamado “Satanás”. A questão que ele suscitou há milênios atrás no Éden não foi uma questão de poder. Pois, quão facilmente o Deus Onipotente poderia esmagar qualquer oposição à sua regência num instante de tempo! (Núm. 16:45) Antes, a questão suscitada era uma questão moral. Punha em dúvida a devoção e a lealdade de todas as criaturas à regência de Deus, demonstrada pela fidelidade às suas leis e vontade expressa. — Gên. 3:1-5; Jó 1:6-12.
Jeová Deus tem concedido tempo para que esta questão universal seja resolvida. Tem permitido que os homens na terra demonstrem se favorecem e apóiam Sua regência ou não. Aqueles que amam a justiça têm oportunidade de provar cabalmente sua fidelidade e lealdade sob prova.
A finalidade do adversário de Deus, portanto, é violar a fidelidade dos que adoram a Deus. Satanás pouco lucra por causar a morte deles, quando mantêm sua integridade a Deus. Assim, o Filho de Deus, embora enfrentando a morte, podia dizer a seus discípulos na sua última noite junto deles: “Eu venci o mundo.” (João 16:33) Falharam todos os esforços do adversário de seu Pai para desviá-lo dum proceder íntegro. Por morrer fiel a Deus, numa estaca de tortura, Cristo Jesus forneceu a resposta superlativa ao desafio de Satanás, mostrando que nenhum sofrimento era grande demais para romper seu amor a seu Pai ou sua lealdade à soberania de Deus.
Milhares de anos mais tarde, no Oriente Médio, um homem justo chamado Jó suportou similar prova. O relato histórico mostra que o adversário de Deus causara a Jó a perda dos filhos e de sua propriedade. Os saqueadores que roubaram o gado de Jó e mataram os homens que cuidavam dele talvez tenham pensado no seu coração que Deus não se interessava. Talvez tenham dito: ‘Onde é que está Jeová agora? Se é Deus, por que não envia a espada, ou o fogo, para nos matar?’ Todavia, muito embora Deus não os destruísse naquele tempo, todavia, o Adversário invisível que os enviou teve uma derrota completa. Como assim? O que derrotou Satanás e seus agentes foi que “Em tudo isso Jó não pecou, nem atribuiu a Deus algo impróprio.” Manteve a fé em Deus e suportou a prova com integridade. — Jó 1:22.
Note que, diferente de Jesus, Jó não foi morto durante a prova. Sobreviveu a suas dificuldades para ver a felicidade e a vida longa. Similarmente, a grande maioria das Testemunhas em Malaui sobreviveram vivas. Será que esta sobrevivência de Jó e da maioria das Testemunhas de Malaui significa que são especialmente favorecidas por Deus em comparação com os que morreram na perseguição? Obviamente que não, visto que Jeová Deus permitiu que seu próprio Filho fosse morto. Mas, o fato de que alguns morrem fornece prova positiva de que nem a própria morte nem a ameaça de morte fazem que os verdadeiros servos de Deus desobedeçam à sua Palavra e a seus princípios justos.
Assim como se deu nos tempos antigos, assim também os servos de Deus hodiernos confrontam ampla variedade de provas. Destarte, fornecem uma resposta completa e plena ao desafio de Satanás, não se deixando de fora nenhum aspecto da lealdade e da perseverança. Lemos a respeito de servos de Deus no passado que morreram sob tortura, “a fim de que pudessem alcançar uma ressurreição melhor”, ao passo que “outros receberam a sua provação por mofas e por açoites, deveras, mais do que isso, por laços e prisões. Foram apedrejados, foram provados, foram serrados em pedaços, morreram abatidos pela espada, andavam vestidos de peles de ovelhas e de peles de cabras, passando necessidade, tribulação, sofrendo maus tratos”. (Heb. 11:35-37) Mas, permaneceram fiéis a Deus e obtiveram seu favor. No tempo devido, colherão a recompensa de vida na nova ordem de Deus, pois Deus é “recompensador dos que seriamente o buscam”. — Heb. 11:6.
Algumas mulheres fiéis nos tempos modernos tiveram de suportar graves indignidades, tratamento desumano chocante, repugnante. Todavia, desta maneira é dada prova adicional de que nenhuma forma de sofrimento — inclusive o estupro — pode romper a integridade das testemunhas de Deus. Alguns ataques brutais deixam cicatrizes físicas; outras, tais como os ataques sexuais, ou ver o filho da pessoa ser espancado até morrer, talvez deixem cicatrizes mentais e emocionais.
Todavia, Jeová Deus eliminará todas essas cicatrizes sob a regência do reino do seu Filho. Como se deu com seu povo, Israel, há muito tempo atrás, cumprir-se-á Sua promessa a respeito de tal sofrimento: “Não haverá recordação das coisas anteriores, nem subirão ao coração.” As bênçãos daquela justa nova ordem farão com que todos os sofrimentos anteriores se desvaneçam ao serem substituídos pelas alegrias e agradabilidades infindáveis. (Isa. 65:17-19) Vistas em retrospecto, todas essas provas e tribulações parecerão, como o apóstolo Paulo as considerava, “momentânea e leve” em comparação com a grandiosa e eterna recompensa obtida. — 2 Cor. 4:17, 18.
O Que Mais Se Consegue
Outras coisas valiosas são conseguidas por Deus permitir a perseguição. Uma delas tem que ver com os próprios perseguidores.
Alguns perseguidores talvez sejam como Saulo de Tarso, que andava ‘respirando ameaça e assassínio’ contra os discípulos de Cristo. Realmente aprovou e compartilhou no assassinato de alguns, enquanto caçava outros através da Palestina. (Atos 9:1; 7:58-8:3) Todavia, quando viu os assuntos em sua verdadeira luz, Saulo posteriormente se tornou um dos apóstolos mais zelosos de Cristo. Então provou sua própria fidelidade sob perseguição. E sentiu-se profundamente grato e agradecido a Deus por Sua grande paciência e bondade imerecida que lhe permitiram desviar-se do seu proceder desorientado. — 1 Cor. 15:9, 10.
Assim, os cristãos que sofrem hoje podem regozijar-se de que a paciência de Deus permite que alguns perseguidores se desviem e obtenham a vida eterna na nova ordem de Deus. Também, muitas outras pessoas que observam ou lêem a respeito do que ocorre podem ver a verdadeira questão em sua clareza e tomar sua posição ao lado de Deus.
Naturalmente, realiza-se algo mais. A permissão da perseguição, dada por Deus, com o tempo expõe aqueles que são seus inimigos empedernidos e que se recusam a mudar. Sua persistência em atacar os cristãos, mesmo quando confrontados com a evidência de sua inocência os condenarão como opositores conscientes e premeditados de Deus. Isso dará a Deus plena justificativa para julgá-los dignos da destruição quando ele trouxer em breve o fim deste global sistema de coisas injusto e violento. — 2 Tes. 1:6-9.
Há muito tempo, o apóstolo Pedro escreveu a seus concristãos: “Amados, não fiqueis intrigados com o ardor entre vós, que vos está acontecendo como provação, como se vos sobreviesse coisa estranha.” (1 Ped. 4:12) As hodiernas testemunhas de Jeová, em Malaui e em todas as demais partes do mundo, não ficam intrigadas com o que acontece. Sabem por que a perseguição está sendo permitida por Deus. E têm confiança nos resultados finais, para a honra de Deus e para a sua própria bênção eterna.
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O que farão as Testemunhas de Jeová e o que poderá fazerDespertai! — 1973 | 8 de abril
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O que farão as Testemunhas de Jeová e o que poderá fazer
AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ em Malaui, como em outros países, têm consciência limpa. Não têm nada contra o homem ou o governo. E, pelo seu proceder de leal integridade para com as leis de Deus, não ofenderam a Deus. Podem juntar-se ao apóstolo Paulo em dizer: “Exercito-me continuamente para ter a consciência de não ter cometido ofensa contra Deus e os homens.” — Atos 24:16.
As testemunhas de Jeová não têm intenções de deixar de ser leais a Deus. Continuarão a fazer o que a Palavra de Deus instrui. E, como verdadeiros seguidores de Cristo Jesus, continuarão a ser submissas às “autoridades superiores” seja lá qual for o país em que residam. (Rom. 13:1) Não tentarão tomar a lei em suas próprias mãos para retaliar contra os que as perseguem. O Filho de Deus não fez isso. A respeito dele, escreve o apóstolo Pedro: “Cristo sofreu por vós, deixando-vos uma norma para seguirdes de perto os seus passos. Ele não cometeu pecado, nem se achou engano na sua boca. Quando estava sendo injuriado, não injuriava em revide. Quando sofria, não ameaçava, mas encomendava-se àquele que julga justamente.” — 1 Ped. 2:21-23.
Recorrer às ameaças, tentativas de provocar pressões políticas ou econômicas, ou atiçar a violência contra os opositores, só fariam com que as testemunhas de Jeová se moldassem à imagem de seus atacantes. Isto lhes custaria a aprovação de Deus. Ao invés, seguirão o inspirado conselho do apóstolo: “Não retribuais a ninguém mal por mal. . . . Não vos vingueis, amados, mas cedei lugar ao furor; pois está escrito: ‘A vingança é minha; eu pagarei de volta, diz Jeová.’ . . . Não te deixes vencer pelo mal, porém, persiste em vencer o mal com o bem.” (Rom. 12:17-21) Assim, as testemunhas de Jeová se voltam para o modo justo de Deus de trazer verdadeiro e duradouro alívio.
Plena Fé no Poder de Deus de Sustentá-las
É sua fé nas promessas de Deus que habilita as testemunhas de Jeová a seguir este proceder. Embora Deus permita que sejam provadas por um tempo, jamais as abandonará. Os opositores talvez as privem de seus próprios meios de vida, todavia, a promessa de Deus permanece verídica: “De modo algum te deixarei e de modo algum te abandonarei.” Por conseguinte, têm boa coragem e dizem: “Jeová é o meu ajudador; não terei medo. Que me pode fazer o homem?” (Heb. 13:5, 6) Sabem que Deus ajudará a sustentá-las, materialmente e de outra forma, no seu tempo de necessidade, e que, mesmo que morram, Ele as trará de volta à vida em sua nova ordem. — Atos 24:15.
Sentem-se encorajadas porque pessoalmente provam a Sua ajuda, à medida que Ele lhes dá forças para suportar e sabedoria para enfrentar seus problemas. Como Paulo e seus concristãos, as testemunhas de Jeová em Malaui ou nos campos de refugiados podem afirmar: “Somos apertados de todos os modos, mas não comprimidos sem nos podermos mover; estamos perplexos, mas não inteiramente sem saber o que fazer; somos perseguidos, mas não ficamos cambaleando; somos derrubados, mas não destruídos. Sempre, em toda a parte, suportamos em nosso corpo o tratamento mortífero dado a Jesus.” — 2 Cor. 4:8-10.
Obtêm verdadeiro conforto neste conhecimento seguro: Jeová Deus jamais permitirá que Seu povo seja despedaçado e destruído. Talvez percam propriedades e bens, é verdade. Alguns talvez até mesmo sejam mortos, embora, usualmente, isto se dê apenas com pequena minoria. Todavia, sabem que, visto que Deus, mediante seu designado juiz celeste, Jesus Cristo, está apoiando seu povo, jamais permitirá que sejam aniquilados.
Continuarão a ser obedientes às leis dos sistemas políticos deste mundo, não cometendo quaisquer atos de desrespeito para com eles. Ao mesmo tempo, as testemunhas de Jeová manterão com perseverança sua separação do mundo. Continuarão a situar-se inteiramente a favor do governo do Reino de Deus como sua verdadeira esperança e confiança. Terem a aprovação de Deus depende disto. — João 18:36.
Esforços a Favor dos Perseguidos
As testemunhas de Jeová em Malaui se voltam para Deus em oração para obter a ajuda de que precisam a fim de atravessarem com êxito, fielmente, o seu tempo de crise. Seus irmãos espirituais em todo o mundo, semelhantemente, oram em seu favor, como fizeram os primitivos cristãos, quando o apóstolo Pedro foi encarcerado e corria perigo de morte. (Atos 12:5) O apóstolo Pedro pediu que seus irmãos orassem por ele, para que pudesse ser liberto dos descrentes na Judéia. (Rom. 15:30, 31) O leitor, também, poderá adicionar sua voz em oração a Deus a favor dos cristãos que hoje sofrem injustamente.
O Filho de Deus, há muito, forneceu uma ilustração em que assemelhou os povos da terra a ovelhas e cabritos que estavam sendo separados por um pastor. Explicou que ele mesmo faria tal obra de separação no tempo de sua presença para julgamento. Que sua presença seria invisível se evidencia de sua declaração de que os envolvidos lhe diriam: “Senhor, quando te vimos com fome, e te alimentamos, ou com sede, e te demos algo para beber? Quando te vimos como estranho, e te recebemos hospitaleiramente, ou nu, e te vestimos? Quando te vimos doente, ou na prisão, e te fomos visitar?” Jesus disse que responderia: “Ao ponto que o fizestes a um dos mínimos destes meus irmãos, a mim o fizestes.” — Mat. 25:31-40.
Alguns em Malaui e em outros lugares têm visto o sofrimento das testemunhas cristãs de Jeová e lhes têm fornecido ajuda e conforto. Reconhecendo sua inocência e a veracidade de sua mensagem, alguns tomaram sua posição, junto com as Testemunhas, a favor do que é correto. Isto resultou na perseguição de alguns deles também. Mas, podem regozijar-se, porque Jeová Deus e seu Filho os vêem e os recompensarão. Para os ‘semelhantes a ovelhas’, Jesus prometeu que diria: “Vinde, vós, os que tendes a bênção de meu Pai, herdai o reino preparado para vós.” Destarte, evitam ter de ‘partir para o decepamento eterno’, a destruição completa reservada para os que seguem um proceder contrário. — Mat. 25:34, 46.
Espera-se que muitos em Malaui ainda mostrem compaixão para com as testemunhas cristãs de Jeová, sim, e admiração pelo seu registro notável de fé firme e devoção inquebrantável para com o reino de Deus pelo seu Filho. Espera-se também que aqueles em posições oficiais reconheçam que as testemunhas de Jeová não constituem ameaça a seu país e que são uma força a favor da justiça e das elevadas normas morais, qualidades que obram em prol do bem duradouro de qualquer povo, e que tais autoridades dêem passos para corrigir os erros que lhes causaram, destarte dignificando sua nação diante de todos os observadores.
O apelo das testemunhas de Jeová de Malaui, quer dentro do país quer nos campos de refugiados no exterior, é simplesmente que o Governo de Malaui lhes conceda as provisões delineadas na Constituição da República de Malaui. Esse documento, em seu primeiro capítulo, declara:
“(iii) O Governo e o povo de Malaui continuarão a reconhecer a santidade das liberdades pessoais abrigadas na Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas, e da aderência à Lei das Nações;
“(iv) Nenhuma pessoa deve ser privada de sua propriedade sem pagamento de justa compensação, e apenas quando assim o exige o interesse público:
“(v) Todas as pessoas, sem considerar sua cor, raça ou credo, devem usufruir iguais direitos e liberdades.”
Estes eventos recentes em Malaui, envolvendo as testemunhas de Jeová, fornecem a oportunidade para que as mais altas autoridades do país demonstrem seu interesse em tais provisões da Constituição da República de Malaui. Será que agirão agora de forma a restaurar estes direitos legítimos das testemunhas cristãs de Jeová que são cidadãos de Malaui?
Talvez deseje pessoalmente expressar-se a favor daqueles que têm sofrido tão intensamente em Malaui por escrever às devidas autoridades daquele país, transmitindo sua preocupação e compaixão por tais pessoas e seu apelo para rápido alívio em favor delas. Alistamos abaixo os nomes das autoridades a quem tal apelo deve ser enviado apropriadamente.
ENDEREÇOS DAS AUTORIDADES
His Excellency the Life President, Dr. H. Kamuzu Banda
Central Government Offices
Box 53
Zomba, Malawi
The Honourable A. A. Muwalo Nqumayo, M. P.
Minister of State (Presidentʹs Office)
Central Government Offices
Box 53
Zomba, Malawi
The Honourable A. M. Nyasulu, M. P.
Speaker of National Assembly
Central Government Offices
Box 53
Zomba, Malawi
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Itens NoticiososDespertai! — 1973 | 8 de abril
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Itens Noticiosos
Delírios e Soporíferos
◆ Testes feitos por dois psiquiatras revelam que a escopolamina, ingrediente usado na maioria das pílulas soporíferas, pode causar delírios e alucinações paranóides. Usualmente, doses maciças trazem tais reações. Os sedativos facilmente disponíveis com escopolamina são usados cada vez mais em tentativas de suicídio, mas, o resultado amiúde é terrível reação emocional ao invés de a morte. A escopolamina também faz com que as pessoas olvidem quem são e onde estão. Ademais, a escopolamina é comercializada no mercado ilegal de tóxicos como LSD. As pessoas, ao tomarem drogas para contrabalançar o efeito do que pensam que é LSD, talvez, em realidade, aumentem a atividade da escopolamina.
Salvando Vítimas de Envenenamento
◆ Certos manuais de primeiros socorros recomendam que se use o sal de mesa para induzir as vítimas de envenenamento acidental a vomitar. Agora, os pediatras canadianos avisam que isto pode ser fatal. Uma colher de chá de sal pode provocar o envenenamento pelo sal numa criança. Três colheres de chá podem matar um adulto. Recomendam um pouco de mostarda seca, xarope de ipecacuanha ou que se encha a vítima de líquidos e se lhe obrigue a sentir ânsias de vômito por baixar a cabeça e prendê-la em baixo da cintura. Adicionalmente, os pesquisadores estadunidenses descobriram em data recente que o carvão ativado é o antídoto mais valioso de per si para os venenos e para doses exageradas de remédios. Em forma de pó fino, pode absorver o querosene, a estriquinina, o arsênico, barbitúricos, a aspirina e antidepressores. Isto dá tempo para se ministrar outros cuidados de emergência. Não é substituto para o cuidado, nem é eficaz contra a barrela, ácidos minerais, cianeto, álcool e outros álcalis cáusticos.
Filhos Precisam de Amor
◆ O pediatra de Nova Iorque, o Dr. Lytt I. Gardner, fala da aflição que mata a maioria das crianças nos orfanatos como sendo ‘ananismo privativo’. A falta de amor, afirma ele, impede o crescimento e retarda o desenvolvimento intelectual. Se não for captada em tempo, a criança assim emocionalmente ferida jamais progredirá mental e fisicamente na medida normal. Certas crianças retiradas de lares em que não se lhes mostrava amor foram curadas quando se lhes deu a atenção necessária. Assim, o amor parental pode influir na saúde duma criança.
Imoralidade dos Adolescentes
◆ Entre 1960 e 1970, o número de nascimentos ilegítimos entre os jovens na faixa etária de 15 a 19 anos em Oklahoma, EUA, subiu 58 por cento. O Dr. S. DePersio, diretor do Departamento de Saúde, indicou que as pessoas que não trabalham num hospital, numa clínica ou num consultório médico não têm idéia da quantidade de atividade sexual ilícita que ocorre agora. O comissário estadual de saúde, Dr. LeRoy Carpenter, explicou: “Biquínis, shorts bem curtos, e filmes, espetáculos de televisão e anúncios orientados para o sexo são parte de nossa sociedade, que estimula a precoce atividade sexual.”
Ainda Sobre a DV
◆ A doença venérea alcança proporções tão epidêmicas que, em Connecticut, EUA, as autoridades consideram a possibilidade de lhe dar prioridade sobre todos os programas de saúde. Uma força-tarefa que investigava o problema propõe que sejam feitos testes de rotina para descobrir a sífilis em todos os pacientes que baixam ao hospital e entram nas clínicas, e até para os pacientes externos. A gonorréia tem subido numa taxa média de 36 por cento ao ano desde 1962. A sífilis subiu 37 por cento o ano passado. A força-tarefa relatava: “O aumento alarmante na incidência da doença venérea em Connecticut, em especial a sífilis e a gonorréia, é resultado direto da crescente promiscuidade sexual, da ignorância e da apatia da classe médica e do público.”
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