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Conheça a alfineteira ambulante da criaçãoDespertai! — 1976 | 8 de agosto
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Conheça a alfineteira ambulante da criação
PERMITA que eu me apresente. Sou uma das alfineteiras ambulantes da Criação. É provável que já tenha ouvido falar em Marco Polo, viajante do século 13. Bem, enquanto viajava pelo sul da Ásia, Marco encontrou alguns de nós, e eis o que ele disse: “Aqui são encontrados porcos-espinhos que se enrolam quando os caçadores lançam os seus cães contra eles, e, com grande fúria, dardejam seus espinhos ou cerdas com que suas peles são supridas, ferindo tanto aos homens como aos cães.”
Cinco centúrias mais tarde, ainda muitos detinham tal opinião. Em 1744, alguém de nome Churchill disse sobre nós: ‘Se ficarem aborrecidos, podem, por contrair-se, dardejar seus espinhos com tal força que podem matar o homem ou um animal.’
Bem, será que realmente crê que faríamos tal coisa? Podemos dardejar nossos espinhos? Com efeito, quanto sabe mesmo a nosso respeito?
Primeiro, Uma Lição de Anatomia
Para começar, deixe-me dizer-lhe que somos mamíferos, chamados roedores. Em linguagem simples, isso significa que roemos as coisas. Temos dentes incisivos bem adaptados para essa tarefa.
Vocês, humanos, nos classificaram como porcos-espinhos do Velho Mundo e porcos-espinhos do Novo Mundo. Meus parentes do Velho Mundo vivem na parte sul-oriental da Europa, África e da Ásia meridional. A maioria deles têm cerca de 90 centímetros de comprimento, se incluir seus rabos. Alguns chegam a pesar até 27 quilos. São chamados de porcos-espinhos-de-crista por terem uma crista de longos espinhos na cabeça, pescoço e costas.
Os porcos-espinhos do Novo Mundo, como eu, são residentes da América do Norte e do Sul. Sou norte-americano (ou, canadense, se preferir), e tenho cerca de 90 centímetros de comprimento, incluindo a cauda, e peso por volta de nove quilos. Alguns dos meus parentes do Novo Mundo pesam até 18 quilos. Somos também chamados de porcos-espinhos arborícolas, porque vivemos mormente nas árvores. Nossas patas traseiras são como que garras, muito boas para subir nas árvores.
Talvez deva mencionar minha cor. Bem, minha pele é negra-acastanhada. E que dizer daqueles temíveis espinhos? São branco-amarelados. Já ouvi dizer que um quadro vale mais que dez mil palavras. Assim, meu retrato, feito por renomado artista, acha-se aqui reproduzido, para seu benefício.
Uma Palavrinha Sobre Nossos Espinhos
Originalmente, o nome “porco-espinho” significava “porco com espinhos”. Naturalmente, não somos porcos. Mas, temos realmente espinhos ou cerdas, como sabe. Em nossa cauda, costas e nos lados de nosso corpo há milhares de tais espinhos. Na realidade, os espinhos são cerdas de pelo que cresceram juntas, fundindo-se. Alguns dos meus têm 5 a 7 centímetros de comprimento e são bem afiados. Isso é bom — pelo menos para mim. Eu me defendo com eles.
Alguns de nós tem espinhos farpados. Isso mesmo. Os espinhos têm pequenos dentículos que apontam para trás. Uma vez penetrem na carne dum atacante, os espinhos dilatam-se, fazendo com que os dentículos sobressaiam. É quase que impossível remover tais espinhos, porque os dentículos se prendem na carne do atacante. Ademais, devido à forma em que tais dentículos se inclinam, os espinhos se aprofundam cada vez mais à medida que a vítima se movimenta.
Que Dizer da ‘Casa e Comida’?
Onde vivemos e o que comemos? Bem, nossos gostos e aversões variam. Como norte-americano, vivo nas árvores, embora alguns de meus parentes do Novo Mundo se contentem em residir entre as rochas ou em buracos no solo. Meus primos do Velho Mundo não sobem em árvores. Vários deles talvez morem num mesmo buraco subterrâneo que talvez tenha meia dúzia de entradas.
Não gosto de viajar muito. Assim, talvez viva em cerca de três ou quatro árvores uma estação inteira. Simplesmente me ajusto confortavelmente numa árvore e chupo a casca.
Isso traz à baila o assunto de comida. Meu parente, o porco-espinho-de-crista vagueia à noite (e às vezes de dia) para comer coisas tais como cascas, raízes e frutas caídas. Tenho de admitir que ele também pode estragar colheitas, por deliciar-se com tais coisas de dar água na boca, como batatas-doces.
Na primavera, os porcos-espinhos arborícolas canadenses, como eu mesmo, podem comer as espigas de diminutas flores encontradas nos choupos e outras árvores. Mais tarde, folhas de choupo-tremedor e outras servirão bem. Várias plantas nos satisfazem, mas, no inverno, nosso menu se compõe principalmente de cascas.
Se eu partir numa expedição em busca de comida, é provável que o faça à noite. E talvez apareça em alguns lugares inesperados. Talvez possua uma cabana no mato e tenha deixado um pouco de manteiga com sal num lugar que eu possa alcançar. Simplesmente adoro isso e consumirei todo pedaço que deixar para mim. Talvez eu possa derrubar também o saleiro, derramando seu delicioso conteúdo. Oh! Que dia feliz! Tenho terrível ânsia de sal. Ora, sabe-se que eu mordisco cabos de machado por causa dos vestígios de suor salgado neles!
Em nosso jantar noturno, talvez ouça alguns sons incomuns. Alguns de meus parentes têm tentado roer garrafas de vidro. E, creia-me ou não, sabe-se que já comeram até bananas de dinamite! Imagino que isso poderia provocar uma indigestão e tanto!
O Ciclo da Vida
De algum modo, apesar duma dieta questionável, às vezes, conseguimos sobreviver. É provável que eu viva de seis a dez anos. Em cativeiro, porcos-espinhos-de-crista têm vivido por 20 anos, mais ou menos. E, nós, alfineteiras ambulantes, já existimos há muito tempo. Com efeito, somos mencionados no livro mais antigo da terra, a Bíblia. Ela predisse que porcos-espinhos tomariam posse da Babilônia, de Edom e de Nínive desoladas. E tomaram mesmo! Um explorador das ruínas de Babilônia encontrou ali “grandes quantidades de espinhos de porcos-espinhos”. — Isa. 14:23; 34:11; Sof. 2:14.
Não somos especialmente prolíficos. No que tange aos porcos-espinhos do Novo Mundo, nossas fêmeas em geral só têm um filhote por ano, na primavera. Os porcos-espinhos-de-crista do Velho Mundo têm dois ou três. E, creia-me ou não, nossos filhotes nascem já com espinhos! Parece-lhe horrível? Bem, tais espinhos de início são macios. No caso de porcos-espinhos-de-crista, endurecem em questão de dez dias.
Quando o filhote surge na família dos porcos-espinhos do Novo Mundo, amiúde tem uns 28 centímetros de comprimento. É bem maior do que um urso negro recém-nascido. Imagine só uma porca-espinha de 76 centímetros tendo um filhote espinhoso desse tamanho! Proporcionalmente para nosso tamanho, produzimos a prole maior de todos os mamíferos. Ora, se os bebês humanos fossem comparativamente tão grandes, ao nascerem pesariam mais de 36 quilos!
Meu Jeito Pacífico
Alguns imaginam que os porcos-espinhos sejam agressivos, belicosos ou briguentos, sempre procurando uma briga. Contudo, isso não é verdade. Simplesmente me observe. Eu ando mui pacificamente, de usual falando comigo mesmo em guinchos e grunhidos, fungando à medida que ando. Por falar em fungar, tenho um nariz mui sensível. Embora nossa armadura seja formidável, temos sido mortos por sermos atacados nesta parte tenra de nossa anatomia.
Quando não estou perambulando a um passo tranqüilo, poderá encontrar-me em cima duma árvore, descansando de qualquer esforço. Ali estou eu, um símbolo de placidez. Então, quem pensaria em mim como perigoso guerreiro? Naturalmente, de forma súbita, eu talvez berre. Com efeito, talvez fique sentado ali e lamurie por uma hora. Vocês, humanos, não conseguiram descobrir por que faço isso, e acho que simplesmente vou ficar calado e manter isso como segredo, por enquanto.
Pronto Para a Luta
Por outro lado, se estou lá embaixo, no solo, e um gato selvagem ou outro atacante se acerca de mim, estou bem preparado para lhe fazer frente. Enfio minha cabeça e aquele nariz delicado sob um tronco. Daí, por tomar posição firme, com meus pés juntos, certifico-me de que meu lado inferior esteja protegido. Em seguida, matraqueio os espinhos da minha cauda. Isso é um aviso, e soa como o sinal de perigo enviado pela cascavel.
Já então meus espinhos estão eriçados e pareço ter o dobro do meu tamanho real. É hora de minha cauda entrar em ação, girando furiosamente de um lado para o outro. Nesse ponto, cuide-se!
Se meu atacante for bastante tolo em persistir, eu talvez retire meu nariz da toca e o enfie embaixo de mim, do melhor modo que possa. Daí, à medida que minha cauda gira violentamente, eu recuo, entrando direto na refrega. Sei que não poderá chamar a isso de ataque frontal, mas certamente é mui eficaz. Se o pretenso molestador tiver algum juízo, ficarei com bastante espaço até que eu possa subir numa árvore.
Se um gato selvagem for tolo, talvez sejam preciso vinte de meus espinhos para afastá-lo. Entretanto, tenho bastantes de tais espinhos — uns 30.000 — e os perdidos na batalha serão substituídos em questão de meses. Alguns animais morrem devido a que nossos espinhos pontudos penetram e furam algum órgão vital. De vez em quando, um espinho é enfiado na mandíbula dum atacante, como que fechando-a. Incapaz de comer, o infeliz por fim morre de fome. Aliás, os germes em nossos espinhos podem provocar infecções fatais.
Até mesmo leões e ursos da montanha têm sido mortos por nossos espinhos. Mas, ninguém tem nada a temer se mantiver distância de nós. Apesar das observações de Marco Polo, não dardejamos nossos espinhos. Naturalmente, se me alarmar e minha cauda continuar girando, pode bater em algo e espinhos soltos poderão ser arremessados. Mas, descontraia-se, não dardejo meus espinhos em cima de alguém que esteja longe.
Às vezes, um tipo de marta — animal aparentado da doninha — consegue revirar um de nós e fincar seus dentes em nosso lado inferior desprotegido. Ou tal “monstro” poderá cavar por sob a neve e atingir-nos fatalmente pelo lado de baixo. Em geral, porém, saímos vencedores.
De vez em quando, nós, porcos-espinhos norte-americanos, acabamos na mesa de jantar. A maioria das pessoas, porém, não acha que temos suficiente sabor, ou talvez achem que dá muito trabalho tentar conseguir alguma carne duma fortaleza ambulante e cheia de ferpas.
Bem, eis aí minha história. Talvez nos encontremos de novo algum dia. Se isso acontecer, por que não me admira de longe? Talvez me chame de alfineteira, mas não sou uma de tipo normal. Meus “alfinetes” apontam todos para o lado errado, no que lhe diz respeito.
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Por que ‘Dez Mandamentos’ se pauta?Despertai! — 1976 | 8 de agosto
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Qual É o Conceito da Bíblia?
Por que ‘Dez Mandamentos’ se pauta?
OS DEZ Mandamentos têm recebido grandes louvores, e isso é correto. Tem-se dito bem a respeito deles. “Estes mandamentos . . . em si mesmos nos cativam como vindo de fonte super-humana ou divina . . . Facilmente se colocam à frente de nosso inteiro sistema moral, e, nenhuma nação nem povo pode continuar por muito tempo a gozar duma existência feliz em aberta violação deles.” — Biblical Law, H. B. Clark.
Alguns tendem a assemelhar esses Dez Mandamentos ao Código de Hamurábi, até mesmo chegando a afirmar que se derivaram dele, mas nada poderia distanciar-se mais dos fatos. Para começar, a ênfase nos Dez Mandamentos é sobre as obrigações para com Jeová Deus; a ênfase do Código de Hamurábi, e similares códigos pagãos antigos, é sobre as obrigações para com o homem. Com efeito, o Código de Hamurábi não é um “código”, segundo definido pelos advogados hodiernos; pois aplica simplesmente princípios morais gerais a casos específicos. Assim, cada uma de suas regras começa com a fórmula: ‘Caso um homem faça isto, então se aplica a seguinte penalidade.’
Isto se contrasta notavelmente com os Dez Mandamentos, que são chamados “apodícticos”, no sentido de que são absolutos, categóricos, breves ordens ou proibições, completos em si, não precisando de explicação.
Há consenso geral de que há apenas dez destes mandamentos que Jeová deu por meio de Moisés a Israel, escrevendo-os sobre tábuas de pedra. Isto é claro do relato inspirado, que fala dos Dez Mandamentos, também conhecidos como Decálogo, que significa “as Dez Palavras”. No entanto, há quatro modos em que têm sido enumerados. — Êxo. 34:28; Deu. 4:13; 10:4.
As diferenças nestes quatro modos de numeração se relacionam apenas ao primeiro, segundo e o último mandamentos. A numeração de Josefo e Filo, famosos escritores judeus do primeiro século E. C., fizeram do Primeiro Mandamento a proibição de se adorarem outros deuses; o Segundo Mandamento, a proibição de se fazerem imagens e adorá-las, e o Décimo Mandamento, a proibição de cobiçar de per si, isso é, a cobiça de qualquer coisa que o próximo possa ter. Este método de numeração dá a devida importância às várias coisas
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