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    Despertai! — 1990 | 22 de janeiro
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      NESTE SÉCULO, a ciência tem ampliado imensamente o nosso conhecimento sobre o mundo natural que nos cerca. Seus telescópios têm revelado as assombrosas maravilhas dos céus estrelados, assim como seus microscópios têm desvendado as surpreendentes complexidades das moléculas e dos átomos. As maravilhas do design das plantas e dos animais, a sabedoria refletida em nossos próprios corpos, feitos assombrosa e maravilhosamente — este conhecimento também nos chega através das descobertas de laboriosos cientistas. Nós não somos pessoas sem apreço.

      Mas existe um outro lado da ciência. Nem todos os seus membros se enquadram na imagem dos buscadores objetivos e amantes da verdade, não importa ao que ela possa conduzir. Há um número demasiadamente grande de cientistas que selecionam o material que apóia sua teoria e rejeitam o que não apóia. Eles informam ter feito estudos que jamais conduziram e experimentos que jamais realizaram, e forjam o que não conseguem confirmar. Plagiam os trabalhos de seus colegas. Muitos afirmam ser autores de artigos para os quais jamais contribuíram e que talvez jamais tenham visto!

      A fraude óbvia pode ser rara, mas são comuns algumas das manipulações de dados acima mencionadas. Ainda mais comum, porém, são dois tipos adicionais de fraude, ambos envolvendo a propaganda enganosa. Os quatro artigos que seguem examinam esse problema.

  • Fraude na ciência — ganha manchetes
    Despertai! — 1990 | 22 de janeiro
    • Fraude na ciência — ganha manchetes

      A imagem dos cientistas, como invariavelmente dedicados à verdade, está sendo maculada, como demonstram as seguintes manchetes.

      “Ética na Ciência”

      “Começa a surgir uma luta, na Câmara dos Deputados dos EUA, devido às fraudes, à conduta errada e aos conflitos de interesse na ciência.” — Revista Science, 7 de julho de 1989.

      “Será que os Cientistas Trapaceiam?”

      “Depois dos inquéritos iniciais realizados por esta comissão [do congresso] sobre este assunto, a comissão tem tido crescentes motivos de crer que estamos vendo apenas a ponta de um mui infeliz, perigoso e importante iceberg.” — Programa televisivo de NOVA pelo PBS (“Public Broadcasting Service”), de 25 de outubro de 1988.

      “Dois Novos Estudos Perguntam Por Que os Cientistas Trapaceiam”

      “Era uma pergunta bastante inocente: como é que os cientistas se comportam quando ninguém está olhando? Mas isso produziu uma resposta incendiária: não tão bem, diz um informe publicado este mês na revista inglesa Nature.” — Revista Newsweek, 2 de fevereiro de 1987.

      “Uma Nação de Mentirosos? Cientistas Falsificam Pesquisa”

      “Um estudo publicado no mês passado acusou 47 cientistas das faculdades de medicina das Universidades de Harvard e de Emory de produzirem trabalhos científicos enganadores.” — Revista U.S.News & World Report, 23 de fevereiro de 1987.

      “NIH Vêem Plágio num Ensaio Sobre Visão”

      “Painel diz que pesquisador obteve dados dum ensaio que ele revisou para um colega, e usou-os em seu próprio trabalho;. . . os NIH [sigla, em inglês, dos Institutos Nacionais de Saúde, dos EUA] recomendam um processo judicial de exclusão.” — Science, 14 de Julho de 1989.

      “‘Comportamento Permissivo’ Gera Fraude em Laboratório”

      “Os cientistas biomédicos dos Estados Unidos têm realizado pesquisas descuidadas e, às vezes, fraudulentas, no esforço de aumentar sua produção científica e ganhar mais dinheiro.” — Revista New Scientist, 25 de fevereiro de 1989.

      “Pesquisadores Expõem as Fronteiras da Fraude”

      “A fraude científica e o descuido entre os pesquisadores poderiam ser bem amplos, avisa um estudo publicado na edição da semana passada de Nature.” — New Scientist, 22 de janeiro de 1987.

      “Demite-se um Pesquisador Acusado de Plágio”

      “Um bioquímico acusado de plagiar um informe da Academia Nacional de Ciências [dos EUA], para um livro sobre nutrição e câncer, demitiu-se de seu posto na Fundação da Clínica Cleveland.” — Science, 4 de setembro de 1987.

      “A Pílula: Os Testes de Segurança do Professor Eram Forjados”

      “O logro que ele cometeu coloca uma interrogação nos testes de segurança feitos em pílulas tomadas por até 2 m[ilhões] de mulheres na Grã-Bretanha e 10 m[ilhões] em todo o mundo.” — Jornal The Sunday Times, 28 de setembro de 1986.

      “Pesquisador Sênior de Fármacos Demite-se em Desonra”

      “Ele se demitiu na semana passada, depois que uma comissão de inquérito independente o julgou culpado de fraude científica.” — New Scientist, 12 de novembro de 1988.

      “NIMH Julga Tratar-se de ‘Grave Conduta Errada’”

      “Um caso surpreendentemente longo, flagrante e deliberado de fraude científica, segundo um informe redigido após uma investigação para o Instituo Nacional de Saúde Mental [NIMH, dos EUA].” — Science, 27 de março de 1987.

      “‘Fraude’ nas Pesquisas Suja a ‘Ivy League’ [Grupo de famosas faculdades do leste dos EUA]”

      “Um psiquiatra bostoniano de destaque demitiu-se da chefia dum hospital psiquiátrico afiliado à Universidade de Harvard, depois de ser acusado de plágio.” — New Scientist, 10 de dezembro de 1988.

      “O Caso dos Fósseis ‘Mal Situados’”

      “Destacado cientista australiano tem examinado duas décadas de trabalhos da geologia do antigo Himalaia e alega que esta pode ser a maior fraude paleontológica de todos os tempos.” — Science, 21 de abril de 1989.

      “Agora É a Vez das Revistas Ficarem sob Fogo”

      “[Ele falava] especificamente sobre quão deficientemente muitas revistas [científicas] têm tratado das fraudes científicas. . . . A mesma mensagem previamente enviada a outros membros da comunidade científica está agora sendo dirigida às revistas: ou vocês se expurgam ou podem estar certos de que os legisladores cuidarão disso.” — Suplemento de revista The AAAS Observer, 7 de Julho de 1989.

  • Fraude na ciência — por que está aumentando
    Despertai! — 1990 | 22 de janeiro
    • Fraude na ciência — por que está aumentando

      “A COMPETIÇÃO é selvagem. Os vencedores, colhem monumentais recompensas; os perdedores enfrentam o esquecimento. É uma atmosfera em que um atalho ilícito é, às vezes, irresistível — nem se mencionando que as Instituições se mostram freqüentemente relutantes em confrontar o erro.” Era assim que começava o artigo “Publicar ou Perecer — ou Forjá-lo”, em U.S.News & World Report. Muitos pesquisadores científicos, para não perecerem, estão forjando trabalhos.

      A pressão sobre os cientistas para publicar trabalhos em revistas científicas é esmagadora. Quanto maior a lista de ensaios publicados em nome do pesquisador, tanto melhores são as possibilidades de emprego, de promoção, de um cargo na universidade, e de dotações governamentais para financiar sua pesquisa. O governo federal dos EUA “controla a maior fonte de fundos para pesquisa, US$ 5,6 [bilhões] por ano dos Institutos Nacionais de Saúde”.

      Visto que “a comunidade científica mostra pouca disposição de confrontar seu dilema ético”, “tem sido estranhamente relutante em pesquisar a fundo os dados reais sobre sua conduta ética”, e “não está propensa a limpar sua casa ou sequer a examinar mais de perto se há alguma conduta ilegal”, as comissões do Congresso dos EUA têm realizado audiências e considerado propor leis para fazer o trabalho de policiá-la. (New Scientist; U.S.News & World Report) Esta perspectiva suscita nos cientistas muito choro e ranger de dentes. Todavia, uma revista de ciência propõe e também responde a pergunta: “Está limpa e em ordem a casa da ciência? O punhado de evidência que chega ao público suscita sérias dúvidas.”

      Alguns pesquisadores eliminam dados que não apóiam o que desejam provar (chama-se a isto de “distorção”); informam ter feito mais testes ou provas do que realmente fizeram (chama-se “aparar”); apropriam-se, para uso próprio, de dados ou de idéias de outros pesquisadores (chama-se plágio); e forjam experimentos ou dados que jamais realizaram nem produziram (chama-se “forjar”). Uma caricatura publicada numa revista científica zombava desta última tática, um cientista falava com outro, e dizia, a respeito dum terceiro: ‘Ele tem publicado muita coisa desde que fez aquele curso de redação criativa.’

      “Qual é o principal produto das pesquisas científicas dos dias atuais? Resposta: Os ensaios”, disse U.S.News & World Report. “Todo ano são fundadas centenas de novas revistas para cuidar do dilúvio dos trabalhos de pesquisa produzidos mecanicamente pelos cientistas que sabem que o caminho para o sucesso acadêmico é uma longa lista de artigos publicados, de sua autoria.” O alvo é a quantidade, e não a qualidade. Quarenta mil periódicos editados anualmente produzem um milhão de artigos, nos EUA, e parte deste dilúvio “é sintoma dos males fundamentais, inclusive duma ética, entre os pesquisadores, de ou se publica ou perece, que é mais forte do que nunca atualmente, e incentiva os trabalhos de qualidade inferior, repetitivos, inúteis e até mesmo fraudulentos”.

      Um editor sênior de The Journal of the American Medical Association (Revista da Associação Médica Americana), o Dr. Drummond Rennie, comentou a falta de qualidade: “Parece não haver nenhum estudo fragmentado demais, nenhuma hipótese trivial demais, nenhuma citação literária preconceituosa demais ou egotista demais, nenhum design deformado demais, nenhuma metodologia confusa demais, nenhuma apresentação de resultados inexatos demais, obscuros demais, e contraditórios demais, nenhuma análise interesseira demais, nenhum argumento evasivo demais, nenhuma conclusão frívola ou injustificada demais, e nenhuma gramática ou sintaxe ofensiva demais para que um ensaio acabe sendo impresso.”

      Transformar Montículos em Montanhas

      A síndrome do publicar ou perecer tem feito com que muitos pesquisadores se tornem bem engenhosos em transformar uma modesta produção de artigos editados em totais fenomenais. Eles escrevem um só artigo, daí o dividem em quatro menores — o que se chama, no jargão profissional, de “salame fatiado”. Desta forma, em vez de receber o crédito pela publicação de um artigo, acrescentam quatro artigos à sua lista de trabalhos publicados. Então, eles talvez enviem o mesmo artigo a várias publicações, e, toda vez que ele é publicado, é contado de novo. Mui freqüentemente, um artigo pode apresentar vários cientistas como autores, e cada autor acrescenta o artigo à sua lista de artigos publicados. Um artigo de duas ou três páginas pode apresentar 6, 8, 10, 12 ou mais autores.

      No programa de NOVA, intitulado “Será que os Cientistas Trapaceiam?”, transmitido pela TV em 25 de outubro de 1988, um cientista comentou sobre este costume: “As pessoas estão tentando fazer com que seus nomes sejam ligados a tantas publicações quantas for possível, de modo que é muito comum encontrar-se agora enormes equipes, em que todas as 16 pessoas assinam seu nome em determinado artigo publicado, que provavelmente já de início nem valia a pena ser publicado. Mas isso faz parte duma espécie de corrida de ratos, duma competição, duma mentalidade vulgar de valorização da quantidade, que é totalmente incentivada pela atual estrutura da ciência nos Estados Unidos.” Alguns dos alistados como co-autores talvez tenham tido muito pouco que ver com o artigo, talvez nem sequer o tenham lido, todavia, eles acrescentam esse artigo à sua lista de trabalhos publicados. Tal lista inchada influencia a concessão de pedidos de dotações para pesquisa que envolvem centenas de milhares de dólares de fundos públicos, nos EUA.

      Revisão por Colegas, Uma Garantia Contra a Fraude?

      Os editores de revistas de ciência muitas vezes — mas nem sempre — submetem os estudos a outros cientistas para que os revisem, antes de publicá-los. Este costume, chamado de revisão por colegas, teoricamente elimina os artigos errôneos e fraudulentos. “A ciência corrige a si mesma dum modo que nenhum outro campo de esforço intelectual pode igualar”, diz Isaac Asimov. “A ciência policia a si mesma dum modo que nenhum outro campo o faz.” Ele se admirava de “o escândalo ser tão pouco freqüente”.

      Mas muitos outros não partilham este conceito. A revisão por colegas é “um péssimo modo de detectar a fraude”, disse o Dr. Drummond Rennie, já citado. O jornal-revista American Medical News disse: “As revistas que adotam a revisão por colegas, outrora consideradas quase que infalíveis, tem tido de admitir que são incapazes de erradicar a fraude.” “Tem-se supervalorizado a revisão por colegas”, disse um escritor sobre assuntos médicos e colunista do The New York Times.

      A revista Science noticia que um pesquisador designado a revisar o estudo de outro pesquisador foi acusado de plágio. Ele “obteve dados dum ensaio que revisou para um colega, e usou-os em seu próprio trabalho”, de acordo com os NIH (sigla, em inglês, dos Institutos Nacionais de Saúde, dos EUA). Tal conduta é uma “violação da confiança que devia supostamente constituir o cerne do sistema da revisão por colegas”, e, neste caso específico, o revisor foi declarado “inelegível de receber futuros fundos federais”.

      A revista New Scientist disse: “Graças ao seu desplante em proclamar sua pureza ética, a comunidade científica há muito tem sido a vencedora disparada na frente.” Muitos consideram uma farsa o sistema altamente elogiado de revisão por colegas, que teoricamente peneira todas as trapaças. “A realidade”, disse New Scientist, “é que poucos salafrários científicos são apanhados; quando são, descobre-se que eles, freqüentemente, já estavam agindo à solta por muitos anos, publicando dados falsos em respeitáveis revistas, sem serem questionados”.

      Anteriormente, uma alta funcionária dos NIH já tinha dito, segundo noticiado pelo The New York Times: “Acho que acabou uma era da inocência. No passado, as pessoas presumiam que os cientistas não faziam tal coisa. Mas as pessoas estão começando a se dar conta de que os cientistas não são moralmente superiores aos outros.” A notícia do Times acrescentava: “Embora, há alguns anos, fosse raro os Institutos Nacionais de Saúde receberem uma reclamação por ano de alegada fraude, disse ela, recebem-se atualmente pelo menos duas sérias alegações por mês.” A revista Science comentou: “Os cientistas têm garantido repetidas vezes ao público que são raras a fraude e a má conduta nas pesquisas. . . . Todavia, casos significativos parecem surgir com persistência.” O presidente de uma das comissões de inquérito do Congresso dos EUA, John Dingell, certa vez disse aos cientistas: “Eu direi aos senhores que acho irremediavelmente inadequados os seus mecanismos de imposição da lei, e que a patifaria parece estar triunfando sobre a virtude, em muitos incidentes, dum modo que eu acho ser totalmente inaceitável. Espero que os senhores também achem.”

      O programa de NOVA sobre “Será que os Cientistas Trapaceiam?” concluiu com a admissão feita por um dos cientistas presentes: “É preciso remover os esqueletos dos armários, é preciso, se necessário, prejudicar as carreiras de burocratas, e não existe outra alternativa. A ética o exige, a lei o exige, e certamente a moral o exige.”

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