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As pessoas — o que explica seu estranho comportamento?Despertai! — 1980 | 22 de outubro
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As pessoas — o que explica seu estranho comportamento?
As pessoas praticam boas ações e também más ações. São uma mistura tanto do bem como do mal. Muitas vezes acertam o alvo, e muitas vezes erram o alvo. São contraditórias, tanto amargas como doces. Por quê? O que faz com que vejam assim? O que, realmente, explica o seu estranho comportamento? Esta série sobre PESSOAS procura a resposta.
POR QUE certo homem entra em casa, num dia, e mata a tiros sua esposa e seus quatro filhos? Por que outro homem gasta toda a sua vida labutando para cuidar de sua família?
Uma pessoa leva uma vida de serviço à humanidade, ao passo que outra segue uma carreira de crime e violência. Uma dá generosamente para aliviar o sofrimento; outra amealha riquezas e gera dor e miséria. Algumas dão aos pobres, ao passo que outras culpam os pobres por sua própria pobreza. Certo grupo deriva alegria em edificar e criar. Outros obtêm deleitosa vingança no vandalismo sem sentido. Por que diferentes pessoas agem de forma tão diversa?
Ademais, por que a mesma pessoa, às vezes, é tão bondosa e amorosa e, outras vezes, é tão cruel? Talvez use seu conhecimento, e o poder que este traz, para fazer o bem à humanidade, daí, vira-se e utiliza este mesmo conhecimento para fabricar bombas para reduzir a pedaços mulheres e crianças. Algumas talvez sintam pesar posteriormente, mas outras não sentem nada. Por que existe este conflito íntimo, esta guerra entre a carne e o espírito, esta condição no homem, como se fosse uma casa dividida contra si mesma? Será algo herdado? Será devido ao meio ambiente? Será que existem necessidades não satisfeitas, no íntimo das pessoas, que as impulsionam à prática do erro? E se tais necessidades forem satisfeitas, será que isto as habilitará a praticar o bem que desejam praticar?
O apóstolo Paulo escreveu a respeito deste conflito íntimo: “Eu não entendo o que faço, porque não faço o que gostaria de fazer. Ao contrário, faço justamente aquilo que odeio. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero fazer, esse faço. Dentro de mim sei que gosto da Lei de Deus. Mas vejo que uma lei diferente age em meu corpo, uma lei que luta contra aquela que minha mente aprova.” — Rom. 7:15, 19, 22, 23, A Bíblia na Linguagem de Hoje.
Tiago, irmão de Jesus, escreveu sobre as contradições existentes no íntimo das pessoas: “A língua, ninguém da humanidade a pode domar. É coisa indisciplinada e prejudicial, cheia de veneno mortífero. Com ela bendizemos a Jeová, sim, o Pai, e ainda assim amaldiçoamos com ela a homens que vieram a existir ‘na semelhança de Deus’. Da mesma boca procedem bênção e maldição. Não é correto, meus irmãos, que estas coisas se dêem assim.” — Tia. 3:8-10.
Observe a declaração sobre virmos à existência “na semelhança de Deus”. O que significa isso? Será a chave para se responder à pergunta: O que explica o comportamento das pessoas?
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As pessoas — como começaramDespertai! — 1980 | 22 de outubro
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As pessoas — como começaram
Sabermos como eles começaram nos ajudará a compreender em que se tornaram.
HÁ MOTIVOS, tanto lógicos como científicos, para se crer no relato da Bíblia sobre a criação do primeiro casal humano.a Declara o primeiro capítulo desse livro: “À imagem de Deus o criou [o homem]; macho e fêmea os criou.” — Gên. 1:27.
O que significa ser “à imagem de Deus”? Significa que o primeiro humano se parecia com Deus em sentido físico? Se assim fora, isto significaria que ele ou seus descendentes poderiam fazer uma imagem esculpida que se parecesse com ele. Mas isto não era possível. Assim, Isaías perguntou: “A quem é que podeis assemelhar Deus e que semelhança podeis comparar com ele?” A Bíblia disse: “Nenhum Homem jamais viu a Deus.” Assim, surge de novo a pergunta: O que significa ser “à imagem de Deus”? — Isa. 40:18; João 1:18.
As pessoas podem ver um rapazinho e dizer: “Ele é igualzinho ao pai!” No entanto, o rapaz talvez não se pareça com o pai. Mas é igualzinho ao pai em outros sentidos, tais como na disposição, personalidade, habilidade mecânica, talento musical, agilidade física ou nas qualidades morais. Por ele ter atributos similares ao seu pai, diz-se que o rapaz é igualzinho ao pai.
É neste mesmo sentido que o primeiro casal humano foi criado à semelhança de Deus. Recebeu certos atributos possuídos por Deus. Isto explica o tremendo abismo existente entre o homem e os animais inferiores. Tais qualidades piedosas dotaram o homem para o exercício do domínio sobre os animais. Deus disse, tanto ao homem como à mulher: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.” — Gên. 1:28.
Ele os criou macho e fêmea. São diferentes? Obviamente diferentes. Diferentes em sentido físico. Diferentes em sentido mental. Diferentes em sentido emocional. Os homens e as mulheres estão contentes com tais diferenças. Elas os tornam complementos uns dos outros. Foram criados para serem complementos. (Gên. 2:18, 20) Em determinado respeito, o homem era à imagem de Deus dum modo que a mulher não era — na chefia. (1 Cor. 11:3, 7) Tanto o homem como a mulher partilhavam em ser à semelhança de Deus no que tangia a possuírem os atributos divinos, dados na ocasião de sua criação.
Quais são algumas das qualidades de Deus que eram inatas ao primeiro casal humano? Algumas delas se tornam manifestas por meio de suas criações visíveis Romanos 1:20 declara o seguinte: “As suas qualidades invisíveis são claramente vistas desde a criação do mundo em diante, porque são percebidas por meio das coisas feitas.” Sem palavras, voz ou linguagem, as obras de Deus, no céu e na terra, declaram sua glória, refletindo seus atributos. — Sal. 19:1-4.
Por certo, o conhecimento e a sabedoria são percebidos na terra, e em suas plantas e em seus animais. E não se sente Seu poder numa trovoada? A infinita variedade de suas criações testifica ser Ele um trabalhador prolífico. Revelam-no como supremo Projetista, que tem um objetivo em mira. Sua qualidade de justiça é demonstrada no seguinte: Ele projetou as criaturas com certas necessidades; em justiça, proveu a satisfação de tais necessidades. Ele vai além dos requisitos da justiça — em amor, derrama suas bênçãos até mesmo sobre os iníquos. Jesus indicou isto: “Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem; para que mostreis ser filhos de vosso Pai, que está nos céus, visto que ele faz o seu sol levantar-se sobre iníquos e sobre bons, e faz chover sobre justos e sobre injustos.” — Mat. 5:44, 45.
O primeiro casal humano possuía tais qualidades, ou a capacidade de adquiri-las. Neste sentido, eram à semelhança de Deus. No entanto, a história mostra que tais pessoas nem sempre refletiram tais atributos, nem o fazem atualmente. O que aconteceu? Não são mais à semelhança de Deus?
[Nota(s) de rodapé]
a Veja o livro Veio o Homem a Existir por Evolução ou por Criação?
[Foto na página 4]
É igualzinho ao pai — mas não na aparência.
[Foto/Quadro na página 5]
ALGUNS ATRIBUTOS DE DEUS CONCEDIDOS AOS PRIMEIROS HUMANOS
JUSTIÇA
“Todos os seus caminhos são justiça.” — Deu. 32:4
PODER
“Ele é Quem fez a terra pelo seu poder.” — Jer. 10:12
AMOR
“Deus é amor.” — 1 João 4:8.
“Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito.” — João 3:16
SABEDORIA
“O próprio Jeová dá sabedoria.” — Pro. 2:6.
CONHECIMENTO
“Jeová é Deus de conhecimento.” — 1Sam. 2:3.
PROPÓSITO
“Tudo Jeová fez para seu propósito.” — Pro. 16:4.
TRABALHO
“Quantos são os teus trabalhos, ó Jeová!” — Sal. 104:24.
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As pessoas — o que lhes aconteceuDespertai! — 1980 | 22 de outubro
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As pessoas — o que lhes aconteceu
“Deus fez a humanidade reta, mas eles mesmos têm procurado muitos planos.” “Agiram ruinosamente da sua parte não são seus filhos; o defeito é deles.” — Ecl. 7:29; Deu. 32:5.
ALGUNS parques de diversão possuem espelhos curvos que assim distorcem as imagens refletidas. As pessoas ficam em frente a eles e riem do que vêem — suas cabeças parecem compridas, seus corpos curtos e gordos, suas pernas parecem ter três vezes o seu comprimento real. Aproxime-se ou afaste-se do espelho e as distorções mudam, mas jamais a imagem reflete as reais proporções do corpo. Choraríamos, desesperados, se estas horríveis distorções fossem verdadeiros reflexos de nós mesmos. Mas, tudo é muito divertido, e colocamo-nos ali, fazendo gestos e rindo diante das imagens cômicas que vemos no espelho. Todas as partes de nosso corpo estão ali, mas tão distorcidas!
Existe outra imagem de nós mesmos que não apresenta suas devidas proporções, mas esta é real e não é algo para se rir. Trata-se da imagem de nosso íntimo, do que somos por dentro, “a pessoa secreta do coração”. (1 Ped. 3:4) Tal imagem devia mostrar os atributos de Jeová Deus, em cuja semelhança o homem foi originalmente criado. Ainda temos Seus atributos, mas não mais estão nas devidas proporções, assim como os reflexos de nossa imagem física aparecem num espelho curvo.
Jeová Deus criou o primeiro casal humano com Seus atributos ou com a capacidade de desenvolvê-los. Precisavam das qualidades de justiça e amor, de conhecimento e sabedoria, e do poder para trabalhar, visando certos propósitos e alvos. Foi-lhes designado um trabalho que daria objetivo e significado à sua vida, e foram criados com a capacidade de realizar tal trabalho. (Gên. 1:28; 2:15, 18) Também possuíam livre-arbítrio, de modo que podiam escolher seu próprio proceder. — Jos. 24:15.
Adão e Eva foram criados retos, e se lhes disse qual o proceder que significaria vida, mas ‘procuraram outro plano, agiram de modo ruinoso por conta própria, e se tornaram defeituosos’. (Ecl. 7:29; Deu. 32:5) Utilizaram mal sua liberdade de escolha. Eva, numa tentativa egoísta de obter conhecimento, insensatamente desobedeceu a Deus. Tal desobediência mostrava falta de amor para com Aquele que lhe havia dado a vida. “Pois o amor de Deus significa o seguinte: que observemos os seus mandamentos.” (1 João 5:3) Adão pôs de lado seu amor a Deus para colocar-se do lado de Eva em sua rebelião. Não mais ficaram em perfeito equilíbrio os atributos divinos que haviam recebido, mas tornaram-se então incompletos, imperfeitos. E, fiel ao aviso de Deus, foram sentenciados à morte, e transmitiram a seus descendentes a imperfeição e a morte. — Sal. 51:5; Rom. 5:12.
No entanto, até os dias de hoje, seus descendentes ainda possuem tais atributos divinos em certo grau. Por exemplo, a ânsia de conhecimento Mesmo uma criancinha fica faminta de conhecer as coisas. Logo que aprende a falar, sua mente derrama correntes de perguntas. Quer respostas, anseia saciar sua mente. Essa infindável torrente deixa os adultos surpresos, às vezes os deixa atônitos e os exaspera, e, por fim, os esgota. Mas tal barragem visa satisfazer uma curiosidade e ânsia naturais de conhecimento. Por que isto? Por que aquilo? Por quê? Por quê? Por quê? Por fim, o genitor assediado talvez brade em desespero: “Pergunte à sua mãe!”, ou: “Pergunte a seu pai!” Mas, esta curiosidade não deve ser desencorajada na criança, ou desaparecer nos mais velhos. Ela visa satisfazer nossa necessidade inata de conhecimento.
“O homem de conhecimento está reforçando o poder.” (Pro. 24:5) O conhecimento se acumulou até o ponto em que hoje o homem tem o poder de voar mais alto e mais rápido do que qualquer ave, viajar por terra mais rápido do que qualquer animal, e ultrapassar os peixes na água. Ele pode ver e ouvir o que acontece no outro lado da terra. Ele já foi à lua e voltou. Somos fascinados pelo poder, observamos emocionados como um guindaste faz com que uma bola de aço bata contra a parede dum velho prédio de alvenaria e o põe abaixo um rinoceronte que avança contra algo, um elefante que corre pela selva, um relâmpago, um trovão, uma tempestade que agita o mar — ficamos assombrados diante de tal poder!
Dispomos dum senso de justiça Mesmo crianças são sensíveis à injustiça, e ficam muito amoladas quando imaginam que não foram tratadas de modo eqüitativo. Os adultos também sentem justa indignação quando sofrem injustiça Nas histórias, desejamos que a justiça triunfe. Queremos que o herói vença e que o bandido receba o que merece. É somente justo que colhamos o que semeamos. É justo e eqüitativo que façamos aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem. (Gál 6:7; Mat. 7:12) Mesmo aqueles sem a lei de Deus dispõem, por natureza, dum senso do que é certo e errado, e uma consciência que os acusa ou desculpa Temos sentimentos de culpa quando praticamos o erro, assim como Adão e Eva, que se esconderam quando se sentiram culpados. — Gên. 3:8-10.
Muitos desejam sabedoria e a buscam por meio do estudo e da meditação. Ela não foi programada como parte deles, como se deu com muitas outras criaturas terrestres. Alguns animais possuem uma sabedoria que deixa surpresos os humanos. Pelo instinto, emigram, hibernam, entram no entorpecimento estival, constróem e empenham-se em outras atividades que refletem sabedoria. Como diz a Bíblia: “São instintivamente sábias.” (Pro. 30:24) No entanto, a humanidade possui a capacidade de obter conhecimento e usá-lo de modo sábio. Pela meditação, o homem adquire visão e entendimento. Apenas o homem, dentre todas as criaturas, possui esta sabedoria flexível.
Jeová é um Deus de propósito, e o homem precisa ter um propósito na vida. Ele fica angustiado quando não tem nenhum propósito, se sua vida não tem nenhum significado. Para realizar um propósito, ele tem de trabalhar. O trabalho faz com que o homem se sinta útil. Deus fez o homem para trabalhar, lhe deu um trabalho a fazer, colocando-o “no jardim do Éden, para que o cultivasse e tomasse conta dele”. A dádiva de Jeová é que o homem “veja o que é bom por todo o seu trabalho árduo”. (Gên. 2:15; Ecl. 3:13) O trabalho reflete o trabalhador; testifica sobre o valor do trabalhador. É satisfatório ver concluído um trabalho bem feito, realizando o seu objetivo. Jeová declarou muito boa a sua obra criativa e ficou reconfortado pelo seu cumprimento. — Gên. 1:31; Êxo. 31:17.
Acima de tudo, as pessoas precisam de amor. Precisam amar e ser amadas. Sem ele, definhamos por dentro. Os bebês bem cuidados fisicamente definham e, às vezes, até mesmo morrem, se não forem amados. Os adultos privados do amor se sentem solitários e seu espírito fica deprimido e abatido “O espírito do homem pode agüentar a sua enfermidade; mas, quanto ao espírito abatido, quem o pode suportar?” (Pro. 18:14) O amor suporta todas as coisas e persevera em todas as coisas; sem ele, grande parte da vida se torna insuportável e intolerável (1 Cor 13:7) Ouvimos falar de muita escassez nestes tempos atribulados, mas a maior escassez na terra é a de amor. Os psiquiatras afirmam que está por trás da maioria dos males mentais da atualidade.
E isto nos traz ao próximo passo em nossa busca da resposta à pergunta: O que explica o estranho comportamento das pessoas? Quando as necessidades com as quais o homem foi criado não são satisfeitas, surgem dificuldades. Um carro é projetado com certas necessidades. Caso não sejam satisfeitas, o carro não anda. Se forem precariamente satisfeitas, o carro talvez ande, mas só de modo precário. O mesmo se dá com as pessoas. O primeiro casal foi criado com certas qualidades que precisavam ser satisfeitas, e estes mesmos atributos são possuídos pelas pessoas da atualidade. Quando tais necessidades não são satisfeitas, ou só o são parcialmente, a incrível máquina humana não funciona corretamente. Às vezes ‘vira fera’ e faz coisas incrivelmente desumanas.
Personalidades distorcidas manifestam qualidades humanas de modos distorcidos e deformados, como os espelhos curvos refletem os corpos físicos de modos grotescos. Ainda temos os atributos divinos de justiça, amor, sabedoria, poder e outros, mas em nossa imperfeição não mais se apresentam equilibrados em sua operação. Com respeito a tais qualidades, as pessoas se tornaram desequilibradas.
[Destaque na página 7]
Mesmo os que não possuem a lei de Deus têm, por natureza, um senso do que é certo e errado.
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As pessoas — por que agem de certa formaDespertai! — 1980 | 22 de outubro
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As pessoas — por que agem de certa forma
Será por causa de seus genes?
De seu meio ambiente?
Por liberdade de escolha?
Ou:
Sabemos realmente o porquê?
“SÃO os meus genes!” diz uma pessoa, justificando o seu erro. É verdade que a hereditariedade, ou os genes, influenciam a conduta das pessoas. A Bíblia concorda com isto: “Por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” — Rom. 5:12
“É o meio ambiente!” alega outro praticante do erro. Esse, também, é um fator.“Quem anda com pessoas sábias tornar-se-á sábio” diz a Bíblia,“mas irá mal com aquele que tem tratos com os estúpidos.” Também: “Não sejais desencaminhados. Más associações estragam hábitos úteis.” — Pro. 13:20; 1 Cor. 15:33.
Tanto as caraterísticas herdadas como as influências do meio ambiente são poderosos fatores em moldar o indivíduo. Todavia, este não pode passar para os genes ou o meio ambiente a responsabilidade por suas ações. Por que não? Porque as pessoas têm livre-arbítrio. Por isso, “cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus”. O homem não foi feito um robô, mas tem vontade própria, e assume responsabilidade pelo seu uso. — Rom. 14:12.
O homem possui capacidades de obter conhecimento e sabedoria, de amar, e um senso de justiça. Tem o poder de realizar obras objetivas, para dar significado à sua vida. Mas, no homem decaído, estes potenciais não são plenamente desenvolvidos, nem são devidamente equilibrados entre si. Por conseguinte, suas necessidades não são satisfeitas e ele age com imperfeição — como o carro cujas exigências projetadas não são satisfeitas.
Assim como uma pedrinha em nosso sapato ou uma partícula de pó em nosso olho recebe nossa atenção, assim é o mal praticado pelas pessoas que ganha manchetes. O resto do corpo pode estar bom, e as pessoas podem estar praticando muitas ações boas, mas é o distúrbio que recebe nossa atenção. Assim, é com as falhas em mira que se propõe a pergunta: Por que as pessoas agem de certa forma? O que explica o seu comportamento?
As falhas podem ser pequenas. Uma necessidade talvez não seja satisfeita, um desejo talvez seja negado, um propósito frustrado, e, com má disposição, a pessoa talvez ofenda outros. Muitas vezes é algo mais grave. A discriminação poderá negar a alguém a aceitação ou o reconhecimento, ou trabalho; o resultado é a frustração; a hostilidade então se transforma em ira e irrompe em violência. A cobiça de dinheiro ou de bens move muitos a tratar outros com tirania. Os adeptos do “primeiro eu”, obsedados por seus próprios desejos, roubam, estupram ou matam para saciar sua lascívia. Homens, organizações e nações ambiciosas promovem inquisições e guerras, cometem horrendas atrocidades, arruínam a terra com venenosas substâncias químicas e espalham fome, pestilência e morte entre milhões de pessoas.
Por quê? Não mais se acham na semelhança de Deus, não mais são guiados por seus atributos. O abismo que separa os homens dos animais se estreita e, em casos extremos, torna os homens como “brutos animais irracionais que nasceram para ser capturados e mortos”. (2 Ped. 2:12, Phillips, em inglês) Pervertem os atributos divinos. O conhecimento é usado malevolamente para aumentar o poder que corrompe e destrói. A sabedoria se deteriora em tolice mundana. A justiça se torna dura, cruel. O amor se volta para si mesmo. Qualidades com grande potencial para o bem são distorcidas para habilitar os homens a cometer males muito maiores do que quaisquer dos possíveis aos “brutos animais irracionais”.
As pessoas se vêem cercadas de violência — nas cidades, nos livros, nas peças teatrais e nos filmes, em suas ruas, em suas salas de estar. A televisão inunda a mente, desde a infância, com agressões físicas e homicídios. Certo estudo calcula que, quando atinge os 14 anos, a criança mediana estadunidense já ficou exposta a 11.000 homicídios na televisão. Uma subcomissão do Congresso dos EUA investigou a violência nas escolas e apresentou a seguinte declaração, de importância histórica: “Mais crianças foram mortas nas escolas, amiúde em tiroteios com outros alunos, entre 1970 e 1973, do que os soldados mortos em combate no Vietnã.”
Os cientistas evolucionistas nos asseguram que tudo isto é natural. A agressão é inata, afirmam, sendo-nos transmitida pelos ancestrais animais. Não é verdade, contendem outros cientistas. O antropólogo Ashley Montagu escreve o seguinte:
Há muitas sociedades que, longe de manterem um comportamento agressivo, são notavelmente não-violentas e cooperadoras. Exemplos disso são os tasadais, de Mindanau, os todas, do sul da Índia, os taitianos, os hadzas da Tanzânia, os ifaluques do Pacífico, os iamis do Pacífico Ocidental, os lapps, os arapexes e os fores, da Nova Guiné. . . .
“Quando os antropólogos estudam tais sociedades não-agressivas, observamos que é mormente através de seus costumes de criação de filhos que elas produzem personalidades cooperadoras, não violentas. As crianças são objeto de grande afeição. Desde a infância, as criancinhas raramente ficam sem ter contato físico com alguém que está, ou acariciando-as ou as carregando no colo. . . .
“A agressão e a não-agressão são ambas formas aprendidas de comportamento. Cada sociedade fornece modelos de suas formas preferidas de comportamento — modelos que continuamente acentuam o comportamento do indivíduo. Os Estados Unidos colocam diante da criança os tipos mais agressivos de modelos, e então, ficamos imaginando por que temos tão altos índices de crimes violentos.”
O Dr. John Lind insta em favor do retorno do costume de as mães embalarem seus bebês, e de se entoarem canções de ninar para eles, porque isto “acelera o desenvolvimento do cérebro” A revista Psychology Today (Psicologia Atual), de dezembro de 1979, disse que “durante os períodos formativos do desenvolvimento do cérebro, certos tipos de privação sensória — tais como a falta de contato e de embalo da criança por parte da mãe — resultam em desenvolvimento incompleto ou prejudicado dos sistemas neuronais que controlam a afeição”. “Visto que os mesmos sistemas influenciam os centros cerebrais associados à violência”, continuava o artigo, “o bebê privado disso poderá ter dificuldades em controlar os impulsos violentos quando for adulto.”
O Dr. Richard Restak em seu livro The Brain: the Last Frontier (O Cérebro: a Última Fronteira; 1979) apresenta os seguintes pontos: As experiências têm “fornecido evidência conclusiva de que o sistema límbico [marginal] é a área do cérebro mais associada com a emoção” e destruir ou estimular esta área transforma o comportamento. O estímulo elétrico pode provocar alegria ou raiva. “O cérebro imaturo depende do estímulo sensório para ter seu crescimento normal”, e, “quando um bebê é balançado nos braços ou acariciado, os impulsos são dirigidos ao cerebelo, que estimula seu desenvolvimento.” Isto é importante, pois o cerebelo controla o movimento e, se privado destes impulsos agradáveis, não se formam suficientes sinapses nervosas, e o seu desenvolvimento é anormal. O resultado poderá ser uma personalidade impulsiva, descontrolada e violenta.
Os dois parágrafos acima mostram que não só os genes, os meios ambientes e os modelos de comportamento que a sociedade coloca diante de nós influenciam a nossa forma de agir, mas também o tratamento que recebemos quando bebês indefesos influencia nosso desenvolvimento cerebral, nossos estados emocionais e as ações resultantes.
Mas, ainda outro fator está em operação — um fator cuja existência muitas pessoas nem sequer admitem. The Wall Street Journal, contudo, o faz. Num editorial de 28 de outubro de 1977, sobre “O Impulso Terrorista”, ele se pergunta sobre a raiva e a violência sem sentidos. A tendência é culpar a sociedade, mas o editorial se indaga a respeito de “impulsos profundos e irracionais” no homem, para quem “o mal tem seus próprios atrativos”. Sua sentença final: “Estará menos perto da verdade se culpar a sociedade do que se culpar a Satanás.”
A Bíblia chama a Satanás de “o deus deste sistema de coisas”, identifica “forças espirituais iníquas nos lugares celestiais” como os reais inimigos, e declara um ai para a terra, “porque desceu a vós o Diabo, tendo grande ira, sabendo que ele tem um curto período de tempo”. (2 Cor. 4:4; Efé. 6:12; Rev. 12:12) Satanás estava na raiz das dificuldades no Éden, quando tentou Eva a abandonar a ‘imagem e semelhança’ de Deus. Ele ainda é poderosa força hoje em dia em fazer com que as pessoas ajam com violência raivosa, sem sentido.
Muitos fatores conhecidos explicam por que as pessoas agem de certa forma. A genética, o meio ambiente, a liberdade de escolha, as necessidades insatisfeitas — tudo isso influencia a conduta. O desenvolvimento cerebral na infância desempenha importante papel. No entanto, o entendimento, por parte do homem, do cérebro, está ainda na sua infância. É freqüentemente chamado de a coisa mais misteriosa em nosso misterioso universo. Daí, existe também a influência satânica.
Assim, será que realmente sabemos o porquê de as pessoas agirem de certa forma? Sabemos de alguns pormenores; não conhecemos muitos pormenores. Mas, sabemos do motivo básico: Nenhum de nós reflete perfeitamente ‘a imagem e semelhança de Deus’.
[Destaque na página 9]
Mais crianças foram mortas devido a violência nas escolas entre 1970 e 1973 do que os soldados mortos em combate no Vietnã.
[Foto na página 10]
A televisão inunda a mente, desde a infância, com agressões físicas e homicídios.
[Foto na página 10]
As carícias maternas, as canções de ninar, ajudam o cérebro a crescer.
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As pessoas — sua volta à semelhança de DeusDespertai! — 1980 | 22 de outubro
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As pessoas — sua volta à semelhança de Deus
“Desnudai-vos da velha personalidade com as suas práticas, e revesti-vos da nova personalidade, a qual, por intermédio do conhecimento exato, está sendo renovada segundo a imagem Daquele que a criou.” — Col. 3:9, 10.
JEOVÁ criou a terra para continuar para sempre, para ser habitada para sempre. Ele a deu aos filhos dos homens, para ser herdada pelos mansos da terra. E, assim como Jesus ensinou seus seguidores a orar, a vontade de Deus será feita na terra como é feita no céu. Desde o início, foi o propósito de Deus que o homem servisse como zelador da terra. Este ainda é Seu propósito. Apenas aqueles, contudo, que retornarem à semelhança de Deus poderão usufruir tal privilégio. — Sal. 104:5; 37:29; 115:16; Mat. 6:9, 10.
Tais pessoas devem despir-se da velha personalidade, com suas práticas, e revestir-se da nova personalidade. (Efé. 4:22; Col. 3:9) Como? Por meio de conhecimento exato — conhecimento de Jeová e de suas qualidades divinas, e por colocá-los em prática. Por isso, um bom começo nisso é seguir o conselho do apóstolo Paulo em Filipenses 4:8: “Todas as coisas que são verdadeiras, todas as que são de séria preocupação, todas as que são justas, todas as que são castas, todas as que são amáveis, todas as coisas de que se fala bem, toda virtude que há e toda coisa louvável que há, continuai a considerar tais coisas. As coisas que aprendestes bem como aceitastes e ouvistes, e vistes, em conexão comigo, estas pratica; e o Deus de paz estará convosco.”
O conselho é pensar sobre tais coisas. Os pensamentos geram sentimentos, e quando os sentimentos se tornam bastante fortes, movem as pessoas a agir. O escritor bíblico Tiago indicou isto quando disse que, ao fixarmos a mente em pensamentos ruins, cresce o desejo e, por fim, este leva a atos pecaminosos. Isto é declarado em Tiago 1:14, 15: “Cada um é provado por ser provocado e engodado pelo seu próprio desejo. Então o desejo, tendo-se tornado fértil, dá à luz o pecado, o pecado por sua vez, tendo sido consumado, produz a morte.”
Jesus também indicou isto a respeito do adultério: “Eu vos digo que todo aquele que persiste em olhar para uma mulher, ao ponto de ter paixão por ela, já cometeu no coração adultério com ela.” (Mat. 5:28) Persistir em olhar para ela e em pensar nisso pode tornar tal desejo tão forte que se venha a cometer o próprio ato adúltero.
O mesmo princípio se aplica aos bons pensamentos. Geram bons sentimentos que levam a boas ações. Assim, use sabiamente sua liberdade de escolha. Pense nas coisas boas, deseje-as, pratique-as.
O apóstolo Paulo aconselhou isto. Ele certamente o praticava. Mas, ainda assim, lamentava-se: “Aquilo que quero, isso não pratico; mas aquilo que odeio é o que faço.” Ele deplorou seu conflito íntimo entre a carne e o espírito: “Homem miserável que eu sou! Quem me resgatará?” Ele possuía conhecimento exato, tentava retornar à semelhança de Deus, tentava equilibrar os vários atributos de Jeová que ele próprio possuía. Em si mesmo, fracassou, todavia, obteve a vitória. Seu brado nos diz como: “Graças a Deus, por intermédio de Jesus Cristo, nosso Senhor!” — Rom. 7:15, 24, 25.
Podemos começar a equilibrar harmoniosamente os atributos divinos, mas somente Deus, mediante Cristo, torna completa a volta à sua semelhança.
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