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Como reage às diferenças raciaisA Sentinela — 1974 | 15 de fevereiro
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Como reage às diferenças raciais
QUANTO as diferenças raciais têm afligido a humanidade! Mas, pense um pouco: São as diferenças raciais o problema real? Ou o é o modo em que os homens reagem a estas diferenças?
Alguns têm usado esta reação como instrumento político prejudicial. Por exemplo, Adolf Hitler observou certa vez ao anterior político alemão Hermann Rauschning:
“Sei perfeitamente bem . . . que, em sentido científico, não há tal coisa como uma raça. . . . Como político, preciso duma concepção que torne possível que a ordem [existente] . . . seja abolida . . . Com a concepção da raça, o Nacional Socialismo [nazismo] levará a sua revolução ao exterior e remodelará o mundo.”
Em outras palavras, Hitler sabia que só precisava canalizar as reações raciais dos homens para alcançar seus fins políticos.
ALGUMAS PERGUNTAS ESQUADRINHADORAS
Qual é a sua reação, leitor? Sente-se arrastado pela conversa prejudicial sobre as diferenças raciais, assim como aconteceu com aquelas pessoas? Pode isso fazer com que deixe de julgar as pessoas segundo os seus próprios méritos? Considera a proporção elevada dos crimes e da imundície em muitos “guetos” como evidência de inferioridade racial?
Ou assume o preconceito uma forma mais sutil? Parece por fora que não tem preconceito racial, mas sente-se no íntimo indulgente por ter sido bondoso para com alguém de outra raça? Quando ouve uma notícia sobre uma transgressão, identifica imediatamente o transgressor pela sua raça?
Por outro lado, se achar que é vítima de preconceito, revida por criar preconceito próprio? Acredita que a única razão de sua opressão seja a racial? Não tem talvez maus hábitos pessoais, que poderiam ser melhorados para granjear mais respeito dos outros?
COMO A VARIEDADE HUMANA VEIO A EXISTÊNCIA
É evidente que precisamos ter um entendimento melhor das diferenças raciais para nos ajudar a moderar nossas reações. Um exame de como se originaram estas diferenças nos ajudará a reagir de modo realístico e moral, em vez de nos deixarmos levar pelos extremistas.
Talvez pergunte agora razoavelmente: ‘Donde vieram as raças com suas características tão claramente definidas, tão diferentes umas das outras? Como se explica a existência dos escandinavos altos com sua pele clara e cabelo louro, ou os esquimós atarracados, com seu grosso cabelo preto, nariz achatado e olhos oblíquos, ou os negros de pele preta, com seu cabelo curto e encrespado, e lábios cheios?’
Em resposta, os estudos científicos mostraram que as diferenças nas coisas vivas, basicamente, são uma questão de genética (os genes sendo partículas minúsculas que determinam a hereditariedade). O potencial de variedade é inerente em todas as coisas vivas, inclusive no homem. O zoólogo Ernst Mayr diz: “Falar-se de raças ‘puras’ é tolice rematada. A variabilidade é inerente em qualquer população natural.”
Para ajudar agora a entender como as raças se desenvolveram desta variabilidade, usemos a seguinte ilustração: Sabia que os horticultores (cientistas da vegetação) puderam isolar certas variações nas plantas, tais como o tamanho extraordinário? Puderam então desenvolver classes destas plantas, que todas têm a mesma particularidade.
Para se aplicar esta ilustração ao homem, suponhamos que um grupo de pessoas ficasse geograficamente isolado dos demais da família humana, assim como o horticultor isola uma classe de plantas com a qual trabalha. Certas características entre estas pessoas se tornariam mais fortes ou “dominantes” em todos os descendentes do grupo. Por fim, surgiria uma nova “raça”, mas ela continuaria a ser humana.
Que isto é exatamente o que aconteceu é documentado científica e historicamente. O Professor S. A. Barnett, zoólogo da Universidade Nacional australiana, define a raça como sendo “um grupo que compartilha determinado conjunto de genes e que passou a ser distinto dos outros grupos em resultado dum isolamento geográfico”.
Os cientistas podem apenas adivinhar como veio a haver este “isolamento geográfico”. Mas há uma fonte histórica que harmoniza todos os fatos disponíveis.
Voltemos a dar atenção ao tempo em que ainda não havia raças. Segundo o relato histórico, podia dizer-se a respeito dos da humanidade que “são um só povo e têm todos a mesma língua”. (Gênesis 11:6, Matos Soares) Concordando com isso, o Professor de Zoologia L. C. Dunn diz que “pode ter havido um tempo em que a raça humana realmente era uma só comunidade matrimonial, porque mesmo hoje todas as raças têm muitos dos seus genes em comum, como se todos os tivessem obtido duma fonte comum”.
Entretanto, fez-se a tentativa de reter a humanidade num só lugar, para fins político-religiosos. (Veja Gênesis 11:1-9.) Isto fracassou. Se esta tentativa tivesse sido bem sucedida, os homens não se teriam espalhado depressa por toda a terra. Mas o propósito do Criador para com a humanidade era diferente. Ele o expressou não muito tempo antes: “Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra.” — Gên. 9:1; veja também 1:28.
Devia-se cumprir este propósito? Sim, com muita eficiência. O Criador fez de repente com que os homens falassem línguas diferentes, para que não se pudessem entender uns aos outros. Havia um modo melhor para separá-los?
Imagine o que deve ter acontecido: Sem se poderem comunicar como um só povo, pequenos grupos, então isolados pela barreira da língua, seguiram seu próprio caminho. Ao se espalharem cada vez mais, a distância acrescentou outra barreira à comunicação. O registro destes acontecimentos diz que “Jeová os espalhou dali por toda a superfície da terra”. (Gên. 11:8) Isolados pelo lugar e pela língua, os descendentes de cada grupo multiplicaram-se e desenvolveram as particularidades distintas de sua “raça”.
Uma pergunta que talvez surja aqui é a seguinte: “Ficaram as raças tão diferentes umas das outras que cada uma é outra ‘espécie’?” O zoólogo Mayr faz o seguinte comentário em resposta:
“Todos os tipos diferentes do homem vivente na face da terra pertencem a uma única espécie. . . . De fato, as diversas raças do homem são menos diferentes entre si do que as subespécies de muitos . . . animais. No entanto, algumas pessoas enganadas . . . dividiram-no em cinco ou seis espécies separadas por usar critérios artificiais tais como a cor branca, amarela, vermelha ou preta da pele. Tal divisão . . . é completamente contrária ao conceito das espécies biológicas.” (O grifo é nosso.)
Vemos assim com quanta exatidão o registro bíblico se equipara aos fatos conhecidos. Conforme o apóstolo Paulo disse claramente aos homens de Atenas, no primeiro século de nossa Era Comum, Deus “fez de um só homem toda nação dos homens”. Ou conforme o expressa A Nova Bíblia inglesa: “Ele criou toda raça dos homens de uma só estirpe, para habitar toda a superfície da terra.” — Atos 17:22-26.
RELACIONAM-SE A APARÊNCIA FÍSICA E A MENTALIDADE?
Alguns argumentam que há uma relação direta entre a aparência e as qualidades mentais. Dizem que, por isso, os que têm uma aparência que acompanha a mentalidade “inferior” devem ser separados dos outros. Presumem que isto evitará o enfraquecimento genético da raça “superior”.
No entanto, o Professor Mayr diz que é uma “falácia” afirmar haver “uma associação entre determinada cor dos olhos ou do cabelo e certas tendências da mente ou do caráter. Toda a evidência disponível nega a existência de tal [correspondência]”.
O que mostra a evidência realmente quanto à variedade racial? É alguma raça “superior” a outra? Theodosius Dobzhansky, da Universidade Rockefeller, de Nova Iorque, diz:
“O fato notável — que nem mesmo os racistas podem ocultar — é que as diferenças raciais, em média, são muito menores do que as variações dentro de qualquer raça. Em outras palavras, os cérebros grandes e o elevado Q. I. das pessoas de cada raça são muito maiores e mais elevados do que a média de sua própria raça ou de qualquer outra raça.”
O que podemos concluir disso! O seguinte: Se alguns quiserem argumentar a favor da segregação das pessoas por causa duma alegada mentalidade ou cultura “inferior”, não seria muito mais coerente segregar todas as pessoas, sem consideração de raça, que caírem abaixo de determinadas “normas”, em vez de separá-las pela sua cor? Assim estariam obrigados a segregar muitos de sua própria raça e exatamente pelos mesmos motivos pelos quais querem segregar os outros! É isto realmente o que querem?
A questão que todos temos de encarar é se estamos dispostos a nos harmonizar com o ponto de vista de Deus sobre este assunto. Este é bem declarado pelo apóstolo Pedro: “‘A verdade de que me dou conta agora’, disse ele, ‘é que Deus não tem favoritos, mas que qualquer de qualquer nacionalidade, que temer a Deus e fizer o que é direito, lhe é aceitável’.” (Atos 10:34, 35, Jerusalem Bible) Aceitará você, leitor, a ‘qualquer de qualquer nacionalidade, ou raça, que fizer o que e direito’? Este é o verdadeiro ponto em questão, não é?
APREÇO DA VARIEDADE RACIAL
Tudo em nossa volta revela abundante variedade. O que se daria se não fosse assim? Gostaria de comer o mesmo alimento todos os dias? Como seria se houvesse apenas uma espécie de animal, ou ave, ou árvore na floresta? Suponhamos que todas as flores tivessem a mesma cor. Gostaria de tal espécie de mundo!
Não vivemos em tal mundo porque nosso Criador deu amorosamente às coisas vivas o potencial de variedade. Esta variedade fornece um infindável estímulo para o agrado de nossos sentidos. Dá plenitude à vida. Devia ser diferente no que se refere à variedade entre os homens? Pode imaginar quão ofensiva a falta de apreço pela variedade é para Aquele que a criou!
Conforme salientou o Professor Dobzhansky: “A diversidade genética é uma bênção, não uma maldição. Toda sociedade . . . tem uma multidão de vocações e tendências diversas a satisfazer.”
É interessante notar que há uma sociedade de pessoas que realmente apreciam a variedade entre os homens. São conhecidas como testemunhas de Jeová. Acham-na estimulante e proveitosa. Dentro desta sociedade, todos, sem consideração de sua raça, acham realização e oportunidade para usar sua capacidade ao máximo. Alegram-se com a magnífica variedade de personalidades, cultura, língua, vestimenta, lares e alimentos entre as pessoas de todas as raças.
Quando viajam ao exterior, para assistir às assembléias internacionais das testemunhas de Jeová, sabem que serão plenamente aceitos pelos seus irmãos cristãos, em qualquer país. Estarão em pé de igualdade de amor e respeito mútuos. O escritor religioso G. Norman Eddy observou o seguinte sobre as Testemunhas:
“Fico impressionado com a sua genuína consideração elevada para com as pessoas de todas as raças. Dessemelhantes de alguns que adotam a doutrina da fraternidade racial apenas da boca para fora, as Testemunhas acolhem a todos na sua sociedade — até mesmo em cargos de destaque, sem referência à cor ou à feição.”
As testemunhas de Jeová reconhecem que precisa haver melhoras na vida da pessoa, não importa de que raça seja. Por isso se esforçam individualmente em fazer melhoras, à base dos princípios cristãos. Se alguém for desleixado ou usar de péssima linguagem, se tiver pouco respeito pelos outros ou pela lei, se beber muito ou não cuidar de suas responsabilidades familiares, terá de fazer as necessárias mudanças para se harmonizar com as normas cristãs. Ele se ‘reveste duma nova personalidade’, o que qualquer de qualquer raça pode fazer, se quiser. — Col. 3:9, 10; Rom. 13:1; 2 Tes. 3:10.
O mundo que Adolf Hitler planejou ‘remodelar’ com sua “concepção de raça” teria sido estéril e desolado, governado segundo os caprichos de apenas sua única “raça dominante”. Em contraste, Deus, na sua sabedoria, usa todas as qualidades da humanidade para formar uma organização equilibrada, amorosa e útil. Por que não compartilhar do prazer de reagir com apreço as variedades raciais?
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Onde as divisões raciais são inexistentesA Sentinela — 1974 | 15 de fevereiro
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Onde as divisões raciais são inexistentes
HOJE em dia, os sentimentos raciais e nacionais amiúde ficam muito exaltados. Estes sentimentos contribuíram vez após vez para a injustiça, a malevolência e até mesmo para atos de violência. Muitos sinceros gostariam de ver o fim de tais coisas. Anseiam encontrar pessoas que têm genuíno amor para com o próximo. Mas existem hoje pessoas que manifestam verdadeiro amor ao próximo, sem consideração de raça, nacionalidade ou posição na vida? Você, leitor, assim como aconteceu com outros, poderá encontrar a resposta a esta pergunta por ir a um Salão do Reino das Testemunhas de Jeová.
◆ Uma senhora, do estado de Virgínia nos E. U. A., resistiu aos esforços de seu irmão de lhe falar sobre as verdades da Bíblia que ele aprendia das testemunhas de Jeová. Mais tarde esta senhora e seu marido mudaram-se para outro lugar e foram visitados ali pelas Testemunhas. Ela conta: “Eu costumava ficar com suas revistas, mas sempre as jogava fora. Por isso fiquei muito surpresa de ver que meu marido ficou com algumas publicações e realmente as leu. Pensei que ele devia estar perdendo o juízo e caçoei muito dele por causa disso. No fim, sentamo-nos para falar sobre o que ele havia lido. Quando mencionou os fatos que indicam a existência dum Criador inteligente não pude argumentar contra isso. Prometi acompanhá-lo a uma reunião, e nesta reunião mudei de idéia. As pessoas nesta congregação integrada estavam realmente amistosas comigo e interessadas em mim e na minha família.”
Isto era bem diferente do que havia sentido no passado. Conforme ela o expressa: “Quando eu era pequena, tínhamos uma senhora de cor na nossa igreja. Mas ela sempre se sentava num setor separado.”
Quando uma das Testemunhas se ofereceu a estudar com ela e seu marido, ambos concordaram. “Embora eu não estivesse convencida naquele tempo, de que tínhamos encontrado a verdade”, observa ela, “era maravilhoso simplesmente estar com pessoas tão amorosas”.
◆ Um jovem judeu do estado de Massachusetts, nos E. U. A., relata: “Minha experiência começou quando eu cursava a universidade. Uma colega minha [que estudava a Bíblia com as testemunhas de Jeová], começou a fazer-me perguntas em que eu nunca havia pensado, tais como: ‘Se Deus criou este planeta, por que não faz algo para melhorar a sua condição?’
“Sendo judeu ortodoxo e tendo visto a hipocrisia em tantas religiões, eu não estava interessado em me envolver em qualquer organização religiosa, mas não podia desconsiderar as perguntas dela. Ela me disse que estas e muitas outras perguntas me podiam ser respondidas pelas testemunhas de Jeová, e, se eu fosse a uma das reuniões delas, veria algo muito incomum. Por isso fui a uma delas e descobri a que se referia.
“Tendo freqüentado a escola num bairro de gueto, eu havia presenciado muito ódio racial. Mas ali, bem no meio do gueto, estava um grupo de pessoas que sabia haver apenas uma raça, a raça humana. Eram corteses, bondosos e amorosos uns para com os outros e para comigo, apesar de minha aparência [cabelo comprido e suíças bigode, calça rancheira e sandálias]. Pouco depois, um amigo e eu começamos a estudar com as testemunhas de Jeová.”
Este amigo acrescenta então seu próprio comentário: “Certo dia, eu falei com um bom amigo meu [o jovem judeu] sobre o festival rock de Woodstock a que eu havia assistido. Falei-lhe de quão impressionado fiquei de que havia ali mais de 300.000 pessoas reunidas e ainda assim havia muito amor entre as pessoas. Depois de acabar de falar sobre isso, ele disse: ‘Se quiser descobrir o que o amor realmente é, venha a uma reunião das testemunhas de Jeová.’ Por isso fui, cético quanto a como iam reagir à minha aparência desleixada.
“Não entendia o que estava acontecendo na tribuna, mas observei as pessoas. Eram cordiais e sinceras, e mostravam genuíno amor umas às outras, sem consideração de cor ou idade. Fiquei abalado com isso. Não podia nem achar palavras para expressar o que sentia.”
Hoje, ambos estes jovens são testemunhas batizadas de Jeová. Um ancião de sua congregação observa sobre eles: “Ambos têm uma boa aparência cristã e cavalheiresca. De fato, a mudança nestes dois homens mostra o poder transformador da verdade, e toda a congregação gosta muito de sua companhia.”
Se estiver interessado em associar-se com os que não estão divididos por barreiras raciais, mas que se esforçam a cultivar amor, conforme ordenado na Bíblia, exortamo-lo a estudar as Escrituras Sagradas com as testemunhas de Jeová. Estamos certos de que aquilo que aprender lhe será de verdadeira fonte de estímulo espiritual.
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