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Provérbios, Livro DeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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doméstico.” (Pro. 12:10) “Devias conhecer positivamente a aparência do teu rebanho.”
— 27:23.
Estabilidade e fidelidade governamentais
Os provérbios expressam princípios do bom governo. Os homens em altas posições, tais como os reis, devem pesquisar cabalmente os assuntos (Pro. 25:2), manifestar benevolência e veracidade (20:28), e lidar de forma justa com seus súditos (29:4; 31:9), incluindo os humildes. (29:14) Seus conselheiros não podem ser homens iníquos, se o governo há de ser firmemente estabelecido pela justiça. (25:4, 5) Um líder tem de ser um homem de discernimento, e alguém que odeia o lucro injusto. — 28:16.
Embora ‘a justiça enalteça uma nação’ (Pro. 14:34), a transgressão resulta num governo instável. (28:2) A revolução também traz grande instabilidade, e, em Provérbios 24:21, 22, aconselha-se contra ela: “Filho meu, teme a Jeová e ao rei. Não te metas com os que estão a favor duma mudança. Porque o seu desastre surgirá tão repentinamente, que da extinção daqueles que estão a favor duma mudança quem se aperceberá?”
Útil para aconselhar
Visto que os provérbios abrangem ampla gama de empenhos humanos, podem fornecer uma base para se dar muitos conselhos e admoestações práticas, como foi feito pelos escritores das Escrituras Gregas Cristãs. “O coração do justo medita a fim de responder.” (Pro. 15:28) No entanto, não é sábio aconselhar os zombadores. “Quem corrige ao zombador toma para si desonra, e quem dá repreensão a um iníquo — defeito nele. Não repreendas ao zombador, para que não te odeie. Dá repreensão ao sábio e ele te amará.” (9:7, 8; 15:12; compare com Mateus 7:6.) Nem todas as pessoas são zombadoras, e, por isso, os que se acham em posição de dar conselhos a outros devem fazê-lo, conforme é destacado nas seguintes palavras: “Os próprios lábios do justo estão apascentando a muitos.”
— Pro. 10:21.
Veja o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”, pp. 102-107
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ProvínciaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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PROVÍNCIA
Este designativo indicava, originalmente, a esfera de autoridade dum administrador romano. Quando Roma expandiu suas conquistas para além da península italiana, o território ou os limites geográficos dos domínios dum governador vieram a ser chamados de província.
Em 27 AEC, Augusto, o primeiro imperador romano, organizou as vinte e duas províncias então existentes em duas categorias. As dez mais pacíficas, que não exigiam a presença constante das legiões romanas, tornaram-se províncias senatoriais. O principal oficial romano deste tipo de província era o procônsul. (Atos 18:12; veja PROCÔNSUL) Fez-se das províncias restantes as províncias imperiais, sendo responsáveis diretamente ao imperador, e sendo administradas por um governador e, no caso das maiores, por um comandante militar chamado legado. As províncias imperiais amiúde se situavam próximas da fronteira, ou, por algum outro motivo, exigiam que se estacionassem legiões nelas; por controlar de perto estas províncias, o imperador mantinha o exército sob a sua autoridade. Depois de 27 AEC, formaram-se novas províncias nos territórios conquistados, as quais se tornaram províncias imperiais. Uma província talvez fosse dividida em seções ou distritos administrativos menores.
Com o banimento de Arquelau (Mat. 2:22), o filho de Herodes, o Grande, a Judéia passou a ser regida por governadores romanos. O governador provincial era, até certo ponto, responsável ao legado da província maior da Síria.
Quando Paulo foi entregue a Félix, em Cesaréia, o governador “indagou de que província ele [Paulo] era, e averiguou que era da Cilícia”. (Atos 23:34) Tarso, terra natal de Paulo, achava-se na província romana da Cilícia. — Atos 22:3.
O governador duma província imperial era nomeado pelo imperador por um período indeterminado no cargo, diferente do procônsul duma província senatorial, que normalmente servia apenas por um ano. Félix foi substituído por Festo como governador da província imperial da Judéia. — Atos 25:1.
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Próximo (Vizinho)Ajuda ao Entendimento da Bíblia
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PRÓXIMO (VIZINHO)
Há diversas palavras hebraicas que são traduzidas “próximo“ em certos contextos, em algumas traduções. O vocábulo hebraico shakhén se refere à localização, seja de cidades, seja de pessoas, e inclui amigos e inimigos. (Jer. 49:18; Rute 4:17; Sal. 79:4, 12) Esta palavra provavelmente é a que mais se aproxima da nuança do emprego comum de nossa palavra “próximo“. Outros termos hebraicos que são traduzidos “próximo“, em algumas versões, variam ligeiramente de conotação, e nos fornecem uma visão mais ampla, e, ao mesmo tempo, um entendimento mais exato, dos relacionamentos expressos nas Escrituras Hebraicas.
TERMOS HEBRAICOS RELACIONADOS
A palavra hebraica réa’ significa “camarada, companheiro, amigo“, e pode aplicar-se à intimidade do relacionamento, mas, em geral, significa um camarada ou concidadão, quer seja um associado íntimo, quer viva em íntima proximidade, quer não. Na maioria das vezes em que é empregada nas Escrituras, dá a entender um co-membro da comunidade de Israel, ou alguém que reside em Israel. (Êxo. 20:16; 22:11; Deut. 4:42; Pro. 11:9) ’AmÍth indica “sociedade, camaradagem ou companheiro“, sendo amiúde empregada no sentido de alguém com quem a pessoa tem alguns negócios ou associação. (Lev. 6:2; 19:15, 17; 25:14, 15) Qaróhv, que significa “perto, à mão, quase que aparentado com“, refere-se a um local, uma ocasião ou pessoas; pode subentender um relacionamento mais íntimo do que “próximo“. - Êxo. 32:27; Jos. 9:16; Sal. 15:3; Eze. 23:5.
TERMOS GREGOS
Similarmente, nas Escrituras Gregas, existem três palavras, com nuanças ligeiramente diferentes, que são geralmente traduzidas “próximo“: geíton, “alguém que vive na mesma terra“ (Luc. 14:12; João 9:8); períoikos, um adjetivo que significa “morar em redor“, utilizado como substantivo (plural) em Lucas 1:58; plesíon “perto“, empregado junto com o artigo ho, “o(a)“, como, “o(aquele) perto“.- Rom. 13:10; Efé. 4:25.
Sobre estas palavras gregas, W. E. Vine afirma em An Expository Dictionary of New Testament Words (Dicionário Expositivo de Palavras do Novo Testamento) : “ [Estas palavras] possuem um significado mais amplo do que o da palavra inglesa neighbour [próximo]. Não havia casas de fazendas espalhadas pelas áreas agrícolas da Palestina; as populações, juntadas em povoados, entravam e saíam deles para a sua labuta. Assim, a vida doméstica envolvia, em cada aspecto, amplo círculo de vizinhos (próximos). Os termos para próximo tinham, por conseguinte, uma aplicação bastante abrangente. Pode-se depreender isto das principais características dos privilégios e dos deveres da vizinhança, conforme delineados na Escritura, (a) sua prestimosidade, e.g., . . . Lucas 10:36; (b) sua intimidade, e.g., Lucas 15:6, 9 . . . Heb. 8:11; (c) sua sinceridade e santidade, e.g., . . . Rom. 13:10; 15:2; Efé. 4:25; Tia. 4:12.“ - Ed. 1962, Vol. III, p. 107.
ORDENADO O AMOR AO PRÓXIMO
A Bíblia, de ponta a ponta, instrui a pessoa a exercer amor, bondade, generosidade e prestimosidade para com o próximo, quer ele seja um simples morador da vizinhança, um associado, um companheiro, um conhecido íntimo, quer um amigo. A Lei ordenava: “Com justiça deves julgar o teu colega [forma de ‘amíth]. . . . Não deves odiar teu irmão no teu coração. Decerto deves repreender o teu colega, para que não leves o pecado junto com ele. . . . e tens de amar o teu próximo [uma forma de réa’] como a ti mesmo.“ (Lev. 19:15-18) (Na Septuaginta, a palavra réa’ é aqui traduzida pela expressão grega ho plesíon.) Davi elogia o homem que “não caluniou com a sua língua. Não fez nenhum mal a seu companheiro [uma forma de réa’], e não levantou nenhum vitupério contra o seu conhecido íntimo [uma forma de qaróhv]“. (Sal. 15:3) Repetem-se as injunções para não se causar dano ao próximo (réa’), nem mesmo desprezá-lo, ou desejar algo que pertença a ele. - Êxo. 20:16; Deut. 5:21; 27:24; Pro. 14:21.
O apóstolo Paulo disse: “Quem ama o seu próximo tem cumprido a lei.“ Ele então cita alguns dos mandamentos da Lei, e concluiu: “E qualquer outro mandamento que haja, está englobado nesta palavra, a saber: ’Tens de amar o teu próximo [plesíon] como a ti mesmo.’ O amor não obra o mal para com o próximo [plesíon]; portanto, o amor é o cumprimento da lei.“ (Rom. 13:8-10; compare com Gálatas 5:14.) Tiago chama o mandamento de amar o próximo como a si mesmo de a “lei régia“. - Tia. 2:8.
O segundo maior mandamento
A um judeu que perguntou: “Que preciso fazer de bom, a fim de obter a vida eterna?“, e que desejava saber que mandamentos seguir, Jesus citou cinco dos Dez Mandamentos, e adicionou a injunção de Levítico 19:18, quando disse: “Tens de amar o teu próximo [plesíon] como a ti mesmo.“ (Mat. 19:16-19) Ele também classificou esta injunção como o segundo mais importante da Lei - um dos dois de que dependiam toda a Lei e os Profetas. - Mat. 22:35-40; Mar. 12:28-31; Luc. 10:25-28.
Quem é meu próximo?
Jesus também aprofundou a avaliação de seus ouvintes quanto ao significado da palavra plesíon quando o mesmo homem, ansioso de provar-se justo, perguntou adicionalmente: “Quem é realmente o meu próximo [plesíon]?“ Na ilustração de Jesus sobre o samaritano misericordioso, ele tornou enfático que, mesmo que alguém morasse distante, ou que não fosse parente ou associado, o verdadeiro próximo é aquele que exerce o amor e a bondade para com outrem, que as Escrituras ordenam. - Luc. 10:29-37.
CONSELHO DE PROVÉRBIOS
Ao passo que a pessoa deve ajudar seu próximo e amá-lo, todavia, tem de exercer cautela de não fazer tentativas de se tornar o associado mais íntimo do seu próximo ou vizinho - para evitar importuná-lo, ou tomar liberdades. O provérbio reveste tal idéia nos seguintes termos: “Faze raro o teu pé na casa do teu próximo [uma forma de réa’], para que não se farte de ti e certamente te odeie.“ - Pro. 25:17.
No entanto, a fidelidade e a confiabilidade dum companheiro, e a conveniência de recorrer a tal pessoa numa hora de necessidade, são aconselhadas em Provérbios: “Não abandones o teu próprio companheiro ou o companheiro de teu pai, e não entres na casa de teu próprio irmão no dia do teu desastre. Melhor o vizinho [shakhén] que está perto do que um irmão que está longe.“ (Pro. 27:10) Aqui o escritor parece estar dizendo que um amigo íntimo da família é alguém que devemos prezar, e devemos procurá-lo para ajudar-nos, em vez de a um parente tão chegado quanto um irmão que está distante, uma vez que este talvez não esteja tão pronto ou, pelo menos, não esteja numa situação tão favorável de nos prestar ajuda como o companheiro da família.
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