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Resolver o problema dos pobresDespertai! — 1988 | 22 de dezembro
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esperança da humanidade para a solução do problema dos pobres! O fato é que os humanos são incapazes de governar devidamente o próximo. A História revela que “homem tem dominado homem para seu prejuízo”, não importa o tipo de governo humano experimentado. Como a Palavra de Deus há muito indicava, simplesmente não cabe ao homem governar a si mesmo, independente de Deus. — Eclesiastes 8:9; Jeremias 10:23.
Por outro lado, pode estar confiante de que se cumprirão as abundantes bênçãos prometidas na “palavra profética” de Isaías, a saber: “Hão de construir casas e as ocuparão; e hão de plantar vinhedos e comer os seus frutos. Não construirão e outro terá morada; não plantarão e outro comerá. . . . Não labutarão em vão, nem darão à luz para perturbação; porque são a descendência composta dos abençoados por Jeová, e seus descendentes com eles. E há de acontecer que antes que clamem, eu mesmo responderei; enquanto ainda estiverem falando, eu mesmo ouvirei.” — Isaías 65:21-24.
Jeová Deus não empregará quaisquer esforços ou movimentos humanos, inclusive a teologia da libertação, para trazer estas bênçãos. Em vez disso, seu governo celeste assumirá o poder e unirá toda a humanidade obediente, produzindo justiça e prosperidade. Por conseguinte, tenha presente o Reino de Deus. Coloque-o em primeiro lugar em sua vida. Sim, “melhor é refugiar-se em Jeová do que confiar no homem terreno”. — Salmo 118:8; Mateus 6:33.
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Por que não aceito a teologia da libertaçãoDespertai! — 1988 | 22 de dezembro
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Por que não aceito a teologia da libertação
“Oh! povo oprimido, povo dominado,
que fazes aí com ar tão parado?
O mundo dos homens tem de ser mudado!
Levanta-te, povo, não fiques parado!”
ERA isso que me atraía ao movimento da teologia da libertação — a promessa de mudanças, conforme indicada por este refrão dum canto que costumávamos entoar. Mas, era válida minha esperança de ver uma mudança mundial?
Educação Católica Inicial
Tendo pais católicos, fui criado, a bem dizer, “dentro da igreja”. Filiei-me ao clube dos acólitos, garotos que ajudam o padre na cerimônia da Missa. Aos 17 anos, fui escolhido presidente do clube, e me tornei então muito achegado aos padres. Gostava de ouvir o que eles diziam e de ler aquilo que eles liam. Atraíam-me em especial os livros sobre a teologia da libertação, que falam sobre a humanidade um dia se ver livre da opressão.
Quanto mais eu lia e ouvia, mais ficava convicto da necessidade de as pessoas aprenderem estas coisas e se conscientizarem de seus direitos. Assim, fiquei feliz quando se formou em nossa paróquia uma comunidade de base. As comunidades de base são grupos em que o “cuidado pastoral” dos pobres é combinado com a instrução e convocações para a ação política. Apenas no Brasil existem cerca de 70.000 comunidades de base.
O objetivo destas comunidades é organizar os católicos esclarecidos em centros de instrução e para fazerem reivindicações políticas. Eu planejava e imprimia cartazes e faixas de protesto, e levava membros de nosso grupo para assistir a Missas especiais em outras comunidades e para participar nas marchas de protesto.
Trabalho nas Comunidades de Base
Algumas das pessoas do nosso centro, em Belém, moravam numa área baixa, sobre valas, onde as pessoas tinham de equilibrar-se sobre tábuas para chegar às suas casas. A cidade planejara desapropriar os casebres e transferir tais pessoas para outras localidades, pagando-lhes uma indenização. Fui incumbido de desencorajá-las de aceitar a oferta da Prefeitura, e de lembrar-lhes, também, que nosso padre tinha dito que, se elas fossem firmes, a Prefeitura iria fazer melhoramentos em seus terrenos. Como resultado, algumas não quiseram mudar-se. Mas quão triste foi ver os bombeiros expulsá-las de suas casas com jatos d‘água! Sentindo-me fracassado diante do povo de nossa comunidade, mudei-me para outra.
Neste período, estourou um conflito de terras, e 13 posseiros e 2 padres franceses foram presos. Tanto os posseiros como os sacerdotes foram levados para Belém, para aguardar julgamento. A prisão deles nos parecia injusta. De modo que ficou combinado que todas as comunidades de base em Belém fariam vigílias pacíficas de protesto em frente do posto da Polícia Federal. Uma noite, até minha irmã e minha avó cumpriram seu turno de vigília junto com os outros. Nosso protesto era mantido 24 horas por dia, havendo um contínuo revezamento, e só terminou quando os presos foram levados para Brasília, para serem julgados.
Para a véspera do julgamento, planejou-se que faríamos uma manifestação durante toda a noite. No entanto, esta teve de ser cancelada quando o exército cercou a praça. A manifestação passou então para outra praça, perto da pequena igreja da Trindade. Quando chegaram as tropas de choque, com bombas de gás lacrimogêneo, todos nós nos apinhamos lá dentro da igreja.
Havia cerca de 2.000 pessoas apinhadas lá dentro, e 1.200 soldados do lado de fora. No meio do tumulto, fiquei pensando: ‘Será este o povo de Deus? Tem de ser, pois não disse Jesus: “Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós”?’ — João 15:20.
Quando caiu a noite, todos estávamos famintos, não tendo comido nada o dia todo. Chegou um bispo, que pediu silêncio, dizendo: ‘Irmãos, é melhor que todos saiamos da igreja, visto que não há água nem eletricidade, e só Deus sabe o que eles vão fazer conosco durante a noite.’
Então falou um advogado de destaque: ‘Companheiros, nós estamos num país democrático; eles não vão fazer nada contra nós, devemos ficar aqui.’
Depois de muita discussão, os líderes do grupo decidiram que devíamos sair. A polícia nos deixou sair pacificamente.
Necessidade de Resolver Questões
À medida que prosseguia meu trabalho na comunidade, decidi ensinar as crianças de nosso grupo, utilizando o livro Escute o Grande Instrutor, que ganhei de minha avó em 1974. O livro falava sobre a boa conduta, a obediência às autoridades, e de não se usar imagens. Mas como podia eu reconciliar estes ensinos baseados na Bíblia com aquilo que nós fazíamos?
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