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Seu futuro — pode ser predito?A Sentinela — 1978 | 1.° de janeiro
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Seu futuro — pode ser predito?
ATÉ onde teria de ir para encontrar alguém que tentasse predizer-lhe o futuro? É possível que na sua própria localidade haja muitas de tais pessoas.
Todavia, apesar da pronta disponibilidade de cartomantes, quiromantes, astrólogos e outros tipos de adivinhos, a maioria das pessoas não procura as predições deles. Por que não?
Em primeiro lugar, os adivinhos são tantas vezes incorretos. E quando afirmam ter acertado, amiúde suas predições são tão vagas e ambíguas, que permitem aplicação a quase que qualquer evento.
As predições dos antigos oráculos pagãos eram similares. O escritor grego Luciano disse a respeito de certo prognosticador de eventos: “Ele proferia oráculos e dava respostas divinas, mas com grande prudência e dando respostas perplexas, duvidosas ou obscuras, segundo o costume dos oráculos.”
Às vezes, tais oráculos davam respostas que podiam ser entendidas em sentido exatamente oposto. Por exemplo, Pirro, rei do Epiro, no noroeste da Grécia, recebeu uma resposta que podia ser entendida das seguintes duas maneiras diferentes:
1. “Digo que tu, filho de Éaco, podes vencer os romanos. Tu irás, tu voltarás, nunca perecerás na guerra.“
2. “Digo que os romanos podem vencer-te filho de Éaco. Tu irás, tu nunca voltarás, tu perecerás na guerra.“
Entendendo o oráculo da primeira forma, Pirro travou guerra com Roma. Foi derrotado.
Mesmo quando as predições dos adivinhos são mais específicas e realmente se cumprem, costumam salientar assuntos de pouca importância. Por exemplo, certa senhora, que desenvolveu a habilidade da predição pelo uso do baralho taró, declarou: “A maior parte do que eu predizia era coisa trivial. O irmão da criada ingressaria no exército, a vizinha teria um bebê . . . nada disso muito importante.”
PREDIÇÕES QUE SÃO DIFERENTES
Sugere isso que não há maneira de você, leitor, obter conhecimento antecipado de futuros eventos importantes? Ao contrário, estão disponíveis predições fidedignas, totalmente diferentes do tipo que acabamos de mencionar. São encontradas na Bíblia Sagrada.
Basta abrir a Bíblia nos livros proféticos, tais como Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, e encontrará predições deveras diferentes. Em vez de tratarem de trivialidades na vida de pessoas, as profecias bíblicas predizem vez após vez o futuro de nações inteiras. Apresentam-se a ascensão e a queda de impérios, e suas caraterísticas, junto com pormenores específicos sobre as suas relações com o próprio povo de Deus — e grande parte disso com séculos de antecedência.
Também, dessemelhantes das predições dos adivinhos, as quais não têm nenhuma relação entre si, todas as profecias da Bíblia estão interligadas. Por exemplo, as Escrituras dizem: “Dar-se testemunho de Jesus é o que inspira [literalmente: o espírito de] o profetizar.” (Rev. 19:10) Todas as profecias bíblicas giram em torno do papel desempenhado por Jesus Cristo como “descendente” ou prole de Abraão, para a bênção de “todas as nações da terra”. — Gên. 3:15; 12:1-3; 22:18; Gál. 3:16.
Além disso, os profetas bíblicos proferiram mensagens morais do mais alto valor. Repreenderam destemidamente reis e altas autoridades por violações da lei de Deus, amiúde pondo sua vida em perigo por fazerem isso.
O que mais impressiona, porém, é que as predições bíblicas se destacam como realmente diferentes por causa de seu cumprimento, até nos mínimos pormenores. E descrevem acontecimentos futuros que envolverão você, leitor, pessoalmente. Nos dois artigos seguintes, consideraremos alguns exemplos disso.
[Capa na página 1]
[Endereço da filial]
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Como se escreveu história com séculos de antecedênciaA Sentinela — 1978 | 1.° de janeiro
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Como se escreveu história com séculos de antecedência
O QUE acha da possibilidade de alguém escrever história com antecedência? Alguns insistem em que isso é impossível e rejeitam toda a questão sem outra investigação.
Mas, pense por um instante: Refuta a mera rejeição por pessoas céticas que é possível haver predições genuínas? Certamente, não seria sábio chegar precipitadamente a tal conclusão. É provável que no seu próprio lar possua evidência de história escrita com séculos de antecedência. De que modo?
É provável que tenha um exemplar da Bíblia Sagrada, que centenas de milhões de pessoas, em todo o mundo, encaram como sendo a palavra inspirada de Deus. (2 Tim. 3:16) As Escrituras estão cheias de predições de acontecimentos que ocorreram centenas de anos depois de terem sido preditos. Consideremos alguns exemplos.
‘TIRO TORNAR-SE-Á ENXUGADOURO DE REDES DE ARRASTO’
Um exemplo da precisão espantosa da profecia bíblica refere-se ao antigo porto marítimo, fenício, de Tiro. Esta cidade tornou-se muito grande às custas de outros povos. Havia ali manufatura de objetos de metal, de vidro e de púrpura, sendo centro comercial para as caravanas terrestres e grande depósito de importação e exportação. Seus comerciantes e mercadores gabavam-se de ser principescos e honrosos. (Isa. 23:8) Em certo tempo, existiam relações amigáveis entre Tiro e Israel. Mas elas não continuaram, porque Tiro, por fim, aliou-se aos inimigos de Israel. Por causa da traição de Tiro para com Israel, Deus inspirou seus profetas Isaías, Jeremias, Ezequiel e outros a predizer calamidade para este porto fenício. Por exemplo, lemos:
“Assim disse o [Soberano] Senhor Jeová: ‘Eis que sou contra ti, ó Tiro, e vou fazer subir contra ti muitas nações, assim como o mar faz subir as suas ondas. E elas certamente arruinarão as muralhas de Tiro e derrubarão as suas torres, e vou raspar dela o seu pó e fazer dela a lustrosa superfície escalvada dum rochedo. Enxugadouro de redes de arrasto é o que ela se tornará no meio do mar. . . . Eis que trago contra Tiro a Nabucodorosor, rei de Babilônia, desde o norte, um rei de reis, com cavalos, e carros de guerra, e cavalarianos, e com uma congregação, sim, um povo numeroso. Vou fazer de ti a lustrosa superfície escalvada dum rochedo. Enxugadouro de redes de arrasto é o que te tornarás. Nunca mais serás reconstruída; porque eu, Jeová, é que falei’, é a pronunciação do [Soberano] Senhor Jeová.” — Eze. 26:3-5, 7, 14.
A história secular registra que Nabucodonosor começou a sitiar Tiro algum tempo depois de destruir Jerusalém e o templo da adoração de Jeová, em 607 A. E. C. O historiador judaico Josefo, à base dos anais fenícios e de outra história escrita anteriormente, declara que o sítio de Nabucodonosor contra Tiro durou treze anos. A Bíblia indica que as forças de Nabucodonosor causaram consideráveis danos a Tiro. — Eze. 26:8-11.
Tiro restabeleceu-se deste golpe dado por Babilônia. Todavia, séculos mais tarde, as forças gregas, sob Alexandre, o Grande, avançaram contra Tiro, que naquele tempo estava situada numa ilha, a uns 800 metros do continente. Quando os habitantes se negaram a se entregar a Alexandre, ele ficou enfurecido e mandou que seus homens raspassem as ruínas da cidade continental e as lançassem no mar, construindo assim um molhe até a cidade insular. Ocorreu então uma batalha naval, em que as forças de Alexandre prevaleceram. Após um sítio de sete meses, os homens de Alexandre tomaram a cidade insular. Quando seus habitantes ofereceram resistência desesperada, a cidade foi incendiada. Isto mostrou ser conforme predissera outro profeta, Zacarias: “Ela mesma será devorada pelo fogo.” — Zac. 9:4.
Embora Tiro tentasse restabelecer-se, no decorrer dos séculos, a cidade caiu várias vezes diante de forças hostis, assim como o profeta de Deus havia predito. (Eze. 26:3) Qual é a atual condição de Tiro, que era uma das grandes potências marítimas do mundo antigo? O lugar é assinalado por ruínas e um pequeno porto de mar, chamado Sour (Sur). Nina Jidejian declara no seu livro Tiro Através das Eras (1969; em inglês): “O porto tornou-se hoje abrigo para barcos de pesca e um lugar para se estenderem as redes”, exatamente como profetizado por meio de Ezequiel. — Eze. 26:5, 14.
MEDO-PÉRSIA E GRÉCIA HAVIAM DE SUCEDER A BABILÔNIA
Durante o sexto século A. E. C., quando Babilônia exercia domínio como a potência mundial predominante, o profeta Daniel recebeu uma espantosa visão num sonho, envolvendo dois animais simbólicos. O primeiro era um carneiro de dois chifres. “E os dois chifres eram altos, porém, um era mais alto do que o outro, e o mais alto é que subira depois.” (Dan. 8:3) O que representava este carneiro? O anjo explicou a Daniel: “O carneiro que viste, tendo dois chifres, representa os reis da Média e da Pérsia.” — Dan. 8:20.
Forneceu-se ali a Daniel o nome da potência mundial que sucederia a Babilônia. Fiel a estes detalhes, Babilônia caiu diante da Medo-Pérsia. Os medos (o chifre menor), no começo, eram os mais fortes, e depois foram os persas que passaram a predominar (o chifre maior, que subiu depois).
Que dizer do segundo animal desta visão? Daniel nos informa de que “vinha um bode dos caprídeos desde o poente sobre a superfície de toda a terra, e ele não tocava na terra. E quanto ao bode, havia entre os seus olhos um chifre proeminente”. — Dan. 8:5.
O bode lutou contra o carneiro, vencendo-o. (Dan. 8:6, 7) Depois ocorreu algo incomum. Daniel prossegue: “Assim que [o bode] se tornou forte, foi quebrado o grande chifre, e passaram a subir de modo proeminente quatro em lugar dele, em direção aos quatro ventos dos céus.” — Dan. 8:8.
Indagando ao anjo o significado desta parte de sua visão simbólica, Daniel recebeu a seguinte resposta:
“E o bode peludo representa o rei da Grécia; e quanto ao chifre grande que havia entre os seus olhos, este representa o primeiro rei. E que este foi quebrado, de modo que por fim se ergueram quatro em seu lugar, haverá quatro reinos que se erguerão de sua nação, mas não com o seu poder.” — Dan. 8:21, 22.
Predisse-se ali que a Medo-Pérsia seria sucedida pela Grécia como potência mundial.
Que dizer do “chifre grande”, que foi quebrado e substituído por quatro chifres em seu lugar? Conforme se observa na explicação do anjo, o chifre grande representava o “primeiro rei” da Grécia como potência mundial. Este era Alexandre, o Grande (ou: Magno). É interessante que, após o falecimento de Alexandre, seu império, com o tempo, foi dividido em quatro partes entre quatro de seus generais, “em direção aos quatro ventos dos céus”, conforme predito. — Dan. 8:8.
Segundo Josefo, esta profecia foi mostrada a Alexandre, quando ele se avizinhou de Jerusalém. Lemos: “Quando se lhe mostrou o livro de Daniel, no qual [Daniel] havia declarado que um dos gregos destruiria o império dos persas, acreditou que ele mesmo fosse o indicado; e, na sua alegria, dispensou por enquanto a multidão, mas, no dia seguinte, convocou-os novamente e disse-lhes que pedissem quaisquer presentes que desejassem.” — Antiquities of the Jews, Livro XI, capítulo VIII, parágrafo 5.
Já meramente nestes poucos pormenores duma visão profética, portanto, o livro bíblico de Daniel apresenta história com mais de 200 anos de antecedência. E o mesmo livro bíblico estende-se ainda mais no futuro. Como?
HISTÓRIA COM SEIS SÉCULOS DE ANTECEDÊNCIA
Uma profecia extraordinária, encontrada em Daniel, capítulo 9, apresenta pormenores de história com mais de seiscentos anos de antecedência. Esta predição especifica que “o Messias, o Líder”, apareceria sessenta e nove “semanas de anos . . . desde a saída da ordem para Jerusalém ser reedificada”, e que, pouco depois, Jerusalém e seu templo seriam destruídos. (Dan. 9:24-27; Matos Soares) Como se cumpriu isso?
O decreto da restauração e da reconstrução de Jerusalém foi emitido pelo rei persa Artaxerxes Longímano, durante o vigésimo ano de seu reinado. Seu decreto entrou em vigor no outono (setentrional) daquele ano, que era o ano 455 A. E. C. Contando dali para a frente sessenta e nove semanas de anos (cada “semana” sendo de sete anos de duração), ou 483 anos, a partir de 455 A. E. C., chegamos ao ano 29 E. C. Segundo o registro bíblico, foi exatamente neste ano que Jesus de Nazaré se apresentou como o Messias, no seu batismo no rio Jordão. — Luc. 3:21-23; 4:16-21.
Esta mesma predição diz que o Messias seria “decepado . . . na metade da [setuagésima] semana”. (Dan 9:26, 27) Em concordância exata com isso, Jesus morreu no dia da Páscoa, na primavera (setentrional) de 33 E. C., exatamente meia ‘semana de anos’, ou três anos e meio, depois de iniciar sua carreira messiânica no batismo. — Mat. 26:2; João 13:1, 2.
Quanto à destruição de Jerusalém, esta profecia declara sobre a geração em que o Messias apareceria e seria decepado na morte: “E a cidade e o lugar santo serão arruinados pelo povo de um líder que há de vir. E o fim disso será pela inundação. E até o fim haverá guerra; o que foi determinado são desolações.” (Dan. 9:26) Cinco dias antes de sua morte, Jesus proveu pormenores adicionais disso, conforme lemos:
“E quando chegou perto [de Jerusalém], contemplou a cidade e chorou sobre ela, dizendo: ‘Se tu, sim tu, tivesses discernido neste dia as coisas que têm que ver com a paz — mas agora foram escondidas de teus olhos. Porque virão sobre ti os dias em que os teus inimigos construirão em volta de ti uma fortificação de estacas pontiagudas e te cercarão, e te afligirão de todos os lados, e despedaçarão contra o chão a ti e a teus filhos dentro de ti, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não discerniste o tempo de seres inspecionada.’” — Luc. 19:41-44.
Sobre a predita “fortificação de estacas pontiagudas”, Josefo relata que, durante a revolta judaica, o general romano Tito incitou à construção duma muralha em volta de Jerusalém. Seus soldados despojaram a região vizinha de árvores e erigiram em apenas três dias uma cerca de estacas em torno dela, de quase oito quilômetros de extensão. No holocausto que se seguiu, 1.100.000 dos “filhos” de Jerusalém pereceram. Indicando quão cabalmente estas predições da destruição da cidade foram cumpridas, restam apenas três torres e uma parte da muralha ocidental. Josefo escreve: “Todas as demais fortificações que rodeavam a Cidade foram tão completamente niveladas ao chão, que ninguém, visitando o lugar, acreditaria que alguma vez fosse habitada.”
Esta destruição de Jerusalém ocorreu em 70 E. C., uns 605 anos depois de Daniel ter escrito seu livro bíblico (por volta de 536 A. E. C.). Quão inspirador de fé é considerar os cumprimentos das pormenorizadas profecias bíblicas escritas com séculos de antecedência! Mas, as predições bíblicas não tratam apenas do passado distante. Muitas têm um notável cumprimento atual, e indicam que você, leitor, pode usufruir um futuro brilhante e feliz. O próximo artigo considerará algumas delas.
[Diagrama na página 7]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
“SETENTA SEMANAS”
455 33 70
A.E.C E.C.(primavera) E.C.
29 36
E.C. E.C.
69 semanas 70.a
de anos “semana”
(=483 anos) Jesus ungido
20.º Jesus Jerusalém
ano de “decepado” destruída
Artaxerxes
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Desde a antiga babilônia até o século vinte na profecia bíblicaA Sentinela — 1978 | 1.° de janeiro
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Desde a antiga Babilônia até o século vinte na profecia bíblica
AS PREDIÇÕES bíblicas tiveram notáveis cumprimentos na antiguidade. Sabia que as Escrituras predizem também assuntos a respeito do século vinte?
O livro bíblico de Daniel contém visões proféticas que abrangem a ascensão e a queda de grandes potências mundiais, desde a antiga Babilônia até a geração atual. Por exemplo, durante o sexto século A. E. C., Daniel teve um sonho sobre quatro animais simbólicos. Segundo a descrição destes animais simbólicos, por Daniel, eles eram:
(1) um leão, que primeiro tinha asas de águia, perdendo-as depois e assumindo qualidades humanas; (2) um urso, devorando muita carne; (3) um leopardo com quatro asas (aumentando sua grande velocidade) e quatro cabeças; e (4) um animal feroz, “atemorizante e terrível, e extraordinariamente forte”, não correspondendo a nenhum animal real. Este quarto animal tinha grandes dentes de ferro, dez chifres e mais outro, um chifre “pequeno”, tendo olhos e uma “boca falando coisas grandiosas”. — Dan. 7:3-8.
DESDE BABILÔNIA ATÉ O DOMÍNIO DUM “FILHO DE HOMEM”
O que representam estes quatro animais? A narrativa bíblica diz que simbolizam “reis” ou reinos. (Dan. 7:17) O leão representa Babilônia, que era a potência dominante no Oriente Médio quando a visão foi recebida. (Jer. 4:5-7) O urso representa o reino que seguiu a Babilônia como potência mundial e que veio a ser a Medo-Pérsia. O leopardo de quatro cabeças, com asas, retrata o Império Grego. Quanto às quatro cabeças do leopardo, após a morte de Alexandre, o Grande, seus generais lutaram pelo controle do império, sendo que quatro deles finalmente obtiveram domínio sobre partes diferentes dele. O quarto animal simbólico desta visão refere-se à potência mundial que absorveu o Império Grego, a saber, Roma.
Que dizer dos dez chifres deste quarto animal e do outro chifre com olhos e uma “boca falando coisas grandiosas”? (Dan. 7:8) Às vezes, as Escrituras usam chifres para simbolizar governantes e dinastias dominantes. (Dan. 8:2-10, 20-22; Zac. 1:18-21; Luc. 1:69-71) O número dez indica plenitude, inteireza, a soma de tudo o que existe de alguma coisa. (Mat. 25:1; Luc. 15:8; 19:13, 16, 17) A história mostra que o Império Romano desfez-se finalmente em diversas nações. Os dez chifres deste quarto animal, evidentemente, representam todos os reinos resultantes da dissolução de Roma.
Quanto ao chifre “pequeno”, que apareceu dentre os dez, durante o século dezoito E. C., a Britânia, antiga súdita imperial menor de Roma, obteve destaque como a principal potência comercial e política no mundo. Por causa dos estreitos vínculos e da união geral de ação, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos são hoje muitas vezes chamados de Potência Mundial Anglo-Americana. Esta potência se ajusta bem a descrição bíblica do chifre “pequeno”.
Visto que a Potência Mundial Anglo-Americana ainda existe, a visão de Daniel, a respeito dos quatro animais, prediz acontecimentos da história humana desde o tempo da antiga Babilônia até os nossos próprios dias. Mas, o que se segue ao fim desta série de reinos políticos, humanos? Daniel acrescenta:
“Continuei observando nas visões da noite e eis que aconteceu que chegou com as nuvens dos céus alguém semelhante a um filho de homem; e ele obteve acesso ao Antigo de dias, e fizeram-no chegar perto perante Este. E foi-lhe dado domínio, e dignidade, e um reino, para que todos os povos, grupos nacionais e línguas o servissem. Seu domínio é um domínio de duração indefinida, que não passará, e seu reino é um que não será arruinado.” — Dan. 7:13, 14.
Quão emocionante é pensar-se que o “filho de homem”, Jesus Cristo, assume o domínio sobre “todos os povos, grupos nacionais e línguas”, e que faz isso em nossos dias! Os que vivem neste período de tempo podem aguardar maravilhosas bênçãos.
A ESTÁTUA DO SONHO DE NABUCODONOSOR
Significado similar tem um sonho profético de Nabucodonosor. Este Rei babilônico visionou uma enorme estátua metálica de forma humana. Daniel explica sobre a estátua que “sua cabeça era de ouro bom, seu peito e seus braços eram de prata, seu ventre e suas coxas eram de cobre, suas pernas eram de ferro, seus pés eram parcialmente de ferro e parcialmente de argila modelada”. — Dan. 2:31-33.
Daniel explicou que a cabeça de ouro representava Nabucodonosor, ou, por extensão, a dinastia dos governantes babilônicos, iniciada por Nabucodonosor. (Dan. 2:37, 38) O peito e os braços de prata retratavam a potência mundial seguinte, a Medo-Pérsia. O ventre e as coxas de cobre representavam “outro reino, um terceiro [contado a partir de Babilônia]”. (Dan. 2:39) Era a Potência Mundial Grega. A parte seguinte da estátua, as pernas de ferro, representavam inicialmente Roma. Todavia, Roma não pode preencher todos os requisitos da parte de ferro da estátua. Por que não?
Porque o ferro se estendia aos pés da estátua, estando ali misturado com argila modelada. E a Bíblia passa a dizer sobre os pés desta estátua: “[Cortou-se] uma pedra, sem mãos, e ela golpeou a estátua nos seus pés de ferro e de argila modelada, e os esmiuçou. Nesta ocasião, o ferro, a argila modelada, o cobre, a prata e o ouro foram juntos esmiuçados.” — Dan. 2:34, 35.
O que significava esta parte do sonho de Nabucodonosor? Daniel explicou: “O Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. E o próprio reino não passará a qualquer outro povo. Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos [representados pela estátua inteira], e ele mesmo ficará estabelecido por tempo indefinido.” — Dan. 2:44.
Este esmiuçamento de todos os reinos da terra, até deixarem de existir, e sua substituição por um domínio divino não ocorreram nos dias do Império Romano. A parte férrea desta estátua, portanto, estende-se à potência mundial que sucedeu a Roma, a Anglo-Americana. Assim, esta visão é paralela à dos quatro animais, em predizer grandes desenvolvimentos na história humana, desde a antiga Babilônia até o reino de Deus assumir o domínio terrestre, nas mãos do “filho de homem”, Cristo Jesus.
Podemos esperar que isso aconteça em breve?
O “SINAL” DA PRESENÇA DE CRISTO
Pouco antes de Jesus ser morto, seus discípulos pediram-lhe um “sinal” de sua “presença e da terminação do sistema de coisas”. (Mat. 24:3) Por “presença” referiam-se ao seu governo no poder do Reino. Como respondeu Jesus à pergunta deles? Tirará proveito da leitura da resposta inteira, conforme registrada em Mateus, capítulos 24, 25, e nas narrativas paralelas de Marcos 13 e Lucas 21. Apresentaremos aqui apenas alguns destaques.
Segundo o relato do Evangelho de Lucas, Jesus incluiu o seguinte como parte do sinal de sua presença: “Nação se levantará contra nação e reino contra reino; e haverá grandes terremotos, e, num lugar após outro, pestilência e escassez de víveres.” (Luc. 21:10, 11) O livro de Revelação ou Apocalipse apresenta as mesmas evidências da presença de Jesus como rei, mas em linguagem simbólica. Numa descrição do que acontece na terra depois de Jesus Cristo, como cavaleiro num simbólico “cavalo branco”, receber a “coroa” do reinado ativo sobre o mundo da humanidade, lemos:
“E saiu outro [cavalo e cavaleiro], um cavalo cor de fogo; e ao que estava sentado nele foi concedido tirar da terra a paz, para que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada. [Veja Lucas 21:10, a respeito de ‘nação levantar-se contra nação.] . . .
“E eu vi, e eis um cavalo preto; e o que estava sentado nele tinha uma balança na mão. E eu ouvi uma voz como que no meio das quatro criaturas viventes dizer: ‘Um litro de trigo por um denário [o salário de um dia inteiro de trabalho, naquele tempo], e três litros de cevada por um denário; e não faças dano ao azeite de oliveira e ao vinho.’ [Veja Lucas 21:11, a respeito da fome.] . . .
“E eu vi, e eis um cavalo descorado; e o que estava sentado nele tinha o nome de Morte. E o Hades [a sepultura comum da humanidade] seguia-o, de perto. E foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra, para matar com uma longa espada, e com escassez de víveres, e com praga mortífera, e pelas feras da terra. [Note que Lucas 21:11 inclui pestilências.]” — Rev. 6:1-8.
Não sentiu pessoalmente essas coisas? Não tem sofrido a atual geração de pessoas guerras, escassez de víveres e doenças epidêmicas sem precedentes, a partir da primeira guerra mundial em 1914 E. C.? E estas coisas não são tudo o que há no sinal da presença de Jesus, no poder do Reino.
Jesus acrescentou como outro aspecto deste sinal: “E, por causa do aumento do que é contra a lei, o amor da maioria se esfriará.” (Mat. 24:12) Não concorda que o vertiginoso aumento na incidência dos crimes, em muitas partes da terra, durante esta geração, tem levado a um esfriamento geral do amor das pessoas tanto para com Deus como para com o seu próximo? — Veja 2 Timóteo 3:1-5.
Não importa quão tristes sejam essas condições mundiais, constituem forte motivo para os crentes na Bíblia se regozijarem, porque Jesus acrescentou: “Deveras, eu vos digo que esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas ocorram.” Isto significa que pessoas que viram o começo destes tempos aflitivos ainda estarão vivas quando o reino celestial de Deus acabar com o atual sistema de coisas. — Mat. 24:8, 34.
O que o substituirá? Um novo sistema de coisas, sob governo divino. Descrevendo as condições prevalecentes na terra, naquele tempo, o livro bíblico de Revelação declara: “Eis que a tenda de Deus está com a humanidade, e ele residirá com eles, e eles serão seus povos. E o próprio Deus estará com eles. E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” — Rev. 21:3, 4.
Gostaria de viver neste novo sistema de coisas? Em caso afirmativo, o cumprimento do “sinal” indicado por Jesus pode ter para você significado especial. Jesus salientou isso, dizendo: “Quando estas coisas principiarem a ocorrer, erguei-vos e levantai as vossas cabeças, porque o vosso livramento está-se aproximando.” — Luc. 21:28.
Que grandiosa esperança! Contudo, Deus estabeleceu certos requisitos, não difíceis de satisfazer, para todos os que hão de sobreviver para aquele novo sistema de coisas. (1 João 5:3, 4) Está disposto a estudar a Bíblia para saber dos requisitos de Deus? Encontrará verdadeira alegria em fazer isso. As Testemunhas de Jeová terão prazer em dirigir um estudo bíblico, domiciliar, gratuito, para você, leitor. Também as reuniões nos Salões do Reino delas estão livres e franqueadas ao público. Contate logo as Testemunhas de Jeová e obtenha maior compreensão do cumprimento da profecia bíblica neste século vinte.
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