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Prostituto (A)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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estranhos se fartam com o seu poder, e as coisas que obteve com dor ficam na casa dum estrangeiro’. — Pro. 5:9, 10.
O sábio aconselha, portanto: “Não desejes no teu coração a sua lindeza [a da mulher estrangeira]. . . visto que por causa duma mulher prostituta fica-se reduzido a um pão redondo; mas, no que se refere à esposa de outro homem, ela caça até mesmo a alma preciosa.” (Pro. 6:24-26) Isto pode significar que um homem em Israel, por se associar com uma prostituta, esbanjava seus recursos e era reduzido à pobreza (compare com 1 Samuel 2:36; Lucas 15:30), mas o homem que cometia adultério com a esposa de outro homem estava perdendo a sua alma (sob a Lei, a pena para o adultério era a morte). Ou, o trecho inteiro talvez se refira à esposa adúltera como uma prostituta.
Os versículos concludentes do capítulo (Pro. 6:29-35) afirmam: “[Quanto a] aquele que tem relações com a esposa do seu próximo; ninguém que tocar nela ficará impune. As pessoas não desprezam o ladrão só porque furta para encher a sua alma quando está com fome. Mas, quando descoberto, ele o compensará com sete vezes tanto; dará todos os valores da sua casa. Quem comete adultério com uma mulher é falto de coração; quem faz isso, arruína a sua própria alma. Achará praga e desonra, e seu próprio vitupério não será extinto. Pois o furor dum varão vigoroso é ciúme, e ele não terá compaixão no dia da vingança. Não terá consideração para com nenhuma sorte de resgate, nem consentirá, não importa quão grande faças o presente.”
O significado deste trecho pode ser que os homens não desprezam grandemente um ladrão que rouba para saciar a fome; eles compreendem, até certo ponto, seu modo de agir. Todavia, caso seja apanhado, ele é obrigado a restaurar com ‘juros’ o que roubou (isto se dava especialmente sob a Lei [Êxo. 22:1, 3-5]; “sete vezes” pode ser empregado no provérbio para indicar que ele se vê obrigado a cumprir a pena em sua plenitude). Mas, o adúltero não pode fazer uma restituição pelo seu pecado; seu vitupério, que é grande, persiste, e de forma alguma ele pode resgatar ou comprar a si mesmo da punição que merece.
O cristão que é membro do corpo espiritual de Cristo, se tiver relações sexuais com uma prostituta ou cometer fornicação, está removendo um membro do Cristo e o tornando membro duma meretriz, unindo-se a uma prostituta como se fossem um só corpo. Desta forma, está pecando contra o seu próprio corpo, no que tange a ser este ‘um membro do Cristo’. — 1 Cor. 6:15-18.
Tem de abandonar tal prática para ser salvo (a)
Existe esperança para as prostitutas, caso larguem esta prática detestável e exerçam fé no sacrifício resgatador de Jesus Cristo. Aos cristãos em Corinto, o apóstolo escreveu, lembrando-lhes que alguns deles tinham sido fornicadores e adúlteros, mas que tinham abandonado tal proceder e tinham sido lavados e declarados justos no nome do Senhor Jesus Cristo. (1 Cor. 6:9-11) Muitas das prostitutas em Israel mostraram possuir corações melhores do que os líderes religiosos. Tais mulheres, encaradas com desprezo pelos escribas e fariseus, aceitaram humildemente a pregação de João, o Batizador, e Jesus as empregou qual exemplo para os líderes religiosos, dizendo: “Deveras, eu vos digo que os cobradores de impostos e as meretrizes entrarão na frente de vós no reino de Deus.” — Mat. 21:31, 32; compare com Tiago 2:25; veja RAABE.
Emprego figurado
Uma pessoa, uma nação, ou uma congregação de pessoas dedicadas a Deus que fazem alianças com o mundo, ou que se voltem para a adoração dos deuses falsos, são chamadas na Bíblia de “prostitutas”. Tal aconteceu com a nação de Israel, que foi seduzida a ter “relações [sexuais] imorais” com deuses estrangeiros, e que se voltou para as nações estrangeiras em busca de segurança e de salvação dos seus inimigos, em vez de voltar-se para seu “dono marital”, Jeová Deus, assim como uma esposa infiel buscaria outros homens. (Isa. 54:5, 6) Ademais, Jerusalém tornou-se tão degradada em sua infidelidade que ultrapassou o costume usual das prostitutas, como o profeta Ezequiel foi inspirado a dizer: “A todas as prostitutas costuma-se dar um presente, mas tu — tu deste os teus presentes a todos os que te amavam apaixonadamente e lhes ofereces suborno para que cheguem a ti de todas as redondezas, nos teus atos de prostituição.” (Eze. 16:33, 34) Tanto o reino de dez tribos de Israel como o reino de duas tribos de Judá foram denunciados como prostitutas desta maneira simbólica. — Eze. 23:1-49.
O exemplo mais notório de prostituição espiritual é o de “Babilônia, a Grande, a mãe das meretrizes e das coisas repugnantes da terra”. — Rev. 17:5.
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ProvérbioAjuda ao Entendimento da Bíblia
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PROVÉRBIO
Veja EXPRESSÃO PROVERBIAL.
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ProvínciaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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PROVÍNCIA
Este designativo indicava, originalmente, a esfera de autoridade dum administrador romano. Quando Roma expandiu suas conquistas para além da península italiana, o território ou os limites geográficos dos domínios dum governador vieram a ser chamados de província.
Em 27 AEC, Augusto, o primeiro imperador romano, organizou as vinte e duas províncias então existentes em duas categorias. As dez mais pacíficas, que não exigiam a presença constante das legiões romanas, tornaram-se províncias senatoriais. O principal oficial romano deste tipo de província era o procônsul. (Atos 18:12; veja PROCÔNSUL) Fez-se das províncias restantes as províncias imperiais, sendo responsáveis diretamente ao imperador, e sendo administradas por um governador e, no caso das maiores, por um comandante militar chamado legado. As províncias imperiais amiúde se situavam próximas da fronteira, ou, por algum outro motivo, exigiam que se estacionassem legiões nelas; por controlar de perto estas províncias, o imperador mantinha o exército sob a sua autoridade. Depois de 27 AEC, formaram-se novas províncias nos territórios conquistados, as quais se tornaram províncias imperiais. Uma província talvez fosse dividida em seções ou distritos administrativos menores.
Com o banimento de Arquelau (Mat. 2:22), o filho de Herodes, o Grande, a Judéia passou a ser regida por governadores romanos. O governador provincial era, até certo ponto, responsável ao legado da província maior da Síria.
Quando Paulo foi entregue a Félix, em Cesaréia, o governador “indagou de que província ele [Paulo] era, e averiguou que era da Cilícia”. (Atos 23:34) Tarso, terra natal de Paulo, achava-se na província romana da Cilícia. — Atos 22:3.
O governador duma província imperial era nomeado pelo imperador por um período indeterminado no cargo, diferente do procônsul duma província senatorial, que normalmente servia apenas por um ano. Félix foi substituído por Festo como governador da província imperial da Judéia. — Atos 25:1.
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Próximo (Vizinho)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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PRÓXIMO (VIZINHO)
Há diversas palavras hebraicas que são traduzidas “próximo“ em certos contextos, em algumas traduções. O vocábulo hebraico shakhén se refere à localização, seja de cidades, seja de pessoas, e inclui amigos e inimigos. (Jer. 49:18; Rute 4:17; Sal. 79:4, 12) Esta palavra provavelmente é a que mais se aproxima da nuança do emprego comum de nossa palavra “próximo“. Outros termos hebraicos que são traduzidos “próximo“, em algumas versões, variam ligeiramente de conotação, e nos fornecem uma visão mais ampla, e, ao mesmo tempo, um entendimento mais exato, dos relacionamentos expressos nas Escrituras Hebraicas.
TERMOS HEBRAICOS RELACIONADOS
A palavra hebraica réa’ significa “camarada, companheiro, amigo“, e pode aplicar-se à intimidade do relacionamento, mas, em geral, significa um camarada ou concidadão, quer seja um associado íntimo, quer viva em íntima proximidade, quer não. Na maioria das vezes em que é empregada nas Escrituras, dá a entender um co-membro da comunidade de Israel, ou alguém que reside em Israel. (Êxo. 20:16; 22:11; Deut. 4:42; Pro. 11:9) ’AmÍth indica “sociedade, camaradagem ou companheiro“, sendo amiúde empregada no sentido de alguém com quem a pessoa tem alguns negócios ou associação. (Lev. 6:2; 19:15, 17; 25:14, 15)
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Provérbios, Livro DeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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PROVÉRBIOS, LIVRO DE
Livro que consiste em uma compilação de provérbios ou expressões sábias, provenientes de várias outras coleções. O próprio livro delineia seu objetivo: “para se conhecer sabedoria e disciplina, para se discernirem as declarações de entendimento, para se receber a disciplina que dá perspicácia, justiça e juízo, e retidão, para se dar argúcia aos inexperientes, conhecimento e raciocínio ao moço.” (Pro. 1:2-4) “O objetivo é que andes no caminho de gente boa e que guardes as veredas dos justos.” — 2:2.
As introduções de três das seções do livro atribuem os provérbios nelas contidos a Salomão. (Pro. 1:1; 10:1; 25:1) Isto concorda com poder Salomão “falar três mil provérbios”. (1 Reis 4:32) Existe muito pouca dúvida de que muitos dos provérbios, se não todos destas seções, foram registrados durante o reinado de Salomão. — Compare com Eclesiastes 12:9, 10.
Os provérbios que não são atribuídos a Salomão tiveram sua origem nas expressões de outros homens sábios, e de uma mulher. (Pro. 22:17; 30:1; 31:1) Não se sabe com precisão exatamente quando todos estes provérbios foram colocados em sua forma final. O último indício de tempo que consta do próprio livro é uma referência ao reinado de Ezequias. (25:1) Assim, existe base para se crer que os provérbios tenham sido compilados em forma de livro antes da morte deste governante em 716 AEC. A repetição de certos provérbios sugere que o livro foi compilado à base de várias coleções separadas. — Compare Provérbios 10:1 com 15:20; 10:2 com 11:4; 14:20 com 19:4; 16:2 com 21:2.
Estilo de disposição geral
O livro de Provérbios acha-se escrito em estilo poético hebraico, que consiste em pensamentos ritmados, que utilizam paralelismos, cujas idéias tanto podem ser similares (Pro. 11:25; 16:18; 18:15) como contrastantes. (10:7, 30; 12:25; 13:25; 15:8) A sua primeira seção (1:1 a 9:18) consiste em breves discursos dirigidos por um pai a seu filho ou a seus filhos. Isto serve como introdução para as expressões breves, incisivas, encontradas nas demais seções do livro. Os últimos 22 versículos do livro acham-se escritos em estilo acróstico, ou alfabético, uma forma de composição também empregada por Davi em vários de seus salmos. — Sal. 9, 10, 25, 34, 37, 145.
Inspirados por Deus
Os escritores das Escrituras Gregas Cristãs testificam que o livro de Provérbios faz parte da Palavra inspirada de Deus. O apóstolo Pedro (1 Ped. 4:18; 2 Ped. 2:22; Pro. 11:31 ILXX1; 26:11) e o discípulo Tiago (4:6; Pro. 3:34, LXX) referiram-se a ele, como também o fez o apóstolo Paulo ao escrever aos coríntios (2 Cor. 8:21; Pro. 3:4, LXX), aos romanos (Rom. 12:16, 20; Pro. 3:7; 25:21, 22), e aos hebreus. (Heb. 12:5, 6; Pro. 3:11, 12) Adicionalmente, numerosas idéias paralelas podem ser encontradas nas Escrituras Gregas Cristãs. — Compare Provérbios 3:7 com Romanos 12:16; Provérbios 3:12 com Revelação 3:19; Provérbios 24:21 com 1 Pedro 2:17; Provérbios 25:6, 7 com Lucas 14:7-11.
Conhecer a Jeová e o caminho para a vida
O livro de Provérbios fala muito sobre o conhecimento em relação com o discernimento, a sabedoria, o entendimento e a faculdade de raciocínio. O conhecimento que tenta transmitir e incentivar, por conseguinte, é mais do que um simples conhecimento mental, uma série de fatos ou erudição. Provérbios faz ver que todo conhecimento verdadeiro tem como ponto de partida o apreço pelo relacionamento da pessoa com Jeová. Efetivamente, no capítulo um, versículo sete, delineia-se o tema do livro: “O temor de Jeová é o princípio do conhecimento.”
Naturalmente, o conhecimento mais importante que se pode adquirir é sobre o próprio Deus. “O conhecimento do Santíssimo é o que é entendimento”, afirma Provérbios 9:10. Tal conhecimento transcende o simples fato da existência de Deus, e de ser Ele o Criador, indo mesmo além do conhecimento de muitos fatos sobre seus modos de lidar com outros. “Conhecê-lo” indica profundo apreço por Suas qualidades excelentes e por Seu grande nome, ter um relacionamento íntimo com Ele.
Jesus Cristo disse aos judeus, que tinham conhecimento sobre Deus: “Ninguém conhece plenamente o Filho, exceto o Pai, tampouco há quem conheça plenamente o Pai, exceto o Filho e todo aquele a quem o Filho estiver disposto a revelá-lo.” (Mat. 11:27) O conhecimento das qualidades de Jeová aprofundará o temor correto de Deus, e nos fará conscientizar-nos de que Jeová merece toda a nossa adoração e nosso serviço, e que conhecê-lo, e obedecer a Ele, é o caminho para a vida. “O temor de Jeová é fonte de vida para se desviar dos laços da morte”, e: “O temor de Jeová tende para a vida.” — Pro. 14:27; 19:23
Jeová o criador
Jeová, com incomparável sabedoria, é o Criador de todas as coisas e o Promulgador de leis que governam tais coisas; assim, ele merece a adoração de todas as criaturas. (Pro. 3:19, 20) Ele fez o ouvido que ouve e o olho que vê, tanto literalmente como em sentido moral. Assim sendo, é preciso que nos voltemos para Ele a fim de vermos e ouvirmos com real entendimento, e temos de discernir que havemos de prestar contas a Ele, que a tudo vê e ouve. — 20:12.
Justiça
Este livro exalta a Jeová como sendo o centro de todas as coisas e Aquele de quem se originam todos os princípios justos. À guisa de exemplo: “Fiel e balança justos pertencem a Jeová; todos os pesos de pedra da bolsa são seu trabalho.” (Pro. 16:11) Sua vontade como Legislador é que a honestidade e a justiça dominem todas as transações. (11:1; 20:10) Por temê-lo, a pessoa aprende a amar o que Ele ama, e a odiar o que Ele odeia, e, desta forma, tornar reto o seu modo de vida, pois “o temor de Jeová significa odiar o mal”. (8:13) Provérbios revela que Jeová odeia especialmente olhos altaneiros, língua falsa, mãos que derramam sangue inocente, o coração que projeta ardis prejudiciais, pés que se apressam a correr para a maldade,a testemunha falsa que profere mentiras, e todo aquele que cria contendas entre irmãos. (6:16-19; 12:22; 16:5) Quem verdadeiramente odeia tais coisas está trilhando bem o caminho para a vida.
Em aditamento, o livro de Provérbios ilumina o caminho do justo, por mostrar o que Jeová aprova. “Os inculpes no seu caminho são um prazer para ele”, como também são as orações de tais pessoas. (Pro. 11:20; 15:8, 29) “O bom obtém a aprovação de Jeová.” (12:2) “Ele ama aquele que se empenha pela justiça.” — 15:9.
Julgamento e orientação
Quem conhece a Jeová se dá conta, através do conhecimento e da experiência, que, conforme afirma Provérbios 21:30, “não há sabedoria, nem discernimento, nem conselho em oposição a Jeová”. Por conseguinte, embora ouça outros planos, ou os acalente em seu coração, a pessoa sensata orientará seu modo de vida em harmonia com o conselho de Jeová, sabendo que os conselhos adversos, não importa quão aparentemente sábios ou plausíveis, não podem prevalecer contra a vontade de Jeová. — 19:21; compare com Josué 23:14; Mateus 5:18.
Disse o inspirado Rei Salomão: “Confia em Jeová de todo o teu coração. . . Nota-o em todos os teus caminhos, e ele mesmo endireitará as tuas veredas.” (Pro. 3:5, 6) O coração do homem escolhe o caminho que ele deseja trilhar, mas, mesmo quando ele escolhe o caminho correto, a fim de ter êxito, precisa voltar-se para Jeová, a fim de que Ele dirija os seus passos. — 16:3, 9; 20:24; Jer. 10:23.
Tendo escolhido a vereda da vida, a pessoa deve reconhecer o vívido interesse de Jeová por ela. Provérbios nos lembra que os olhos de Jeová “estão em todo lugar, vigiando os maus e os bons”. (Pro. 15:3) “Porque os caminhos do homem estão diante dos olhos de Jeová e ele contempla todos os seus trilhos.” (5:21) Não só o que tal homem parece ser exteriormente, mas também seu coração, é examinado por Jeová. (17:3) “Jeová faz a avaliação dos corações” (21:2), e pesa o verdadeiro valor da motivação e dos desejos mais íntimos da pessoa.
Mostra-se que os julgamentos de Jeová são sempre justos, em todo o sentido, e resultam no bem dos que buscam a retidão. No devido tempo, Deus eliminará os iníquos da terra, a morte destes sendo o preço da liberdade dos justos. Concordemente, declara o provérbio: “O iníquo é resgate para o justo; e quem age traiçoeiramente toma o lugar dos retos.” (Pro. 21:18) Entre tais iníquos acham-se os orgulhosos, que são detestáveis para Jeová. Eles ‘não ficarão impunes’. (16:5) “A casa dos que se enaltecem, Jeová a derrubará.” (15:25) Ele “roubará a alma” dos que roubam dos humildes. — 22:22, 23.
Por observar estes modos de Jeová lidar com outros, o homem de mentalidade justa tornará retas as suas veredas. (Compare com Provérbios 4:26.) Vê que permitir a parcialidade, através de suborno (17:23) ou da influência da personalidade (18:5) faz com que a pessoa perverta seu julgamento. ‘Declarar justo ao iníquo e iníquo ao justo’ o tornaria detestável aos olhos de Jeová. (17:15) Ele também aprende a não ter preconceito, mas a ouvir plenamente ambos os lados dum assunto, antes de julgá-lo. — 18:13
Segurança e felicidade
Àquele que resguarda a sabedoria prática e o raciocínio que obtém de Jeová, diz o livro de Provérbios: “O próprio Jeová, de fato, mostrará ser tua confiança e ele certamente guardará teu pé da captura.” (Pro. 3:21, 26; 10:29; 14:26) Se alguém teme a Jeová, “neste caso haverá futuro”. (23:17, 18) Ademais, não só existe uma esperança futura, mas há também felicidade e segurança no tempo atual. (3:25, 26) “Quando Jeová tem prazer nos caminhos de um homem, faz que até os seus próprios inimigos estejam em paz com ele.“ (16:7) Deus não permitirá que o justo passe fome. (10:3) Se alguém honra a Deus com suas coisas valiosas, seus “depósitos de suprimentos se encherão de fartura”. (3:9, 10) Ele acrescenta dias à vida de tal homem. — 10:27.
Quem ‘se refugia’ no nome de Jeová (entendendo e reconhecendo este nome em tudo que ele representa) verificará que este é como uma torre forte, para a qual, nos tempos antigos, as pessoas fugiam em busca de segurança diante do inimigo. — Pro. 18:10; 29:25.
A humildade perante Jeová traz “riquezas, e glória, e vida”. (Pro. 22:4) A misericórdia e a verdade são o que Ele deseja; estas são mais valiosas do que sacrifícios. Aqueles que se desviam do mal, temem a Jeová e o servem deste modo, não receberão Seu julgamento adverso. (16:6; compare com 1 Samuel 15:22.) Por conhecer os modos de Jeová, pode-se seguir “o curso inteiro do que é bom”. — 2:9
Visa o coração
Para alcançar seu propósito, o livro de Provérbios visa o coração. Mais de setenta e cinco vezes, refere-se ao coração como obtendo conhecimento, entendimento, sabedoria, discernimento, e como sendo responsável por palavras e ações, ou como sendo influenciado por circunstâncias e condições. Deve-se aplicar o coração ao discernimento (Pro. 2:2); o coração deve observar os mandamentos justos (3:1); estes devem ser escritos “na tábua do. . . coração”. (3:3) “Mais do que qualquer outra coisa” deve-se resguardar o coração. (4:23) Não é apenas com os processos mentais de raciocínio, mas de todo o coração, que se deve confiar em Jeová. — 3:5.
A disciplina e o coração
Provérbios atribui elevado valor à disciplina, sob várias formas. (Pro. 3:11, 12) Afirma: “Quem se esquiva da disciplina rejeita a sua própria alma, mas aquele que escuta a repreensão adquire coração.” (15:32) Assim, a repreensão atinge o coração e o reajusta, pois, o coração é o que realmente influi na vida da pessoa, em todo o seu ser, à vista de Deus. “Os próprios tolos estão morrendo por serem faltos de coração.” (10:21) Visto ser o coração que precisa ser alcançado no treinamento dos filhos, informa-se-nos: “A tolice está ligada ao coração do rapaz; a vara da disciplina é a que a removerá para longe dele.” — 22:15.
O espírito e a alma
Provérbios não é um livro de declarações de simples sabedoria humana, de como agradar ou influenciar os homens. Antes, Provérbios vai mais fundo, chegando até o coração, como influindo na motivação, até o espírito, ou inclinação mental, e até a alma, como abrangendo toda fibra do ser e da personalidade da pessoa. (Compare com Hebreus 4:12.) Mesmo que um homem talvez julgue estar certo, ou justifique as suas ações, ‘todos os caminhos dum homem sendo puros aos seus próprios olhos’, Provérbios 16:2 nos faz lembrar que “Jeová faz a avaliação dos espíritos”, e, assim, sabe qual é a disposição da pessoa. A força ou o poder são altamente prezados no mundo, porém, “melhor é o vagaroso em irar- se do que o homem poderoso, e aquele que controla seu espírito, do que aquele que captura uma cidade”. — Pro. 16:32.
Obter o conhecimento e a sabedoria deste livro divinamente provido será de grande ajuda para a pessoa granjear a felicidade na vida atual, e a colocará na senda da vida eterna. Visto que “quem adquire coração ama a sua própria alma”, o conselho e a disciplina inspirados, ali contidos, se forem seguidos, acrescentarão “longura de dias e anos de vida”, e “mostrar-se-ão vida para a tua alma”. (Pro. 3:2; 19:8; 3:13-18, 21-26) “Jeová não fará que a alma do justo passe fome.” (10:3) “Quem guarda o mandamento guarda a sua alma”, admoesta Salomão. — 19:16.
Relacionamentos com outros
Provérbios descreve o verdadeiro servo de Deus como alguém que emprega sua língua para o bem (Pro. 10:20, 21, 31, 32), não proferindo falsidades nem mesmo ferindo outros com palavras impensadas. (12:6, 8, 17-19; 18:6-8, 21) Caso seja provocado, ele desvia o furor de seu oponente por meio duma resposta branda. (15:1; 25:15) Não aprecia disputas, nem altercações, e exerce autodomínio para não ter acessos de ira, sabendo que poderia cometer irreparável tolice. (14:17, 29; 15:18; compare com Colossenses 3:8.) Com efeito, evitará o companheirismo dos que permitem que a ira os controle, e que são tomados por acessos de ira, pois sabe que estes o levariam a um laço. — Pro. 22:24, 25; compare com 13:20; 14:7; 1 Coríntios 15:33.
Faça o bem e não o mal
Os Provérbios inspirados instam com a pessoa para que tome a iniciativa de fazer o bem aos outros. Não só deve agir para o benefício daqueles que ‘moram em segurança’ junto com ela e que não lhe fizeram nenhum mal (Pro. 3:27-30), mas se insta também a que retribua o mal com o bem. (25:21, 22) Deve velar de perto por seu coração, para que não sinta regozijo íntimo diante da calamidade advinda a alguém a quem despreza, ou alguém que a odeia. — 17:5; 24:17, 18.
Tagarelice e calúnia
Muito se diz, no livro de Provérbios, sobre as dificuldades, o pesar e os danos resultantes da tagarelice, e a gravidade da culpa que pesa sobre o mexeriqueiro. O ‘petisco’ dum caluniador é ‘engolido avidamente’ por seu ouvinte, e não é encarado como sendo de somenos importância, mas causa uma profunda impressão, descendo “até as partes mais íntimas do ventre”. Por conseguinte, causa dificuldades, e quem a profere não pode ‘eximir-se’ da culpa. Embora tal pessoa possa parecer muito graciosa, e possa disfarçar sua verdadeira condição de coração, Deus se certificará de que o ódio e a maldade que realmente existem dentro dela sejam ‘descobertos na congregação’. Ela cairá na cova que escavou para outrem. — Pro. 26:22-28.
Relações familiares
Provérbios aconselha estritamente a fidelidade conjugal. O homem deve deleitar-se na ‘esposa de sua mocidade’, e não ficar procurando satisfação em outra parte. (Pro. 5: 15-23) O adultério trará ruína e morte a seus praticantes. (5:3-14; 6:23-35) A boa esposa é uma “coroa” e uma bênção para o marido. Mas, se a esposa age vergonhosamente, ela é “como podridão nos. . . ossos [do marido dela]”. (12:4) E é uma desgraça para um homem até mesmo conviver com a esposa contenciosa. (25:24; 19:13; 21:19; 27:15, 16) Embora ela talvez seja exteriormente linda e charmosa, é como “uma argola de ouro, para as narinas, no focinho dum porco”. (11:22; 31:30) A mulher tola realmente derruba sua própria casa. (14:1) O excelente valor da boa esposa — sua laboriosidade, sua fidedignidade, e seus cuidados da casa com fidelidade e submissão ao marido — é sobejamente descrito em Provérbios, capítulo 31.
Mostra-se que os pais são plenamente responsáveis pelos seus filhos, e destaca-se a disciplina como essencial. (Pro. 19:18; 22:6, 15; 23:13, 14; 29:15, 17) Ressalta-se a responsabilidade do pai, mas o filho tem de respeitar tanto o pai como a mãe, caso deseje obter vida da parte de Jeová. — 19:26; 20:20; 23:22; 30:17.
Cuidados para com os animais
Até mesmo a preocupação com os animais domésticos é abrangida nos Provérbios. “O justo importa-se com a alma do seu animaldoméstico.” (Pro. 12:10) “Devias conhecer positivamente a aparência do teu rebanho.”
— 27:23.
Estabilidade e fidelidade governamentais
Os provérbios expressam princípios do bom governo. Os homens em altas posições, tais como os reis, devem pesquisar cabalmente os assuntos (Pro. 25:2), manifestar benevolência e veracidade (20:28), e lidar de forma justa com seus súditos (29:4; 31:9), incluindo os humildes. (29:14) Seus conselheiros não podem ser homens iníquos, se o governo há de ser firmemente estabelecido pela justiça. (25:4, 5) Um líder tem de ser um homem de discernimento, e alguém que odeia o lucro injusto. — 28:16.
Embora ‘a justiça enalteça uma nação’ (Pro. 14:34), a transgressão resulta num governo instável. (28:2) A revolução também traz grande instabilidade, e, em Provérbios 24:21, 22, aconselha-se contra ela: “Filho meu, teme a Jeová e ao rei. Não te metas com os que estão a favor duma mudança. Porque o seu desastre surgirá tão repentinamente, que da extinção daqueles que estão a favor duma mudança quem se aperceberá?”
Útil para aconselhar
Visto que os provérbios abrangem ampla gama de empenhos humanos, podem fornecer uma base para se dar muitos conselhos e admoestações práticas, como foi feito pelos escritores das Escrituras Gregas Cristãs. “O coração do justo medita a fim de responder.” (Pro. 15:28) No entanto, não é sábio aconselhar os zombadores. “Quem corrige ao zombador toma para si desonra, e quem dá repreensão a um iníquo — defeito nele. Não repreendas ao zombador, para que não te odeie. Dá repreensão ao sábio e ele te amará.” (9:7, 8; 15:12; compare com Mateus 7:6.) Nem todas as pessoas são zombadoras, e, por isso, os que se acham em posição de dar conselhos a outros devem fazê-lo, conforme é destacado nas seguintes palavras: “Os próprios lábios do justo estão apascentando a muitos.”
— Pro. 10:21.
Veja o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 102-107
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