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“Não há paz para os iníquos”A Sentinela — 1987 | 1.° de julho
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“Não há paz para os iníquos”
“Não há paz para os iníquos’, disse o meu Deus.” — ISAÍAS 57:21.
1, 2. (a) O que acham muitos do futuro da humanidade? (b) Qual é o resultado dos esforços humanos de estabelecer a paz?
“ESTOU constantemente apercebido de que a qualquer segundo o mundo pode rebentar na minha cara.” Esta declaração chocante, citada na revista Psychology Today, foi feita por um colegial norte-americano. O estudante temia que, em breve, uma guerra nuclear destruísse toda a humanidade. Uma escolar russa descreveu os resultados duma guerra nuclear: “Todas as coisas vivas perecerão — não haverá nem grama, nem árvores, nem nada de verde.” Que perspectiva terrível! Todavia, as pessoas acham que isso pode realmente acontecer. Numa pesquisa recente, 40 por cento dos adultos entrevistados achavam que havia “grande possibilidade” duma guerra nuclear antes do ano 2000. — Veja Lucas 21:26.
2 Também os líderes do mundo sentem este perigo. Depois da última guerra mundial, estabeleceram a organização das Nações Unidas na tentativa de dar à humanidade paz e segurança — mas, em vão. Em vez disso, os anos de após-guerra presenciaram o desenvolvimento duma intensa rivalidade entre duas superpotências que possuem armas nucleares. De vez em quando, os líderes dessas potências se encontram no esforço de aliviar a tensão internacional, mas com poucos resultados. Apesar de os líderes religiosos orarem pela paz, a situação é bem similar à descrita por Isaías: “Os próprios heróis deles clamaram na rua; os próprios mensageiros de paz chorarão amargamente.” — Isaías 33:7.
3. Por que não há nenhuma possibilidade de que os homens sejam bem-sucedidos nos seus esforços de estabelecer a paz?
3 Os cristãos informados sabem por que os políticos nunca conseguirão uma paz duradoura. Dão-se conta de que, enquanto os humanos estiverem cheios de egoísmo, ódio, ganância, orgulho e ambição, não haverá paz. (Veja Tiago 4:1.) Além disso, os eventos humanos não são plenamente controlados pelos homens. Antes, a Bíblia nos diz: “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” (1 João 5:19; 2 Coríntios 4:4) A situação da humanidade sob o controle deste foi bem descrita por Isaías: “‘Os iníquos são como o mar revolto, quando não pode sossegar . . . Não há paz para os iníquos’, disse o meu Deus.” — Isaías 57:20, 21.
“O Deus Que Dá Paz”
4. Somente quem tem o poder de trazer paz à terra?
4 Isto não significa que a raça humana não possa escapar da destruição numa futura guerra nuclear. Significa simplesmente que, se havemos de ter paz, ela terá de vir duma fonte externa. Felizmente, esta Fonte existe na pessoa de Jeová Deus, “o Deus que dá paz”. (Romanos 16:20) Ele tem o poder de rebater a influência de Satanás e tem o propósito de ‘abençoar seu povo com paz’. (Salmo 29:11) Além disso, fez esta animadora promessa: “Os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz.” — Salmo 37:11.
5. (a) Como usou Jeová a Daniel para nos dar informações sobre o Seu propósito de trazer paz? (b) Por que devemos interessar-nos nesta profecia registrada por Daniel?
5 Há muitos anos, Jeová revelou o desenrolar histórico de acontecimentos que levariam a ele trazer paz à terra. Por meio dum anjo, ele falou ao seu fiel profeta Daniel sobre a “parte final dos dias”, o nosso tempo. (Daniel 10:14) Ele predisse a atual rivalidade das superpotências e mostrou que ela acabará em breve dum modo que nenhuma dessas duas potências suspeita. E prometeu que este acontecimento inesperado introduziria a verdadeira paz. Para os cristãos, esta profecia é de interesse vital. Ela oferece uma visão clara da posição que ocupamos na corrente do tempo e fortalece nossa determinação de permanecer neutros na rivalidade internacional, aguardando pacientemente que Deus atue em nosso favor. — Salmo 146:3, 5.
O Começo da Rivalidade
6. Descreva em linhas gerais o fundo histórico da atual rivalidade entre as superpotências.
6 Acontece que a atual rivalidade das superpotências não é novidade no cenário do mundo. Antes, é a continuação de algo que começou há muito tempo. Depois do colapso do império mundial de Alexandre, o Grande, perto do fim do quarto século AEC, dois dos seus líderes militares assumiram o poder na síria e no Egito. Iniciou-se então aquilo que por fim levou à atual rivalidade das superpotências, uma duradoura rivalidade entre eles e seus sucessores — chamados de rei do norte e rei do sul, por estarem situados ao norte e ao sul da terra do povo de Deus. O desenvolvimento histórico desta rivalidade foi revelado de antemão ao profeta Daniel, por meio dum anjo.
7. (a) Como sabemos que há uma dimensão invisível, espiritual, nos assuntos humanos? (b) Quem eram originalmente o rei do norte e o rei do sul, e como teve início a rivalidade deles?
7 O anjo descreveu primeiro como ele, apoiado por Miguel, estivera lutando contra os ‘príncipes’ espirituais da Pérsia e da Grécia. (Daniel 10:13, 20-21; Dan 11:1) Este vislumbre do domínio espiritual confirma que os conflitos nacionais envolvem mais do que meros humanos. Há forças demoníacas, ou ‘príncipes’, por detrás dos governantes humanos, visíveis. Mas, desde os tempos antigos, os do povo de Deus tiveram um “príncipe”, Miguel, para fortalecê-los contra esses poderes demoníacos. (Efésios 6:12) Daí, o anjo dirige nossa atenção para a rivalidade entre a Síria e o Egito. Começa: “E o rei do sul se tornará forte, sim, um dos seus príncipes.” (Daniel 11:5a) Aqui, o rei do sul era Ptolomeu I, governante do Egito, que capturou Jerusalém por volta de 312 AEC. O anjo menciona a seguir outro rei, que “prevalecerá contra ele e certamente dominará com domínio extenso, maior do que o poder dominante dele”. (Daniel 11:5b) Este é o rei do norte, na pessoa de Seleuco I Nicátor, cujo reino, a Síria, tornou-se mais forte do que o Egito.
8. O que significa para os cristãos hoje a notável exatidão da primeira parte da profecia do anjo a respeito do rei do norte e do rei do sul?
8 O anjo passou a profetizar muitos pormenores da contínua rivalidade entre os sucessivos governantes da Síria e do Egito. (Daniel 11:6-19) Essas profecias eram tão exatas, que alguns acham que o livro de Daniel deve ter sido escrito depois do acontecido.a Para os cristãos, porém, a notável exatidão dessas profecias fortalece sua fé nas partes da profecia que ainda estão para se cumprir durante a “parte final dos dias”.
O Príncipe do Pacto
9. De que modo levou a ação do rei do norte a que Jesus nascesse em Belém?
9 Não se devia esperar que o anjo abrangesse todos os governantes individuais, desde Ptolomeu até a “parte final dos dias”. Antes, entendemos que, depois do versículo 19 de Dan 11, a profecia passa para os anos logo antes da nossa Era Comum, quando lemos: “E na sua posição [i.e., na do rei do norte] terá de erguer-se alguém que fará um exator passar pelo esplendoroso reino.” (Daniel 11:20) Nesta época, a Síria era província de Roma, e o rei do norte era representado pelo imperador romano Augusto. Foi ele quem ordenou o censo que resultou em Jesus nascer em Belém, em vez de em Nazaré. — Lucas 2:1-7; Miquéias 5:2.
10. Que outra conexão entre o rei do norte e o Messias trouxe o anjo a nossa atenção?
10 Depois de Augusto veio Tibério, homem repugnante, descrito pelo anjo como “um que há de ser desprezado”. (Daniel 11:21) Durante o seu reinado foi controlado um levante perigoso na fronteira setentrional do Império Romano, e a própria fronteira foi pacificada, cumprindo as palavras da profecia: “Quanto aos braços da inundação, serão inundados por sua causa e serão destroçados.” Além disso, durante o seu reinado, Jesus foi morto por soldados romanos, em cumprimento da profecia do anjo, de que “o Líder do pacto” seria destroçado. — Daniel 11:22; 9:27.
No “Tempo Designado”
11. (a) Em 1914, qual era a identidade do rei do norte e a do rei do sul? (b) Que profecia se cumpriu no “tempo designado”?
11 Finalmente, a profecia nos leva ao “tempo designado”, 1914. (Daniel 11:27; Lucas 21:24) Até então, houve uma mudança na identidade do povo de Deus. Visto que o Israel carnal rejeitara o Messias, o povo escolhido de Jeová tornou-se o Israel espiritual, a congregação de cristãos ungidos. (1 Pedro 2:9, 10) A identidade dos dois reis também mudou. A Grã-Bretanha, com seu parceiro político, os Estados Unidos da América, tornara-se evidentemente o rei do sul, enquanto que a Alemanha passou a ser o rei do norte. A Primeira Guerra Mundial fora predita nas seguintes palavras: “[O rei do norte] retornará no tempo designado e virá realmente contra o sul; mas no fim não virá a ser como foi no princípio.” (Daniel 11:29) O rei do sul ganhou aquela guerra. A situação era assim diferente daquela do “princípio”, isto é, quando a conquistadora Roma era o rei do norte.
12. Descreva aspectos dos eventos mundiais desde 1914, que foram preditos nas palavras proféticas do anjo a Daniel.
12 O anjo passou a falar sobre a competição entre os dois reis, desde 1914, e especialmente sobre a maneira de ambos se oporem ao povo de Jeová. Ele profetizou também o surgimento da “coisa repugnante que causa desolação”, que existe hoje na forma da organização das Nações Unidas. (Daniel 11:31) O estabelecimento da ONU foi um esforço político no qual ambos os reis cooperaram no intuito de trazer a paz. Mas está condenada a fracassar, porque está em oposição ao Reino de Deus.b (Mateus 24:15; Revelação 17:3, 8) Finalmente, o anjo chamou à atenção o “tempo do fim”. — Daniel 11:40.
O “Tempo do Fim”
13. (a) A que se refere a expressão “o tempo do fim” nesta parte da profecia? (b) Quem tem desempenhado os papéis do rei do norte e do rei do sul desde o fim da Segunda Guerra Mundial?
13 Em que tempo estamos? Às vezes, a expressão “tempo do fim” refere-se ao tempo do fim deste sistema de coisas, desde 1914 até o Armagedom. (Daniel 8:17, 19; 12:4) Mas os eventos do ano 1914, o “tempo designado”, foram preditos lá no versículo 29 de Dan 11, e a profecia do anjo já nos levou muito além daquele ponto.c Portanto, o “tempo do fim”, aqui no versículo 40 de Dan 11, deve referir-se aos estágios finais da luta de 2.300 anos entre o rei do norte e o rei do sul. Prosseguimos assim lendo, com grande interesse, visto que agora ficaremos sabendo de acontecimentos que ocorrerão no futuro próximo. Até agora, as mudanças no poder no cenário mundial nos levaram a desenvolvimentos adicionais na identidade dos dois reis. Desde o colapso das potências nazifascistas, no fim da Segunda Guerra Mundial, presenciamos uma rivalidade entre duas superpotências, uma representando o rei do norte, que domina um bloco na maior parte socialista de nações, e o outro representado como rei do sul, que domina um bloco na maior parte capitalista.
14. Como descreve o anjo o rei do norte?
14 A disposição de ânimo do mais recente rei do norte é bem descrita nos versículos 37, 38 de Dan 11: “E não dará consideração ao Deus de seus pais . . . Mas dará glória ao deus dos baluartes, na sua posição; e dará glória a um deus que seus pais não conheceram, por meio de ouro, e por meio de prata, e por meio de pedras preciosas, e por meio de coisas desejáveis.” Pode-se deixar de reconhecer esta descrição? O atual rei do norte promove oficialmente o ateísmo, rejeitando os deuses religiosos dos anteriores reis do norte. Prefere confiar em armamentos, o “deus dos baluartes”. Isto tem contribuído para uma frenética corrida armamentista, pela qual os dois reis têm de compartilhar a responsabilidade. As despesas anuais com a defesa, apenas por parte do rei do norte, atingiram em 1985 quase 300 bilhões de dólares. Que enorme sacrifício de ‘ouro, prata, pedras preciosas e coisas desejáveis’ ao insaciável deus dos armamentos!
15, 16. (a) Como se desenvolverão os assuntos entre o rei do norte e o rei do sul? (b) O que significará isso para os do povo de Deus?
15 Então, o que acontece por fim entre esses dois reis? O anjo diz: “E, no tempo do fim [no fim da história dos dois reis], o rei do sul se empenhará com ele em dar empurrões, e o rei do norte arremeterá contra ele com carros, e com cavaleiros, e com muitos navios.” (Daniel 11:40; Mateus 24:3) É evidente que as conferências de cúpula não são a solução para a rivalidade entre as superpotências. As tensões causadas pelos “empurrões” do rei do sul e o expansionismo do rei do norte podem atravessar fases mais agudas ou menos agudas; mas, por fim, de algum modo, o rei do norte será provocado a tomar a ação extremamente violenta descrita por Daniel.d
16 Estes dias finais são especialmente difíceis para os do povo de Deus, os quais, durante este século, têm sido perseguidos por ambos os reis. O anjo avisou que o rei do norte “também entrará realmente na terra do Ornato e haverá muitas terras que se farão tropeçar”. A “terra do Ornato” simbolicamente é a terra do povo de Deus. Portanto, as palavras do anjo devem significar que, além de conquistar muitas nações, o rei do norte atacaria a condição espiritual dos do povo de Jeová. (Daniel 8:9; 11:41-44; Ezequiel 20:6) No versículo 45 de Dan 11, a profecia acrescenta: “E armará suas tendas palaciais entre o grande mar e o monte santo do Ornato.” Em outras palavras, ele se posiciona para lançar o ataque final contra o paraíso espiritual deles.
“Até o Seu Fim”
17. Que acontecimento inesperado induzirá o rei do norte a agir?
17 Mas então já terá acontecido algo que nem o rei do norte, nem o rei do sul tinham previsto. O anjo profetiza: “Mas, haverá notícias que o perturbarão [i.e., ao rei do norte], procedentes do nascente e do norte, e ele há de sair em grande furor para aniquilar e para devotar muitos à destruição.” — Daniel 11:44.
18. (a) De que fonte procedem as “notícias” preditas pelo anjo? (b) Qual será o resultado final para o rei do norte?
18 Quais serão estas notícias? O anjo não as especifica, mas revela sua fonte. Procedem “do nascente”, e Jeová Deus e Jesus Cristo são mencionados como “os reis do nascente do sol”. (Revelação 16:12) Essas notícias procedem também “do norte”, e a Bíblia fala simbolicamente do monte Sião, a cidade do grandioso Rei, Jeová, como estando “nos lados remotos do norte”. (Salmo 48:2) Portanto, trata-se de “notícias” procedentes de Jeová Deus e de Jesus Cristo, que induzem o rei do norte a empreender a sua última grande campanha. Mas o resultado será devastador para ele. O fim do versículo 45 de Dan 11 nos informa: “Terá de chegar até o seu fim, e não haverá quem o ajude.”
19. (a) Que resultados diferentes haverá para este mundo e para os “retos”? (b) Que perguntas restam a ter respostas?
19 De fato, ‘não haverá paz para os iníquos’. (Isaías 57:21) Antes, a história do rei do norte será marcada por guerra até o fim. Mas Jeová promete aos Seus servos fiéis: “Os retos são os que residirão na terra e os inculpes são os que remanescerão nela. Quanto aos iníquos, serão decepados da própria terra.” (Provérbios 2:21, 22) No entanto, o que acontecerá com o rei do sul, quando o rei do norte “chegar até o seu fim”? O que acontecerá aos cristãos, quando o rei do norte ‘armar suas tendas palaciais’ numa posição ameaçadora contra eles? (Daniel 11:45) Como virá a haver finalmente paz na terra? Jeová, por meio do seu anjo, já respondeu a estas perguntas, conforme veremos nos artigos que seguem.
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Miguel, o Grande Príncipe, põe-se de péA Sentinela — 1987 | 1.° de julho
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Miguel, o Grande Príncipe, põe-se de pé
“E durante esse tempo pôr-se-á de pé Miguel, o grande príncipe que está de pé a favor dos filhos de teu povo.” — DANIEL 12:1.
1. Que rumo futuro dos acontecimentos mundiais é previsto na Bíblia, e que pergunta surge sobre o povo de Deus por causa disso?
JEOVÁ deu o devido aviso: Nunca haverá paz na terra enquanto continuar a rivalidade entre o rei do norte e o rei do sul. Estas duas potências sempre terão interesses conflitantes. Além disso, no clímax da sua inimizade, o rei do norte ameaçará o patrimônio espiritual do povo de Deus, antes de “chegar até o seu fim”. (Daniel 11:44, 45) Sobreviverá o povo de Deus a esse ataque? E o que acontecerá com o rei do sul, quando seu grande rival chegar ao fim?
2, 3. (a) Que profecia, encontrada no livro de Ezequiel nos ajuda a entender a profecia sobre o rei do norte e o rei do sul? (b) Segundo a profecia de Ezequiel, qual será o resultado do grande ataque final contra o povo de Deus?
2 Uma profecia de Ezequiel, contemporâneo de Daniel, ajuda-nos a responder a estas perguntas. Ezequiel também foi inspirado a falar sobre a “parte final dos dias”, e ele avisou sobre um vindouro ataque de ‘Gogue de Magogue’ contra a terra do povo de Deus. (Ezequiel 38:2, 14-16; Daniel 10:14) Nesta profecia, Gogue retrata a Satanás, e seus exércitos retratam todos os agentes terrestres de Satanás, que fariam uma última tentativa desesperada de acabar com o povo de Deus. Visto que este ataque, igual ao do rei do norte, ocorre na parte final dos dias, é razoável concluir que a ação do rei do norte, de ‘armar suas tendas palaciais entre o grande mar e o monte santo do Ornato’, é em apoio ao ataque de Gogue. (Daniel 11:40, 45) Será bem-sucedido este ataque?
3 Ezequiel profetizou: “‘E terá de acontecer naquele dia, no dia em que Gogue chegar ao solo de Israel’, é a pronunciação do Soberano Senhor Jeová, ‘que meu furor me subirá no nariz. E vou pôr-me em julgamento contra ele, com peste e com sangue; e farei cair um aguaceiro inundante e pedras de saraiva, fogo e enxofre sobre ele, e sobre as suas tropas, e sobre os muitos povos com ele.’” (Ezequiel 38:18, 22) Não, o ataque não será bem-sucedido. Os verdadeiros cristãos serão socorridos, e a massa de gente de Gogue será destruída. — Ezequiel 39:11.
4. Sobreviverá o rei do sul ao fim do rei do norte? Que outras profecias apóiam a resposta a isso?
4 Evidentemente, pois, o tempo do fim do rei do norte é o tempo do fim de Gogue e de toda a sua massa de gente, inclusive o rei do sul. Isto se harmoniza com outras profecias no livro de Daniel. Por exemplo, lemos que, depois do estabelecimento do Reino de Deus, este “esmiuçará e porá termo a todos estes reinos [inclusive tanto ao rei do norte como ao rei do sul], e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos”. (Daniel 2:44) Também, na visão de Daniel a respeito do carneiro e do bode, a potência política anglo-americana é representada por um chifre pequeno. Este chifre pequeno, “na parte final do reino deles”, é destruído por um agente sobre-humano, não pelo rei do norte: “Será destroçado sem mão [humana].” — Daniel 7:24-27; 8:3-10, 20-25.
Miguel, o Grande Príncipe
5. Quem será o Agente Principal de Jeová para a salvação do Seu povo, e por que é isso apropriado?
5 O anjo revelou a seguir o Agente que Jeová usará para acabar com todas essas potências. Ele disse: “E durante esse tempo pôr-se-á de pé Miguel, o grande príncipe que está de pé a favor dos filhos de teu povo. E certamente virá a haver um tempo de aflição tal como nunca se fez ocorrer, desde que veio a haver nação até esse tempo. E, durante esse tempo, teu povo escapará, todo aquele que for achado inscrito no livro.” (Daniel 12:1) No início da profecia do anjo, Miguel é mencionado como lutando a favor de Israel contra os príncipes da Pérsia e da Grécia. (Daniel 10:20, 21) Agora, ao findar a profecia, este mesmo Miguel “está de pé” a favor do povo de Daniel. Quem é este defensor do povo de Deus?
6, 7. (a) Segundo alguns eruditos da cristandade, quem é Miguel? (b) Que evidência bíblica nos ajuda a fazer a identificação correta de Miguel?
6 Lá no começo do século 19, o erudito bíblico Joseph Benson declarou que a descrição de Miguel, conforme encontrada na Bíblia, “evidentemente indica o Messias”. E. W. Hengstenberg, luterano do século 19, concordou que “Miguel não é outro senão Cristo”. De modo similar, o teólogo J. P. Lange, comentando Revelação 12:7, escreveu: “Entendemos que Miguel . . . desde o começo, seja Cristo em traje guerreiro contra Satanás.” Apóia a Bíblia tal identificação? Sim, apóia.a
7 Por exemplo, segundo o anjo, Miguel “pôr-se-á de pé”. Na profecia do anjo, “estar de pé” ou “pôr-se de pé” (em hebraico: ‘a·mádh) pode significar “dar apoio”. (Daniel 11:1) Pode também subentender de modo variado “prevalecer”, “rebelar-se”, “opor-se” ou “resistir”. (Daniel 11:6, 11, 14, 15, 16a, 17, 25) Mas, freqüentemente, refere-se à ação dum rei, quer assumindo seu poder régio, quer agindo eficazmente na qualidade de rei. (Daniel 11:2-4, 7, 16b, 20, 21, 25) Este é o sentido que melhor se ajusta às palavras do anjo, em Daniel 12:1. E certamente apóia o fato de que Miguel é Jesus Cristo, visto que Jesus é o Rei designado de Jeová, comissionado a destruir todas as nações no Armagedom. (Revelação 11:15; 16:14-16; 19:11-16) Isto harmoniza-se também com outras profecias, que apontam para o tempo em que o Reino de Deus, sob Jesus Cristo, age contra as nações deste mundo. — Daniel 2:44; 7:13, 14, 26, 27.
8, 9. (a) Quem era originalmente ‘o povo de Daniel’, e quem o é agora? (b) Como se evidenciou no decorrer das eras o vivo interesse de Miguel no ‘povo de Daniel’?
8 Miguel, já por muito tempo, esteve associado com ‘o povo de Daniel’, os israelitas. Esteve com eles no ermo, e apoiou-os contra os “príncipes” espirituais de antigos impérios. (Daniel 10:13, 21; Êxodo 23:20, 21; Judas 9) E ele nasceu na terra como o homem Jesus, para ser o há muito aguardado Messias, o “descendente” prometido a Abraão, antepassado de Daniel. (Gênesis 22:16-18; Gálatas 3:16; Atos 2:36) Lamentavelmente, o Israel natural, como um todo, rejeitou Jesus; por isso, Jeová o rejeitou como sua nação especial. (Mateus 21:43; João 1:11) Ele decidiu dar seu nome, a uma nova nação, um espiritual “Israel de Deus”, composto tanto de judeus naturais como de não-judeus que exercessem fé em Jesus. — Gálatas 6:16; Atos 15:14; 1 Pedro 2:9, 10.
9 Esta nova nação, a ungida congregação cristã, começou a sua existência em 33 EC, e serviu desde então como o Israel de Deus. Este seria daí para a frente o ‘povo de Daniel’. (Romanos 2:28, 29) Antes de Jesus ser ressuscitado para o céu, em 33 EC, ele prometeu continuar a dar apoio ao ‘povo de Daniel’, quando disse” aos prospectivos membros daquele novo Israel: “Eis que estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas.” — Mateus 28:20; Efésios 5:23, 25-27.
“De pé” a Favor do Povo de Daniel
10. Segundo as palavras do anjo a Daniel, como agirá Miguel de modo decisivo, e que perguntas suscita isso?
10 Mas o anjo disse então que Miguel iria agir de modo específico. Usando duas vezes a expressão “de pé”, ele disse: “E durante esse tempo pôr-se-á de pé Miguel, o grande príncipe que está de pé a favor dos filhos de teu povo.” (Daniel 12:1) O que significa Jesus ‘pôr-se de pé”? E como pode ele ‘pôr-se de pé’, quando já ‘está de pé a favor do povo de Daniel’? Antes de respondermos a estas perguntas, consideremos algumas informações de fundo.
11. Em que sentido é correto dizer que Jesus “está de pé” desde 1914?
11 Depois da sua ressurreição em 33 EC, Jesus disse aos seus seguidores: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.” (Mateus 28:18) Jesus exerce já por muito tempo tal autoridade sobre os seus servos ungidos na terra. (Colossenses 1:13) Todavia, ainda não chegara o tempo para Jesus exercer autoridade como o Rei do Reino de Deus. Antes, após a sua ascensão, ele ‘se sentou à direita de Deus no céu’, até o tempo do estabelecimento desse Reino. (Salmo 110:1, 2; Atos 2:34, 35) Esse tempo veio em 1914, o “tempo designado”. (Daniel 11:29) Naquele ano, Jesus foi entronizado como Rei reinante do Reino de Deus, e imediatamente, como Miguel, o arcanjo, expulsou a Satanás do céu. (Revelação 11:15; 12:5-9) De modo que Jesus, desde 1914, “está de pé” como Rei. — Salmo 2:6.
12, 13. Que notáveis bênçãos tem o povo de Deus usufruído nos anos desde 1914, mostrando que Jesus ‘está de pé a favor do povo de Daniel’?
12 Jesus ‘estar de pé’ tem sido uma grande bênção para ‘os filhos do povo de Daniel’. Assumir ele o poder régio e lançar Satanás para a terra purificou o futuro lar celestial deles. (João 14:2, 3) Daí, aqueles que já haviam morrido fiéis podiam ser ressuscitados para receber a sua herança celestial. (1 Tessalonicenses 4:16, 17) O restante deles ainda na terra sofreu considerável perseguição durante a Primeira Guerra Mundial, perseguição que quase paralisou sua obra de pregação. Mas, em 1919, foram ressuscitados e trazidos ao cenário mundial como nova nação. — Isaías 66:7, 8; Revelação 9:14; 11:11, 12.
13 Depois disso, Jesus cumpriu sua promessa de ‘reunir dentre o seu reino todas as coisas que causam tropeço e os que fazem o que é contra a lei’. (Mateus 13:41) Desta maneira, ele tem mantido uma congregação pura de cristãos ungidos, os quais ‘conhecem seu Deus, prevalecem e agem com eficácia’. Eles têm pregado as boas novas do Reino em toda a terra, assim ‘dando entendimento a muitos’. (Daniel 11:32, 33; Mateus 24:14) Desde 1935, Jeová está juntando a esta congregação um crescente número de “outras ovelhas”, que têm uma esperança terrestre e participam fielmente na obra de pregação das boas novas do Reino de Deus. — João 10:16; Revelação 7:9, 14, 15.
14. Qual tem sido o resultado de Jesus ‘estar de pé a favor do povo de Daniel’ durante estes últimos dias?
14 A própria existência deste grupo de cristãos, hoje em dia, já é notável. Num mundo politicamente dividido, mantiveram estrita neutralidade como súditos do Reino de Deus. (João 17:14) Em resultado disso, sofreram perseguição às mãos de ambos os reis. Também a religião falsa tramou e maquinou a eliminação deles. Em vez de isso lhes acontecer, prosperaram e se encontram hoje em mais de 200 terras e em número bem superior a três milhões de pessoas fiéis. Usufruem um paraíso espiritual, sob o domínio de Cristo, que se destaca nitidamente da escuridão e do desânimo deste mundo. (Isaías 65:13, 14) De modo que Jesus, em todos estes últimos dias, ‘está de pé a favor dos filhos do povo de Daniel’. — Daniel 12:1.
Miguel ‘Põe-se de pé’
15. Em que sentido é que Jesus ‘se põe de pé’, e quando se dá isso?
15 Então, como é que Jesus, que já “está de pé”, ‘põe-se de pé’ neste tempo? (Daniel 12:1) É porque seu governo como que entra numa nova fase. Chega o tempo de ele agir de modo notável para salvar ‘o povo de Daniel’ da aniquilação às mãos de governos humanos. (Ezequiel 38:18, 19) O “tempo” mencionado aqui evidentemente é o “tempo do fim” do rei do norte e do rei do sul, quando o rei do norte ameaçar o patrimônio espiritual do povo de Deus. (Daniel 11:40-45) Antes disso, o governo de Jesus só foi tomado a sério pelos seus fiéis súditos terrestres. (Salmo 2:2, 3) Agora, porém, chegou o tempo da “revelação do Senhor Jesus”, quando todos serão obrigados a reconhecer o reinado dele. (2 Tessalonicenses 1:7, 8) Isto envolverá a destruição de todas as forças opositoras, seguindo-se o Reinado Milenar de Jesus e de seus co-regentes, em que o Reino será o único governo sobre a humanidade. — Revelação 19:19-21; 20:4.
16. Qual é o resultado para as nações ímpias Jesus ‘pôr-se de pé’?
16 Em harmonia com isso, o anjo disse que, quando Miguel se puser de pé, “certamente virá a haver um tempo de aflição tal como nunca se fez ocorrer, desde que veio a haver nação até esse tempo”. (Daniel 12:1; veja Mateus 24:21.) Será o tempo da destruição dos iníquos e da salvação dos fiéis. (Provérbios 2:21, 22) Escute a reação aterrorizada da humanidade infiel, naquele tempo: “Estão dizendo aos montes e às rochas: ‘Caí sobre nós e escondei-nos do rosto Daquele que está sentado no trono e do furor do Cordeiro, porque veio o grande dia do seu furor, e quem é que pode ficar de pé?’” — Revelação 6:16, 17.
17. O que acontecerá então às forças terrestres de Satanás, inclusive ao rei do norte e ao rei do sul?
17 O resultado deste “tempo de aflição” para as forças terrestres de Satanás é descrito na profecia de Ezequiel, dirigida contra Gogue de Magogue: “Cairás nos montes de Israel, tu e todas as tuas tropas e os povos que estarão contigo.” (Ezequiel 39:4) Jeremias, falando sobre o mesmo tempo de aflição, disse: “Os mortos por Jeová certamente virão a estar naquele dia de uma extremidade da terra até à outra extremidade da terra.” (Jeremias 25:33) Será realmente um tempo de aflição. Jesus acabará com a longa história de guerras humanas, quando ele ‘se puser de pé’ para remover as potências humanas responsáveis por elas. — Salmo 46:9; 1 Coríntios 15:25.
Sobreviventes dum “Tempo de Aflição”
18. (a) Qual será a experiência dos verdadeiros adoradores quando Miguel ‘se puser de pé’? (b) O que significa estar “inscrito no livro”?
18 Embora o povo de Deus sinta os efeitos da hostilidade inimiga, este será “um tempo de aflição” principalmente para os iníquos. (Salmo 37:20) O anjo disse a Daniel: “E, durante esse tempo, teu povo escapará, todo aquele que for achado inscrito no livro.” (Daniel 12:1) Até então, muitos dos ‘filhos do povo de Daniel’ já terão morrido e terão recebido sua recompensa celestial. Estes, sem dúvida, participarão com Miguel nesta grande vitória militar. (Revelação 2:26, 27; Salmo 2:8, 9) Os remanescentes na terra não terão parte na luta; mas serão mantenedores da integridade, de modo que serão sobreviventes. (Revelação 17:14; 19:7, 8) Seus companheiros, os da “grande multidão”, também serão sobreviventes. (Revelação 7:9, 14) Tanto os do restante ungido como as “outras ovelhas” mostrarão assim estar ‘inscritos no livro’, quer dizer, seus nomes estarão registrados como candidatos a receber a dádiva da vida eterna, quer no céu, quer na terra. — João 10:16; Êxodo 32:32, 33; Malaquias 3:16; Revelação 3:5.
19. (a) Como é que ‘pôr-se de pé’ Miguel trará paz à terra? (b) Que pergunta resta ser respondida?
19 Eles terão o privilégio de ver o estabelecimento duma genuína paz global. Presenciarão o cumprimento da promessa de Jeová: “Pois os próprios malfeitores serão decepados, mas os que esperam em Jeová são os que possuirão a terra.” (Salmo 37:9) Visto que o Reino de Deus será então o único governo sobre a terra, todos os humanos vivos serão servos de Jeová. (Isaías 11:9) Assim, “no tempo do fim” dos dois reis, Miguel “pôr-se-á de pé” para trazer paz à humanidade. Nenhum escalonamento de armamentos ou outras manobras das superpotências poderão impedir este acontecimento. Significa isso, porém, que temos de esperar até então para usufruir paz? Não, há uma paz que os cristãos podem usufruir desde já — realmente, uma paz melhor do que a mera ausência de guerra. O que é esta paz? A profecia do anjo transmitida a Daniel passa então a lançar luz sobre isso.
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