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Crescente pobreza — ameaça a todosA Sentinela — 1975 | 1.° de agosto
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que todos os piedosos devem ter para com os pobres.
Jesus tomava uma refeição no lar de Simão, que morava na cidade de Betânia. Enquanto ali, aconteceu o seguinte: “Maria, portanto, tomou quase meio quilo de óleo perfumado, nardo genuíno, muito dispendioso, e untou os pés de Jesus e enxugou os pés dele com seu cabelo. A casa encheu-se com a fragrância do óleo perfumado. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, que estava para traí-lo, disse: ‘Por que não se vendeu este óleo perfumado por trezentos denários e se deu aos pobres?’ Ele disse isso, porém, não porque estivesse preocupado com os pobres, mas porque era ladrão e tinha a caixa de dinheiro e costumava retirar dinheiro posto nela. Portanto, Jesus disse: ‘Deixai-a, para que ela mantenha esta observância, em vista do dia do meu enterro. Pois vós tendes sempre convosco os pobres, mas a mim nem sempre tereis.’” — Mat. 26:6-13; Mar. 14:3-9; João 12:2-8.
Maria procurava, a seu modo, mostrar apreço de Jesus. Há muitas obrigações na vida com que se poderiam gastar os recursos. Algumas coisas, tais como mostrar apreço do Messias, Jesus, que estava prestes a morrer, podiam ser feitas melhor naquele momento.
Deve também ser lembrado que as palavras de Jesus aludiram à lei de Deus, dada a Israel mediante Moisés. (Deu. 15:11) Quando esta lei era aplicada corretamente, nenhum judeu ficava reduzido à extrema indigência, da qual nunca pudesse sair. Por exemplo, a propriedade da família não podia ser tirada dela indefinidamente. (Veja Levítico, capítulo 25.) A fiel obediência à lei de Deus impedia muitos casos de pobreza. (Deu. 15:4, 5) Também, os que vinham a ficar pobres haviam de ser tratados generosamente pelos outros: “Caso um dos teus irmãos fique pobre no teu meio, . . . não deves endurecer teu coração nem fechar a mão para com o teu irmão pobre.” — Deu. 15:7, 8.
Jesus sabia que a pobreza não seria imediatamente eliminada entre seus seguidores. Seus discípulos encontrar-se-iam em todas as situações sociais e econômicas. (1 Cor. 7:17-24) A pobreza era um problema real, e eles teriam de lidar com ela. Os escritos dos primitivos seguidores de Jesus mostram que eles enfrentaram este desafio. — 1 Cor. 16:1, 2; 1 João 3:17, 18.
Usar Jesus a palavra “sempre”, ao dizer: “Vós tendes sempre convosco os pobres”, não deve ser tomado como significando ‘por toda a eternidade’. “Sempre” (a palavra grega pántote) é condicionada pelas circunstâncias em que se encontra. Assim, em Lucas 15:31, o pai do filho pródigo disse ao seu filho mais velho: “Filho, tu sempre estiveste comigo.” É evidente que o “filho” não esteve com o pai antes de este ter filhos. Assim, também, enquanto esta terra for governada pelo atuais sistemas econômicos, corrutos, ‘sempre haverá pobreza’.
As testemunhas de Jeová sabem que os extremos, de haver muitos pobres e poucos ricos, acabarão em breve, na nova ordem de Deus. Atualmente, porém, elas mesmas se encontram em todas as situações econômicas. Contudo, consideram-se mutuamente como irmãos e irmãs, e mostram interesse amoroso uns nos outros.
Além disso, os mais pobres sabem que a aplicação dos princípios bíblicos na sua vida os ajudará a evitar práticas erradas — por exemplo, a jogatina, o uso de fumo e de narcóticos — que levam a maior empobrecimento. Criam a reputação de ser diligentes, o que torna mais fácil achar e reter um emprego. Tendo esperança quanto ao futuro, não ficam amargurados para com Deus e seu próximo.
Outros cristãos talvez não achem que no momento sejam ameaçados diretamente de pobreza. Contudo, sabem que ela pode ser uma ameaça indireta. Como? A pessoa pode endurecer-se para com os apuros daqueles que assim sofrem, desconsiderando o conselho da Palavra de Deus, de tratá-los com consideração. Desta maneira, a pobreza pode ameaçar a vida espiritual da pessoa.
As testemunhas de Jeová sabem que, embora os pobres tenham de fazer algumas mudanças na sua vida, outra mudança é igualmente importante. Esta é a mudança que aqueles que não são pobres precisam fazer na sua atitude para com os empobrecidos. As palavras do salmo de Davi são apropriadas: “Feliz aquele que tiver consideração para com o de condição humilde; no dia da calamidade Jeová o porá a salvo.” — Sal. 41:1.
Gostaria de viver no tempo em que todas as ameaças da pobreza tiverem desaparecido? Gostaria de receber conselho sadio sobre como lidar com ela agora? Neste caso, leia regularmente esta revista.
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Por dentro das notíciasA Sentinela — 1975 | 1.° de agosto
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Por dentro das notícias
Enterro Duma Criança na Grécia
● Uma criança nascida há alguns meses atrás na maternidade de Nikea, na Grécia, faleceu pouco depois do nascimento. Quando os pais procuravam enterrá-la, o escrivão local não lhes concedeu a permissão para o enterro. O motivo? Os pais eram testemunhas de Jeová, casadas como tais em 1954. Mas, durante o regime passado do ditador Papadopoulos, o Ministério do Interior havia decretado que todos os casamentos realizados por testemunhas de Jeová eram nulos — ação que teve o apoio da Igreja Ortodoxa Grega. Por isso, o escrivão disse que os pais tinham de registrar primeiro o filho morto como nascido “ilegítimo”, para obter a permissão para o enterro. O pai negou-se a isso, dizendo que seu casamento foi devidamente registrado, que tinha mais dois filhos, cujo nascimento foi devidamente registrado, e que não podia conscienciosamente macular o nome da família. Durante quatro dias, a clínica manteve o cadáver do filho morto na geladeira, ao passo que aumentava na Grécia o protesto público contra a recusa da permissão.
Entre outros jornais atenienses, “To Vima” chamou a situação de “idade média em toda a sua baixeza”. “Athinaiki” disse que era uma “monstruosidade, que não podia ser imaginada nem mesmo pela mente mais criminosa”. E “Kathimerini” disse que o decreto “tenebroso e desumano do regime ditatorial devia ser anulado imediatamente e não se permitir mais essas barbaridades”.
Por fim, depois de quatro dias, o promotor público ordenou a concessão da permissão para o enterro, para o alívio dos pais e de muitas pessoas amantes da liberdade, na Grécia.
Mistério de Navegação
● Como os pombos-correio conseguem percorrer centenas de quilômetros sobre terreno desconhecido e chegar ao destino exato é algo que tem intrigado os homens por muito tempo. Não bastaria calcular as direções da bússola pelo sol. Os pombos primeiro teriam de saber exatamente onde estão com relação ao lar.
A revista “Scientific American”, de dezembro de 1974, ilustra quão complexo é o assunto. Mostra que os pombos devem ter algum “senso apurado de tempo, um relógio interno, e que este relógio deve estar de algum modo relacionado com a posição do sol no céu, para ser possível a determinação exata da direção à base do sol”. Mas o enigma não termina aí. Porque os pombos podem voar para casa mesmo que o céu encoberto oculte o sol. Os cientistas chegaram a conclusão de que “eles usam a bússola do sol quando está disponível, mas podem substitui-la com informação de outras fontes, quando não está disponível. Que outras fontes? Alguns testes indicaram a sensibilidade das aves ao campo magnético da terra e até mesmo a pequenas mudanças na pressão barométrica. Depois de anos de pesquisa, qual é a resposta total? O artigo diz: “A história inteira de como a ave navega ainda permanece mistério.”
Mais misterioso ainda é como os homens podem atribuir essa espantosa capacidade de navegação ao acaso evolucionário. Ela certamente atesta a existência dum Criador todo-sábio.
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