BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • O que é a “revolução verde”?
    Despertai! — 1973 | 22 de janeiro
    • O que é a “revolução verde”?

      HÁ APENAS alguns anos atrás, relatava-se que a subnutrição atingia centenas de milhões de pessoas em vários países. A cada dia, milhares de mortes ocorriam, segundo relatado, em virtude da escassez de alimentos.

      Isto se dava em especial na Índia. Ali, dois anos consecutivos de poucas chuvas, em 1965 e 1966, produziram uma seca que atingira severamente as colheitas. Era grande a perda de vidas resultante da fome. Apenas o envio maciço de alimento por outros países impediu uma catástrofe total.

      Em resultado, ominosas predições de fome mundial surgiram de muitas fontes. Algumas autoridades calcularam que em meados dos anos 70 certamente se veria tal fome. Havia aqueles que até mesmo diziam que a fome mundial já havia começado.

      Todavia, hoje não se fala muito sobre pessoas que realmente morrem de fome em todo o mundo como se falava então. Deveras, ouvimos falar agora de ‘excedentes’ alimentares em alguns lugares em que costumava haver grande escassez não faz muitos anos.

      Qual é a razão disto? É devido à ‘revolução’ que ocorre na produção de cereais. Este fenômeno é tido em tão alta conta que lhe é dado o nome de “revolução verde”.

      Não obstante, também suscita perguntas, tais como as seguintes: Como é que surgiu esta “revolução verde”? Há perigos relacionados a ela? Ajuda realmente os pobres e famintos do mundo? Será a solução para os problemas alimentares do homem? Examinemos cada uma destas perguntas.

      Como Começou

      A “revolução verde” mais especificamente tem que ver com o desenvolvimento bem sucedido de tipos de trigo e arroz de alta produção. É tão importante porque estes dois cereais, em especial o arroz, constituem o alimento básico para a maioria da população da terra.

      Esta “revolução verde” começou por volta de 1965. Teve seu início mais cedo num programa conjunto de aprimoramento do trigo no México entre o Ministério de Agricultura daquele país e a Fundação Rockefeller.

      O primeiro grande avanço surgiu em resultado dos esforços de uma equipe de peritos agrícolas liderada pelo Dr. Norman E. Borlaug. Isto aconteceu após vinte anos de experiências, mais ou menos. Desenvolveram variedades de trigo que produziam 1,5 hectolitros onde apenas 0,352 hectolitros eram produzidos antes!

      O novo trigo era mais curto, e seu caule é bem firme. Isto é importantíssimo, visto habilitar a planta a evitar cair sob o peso das espigas extra-grandes do cereal. Também, não era sensível à duração do período de luz do dia. Isto significava que poderia ser plantado até mesmo em partes da terra onde as horas da luz do dia variavam do local onde a semente fora aperfeiçoada. Também, recebia muito bem a fertilização e a irrigação.

      Por volta do mesmo tempo, foi desenvolvida nas Filipinas uma nova variedade de arroz de alto rendimento. A agência responsável por isto foi o Instituto Internacional de Pesquisas do Arroz. Esta descoberta fez pelo arroz o que as experiências mexicanas fizeram pelo trigo.

      Em 1965, estes novos cereais foram plantados numa escala experimental mais ampla na Ásia. Foram semeados centenas de hectares. Hoje, sete anos depois, dezenas de milhares de hectares acham-se plantados com as novas variedades, em várias partes da terra! Isto se dá em especial nas áreas de produção de trigo da Índia e do Paquistão. Nas Filipinas e em outras áreas produtoras de arroz do Sudoeste da Ásia, também aumentam rapidamente as plantações das novas variedades de arroz.

      Quão Eficaz Tem Sido

      A produção de cereal sofreu marcante mudança devido às novas variedades. Em vários países, houve grandes aumentos na produção de cereais. A revista BioScience, de 1.º de novembro de 1971, mencionou em especial a Índia e o Paquistão, “onde, segundo se diz, estão afastando o espectro da fome geral, ou, pelo menos, adiando-a talvez por uma geração”.

      Antes, a melhor colheita da Índia tinha sido durante o ano agrícola de 1964-65. Nessa época, umas 89 milhões de toneladas de cereais foram produzidas. Mas, para 1970-71, relatou-se cerca de 107 milhões de toneladas. O aumento mais espetacular foi registrado pela colheita de trigo. Mais do que duplicou em questão de seis anos, de uns 11 milhões de toneladas para 23 milhões. A produção de arroz não se expandiu tão espetacularmente assim. Todavia, algumas autoridades indianas predisseram que 1972 poderia ver a “auto-suficiência” desse alimento básico.

      Em resultado dos grandes acréscimos nas colheitas, algumas áreas do mundo, com tendência para a fome, e que antes importavam enormes quantidades de cereais, dispunham agora do suficiente, segundo relatado, ou até os exportavam. Este êxito com novos grãos tem movido cada vez mais lavradores a plantá-los a cada ano.

      Disto se poderia concluir que a ciência encontrou a solução para os problemas alimentares do homem. Pareceria que os povos famintos do mundo só feriam de plantar as novas variedades de trigo e arroz, e seria evitada a morte pela fome.

      Um Aviso

      Todavia, muitos peritos agrícolas avisam contra tal conclusão. Afirmam que a “revolução verde” não soluciona os problemas da fome da humanidade agora, e não o fará no futuro!

      Exemplificando: no livro The Survival Equation (A Equação da Sobrevivência), um artigo pelo economista agrícola Wolf Ladejinsky declara o seguinte:

      “Por quase cinco anos, a ‘revolução verde’ tem sido realizada em vários países agriculturalmente subdesenvolvidos da Ásia. Seu advento nas sociedades rurais tradicionalistas foi saudado como resposta para a ominosa predição de fome que espreitava grandes partes do mundo.

      “Mais do que isso, porém, aqueles tomados de euforia diante das mudanças impendentes viram nelas um remédio para a pobreza da ampla maioria dos cultivadores . . .

      “Entretanto, as circunstâncias propícias em que grassa a nova tecnologia não são facilmente atingíveis, e, daí, há inevitáveis embaraços ao seu escopo e progresso. Além disto, onde teve êxito, a revolução deu lugar a uma série de problemas políticos e sociais. Em suma, a revolução verde pode ser, como o Dr. Wharton corretamente indicou em ‘Foreign Affairs’, de abril de 1969, tanto uma cornucópia como uma caixa de Pandora.”

      Por que muitas autoridades dão avisos contra o otimismo excessivo, bem no meio da “revolução verde”? Quais são alguns dos problemas encontrados? Como influem na possibilidade de a “revolução verde” vencer a fome e a pobreza?

      Certo problema apresenta grande perigo em potencial. Tem que ver com a formação genética das novas variedades de cereais.

  • Perigo: usar demais uma só espécie
    Despertai! — 1973 | 22 de janeiro
    • Perigo: usar demais uma só espécie

      A REVISTA BioScience avisou faz pouco: “Outro espectro, o da epidemia ampla, ronda a ‘revolução verde’.” Por que isto se dá?

      Quando amplas áreas produzem uma só família de cereais, a colheita inteira fica sujeita a sério perigo. Caso nova variedade de insetos ou de doença das plantas assole, todos os hectares plantados com tal espécie de cereal podem ser atingidos. Quando, porém, há uma variedade de tipos de cereais, isto usualmente não acontece.

      Os peritos concordam que esta é distinta possibilidade no caso dos novos cereais de alta produtividade. Estes novos tipos provêm de uma base genética bem estreita. A Fundação Rockefeller relata que, de certa espécie, surgiu a inteira família de trigos que hoje ocupa mais hectares na Ásia do que qualquer outro tipo.

      Todavia, por produzirem tão bem os novos tipos, obtêm a preferência geral. Os lavradores querem ganhar mais dinheiro. Plantarão seja lá o que for que dê dinheiro rápido. Assim, plantam cada vez mais a espécie de alta produtividade e substituem os tipos locais, de menor produtividade. Todavia, as novas variedades, não tendo sido desenvolvidas na área local, dispõem de tolerância desconhecida a certas doenças.

      Por causa disto, um artigo em New Scientist, de Londres, soa o alarma: Se os poucos tipos novos sucumbissem diante duma praga, os resultados seriam catastróficos. Pouco restaria para substituí-los por algum tempo, visto que leva tempo para se desenvolver novas variedades resistentes a uma nova doença. O artigo concluía que a possibilidade de desastre talvez se tenha multiplicado, ao invés de diminuir, pelo homem tentar brincar com a criação natural.

      Já Aconteceu Antes?

      Outrossim, será esse receio apenas teórico? De jeito nenhum. Já aconteceu antes a culturas que dispunham duma base genética muito estreita.

      Um exemplo disto foi a epidemia que assolou as batatas no século passado. Era conhecida como o míldio tardio. Em 1845, sério irrompimento da doença foi sentido na Europa. Foi seguido, em 1846, por mais perdas na Europa, e pelo desastre na Irlanda.

      Os irlandeses haviam dedicado o grosso de sua terra à plantação de batatas, cultivando predominantemente uma só variedade. O míldio devastou esta safra de batatas. The World Book Encyclopedia diz o que aconteceu em resultado: “A fome de batata da década de 1840 causou o pior desastre na história da Irlanda. . . . Cerca de 750.000 pessoas morreram de fome e doenças. Naqueles anos, centenas de milhares de pessoas deixaram a Irlanda.”

      Um exemplo mais recente ocorreu neste século, há uns vinte anos atrás. Os cultivadores de aveia nos EUA começaram a produzir nova variedade de aveia, de alta produtividade. Envolvia cruzamentos com uma família de aveia chamada Vitória. Tais variedades foram amplamente aceitas e plantadas. Mas, daí, ocorreu um aumento de determinado fungo que ceifou grande quinhão da safra de aveia. Em questão de dois anos, este fungo se tornou tão difundido que as aveias do tipo Vitória não mais podiam ser cultivadas com segurança.

      Nos anos 30, foi desenvolvida uma variedade de trigo chamada de gene Hope (Esperança). Prometia solucionar o problema das perdas resultantes da ferrugem do caule. Em questão de anos, inteiras áreas do oeste dos EUA, do Texas à Dacota do Norte, foram plantadas com ela. Mas, em fins dos anos 40, surgiu novo e altamente virulento fungo. Todo o trigo para pão e trigo duro cultivado nos EUA e no Canadá tornara-se suscetível ao fungo. O novo fungo espalhou-se rapidamente nas principais áreas tritícolas e ceifou seu quinhão. Por vários anos, isso resultou quase na paralisação da produção de trigo duro nas Grandes Planícies do Norte.

      Retrocessos Mais Recentes

      Em 1971, o Times de Nova Iorque trazia a seguinte manchete: “Um Triunfo da Genética Ameaça Causar um Desastre.” O artigo acompanhante mencionava os tipos aprimorados de milho híbrido introduzidos nos EUA desde 1950. Estes haviam mais do que duplicado a safra de trigo por acre, ou cerca de meio hectare.

      Mas, então, em 1970, surgiu um ataque inesperado por parte de nova doença virulenta, chamada de ferrugem da folha do milho meridional. Expôs a vulnerabilidade do milho especializado que fora plantado pela maioria dos fazendeiros.

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar