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Os prazeres em lugar de Deus — por quê?A Sentinela — 1984 | 1.° de janeiro
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Os prazeres em lugar de Deus — por quê?
“VOCÊ não é o único”, dizia em letras garrafais certo anúncio. “Neste domingo, 61 milhões de outros estadunidenses adultos também preferiram não ir à igreja.” O próprio anúncio era em si mesmo um esforço para fazer com que alguns desses milhões, que representam 41 por cento de todos os estadunidenses com 18 anos ou mais, fossem à igreja.
Em outros lugares, notavelmente na Europa Ocidental, o quadro é similar, exceto que a porcentagem é muito mais elevada. Por exemplo, num domingo qualquer na Grã-Bretanha, cerca de 98 por cento dos 28 milhões de membros da Igreja Anglicana não se preocupam em ir à igreja. Apesar de algumas exceções aqui e acolá, a tendência declinante é evidente em todo o mundo.
POR QUE SE AFASTAM
O que está levando as massas a se afastar das igrejas? Naturalmente, trata-se duma pergunta muito complexa. O ateísmo, o materialismo, o fracasso das igrejas em satisfazer as pessoas e muitos outros fatores têm contribuído para isso. Mas, será que todos os que se afastaram o fizeram porque abandonaram a crença em Deus, de modo a não mais precisarem de religião? E claro que não.
Os co-autores George Gallup, Jr., e David Poling, em seu livro A Busca da Fé da América (em inglês), expressaram surpresa diante da descoberta de que “os que estão desligados da religião são muitíssimo religiosos; e, na maioria dos casos, não é a perda da fé que levou as pessoas a se afastarem da religião”. Então, o que os está afastando?
Gallup e Poling notaram quatro fatores-chaves que estão arrastando os que não têm religião:
“1. Esportes, recreação e passatempos.
2. Atividades sociais com amigos.
3. Horário de trabalho que dificulta a freqüência à igreja.
4. O desejo de ‘mais tempo para mim mesmo e/ou para a família’.”
Não se dá que a maioria das pessoas fica agora pensando e aguardando o domingo, especialmente como ocasião para descontrair-se e soltar-se? Para os que se podem dar ao luxo disso, um passeio pelo campo, um piquenique ou uma excursão são muito mais revigorantes do que os ofícios religiosos. Correr, esquiar, jogar golfe, pescar ou qualquer um dos muitos outros esportes é muito mais revigorante do que o monótono sermão. E, geralmente, as pessoas se empenham nessas atividades com uma dedicação e um zelo de fazer inveja ao freqüentador mediano de igreja.
Com que resultado? Evidentemente, essa atitude de amor aos prazeres enfraqueceu seriamente o apoio às igrejas. Mas, o que é mais grave para as pessoas, isso significa que o amor aos prazeres tem tomado o lugar do amor e Deus. A religião, ou o que sobrou dela, tem sido relegada a umas poucas ocasiões especiais da vida, tais como casamentos e funerais, ocasiões em que a religiosidade ainda é considerada necessária. A diversão do mundo tem tomado o lugar da devoção espiritual.
Essa crescente onda de secularismo entre os que professam crer em Deus coincide com o que o apóstolo Paulo tinha em mente quando falou sobre os homens se tornarem “mais amantes de prazeres do que amantes de Deus”. E, ao falar de tais pessoas, ele as usava como aviso e característica que assinalariam o advento dos “últimos dias”, quando haveria “tempos críticos, difíceis de manejar”. (2 Timóteo 3:1, 2, 4) O fato de que multidões hoje “colocam o prazer no lugar de Deus”, conforme predito por Paulo, é uma das muitas evidências de que vivemos nos últimos dias. — A Nova Bíblia Inglesa.
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“Uma forma de devoção piedosa”A Sentinela — 1984 | 1.° de janeiro
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“Uma forma de devoção piedosa”
EM VISTA do declinante apoio, as igrejas estão procurando desesperadamente reanimar ou reativar seus membros. Mas, muitas vezes, as táticas que empregam só pioram as coisas. Aproveitam-se da mentalidade voltada para o prazer. Como? Considere alguns exemplos do que as igrejas estão fazendo para atrair os sem religião aos bancos das igrejas:
“Atualmente, há 3.000 grupos de ministros palhaços nos Estados Unidos, que colocam narizes grandes e trajes multicoloridos, a fim de servir a Deus”, noticiou a revista Time. Companhias de artistas, que se dão o nome de ‘Bobos Para Cristo’ ou ‘Bobos Santos’, dançam, fazem truques e mímicas, andam de bicicleta na igreja, distribuem pipoca e jogam confete e balões na congregação. Em Saskatoon, no Canadá, o congresso da Associação Canadense Para a Educação Pastoral incluiu um curso de “palhaçadas cristãs” como meio de atingir as pessoas.
“‘Prenda a Atenção Deles’ — Evangelista o Faz com Caratê.” Esse era o título dum artigo de jornal que descrevia os “sermões-espetáculo” dum pregador batista itinerante. “As pessoas não querem sair para ouvir um pregador pregar e dizer-lhes o que há de errado com elas”, explicou ele. “Mas, sairão para ver um perito em caratê.” O pregador disse que a maioria fica para o sermão, depois de ver o espetáculo. “De vez em quando há alguém que se retira”, acrescentou. “Mas não com muita freqüência.”
Sob o cabeçalho “Igrejas Usam Mágica Para Atrair os Paroquianos”, The Wall Street Journal citou um pastor de Indiana, EUA, como desejo que “quando um mágico ocupa o público, pessoas que não compareciam há meses aparecem para os ofícios”. A Associação dos Mágicos Cristãos, não-confessional, calcula que haja mais de mil ministros mágicos em todos os Estados Unidos, e esta patrocina seminários todos os anos para ensinar novos truques.
“Há Uma Dançarina Strip-tease no púlpito” — foi assim que certo jornal noticiou o que se passara numa igreja unitária em Dallas, EUA. A igreja apresentava uma dançarina exótica” nos ofícios de domingo, e, “quando ela terminava, não sobrava nada senão sua tanga e a imaginação da congregação”, dizia a notícia. Crianças junto com os 200 membros adultos da igreja assistem aos espetáculos. “Não recebi sequer uma queixa”, disse o ministro. “Adequa-se muito bem ao nosso ofício.”
Esses não são de modo algum incidentes isolados ocorridos em certas seitas ou cultos estranhos. As chamadas religiões respeitáveis e oficializadas estão recorrendo aos mesmos truques. Além dos palhaços e mágicos, empregam os serviços de cantores de música folclórica, conjuntos de rock, dançarinas do ventre, astronautas, astros do cinema e outras celebridades, num esforço de amparar seu crescente desprestígio.
Mas, mesmo que algumas “almas perdidas” sejam assim atraídas à igreja, estão sendo realmente ajudadas a se tonarem “amantes de Deus”, se o que lhes interessa é uma dança “exótica” ou um espetáculo de mágica? Ao contrário, não se tornarão assim ainda mais “amantes de prazeres”, e com a consciência tranqüilizada, porque podem agora entregar-se a eles com a aprovação da igreja? Realmente, tornaram-se indivíduos que têm “uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder”. — 2 Timóteo 3:5.
CUMPRIMENTO DA PROFECIA
Tudo isso induziu o clérigo William Rauscher a dizer: “Hoje em dia, muitas igrejas tornaram-se mais centros de diversão do Espírito Santo, os quais são mais fantasmagóricos do que santos. Muito do que hoje leva o disfarce de religião escandalizaria S. Paulo.” Na verdade, porém, Paulo dificilmente ficaria escandalizado. Por que não? Porque como vimos, ele foi inspirado a escrever que nos últimos dias as pessoas ‘colocariam o prazer no lugar de Deus’!
Com a expressão “mais amantes de prazeres do que amantes de Deus” (Tradução do Novo Mundo), o apóstolo Paulo chama atenção para a contradição e a incoerência, e, portanto, para a hipocrisia de tais pessoas. Embora ainda desejem certa medida de religião na vida, colocam o prazer no lugar de Deus, como objeto de seu amor e devoção. Assim, fizeram do prazer o seu deus.
O aumento do secularismo e a diminuição do apoio às igrejas são outras evidências claras de que vivemos nos últimos dias do atual sistema de coisas. Mas, mais do que isso, tais coisas indicam que vivemos já bem no fim, na fase final dos últimos dias.
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Um mundo amante de prazeres está prestes a acabar!A Sentinela — 1984 | 1.° de janeiro
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Um mundo amante de prazeres está prestes a acabar!
A HISTÓRIA está repleta de exemplos de poderosos reinos e impérios que foram levados a ruína pela decadência moral, pela vida devassa e pelo amor excessivo aos prazeres. Mesmo dentro duma mesma nação, dinastias ou regimes foram derrubados quando o amor aos prazeres corroeu sua fibra moral.
Por exemplo, no livro Bosquejos da História Romana (em inglês), William Morey escreveu: “Se nos perguntassem quais foram os sintomas da decadência moral de Roma, responderíamos: o egoísmo de classes; a acumulação de riquezas, . . . o amor ao ouro e a paixão pelo luxo . . . Esses eram males morais que dificilmente poderiam ser curados por algum governo.”
Não vemos hoje as pessoas ficarem envolvidas num modo de vida mundano, voltado para os prazeres? Não vivemos num mundo amante de prazeres? Realmente, pois, embora muitos ainda desejem certa medida de religião, as atividades sociais e de recreação assumiram o lugar de maior importância. As pessoas se tornaram iguais as dos dias de Noé — preocupadas com coisas tais como ‘comer e beber’. Estão ocupadas demais em satisfazer seus desejos, para dar atenção às suas necessidades espirituais. Deveras, o interesse e o apoio que se dá à religião estão em declínio. — Mateus 24:37-39.
Esse amor aos prazeres e o acompanhante declínio do apoio dado à religião assumem um significado especial quando consideramos a maneira em que outro antigo império, Babilônia, foi à ruína. De fato, as particularidades incomuns dessa queda, assim como outras narrativas históricas, foram registradas na Bíblia por um motivo específico: “Foram escritas como aviso para nós, para quem já chegaram os fins dos sistemas de coisas.” — 1 Coríntios 10:11.
LIÇÃO ANTIGA
O rio Eufrates desempenhava um papel importante na vida da grande cidade de Babilônia. Jacob Abbott escreveu o seguinte em seu livro História de Ciro, o Grande (1878, em inglês): “[Babilônia] era a capital duma região grande e muito fértil, que se estendia por ambas as margens do Eufrates, em direção ao Golfo Pérsico. . . .O rio Eufrates era a grande fonte de fertilidade da inteira região pela qual fluía.” Sim, a prosperidade de Babilônia provinha do rio Eufrates. Portanto, é ainda mais significativo que a queda da cidade estivesse ligada a esse rio.
Abbott forneceu o seguinte relato interessante da conquista de Babilônia pelo Rei Ciro:
“Ciro avançou em direção à cidade. Estacionou um grande destacamento das suas tropas na abertura das principais muralhas, por onde o rio entrava na cidade,
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