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A Primeira Guerra Mundial — foi o prelúdio da era final do homem? (Parte II)Despertai! — 1984 | 22 de março
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chacinávamos.” Mortes sem sentido! As batalhas travadas em 1916 em Verdun e no Somme duram meses e “custam a vida de centenas de milhares de soldados em ambos os lados”.
Armas hediondas contribuem para o terror da batalha. Noventa e dois por cento das baixas de guerra são atribuídas às metralhadoras. Uma série de canhões alemães, popularmente chamados Grande Berta, faz chover morte sobre Paris, de uma distância nunca ouvida até então — 122 quilômetros. Os soldados ficam familiarizados com o ronco do avião — de início usado principalmente para reconhecimento, porém mais tarde como arma mortífera. Os navegadores ficam temerosos de um ataque submarino. E até mesmo o gás venenoso — às vezes tão devastador tanto para os atacantes quanto para os atacados — torna-se parte do arsenal. O historiador Herzberg chama uma batalha por meio do gás venenoso, travada em Ypres, em 1915, “um dos eventos mais sanguinários da guerra”, que ceifou a vida de mais de 100.000 pessoas. Não obstante, a guerra de trincheiras na frente ocidental continua a ser um impasse frustrador.
Na frente oriental, porém, os chefes militares germânicos Hindenburg e Ludendorff obtêm vitórias tão surpreendentes contra a Rússia mal preparada que são chamados de invencíveis semideuses da guerra. Entretanto, o inverno de 1914-15 leva também a um impasse no Leste. Por vários meses a maré da guerra sobe e desce indecisamente. Até tão tarde quanto 1917 ninguém pode imaginar quem vencerá.
Virada da Maré da Guerra
Em 1917, a Rússia é imobilizada por uma revolução. O novo governo bolchevista imediatamente solicita paz com a Alemanha, aliviando-a temporariamente do fardo da guerra nas duas frentes. A Alemanha, porém, não consegue usar esses eventos para a sua vantagem, pois um terrível inimigo entra então na cena da guerra. O afundamento do navio Lusitania em 1915 cria ressentimentos por parte dos EUA contra a Alemanha. E em 1917, os Estados Unidos entram oficialmente na guerra. Antes de chegar a ajuda dos EUA, porém, os alemães tentam desesperadamente uma ofensiva. Mas as poucas vantagens são eclipsadas pelas enormes baixas. As perdas dos Aliados são grandes também, mas a incrementada e contínua ajuda dos EUA compensa as perdas. As ofensivas alemãs tornam-se retiradas alemãs.
Contudo, o malogro não se deve unicamente às perdas militares. A economia alemã sofreu colapso total. O bloqueio dos Aliados — e um pouco de mau tempo — cobra seu tributo e produz severa escassez de alimentos. Conforme relembra certo alemão: “Embora as coisas estivessem racionadas por muito tempo, as rações simplesmente ficaram cada vez menores.” Durante o inverno de 1917, os alemães famintos têm de passar a simples nabo como principal comida. “O inverno do nabo”, chamam-no amargamente. As tentativas de variar sua dieta com substitutos horrendos — tudo, desde serragem até minhocas — revelam ser desesperadamente ineficazes. Conforme relembra uma testemunha ocular: “A fome era um inimigo que a Alemanha não podia derrotar . . . Muitas famílias haviam perdido tanto o pai como os filhos do sexo masculino. Agora tudo o que viam diante de si era a doença, a fome e a morte.” Umas 300.000 pessoas morrem de subnutrição e de doença. A nação está à beira de uma revolta.
A sorte da Áustria-Hungria não é nada melhor, enquanto seu império começa a se desintegrar — suas nações-membros ou pedem paz ou declaram sua independência. Confrontados com o moral abatido, com suprimentos que se evaporam e com a massa de exércitos Aliados, as forças centrais não têm outra escolha senão render-se.
Às 11,00 horas do dia 11 de novembro de 1918, os canhões silenciam.
Em nossa próxima edição, a última parte considerará as conseqüências da guerra e os esforços do após-guerra para a conservação da paz.
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Onde vai parar este mundo?Despertai! — 1984 | 22 de março
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Onde vai parar este mundo?
ESTA pergunta é amiúde feita quando lemos sobre as coisas que as pessoas geralmente fazem. Por exemplo:
● Dorice, uma moça de Queens, Nova Iorque, EUA, foi açoitada na cabeça, no rosto e na perna por um homem desconhecido, que daí fugiu sem dizer uma palavra. Sangrando profusamente, ela tocou diversas campainhas de um edifício naquela proximidade, em busca de socorro. Alguns moradores chamaram a polícia, mas ninguém a mandou entrar nem lhe deu assistência. Por que não? Pelo que parece, estavam com medo. “Estamos num mundo terrível”, disse a mãe de Dorice depois desse drama.
● Um avião caiu perto do aeroporto da cidade de Detroit, EUA. Um homem jazia agonizante e outro estava gravemente ferido. Quando as equipes de socorro chegaram ao local do acidente, descobriram que as carteiras de dinheiro e outros objetos de valor dos feridos haviam sido roubados. Quem faria uma coisa dessas? “Vampiros”, comentava o Daily News de Nova Iorque ao fazer a reportagem.
● Uma camioneta se desgovernou e subiu na calçada, arrancando um menino de quatro anos dos braços de sua mãe. A mãe, pensando que o menino estivesse morrendo gritou: “Não morra, não morra.” O motorista, que não se feriu, pulou do carro para ajudar o menino ferido e a mãe em pânico. Imediatamente, uma turba de transeuntes, vendo que ninguém estava cuidando da camioneta, saqueou-a e lutavam entre si para pegar o carregamento de blusões esportivos da camioneta.“É muito deprimente” disse um observador. “Estamos nas selvas.” O menino sofreu esmagamento da pelve e fraturas de costelas.
● Certo professor-assistente de psicologia e seus estudantes encenaram diversos crimes simulados nas ruas de diferentes cidades por um período de dois anos para testar a reação dos observadores que presenciaram os “crimes”. Quais os resultados? Na maioria, não houve reação! Durante uma encenação de arrombamento de automóvel, um observador quis participar também. Em outra ocasião, “roubaram” bem abertamente uma motocicleta. A apenas 15 metros, havia um carro da polícia estacionado. Mas ninguém interferiu. Outros “crimes” incluíam meter um homem aparentemente inconsciente dentro do porta-malas de um automóvel. Na Cidade de Nova Iorque, apenas 3 por cento dos “crimes” foram denunciados à polícia por testemunhas. Esta estava na frente de outras cidades como Boston e Miami, onde ninguém os denunciou.
● Um homem de 26 anos, sem amigos e deprimido, subiu numa chaminé de 30 metros na véspera do Ano-novo e gritava: “Quero morrer! Quero morrer!” Três Equipes de Resgate da polícia acorreram à cena e subiram na chaminé para o salvar. Uma caldeira automática na base se ligou, e saiu fumaça da chaminé, fazendo com que o jovem ficasse sufocado e engasgado, quase provocando sua queda acidentalmente. Nessa altura, já havia uma multidão de pessoas reunidas embaixo, observando o drama. Vendo a angústia do jovem, alguns levantavam as mãos, mostravam punho cerrado e vaiavam! Outros gritavam: “Pule! Deixem que salte.”
Onde vai parar o mundo? Muito boa pergunta!
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