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“O Deus de todo o consolo” está conoscoA Sentinela — 1983 | 1.° de julho
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“O Deus de todo o consolo” está conosco
“Bendito seja . . . o Deus de todo o consolo, que nos consola em toda a nossa tribulação. — 2 Coríntios 1:3, 4.
1, 2. Em 2 Coríntios 1:3-7, o que disse o apóstolo Paulo sobre o consolo em épocas de tribulação?
JEOVÁ é “o Deus de todo o consolo”. O apóstolo Paulo sabia disso por experiência pessoal. Assim, para o encorajamento de companheiros cristãos, ele escreveu as seguintes palavras animadoras:
2 “Bendito seja . . . o Pai de ternas misericórdias e o Deus de todo o consolo, que nos consola em toda a nossa tribulação. . . . Ora, quer estejamos em tribulação, é para o vosso consolo e salvação, quer estejamos sendo consolados, é para o vosso consolo que opera para vos fazer aturar os mesmos sofrimentos que nós também padecemos. E assim, a nossa esperança por vós é inalterada, sabendo que, assim como sois parceiros nos sofrimentos, do mesmo modo também participareis do consolo.” — 2 Coríntios 1:3-7.
3. (a) Por que conhecia Paulo a Jeová como “o Deus de todo o consolo”? (b) Em que base podem companheiros Testemunhas ser consolados e animados a suportar tribulação?
3 Sim, Paulo sabia que Jeová era “o Deus de todo o consolo”. Havia sentido o consolo de seu Pai celestial e suas ternas misericórdias para com ele, especialmente quando padecia “por causa da justiça”. (Veja Mateus 5:10.) Por isso, o apóstolo podia consolar outros e animá-los a aturarem a tribulação. As Testemunhas cristãs de Jeová que têm aturado tribulação, pelo seu exemplo de fidelidade e suas expressões de confiança em Jeová, certamente dão encorajamento que induz outros crentes a permanecerem fiéis a Deus. E Paulo foi exemplar em aturar sofrimentos
UMA REPUTAÇÃO DE FIEL PERSEVERANÇA
4, 5. (a) Quando escreveu Paulo a Segunda aos Coríntios? (b) Em que sentido era Paulo igual aos “superfinos apóstolos” de Corinto, mas em que era superior a eles?
4 Por volta de 55 EC, Paulo escreveu sua segunda carta inspirada aos cristãos na cidade de Corinto. Ali se lhe opunham os que ele chamou sarcasticamente de “superfinos apóstolos”. Ele defendeu corajosamente seu cargo apostólico, não por sua própria causa, mas “para Deus”, quer dizer, para salvar a congregação que pertencia a Jeová. (2 Coríntios 11:5, 12-14; 12:11; 5:12, 13) O apóstolo mostrou que tinha igualdade genealógica com seus oponentes e daí salientou que era superior a eles em labores, em sofrimentos, em viagens, em perigos e em dificuldades como ‘ministro de Cristo’. Escreveu:
5 “São [seus oponentes] ministros de Cristo? Respondo como louco: eu o sou ainda mais destacadamente: em labores mais abundantemente, em prisões mais abundantemente, em golpes até o excesso, muitas vezes perto da morte. Dos judeus recebi cinco vezes quarenta golpes menos um, três vezes fui espancado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no profundo; em jornadas muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores de estradas, em perigos da minha própria raça, em perigos das nações, em perigos na cidade, em perigos no ermo, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos, em labor e labuta, muitas vezes em noites sem dormir, em fome e sede, muitas vezes em abstinência de comida, em frio e nudez.” — 2 Coríntios 11:21-27.
6. (a) Onde encontramos um registro de alguns dos aspectos da vida cristã de Paulo antes de ele escrever a Segunda aos Coríntios? (b) Que proveito tiraremos de refletir na reputação de fiel perseverança de Paulo?
6 O livro bíblico de Atos dos Apóstolos (9:3 até mais ou menos Atos 9:3-20:4) menciona alguns dos aspectos acima mencionados da vida de Paulo, desde que ele se tornou cristão até que escreveu a Segunda aos Coríntios. Reflitamos assim agora na sua reputação de fiel perseverança. Sem dúvida, isto nos animará a aturar tribulação com a confiança de que “o Deus de todo o consolo” está conosco.
‘EM LABORES E EM PRISÕES MAIS ABUNDANTEMENTE’
7. (a) A que trabalho se referem ‘os labores mais abundantes’ de Paulo? (b) De acordo com as palavras do apóstolo aos “anciãos” da congregação de Éfeso, como efetuou ele seu ministério? (c) O que incentivara Paulo a labores vigorosos em prol das boas novas e dos interesses do Reino?
7 Em labores mais abundantemente: Paulo, como proclamador das “boas novas” ‘tinha trabalhado mais do que’ seus oponentes. (2 Coríntios 11:23, A Bíblia na Linguagem de Hoje) Naturalmente, empenhara-se por mais tempo na obra de pregação, e muitas vezes em território muito difícil. Por exemplo, em Éfeso, onde se adorava a deusa pagã Ártemis e Paulo fora vítima duma turba enfurecida, seus esforços no ministério e a favor de companheiros na crença haviam sido estrênuos, às vezes até mesmo confrangedores. Mas disso resultaram excelentes frutos espirituais. Mais tarde, ele podia dizer apropriadamente aos “anciãos” da congregação de Éfeso: “Não me refreei de vos falar coisa alguma que fosse proveitosa, nem de vos ensinar publicamente e de casa em casa. Mas, eu dei cabalmente testemunho, tanto a judeus como a gregos, do arrependimento para com Deus e da fé em nosso Senhor Jesus.” (Atos 20:17, 20, 21, 31; 19:1-41) De modo que o apóstolo Paulo, antes que estes homens que agora eram anciãos se haviam tornado cristãos, lhes havia ensinado as verdades básicas do cristianismo na pregação “de casa em casa”. Fora a operação da Palavra e do espírito santo de Jeová sobre o coração de Paulo que o incentivara a trabalhar vigorosamente na divulgação das boas novas e na promoção dos interesses do Reino. (Isaías 61:1, 2; Romanos 10:8-10) Com tal atividade vigorosa, o apóstolo deu um excelente exemplo aos cristãos do século 20.
8. (a) Por que podia Paulo dizer que havia estado “em prisões mais abundantemente” do que os “superfinos apóstolos”? (b) Sem dúvida, o que consolava Paulo e Silas quando estavam encarcerados em Filipos, e o que fizeram quando foram libertos por um terremoto? (c) Como nos pode animar aquilo que aconteceu com Paulo na prisão em Filipos?
8 Em prisões mais abundantemente: Clemente de Roma, escrevendo perto do fim do primeiro século EC, disse que Paulo havia sido encarcerado sete vezes. Antes de escrever a Segunda aos Coríntios, ele já havia estado na prisão mais vezes do que os “superfinos apóstolos”. O relato de Atos nos fala de um de tais encarceramentos — na cidade macedônia de Filipos. É evidente que Paulo e Silas sentiram-se felizes de sofrer “por causa da justiça”, porque, enquanto encarcerados, oraram a Deus e o louvaram com cântico. Obtiveram consolo em refletir sobre as Escrituras, bem como no reconhecimento de que Deus ouvia suas orações e respondia a elas. (Salmo 65:2; 119:52) Quando foram libertos por um terremoto, não fugiram depressa, mas, em vez disso, “falaram a palavra de Jeová [ao carcereiro] e a todos os na sua casa”. Com que resultado? Ora, o carcereiro e sua família tornaram-se cristãos! (Atos 16:16-40) Deveras, este relato anima as Testemunhas de Jeová que hoje estão encarceradas a aceitar a perseguição com alegria piedosa, a persistir em orar, a meditar na Palavra de Deus e a falar sobre ela com destemor! — Atos 4:29-31.
NÃO DESALENTADO POR ESPANCAMENTOS E QUASE-MORTES
9. O que é indicado pelas palavras “golpes até o excesso”?
9 Em golpes até o excesso: Paulo havia sido excessivamente espancado. Também se diz que muitas vezes ‘viu a morte de perto’. (2Co 11 Versículo 23, Bíblia Vozes.) Isto talvez indique que, durante certos espancamentos, os golpes foram tão severos, que praticamente foi deixado à morte.
10. (a) Como havia Paulo chegado “muitas vezes perto da morte”? (b) Pelo visto, o que sustentava o apóstolo quando ‘via a morte de perto’?
10 Muitas vezes perto da morte: Isso não necessariamente se referia apenas a certos espancamentos. Paulo dissera já antes, na mesma carta: “Sempre, em toda a parte, suportamos em nosso corpo o tratamento mortífero dado a Jesus.” (2 Coríntios 4:10, 11) O apóstolo havia estado em perigos de morte ou mesmo em dores mortíferas em Damasco, em Antioquia da Pisídia, em Icônio, em Listra, em Tessalônica e em Beréia. (Atos 9:23-25; 13:49-51; 14:1-6, 19, 20; 17:1, 5-9, 13, 14) De fato, ele talvez tivesse ficado exposto aos perigos mortíferos dos jogos romanos, em vista da sua referência a ter “lutado com feras em Éfeso”. (1 Coríntios 15:32; veja Atos 19:23-41; 2 Coríntios 1:8-11.) Com a vida tantas vezes em perigo, o apóstolo certamente podia dizer: “Eu enfrento a morte diariamente.” (1 Coríntios 15:31) Sem dúvida, a ajuda do espírito santo de Jeová e a fé que Paulo tinha nas preciosas promessas de Deus sustentaram o apóstolo quando ele muitas vezes ‘via a morte de perto’. — 2 Coríntios 1:20-22.
11. Qual era a natureza dos espancamentos de Paulo pelos judeus?
11 Dos judeus recebi cinco vezes quarenta golpes menos um: Paulo indicou que cinco espancamentos que sofreu “por causa da justiça” foram feitos por judeus, talvez nas suas sinagogas. (2Co 11 Versículo 24; Mateus 10:17) A Lei mosaica previa o espancamento com vara ou bastão, devendo os juízes determinar o número de golpes segundo a má ação. Mas a punição era humanitariamente restrita a 40 golpes, e os judeus os reduziram a 39, a fim de evitarem exceder o limite lícito por engano. (Deuteronômio 25:1-3) Tais espancamentos eram muito dolorosos. Mas “o Deus de todo o consolo” fortaleceu Paulo para suportar esse tratamento com perseverança fiel.
12. (a) Pelo visto, a que tratamento se referiu o apóstolo quando disse que “três vezes fui espancado com varas”? (b) Com que ajuda podem ser suportados espancamentos “por causa da justiça”?
12 Três vezes fui espancado com varas: Pelo visto, esses três severos espancamentos foram administrados por oficiais romanos com varas. (2Co 11 Versículo 25) Esses golpes com a vara eram aplicados depois de se despir a vítima de sua veste exterior. Paulo, como cidadão romano, estava legalmente eximido de tais espancamentos. Mas isso não eximiu nem a ele nem a Silas de receberem “muitos golpes” antes de seu encarceramento como proclamadores das boas novas em Filipos. (Atos 16:19-24, 33, 35-40) Tais espancamentos eram às vezes bastante brutais, mas, com a ajuda do espírito de Deus, Paulo suportou fielmente esse tratamento duro “por causa da justiça”. E muitos cristãos atuais, com apoio divino similar, tem mantido a integridade a Deus apesar de ultrajes físicos semelhantes.
13. Onde foi Paulo apedrejado, mas fez isso parar o seu ministério?
13 Uma vez fui apedrejado: Em Listra, judeus fanáticos “apedrejaram Paulo e o arrastaram para fora da cidade, julgando-o morto”. Naturalmente, esse apedrejamento destinava-se a matá-lo. (Veja Levítico 20:2, Atos 7:58-60.) Mas “quando os discípulos o cercaram, ele se levantou e entrou na cidade”, reiniciando suas viagens ministeriais logo no dia seguinte. — Atos 14:19-22.
NAUFRÁGIOS E PERIGOS NO MAR
14. Que naufrágios menciona Paulo, e que efeito tiveram sobre as suas viagens a favor das boas novas?
14 Três vezes sofri naufrágio: O livro de Atos registra apenas um naufrágio, e este ocorreu depois de Paulo ter escrito aos coríntios. Aconteceu quando Paulo estava em viagem para Roma. (Atos, capítulo 27) No entanto, antes disso, o apóstolo viajava muitas vezes a bordo de navios de alto mar, e não era incomum haver naufrágios durante viagens costeiras. Portanto, embora as Escrituras não forneçam pormenores sobre os três naufrágios mencionados aqui, é evidente que os perigos das viagens pelo Mediterrâneo não fizeram Paulo restringir suas viagens que fazia a favor das boas novas.
15. (a) Que queria Paulo dizer com “uma noite e um dia passei no profundo”? (b) Como ajudou “o Deus de todo o consolo” a Paulo no caso precedente, e que confiança nos deve dar isso?
15 Uma noite e um dia passei no profundo: Naturalmente, o apóstolo não estava dizendo que passou milagrosamente 24 horas debaixo de água. Como vítima de naufrágio, talvez tivesse de passar essas horas perigosas lutando para nadar em águas turbulentas ou agarrando-se a madeira ou fragmentos do navio naufragado. Mesmo que estivesse numa jangada, esta experiência angustiante (não mencionada em outra parte das Escrituras) exigia perseverança corajosa, até que o apóstolo fosse resgatado ou tocasse em terra. Paulo, certamente, ‘na sua aflição clamou a Jeová, e este o fez sair dos apertos em que estava’. (Veja o Salmo 107:23-31.) Este mesmo “Deus de todo o consolo” pode também responder às nossas orações. — Veja 1 João 5:13-15.
NOSSO DEUS PROVÊ INFALÍVEL CONSOLO
16, 17. Por que se pode dizer que a ajuda do espírito santo de Jeová é inestimável quando sofremos “por causa da justiça”?
16 Vimos algumas fontes de consolo que ajudaram Paulo a permanecer fiel a Jeová apesar de tribulações. Elas merecem ser destacadas, porque ajudarão as atuais Testemunhas de Jeová a suportar sofrimentos “por causa da justiça”.
17 A ajuda do espírito santo de Jeová é inestimável. É especialmente durante tribulação que devemos orar pedindo o espírito, acatar suas orientações e manifestar seus frutos. (Lucas 11:13; Salmo 143:10; Gálatas 5:22, 23) O espírito de Jeová age sobre o nosso coração e nos torna cônscios de seu amor, e esta garantia consoladora ajuda-nos a aturar tribulação. — Romanos 5:3-5; 8:35-39; 2 Tessalonicenses 3:5.
18. Durante tribulação como cristãos, como pode consolar-nos a fé nas preciosas promessas de Deus?
18 A fé nas preciosas promessas de Deus, conforme apresentadas nas Escrituras, também nos consolará. (Romanos 15:4) Lembre-se de que Jesus Cristo, “pela alegria que se lhe apresentou . . . aturou uma estaca de tortura”. (Hebreus 12:1, 2) Mesmo que venhamos a sofrer a ponto de ‘ver a morte’, temos a maravilhosa perspectiva da ressurreição e da vida infindável na nova ordem de Deus, quer nossa esperança seja celestial, quer terrestre. (Mateus 10:28; Lucas 23:43; João 5:28, 29; 17:3; 1 Coríntios 15:53; 2 Pedro 3:13) Quão “momentânea e leve” é a tribulação quando visamos à eternidade! — 2 Coríntios 4:16-18.
19. Como nos dá a oração consolo enquanto em tribulações?
19 Dar-nos Deus paz mental e força em resposta às nossas orações também é grande fonte de consolo durante a tribulação. (Veja Lucas 22:32; Atos 4:23-31; Tiago 5:16-18.) Jesus suplicou e rogou fervorosamente a Jeová, “que era capaz de salvá-lo da morte, . . . e ele foi ouvido favoravelmente pelo seu temor piedoso”. Sim, Jeová enviou um anjo para fortalecer Jesus numa ocasião de provação. (Hebreus 5:7; Lucas 22:43) Quando vemos que Jeová responde às nossas orações enquanto estamos em tribulações, certamente nos sentimos consolados.
20. Que outras maneiras em que Paulo superava os “superfinos apóstolos” de Corinto consideraremos a seguir?
20 Se nos esforçarmos seriamente a perseverar fiéis como testemunhas cristãs de Jeová, “o Deus de todo o consolo” estará conosco, assim como estava com o apóstolo Paulo. Até agora, consideramos os labores e os sofrimentos de Paulo. Mas a sua defesa como ‘ministro de Cristo’ mostra também que ele superava os “superfinos apóstolos” de Corinto em viagens, em perigos e em dificuldades. O que podemos apreender de tais experiências?
Lembra-se dos seguintes pontos?
□ Por que sabia o apóstolo Paulo que Jeová é “o Deus de todo o consolo”?
□ Como podem os cristãos que suportaram tribulação animar companheiros de crença a permanecerem fiéis a Jeová?
□ Que trabalho estava incluído na ‘abundância de labores’ do apóstolo?
□ Que proveito podemos tirar do que Paulo passou em prisões?
□ Quais são algumas das maneiras em que Jeová Deus provê consolo infalível?
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Podemos ‘perseverar até o fim’A Sentinela — 1983 | 1.° de julho
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Podemos ‘perseverar até o fim’
“Aquele que perseverar pacientemente até o fim será salvo.” — MATEUS 24:13, THE EMPHATIC DIAGLOTT.
1. (a) Quanto a nós, individualmente, qual pode ser “o fim” mencionado por Jesus, conforme registrado em Mateus 24:13? (b) O que é vital para a salvação?
JESUS CRISTO, na grande profecia sobre a sua “presença”, fez a seguinte declaração esperançosa: “Quem tiver perseverado até o fim é o que será salvo.” (Mateus 24:3, 13) Para nós, pessoalmente, “o fim” poderá ser a “terminação do sistema de coisas” ou nossa morte, talvez após uma longa e dura prova. No entanto, para a derradeira salvação, a fiel perseverança é vital. — 1 Pedro 1:8, 9.
2, 3. (a) Por que podemos confiar que, embora sejamos imperfeitos, podemos obter a salvação? (b) O que consideraremos agora?
2 Jesus deu o perfeito exemplo de perseverança. (Hebreus 12:1-3) Mas nós, como humanos imperfeitos, podemos ser fiéis a Deus apesar de intenso sofrimento e perseguição “por causa da justiça”. (Mateus 5:10) Sim, pela benignidade imerecida de Jeová, podemos obter a salvação para a vida eterna por meio do sacrifício resgatador de seu amado Filho, Jesus Cristo. — João 3:16; 1 João 2:1, 2.
3 O apóstolo Paulo, embora homem imperfeito, dá-nos um belo exemplo de perseverança que levou à salvação. Ao considerarmos parte de sua defesa registrada em 2 Coríntios 11:23-27, aprendemos que ele era “mais destacadamente” ‘ministro de Cristo’ em labores e sofrimentos do que os “superfinos apóstolos” de Corinto. Conforme veremos, ele também os ultrapassou como ‘ministro de Cristo’ em jornadas, perigos e diversas dificuldades.
VIAGENS PERIGOSAS PARA PROMOVER AS BOAS NOVAS
4. A que viagens referiu-se o apóstolo Paulo quando indicou que estava “em jornadas muitas vezes”?
4 Em jornadas muitas vezes: Paulo viajava freqüentemente para proclamar as boas novas, neste respeito ultrapassando em muito seus oponentes coríntios. (2Co 11 Versículos 23, 26) Naturalmente, confrontava-se com perigos comuns aos viajantes no mundo romano. Mas as suas jornadas eram bastante extensas e bastante fatigantes. Suas viagens levaram-no a cidades tais como Antioquia na Pisídia, Icônio, Listra, Derbe, Filipos, Tessalônica, Beréia, Atenas e Corinto. — Atos 13:14 a 14:26; 16:11 a 18:17.
5. O que tornava as jornadas de Paulo especialmente estafantes e perigosas, e como podia ele perseverar em tais viagens estrênuas?
5 As jornadas do apóstolo eram ainda mais estafantes e perigosas porque ele era ‘odiado por causa do nome de Cristo’. (Mateus 10:22) Não obstante, Jeová deu a Paulo a vitalidade e a coragem necessárias para as suas viagens estrênuas. (Isaías 40:28-31) O apóstolo, como ministro que trabalhava arduamente, deveras deu às atuais testemunhas de Jeová um belo exemplo de promoção dos interesses do Reino. — Mateus 6:33.
PERSEVEROU FIELMENTE EM MUITOS PERIGOS
6. A que “perigos de rios” pode ter-se referido o apóstolo?
6 Em perigos de rios: Visto que naquele tempo havia comparativamente poucas pontes, a vida de Paulo muitas vezes deve ter estado em perigo enquanto vadeava rios na cheia. Por exemplo, durante a sua primeira viagem missionária e no retorno, ele percorreu a Pisídia, onde impetuosos rios de montanha constituíam um grande perigo. (Atos 13:13, 14; 14:21, 24) A perseverança de Paulo em tais circunstâncias dá encorajamento às Testemunhas de Jeová — especialmente a missionários e outros ministros em regiões longínquas.
7. (a) Com que “perigos de salteadores” confrontava-se Paulo? (b) Como podem as Testemunhas hoje suportar perigos similares?
7 Em perigos de salteadores: A ilustração de Jesus a respeito do samaritano prestimoso mostra que, no primeiro século, o viajante podia ‘cair entre salteadores, que podiam despojá-lo, infligir-lhe golpes e deixá-lo semimorto’. (Lucas 10:25-37) Os bandidos eram coisa comum em muitas regiões percorridas por Paulo. Por exemplo, quando ele e Barnabé foram de Perga para o norte, a Antioquia na Pisídia, passaram por uma região montanhosa cheia de bandidos. (Atos 13:13, 14) Esses criminosos perigosos costumavam atacar as vítimas de tocaia em lugares isolados e não hesitavam em recorrer à violência. É possível que o próprio Paulo tivesse sido atacado por salteadores. As testemunhas hodiernas de Jeová talvez se confrontem com perigos similares e precisem acautelar-se. Iguais ao apóstolo, porém, podem perseverar fielmente, não se entregando ao medo, mas confiando na proteção de Jeová. — Veja o Salmo 56:4.
8. Por que odiavam os outros judeus a Paulo e até mesmo queriam matá-lo?
8 Em perigos da minha própria raça: Paulo estava pregando um Messias pendurado numa estaca e ressuscitado, que foi rejeitado pelos seus próprios patrícios em geral. (1 Coríntios 1:22-24; 2:2) Além disso, ensinava que se podia ser declarado justo, não pelas obras da Lei mosaica, mas pela fé em Jesus Cristo. (Romanos 3:20; 5:18-21; 6:14) De modo que os outros judeus consideravam Paulo como apóstata, odiavam-no, espancavam-no e até mesmo queriam matá-lo. (Atos 9:23-25) Os de sua própria raça pareciam também perturbados por ele convencer do cristianismo alguns gentios que os judeus haviam tentado tornar prosélitos de sua própria religião. — Mateus 23:15; Atos 17:1-10.
9. Com que “perigos das nações” confrontava-se Paulo, mas fizeram esses perigos com que se calasse?
9 Em perigos das nações: Os gentios, ou pessoas das nações, também perseguiam Paulo. (Atos 19:11-41) De fato, seus adversários judeus às vezes incitavam os gentios a ações violentas contra o apóstolo. (Atos 14:1-7, 19, 20) Todavia, tais perigos da parte dos judeus e dos gentios nunca calaram este destemido proclamador do Reino. De maneira similar, as perseguidas testemunhas cristãs de Jeová, hoje em dia, pregam destemidamente entre as pessoas de sua própria raça e as de outras. — Atos 17:30; veja o Salmo 59:1-4.
10. Como estava Paulo em perigo “na cidade”?
10 Em perigos na cidade: Dum modo ou doutro, Paulo foi perseguido em cidades tais como Damasco, Jerusalém, Listra e Éfeso. (Atos 9:23-30; 14:19; 19:29-31) Opositores gentios em Filipos disseram que Paulo e Silas ‘estavam perturbando a sua cidade’. Em conseqüência disso, esses evangelizadores foram vítimas duma turba, sendo espancados e encarcerados. (Atos 16:16-24) Mas isso não impediu esses proclamadores do Reino, assim como violência similar não silencia as Testemunhas de Jeová em nossos dias.
11. Quais eram os possíveis “perigos no ermo”?
11 Em perigos no ermo: O apóstolo não restringiu sua atividade e seus movimentos às regiões populosas e a estradas muito percorridas. Suas jornadas levaram-no também a regiões pouco povoadas, mesmo a “desertos”. (A Bíblia na Linguagem de Hoje) A possibilidade de passar fome, ficar exposto a temporais, perder-se, ser acossado por animais selvagens e ser assaltado por bandidos eram ali perigos potenciais que Paulo enfrentou com coragem.
12. Com que “perigos no mar” confrontava-se Paulo, e impediram-no de executar seu ministério?
12 Em perigos no mar: Quando a atividade da divulgação das boas novas ou de ajudar companheiros de crença exigiam viajar “em alto mar” (BLH), havia os perigos de tempestades violentas, bem como a possibilidade dum naufrágio. Paulo, porém, não se deixou impedir por tais perigos na execução do seu ministério, do mesmo modo como muitas das Testemunhas de Jeová dos nossos tempos suportam corajosamente perigos similares quando em viagem para promover os interesses do Reino.
EM PERIGOS POR “FALSOS IRMÃOS”
13, 14. (a) Quem eram os “falsos irmãos”? (b) Por que eram os “falsos irmãos” especialmente perigosos? (c) Como foram as Testemunhas de Jeová espiritualmente fortalecidas para a defesa contra os “falsos irmãos” que talvez se infiltrem nas congregações?
13 Em perigos entre falsos irmãos: O maior perigo de todos, e sem dúvida algo especialmente aflitivo para Paulo, eram traiçoeiros “falsos irmãos” ou ‘os que afirmavam ser irmãos’. (O Novo Testamento Vivo) Tais pessoas têm sido encontradas entre os seguidores de Cristo desde o tempo do traidor Judas Iscariotes. Nos dias de Paulo, esses “falsos irmãos” talvez incluíssem os “superfinos apóstolos” de Corinto. “Falsos irmãos” eram especialmente perigosos porque se apresentavam traiçoeiramente como amigos, sendo na realidade traidores desleais. Esses homens estavam tentando encontrar alguma acusação contra Paulo. — 2 Coríntios 11:5, 12-14; veja Daniel 6:4, 5.
14 Entre os que ‘afirmavam ser irmãos’ havia aqueles que estavam ativos nas “congregações da Galácia”. Mas Paulo nunca cedeu diante de tais homens, “para que a verdade das boas novas continuasse” com seus companheiros de crença. (Gálatas 1:1, 2; 2:4, 5; veja Judas 3, 4.) Assim como Jeová ajudou a Paulo, Ele tem também fortalecido Suas atuais testemunhas de modo espiritual para que “a verdade das boas novas” continue com elas. Em escritos tais como as cartas divinamente inspiradas dirigidas aos crentes coríntios e gálatas, elas encontram a ajuda espiritual necessária para se defenderem de “falsos irmãos” que talvez se infiltrem nas congregações.
PERSEVEROU EM DIFICULDADES NO “SERVIÇO SAGRADO”
15. A que se referiu Paulo quando disse que era “mais destacadamente” ministro de Cristo “em labor e labuta”?
15 Em labor e labuta: Paulo citou a seguir dificuldades que o fizeram “mais destacadamente” ‘ministro de Cristo’ do que seus oponentes eram. (2Co 11 Versículos 23, 27) O “labor e labuta” mencionados aqui talvez se referissem ao fatigante trabalho manual que Paulo realizava para se sustentar no ministério. (Atos 18:1-4; 1 Coríntios 4:11, 12; 2 Tessalonicenses 3:7, 8) Mas tudo o que o apóstolo fazia girava em torno do serviço de Jeová. Portanto, este “labor e labuta”, sem dúvida, incluía seus esforços e a resultante canseira devido às viagens rigorosas, à exposição às intempéries, a privações e outras dificuldades suportadas no “serviço sagrado” prestado a Jeová. — Romanos 12: 1.
16. O que era responsável pelas freqüentes “noites sem dormir” de Paulo?
16 Muitas vezes em noites sem dormir: Visto que Paulo não queria impor um fardo financeiro àqueles a quem pregava as boas novas, trabalhava com as mãos “dia e noite”, provavelmente perdendo muitas vezes bastante sono. (1 Tessalonicenses 2:9) Tudo isso, naturalmente, estava associado com a atividade do apóstolo como ‘ministro de Cristo’. Suas “noites sem dormir” não eram causadas pela ansiedade com as necessidades materiais, porque Jeová cuida de que Seus servos as tenham. (Mateus 6:25-34) Mas algumas destas noites sem dormir podem ter sido gastas em orações ou em profunda preocupação com os companheiros de crença. (Veja Lucas 6:12-16; 2 Coríntios 11:28, 29.) Em certa ocasião achou necessário falar aos irmãos reunidos “até à meia-noite”, sim, a noite toda, “até à madrugada”. (Atos 20:7-12) Além disso, muitas daquelas noites sem dormir devem ter sido o resultado de desconforto físico, de perigos e outras dificuldades suportadas enquanto o apóstolo se empenhava no seu ministério.
17. Quando talvez sofresse o apóstolo “fome e sede”?
17 Em fome e sede: Paulo talvez passasse “fome e sede” ao percorrer regiões desoladas ou regiões desérticas, quentes. Às vezes pode ter tido fome e sede por depender de estranhos ou de quaisquer provisões que podia obter pelos seus próprios trabalhos em lugares estranhos. Mas Jeová sempre cuidava de que Paulo sobrevivesse, mesmo que às vezes tivesse poucas provisões. De maneira comparável, “o Deus de todo o consolo” provê o sustento aos seus atuais servos. — Salmo 37: 25; Lucas 11:2, 3.
18. “Muitas vezes em abstinência de comida” pode referir-se a quê?
18 Muitas vezes em abstinência de comida: Aqui (no 2Co 11 versículo 27), Paulo pode ter pretendido contrastar a “fome e sede” involuntárias com a deliberada “abstinência de comida [literalmente: “jejuns”]”, “muitas vezes”. Em certas ocasiões, ele talvez jejuasse voluntariamente, como quando se devotava à oração ou quando cuidava de pesados assuntos espirituais. (Veja Atos 13:3; 14:23.) Mas, se ele se referia aqui apenas a dificuldades, então estava falando de passar involuntariamente sem comida, talvez por causa de doença, tal como a disenteria, ou as privações que sofreu no ministério. (Veja 2 Coríntios 6:5.) Naturalmente, quando Paulo empreendia certas viagens ministeriais, ele pode ter-se dado conta de que comida e água poderiam ser escassas ou nem estar disponíveis. Mas não permitiu que isso o impedisse de promover os interesses cristãos. — Filipenses 4:12.
19. Em que circunstâncias talvez sofresse Paulo, “frio e nudez”?
19 Em frio e nudez: As dificuldades do frio e da comparativa “nudez”, ou “exposição [às intempéries]”, também foram suportadas pelo apóstolo. (A Nova Bíblia Inglesa) Mas ele não estava ‘precariamente vestido’ por causa de preguiça. Paulo trabalhava para prover o seu sustento. (1 Coríntios 4:11, 12; veja Atos 20:33, 34.) “Frio e nudez” eram dificuldades que o apóstolo suportou enquanto precariamente vestido durante perseguição, em viagem durante tempo inclemente ou quando se empenhava no ministério em circunstâncias difíceis.
‘PERSEVERE ATÉ O FIM’!
20, 21.(a) Por que se pode dizer que Paulo não era um baluarte humano de força? (b) Como podem as atuais Testemunhas de Jeová ser comparadas com o apóstolo Paulo?
20 Depois de considerar alguns dos labores, sofrimentos, viagens, perigos e dificuldades de Paulo, talvez se chegasse a encará-lo como baluarte humano de força. No entanto, igual a todos nós, ele era homem imperfeito. (Romanos 7:21-25) De fato, seus oponentes coríntios o desprezavam, dizendo: “As suas cartas são ponderosas e vigorosas, mas a sua presença em pessoa é fraca e a sua palavra, desprezível.” (2 Coríntios 10:10) Além disso, Paulo tinha “um espinho na carne” — possivelmente um padecimento dos olhos. — 2 Coríntios 12:7; Atos 23:1-5; Gálatas 4:15; 6:11.
21 De maneira similar, nós, as hodiernas Testemunhas de Jeová, somos imperfeitos, embora, iguais a Paulo, nos esforcemos seriamente a agradar a Deus. (1 Coríntios 9:24-27) O mundo nos menospreza, assim como alguns fizeram com o apóstolo, embora mostremos profunda preocupação com o bem-estar espiritual de nossos semelhantes. (Mateus 22:39) Iguais a Paulo, muitos de nós têm algum padecimento. Mas isto nos torna mais dependentes da força de Deus, e, na nossa fraqueza, o poder dele torna-se especialmente manifesto entre aqueles a quem pregamos. — 2 Coríntios 12:7-10.
22. (a) Se for necessário que soframos “por causa da justiça”, como somos consolados por Jeová? (b) Somente de que maneira poderemos ‘perseverar até o fim’?
22 Não há dúvida de que o poder de cima sustentou Paulo até à sua morte como servo imperfeito, mas fiel, de Jeová. (2 Coríntios 4:7; 2 Timóteo 4:6-8.) De maneira comparável, é somente na força de Deus que podemos ‘perseverar até o fim’ deste sistema iníquo de coisas ou até a nossa morte em fidelidade. (Salmo 29:11; Mateus 10:28; 24:3, 13; Marcos 13:13) Se for necessário que soframos “por causa da justiça”, seremos muito consolados pelo espírito de Jeová, pelas suas preciosas promessas e pelas suas respostas às nossas orações. Essas coisas nos dão confiança em que “o Deus de todo o consolo” está conosco. Iguais ao apóstolo Paulo, talvez fiquemos “perplexos, mas não inteiramente sem saber o que fazer . . . perseguidos, mas não ficamos cambaleando . . . derrubados, mas não destruídos”. (2 Coríntios 4:8, 9) Nosso Deus nos dá poderes para proclamarmos destemidamente as boas novas em face de perseguição e dificuldades. E, na força de Jeová, certamente podemos ‘perseverar até o fim’.
Sabe agora responder a estas perguntas
□ O que significa ‘perseverar até o fim’?
□ A que espécie de viagens referiu-se o apóstolo Paulo quando falou de “jornadas muitas vezes”?
□ Em que perigo estava o apóstolo por parte de “falsos irmãos”, e como foram as atuais Testemunhas de Jeová fortalecidas espiritualmente contra tais pessoas?
□ Em que circunstâncias sofreu Paulo “fome e sede”, bem como “frio e nudez”?
□ Embora sejamos imperfeitos, assim como Paulo, como é possível que ‘perseveremos até o fim’?
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