-
Identificação das Jerusaléns da BíbliaA Sentinela — 1977 | 1.° de junho
-
-
não é apenas interessante, mas também da maior importância para nós. Jeová Deus fez com que suas profecias a respeito do restabelecimento de Jerusalém, que se aplicavam aos judeus retornados à sua pátria em 537 A. E. C., tivessem um cumprimento maior e mais grandioso no restabelecimento dos que hoje representam a “Jerusalém celestial”, o restante do corpo de Cristo ainda na terra. Estes, junto com seus companheiros, os da “grande multidão” de “outras ovelhas”, usufruem hoje um paraíso espiritual. É o privilégio e o dever de todos os adoradores sinceros do Criador, Jeová Deus, associar-se com o “restante” e cooperar com ele em prestar serviço sagrado a Deus, visto que representa a “Jerusalém de cima”. — João 10:16; Rev. 7:9, 15.
-
-
Um homem idoso cuja fé foi recompensadaA Sentinela — 1977 | 1.° de junho
-
-
Um homem idoso cuja fé foi recompensada
HAVIA grande expectativa. Aproximava-se o tempo de um dos mais grandiosos acontecimentos da história humana. Este evento havia sido predito com séculos de antecedência. Qual era? O aparecimento do Messias ou Cristo.
A profecia de Daniel indicava que o Messias chegaria sessenta e nove semanas de anos após a ordem de reconstruir os muros da cidade de Jerusalém. (Dan. 9:25) Fazendo-se o cálculo a partir da reconstrução daqueles muros por Neemias, apontava para o que é agora conhecido como o ano 29 E. C.
Assim, perto do fim do primeiro século A. E. C, havia pouca perspectiva de os judeus idosos viverem o bastante para ver o cumprimento de sua prezada esperança a respeito do Messias. No entanto, certos homens e mulheres idosos aguardavam isso em fé e com o desejo fervoroso de o presenciar. Entre eles estava Simeão. A Bíblia descreve-o como “justo e reverente, esperando a consolação de Israel”. (Luc. 2:25) Embora Simeão, sem dúvida, falecesse antes de Jesus ser ungido com o espírito de Deus e assim se tornar o prometido Messias ou Cristo, sua fé inabalável na vinda do Messias foi recompensada. Como?
Jeová Deus observou a fé notável de Simeão e o favoreceu com uma Revelação especial. Por meio de seu espírito, o Altíssimo o fez saber que ele não morreria antes de realmente ver o Cristo. (Luc. 2:26) Que perspectiva emocionante!
Certo dia, sob o poder impelente do espírito de Deus, Simeão foi à área do templo. Acontece que chegou também naquela hora um casal pobre com um bebê. Pelas aparências, o homem, sua esposa e o menino não eram nada de especial. A situação parecia bastante comum, porque a lei exigia que a mãe judia oferecesse um sacrifício no fim do período de purificação de quarenta dias após o nascimento dum varão. — Luc. 2:27.
Na realidade, porém, havia ocorrido algo notável, algo que Simeão encarou como ampla recompensa pela sua fé. O pleno significado disso lhe foi manifestado por espírito santo. O menino não era outro senão aquele que estava destinado a ser o Messias, o Cristo. Simeão, com alegria, pegou o bebê nos braços, e, compelido pelo espírito de Deus, disse: “Agora, Soberano Senhor, deixas o teu escravo ir livre em paz, segundo a tua declaração; porque os meus olhos viram o teu meio de salvar, que aprontaste à vista de todos os povos, uma luz para remover das nações o véu e uma glória para o teu povo Israel.” — Luc. 2:29-32.
Em vista do privilégio que se lhe concedeu, Simeão sentiu uma paz ou tranqüilidade íntima. Ele tinha então a certeza de que o maravilhoso meio de salvação, por Deus havia sido provido. Viu com os seus próprios olhos aquele menino e pegou-o nas suas próprias mãos. As palavras proféticas de Simeão, de que haveria iluminação até mesmo para as nações que estavam em escuridão, sem terem conhecimento de Deus, e que estavam no pecado, harmonizavam-se plenamente com as Escrituras Hebraicas. Por exemplo, Isaías 42:6 diz a respeito do “servo” messiânico: “Eu mesmo, Jeová, chamei-te em justiça e passei a agarrar a tua mão. E eu te resguardarei e te darei por pacto do povo, por luz das nações.”
A seguir, Simeão abençoou José e Maria, evidentemente desejando-lhes a bênção de Deus no cumprimento de suas responsabilidades para com o menino. Fixando a atenção especialmente em Maria, Simeão continuou: “Eis que este é posto para a queda e para o nova levantamento de muitos em Israel, e para sinal contra que se fale (sim, uma longa espada traspassará a tua própria alma), a fim de que sejam desvendados os raciocínios de muitos corações.” (Luc. 2:34, 35) Sim, o aparecimento do Messias afetaria seu próprio povo de maneiras radicalmente diferentes.
Conforme havia sido anteriormente indicado na profecia, muitos tropeçariam nele, permanecendo impenitentes e incrédulos. O profeta Isaías registrou as seguintes palavras: “Ele terá de tornar-se . . . como pedra contra que se esbarra e como rocha em que se tropeça, para ambas as casas de Israel, como armadilha e como laço para os habitantes de Jerusalém. E muitos entre eles hão de tropeçar e cair, e ser quebrados, e ser enlaçados e capturados.” (Isa. 8:14, 15) Para os incrédulos, Jesus seria como “sinal” ou alvo de desprezo, alguém a ser vilipendiado e vituperado. Outros, porém, depositando nele sua fé, haviam de ser ‘levantados’ da condição de mortos nas transgressões e nos pecados, para usufruir uma posição justa perante Deus.
As ações tomadas pelas pessoas para com o Messias revelariam exatamente o que havia no seu coração. Conforme disse Simeão: “A fim de que sejam desvendados os raciocínios de muitos corações.” — Luc. 2:35.
Ser Jesus rejeitado pela maioria seria especialmente aflitivo para Maria. Simeão trouxe isso à atenção, dizendo: “Uma longa espada traspassará a tua própria alma.” (Luc. 2:35) Quão doloroso deve ter sido para Maria ver Jesus pregado numa estaca, igual a um criminoso da pior espécie! Isto foi comparável a ela ser traspassada por uma espada.
Deveras, Simeão foi muito favorecido por poder ver o menino Jesus e depois ser inspirado a proferir uma profecia, que deve ter sido especialmente fortalecedora para Maria, quando ela testemunhou estas indignidades causadas ao seu filho primogênito.
Os tratos de Deus com Simeão devem ser fortalecedores da fé para nós hoje. Alguém talvez não veja durante a sua vida o cumprimento de todas as esperanças que entretinha, baseadas nas promessas infalíveis de Jeová. Não obstante, pode ter a certeza de que o Altíssimo não se esquecerá de seus esforços de servir em fidelidade. As bênçãos e a orientação que receber durante a sua vida de serviço leal bastarão para mostrar que ele tem a perspectiva certa duma ressurreição dentre os mortos, visando a vida eterna.
O Deus imutável se importa tanto com os seus servos fiéis hoje em dia como se importou com Simeão. Por isso, a Bíblia exorta: “[Lançai] sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1 Ped. 5:7) Iguais ao idoso Simeão, podemos aguardar uma rica recompensa pela nossa fé. Quão bom é este encorajamento para todos nós, os que continuamos a viver em harmonia com a esperança dada por Deus, mostrando-nos ‘justos e reverentes’ assim como Simeão!
-
-
Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1977 | 1.° de junho
-
-
Perguntas dos Leitores
● Quando um marido incrédulo procura divorciar-se de sua esposa cristã sob uma acusação falsa, tal como a de crueldade mental ou abandono, deve ela contestar o divórcio, nos países onde existe?
Ela precisa decidir pessoalmente se deve contestar o divórcio, ou não. Cada caso tem circunstâncias diferentes. A esposa pode considerar fatores tais como a maneira de seu marido a tratar e como provavelmente a tratará ou cuidará dela no futuro, qual a acusação dele, quais as opções legais que ela tem, o custo do processo jurídico e o que a sua consciência lhe recomenda fazer.
Muitos maridos incrédulos reconhecem que, quando sua esposa se tornou verdadeira cristã, ela realmente se tornou esposa melhor. (Veja 1 Pedro 3:1-5.) E a Bíblia exorta a respeito da mulher cristã que tem marido incrédulo, mas que está “disposto a morar com ela”: “Não deixe seu marido”, porque, com o tempo, ele talvez também se torne cristão. — 1 Cor. 7:13, 14.
Todavia, às vezes acontece que o marido decide acabar com o matrimônio. Talvez odeie intensamente o verdadeiro cristianismo e por isso se negue a conviver com sua esposa e permitir-lhe a liberdade de adoração concedida pela lei do país. Ou talvez decida divorciar-se dela só porque ela não quer participar em perversões sexuais aviltadas, que a Bíblia corretamente condena. (Rom. 1:26-32) Problemas similares devem ter existido no primeiro século, porque o apóstolo Paulo aconselhou: “Se o incrédulo passar a afastar-se, deixa-o afastar-se; o irmão ou a irmã não está em servidão em tais circunstâncias.” — 1 Cor. 7:15.
O marido, nesta situação, tem o problema de encontrar um motivo legal para o divórcio que deseja. Que acusação pode levantar? Sua esposa esforça-se em ser boa dona-de-casa, companheira agradável, parceira sexual limpa e fiel, e mãe exemplar, se tiverem filhos. Portanto, depois de ele ter abandonado a família, talvez apresente acusações mentirosas, de ter sido abandonado pela esposa. Ou pode recorrer a alguma acusação mais ampla, que não exija muita evidência legal, tal como acusá-la de ‘crueldade mental’ para com ele. Talvez concorde em continuar a prover-lhe o sustento, bem como aos filhos, assim como tem a obrigação de fazer, mas ainda está decidido a obter um divórcio sob acusação mentirosa. O que deverá ela fazer? Não pode obrigá-lo a conviver com ela. E embora não concorde com a mentira dele, não tem nenhuma obrigação de empreender uma dispendiosa ação legal para mantê-lo no matrimônio ou para refutar toda mentira que ele conta sobre ela. Portanto, ela talvez chegue à conclusão de que, em vez de contestar o divórcio, simplesmente não fará caso de sua acusação mentirosa, lembrando-se do conselho: “Se o incrédulo passar a afastar-se, deixa-o afastar-se.”
Às vezes, porém, a esposa cristã se preocupa com o que os outros podem pensar, ao saberem do divórcio, considerando-a talvez culpada, se ela não contestar o divórcio e apresentar os fatos. Talvez se preocupe de que um divórcio não contestado, sob tal acusação, possa trazer vitupério sobre ela e a congregação cristã.
Esta possibilidade não pode ser desconsiderada. No entanto, na maioria dos casos, poucos examinarão a acusação que serviu de base para o divórcio; tudo o que talvez saibam é que houve um divórcio. E se alguns ficarem sabendo que o divórcio foi por motivo de crueldade mental, ou algo assim, é bem provável que considerariam a acusação apenas como expediente legal. Provavelmente entenderiam que o marido apenas usou do meio mais fácil para obter o divórcio, mesmo que o motivo real tenha sido o de que queria casar-se com outra mulher ou fazer outra coisa. Portanto, amiúde não surgiria a questão de vitupério sobre a esposa fiel ou sobre a congregação.
No entanto, se a esposa achar que a acusação falsa é tão escandalosa, que deve contestá-la, terá de decidir qual o proceder legal a adotar. Ou dentro do limite de tempo concedido pela lei, ela talvez decida contestá-la, se parecer que esta é a única maneira de proteger seus direitos — seu direito à propriedade familiar, seus direitos à custódia dos filhos, seu direito à ajuda econômica para si e para os filhos, e assim por diante. (Se houver alguma questão quanto à custódia dos filhos ou o sustento financeiro, usualmente é melhor resolver isso legalmente
-